Contexto: Trump anuncia bloqueio ‘de todos os navios’ que tentarem entrar ou sair de Ormuz
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Trump afirmou nas redes sociais que os EUA começariam a “bloquear toda e qualquer embarcação” que tentasse entrar ou sair do estreito, além de interceptar navios que tenham pago taxas ao Irã para garantir passagem. Há dias tem sido noticiado que uma taxa na faixa dos US$ 2 milhões está sendo cobrada por Teerã para garantir uma passagem segura, tornando a iniciativa uma importante fonte de receita para o país.
“Também instruí nossa Marinha a procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago pedágio ao Irã. Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar”, escreveu Trump, acrescentando que os EUA começariam a destruir as minas que, segundo ele, o Irã colocou no estreito. “Qualquer iraniano que atire contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será MANDADO PARA O INFERNO!”.
Trump afirmou que “em algum momento” será alcançado um acordo sobre passagem livre, mas que “o Irã não permitiu que isso acontecesse ao simplesmente dizer ‘Pode haver uma mina em algum lugar’, algo que ninguém conhece além deles”. Em outra publicação, ele afirmou que “o Irã prometeu abrir o Estreito de Ormuz, e conscientemente deixou de fazê-lo”: “Como prometeram, é melhor que comecem o processo para tornar esta HIDROVIA INTERNACIONAL ABERTA E RAPIDAMENTE!”, disse.
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Mesmo com o anúncio do presidente americano, porém, o valor ainda poderia ser pago em criptomoeda não rastreável, mantendo a dúvida sobre como separar aqueles que compraram a passagem segura daqueles cujos governos a negociaram. Posteriormente, o Comando Central dos EUA indicou que a operação deve se concentrar em navios que deixem ou tentem atracar em portos iranianos, permitindo a circulação de embarcações com destino a outros países.
Como um bloqueio funcionaria na prática?
Segundo a definição adotada pela Marinha americana, um bloqueio naval é uma “operação beligerante” destinada a impedir que embarcações e aeronaves entrem ou saiam de portos controlados por um Estado inimigo. Na prática, isso significa que forças militares podem interceptar navios em alto-mar e impedir sua continuidade.
Especialistas avaliam que os navios de guerra dos EUA não devem se posicionar diretamente diante de portos iranianos, como Bandar Abbas ou Jask, o que os tornaria vulneráveis a ataques com mísseis, drones ou lanchas rápidas. Em vez disso, o monitoramento seria feito por satélites e outros meios de inteligência para identificar embarcações que deixem portos do Irã. Uma vez em águas abertas, esses navios poderiam ser interceptados.
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A operação, no entanto, envolve riscos significativos. Abordar uma embarcação em alto-mar é considerado um ato hostil e pode ser interpretado como um ato de guerra. Juristas consultados pela imprensa americana afirmaram que um bloqueio desse tipo pode violar o direito marítimo internacional e até mesmo o acordo de cessar-fogo em vigor.
Outro ponto sensível é a nacionalidade dos navios. Interceptar embarcações com bandeira iraniana é uma coisa; outra, mais complexa, seria abordar petroleiros registrados em países terceiros. Navios chineses, por exemplo, têm representado parte relevante do tráfego que ainda consegue atravessar a região, o que levanta o risco de tensões diplomáticas com potências como China e Rússia.
O Irã classificou a ameaça como “ato de pirataria” e advertiu que poderá agir contra portos de países vizinhos no Golfo caso a medida seja implementada. Já aliados dos EUA demonstraram cautela. O Reino Unido indicou que não participará do bloqueio, enquanto países europeus discutem alternativas para garantir a liberdade de navegação sem ampliar a escalada.
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O impacto econômico também é uma preocupação. O Estreito de Ormuz concentra uma parcela significativa do fluxo global de petróleo. Ao restringir o acesso aos portos iranianos, Washington busca cortar uma fonte importante de receita de Teerã, que vinha cobrando valores elevados para permitir a passagem de alguns navios. No entanto, a medida também pode elevar os preços internacionais de energia.
Analistas avaliam que o bloqueio pode ter efeito limitado no curto prazo, já que o tráfego pelo estreito já vinha reduzido desde o início do conflito. Ainda assim, o anúncio aumenta o risco de uma nova escalada militar em uma região considerada estratégica para a economia global.










