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Trinta e nove dias depois de EUA e Israel lançarem a “Operação Fúria Épica” contra o Irã, o presidente americano, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo temporário, de duas semanas, enquanto os envolvidos discutem os termos para o fim do conflito. Teerã e Washington se apontaram vencedores e deram sinais de que não pretendem abrir mão de suas demandas. Mas além de sucessos, os dois lados veem a pausa como um momento de encarar as próprias derrotas.
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Pelo lado americano, a declaração de vitória marcou o fim de um dia que arrastou atenções e angústias de todo o planeta.
No começo da terça-feira, Trump disse que se o Irã não aceitasse o ultimato para reabrir o Estreito de Ormuz, “uma civilização inteira iria morrer”, declaração considerada por analistas como um crime de guerra. A menos de duas horas do fim do prazo, o presidente deu uma guinada similar à de certo romance do escritor escocês Robert Louis Stevenson, anunciando o cessar-fogo por duas semanas e o início de conversas. Segundo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, suas forças já estavam preparadas para atacar instalações de energia e outras infraestruturas do Irã, causando estragos “que não seriam reparados por décadas” (mais um crime de guerra), se fosse necessário.
“Em nome dos Estados Unidos da América, como Presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver este problema de longa data perto de ser resolvido”, escreveu o presidente em sua rede social, o Truth Social.
A Casa Branca anunciou em comunicado uma “vitória total e completa”. Hegseth disse que os iranianos “imploraram pela trégua”. JD Vance, vice-presidente, destacou que os EUA têm uma “clara vantagem militar, diplomática e, talvez o mais importante, econômica”.
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Para Trump, o maior sucesso foi abrir caminho para encerrar uma guerra da qual não ele sabia sair.
Desde o início da “Operação Fúria Épica”, o presidente e seus assessores enumeram uma série de objetivos, incluindo a eliminação do programa de mísseis, o fim do enriquecimento de urânio e a mudança de regime. A novilíngua trumpista garante que as metas foram cumpridas, mas o país ainda é capaz de lançar mísseis e drones, está no controle de 440kg de urânio enriquecido e o poder segue nas mãos de políticos e militares leais aos conceitos da República Islâmica. Os 13 mil ataques realizados ao longo de 39 dias não levaram o Irã à submissão total, como Trump acreditava ser possível. Seus apelos para que aliados da Otan e as monarquias do Golfo Pérsico se juntassem à guerra foram ignorados. Dentro de casa, 60% dos americanos queriem o fim imediato do conflito. Os impactos da alta do petróleo ajudaram a corroer sua aprovação, hoje abaixo de 40%.
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Ao aceitar o pedido do Paquistão para a pausa de duas semanas, ele busca a aura de “presidente da paz” e se mostra disposto a negociar com os iranianos, algo que já estava fazendo, com relativo sucesso, dias antes de bombardear o país. A primeira rodada está prevista para sexta-feira, em Islamabad, e as delegações podem ser lideradas por Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Sucessos podem lhe dar argumentos para impulsionar sua popularidade, e a retomada do tráfego por Ormuz seria um alívio para a alta dos combustíveis (embora a normalização deva levar mais algumas semanas).
— Se os iranianos estiverem dispostos de boa fé a trabalhar conosco, acho que podemos chegar a um acordo — disse Vance a repórteres na Hungria, onde participa de eventos de apoio a seu aliado, o premier Viktor Orbán, antes das eleições do fim de semana.
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Analistas acreditam, ao menos agora, que os iranianos chegam às negociações em ligeira vantagem, mesmo diante da destruição das últimas semanas. O país segue no controle do Estreito de Ormuz — nesta quarta-feira, já sob cessar-fogo, ameaçou atacar qualquer navio que passar sem autorização. Trump já disse que a proposta apresentada por Teerã iria nortear as conversas, um plano de 10 pontos que exige o fim das sanções, direitos sobre Ormuz e a manutenção do enriquecimento de urânio (que deve ser crucial no diálogo). Através da imprensa dos EUA, integrantes da Casa Branca alegam que a proposta tornada pública é diferente da apresentada em privado, e o presidente garante que apenas pontos “aceitáveis” serão debatidos a portas fechadas, sem explicar quais.
“Os Estados Unidos, obviamente, não aderiram a todos os dez pontos. Mas o simples fato de a proposta iraniana servir de base para as negociações já representa uma importante vitória diplomática para Teerã”, escreveu, em artigo, Trita Parsi, vice-presidente executivo do Instituto Quincy. “Os Estados Unidos não estão mais em posição de ditar as regras; qualquer acordo terá que se basear em um compromisso genuíno.”
