Rei Charles lança ‘cura’ para ressaca de Natal em loja real na Inglaterra
Família Real britânica abre vaga para responder cartas no Palácio de Buckingham com salário de R$ 20 mil
De acordo com reportagem do Infobae, batizado de Cullinan, em referência ao empresário Thomas Cullinan, dono da mina, o achado superava em mais de três vezes o maior diamante conhecido até então. Estudos posteriores revelaram sua origem extraordinária: formado há cerca de 1,18 bilhão de anos nas profundezas do manto terrestre, entre 410 e 660 quilômetros de profundidade, o cristal chegou intacto à superfície após uma violenta erupção vulcânica, algo considerado geologicamente raro.
As nove pedras principais. Acima: Cullinan II, I e III. Abaixo: Cullinan VIII, VI, IV, V, VII e IX
Reprodução/Wikimedia Commons
A descoberta rapidamente ultrapassou os limites da mineração e ganhou contornos políticos. Exibido ao público em Joanesburgo, o diamante passou a ser tratado como ativo estratégico pela Colônia do Transvaal. Em 1907, o governo local decidiu comprá-lo por 150 mil libras esterlinas e oferecê-lo como presente ao rei Eduardo VII, numa tentativa de estreitar laços com o Império Britânico. A aceitação só ocorreu após articulações políticas — entre elas, a intervenção de Winston Churchill, então subsecretário para as Colônias.
Uma viagem cercada de estratégias
O transporte do Cullinan tornou-se um capítulo à parte. Enquanto jornais noticiavam que a pedra cruzaria o oceano escoltada em um navio fortemente vigiado, o verdadeiro diamante seguia discretamente pelo correio comum, escondido dentro de uma simples lata de biscoitos. O cofre a bordo do navio serviu apenas como distração.
O diamante bruto Cullinan
Reprodução
Apresentado oficialmente ao rei em novembro de 1907, o diamante iniciou então sua etapa mais delicada: a lapidação. A tarefa foi confiada aos irmãos Asscher, de Amsterdã. Após semanas de estudo, Joseph Asscher conseguiu dividir a pedra com precisão. O processo resultou em nove grandes diamantes e dezenas de gemas menores.
A rainha Mary usa os diamantes Cullinan I e II como broche, o III como pingente em seu colar de coroação e o IV na base de sua coroa, sob o Koh-i-Noor
Divulgação/Coleção Real
As duas maiores peças tornaram-se símbolos do poder monárquico. O Cullinan I, com 530 quilates, passou a ornamentar o cetro real; o Cullinan II, com 317 quilates, foi incrustado na Coroa Imperial do Estado. Ambos seguem expostos na Torre de Londres como parte das Joias da Coroa Britânica. As demais gemas foram distribuídas entre membros da família real e incorporadas a broches, colares e tiaras usados ao longo de gerações.
Mais de um século depois, o Cullinan transcende seu valor material. Da profundidade da Terra à vitrine do império, o diamante que viajou escondido em uma lata tornou-se um dos maiores símbolos históricos da monarquia britânica — e uma prova de como natureza, poder e narrativa podem se fundir em uma única joia.







