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Após o governo interino da Venezuela anunciar a retomada de contatos diplomáticos diretos com os EUA, que na prática normaliza a relação depois dos ataques a Caracas e a captura do presidente Nicolás Maduro, uma figura desponta para assumir um eventual consulado americano no país latino: John McNamara, encarregado de negócios da Unidade de Assuntos Venezuelanos do Departamento de Estado dos EUA, com sede na vizinha Colômbia. Antes mesmo de Caracas revelar que a diplomacia seria reestabelecida, uma equipe de autoridades enviadas pela Casa Branca chegou à capital venezuelana nesta sexta-feira, incluindo McNamara. O objetivo era “realizar uma avaliação inicial para uma possível retomada gradual das operações” no país, disse um porta-voz do departamento ao New York Times. Os Estados Unidos, que não têm embaixador na Venezuela desde 2010, suspenderam as operações da embaixada e retiraram todo o seu pessoal em 2019.
Contexto: Venezuela anuncia retomada de contatos diplomáticos diretos com EUA, na prática normalizando relação após captura de Maduro
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Diplomata de carreira do Serviço Diplomático Sênior dos Estados Unidos, John McNamara assumiu há quase um ano o posto de encarregado de negócios interino da Embaixada americana em Bogotá, depois de mais de duas décadas de atuação em Washington e no exterior. Natural de Nova York, McNamara construiu boa parte de sua trajetória profissional na América Latina e no Caribe, com passagens repetidas pela Colômbia, país que conhece de perto, e atuação direta em temas sensíveis como combate ao narcotráfico, política regional e negociações de paz.
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Antes de retornar a Bogotá, ele foi chefe da missão dos EUA no Caribe Holandês, em Curaçao, e chefe adjunto da missão — além de encarregado de negócios interino — na embaixada em Lima. No território colombiano, serviu por três períodos distintos, incluindo a função de conselheiro político durante os dois últimos anos das negociações de paz entre o governo local e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) — uma das principais guerrilhas do país. Posteriormente, ocupou o posto de encarregado de negócios interino da embaixada americana em Nassau, nas Bahamas.
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McNamara atuou também em zonas de conflito no Oriente Médio e na Ásia, como conselheiro provincial na Babilônia, no Iraque, e diretor-adjunto da equipe de transição integrada ao Ministério do Interior em Bagdá Oriental. No Afeganistão, cumpriu duas missões, como adjunto da Equipe de Reconstrução Provincial de Kandahar e como diretor da Seção de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei na embaixada em Cabul. Em Washington, foi oficial sênior da mesa da Venezuela, oficial político e diretor-adjunto do Escritório de Assuntos Mexicanos, além de lecionar na Universidade de Defesa Nacional.
Veterano do Exército dos EUA, onde serviu majoritariamente na América Latina e integrou o Estado-Maior Conjunto no Pentágono, McNamara é formado pela Academia Militar de West Point e tem mestrado pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército americano. Fluente em espanhol, é considerado um diplomata com perfil técnico e forte experiência em segurança, política regional e gestão de crises.
Apesar de ‘vítima’, Caracas recua
O governo venezuelano anunciou que os contatos diplomáticos com Washington seriam reestabelecidos, seis dias após os ataques à sua capital e a deposição de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Em comunicado, a administração liderada pela presidente interina Delcy Rodríguez reiterou a denúncia de que foi “vítima de uma agressão criminal, ilegítima e ilegal contra seu território e seu povo”. Segundo o anúncio, as autoridades venezuelanas condenam a ação americana e esclarecem que a decisão de restabelecer missões diplomáticas em ambos os países tem o objetivo de abordar as consequências “da agressão e do sequestro do Presidente da República e da Primeira-Dama, bem como de definir uma agenda de trabalho de interesse mútuo”.
“Como reiterou a Presidente Interina Delcy Rodríguez, a Venezuela enfrentará essa agressão por meio de canais diplomáticos, convicta de que a Diplomacia Bolivariana de Paz é o caminho legítimo para defender a soberania, restaurar o direito internacional e preservar a paz”, diz o comunicado.