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Ao aceitar os termos iniciais do plano, os EUA também reconheceram a autoridade do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, e parecem satisfeitos com a nova configuração à frente do governo: a “mudança de regime”, propagandeada pelo presidente americano, não passou da substituição de autoridades mortas nos bombardeios por nomes mais jovens e por vezes mais radicais que seus antecessores. Em Teerã, o acordo foi recebido como capitulação de Washington, e um jornal estampou em sua capa que “o jogador perdeu”.
“Os Estados Unidos foram obrigados a aceitar o cessar-fogo; uma realidade que indica uma clara derrota estratégica”, escreveu na rede social X o conselheiro diplomático de Mojtaba Khamenei, Ali Akbar Velayati.
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Isso não significa que há motivos para festejar. As semanas de bombardeios devastaram instalações militares (incluindo bases, fábricas de mísseis e drones e unidades de defesa aérea), infraestruturas civis e afetaram duramente a capacidade de produção industrial. Mais de duas mil pessoas morreram, e dezenas de milhares ficaram feridas. Os mecanismos para garantir a soberania aérea estão dizimados, e os estoques balísticos foram empregados à exaustão, sem capacidade imediata de reposição. O modelo descentralizado foi essencial para garantir a continuidade da guerra mesmo sem ordens centrais, mas pode se tornar um desafio em termos de coordenação nacional a médio prazo. Os ataques às monarquias árabes devem fortalecer o discurso anti-Teerã na outra margem do Golfo Pérsico, interrompendo um processo de aproximação. A pressão por mudanças, que motivou os protestos de janeiro, pode ressurgir nas ruas, mas o regime não está mais nas cordas como no começo do ano.
“Esta guerra eletiva não foi apenas um erro estratégico. Em vez de precipitar uma mudança de regime, provavelmente concedeu à teocracia iraniana uma nova sobrevida — tal como aconteceu com Saddam Hussein (ditador iraquiano, 1979-2003) em 1980, quando a sua invasão permitiu ao aiatolá [Ruhollah] Khomeini consolidar o poder no país”, opinou Parsi.
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O caminho temporário de Trump para sair da guerra, apesar de celebrado, também veio a um custo elevado. Em termos financeiros, o site Iran War Cost Tracker estima que o conflito custou US$ 44 bilhões até as 12h (horário de Brasília) desta quarta-feira. Em termos políticos, o ultimato com tons de crimes de guerra rendeu críticas até de aliados, e cresce entre os democratas o discurso pelo do afastamento do presidente. Muitos republicanos temem que o conflito e o vocabulário virulento de Trump lhes custe os empregos na Câmara e no Senado, que serão renovados em novembro. Como disse à rede BBC o deputado Austin Scott, “os comentários do presidente são contraproducentes”.
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No exterior, o cessar-fogo foi elogiado por aliados, mas nos bastidores poucos brindam à Casa Branca. Ouvido pelo portal Politico, um diplomata disse que “o interesse dos europeus em apoiar os EUA está em níveis abaixo de zero”. Também ao Politico, um integrante de um governo da região afirmou que “este não é um bom momento para as relações transatlânticas”, e que “Trump está claramente insatisfeito com o rumo da campanha contra o Irã e quer culpar os aliados”. Anthony Albanese, premier australiano, louvou a trégua, mas disse que “não é apropriado usar uma linguagem como a do presidente dos Estados Unidos”, se referindo ao ultimato existencial. Se o mal estar externo com os EUA já estava à mesa antes da guerra, agora o elefante se senta em lugar de destaque na sala.

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Um casal britânico de 20 anos foi preso, ao final de abril, no Aeroporto de Istambul, na Turquia, suspeito de tentar embarcar com 19,2 quilos de maconha escondidos em malas despachadas. Segundo autoridades alfandegárias turcas, a droga estava dividida em 17 pacotes selados a vácuo e tinha valor estimado em £ 280 mil, cerca de R$ 2 milhões. Holly Cooper, de Coseley, e Taylor Johnson, de Wednesbury, ambos da região de West Midlands, aguardam julgamento e podem ser condenados a até 30 anos de prisão.
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Imagens divulgadas, nesta semana, por agentes alfandegários mostram o momento em que os dois são retirados de um voo da Turkish Airlines com destino a Londres, no dia 26 de abril. De acordo com a Diretoria de Inteligência Aduaneira do Aeroporto de Istambul, o casal foi identificado após uma análise de risco envolvendo passageiros com passaporte britânico. Eles haviam saído da Tailândia e fizeram conexão na Turquia porque a rota seria mais barata do que um voo direto entre Bangkok e o Reino Unido.
