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A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou nesta segunda-feira como “inaceitáveis” as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Papa Leão XIV. O primeiro Pontífice nascido nos EUA, que lidera os 1,4 bilhão de católicos do mundo, manifestou-se contra a guerra no Irã, iniciada por Washington e Israel, condenando a “violência absurda e desumana” desencadeada pelos combates.
Após chamar o Papa Leão XIV de ‘fraco’: Trump publica imagem de si mesmo que o retrata como uma figura semelhante a Jesus
‘É irônico o nome do próprio site’: Papa fala sobre nome da plataforma Truth Social, de Trump
“Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump sobre o Santo Padre. O Papa é o chefe da Igreja católica e é justo e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra”, afirmou Meloni, em comunicado.
Na madrugada desta segunda-feira, o presidente americano teceu críticas ao Pontífice em uma longa publicação no Truth Social.
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“Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump”, escreveu. “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, acrescentou.
Horas antes, no domingo, Trump disse a repórteres que não é um “grande fã” do Papa Leão XIV.
— Não sou um grande fã do Papa Leão. Ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em acabar com o crime — disse Trump na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, acusando o Pontífice de “brincar com um país que quer uma arma nuclear”.
‘Fraco’ e ‘liberal demais’: Trump ataca Papa Leão XIV em post; líderes católicos reagem
Trump acusou o Papa de “brincar com um país que quer uma arma nuclear”, em referência ao Irã. O país, porém, sempre negou que seu programa atômico tenha outro objetivo que não o uso civil.
Também nesta segunda, em resposta aos comentários do presidente americano, o Papa disse que não tem “nenhum medo da administração Trump, nem de falar abertamente a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão aqui”.
A caminho da Argélia, o Papa foi perguntado diretamente sobre as críticas que recebeu de Trump na Truth Social, rede social criada por ele em 2022.
— É irônico, o próprio nome da plataforma. Não preciso dizer mais nada — afirmou, referenciando-se à plataforma, que pode ser traduzido como “rede social da verdade”.
Leão XIV, apesar da troca de farpas, disse não ter intenção de engajar na disputa com Trump.
— Não quero entrar em um debate com ele — disse à agência Reuters ao cumprimentar jornalistas no avião.
Uma mulher foi condenada nesta segunda-feira a cumprir pena comunitária no Reino Unido após aplicar um golpe vendendo ingressos falsos para shows da banda Oasis, enganando amigos e conhecidos e causando prejuízo de cerca de £4 mil (aproximadamente R$ 27 mil).
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Em grupos de Whasapp, Rosie Slater oferecia o preço de £130 (R$ 878) por ingresso em maio de 2025, e algumas pessoas enviaram o dinheiro diretamente para ela e reservaram quartos de hotel não reembolsáveis para as datas da turnê. Ela confessou a fraude em dezembro do mesmo ano.
De acordo com a decisão judicial, a fraude começou com uma mentira que se expandiu e passou a envolver diversas vítimas, explorando relações de confiança para convencer compradores de que os ingressos eram legítimos.
A Justiça determinou uma ordem comunitária de 12 meses, em vez de prisão, levando em conta a necessidade de reabilitação, apesar do impacto financeiro e emocional causado. Slater foi condenada a pagar uma multa de £ 40 (cerca de 270), uma taxa de compensação às vítimas de £ 114 e £ 85 em custas judiciais. Ela também terá que ressarcir integralmente as vítimas no valor de £ 776,98, elevando o total a ser pago para £ 1.015,98 (cerca de R$ 6,8 mil).
Outro caso recente envolveu fraude de ingressos para shows da banda. Em 2025, fãs do Oasis perderam mais de £2 milhões (R$ 13 milhões) em fraudes semelhantes, muitas delas iniciadas em plataformas digitais.
Segundo investigações, os criminosos costumam oferecer ingressos a preços atrativos ou alegar acesso privilegiado, pressionando as vítimas a realizar pagamentos rápidos — muitas vezes por transferência bancária, sem possibilidade de reembolso.
O Peru retomou nesta segunda-feira as eleições presidenciais iniciadas no domingo, depois que mais de 50 mil pessoas ficaram sem votar devido a problemas na distribuição de material eleitoral. A candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ex-ditador condenado por violações de direitos humanos, Alberto Fujimori, é favorita para um segundo turno com 16,9% dos votos, segundo a contagem oficial com mais da metade das atas apuradas.
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Em uma jornada eleitoral que já se desenhava imprevisível pela quantidade de candidatos na disputa, as eleições presidenciais no Peru do último domingo foram marcadas por graves falhas de organização e atrasos prolongados que impediram ao menos 63 mil eleitores de depositarem seus votos nas urnas — muitas das quais sequer chegaram a ser abertas até o fechamento das seções eleitorais às 18h (20h em Brasília).
