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— A candidatura da presidente Bachelet, que já foi registrada nas Nações Unidas, será apresentada em conjunto com nossos países irmãos, Brasil e México — declarou Boric em coletiva de imprensa nesta segunda-feira no palácio presidencial, em Santiago.
Bachelet é uma das candidatas para substituir o português António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.
— Sinto-me muito honrada por ser candidata a secretária-geral, não só pelo Chile, mas também pelo Brasil e pelo México. Agradeço o apoio a esta candidatura e aceito a enorme responsabilidade que ela acarreta — declarou a ex-presidente ao lado de Boric.
Segundo um comunicado conjunto de Chile, México e Brasil, “essa candidatura reflete a vontade compartilhada dos nossos países de contribuir ativamente para o fortalecimento do sistema multilateral e de promover uma liderança capaz de responder aos desafios atuais”.
“A trajetória de Bachelet é marcada pelo pioneirismo. Foi a primeira mulher a presidir o Chile, por duas vezes, e a primeira a ocupar os cargos de ministra da Defesa e da Saúde em seu país. No sistema das Nações Unidas, teve papel decisivo na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, dando escala institucional à agenda da igualdade. Como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, trabalhou para proteger os mais vulneráveis, avançar no reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo, saudável e sustentável, e dar voz a quem mais precisa ser ouvido”, escreveu Lula em uma rede social ao anunciar o apoio à chilena nesta segunda-feira.
Bachalet ainda não sabe se contará com o apoio do futuro governo de José Antonio Kast, de extrema direita, eleito em dezembro para assumir a Presidência do país andino. Kast afirmou que se pronunciará sobre o tema depois de 11 de março, quando assumir o poder. A ex-presidente também terá que buscar o apoio dos Estados Unidos, que poderiam se inclinar por outro candidato.
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— O nome Bachelet não agrada 100% o presidente dos EUA, Donald Trump — disse à AFP Rodrigo Espinoza, analista político da Universidade Diego Portales.
Para Espinoza, é mais provável que Trump apoie o nome do argentino Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), impulsionado pelo governo de Javier Milei.
Competirão também pelo cargo a costa-riquenha Rebeca Grynspan, secretária-geral da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Alicia Bárcena, secretária de Meio Ambiente do México, e Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados.
Em 80 anos, nenhuma mulher ocupou o cargo máximo na ONU e houve apenas um representante da América Latina: o diplomata peruano Javier Pérez de Cuéllar, que serviu de 1982 a 1991. Segundo uma prática não regulamentada e nem sempre respeitada, o cargo de secretário-geral é rotativo entre as regiões. Desta vez, seria a vez da América Latina, e há consenso de que a vaga deve ser ocupada por uma mulher.






