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O número de mortos nos ataques realizados por Israel no Líbano nesta quarta-feira subiu para 254, segundo o balanço mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde do país.
Impasse: Premier do Líbano denuncia ataques de Israel contra áreas densamente povoadas enquanto líderes mundiais pedem que trégua com o Irã inclua o país
45 mil soldados e 20 anos: Custo para tirar do Irã o controle do Estreito de Ormuz tem papel central em decisão de Trump por cessar-fogo
A atualização ocorre após uma série de bombardeios intensos que atingiram diferentes regiões, incluindo bairros de Beirute, sua periferia sul — reduto do Hezbollah —, além do Vale do Beqaa e do sul do país.
Segundo as Forças Armadas de Israel (FDI), a ofensiva fez parte de uma operação coordenada que atingiu mais de 100 alvos em poucos minutos, com o uso de cerca de 50 caças e 160 munições.
Os alvos incluíram centros de comando, estruturas de inteligência, locais de lançamento de mísseis e posições de unidades de elite do Hezbollah, como a Força Radwan, segundo o Exército israelense.
Imagens registraram colunas de fumaça sobre a capital libanesa, enquanto jornalistas relataram cenas de pânico nas ruas após as explosões.
Para justificar os ataques recentes ao Líbano, autoridades de Israel afirmaram que o cessar-fogo não se aplicava ao território libanês, discurso confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, posteriormente.
Irã volta a fechar o Estreito de Ormuz
O Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra lançada por EUA e Israel no final de fevereiro. A retomada do tráfego na área, por onde transitam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta, é um ponto central do plano, mas Teerã creditou a decisão à nova série de ataques israelenses no Líbano.
De acordo com a agência Fars, duas embarcações passaram por Ormuz nesta quarta-feira, mas o local foi bloqueado mais uma vez depois da série de violentos bombardeios israelenses contra o Líbano, oficialmente voltados ao Hezbollah — grupo aliado de Teerã — mas que atingiram áreas densamente populadas onde a organização não está presente. Segundo o Ministério da Saúde, 89 pessoas morreram e 772 pessoas ficaram feridas.
Autoridades locais dizem que foram mais de 100 ataques em um intervalo de 10 minutos, e alguns descrevem um cenário parecido com a da devastação da Guerra Civil Libanesa (1975-1990). Desde o começo de março, Israel bombardeia o Líbano e dá passos cruciais para invadir e ocupar uma parte sul do país, deixando mais de 1,5 mil mortos e um milhão de deslocados internos.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Em comunicado, as forças navais e aeroespaciais da Guarda Revolucionária — que exerce o controle de fato do estreito — disseram que o novo fechamento demonstra que o Irã fala sério quando afirma ter “o dedo no gatilho” em meio ao cessar-fogo de duas semanas.
O bloqueio de Ormuz foi uma das principais armas do Irã na guerra, e causou um dos maiores choques do petróleo em décadas. Centenas de embarcações aguardam a autorização para a travessia, que agora está sob controle das autoridades militares iranianas. Um projeto em tramitação no Majlis, o Parlamento do Irã, adota a cobrança de um pedágio que pode chegar a US$ 2 milhões por navio. No plano de 10 pontos apresentado aos EUA, como ponto de partida para as negociações de paz, Teerã exige manter direitos sobre o trânsito naval na passagem.
No começo do dia, um representante do governo iraniano afirmou à agência Reuters que o Estreito de Ormuz poderia ser aberto até sexta-feira, quando começam as negociações entre EUA e Irã no Paquistão, em busca de um acordo definitivo. Contudo, como alertou o chanceler do país, Abbas Araghchi, as travessias ocorreriam em coordenação com seus militares — a Guarda Revolucionária ameaçou atacar qualquer embarcação que entrar na área sem autorização. Mais cedo, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, e Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto do país, afirmaram a jornalistas “acreditar” que o estreito estava aberto à navegação.
Diz TV estatal: Irã afirma ter derrubado drone de fabricação israelense ao sul do país após cessar-fogo
O impasse em Ormuz é mais um elemento de tensão em torno do cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira por Trump. Apesar do Paquistão, que atuou como mediador, afirmar que ele abrange o Líbano (por pressão do Irã) Israel e EUA dizem o contrário, e autoridades israelenses prometem intensificar os ataques, segundo eles, voltados ao Hezbollah. À rede PBS, Trump declarou que, por causa do grupo, o país árabe “não foi incluído no acordo”. Citada pela agência Tasnim, a Guarda Revolucionária disse que “se as agressões contra o nosso amado Líbano não cessarem imediatamente, daremos uma resposta lamentável aos agressores malignos da região”. Segundo a mesma agência, há vozes em Teerã defendendo a retirada do país do acordo diante dos bombardeios contra cidades libanesas.
Trinta e nove dias depois de EUA e Israel lançarem a “Operação Fúria Épica” contra o Irã, o presidente americano, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo temporário, de duas semanas, enquanto os envolvidos discutem os termos para o fim do conflito. Teerã e Washington se apontaram vencedores e deram sinais de que não pretendem abrir mão de suas demandas. Mas além de sucessos, os dois lados veem a pausa como um momento de encarar as próprias derrotas.
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Pelo lado americano, a declaração de vitória marcou o fim de um dia que arrastou atenções e angústias de todo o planeta.
No começo da terça-feira, Trump disse que se o Irã não aceitasse o ultimato para reabrir o Estreito de Ormuz, “uma civilização inteira iria morrer”, declaração considerada por analistas como um crime de guerra. A menos de duas horas do fim do prazo, o presidente deu uma guinada similar à de certo romance do escritor escocês Robert Louis Stevenson, anunciando o cessar-fogo por duas semanas e o início de conversas. Segundo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, suas forças já estavam preparadas para atacar instalações de energia e outras infraestruturas do Irã, causando estragos “que não seriam reparados por décadas” (mais um crime de guerra), se fosse necessário.