Falhas de organização e atrasos impediram ao menos 63 mil eleitores de depositarem seus votos nas urnas
ERNESTO BENAVIDES / AFP
Nesta segunda, as autoridades eleitorais estenderam os comícios por mais um dia, nos quais também são eleitos deputados e senadores, porque não conseguiram distribuir cédulas, urnas e outros materiais em 13 centros de votação no sul de Lima. Os eleitores afetados foram convocados nesta segunda-feira às 07h00 locais (09:00 no horário de Brasília). Assim como no dia anterior, também foram registrados atrasos.
— É uma perda de tempo e é incômodo. As autoridades são incompetentes — criticou Nancy Gómez, empregada doméstica de 56 anos, que votou na segunda-feira.
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A Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), organizadora das eleições, responsabilizou pelos incidentes uma empresa de transporte contratada para distribuir o material.
Disputa pelo segundo lugar
As projeções indicam que os 50 mil votos em disputa nesta segunda-feira não ameaçariam a ida de Fujimori ao segundo turno previsto para junho. Com 53% das atas contabilizadas em nível nacional, disputam a posição o ultraconservador Rafael López Aliaga (14,5%), seguido de perto pelo social-democrata Jorge Nieto (12,8%).
Nestas eleições, mais de 27 milhões de peruanos foram convocados às urnas para escolher também deputados e senadores pela primeira vez desde 1990, já que o país voltará a ter um parlamento bicameral em julho.
O atual presidente interino, José María Balcázar, não podia se candidatar à reeleição.
O bloqueio naval dos Estados Unidos contra o Irã entrou em vigor nesta segunda-feira, após o prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump para restringir o acesso marítimo a portos iranianos terminar às 11h (no horário de Brasília). A medida foi acompanhada por ameaças diretas do presidente americano, que afirmou que embarcações militares iranianas que se aproximarem da área serão “imediatamente eliminadas”.
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“Aviso: se qualquer um desses navios chegar perto do nosso BLOQUEIO, será imediatamente ELIMINADO”, escreveu Trump em publicação nas redes sociais pouco depois do horário previsto para o início do bloqueio. Em outra mensagem, acrescentou que os EUA utilizariam “o mesmo sistema de morte” empregado contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no mar, classificando-o como “rápido e brutal”.
Segundo Trump, a Marinha iraniana já teria sido amplamente destruída. O líder americano afirmou que 158 navios foram “completamente obliterados”, ressaltando que o que ainda não foi atingido foi “o pequeno número do que eles chamam de ‘navios de ataque rápido’, porque não os considerávamos uma grande ameaça”, escreveu.
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O bloqueio do tráfego marítimo foi anunciado pelo republicano no domingo, após negociações entre EUA e Irã no Paquistão encerrarem sem acordo. As conversas haviam buscado estender um cessar-fogo frágil entre os dois países, em meio a um conflito de seis semanas que já deixou milhares de mortos na região. O impasse envolveu, entre outros pontos, o futuro do programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz.
O centro United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), afiliado à Marinha Real britânica, informou que as restrições marítimas estavam sendo aplicadas a embarcações de qualquer bandeira que operem com portos iranianos, terminais de petróleo ou instalações costeiras. Segundo o aviso, as medidas abrangem toda a costa iraniana.
O Comando Central dos Estados Unidos já havia indicado anteriormente que o bloqueio seria aplicado “de forma imparcial” contra navios de todas as nações que entrem ou saiam de portos iranianos. Um aviso também indicou que embarcações poderiam ser interceptadas, desviadas ou capturadas. Navios neutros que não tenham feito escala no Irã não seriam impedidos, podendo, no entanto, ser revistados.
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O Irã classificou a ameaça como “ato de pirataria” e afirmou que atingirá todos os portos dentro e próximos ao Golfo Pérsico caso seus próprios centros de navegação sejam ameaçados. A segurança dos portos da região é “ou para todos ou para ninguém”, disseram as forças armadas iranianas em comunicado nesta segunda, sinalizando que o Irã está pronto para retomar ataques. O movimento aumentaria as tensões entre os EUA e a China, que compra quase todo o petróleo iraniano.
O bloqueio também eleva a pressão sobre o cessar-fogo entre os dois países, firmado há menos de uma semana. Autoridades iranianas acusaram os EUA de violar a trégua ao permitir que Israel continue a bombardear o Líbano. O Paquistão, que mediou o acordo, afirmou que todas as frentes regionais faziam parte do entendimento e disse que continuará tentando intermediar uma solução diplomática.
“O Paquistão continua comprometido em manter esse impulso pela paz e estabilidade”, disse o premier paquistanês, Shehbaz Sharif, nas redes sociais, indicando a continuidade dos esforços diplomáticos.
Já aliados dos EUA demonstraram cautela. O Reino Unido indicou que não participará do bloqueio, enquanto a ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, disse que o bloqueio naval planejado “não faz sentido” e é “mais um episódio nesta espiral descendente para a qual fomos arrastados”. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que França e Reino Unido sediarão uma conferência com países dispostos a participar de uma “missão multinacional pacífica” para garantir a segurança do estreito, mas que ela será “estritamente defensiva”.
