Após o governo interino da Venezuela anunciar a retomada de contatos diplomáticos diretos com os EUA, que na prática normaliza a relação depois dos ataques a Caracas e a captura do presidente Nicolás Maduro, uma figura desponta para assumir um eventual consulado americano no país latino: John McNamara, encarregado de negócios da Unidade de Assuntos Venezuelanos do Departamento de Estado dos EUA, com sede na vizinha Colômbia. Antes mesmo de Caracas revelar que a diplomacia seria reestabelecida, uma equipe de autoridades enviadas pela Casa Branca chegou à capital venezuelana nesta sexta-feira, incluindo McNamara. O objetivo era “realizar uma avaliação inicial para uma possível retomada gradual das operações” no país, disse um porta-voz do departamento ao New York Times. Os Estados Unidos, que não têm embaixador na Venezuela desde 2010, suspenderam as operações da embaixada e retiraram todo o seu pessoal em 2019.
Contexto: Venezuela anuncia retomada de contatos diplomáticos diretos com EUA, na prática normalizando relação após captura de Maduro
‘Partido político em armas’: Entenda como excesso de generais explica inação da Venezuela perante ataques dos EUA
Diplomata de carreira do Serviço Diplomático Sênior dos Estados Unidos, John McNamara assumiu há quase um ano o posto de encarregado de negócios interino da Embaixada americana em Bogotá, depois de mais de duas décadas de atuação em Washington e no exterior. Natural de Nova York, McNamara construiu boa parte de sua trajetória profissional na América Latina e no Caribe, com passagens repetidas pela Colômbia, país que conhece de perto, e atuação direta em temas sensíveis como combate ao narcotráfico, política regional e negociações de paz.
Initial plugin text
.
Antes de retornar a Bogotá, ele foi chefe da missão dos EUA no Caribe Holandês, em Curaçao, e chefe adjunto da missão — além de encarregado de negócios interino — na embaixada em Lima. No território colombiano, serviu por três períodos distintos, incluindo a função de conselheiro político durante os dois últimos anos das negociações de paz entre o governo local e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) — uma das principais guerrilhas do país. Posteriormente, ocupou o posto de encarregado de negócios interino da embaixada americana em Nassau, nas Bahamas.
Janaína Figueiredo: Diplomata dos EUA e petroleiras negociaram manutenção do chavismo no poder
McNamara atuou também em zonas de conflito no Oriente Médio e na Ásia, como conselheiro provincial na Babilônia, no Iraque, e diretor-adjunto da equipe de transição integrada ao Ministério do Interior em Bagdá Oriental. No Afeganistão, cumpriu duas missões, como adjunto da Equipe de Reconstrução Provincial de Kandahar e como diretor da Seção de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei na embaixada em Cabul. Em Washington, foi oficial sênior da mesa da Venezuela, oficial político e diretor-adjunto do Escritório de Assuntos Mexicanos, além de lecionar na Universidade de Defesa Nacional.
Veterano do Exército dos EUA, onde serviu majoritariamente na América Latina e integrou o Estado-Maior Conjunto no Pentágono, McNamara é formado pela Academia Militar de West Point e tem mestrado pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército americano. Fluente em espanhol, é considerado um diplomata com perfil técnico e forte experiência em segurança, política regional e gestão de crises.
Apesar de ‘vítima’, Caracas recua
O governo venezuelano anunciou que os contatos diplomáticos com Washington seriam reestabelecidos, seis dias após os ataques à sua capital e a deposição de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Em comunicado, a administração liderada pela presidente interina Delcy Rodríguez reiterou a denúncia de que foi “vítima de uma agressão criminal, ilegítima e ilegal contra seu território e seu povo”. Segundo o anúncio, as autoridades venezuelanas condenam a ação americana e esclarecem que a decisão de restabelecer missões diplomáticas em ambos os países tem o objetivo de abordar as consequências “da agressão e do sequestro do Presidente da República e da Primeira-Dama, bem como de definir uma agenda de trabalho de interesse mútuo”.
“Como reiterou a Presidente Interina Delcy Rodríguez, a Venezuela enfrentará essa agressão por meio de canais diplomáticos, convicta de que a Diplomacia Bolivariana de Paz é o caminho legítimo para defender a soberania, restaurar o direito internacional e preservar a paz”, diz o comunicado.