“Em nome dos Estados Unidos da América, como Presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver este problema de longa data perto de ser resolvido”, escreveu o presidente em sua rede social, o Truth Social.
A Casa Branca anunciou em comunicado uma “vitória total e completa”. Hegseth disse que os iranianos “imploraram pela trégua”. JD Vance, vice-presidente, destacou que os EUA têm uma “clara vantagem militar, diplomática e, talvez o mais importante, econômica”.
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Para Trump, o maior sucesso foi abrir caminho para encerrar uma guerra da qual não ele sabia sair.
Desde o início da “Operação Fúria Épica”, o presidente e seus assessores enumeram uma série de objetivos, incluindo a eliminação do programa de mísseis, o fim do enriquecimento de urânio e a mudança de regime. A novilíngua trumpista garante que as metas foram cumpridas, mas o país ainda é capaz de lançar mísseis e drones, está no controle de 440kg de urânio enriquecido e o poder segue nas mãos de políticos e militares leais aos conceitos da República Islâmica. Os 13 mil ataques realizados ao longo de 39 dias não levaram o Irã à submissão total, como Trump acreditava ser possível. Seus apelos para que aliados da Otan e as monarquias do Golfo Pérsico se juntassem à guerra foram ignorados. Dentro de casa, 60% dos americanos queriem o fim imediato do conflito. Os impactos da alta do petróleo ajudaram a corroer sua aprovação, hoje abaixo de 40%.
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Ao aceitar o pedido do Paquistão para a pausa de duas semanas, ele busca a aura de “presidente da paz” e se mostra disposto a negociar com os iranianos, algo que já estava fazendo, com relativo sucesso, dias antes de bombardear o país. A primeira rodada está prevista para sexta-feira, em Islamabad, e as delegações podem ser lideradas por Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Sucessos podem lhe dar argumentos para impulsionar sua popularidade, e a retomada do tráfego por Ormuz seria um alívio para a alta dos combustíveis (embora a normalização deva levar mais algumas semanas).
— Se os iranianos estiverem dispostos de boa fé a trabalhar conosco, acho que podemos chegar a um acordo — disse Vance a repórteres na Hungria, onde participa de eventos de apoio a seu aliado, o premier Viktor Orbán, antes das eleições do fim de semana.
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Analistas acreditam, ao menos agora, que os iranianos chegam às negociações em ligeira vantagem, mesmo diante da destruição das últimas semanas. O país segue no controle do Estreito de Ormuz — nesta quarta-feira, já sob cessar-fogo, ameaçou atacar qualquer navio que passar sem autorização. Trump já disse que a proposta apresentada por Teerã iria nortear as conversas, um plano de 10 pontos que exige o fim das sanções, direitos sobre Ormuz e a manutenção do enriquecimento de urânio (que deve ser crucial no diálogo). Através da imprensa dos EUA, integrantes da Casa Branca alegam que a proposta tornada pública é diferente da apresentada em privado, e o presidente garante que apenas pontos “aceitáveis” serão debatidos a portas fechadas, sem explicar quais.
“Os Estados Unidos, obviamente, não aderiram a todos os dez pontos. Mas o simples fato de a proposta iraniana servir de base para as negociações já representa uma importante vitória diplomática para Teerã”, escreveu, em artigo, Trita Parsi, vice-presidente executivo do Instituto Quincy. “Os Estados Unidos não estão mais em posição de ditar as regras; qualquer acordo terá que se basear em um compromisso genuíno.”
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Ao aceitar os termos iniciais do plano, os EUA também reconheceram a autoridade do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, e parecem satisfeitos com a nova configuração à frente do governo: a “mudança de regime”, propagandeada pelo presidente americano, não passou da substituição de autoridades mortas nos bombardeios por nomes mais jovens e por vezes mais radicais que seus antecessores. Em Teerã, o acordo foi recebido como capitulação de Washington, e um jornal estampou em sua capa que “o jogador perdeu”.
“Os Estados Unidos foram obrigados a aceitar o cessar-fogo; uma realidade que indica uma clara derrota estratégica”, escreveu na rede social X o conselheiro diplomático de Mojtaba Khamenei, Ali Akbar Velayati.
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Isso não significa que há motivos para festejar. As semanas de bombardeios devastaram instalações militares (incluindo bases, fábricas de mísseis e drones e unidades de defesa aérea), infraestruturas civis e afetaram duramente a capacidade de produção industrial. Mais de duas mil pessoas morreram, e dezenas de milhares ficaram feridas. Os mecanismos para garantir a soberania aérea estão dizimados, e os estoques balísticos foram empregados à exaustão, sem capacidade imediata de reposição. O modelo descentralizado foi essencial para garantir a continuidade da guerra mesmo sem ordens centrais, mas pode se tornar um desafio em termos de coordenação nacional a médio prazo. Os ataques às monarquias árabes devem fortalecer o discurso anti-Teerã na outra margem do Golfo Pérsico, interrompendo um processo de aproximação. A pressão por mudanças, que motivou os protestos de janeiro, pode ressurgir nas ruas, mas o regime não está mais nas cordas como no começo do ano.
“Esta guerra eletiva não foi apenas um erro estratégico. Em vez de precipitar uma mudança de regime, provavelmente concedeu à teocracia iraniana uma nova sobrevida — tal como aconteceu com Saddam Hussein (ditador iraquiano, 1979-2003) em 1980, quando a sua invasão permitiu ao aiatolá [Ruhollah] Khomeini consolidar o poder no país”, opinou Parsi.