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Os mercados reagiram à escalada. Os preços do petróleo subiram com o temor de restrições na oferta, enquanto as ações americanas abriram em leve queda. O aumento das tensões ocorre em uma via marítima estratégica por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Autoridades iranianas também alertaram para impactos econômicos. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o cerco no Golfo elevará os preços da gasolina para os americanos, observando que o preço médio do galão nos EUA já supera US$ 4,12, acima dos níveis registrados antes do início da guerra.
Videográfico: como minas marítimas do Irã podem bloquear o Estreito de Ormuz
A geografia da região permitiu que o Irã utilizasse o Estreito como instrumento de pressão ao longo da guerra, impedindo seletivamente a passagem de embarcações pela via marítima e elevando os preços do petróleo no processo. Ao fechar o Estreito, Trump poderia cortar uma importante fonte de receita para o governo iraniano, embora isso também possa elevar ainda mais os preços do petróleo e do gás.
Isso porque um bloqueio de navios iranianos cortaria uma linha vital financeira para Teerã, que manteve as exportações de petróleo em níveis pré-guerra e arrecadou milhões de dólares extras com a alta dos preços do petróleo provocada pelo conflito. O bloqueio de Trump também poderia ter grande impacto sobre a China, parceiro comercial-chave da República Islâmica. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, disse nesta segunda que a medida ameaça o comércio global e pediu que ambos os lados “permaneçam calmos”.
Enquanto EUA e Israel interromperam os bombardeios ao Irã — e Teerã, por sua vez, parou de disparar mísseis contra Estados do Golfo — Israel manteve sua invasão do Líbano para atingir o Hezbollah, grupo militante apoiado por Teerã. Nesta segunda-feira, o Exército israelense disse ter cercado Bint Jbeil, uma cidade em colina a cerca de 4 km da fronteira israelense, e que iniciará um ataque. O Hezbollah considera Bint Jbeil um de seus principais redutos e a chama de “capital da resistência”.
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A ofensiva de Israel no Líbano — que, segundo o governo libanês, já matou mais de 2 mil pessoas — foi um ponto de discórdia durante a negociação dos termos do cessar-fogo entre EUA e Irã. Conversas entre Israel e o governo libanês, que há anos promete desarmar o Hezbollah sem sucesso, devem ocorrer nesta semana.
Os desdobramentos em Ormuz e no Líbano ameaçam prolongar e ampliar a guerra, enquanto a escassez emergente de energia alimenta temores de uma crise inflacionária global. O acordo de cessar-fogo de duas semanas deve expirar em 22 de abril, caso o bloqueio americano não leve ao seu colapso antes disso. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito “sob qualquer pretexto” será considerada uma violação do cessar-fogo, segundo a TV estatal iraniana.
Embora nenhum dos lados tenha se comprometido com uma segunda rodada de negociações, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse que os países chegaram a um entendimento sobre várias questões, mas persistem divergências “em dois ou três pontos-chave”. Um funcionário americano, que pediu anonimato, disse no domingo que estava claro para a equipe dos EUA que a delegação iraniana não compreendia o principal objetivo do governo Trump, que era garantir que a República Islâmica nunca tenha uma arma nuclear.
(Com Bloomberg e AFP)
A derrota do primero-ministro Viktor Orbán nas eleições de domingo representa um revés importante para o Kremlin, que por anos contou com a Hungria como um de seus principais aliados dentro da União Europeia. Ainda assim, a forte dependência energética do país em relação à Rússia impõe limites a uma ruptura imediata.
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O novo cenário coloca desafios para o premiê eleito, Peter Magyar, cujo partido, Tisza, conquistou ampla maioria no Parlamento. Parte de sua campanha foi construída sobre a promessa de reaproximar o país da União Europeia e da OTAN, além de adotar uma postura mais transparente em relação a Moscou.
Durante a campanha, Magyar afirmou que a Hungria não queria se tornar “a primeira colônia russo-americana”, em referência ao apoio recebido por Orbán tanto do ex-presidente Donald Trump quanto do líder russo Vladimir Putin. Ele também prometeu combater a corrupção e defender uma Hungria “livre e europeia”.
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“Qualquer pessoa que conheça a história da Hungria sabe que fomos atacados muitas vezes pela Rússia”, observou Magyar em entrevista ao The New York Times em 2024.
Apesar do discurso, o novo governo deve adotar uma abordagem pragmática. A Hungria importa mais de 80% de seu gás natural e petróleo da Rússia, herança dos 16 anos de Orbán no poder. Magyar afirmou que pretende diversificar as fontes de energia, mas indicou que o processo será gradual.
O líder da oposição, Peter Magyar, participando de um comício em Keszthely, na Hungria, no mês passado
Akos Stiller para o New York Times
Essa dependência tende a manter a influência de Moscou no país no curto e médio prazo. Ainda assim, a saída de Orbán do poder retira de Putin um aliado estratégico dentro da União Europeia, especialmente em um momento em que o bloco tem se mostrado mais coeso em relação à guerra na Ucrânia.