Durante a inspeção, investigadores pediram que os dois recolhessem suas bagagens na esteira e os levaram para uma sala reservada na área internacional de desembarque. Em uma das malas, com 24 quilos, os agentes encontraram diversos pacotes pretos embalados a vácuo, cobertos por uma toalha cinza. Após a abertura de uma das embalagens, foi localizada uma substância vegetal verde que, segundo teste preliminar, foi identificada como cannabis. Em nota, uma fonte ligada à investigação afirmou que os pacotes continham “fragmentos de plantas verdes que, com base no odor e na cor, suspeitam ser cannabis”.
Prisão e investigação
Segundo reportagem exclusiv do The Sun, após a apreensão, Holly e Taylor foram separados e colocados em celas distintas antes de serem formalmente presos por um tribunal turco. Eles permanecem em presídios diferentes enquanto promotores constroem o caso. Peritos forenses e especialistas em impressões digitais analisam os 17 pacotes para identificar quem manuseou a droga, enquanto os celulares dos suspeitos também foram apreendidos para investigação.
Familiares afirmam que os jovens foram aliciados por uma quadrilha internacional de tráfico de drogas. Um amigo da família disse à imprensa britânica que eles seriam “bons jovens” explorados por criminosos maiores. Segundo essa fonte, Taylor teria inclusive sido agredido dentro da prisão superlotada onde está detido. A Turquia mantém uma das legislações antidrogas mais rígidas do mundo, com penas mínimas de dez anos para casos de tráfico internacional.
Um porta-voz do Foreign, Commonwealth & Development Office confirmou que o governo britânico presta assistência consular aos dois cidadãos e às suas famílias. O caso se soma a outros episódios recentes envolvendo britânicos presos por tráfico internacional após viagens à Tailândia, incluindo detenções nos Estados Unidos e na Geórgia, em investigações semelhantes sobre atuação de “mulas” do tráfico internacional.
Uma pequena ilhota no Loch Bhorgastail, na Ilha de Lewis, na Escócia, escondia sob sua superfície um vestígio monumental da pré-história europeia. Sob as águas rasas do lago, arqueólogos identificaram uma enorme estrutura circular de madeira com mais de 5 mil anos, construída entre 3800 e 3300 a.C., portanto, anterior a Stonehenge, e considerada uma das mais antigas estruturas artificiais da Europa Ocidental.
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O que é a atmosfera descoberta em pequeno mundo gelado nos ‘confins’ do Sistema Solar
A descoberta, anunciada por pesquisadores das universidades de Southampton e Reading e publicada em 27 de abril na revista Advances in Archaeological Practice, lança nova luz sobre a capacidade técnica e a organização social das comunidades neolíticas da região. O sítio, conhecido como crannog, desafia a visão tradicional de sociedades pré-históricas simples e isoladas.
Uma obra monumental sob a água
Durante a investigação, os cientistas encontraram uma plataforma circular de madeira com cerca de 23 metros de diâmetro. Sobre ela, galhos, arbustos e, posteriormente, grandes quantidades de pedra foram sendo acumulados ao longo do tempo, formando a aparência atual da ilha.
O estudo aponta ainda que a estrutura foi reutilizada durante as Idades do Bronze e do Ferro, indicando que o local permaneceu importante por milhares de anos. Uma antiga calçada de pedra submersa ligando a ilha ao continente reforça a hipótese de que o espaço tinha função social ou ritual, e não era apenas um ponto isolado.
Para chegar a essa conclusão, os arqueólogos precisaram superar um obstáculo técnico conhecido como “zona branca”, faixa de águas rasas onde métodos tradicionais de registro costumam falhar. A equipe desenvolveu um sistema com duas câmeras subaquáticas posicionadas a 29 centímetros de distância, permitindo captar imagens estereoscópicas detalhadas mesmo com baixa visibilidade.
Segundo Fraser Sturt, diretor do Instituto Marinho e Marítimo da Universidade de Southampton, a técnica permitiu um nível de precisão inédito. “A fotogrametria é muito eficaz em águas profundas, mas em áreas mais rasas surgem problemas devido aos sedimentos e à vegetação. Graças a esta técnica, conseguimos documentar o local com um nível de detalhe sem precedentes”, afirmou.
Cerâmica, alimentos e indícios de encontros coletivos
Ao redor e sobre a ilha, os pesquisadores também encontraram centenas de fragmentos de cerâmica neolítica, muitos deles com vestígios de alimentos. O material sugere que o crannog pode ter sido usado para banquetes, cerimônias ou encontros comunitários.
Para Stephanie Blankshein, pesquisadora principal do estudo, a escala da construção aponta para algo além de uma simples habitação. “Não sabemos exatamente por que esses crannogs foram construídos, mas o esforço envolvido e os materiais utilizados sugerem que eles tinham enorme valor simbólico ou social”, disse.
Com centenas de crannogs espalhados pelos lagos da Escócia e muitos ainda não escavados, os pesquisadores acreditam que a descoberta em Loch Bhorgastail pode mudar a compreensão sobre o início da transformação monumental da paisagem no período neolítico. Mais do que sobreviver, essas populações já planejavam e executavam obras de grande escala.