No documento divulgado hoje, o governo da presidente interina Delcy Rodríguez afirmou ainda que mais de cem pessoas, entre civis e militares, morreram durante a operação do último sábado, no que classificou como “flagrante violação do direito internacional”.
O governo venezuelano confirmou ainda a chegada da delegação no comunicado e acrescentou que uma equipe diplomática da Venezuela também será enviada em Washington para realizar avaliações correspondentes em solo americano.
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que as declarações recentes do governo dos Estados Unidos sobre a operação militar que resultou na retirada de Nicolás Maduro do poder indicam que não há, neste momento, expectativa de realização de eleições na Venezuela a curto prazo. A leitura é que Washington passou a sinalizar que a prioridade imediata é a estabilização política e institucional do país, após uma ação considerada muito mais ampla do que um ataque pontual.
Na última segunda-feira, dois dias depois de ordenar bombardeios na Venezuela e a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, praticamente descartou a possibilidade de eleições nos próximos 30 dias. Questionado em entrevista, afirmou: “Temos que consertar o país primeiro. Não dá para fazer eleições. Não há como o povo votar”.
Segundo interlocutores, o governo brasileiro trabalhava com a hipótese de uma ofensiva limitada, semelhante a operações pontuais conduzidas pelos EUA em outros contextos. A expectativa era de uma ação cirúrgica, direcionada a alvos específicos. “Mas foi muito mais do que isso. O presidente do país foi capturado em uma operação militar que ainda precisará ser plenamente explicada”, afirmou um influente embaixador.
A curto prazo, a principal preocupação do governo brasileiro é evitar um vácuo de poder e a eclosão de conflitos armados internos. Interlocutores avaliam que a sucessão seguiu, ao menos formalmente, os mecanismos previstos na Constituição venezuelana, com a posse da vice-presidente. A maior preocupação do governo Lula sempre foi um cenário de ruptura, com divisão dentro da base governista, disputa armada nas ruas e colapso institucional com impacto direto sobre os países vizinhos, especialmente o Brasil.
Outra a avaliação é que houve, até o momento, demonstração de unidade das principais forças do chavismo em torno do novo arranjo de poder, o que contribuiu para conter mobilizações de rua e confrontos imediatos. Não houve grandes manifestações ou tentativas abertas de desestabilização, o que indica uma manutenção mínima da ordem, o que também interessa aos EUA.
A expectativa, a curtíssimo prazo, é de manutenção desse equilíbrio instável, com monitoramento diário da correlação de forças internas e do grau de intervenção americana na gestão do país e de seus recursos naturais: saiu um ponto de equilíbrio, que era Maduro, e se estabeleceu outro. A questão agora é até onde esse novo arranjo se sustenta sem provocar novas tensões, resume um diplomata.
A avaliação no governo brasileiro é que, passados poucos dias da ação, ainda é cedo para conclusões sobre o grau de envolvimento de atores internos venezuelanos ou sobre eventuais traições dentro do regime. Qualquer ilação, segundo interlocutores a par do assunto, seria precipitada, já que se tratou de uma operação atípica, fora dos roteiros mais usuais de intervenções militares recentes.
Segundo relatos, essa leitura também esteve presente na estratégia americana. Para sustentar a narrativa de que se trata de uma operação de “lei e ordem”, e não de mudança de regime”, Washington teria considerado essencial preservar uma aparência de continuidade institucional. “Eles aprenderam com o Iraque, o Afeganistão e a Líbia que o caos absoluto inviabiliza qualquer objetivo posterior”, disse um interlocutor.