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Orbán foi um dos principais críticos internos da União Europeia e frequentemente bloqueou iniciativas do bloco, incluindo pacotes de sanções contra a Rússia e apoio financeiro à Ucrânia. Sua política energética, baseada na continuidade das compras de gás russo, também ajudou Moscou a preservar espaço econômico no continente.
Agora, analistas avaliam que o Kremlin deve ajustar sua estratégia. “O governo Orbán não era um aliado moral, nem um aliado espiritual. O governo Orbán era um aliado pragmático e corrupto”, disse Andras Racz, pesquisador sênior do Conselho Alemão de Relações Exteriores. “Se um aliado assim perde o poder, a Rússia geralmente está pronta para descartá-lo ou abandoná-lo à própria sorte.”
Segundo Racz, a vitória de Magyar foi suficientemente expressiva para forçar uma mudança de postura de Moscou. “que seria simplesmente irracional para o Kremlin não mudar de posição”.
Portão principal de uma refinaria de petróleo e gás perto de Szazhalombatta, na Hungria. O país depende fortemente da Rússia para suprir suas necessidades energéticas
Attila Kisbenedek/Agence France-Presse — Getty Images
Sinais dessa adaptação surgiram já no dia seguinte às eleições. “A Hungria fez a sua escolha. Respeitamos essa escolha”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. “Esperamos continuar os nossos contactos pragmáticos com a nova liderança da Hungria.”
Peskov acrescentou que a Rússia pretende manter uma relação positiva com Budapeste e destacou o papel do país como fornecedor energético. A Rússia é e continuará sendo “um dos fornecedores de energia mais confiáveis do mundo”, disse.
Apesar disso, Moscou teve atuação ativa no processo eleitoral, segundo analistas, buscando influenciar o resultado a favor de Orbán. Parte da retórica do ex-premiê, incluindo críticas ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, teria sido inspirada em narrativas da inteligência russa.
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Esses esforços, no entanto, foram enfraquecidos por vazamentos que expuseram a proximidade entre Orbán e autoridades russas, o que gerou reação nas ruas. Durante a campanha, apoiadores de Magyar chegaram a entoar slogans anti-Rússia em manifestações.
“Grande parte da Hungria votou em Tisza porque queria se livrar dessa dependência da Rússia”, disse Zselyke Csaky, do Centro para a Reforma Europeia. “Mas, uma vez que o governo comece e Tisza tenha mais clareza sobre o que essa relação significa, talvez tenha que tomar algumas decisões difíceis.”
Entre as mudanças mais imediatas, analistas apontam uma possível redução da influência russa na mídia e nos serviços de segurança húngaros. Também não está descartada a expulsão de diplomatas russos, ainda que de forma discreta.
No campo europeu, a expectativa é que a Hungria deixe de atuar como obstáculo a medidas de apoio à Ucrânia. Ainda assim, Magyar deve manter cautela, considerando as divisões internas e a dependência energética do país.
A diversificação deve começar pelo petróleo, considerado mais fácil de substituir. Já o gás natural e a energia nuclear representam desafios maiores. Um contrato de 15 anos assinado em 2021 com a Rússia dificulta mudanças rápidas, assim como a usina nuclear de Paks, que utiliza tecnologia e combustível russos.
Magyar afirmou que precisa avaliar detalhadamente os contratos firmados por Orbán antes de tomar decisões. A tendência, segundo analistas, é que o novo governo busque equilibrar fornecedores, em vez de romper totalmente com Moscou.
“Em termos de segurança energética, mudanças radicais e imediatas são muito, muito raras”, disse Racz. “Portanto, sim, a Rússia mantém certa influência.”
A caminho da Argélia nesta segunda-feira, o Papa Leão XIV foi perguntado diretamente sobre as críticas que recebeu do presidente Donald Trump na Truth Social, rede social criada por ele em 2022, e o pontífice respondeu: “É irônico — o próprio nome da plataforma. Não preciso dizer mais nada.” Leão XIV também afirmou a jornalistas não ter medo do governo Trump, “nem de falar em voz alta a mensagem do Evangelho”.
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— Não tenho medo do governo Trump nem de proclamar em voz alta a mensagem do Evangelho, que acredito ser o que estou aqui para fazer, o que a Igreja está aqui para fazer — disse o Papa a jornalistas durante o voo.
Papa Leão XIV durante voo à Argélia
As declaração de Leão ocorreram após o presidente americano tecer críticas ao Pontífice em uma publicação ainda na madrugada desta segunda-feira.
— Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante — escreveu Trump. — Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.
Horas antes, no domingo, Trump disse a repórteres que não é um “grande fã” do Papa Leão XIV.
— Não sou um grande fã do Papa Leão. Ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em acabar com o crime — disse Trump na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland.
Reação feita com IA: Após chamar o Papa Leão XIV de ‘fraco’, Trump publica imagem de si mesmo que o retrata como uma figura semelhante a Jesus
Trump acusou o pontífice de “brincar com um país que quer uma arma nuclear”, em referência ao Irã. O país, porém, sempre negou que seu programa atômico tenha outro objetivo que não o uso civil.