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O caminho temporário de Trump para sair da guerra, apesar de celebrado, também veio a um custo elevado. Em termos financeiros, o site Iran War Cost Tracker estima que o conflito custou US$ 44 bilhões até as 12h (horário de Brasília) desta quarta-feira. Em termos políticos, o ultimato com tons de crimes de guerra rendeu críticas até de aliados, e cresce entre os democratas o discurso pelo do afastamento do presidente. Muitos republicanos temem que o conflito e o vocabulário virulento de Trump lhes custe os empregos na Câmara e no Senado, que serão renovados em novembro. Como disse à rede BBC o deputado Austin Scott, “os comentários do presidente são contraproducentes”.
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No exterior, o cessar-fogo foi elogiado por aliados, mas nos bastidores poucos brindam à Casa Branca. Ouvido pelo portal Politico, um diplomata disse que “o interesse dos europeus em apoiar os EUA está em níveis abaixo de zero”. Também ao Politico, um integrante de um governo da região afirmou que “este não é um bom momento para as relações transatlânticas”, e que “Trump está claramente insatisfeito com o rumo da campanha contra o Irã e quer culpar os aliados”. Anthony Albanese, premier australiano, louvou a trégua, mas disse que “não é apropriado usar uma linguagem como a do presidente dos Estados Unidos”, se referindo ao ultimato existencial. Se o mal estar externo com os EUA já estava à mesa antes da guerra, agora o elefante se senta em lugar de destaque na sala.
O Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra lançada por EUA e Israel no final de fevereiro. A retomada do tráfego na área, por onde transitam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta, é um ponto central do plano, mas Teerã creditou a decisão à nova série de ataques israelenses no Líbano.
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De acordo com a agência Fars, duas embarcações passaram por Ormuz nesta quarta-feira, mas o local foi bloqueado mais uma vez depois da série de violentos bombardeios israelenses contra o Líbano, oficialmente voltados ao Hezbollah — grupo aliado de Teerã — mas que atingiram áreas densamente populadas onde a organização não está presente. Segundo o Ministério da Saúde, 89 pessoas morreram e 772 pessoas ficaram feridas.
Autoridades locais dizem que foram mais de 100 ataques em um intervalo de 10 minutos, e alguns descrevem um cenário parecido com a da devastação da Guerra Civil Libanesa (1975-1990). Desde o começo de março, Israel bombardeia o Líbano e dá passos cruciais para invadir e ocupar uma parte sul do país, deixando mais de 1,5 mil mortos e um milhão de deslocados internos.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Em comunicado, as forças navais e aeroespaciais da Guarda Revolucionária — que exerce o controle de fato do estreito — disseram que o novo fechamento demonstra que o Irã fala sério quando afirma ter “o dedo no gatilho” em meio ao cessar-fogo de duas semanas.
O bloqueio de Ormuz foi uma das principais armas do Irã na guerra, e causou um dos maiores choques do petróleo em décadas. Centenas de embarcações aguardam a autorização para a travessia, que agora está sob controle das autoridades militares iranianas. Um projeto em tramitação no Majlis, o Parlamento do Irã, adota a cobrança de um pedágio que pode chegar a US$ 2 milhões por navio. No plano de 10 pontos apresentado aos EUA, como ponto de partida para as negociações de paz, Teerã exige manter direitos sobre o trânsito naval na passagem.
No começo do dia, um representante do governo iraniano afirmou à agência Reuters que o Estreito de Ormuz poderia ser aberto até sexta-feira, quando começam as negociações entre EUA e Irã no Paquistão, em busca de um acordo definitivo. Contudo, como alertou o chanceler do país, Abbas Araghchi, as travessias ocorreriam em coordenação com seus militares — a Guarda Revolucionária ameaçou atacar qualquer embarcação que entrar na área sem autorização. Mais cedo, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, e Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto do país, afirmaram a jornalistas “acreditar” que o estreito estava aberto à navegação.
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O impasse em Ormuz é mais um elemento de tensão em torno do cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira por Trump. Apesar do Paquistão, que atuou como mediador, afirmar que ele abrange o Líbano (por pressão do Irã) Israel e EUA dizem o contrário, e autoridades israelenses prometem intensificar os ataques, segundo eles, voltados ao Hezbollah. À rede PBS, Trump declarou que, por causa do grupo, o país árabe “não foi incluído no acordo”. Citada pela agência Tasnim, a Guarda Revolucionária disse que “se as agressões contra o nosso amado Líbano não cessarem imediatamente, daremos uma resposta lamentável aos agressores malignos da região”. Segundo a mesma agência, há vozes em Teerã defendendo a retirada do país do acordo diante dos bombardeios contra cidades libanesas.
Em meio a um conflito que já dura quase seis semanas e provocou impactos diretos no equilíbrio geopolítico e no mercado global de energia, Estados Unidos, Irã e Israel anunciaram um cessar-fogo provisório de duas semanas na noite desta terça-feira . A decisão foi formalizada pelo presidente Donald Trump às vésperas do prazo final imposto a Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz, em um movimento que surpreendeu aliados e críticos. Segundo a The Associated Press, a mudança de posição ocorre após pressões diplomáticas e avaliações militares sobre os custos de uma eventual ocupação prolongada da região.
Cessar-fogo: O que se sabe e quais os próximos passos para a reabertura do Estreito de Ormuz e um acordo de paz?
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Horas após o início da trégua, o Estreito de Ormuz já voltou a registrar movimentação intensa de navios, indicando a reabertura prática da rota estratégica para o comércio global de energia. Dados de monitoramento marítimo mostraram dezenas de embarcações cruzando a passagem na manhã desta quarta-feira, após o Irã se comprometer a permitir a circulação durante o período do cessar-fogo.