No documento divulgado hoje, o governo da presidente interina Delcy Rodríguez afirmou ainda que mais de cem pessoas, entre civis e militares, morreram durante a operação do último sábado, no que classificou como “flagrante violação do direito internacional”.
O governo venezuelano confirmou ainda a chegada da delegação no comunicado e acrescentou que uma equipe diplomática da Venezuela também será enviada em Washington para realizar avaliações correspondentes em solo americano.
Contexto: Venezuela anuncia retomada de contatos diplomáticos diretos com EUA, na prática normalizando relação após captura de Maduro
‘Partido político em armas’: Entenda como excesso de generais explica inação da Venezuela perante ataques dos EUA
Diplomata de carreira do Serviço Diplomático Sênior dos Estados Unidos, John McNamara assumiu há quase um ano o posto de encarregado de negócios interino da Embaixada americana em Bogotá, depois de mais de duas décadas de atuação em Washington e no exterior. Natural de Nova York, McNamara construiu boa parte de sua trajetória profissional na América Latina e no Caribe, com passagens repetidas pela Colômbia, país que conhece de perto, e atuação direta em temas sensíveis como combate ao narcotráfico, política regional e negociações de paz.
Initial plugin text
.
Antes de retornar a Bogotá, ele foi chefe da missão dos EUA no Caribe Holandês, em Curaçao, e chefe adjunto da missão — além de encarregado de negócios interino — na embaixada em Lima. No território colombiano, serviu por três períodos distintos, incluindo a função de conselheiro político durante os dois últimos anos das negociações de paz entre o governo local e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) — uma das principais guerrilhas do país. Posteriormente, ocupou o posto de encarregado de negócios interino da embaixada americana em Nassau, nas Bahamas.
Janaína Figueiredo: Diplomata dos EUA e petroleiras negociaram manutenção do chavismo no poder
McNamara atuou também em zonas de conflito no Oriente Médio e na Ásia, como conselheiro provincial na Babilônia, no Iraque, e diretor-adjunto da equipe de transição integrada ao Ministério do Interior em Bagdá Oriental. No Afeganistão, cumpriu duas missões, como adjunto da Equipe de Reconstrução Provincial de Kandahar e como diretor da Seção de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei na embaixada em Cabul. Em Washington, foi oficial sênior da mesa da Venezuela, oficial político e diretor-adjunto do Escritório de Assuntos Mexicanos, além de lecionar na Universidade de Defesa Nacional.
Veterano do Exército dos EUA, onde serviu majoritariamente na América Latina e integrou o Estado-Maior Conjunto no Pentágono, McNamara é formado pela Academia Militar de West Point e tem mestrado pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército americano. Fluente em espanhol, é considerado um diplomata com perfil técnico e forte experiência em segurança, política regional e gestão de crises.
Apesar de ‘vítima’, Caracas recua
O governo venezuelano anunciou que os contatos diplomáticos com Washington seriam reestabelecidos, seis dias após os ataques à sua capital e a deposição de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Em comunicado, a administração liderada pela presidente interina Delcy Rodríguez reiterou a denúncia de que foi “vítima de uma agressão criminal, ilegítima e ilegal contra seu território e seu povo”. Segundo o anúncio, as autoridades venezuelanas condenam a ação americana e esclarecem que a decisão de restabelecer missões diplomáticas em ambos os países tem o objetivo de abordar as consequências “da agressão e do sequestro do Presidente da República e da Primeira-Dama, bem como de definir uma agenda de trabalho de interesse mútuo”.
“Como reiterou a Presidente Interina Delcy Rodríguez, a Venezuela enfrentará essa agressão por meio de canais diplomáticos, convicta de que a Diplomacia Bolivariana de Paz é o caminho legítimo para defender a soberania, restaurar o direito internacional e preservar a paz”, diz o comunicado.
No documento divulgado hoje, o governo da presidente interina Delcy Rodríguez afirmou ainda que mais de cem pessoas, entre civis e militares, morreram durante a operação do último sábado, no que classificou como “flagrante violação do direito internacional”.
O governo venezuelano confirmou ainda a chegada da delegação no comunicado e acrescentou que uma equipe diplomática da Venezuela também será enviada em Washington para realizar avaliações correspondentes em solo americano.