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O Papa, por outro lado, disse não ter intenção de engajar na disputa com Trump:
— Não quero entrar em um debate com ele — disse à Reuters ao cumprimentar jornalistas no avião.
‘Contruindo pontes entre o mundo cristão e o mulçumano’
A Argélia recebeu nesta segunda-feira o Papa Leão XIV para uma visita histórica de grande simbolismo: nunca antes um pontífice havia viajado para este país muçulmano, a terra natal de Santo Agostinho. Leão XIV ficará dois dias na Argélia “para seguir construindo pontes entre o mundo cristão e o mundo muçulmano”, disse à AFP o arcebispo de Argel, o cardeal Jean-Paul Vesco.
Leão XIV é o primeiro Papa a visitar a Argélia, um país muçulmano
Reprodução
Em Argel, o Papa foi recebido com honras e sob chuva pelo presidente Abdelmadjid Tebboune. Na capital argelina, diante do monumento aos mártires, que presta homenagem aos mortos da guerra de independência contra a França (1954-1962), Leão XIV fez um apelo ao “perdão”.
Segundo o pontífice, a “paz, que permite enfrentar o futuro com o coração reconciliado, só é possível através do perdão”. A viagem tem uma forte dimensão pessoal para o Papa, que caminhará sobre os passos de Santo Agostinho, um grande pensador cristão do século IV cujo legado espiritual inspira o seu pontificado.
Contexto bélico
Em um contexto internacional tenso pela guerra no Oriente Médio, a coexistência pacífica estará no centro da mensagem do Papa neste país de 47 milhões de habitantes, onde o Islã sunita é a religião oficial.
Guerra: Trump anuncia bloqueio ‘de todos os navios’ que tentarem entrar ou sair de Ormuz
No que pode ser um apoio ao Papa, a primeira-ministra da Itália, a política de extrema direita Giorgia Meloni, próxima de Trump, divulgou um comunicado em que deseja ao pontífice uma viagem frutífera.
— Que o ministério do Santo Padre favoreça a resolução dos conflitos — escreveu.
Durante a tarde de segunda-feira, Leão XIV visitará a Grande Mesquita, um complexo monumental com o maior minarete do mundo (267 metros), antes de seguir para a Basílica de Nossa Senhora da África, na baía de Argel. Durante uma celebração de caráter inter-religioso que reunirá cristãos e muçulmanos, o líder dos 1,4 bilhão de católicos fará um apelo à fraternidade neste país onde os católicos representam menos de 0,01% da população.
Macron: França e Reino Unido propõem conferência sobre ‘missão multinacional pacífica’ para Ormuz
A visita à Argélia marca o início da primeira grande viagem internacional do Papa de 70 anos, que também passará por Camarões, Angola e Guiné Equatorial, uma maratona de 18.000 quilômetros com uma agenda intensa de 13 a 23 de abril.
Cidade passa por reformas
Para receber o Papa, Argel passou por reformas, com muros pintados, estradas pavimentadas e áreas verdes. Não está prevista nenhuma cerimônia com a presença de uma multidão na capital e o famoso papamóvel permanecerá no aeroporto, segundo o site de notícias Casbah Tribune.
Nesta segunda-feira, Leão XIV também rezará de maneira privada na capela dos 19 “mártires da Argélia”, padres e religiosos assassinados durante a década de guerra civil (1992-2002), símbolo do preço pago pelos religiosos comprometidos com o diálogo com o Islã. Mas não está programada uma visita ao mosteiro de Tibhirine, cujos monges foram sequestrados e assassinados em 1996, um episódio que nunca foi completamente esclarecido.
Na peregrinação mais pessoal, ele viajará na terça-feira a Annaba (leste), perto da fronteira com a Tunísia, a antiga Hipona, onde Santo Agostinho foi bispo. Em seu primeiro discurso como Papa, Leão XIV se apresentou como “um filho de Santo Agostinho”, em referência à ordem que leva seu nome.
Antes de sua eleição para o Papado, Robert Francis Prevost visitou a Argélia duas vezes como dirigente dessa ordem, fundada no século XIII, inspirada na vida comunitária. Em Annaba, ele visitará o sítio arqueológico de Hipona, onde são conservados vestígios da cidade romana e cristã, e celebrará uma missa na basílica.
O Papa é “um irmão que vem visitar seus irmãos” neste país onde a comunidade cristã é pequena, embora esteja presente há muito tempo, destacou o monsenhor Vesco.
Uma jovem de 19 anos morreu após ser atacada pelo próprio cachorro da família dentro de casa, na vila de Leaden Roding, em Essex, no Reino Unido. O caso, ocorrido na noite desta sexta-feira (10), ganhou repercussão após relatos de que o animal era considerado dócil e não apresentava comportamento agressivo.