Primeiros navios cruzam o Estreito de Ormuz após cessar-fogo e sinalizam retomada gradual do tráfego
Reprodução/Marine Traffic
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A trégua, no entanto, surge cercada de incertezas e questionamentos sobre sua viabilidade, especialmente diante de propostas consideradas conflitantes entre as partes envolvidas.
Apesar da trégua com o Irã, o conflito segue ativo em outras frentes da região, especialmente no Líbano, que ficou fora do cessar-fogo. O presidente Donald Trump afirmou que os confrontos envolvendo o grupo Hezbollah não estão incluídos nas negociações, classificando-os como uma frente separada.
Na prática, ataques israelenses continuaram sendo registrados em território libanês, com autoridades locais relatando impactos em áreas densamente povoadas, incluindo mortes e centenas de feridos. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, alertou para possíveis violações que podem comprometer o processo de paz, enquanto líderes internacionais pressionam por uma ampliação da trégua para reduzir a escalada regional.
Pressão, ultimato e mudança de postura
De acordo com a AP News, Trump passou, ao longo de um único dia, de ameaçar a “aniquilação” do Irã — chegando a afirmar que “uma civilização inteira morreria” caso suas exigências não fossem atendidas — a anunciar que considerava “viável” um plano apresentado pela liderança iraniana. O acordo foi divulgado cerca de 90 minutos antes do prazo final estabelecido pelos Estados Unidos.
Trump ameaça Irã e diz que ‘uma civilização inteira vai morrer esta noite’ caso República Islâmica não chegue a acordo com os EUA
Reprodução: Truth Social
A escalada retórica ocorreu em paralelo a uma intensa movimentação diplomática. O Paquistão, sob liderança do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, atuou como principal mediador, solicitando a extensão do prazo por duas semanas para permitir o avanço das negociações. Ao mesmo tempo, a China — maior parceira comercial do Irã — mobilizou esforços discretos para evitar a ampliação do conflito, segundo fontes governamentais ouvidas pela AP.
Iranianos formam correntes humanas em torno de pontes e centrais elétricas horas antes de fim de ultimato de Trump
Reprodução / Mehr News Agency
Pouco antes do anúncio do cessar-fogo, o governo iraniano havia indicado que poderia abandonar as negociações após as ameaças públicas feitas por Trump.
Contexto: Cessar-fogo oferece a EUA e Irã uma declaração de vitória, mas fim do conflito está mais distante do que ambos desejam
Em resposta, o regime convocou manifestações, com civis formando um escudo humano ao redor de usinas termelétricas. Posteriormente, o chanceler iraniano sinalizou disposição para reabrir o estreito durante o período da trégua.
Iranianos reagem após o anúncio de um cessar-fogo na praça Enqelab, em Teerã
AFP
O tema deve dominar a reunião prevista entre Trump e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, na Casa Branca.
O cálculo militar: uma guerra longa e custosa
A AP News aponta que um dos fatores centrais para o recuo foi o custo estratégico de tentar retirar o controle iraniano do Estreito de Ormuz. A passagem, localizada entre o Irã e Omã, concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo, sendo considerada vital para a economia internacional.
Especialistas ouvidos pela The Associated Press avaliam que, embora os Estados Unidos tenham capacidade de assumir rapidamente o controle da região, manter essa posição exigiria um compromisso militar de grande escala e longa duração. O analista Ben Connable, do Battle Research Group, afirmou que seria necessário controlar aproximadamente 600 quilômetros de território iraniano — da ilha de Kish até Bandar Abbas — para evitar ataques com mísseis contra embarcações.
Analistas de defesa concordaram em grande parte que as forças armadas dos EUA poderiam assumir rapidamente o controle do Estreito de Ormuz
Fazry Ismail/AFP
Essa operação demandaria entre 30 mil e 45 mil soldados americanos, o equivalente a três divisões de infantaria. Ainda segundo Connable, o envolvimento poderia se estender por décadas. “Esta seria uma operação por tempo indeterminado — pense em algo como 20 anos”, afirmou, ao comparar o cenário com conflitos anteriores enfrentados pelos EUA, como no Afeganistão, Vietnã e Iraque.
A avaliação de risco é reforçada pelo histórico da República Islâmica. Ao longo de 47 anos, o país demonstrou disposição para sustentar conflitos prolongados, como na crise dos reféns entre 1979 e 1981, que durou 444 dias, e na guerra contra o Iraque. Além disso, o Irã manteve alianças com grupos como Hamas e Hezbollah, e apoiou o governo de Bashar al-Assad.
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Mesmo enfraquecida militarmente, a liderança iraniana indicava confiança de que poderia prolongar o conflito e impor custos elevados aos Estados Unidos, ainda que não conseguisse derrotar diretamente suas forças armadas.
Termos do acordo e reações internacionais
O cessar-fogo provisório prevê uma medida inédita: a autorização para que Irã e Omã cobrem taxas de embarcações que atravessem o Estreito de Ormuz. De acordo com um funcionário regional ouvido pela AP, o governo iraniano pretende utilizar esses recursos para financiar a reconstrução do país. Não há clareza, até o momento, sobre a destinação da arrecadação por parte de Omã.
Historicamente, o estreito sempre foi considerado uma via marítima internacional sem cobrança de pedágios, o que torna a medida alvo de críticas. O senador democrata Chris Murphy afirmou que o acordo representa, na prática, a concessão de controle estratégico ao Irã, classificando a decisão como uma “vitória histórica” para Teerã.
No campo político, Trump também enfrentou resistência interna. Parlamentares democratas criticaram as ameaças iniciais do presidente, classificando-as como uma “falha moral”. O papa Leão XIV, por sua vez, alertou que ataques contra infraestrutura civil violariam o direito internacional, considerando as declarações “verdadeiramente inaceitáveis”.
