À beira do colapso: Sem petróleo da Venezuela, crise de Cuba se aprofunda e expõe fragilidades estruturais
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— [Os EUA] estão impondo um bloqueio energético e pretendem criar uma catástrofe humanitária, usando como pretexto a absurda alegação de que Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária à sua segurança nacional — afirmou Rodríguez na Conferência sobre Desarmamento realizada na cidade suíça.
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O ministro cubano ainda denunciou as ações americanas como “criminosas e ilegais”, afirmando que, somadas, “constituem uma punição coletiva implacável contra o povo cubano” — o país enfrenta uma grave escassez de combustível, que repercute em apagões frequentes, uma vez que o sistema elétrico é quase totalmente dependente de termoelétricas. O corte no fornecimento por Caracas fragilizou ainda mais a situação.
A ilha comunista é um dos principais alvos declarados de Washington, que desde que mobilizou boa parte de seu poder naval para a região do Caribe, mantém uma narrativa hostil contra os regimes de esquerda da América Latina. Ainda em janeiro, após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, Trump assinou um decreto classificando a ilha como uma “ameaça extraordinária” aos EUA — em um sinal de que Havana poderia ser a próxima a receber uma eventual ação americana. Rodríguez rebateu a classificação americana.
— Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos nem para qualquer outro país — insistiu o chanceler cubano nesta segunda-feira, afirmando que Havana não adota “políticas com o objetivo declarado de dominação”.
O chanceler também afirmou que Cuba não “mobiliza forças militares” ou “viola a soberania e a integridade territorial de outros Estados” — em uma provável referência as ações americanas, tanto sob Trump quanto historicamente, na região como um todo.
— Permanecer impassível diante dessas tentativas de impor uma tirania global coloca todos os Estados em risco, sem exceção — afirmou.
Homem empurra carrinho em rua de Havana: governo teme ‘crise humanitária’ caso falta de combustível se agrave
Yamil Lage/AFP
Em um outro discurso nesta segunda-feira, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, Rodríguez afirmou que o governo cubano impediria uma crise humanitária no país mesmo que isso custasse caro “em termos de penalidades e sofrimentos”.
Um comboio internacional, formado por uma coalizão de movimentos, sindicalistas, deputados, organizações humanitárias e figuras públicas, prometeu enviar um carregamento com ajuda humanitária para Cuba até 21 de março, incluindo “alimentos, remédios, suprimentos médicos e bens essenciais”, segundo seus organizadores.
Ativistas políticos como a sueca Greta Thunberg e o americano David Adler organizam o comboio e afirmam que ele persegue o mesmo objetivo que as flotilhas que tentaram romper o cerco israelense a Gaza no ano passado: “desafiar um bloqueio que estava provocando fome na população civil”. (Com AFP)