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Entenda: Britânica é barrada ao tentar voltar de Amsterdã para o Reino Unido após nova regra de fronteira
Identificada como Jamie-Lea Biscoe, a vítima foi encontrada com ferimentos graves, incluindo uma lesão fatal no pescoço. Equipes de emergência foram acionadas, mas a jovem morreu no local.
O cão, descrito como um lurcher (cruzamento de raças, sem raça definida), era um animal de estimação da família há cerca de sete anos. Segundo a polícia, ele não pertence a raças proibidas no país e foi apreendido para exames que devem confirmar sua linhagem.
A adolescente morreu em sua casa em Leaden Roding, Essex; polícia investiga circustâncias da morte
Divulgação | Polícia de Essex
O pai da jovem também ficou ferido ao tentar socorrê-la durante o ataque. Ele chegou a ser preso sob suspeita de ser responsável por um cão fora de controle que causou morte, mas foi liberado sob fiança enquanto as investigações continuam.
Jack Biscoe, de 37 anos, encontrou a filha desmaiada no chão do quarto entre a cama e a mesa de cabeceira, e tentou reanimá-la, mas também foi atacado pela cadela Shy. O animal arrancou parte de sua orelha, o que exigirá cirurgia reconstrutiva, e deixou perfurações em seus braços. Em entrevista ao The Sun, o pai afirmou:
— Minha filha não foi morta por um XL Bully, ela foi morta por um verdadeiro cão de família. Eu achava que podia confiar naquele cachorro com a minha vida, e ele tirou a vida da minha filha. Ele era o melhor amigo dela e ainda assim a matou. Eu perdi toda a minha vida na sexta-feira, quando minha filha foi morta por outro membro da minha família — relatou o pai, que descreveu o animal como “carinhoso” e disse que nunca houve sinais prévios de agressividade.
Os outros dois cães de Jack, Bella e Mouse — filhotes de 18 meses de Shy — estavam no andar de baixo no momento e também foram apreendidos pela polícia.
O caso chamou atenção por envolver um cachorro considerado doméstico e sem histórico de violência. De acordo com a polícia de Essex, investigações seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias do ataque.
Depois de criticar o Papa Leão XIV em uma longa publicação nas redes sociais no domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, compartilhou nesta segunda-feira uma imagem gerada por inteligência artificial que o retrata como uma figura semelhante a Jesus.
A imagem, publicada em sua plataforma Truth Social, mostra Trump vestido com vestes brancas e vermelhas. Na ilustração, as mãos do presidente emitem luzes brilhantes, e sua mão direita toca a testa de um homem deitado em uma cama, vestindo uma bata hospitalar. A imagem evoca a arte religiosa que retrata Jesus curando os enfermos.
A ilustração foi publicada sem comentários, menos de uma hora depois de Trump ter criticado o Papa Leão XIV em outra publicação, chamando-o de “fraco no combate ao crime” e “péssimo para a política externa”. O papa, o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos a liderar os 1,4 bilhão de católicos do mundo, manifestou-se contra a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, condenando a “violência absurda e desumana” desencadeada pelos combates.
Em resposta aos comentários de Trump, o Papa disse na segunda-feira que não tem “nenhum medo da administração Trump, nem de falar abertamente a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão aqui”.
Na imagem divulgada no domingo, o homem na cama está rodeado por figuras que olham para o Sr. Trump, incluindo uma pessoa com uniforme médico e um estetoscópio no pescoço, uma mulher em oração e um homem com uniforme camuflado. O fundo da imagem inclui a Estátua da Liberdade, um edifício semelhante ao Lincoln Memorial, aviões de combate, águias, fogos de artifício e uma bandeira americana tremulando ao vento.
Ao longo do último ano, o Sr. Trump publicou diversas imagens aparentemente geradas por inteligência artificial de si mesmo nas redes sociais, o que por vezes gerou forte reação negativa. Em maio de 2025, após a morte do Papa Francisco, o Sr. Trump publicou uma imagem de si mesmo como pontífice , atraindo críticas, inclusive de católicos.
Em fevereiro de 2025, o Sr. Trump publicou uma imagem sua usando uma coroa na capa de uma revista semelhante à Time, mas intitulada Trump, comparando-se a um rei .
O prazo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o início de um bloqueio naval contra o Irã termina nesta segunda-feira, às 11h (no horário de Brasília), aumentando a tensão em torno do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo e gás. A medida foi anunciada após o fracasso das negociações entre representantes dos dois países, realizadas no Paquistão, e mesmo diante de um cessar-fogo ainda em vigor.
Contexto: Trump anuncia bloqueio ‘de todos os navios’ que tentarem entrar ou sair de Ormuz
Guerra no Oriente Médio: Controle de Ormuz, estoques de urânio e ativos travam acordo entre EUA e Irã no Paquistão
Trump afirmou nas redes sociais que os EUA começariam a “bloquear toda e qualquer embarcação” que tentasse entrar ou sair do estreito, além de interceptar navios que tenham pago taxas ao Irã para garantir passagem. Há dias tem sido noticiado que uma taxa na faixa dos US$ 2 milhões está sendo cobrada por Teerã para garantir uma passagem segura, tornando a iniciativa uma importante fonte de receita para o país.