Apesar das críticas, a Casa Branca defendeu a estratégia adotada. A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que o desempenho militar dos Estados Unidos criou condições favoráveis para a negociação. Segundo ela, a combinação de pressão e diplomacia abriu caminho para uma solução de longo prazo.
A lógica do confronto e da negociação
De acordo com a The Associated Press, o episódio também reforça um padrão já observado na atuação de Trump: a adoção de posições iniciais maximalistas, seguidas de recuos estratégicos. O presidente já utilizou prazos semelhantes em outras ocasiões, como em decisões militares e negociações internacionais, incluindo tratativas sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Análise: Como Trump foi de ‘presidente da paz’ às ameaças de crimes de guerra em pouco mais de um ano
Esse comportamento também se repetiu em políticas econômicas. Após anunciar tarifas amplas em 2025, Trump voltou atrás diante da reação negativa dos mercados. Situação semelhante ocorreu durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, quando sugeriu o controle da Groenlândia e posteriormente abandonou a proposta.
Manifestantes no Irã comemoram o cessar-fogo
Reprodução/Redes sociais
No caso atual, a escolha por um cessar-fogo temporário parece refletir não apenas pressões diplomáticas, mas também a tentativa de evitar o envolvimento dos Estados Unidos em um novo conflito de longa duração — cenário que o próprio presidente havia prometido evitar.
Ainda assim, persistem dúvidas sobre os desdobramentos. O Irã mantém sua posição de continuar o enriquecimento de urânio e exige garantias de que não será alvo de novos ataques, além de compensações pelos danos sofridos. Ao mesmo tempo, a manutenção do controle sobre o Estreito de Ormuz segue como ponto central de tensão.
A Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá emitiu um novo alerta de segurança nesta terça-feira (8), informando que milícias iraquianas alinhadas ao Irã realizaram ataques com drones nas proximidades de instalações diplomáticas americanas e podem lançar novas ofensivas contra cidadãos e interesses dos EUA no país.
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Segundo o comunicado oficial, os ataques recentes ocorreram perto do Centro de Apoio Diplomático de Bagdá e do Aeroporto Internacional da capital. A representação americana advertiu que há risco de novas ações terroristas em diferentes regiões do Iraque, incluindo o Curdistão iraquiano.
O alerta reforça a orientação para que cidadãos americanos evitem deslocamentos, especialmente por via aérea, mesmo diante de planos das autoridades iraquianas de reabrir o espaço aéreo e retomar voos comerciais.
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A escalada ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, com sucessivos ataques de grupos pró-Irã contra alvos ligados aos Estados Unidos. Nos últimos dias, instalações diplomáticas americanas já foram atingidas por drones e foguetes na região de Bagdá, segundo autoridades e fontes de segurança.
Além de instalações oficiais, o governo americano alerta que cidadãos, empresas e outras instituições associadas aos EUA podem se tornar alvos potenciais. O órgão também emitiu o alerta de viagem de “Nível 4: Não Viaje”, sendo o aviso mais severo emitido pelo Departamento de Estado dos EUA, indicando perigo extremo devido a conflitos ativos, terrorismo, crimes graves ou riscos à vida. A recomendação é evitar essas áreas, pois o governo americano tem capacidade limitada de assistência.
Vídeo mostra explosões
Mesmo após o anúncio do cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, nesta terça-feira (7), cenas de guerra continuam a emergir no Oriente Médio. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que um pequeno depósito de munições é atingido por um ataque na Rua Palestina, em Bagdá, provocando uma forte explosão seguida por correria de civis em pânico.
As imagens, registradas durante a noite, mostram uma bola de fogo se formando rapidamente após o impacto, enquanto moradores deixam a área às pressas, em meio a gritos e fumaça. O episódio ocorre no mesmo período em que autoridades anunciam a suspensão temporária das hostilidades, evidenciando as dificuldades de implementação do acordo no terreno.
Assista:
Vídeo mostra explosão em Bagdá durante cessar-fogo e pessoas correm em meio ao caos
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que ainda há “muito trabalho a fazer” para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, após o anúncio de um cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã. A declaração foi dada durante visita à Arábia Saudita, em meio a esforços diplomáticos para transformar a trégua em acordo duradouro.
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A viagem ocorre em um momento considerado decisivo para a estabilidade energética global. O estreito, que concentra grande parte do fluxo de petróleo e gás do mundo, foi afetado pela escalada militar recente, levando países a pressionarem por uma solução negociada.
Starmer destacou, a emissoras de TV no local, que o cessar-fogo trouxe alívio inicial, mas ressaltou a necessidade de consolidar a paz e garantir a segurança da navegação.
— É cedo, mas há um senso real de alívio. Precisamos tornar isso permanente — afirmou.
O governo britânico tem adotado uma estratégia diplomática, articulando reuniões multilaterais com dezenas de países para discutir medidas que assegurem a retomada das operações no estreito e evitem novos confrontos.
A reabertura do Estreito de Ormuz também é um objetivo central, segundo o premier, “por causa do impacto nos preços de energia”.
— É possível ver isso diariamente nos últimos 39 dias; é nosso trabalho garantir que o estreito esteja aberto, que possamos fazer com que a energia de que o mundo precisa circule e estabilizar os preços no Reino Unido — afirmou.
A Índia está considerando soltar cobras e crocodilos ao longo da fronteira com Bangladesh para conter o fluxo de migrantes sem documentos, afirmou a Força de Segurança de Fronteira nesta quarta-feira. Bangladesh é quase totalmente cercado pela Índia, com uma divisa que se estende por mais de 4 mil quilômetros, com amplos trechos atravessados por deltas onde os rios do Himalaia serpenteiam até o mar.
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Manoj Barnwal, da Força de Segurança de Fronteira, disse à AFP que “o uso de répteis” foi debatido em uma reunião com o Ministério do Interior em fevereiro.