Apesar das fortes tensões, o governo brasileiro avalia que há espaço para convergências pontuais com Washington em torno da estabilidade regional, considerada vital para a segurança brasileira e para mitigar impactos sociais e humanitários ao longo da fronteira. Auxiliares de Lula destacam que essa preocupação se traduz em ações práticas: o Brasil enviou 40 toneladas de insumos médicos para tratamentos de hemodiálise na Venezuela, parte de um compromisso maior de até 100 toneladas, após a destruição do principal centro de distribuição de medicamentos do país durante a operação militar americana. O governo avalia que a interrupção de tratamentos vitais poderia gerar pressões migratórias e colapsos sociais com impacto direto sobre estados brasileiros fronteiriços.
Há também sinais pontuais, segundo relatos, de tentativa de redução da tensão interna na Venezuela, como a libertação de presos, incluindo estrangeiros, movimento interpretado em Brasília como positivo, embora persistam dúvidas sobre a profundidade de qualquer abertura política.
Diante do impacto regional da operação, o presidente Lula intensificou contatos com líderes estrangeiros para articular uma resposta política e diplomática. A avaliação no Planalto é de que a ação americana extrapola o caso venezuelano e projeta efeitos mais amplos sobre o hemisfério ocidental.
Nesse contexto, o governo brasileiro buscou costurar uma declaração conjunta com países como México, Colômbia, Chile, Uruguai e Espanha, com o objetivo de reafirmar princípios do direito internacional, como o respeito à soberania e a rejeição à interferência externa no controle de recursos naturais. A iniciativa também visou evitar a naturalização de precedentes desse tipo.
No plano multilateral, o Brasil levou a mesma linha ao Conselho de Segurança da ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA), buscando estimular uma reação que fosse, nas palavras de um interlocutor, “minimamente digna” diante do episódio. Para o Planalto, o esforço diplomático liderado por Lula busca conter a consolidação de um precedente que possa redefinir, de forma unilateral, as regras de atuação no continente.
Nesta sexta-feira, o governo venezuelano anunciou a retomada de relações diplomáticas com os EUA, seis dias após os ataques em Caracas. Em comunicado, a Venezuela reiterou a denúncia de que foi “vítima de uma agressão criminal, ilegítima e ilegal contra seu território e seu povo”. Os EUA, que não têm embaixador na Venezuela desde 2010, suspenderam as operações na embaixada e retiraram todo o pessoal da embaixada em 2019.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, teria solicitado ser recebida na Casa Branca na próxima terça-feira, afirmaram fontes americanas ouvidas pelo jornal espanhol ABC. A líder chavista teria enviado pedidos a diversos órgãos da administração federal americana em Washington para uma série de reuniões políticas — que poderiam coincidir com uma já anunciada viagem da líder da oposição, María Corina Machado.
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A publicação espanhola afirma que Delcy ainda não tem uma agenda fechada na capital americana, e que não há uma confirmação por parte dos órgãos oficiais. Contudo, fontes americanas consultadas pelo jornal informaram que o procedimento foi iniciado e está em uma fase preliminar, devendo ainda passar por determinados crivos, incluindo sobre a entrada de um voo diplomático a partir da Venezuela. Parte da administração federal americana, como o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Nacional também estariam examinando o pedido.
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As informações sobre a suposta viagem de Delcy aos EUA surgem no mesmo dia em que o governo interino da Venezuela anunciou a retomada das relações diplomáticas com Washington, que estava rompida desde 2019, quando os americanos fecharam a Embaixada em Caracas, transferindo todas as atividades relativas ao país para uma representação em Bogotá. Também chegam um dia depois do presidente dos EUA, Donald Trump, indicar que se reunirá com María Corina na próxima semana em Washington.
O futuro político da Venezuela ainda está nebuloso diante da variedade de atores e interesses na região. Embora os EUA tenham historicamente apoiado movimentos de oposição em Caracas, o presidente Donald Trump ignorou a líder María Corina logo após a captura do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, afirmando que ela não tinha “apoio ou respeito” para governar.