A Rússia anunciou na manhã desta sexta-feira (8) que destruiu 264 drones ucranianos desde o início do cessar-fogo unilateral de dois dias, que entrou em vigor à meia-noite, em comemoração à vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.
“Entre meia-noite e 7h da manhã, horário de Moscou, os sistemas de defesa aérea em serviço interceptaram e destruíram 264 drones ucranianos”, escreveu o Ministério da Defesa em um comunicado na plataforma de mídia social russa Max.
Os drones foram interceptados em cerca de dez regiões, incluindo Moscou, segundo a mesma fonte.
Poucas horas antes, o prefeito da capital russa havia relatado em uma série de postagens nas redes sociais que 20 dessas aeronaves não tripuladas foram abatidas na cidade.
Os Emirados Árabes Unidos informaram nesta sexta-feira que suas defesas aéreas interceptaram mísseis e drones provenientes do Irã, horas depois de os Estados Unidos e a república islâmica trocarem tiros e tensionarem uma frágil trégua.
“As defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos estão atualmente interceptando ataques de mísseis e drones originários do Irã”, afirmou o Ministério da Defesa na rede social X, acrescentando que sons da interceptação foram ouvidos “em várias partes do país”.
David Attenborough, um dos mais célebres divulgadores científicos do mundo e referência global na conscientização sobre mudanças climáticas e preservação ambiental, completa 100 anos nesta sexta-feira. Ao longo de mais de sete décadas de carreira, o apresentador britânico transformou a forma como o público enxerga a natureza, levando imagens inéditas da vida selvagem para milhões de pessoas e ajudando a popularizar a ciência em escala global.
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Segundo pesquisas, Attenborough é a personalidade favorita dos britânicos, à frente de nomes como Paul McCartney, Elton John e David Beckham — um reflexo da admiração conquistada por sua trajetória na televisão e por sua voz marcante, que se tornou sinônimo de documentários sobre o planeta.
A reverência ao britânico ultrapassou a cultura popular e chegou à ciência: espécies animais e vegetais receberam seu nome, como a pequena aranha australiana Prethopalpus attenboroughi e a planta carnívora gigante Nepenthes attenboroughii, encontrada em Palawan, nas Filipinas.
— Ele transformou a história natural em um tema de grande público, algo que pode ser tão popular quanto o esporte ou o futebol — explica Jean-Baptiste Gouyon, professor de Comunicação Científica da University College London (UCL).
O homem que levou a natureza para dentro de casa
A carreira de Attenborough começou na BBC no início dos anos 1950. Seu talento para contar histórias, aliado a uma voz calorosa e uma curiosidade contagiante, rapidamente conquistou os telespectadores.
Desde então, nunca deixou de trabalhar — nem perdeu o entusiasmo que marcou sua trajetória, como no célebre momento em que apareceu brincando com gorilas-das-montanhas em Ruanda, em 1978.
Ao longo das décadas, percorreu o planeta registrando selvas, desertos, oceanos e espécies raramente vistas pelo grande público. Estima-se que 500 milhões de pessoas tenham assistido, em 1979, à série Life on Earth (“A Vida na Terra”), um marco na história dos documentários sobre natureza.
“Tomara que o mundo fosse duas vezes maior e que metade dele ainda permanecesse por explorar”, dizia então.
— Ele levou a natureza para dentro de nossas salas de estar. Levou-nos a lugares aonde nunca teríamos ido de outra forma. É um presente imenso — afirma Sandra Knapp, botânica e diretora de pesquisa do Museu de História Natural de Londres.
Sandra Knapp acrescenta que Attenborough representa “uma verdadeira inspiração”.
— Ele consegue tornar muito simples conceitos científicos bastante complexos — afirma.
David Attenborough
AFP
Seu impacto foi além da televisão: também ajudou a formar gerações de cientistas.
— Muitos biólogos estão onde estão porque assistiram a seus programas quando eram crianças — assegura Jean-Baptiste Gouyon.
Embora tenha formação em ciências naturais pela Universidade de Cambridge, Attenborough sempre preferiu se definir como um homem de televisão — e não como cientista.
Da celebração da vida ao alerta sobre destruição
Nomeado cavaleiro em 1985 pela rainha Elizabeth II, com quem mantinha relação de amizade, Attenborough passou, nas últimas décadas, a usar sua visibilidade para alertar sobre os danos provocados pela ação humana sobre o planeta.
Em 2025, no documentário Ocean (“Oceano”), criticou os métodos de pesca industrial adotados por países ricos e classificou a prática como “colonialismo moderno do mar”.