“Também instruí nossa Marinha a procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago pedágio ao Irã. Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar”, escreveu Trump, acrescentando que os EUA começariam a destruir as minas que, segundo ele, o Irã colocou no estreito. “Qualquer iraniano que atire contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será MANDADO PARA O INFERNO!”.
Trump afirmou que “em algum momento” será alcançado um acordo sobre passagem livre, mas que “o Irã não permitiu que isso acontecesse ao simplesmente dizer ‘Pode haver uma mina em algum lugar’, algo que ninguém conhece além deles”. Em outra publicação, ele afirmou que “o Irã prometeu abrir o Estreito de Ormuz, e conscientemente deixou de fazê-lo”: “Como prometeram, é melhor que comecem o processo para tornar esta HIDROVIA INTERNACIONAL ABERTA E RAPIDAMENTE!”, disse.
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Mesmo com o anúncio do presidente americano, porém, o valor ainda poderia ser pago em criptomoeda não rastreável, mantendo a dúvida sobre como separar aqueles que compraram a passagem segura daqueles cujos governos a negociaram. Posteriormente, o Comando Central dos EUA indicou que a operação deve se concentrar em navios que deixem ou tentem atracar em portos iranianos, permitindo a circulação de embarcações com destino a outros países.
Como um bloqueio funcionaria na prática?
Segundo a definição adotada pela Marinha americana, um bloqueio naval é uma “operação beligerante” destinada a impedir que embarcações e aeronaves entrem ou saiam de portos controlados por um Estado inimigo. Na prática, isso significa que forças militares podem interceptar navios em alto-mar e impedir sua continuidade.
Especialistas avaliam que os navios de guerra dos EUA não devem se posicionar diretamente diante de portos iranianos, como Bandar Abbas ou Jask, o que os tornaria vulneráveis a ataques com mísseis, drones ou lanchas rápidas. Em vez disso, o monitoramento seria feito por satélites e outros meios de inteligência para identificar embarcações que deixem portos do Irã. Uma vez em águas abertas, esses navios poderiam ser interceptados.
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A operação, no entanto, envolve riscos significativos. Abordar uma embarcação em alto-mar é considerado um ato hostil e pode ser interpretado como um ato de guerra. Juristas consultados pela imprensa americana afirmaram que um bloqueio desse tipo pode violar o direito marítimo internacional e até mesmo o acordo de cessar-fogo em vigor.
Outro ponto sensível é a nacionalidade dos navios. Interceptar embarcações com bandeira iraniana é uma coisa; outra, mais complexa, seria abordar petroleiros registrados em países terceiros. Navios chineses, por exemplo, têm representado parte relevante do tráfego que ainda consegue atravessar a região, o que levanta o risco de tensões diplomáticas com potências como China e Rússia.
O Irã classificou a ameaça como “ato de pirataria” e advertiu que poderá agir contra portos de países vizinhos no Golfo caso a medida seja implementada. Já aliados dos EUA demonstraram cautela. O Reino Unido indicou que não participará do bloqueio, enquanto países europeus discutem alternativas para garantir a liberdade de navegação sem ampliar a escalada.
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O impacto econômico também é uma preocupação. O Estreito de Ormuz concentra uma parcela significativa do fluxo global de petróleo. Ao restringir o acesso aos portos iranianos, Washington busca cortar uma fonte importante de receita de Teerã, que vinha cobrando valores elevados para permitir a passagem de alguns navios. No entanto, a medida também pode elevar os preços internacionais de energia.
Analistas avaliam que o bloqueio pode ter efeito limitado no curto prazo, já que o tráfego pelo estreito já vinha reduzido desde o início do conflito. Ainda assim, o anúncio aumenta o risco de uma nova escalada militar em uma região considerada estratégica para a economia global.
O nome da ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, voltou a movimentar as redes sociais neste sábado, quando foi ao X para fazer uma série de desabafos (e ameaças). Em resposta a um vídeo de Melania Trump em que ela negava ter relação com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, Amanda afirma que esteve “ao redor” do casal Trump por 20 anos e que vai tomar medidas legais contra Melania e “seu marido pedófilo”, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Mas quem é Amanda Ungaro?
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Entrevista exclusiva: ‘Tinha umas 30 meninas, bonitas e bem novinhas’, conta Amanda, sobre voo no avião de Jeffrey Epstein
Amanda Ungaro em início de carreira
Divulgação
Deportada pelo ICE
Amanda chegou ao Brasil em outubro de 2025 deportada pela polícia de imigração americana, o ICE, depois de 23 anos nos EUA. Uma medida que, em entrevista exclusiva ao GLOBO em fevereiro, ela creditou à influência do ex-companheiro, o empresário italiano Paolo Zampolli, nos bastidores do poder em Washington.