POR DENTRO: O GLOBO responde a perguntas de leitores sobre Venezuela, EUA e América Latina
A opção inicial americana foi por apoiar uma transição a partir da vice de Maduro — uma liderança vista como profissional e capaz por interlocutores americanos, sobretudo os ligados à indústria do petróleo. No cálculo político, estaria a preocupação americana de não desestabilizar completamente a região ao retirar Maduro do poder, abrindo espaço para disputas entre grupos armados.
A administração venezuelana tenta passar uma imagem de unidade e continuidade. A transição para o governo interino foi confirmada sem maiores contestações, e os quatro principais nomes do chavismo — além de Delcy, seu irmão e presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o ministro da Defesa, Padrino López — apareceram juntos na posse da líder interina. Analistas apontam, porém, que haveria tensões internas entre o grupo, sobretudo quanto à resposta aos EUA.
Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, em reunião com a cúpula do governo
Reprodução/Instagram
Não está claro se Delcy está de acordo com os planos americanos para uma transição de governo — citados pelo secretário de Estado Marco Rubio na quarta-feira. Publicamente, ela demonstrou apoio ao retorno de Maduro ao país — algo que os EUA parecem longe de concordar — e denunciou o ataque. A retomada dos laços diplomáticos e o interesse em negociar pessoalmente, em solo americano, porém, lançam sinais de uma possível colaboração.
Líderes de outras partes do mundo — mesmo de países que condenaram expressamente a ação dos EUA, considerando uma violação territorial à margem do direito internacional — tentam influenciar por uma transição de poder que inclua o espectro político alheio ao chavismo.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse nesta sexta-feira que espera “ajudar a aproximar” a presidente interina da oposição, incluindo o ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, exilado em Madri.
“Queremos apoiar o país nesta nova fase e ajudar a aproximar as duas partes. Já comuniquei isso a Delcy Rodríguez e Edmundo González Urrutia”, disse ele em uma mensagem na rede social X.
Após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do líder chavista Nicolás Maduro, no sábado (3), pairam dúvidas sobre o futuro não somente dos países envolvidos diretamente na crise geopolítica como também de toda América Latina. O que pode acontecer com a Venezuela nas próximas semanas e meses? Como devem se posicionar outros países da região e seus líderes? Quais são os riscos de instabilidade para a América Latina a partir de agora? Quais os planos de Donald Trump?
Convidamos nossos leitores a enviar perguntas sobre o tema. As questões selecionadas pela redação foram respondidas pela editora de Mundo do GLOBO, Leda Balbino.
É o caso da pergunta da leitora Izilda Bacil, sobre a possibilidade de uma guerra civil na Venezuela. Seguem abaixo as repostas da editora Leda Balbino em vídeo e texto.
Pergunte ao GLOBO: Há risco de guerra civil na Venezuela?
Pelo que o Maduro está sendo acusado? Quais as provas sobre esse caso? (Por Jailton)
As últimas notícias sobre a acusação formal dos EUA contra Maduro dão conta de que o Cartel de Los Soles passou a ser usado como um ‘termo guarda-chuva’. O que sobra agora? (Por Tatiana Azevedo)
Leda Balbino: Nesta semana, um aspecto que chamou atenção na denúncia apresentada pelo governo Trump à Justiça americana é o fato de não apresentar o chamado Cartel de los Soles como uma organização real, mas, sim, como um “sistema clientelista” e uma “cultura de corrupção” alimentada pelo dinheiro do tráfico de drogas. No ano passado, além de os EUA apresentarem o Los Soles como uma organização narcotraficante e a classificarem como terrorista, também acusaram Maduro de liderá-lo. Mas, apesar dessa mudança, o documento ainda acusa Maduro e sua esposa Cilia — capturados em 3 de janeiro —, seu filho Nicolás Ernesto Maduro Guerra e autoridades como o atual ministro do Interior, Diosdado Cabello, de conspiração para o narcoterrorismo e de uso de armas para proteger operações de tráfico. O documento diz que, desde o início do chavismo, eles se associaram a grupos criminosos da Colômbia, da Venezuela e do México para apoiar o tráfico de cocaína. A denúncia contém informações genéricas e não cita nomes de informantes e testemunhas, sendo a parte mais detalhada a que se refere a dados concedidos, sob delação premiada, por um ex-aliado de Maduro. Ainda não está claro se há provas materiais e, em caso afirmativo, quais seriam.