A contundência do alerta carrega um peso simbólico: muitos dos lugares exuberantes que ele filmou ao longo da carreira foram posteriormente degradados ou destruídos.
Apesar da fama global, Attenborough sempre rejeitou a ideia de celebridade.
— É alguém que se coloca de lado, que sempre direciona o olhar dos espectadores para aquilo que quer mostrar — destaca Jean-Baptiste Gouyon.
Mesmo aos 100 anos, ele segue ativo. Em Wild London (“A Vida Selvagem de Londres”), documentário exibido no início de 2026 pela BBC, voltou seu olhar para a surpreendente fauna da capital britânica, sua cidade natal.
Depois de uma vida dedicada a explorar o planeta, Attenborough revelou que seu lugar favorito continua sendo Richmond, subúrbio arborizado no sudoeste de Londres, onde viveu a maior parte da vida com sua esposa Jane, mãe de seus dois filhos, morta em 1997.
O fim de maio reservará um fenômeno astronômico raro e cercado de curiosidade popular: a chamada “Lua Azul”. Segundo a Nasa, o evento ocorrerá no dia 31 e poderá ser observado a olho nu em diversas partes do mundo, desde que as condições climáticas sejam favoráveis.
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Apesar do nome, a Lua não ficará azul. O termo “Lua Azul” é utilizado para definir a segunda lua cheia registrada dentro de um mesmo mês do calendário — algo incomum, mas perfeitamente explicado pelo ciclo lunar.
Isso acontece porque a Lua leva cerca de 29,5 dias para completar um ciclo completo de fases. Quando uma lua cheia ocorre logo nos primeiros dias do mês, sobra tempo suficiente para que outra aconteça antes do encerramento daquele mesmo período. É exatamente o que ocorrerá em maio.
O fenômeno costuma chamar atenção justamente pelo caráter raro. Em média, a chamada Lua Azul aparece a cada dois ou três anos, o que ajudou a popularizar expressões como “uma vez a cada Lua Azul”, usada em inglês para se referir a acontecimentos incomuns.
Segundo especialistas, o evento poderá ser observado sem necessidade de telescópios ou equipamentos específicos. O ideal é procurar locais com pouca poluição luminosa, céu limpo e baixa nebulosidade, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
O fenômeno encerra um mês movimentado para os observadores do céu. No início de maio, astrônomos e curiosos já haviam acompanhado a chuva de meteoros Eta Aquáridas, associada aos fragmentos deixados pelo famoso Cometa Halley.
No momento em que Irã e dos EUA trocam propostas para o fim do conflito lançado no final de fevereiro pelo presidente americano, Donald Trump, os iranianos ofereceram concessões em alguns pontos cruciais, como o programa nuclear, deixando claro que não querem assumir sozinhos a conta da guerra. Os 40 dias de confronto aberto, do qual Israel também fez parte, provocaram estragos estimados em US$ 270 bilhões (R$ 1,3 trilhão), soma que não inclui os impactos do bloqueio em vigor desde abril. Mas as cobranças não ficam só em Teerã.
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Um mês depois do cessar-fogo, os iranianos ainda tentam fazer uma estimativa fiel dos danos causados por toneladas de bombas lançadas no país. O desafio é hercúleo.
Americanos e israelenses alegam que portos, bases militares e unidades de produção de armamentos — especialmente de mísseis e drones — foram arrasadas. Teerã garante manter capacidades de renovar seus arsenais, mas reconhece os danos extensos. A Marinha perdeu dezenas de embarcações, algo sempre notado pela Casa Branca e pelo Pentágono, e hoje recorre principalmente a barcos de pequeno porte em ações no Estreito de Ormuz.
Unidades de produção de gás natural no campo de South Pars, o maior do mundo, foram atingidas por ataques israelenses, assim como refinarias e instalações petroquímicas perto de grandes cidades, incluindo Teerã. Estimativas oficiais apontam que os bombardeios reduziram a capacidade de exportação do setor energético em até 85%, com prejuízos de US$ 50 bilhões (R$ 247 bilhões).
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Segundo levantamento do economista Hadi Kahalzadeh, pesquisador na Universidade Brandeis, 20 mil fábricas — 20% do total do país — foram danificadas,. No setor metalúrgico, pilar da economia nacional, as perdas aproximadas são de US$ 10 bilhões (R$ 49,4 bilhões), com corte de 70% na atividade. O governo reconhece que ao menos um milhão de pessoas perderam o emprego, e Kahalzadeh alerta que até 12 milhões têm seus meios de sustento sob ameaça.