— Nos foi pedido que avaliemos a viabilidade de implantar répteis como cobras ou crocodilos em áreas vulneráveis de rios — disse Barnwal, inspetor-geral adjunto da força paramilitar com base em Calcutá, perto da fronteira com Bangladesh. — O plano gira em torno de aproveitar dissuasores naturais como crocodilos e cobras em áreas propensas a inundações, ao longo de trechos sem cercas nos quais as barreiras tradicionais são ineficazes ou inviáveis.
Fronteira entre Índia e Bangladesh
Reprodução / Google Maps
Maior manguezal do mundo
O Sundarbans ocupa cerca de 10 mil km² e é formado por uma vasta rede de rios, canais e ilhas alagadas, na foz do Ganges, Brahmaputra e Meghna. É um ambiente extremamente dinâmico, com influência direta das marés e frequentes inundações. Ele é conhecido por sua enorme biodiversidade. Abriga espécies como o tigre-de-bengala, além de crocodilos, cobras, golfinhos de água doce e centenas de aves.
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Além da importância ecológica, o manguezal funciona como uma barreira natural contra ciclones e tempestades, protegendo milhões de pessoas que vivem nas áreas costeiras. Por isso, é considerado vital para o equilíbrio ambiental e a segurança da região. Ao mesmo tempo, enfrenta ameaças como mudanças climáticas, aumento do nível do mar e pressão humana, incluindo desmatamento e ocupação irregular.
— É uma medida inovadora, mas apresenta vários desafios e levanta preocupações de segurança —disse Barnwal, que questiona: — Como obteremos os répteis? Que impacto isso poderia ter nas pessoas das aldeias situadas ao longo da fronteira fluvial?
As relações entre Nova Délhi e Daca se deterioraram depois que protestos em 2024 em Bangladesh puseram fim ao governo autocrático da então primeira-ministra Sheikh Hasina, que fugiu para a Índia. O país, então, construiu cercas de fronteira que se estendem por centenas de quilômetros e deteve dezenas de bangladeshianos que tentavam cruzar a fronteira após a queda de Hasina.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que o cessar-fogo temporário com o Irã, obtido na terça-feira com mediação do Paquistão, não incluiu a interrupção dos ataques de Israel ao território do Líbano. A declaração do republicano ocorre após a realização de um amplo ataque pelos militares israelenses contra supostos alvos do movimento libanês Hezbollah, condenado por autoridades do governo local por atingir áreas civis densamente populosas. A parte mediadora em Islamabad confirmou ter recebido denúncias de violações ao acordo, afirmando, sem citar nenhum caso em particular, que elas afetam o processo de paz.
Cessar-fogo: O que se sabe e quais os próximos passos para a reabertura do Estreito de Ormuz e um acordo de paz?
Em tom de vitória: Secretário de Defesa dos EUA diz que Irã ‘implorou pela trégua’ e que país cumpriu objetivos da guerra
— [O Líbano não foi incluído no acordo] por causa do Hezbollah. Eles não estavam incluídos no acordo. Isso também será resolvido — afirmou Trump em entrevista à rede americana PBS News, acrescentando, ao ser questionado sobre a continuidade dos ataques israelenses no Líbano: — Faz parte do acordo, todos sabem disso. É uma escaramuça à parte.
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A declaração de Trump contradiz o anúncio feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que na noite de terça-feira afirmou que Irã e EUA, junto de seus aliados, “acordaram um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outras regiões”. A versão da parte mediadora já havia sido rejeitada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que em um comunicado divulgado por seu Gabinete argumentou que o Líbano não estava incluído nas tratativas envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz.
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Em uma nova declaração nesta quarta-feira, Sharif demonstrou preocupação com o fato de ter sido informado sobre “violações ao cessar-fogo” em “alguns lugares da zona de conflito”. Sem citar nenhum caso em particular, o premier pediu que todas as partes exercessem moderação.
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“Violações do cessar-fogo foram relatadas em alguns lugares através da zona de conflito, o que mina o espírito do processo de paz. Eu franca e sinceramente rogo a todas as partes para que exerçam moderação e respeitem o cessar-fogo por duas semanas, como o acordado, para que a diplomacia possa assumir um papel de liderança na busca de uma solução pacífica para o conflito”, escreveu.
Mais cedo, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou nesta quarta-feira que as Forças Armadas de Israel estão matando “civis inocentes” em áreas densamente povoadas do país, após o Exército israelense lançar um extenso ataque contra o que apontou como alvos ligados ao movimento libanês Hezbollah, aliado do Irã no “Eixo da Resistência”.
“Embora tenhamos saudado o acordo entre o Irã e os Estados Unidos e intensificado nossos esforços para alcançar um acordo de cessar-fogo no Líbano, Israel continua a intensificar seus ataques, que têm como alvo bairros residenciais densamente povoados e ceifado a vida de civis desarmados em todo o Líbano, particularmente na capital, Beirute, demonstrando total desrespeito pelos esforços regionais e internacionais para pôr fim à guerra, abandonando os princípios do direito internacional e do direito internacional humanitário, que nunca respeitou em primeiro lugar”, escreveu o premier em uma publicação na rede social X.
A crítica do premier foi endereçada pouco após as Forças Armadas de Israel anunciarem uma ação que descreveram como o “maior ataque coordenado” contra o Hezbollah nos últimos tempos. Em um comunicado oficial, os militares afirmaram que “em um período de 10 minutos e simultaneamente em várias zonas” cerca de 100 centros de comando e infraestruturas militares do grupo armado foram atingidas. Colunas de fumaça foram vistas nos céus de Beirute e da região metropolitana, no sul do país e no vale do Beeka, no leste.