Segundo especialistas, a Venezuela tem produção insignificante de cocaína, mas serve como um centro de distribuição de 10% a 13% do fornecimento global, principalmente para a Europa. O presidente americano, Donald Trump, alega que a cocaína contribui para as mortes por overdose no país e que é misturada com o fentanil, a droga líder no número de mortes desse tipo. Mas, segundo a DEA (Administração de Repressão às Drogas dos EUA) e estudos acadêmicos, a mistura acontece no México ou dentro dos Estados Unidos, não na América do Sul.
Queria saber sobre a esposa do Maduro. Ela será julgada com o mesmo rigor que o esposo? (Por Daniel Furtado)
É interessante notar que, além do Maduro, os EUA também capturaram Cilia Flores. Outras pessoas citadas na denúncia, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o filho de Maduro, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, não foram capturadas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi perguntado sobre o porquê dessa decisão. Em resumo, ele respondeu que a missão teve que ter um alvo prioritário para evitar os riscos que surgiriam para as equipes americanas se tentassem fazer outras prisões. Os EUA acusam tanto Maduro quanto Cilia de conspiração narcoterrorista e de uso de armas para proteger operações de tráfico de cocaína. Ex-advogada na década de 90 de Hugo Chávez, morto em 2013, Cilia tem uma longa carreira política. Ela foi presidente da Assembleia Nacional (2006 a 2011), procuradora-geral da República (2012 e 2013) e, desde 2017, era deputada. Primeira-dama, também tinha poder dentro do governo. Nesse sentido, ela não é só meramente a mulher de Maduro. Mas ainda não sabemos se ela será julgada com o mesmo rigor, no sentido de ter a mesma pena. Isso só o andamento do caso vai dizer.
Chavistas estão sendo mantidos no poder e a oposição não parece receber de Trump o apoio que esperava. A ação dos EUA foi apenas para abrir a Venezuela para os EUA ou podemos esperar outras reviravoltas? (Por Tatiana Azevedo)
Terá a Venezuela uma saída em paz ou a mesma crise política ficará por mais tempo? (Por José Luis)
Exatamente. A ação dos EUA retirou o Maduro, mas manteve o chavismo, escanteando a oposição — e isso não foi acidental. Tudo leva a entender que os EUA perceberam que não seria possível desmantelar o chavismo, que está institucionalizado há quase 30 anos, sem envolver diretamente autoridades e forças americanas em terra. Considerando as consequências vistas em intervenções de mudança de regime no Iraque e Afeganistão, que implicaram tropas e tiveram alto custo financeiro e humano, o cálculo foi restringir a ação à prisão da autoridade máxima do governo e de sua mulher. Essas prisões funcionam como um símbolo e dão um recado coercitivo: se os líderes remanescentes do chavismo não colaborarem, podem ter a mesma sorte. Também indicam que os EUA querem que o chavismo, historicamente nacionalista e antiamericano, passe agora a trabalhar pelos interesses americanos na região, e não mais em conjunto com China, Rússia, Irã etc. Vai levar tempo para compreendermos melhor como essa dinâmica vai operar e quais serão suas consequências para a Venezuela, para os EUA, para a região e para o mundo.