Prédios, ruas, ginásios poliesportivos, aeroportos e pontes — como a B1, entre Teerã e Karaj— foram reduzidos a escombros. As ruínas também contam a história do desastre humano da guerra. Estimativas do Crescente Vermelho revelam que 316 unidades de saúde e 763 escolas (em Minab, 156 pessoas, na maioria crianças, morreram) foram danificadas ou destruídas, além de 32 universidades, 120 museus e monumentos e dezenas de delegacias de polícia e centrais de bombeiros. Em uma cifra impossível de traduzir em termos financeiros, quase 3,7 mil pessoas morreram, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA).
Mapa de ataques contra instalações civis no Irã
Editoria de Arte
Em meados de abril, uma porta-voz de Teerã deu números preliminares: US$ 270 bilhões em danos, valor que não inclui os impactos econômicos provocados pelo bloqueio naval iniciado no mês passado. Para economistas ouvidos pelo jornal New York Times e pelo portal Iran International, ligado à oposição no exílio, o total real supera os US$ 300 bilhões (R$ 1,48 trilhão).
— Os danos geralmente precisam ser examinados em várias camadas — disse Fatemeh Mohajerani, em entrevista à agência russa RIA, antes de anunciar que seu governo não iria assumir os custos da reconstrução sozinho. — Uma das questões que nossa equipe de negociação está buscando, e que também foi abordada nas negociações de Islamabad, é a questão das reparações de guerra.
Nesta quinta-feira, em meio às negociações e ameaças de Trump sobre a retomada da guerra, um representante da linha dura do regime voltou ao tema.
— Sem dúvida, exigiremos nossos direitos e reparações, mesmo que as forças militares dos EUA retornem para casa e se retirem da região. Suportamos essa opressão por 47 anos e continuaremos trilhando o caminho da resistência — afirmou Mohsen Rezai, ex-chefe da Guarda Revolucionária, em entrevista à TV libanesa al-Mayadeen.acrescentando ser imperativo concluir as negociações com os EUA com “resultados tangíveis”.
Além de EUA e Israel, Teerã quer que seis países árabes — Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Jordânia — ajudem na reconstrução, alegando que apoiaram a “Operação Fúria Épica”. As seis nações, por sua vez, exigem que o Irã pague pelos estragos causados por seus mísseis e drones e acionaram as Nações Unidas. Um levantamento da consultoria Rysten Energy aponta para US$ 58 bilhões (R$ 286 bilhões) em prejuízos apenas ao setor energético da região.
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O pagamento de reparações é um dos mais antigos elementos dos conflitos armados. Nas duas Guerras Mundiais, os derrotados foram obrigados a ressarcir as nações atacadas (e os vencedores) em centenas de milhões de dólares. Em 1991, uma resolução do Conselho de Segurança da ONU ordenou o Iraque a pagar US$ 52,4 bilhões (R$ 259 bilhões) em danos a pessoas, entidades e ao Estado do Kuwait, relativos à invasão no ano anterior. A dívida terminou de ser quitada em 2022.
Nem sempre há acordo. Em 2025, a Corte Europeia de Direitos Humanos condenou a Rússia a pagar € 253 milhões (R$ 1,46 bilhão) à Geórgia, relativos à invasão de 2008, decisão ignorada por Moscou. Em dezembro, governos europeus estabeleceram uma comissão para coordenar a compensação à Ucrânia pela guerra lançada em 2022. Eles querem usar os cerca de US$ 300 bilhões em ativos russos congelados no continente, uma manobra que esbarra em questões legais e políticas.
Manifestantes com imagem do Aiatolá Khomeini em 1979
Arquivo/AFP
Quatro décadas antes, em 1982, durante a Guerra Irã-Iraque, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ruhollah Khomeini, condicionou a paz à queda de Saddam Hussein e ao pagamento de US$ 150 bilhões (US$ 513 bilhões em valores atuais, ou R$ 2,53 trilhões), mas a guerra se estendeu até 1988. Quando os dois lados chegaram a uma trégua, comparada a “um cálice de veneno” por Khomeini, ambos buscaram reparações, sem sucesso.
Nas negociações para encerrar a atual guerra, o Irã quer manter algum tipo de controle do Estreito de Ormuz, com a cobrança de pedágio, para financiar a reconstrução, assim como o descongelamento de fundos retidos no exterior, cerca de US$ 100 bilhões (R$ 494 bilhões). O americanos exigem a reabertura total da passagem: antes da guerra, transitavam por ali 20% das exportações globais de petróleo e gás, e seu fechamento causou um choque histórico nos mercados de energia. No começo da semana, Washington pausou uma operação chamada “Projeto Liberdade”, para reabrir o estreito, devido à recusa dos sauditas em permitirem o uso de seu espaço aéreo, segundo a rede NBC News.
Na quinta-feira, os dois países se acusaram mutuamente por ataques na região do Estreito de Ormuz. Os americanos dizem ter evitado ações “não provocadas” contra três embarcações da Marinha, enquanto os iranianos relataram explosões em cidades costeiras no sul do país e sobre Teerã, afirmando que os EUA violaram os termos do cessar-fogo — em comunicado, um porta-voz militar prometeu responder “de forma esmagadora a qualquer agressão, sem a menor hesitação”.