— As FDI [Forças de Defesa de Israel, nome oficial das Forças Armadas] executaram um ataque surpresa contra centenas de terroristas do Hezbollah em centros de comando por todo o Líbano. Este é o maior golpe sofrido pelo Hezbollah desde a Operação Pagers — disse o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, fazendo referência à operação de inteligência de 2024, em que dispositivos explosivos foram plantados em aparelhos de comunicação e detonados.
Em uma manifestação em separado, o porta-voz militar israelense Avichay Adraee justificou que os bombardeios alcançaram o sul de Beirute e outras zonas residenciais em razão do reposicionamento do Hezbollah nessas regiões — uma alegação que as Forças Armadas de Israel também repetem ao justificar ataques ao Hamas na Faixa de Gaza.
O Ministério da Saúde do Líbano classificou a nova onda de ataques como “uma perigosa escalada” da violência no conflito. A autoridade de saúde informou que foram contabilizados “dezenas de mortos e centenas de feridos” desde o ataque, enquanto organizações médicas emitiram apelos para que profissionais de todas as especialidades se apresentem aos hospitais para atender um grande número de feridos. Na véspera, o Ministério da Saúde havia divulgado que o número de mortos no país passou dos 1,5 mil desde a retomada das agressões.
Embora o governo libanês não tome parte no confronto entre Israel e Hezbollah, tendo condenado de forma pública as atividades militares do movimento xiita, os últimos ataques israelenses levaram a um maior grau de condenação nesta quarta-feira. O presidente Joseph Aoun criticou o rompimento de um cessar-fogo assinado em novembro de 2024 e a escala de “violações e descumprimentos cometidos com total impunidade” por Israel.
“Esses atos bárbaros de agressão – que não reconhecem nenhum direito e não respeitam nenhum acordo ou compromisso – demonstraram repetidamente um total desprezo por todas as leis e normas internacionais”, afirmou.
Apelos internacionais
A expectativa por uma contenção das hostilidades no Líbano cresceram na terça-feira, quando os EUA anunciaram que Israel havia concordado com os termos mediados pelo Paquistão para um cessar-fogo temporário de duas semanas com o Irã, viabilizando uma reabertura do Estreito de Ormuz. Os mediadores anunciaram ainda na noite de terça que a paralisação no conflito envolveria também “o Líbano e outras regiões”. O premier israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou que o Líbano fizesse parte de qualquer acordo.
Em meio à escalada de hostilidades, atores internacionais tentaram pressionar a liderança israelense por uma extensão da trégua ao Líbano — independente dos termos. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quarta-feira que os confrontos entre as forças do Estado judeu e do Hezbollah deveriam parar imediatamente, acrescentando que “a situação é crítica” no país, e que “ataques” e a “ocupação do sul” libanês “não é a resposta correta”.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, manteve contatos com a diplomacia israelense sobre a situação no Líbano nesta quarta-feira, anunciaram porta-vozes da pasta, detalhando que o ministro teria defendido que o Estado judeu agisse “apenas de acordo com o seu direito de autodefesa”.
O Irã denunciou ao Paquistão o caso do Líbano como uma violação de Israel ao cessar-fogo. Em um comunicado, a diplomacia iraniana afirmou que o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi entrou em contato por telefone com os mediadores, denunciando tanto ataques ao próprio território iraniano quanto ao libanês.
(Com AFP)
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que o cessar-fogo temporário com o Irã, obtido na terça-feira com mediação do Paquistão, não incluiu a interrupção dos ataques de Israel ao território do Líbano. A declaração do presidente ocorre após os militares israelenses anunciarem um ataque massivo contra supostos alvos do Hezbollah no país, o que motivou denúncias de violação ao acordo, segundo o Paquistão.
Cessar-fogo: O que se sabe e quais os próximos passos para a reabertura do Estreito de Ormuz e um acordo de paz?
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— [O Líbano não foi incluído no acordo] por causa do Hezbollah. Eles não estavam incluídos no acordo. Isso também será resolvido — afirmou Trump em entrevista à rede americana PBS News, acrescentando ao ser questionado sobre a continuidade dos ataques israelenses no Líbano — Faz parte do acordo, todos sabem disso. É uma escaramuça à parte.
Mais cedo, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou nesta quarta-feira que as Forças Armadas de Israel estão matando “civis inocentes” em áreas densamente povoadas do país, após o Exército israelense lançar um extenso ataque contra o que apontou como alvos ligados ao movimento libanês Hezbollah, aliado do Irã no “Eixo da Resistência”.
“Embora tenhamos saudado o acordo entre o Irã e os Estados Unidos e intensificado nossos esforços para alcançar um acordo de cessar-fogo no Líbano, Israel continua a intensificar seus ataques, que têm como alvo bairros residenciais densamente povoados e ceifado a vida de civis desarmados em todo o Líbano, particularmente na capital, Beirute, demonstrando total desrespeito pelos esforços regionais e internacionais para pôr fim à guerra, abandonando os princípios do direito internacional e do direito internacional humanitário, que nunca respeitou em primeiro lugar”, escreveu o premier em uma publicação na rede social X.
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A crítica do premier foi endereçada pouco após as Forças Armadas de Israel anunciarem uma ação que descreveram como o “maior ataque coordenado” contra o Hezbollah nos últimos tempos. Em um comunicado oficial, os militares afirmaram que “em um período de 10 minutos e simultaneamente em várias zonas” cerca de 100 centros de comando e infraestruturas militares do grupo armado foram atingidas. Colunas de fumaça foram vistas nos céus de Beirute e da região metropolitana, no sul do país e no vale do Beeka, no leste.
— As FDI [Forças de Defesa de Israel, nome oficial das Forças Armadas] executaram um ataque surpresa contra centenas de terroristas do Hezbollah em centros de comando por todo o Líbano. Este é o maior golpe sofrido pelo Hezbollah desde a Operação Pagers — disse o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, fazendo referência à operação de inteligência de 2024, em que dispositivos explosivos foram plantados em aparelhos de comunicação e detonados.