Uma reportagem do New York Times confirmou a afirmação da brasileira, apontando que Zampolli de fato procurou um alto funcionário da imigração para que Amanda fosse levada a um centro de detenção do ICE antes que ela fosse libertada da prisão sob fiança. De acordo com a publicação, Zampolli tinha como objetivo recuperar a guarda do filho, Giovanni, de 15 anos, que ele e Amanda disputam na Justiça.
Entrevista de Amanda Ungaro
O ex-marido e a proximidade com Trump
Acima da esquerda para a direita: Donald Trump, Melania Trump, Paolo Zampolli e Amanda Ungaro. Abaixo, da esquerda para a direita: Amanda Ungaro, Donald Trum e Melania Trump
Arquivo Pessoal
Nascido em Milão, Zampolli chegou a Nova York em meados dos anos 1990, mesma época em que conheceu Donald Trump. Os dois começaram a trabalhar oficialmente juntos em 2004, mas foi nas eleições presidenciais de 2016 que a camaradagem virou lealdade. Diante de sua defesa de políticas migratórias mais duras, Trump viu a imprensa questionar se sua esposa, Melania, trabalhara como modelo nos EUA com um visto inadequado antes de conhecê-lo. Zampolli então se apresentou como o responsável pela documentação da atual primeira-dama, afirmando ter usado sua posição como agente de modelos na época para garantir o visto de trabalho dela. Em 1996, ano da emissão do documento, Zampolli atuava junto à americana Metropolitan Models. No ano seguinte, ele fundou sua própria agência de modelos, a ID Models.
Amanda descreve Zampolli como a persona ostentatória que agrada a Trump: almoços diários no restaurante Cipriani, em Nova York, festas de aniversário extravagantes com direito a filhotes de tigre entre as atrações e um círculo social composto por modelos, champanhe e a atenção dos tabloides. Nos 19 anos em que estiveram juntos, ela conta que Zampolli a levou a noitadas comandadas pelo rapper e produtor americano Sean “Diddy” Combs, atualmente cumprindo pena de quatro anos por transportar mulheres para prostituição, e a festas em iates em que a lista de convidados incluía celebridades e integrantes da realeza europeia. Nesses eventos, diz ela, Zampolli costumava levar o próprio garçom para ter certeza de que ninguém colocaria drogas em sua bebida.
No avião de Jeffrey Epstein
Documento indica que o nome de Amanda Ungaro aparece na lista de passageiros do Lolita Express. A imagem mostra dezenas de nomes no voo de 27 de junho de 2002, entre Paris e Nova York, incluindo o do próprio Jeffrey Epstein (“JE”), de Ghislaine Maxwell (“GM”) e de Brunel
Departamento de Justiça dos EUA
O círculo social de Zampolli e Trump envolvia ainda um terceiro personagem: Jeffrey Epstein, financista morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. A ID Models, agência de Zampolli, era frequentemente visitada por Epstein em Nova York, e os dois tentaram, juntos, comprar em 2004 a Elite Models, uma das maiores agências de modelos do mundo. Zampolli aparece dezenas de vezes nos arquivos do caso Epstein liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
A ex-modelo Amanda Ungaro acusa o ex-companheiro, Paolo Zampolli, de abuso sexual e violência doméstica
Márcia Foletto
Amanda já foi convidada, mas ainda não intimada, a depor perante o Comitê de Supervisão do Congresso americano que investiga o caso. A brasileira esteve uma vez com Epstein, em 2002, quando embarcou no Lolita Express, um dos aviões do financista, de Paris para Nova York, onde participaria de um casting. Ela viajou acompanhada de seu agente na época, o francês Jean-Luc Brunel, conhecido como o olheiro de Epstein no Brasil. No mesmo ano, em 2002, Amanda encontraria com Zampolli também em Nova York.
— Tinha mais ou menos umas 30 meninas no avião. Achei aquilo muito estranho. Elas eram mais parecidas com estudantes do que com modelos. Bonitas e bem novinhas, mas não tinham perfil de modelo — conta Amanda.
Ameaças à Melania
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“Eu te conheço há 20 anos. Você sabia que eu estava detida no ICE. Você esteve presente na minha vida — todos os anos no aniversário do meu filho, inclusive enviando o Serviço Secreto e sendo a primeira a parabenizá-lo, lá em 2016. Algo claramente estava errado, mas eu não faço parte de nenhuma missão maligna envolvendo crianças. Então o que você fez, Melania? Você tentou me envolver, mas falhou — porque eu tenho caráter”, acusou Amanda, no X.
Em outro comentário, a ex-modelo disse que vai “expor tudo” o que sabe sobre o casal e que pretende tomar medidas legais contra Melania e o presidente americano, quem chamou de “pedófilo”.
“Eu vou derrubar o seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Eu vou até o fim — não tenho medo. Talvez você devesse ter medo do que eu sei… de quem você é e de quem é o seu marido (…) Eu não tenho mais nada a perder na minha vida. Eu vou derrubar todo o sistema — tome cuidado comigo, sua idiota”, acrescentou.

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