Pelo menos 28 homens foram executados no Irã desde 18 de março, segundo relatos da mídia estatal iraniana levantados pelo Financial Times. O número indica que a República Islâmica intensificou o enforcamento de pessoas acusadas de se manifestarem contra o regime dos aiatolás ou de colaborarem com forças estrangeiras em meio à guerra, que já dura quase 10 semanas. Fontes ouvidas pelo FT esclarecem que mudanças na legislação favoreceram as execuções de caráter político. Desde que chegaram ao poder em 1979, os líderes da República Islâmica têm usado execuções como ferramenta de controle da população e manutenção do poder. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elogiar o líder brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva hoje, horas depois do encontro dos dois na Casa Branca, em Washington, que durou três horas. O americano descreveu o petista como “um homem bom, um cara inteligente”.
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— Eu tive uma ótima reunião com o presidente do Brasil — disse Trump, em conversa com jornalistas no início da noite, referindo-se à pauta comercial como o principal tema da reunião, que incluiu um almoço. — Falamos sobre tarifas, eles (governo brasileiro) gostariam de ter um alívio das tarifas. Mas tivemos uma ótima reunião, ele é um homem bom, um cara inteligente.
Foi mais uma troca de elogios entre os dois presidentes após a reunião. Mais cedo, o presidente Donald Trump publicou em suas redes classificou as reunião como “muito boa” e não descartou novos encontro com o presidente Lula, a quem se referiu como “alguém muito dinâmico”.
Lula retribuiu em seu perfil no Instagram, compartilhando uma foto do encontro e resumindo a reunião como “muito produtiva”.
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Pelas imagens e pelos relatos de ministro do Brasil presentes ao encontro, foi uma conversa de fato produtiva e amigável. O presidente Lula reiterou diversas vezes a crescente aproximação com o presidente dos Estados Unidos e disse acreditar que Trump de fato parece “gostar” do Brasil.
Em referência às imagens, Lula disse que estimulou Trump a sorrir e completou:
— O presidente Trump rindo é melhor que de cara feia.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca
Ricardo Stuckert / PR
Lula disse ainda que o almoço foi muito agradável. Em ano de Copa do Mundo sediada por Estados Unidos, México e Canadá, Lula disse que brincou com Trump dizendo a ele para não cancelar vistos de jogadores da Seleção Brasileira de Futebol.
Essa foi a sexta visita de Lula à Casa Branca desde que foi eleito pela primeira vez em 2002. Foi também o terceiro encontro pessoal entre Lula e Trump. Os outros foram na sede da ONU, em Nova York, e em Kuala Lumpur, na Malásia. O presidente Lula viajou de volta ao Brasil ainda na noite de hoje.
Como Lula descreveu a reunião
Após permanecer por cerca de três horas na Casa Branca, em Washington, Lula e seus ministros que o acompanharam classificaram, em entrevista coletiva concedida logo após o encontro, a reunião como “muito produtiva e positiva”.
Antes de responder às perguntas dos jornalistas na embaixada do Brasil na capital americana, o petista afirmou que a conversa não evitou temas complexos, pelo contrário, segundo ele, “eles resolveram discutir assuntos que pareciam tabus”. Ainda assim, temas como o Pix e a classificação de facções criminosas como terrorismo não foram abordados.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ricardo Stuckert / PR
— Fiz a reunião, estou feliz. Volto ao Brasil mais otimista. Acho que o presidente Trump também ficou otimista e espero que as coisas comecem a avançar — disse.
Ao ser questionado se conversou com Trump sobre as reservas brasileiras de terras raras, tema de importância estratégica para o governo americano, Lula ressaltou que o Brasil “está aberto a construir parcerias internacionais com diferentes países”, sem restrições geopolíticas.
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— A única coisa que ele (Trump) precisa saber é o seguinte: o Brasil está disposto a construir parcerias onde eles quiserem construir parceria. Não há veto aos Estados Unidos, como também não há veto à China, à França, à Índia ou à Alemanha — afirmou Lula, citando particularmente a exploração de minérios críticos no Brasil com investimentos estrangeiros.
Lula fala sobre o encontro de 3 horas com Trump Presidente está na embaixada do Brasil em Washington. Trump chamou Lula de “muito dinâmico” em post na sua rede social. O brasileiro, por sua vez, postou fotos do encontro em seu perfil no Instagram.
Reprodução
O presidente brasileiro disse que, ao contrário do que aconteceu no passado com minerais como ouro e prata, por exemplo, desta vez o Brasil terá um comportamento diferente.