Em uma manifestação em separado, o porta-voz militar israelense Avichay Adraee justificou que os bombardeios alcançaram o sul de Beirute e outras zonas residenciais em razão do reposicionamento do Hezbollah nessas regiões — uma alegação que as Forças Armadas de Israel também repetem ao justificar ataques ao Hamas na Faixa de Gaza.
O Ministério da Saúde do Líbano classificou a nova onda de ataques como “uma perigosa escalada” da violência no conflito. A autoridade de saúde informou que foram contabilizados “dezenas de mortos e centenas de feridos” desde o ataque, enquanto organizações médicas emitiram apelos para que profissionais de todas as especialidades se apresentem aos hospitais para atender um grande número de feridos. Na véspera, o Ministério da Saúde havia divulgado que o número de mortos no país passou dos 1,5 mil desde a retomada das agressões.
Embora o governo libanês não tome parte no confronto entre Israel e Hezbollah, tendo condenado de forma pública as atividades militares do movimento xiita, os últimos ataques israelenses levaram a um maior grau de condenação nesta quarta-feira. O presidente Joseph Aoun criticou o rompimento de um cessar-fogo assinado em novembro de 2024 e a escala de “violações e descumprimentos cometidos com total impunidade” por Israel.
“Esses atos bárbaros de agressão – que não reconhecem nenhum direito e não respeitam nenhum acordo ou compromisso – demonstraram repetidamente um total desprezo por todas as leis e normas internacionais”, afirmou.
Apelos internacionais
A expectativa por uma contenção das hostilidades no Líbano cresceram na terça-feira, quando os EUA anunciaram que Israel havia concordado com os termos mediados pelo Paquistão para um cessar-fogo temporário de duas semanas com o Irã, viabilizando uma reabertura do Estreito de Ormuz. Os mediadores anunciaram ainda na noite de terça que a paralisação no conflito envolveria também “o Líbano e outras regiões”. O premier israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou que o Líbano fizesse parte de qualquer acordo.
Em meio à escalada de hostilidades, atores internacionais tentaram pressionar a liderança israelense por uma extensão da trégua ao Líbano — independente dos termos. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quarta-feira que os confrontos entre as forças do Estado judeu e do Hezbollah deveriam parar imediatamente, acrescentando que “a situação é crítica” no país, e que “ataques” e a “ocupação do sul” libanês “não é a resposta correta”.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, manteve contatos com a diplomacia israelense sobre a situação no Líbano nesta quarta-feira, anunciaram porta-vozes da pasta, detalhando que o ministro teria defendido que o Estado judeu agisse “apenas de acordo com o seu direito de autodefesa”.
O Irã denunciou ao Paquistão o caso do Líbano como uma violação de Israel ao cessar-fogo. Em um comunicado, a diplomacia iraniana afirmou que o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi entrou em contato por telefone com os mediadores, denunciando tanto ataques ao próprio território iraniano quanto ao libanês.
(Com AFP)
A Marinha iraniana ameaçou destruir os navios que tentassem atravessar o Estreito de Ormuz sem a autorização de Teerã, acrescentando que a passagem estratégica continua limitada, de acordo com informações do The Wall Street Journal.
Cessar-fogo no Irã: O que se sabe e quais os próximos passos para a reabertura do Estreito de Ormuz e um acordo de paz?
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Apesar da liberação, cerca de mil navios seguem retidos no Golfo Pérsico, segundo levantamento da empresa multinacional de notícias Euronews, e companhias de navegação demonstram cautela diante da possibilidade de retomada das operações, destacando a necessidade de regras claras antes de autorizar novas travessias.
À Associated Press, a dinamarquesa Maersk, segunda maior operadora de contêineres do mundo, afirmou que “o cessar-fogo pode criar oportunidades de trânsito, mas ainda não fornece total segurança marítima”. A empresa acrescentou, ainda, que precisa “entender todas as possíveis condições envolvidas” e está “trabalhando com urgência” para esclarecer como será a passagem de embarcações pelo estreito.
A alemã Hapag-Lloyd, que calcula perdas semanais de cerca de US$ 55 milhões (cerca de R$ 285 milhões), adotou tom semelhante. Também segundo a Associated Press, o CEO da empresa, Rolf Habben-Jansen, afirmou a clientes que ainda é cedo para medir o impacto da reabertura e alertou que a normalização completa das operações pode levar pelo menos seis semanas, mesmo que alguns navios consigam deixar o Golfo em breve.
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O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou que a passagem marítima está aberta, enquanto oficiais iranianos de alto escalão afirmam que o Irã deve conduzir a reabertura do Estreito de maneira restrita e controlada a partir desta sexta-feira, a depender de um resultado satisfatório na reunião marcada no Paquistão entre a República Islâmica e os Estados Unidos, segundo a Reuters, o que dá a entender que a passagem marítima ainda não foi reaberta.
Apesar das incertezas, sinais de retomada já começaram a surgir. Dois navios mercantes foram os primeiros a atravessar o estreito após o anúncio do cessar-fogo. O graneleiro grego NJ Earth cruzou a via às 08h44 (horário local), enquanto o Daytona Beach, de bandeira liberiana, realizou a travessia às 06h59, pouco depois de deixar o porto iraniano de Bandar Abbas, segundo dados da plataforma MarineTraffic.
Mapa do Estreito de Ormuz de acordo com plataforma de monitoração de navios MarineTraffic
Reprodução: MarineTraffic
Horas depois, o fluxo de embarcações aumentou no Estreito, com navios trafegando nos dois sentidos entre o Golfo Pérsico e o oceano.

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