— Não queremos ser meros exportadores de minerais. Queremos que o Brasil seja o grande ganhador — em referência ao beneficamente e refino de minerais críticos no Brasil.
Segundo Lula, durante a conversa ele falou a Trump sobre a importância dos Estados Unidos voltarem a “ter interesse nas coisas do Brasil”, apontando que tanto Estados Unidos como a União Europeia deixaram de perceber a importância da América Latina. Para exemplificar seu ponto, ele citou uma suposta falta de interesse de empresas dos EUA em licitações de obras públicas no Brasil.
No entanto, nesse contexto global conturbado, o brasileiro defendeu os acordos comerciais fechados recentemente pelo Brasil. Na avaliação dele, acordos multilaterais são “um antídoto às políticas unilaterais” colocadas em práticas pelo governo de Trump, como as taxações impostas pela gestão do norte-americano.
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Em relação às tarifas de importação sobre produtos brasileiros nos EUA, o presidente Lula disse que reforçaram ao líder americano a vantagem dos EUA na balança comercial com o Brasil. Além disso, buscaram esclarecer que a média de tarifas do Brasil é de 2,7% para os produtos dos EUA. Entretanto, o representante de Comércio americano, Jameson Greer, presente ao encontro, parece ter atuado como o “bad cop”, o “policial mau”, do diálogo.
Apontando percentuais maiores. Diante disso, ficou acertado que as equipes dos governo Lula e Trump irão trabalhar por mais 30 dias para avançar nas negociações sobre tarifas de importação sobre produtos brasileiros que entram nos EUA.
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Crime organizado e cooperação internacional
Em relação às facções criminosas brasileiras, Lula disse que o tema não foi discutido no encontro. No entanto, o presidente brasileiro disse que o combate ao crime organizado sim foi discutido, Lula destacou que o Brasil tem expertise no assunto e sugeriu que essa seja uma ação conjunta entre diversas nações não cabendo a um ou outro país fazer isso isoladamente.
Lula acrescentou que o combate ao crime organizado precisa ser tratado de forma mais ampla e cooperativa.
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Pix, eleições e guerra no Irã
De acordo com Lula, não houve discussão sobre Pix com o presidente Trump, meio de pagamento que está sob investigação pelo governo americano sob suposto prejuízo competitivo às empresas americanas, como operadoras de cartão de crédito.
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Sobre eventual intervenção do presidente americano nas eleições brasileiras, Lula disse acreditar que Trump irá se “comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que os brasileiros decidam”.
E reforçou que ele, como presidente do Brasil, respeita Trump por ele ter sido eleito pelo povo dos Estados Unidos. O presidente disse ainda que os apoios eleitorais no Brasil não entram na pauta de suas conversas com nenhum presidente.
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Sobre a guerra do Irã, Lula manteve seu tom crítico e disse acreditar no diálogo. O presidente do Brasil contou ter entregue uma cópia do acordo assinado pelo Irã em 2010, articulado por Brasil e Turquia à época, como uma demonstração ao presidente dos Estados Unidos que há possibilidade de resoluções com diálogo. Segundo Lula, Trump prometeu ler hoje à noite. Lula disse ainda que os custos das guerras são altos e que a diplomacia é o caminho.
— Nós não precisamos de guerra, o mundo precisa de paz — disse.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, anunciou nesta sexta-feira (horário local) a destruição de 20 drones que se dirigiam para a capital russa desde o início da trégua unilateral de dois dias, declarada pela Rússia à meia-noite (21h GMT de quinta-feira), em comemoração à vitória na Segunda Guerra Mundial.
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“Três drones que se dirigiam para Moscou foram destruídos pelas forças de defesa aérea do Ministério da Defesa”, escreveu Sobyanin na rede social russa Max, atualizando posteriormente o número de drones abatidos durante a noite, chegando a um total de 20, segundo uma mensagem publicada à 1h44 (22h44 GMT).
Na quinta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou os aliados da Rússia contra a presença no desfile militar de 9 de maio em Moscou, que comemora o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. A Rússia celebra o Dia da Vitória todos os anos com um grande desfile na Praça Vermelha, na capital. Nesse contexto, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou um cessar-fogo unilateral com a Ucrânia para os dias 8 e 9 de maio, como parte do conflito que começou em 2022 com a invasão russa da Ucrânia.
— Recebemos mensagens de alguns países próximos à Rússia, afirmando que seus representantes planejam estar em Moscou — disse Zelensky em seu pronunciamento noturno. — É um desejo estranho… nestes dias. Não recomendamos.
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A Ucrânia havia proposto sua própria trégua a partir de 6 de maio e criticou o cessar-fogo anunciado pela Rússia como uma estratégia de propaganda para proteger o desfile militar, um evento importante no calendário nacional que exalta o patriotismo.
*Em atualização

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