Você acha que existe perigo de uma guerra civil na Venezuela, agora sem o Maduro, mas também sem mudança de regime? (Por Izilda Bacil)
Com os elementos presentes agora, ainda é muito cedo para dizer se há risco de guerra civil. Por enquanto, o que é possível afirmar é que uma operação como a dos EUA, que levou à captura de Maduro e de Cilia Flores, aumentou a instabilidade, tensão e desconfiança no país. Já há, por exemplo, informações de maior presença nas ruas dos chamados coletivos, que são grupos armados aliados ao chavismo. Sob ordens do governo, eles vêm percorrendo as ruas para reprimir celebrações pela operação de captura de Maduro e quaisquer atos que interpretem como traição. Também há informações da detenção temporária de ao menos 16 jornalistas, 14 deles enquanto tentavam cobrir a posse da presidente interina, Delcy Rodríguez, na última segunda-feira. Como, segundo os próprios EUA, a operação contou com a ajuda de ao menos um informante, que sabia detalhes da rotina do Maduro, é possível imaginar que haja um clima de desconfiança e de disputas internas no governo. Com todo esse cenário, há um risco de aumento da repressão e perseguição política. Então, realmente, muita coisa ainda pode acontecer.
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Uma equipe da Nasa na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) retornará à Terra antes do planejado por um problema médico, disse na quinta-feira (8) o administrador da agência espacial americana, Jared Isaacman. A Nasa não deu detalhes sobre a situação médica, mas disse que a condição do astronauta afetado é estável. Também esclareceu que o retorno antecipado não é uma emergência, mas uma decisão a que se chegou pelo “risco persistente”.
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O diretor médico e de saúde da agência, James Polk, explicou que a decisão foi tomada diante da “questão persistente sobre qual é o diagnóstico”. Autoridades da Nasa insistiram que não se trata de uma evacuação de emergência.
A tripulação Crew 11 da Nasa-SpaceX é composta por quatro astronautas: os americanos Michael Fincke e Zena Cardman, o japonês Kimiya Yui e o cosmonauta russo Oleg Platonov. O retorno deles ocorrerá “nos próximos dias”.
Fincke e Cardman realizariam uma caminhada espacial de cerca de seis horas para executar trabalhos de melhoria no sistema elétrico.
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O administrador associado da Nasa, Amit Kshatriya, disse que “é a primeira vez que fazemos uma evacuação médica controlada a partir do veículo. Portanto, isso é incomum”.
— Ontem foi um exemplo perfeito do treinamento em ação. Uma vez que a situação na estação se estabilizou, deliberações cuidadosas nos levaram à decisão de trazer a Crew 11 de volta… ao mesmo tempo em que garantimos o mínimo impacto operacional na ISS.
Os quatro astronautas estavam na estação desde 1º de agosto, e o retorno estava programado para as próximas semanas. Autoridades indicaram que é possível que a próxima missão dos Estados Unidos parta rumo à ISS antes do previsto, mas não forneceram mais detalhes.
O americano Christopher Williams permanece na ISS, à qual chegou como parte de uma missão russa. Também estão na estação os russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikayev.
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“Como reiterou a Presidente Interina Delcy Rodríguez, a Venezuela enfrentará essa agressão por meio de canais diplomáticos, convicta de que a Diplomacia Bolivariana de Paz é o caminho legítimo para defender a soberania, restaurar o direito internacional e preservar a paz”, diz o comunicado.
No documento divulgado hoje, o governo da presidente interina Delcy Rodríguez afirmou ainda que mais de cem pessoas, entre civis e militares, morreram durante a operação do último sábado, no que classificou como “flagrante violação do direito internacional”.
Uma equipe de autoridades americanas chegou a Caracas nesta sexta-feira, enquanto o governo do presidente americano, Donald Trump, avalia a possível reabertura da embaixada dos Estados Unidos na Venezuela, informou mais cedo o Departamento de Estado dos EUA. A equipe incluía diplomatas e pessoal de segurança da Unidade de Assuntos da Venezuela, sediada na Colômbia, incluindo o encarregado de negócios da unidade, John T. McNamara. O objetivo é “realizar uma avaliação inicial para uma possível retomada gradual das operações” no país, disse um porta-voz do departamento.
O governo venezuelano confirmou a chegada da delegação no comunicado e acrescentou que uma equipe diplomática da Venezuela também será enviada em Washington para cumprir tarefas correspondentes em solo americano. Segundo relatos da imprensa colombiana, o principal objetivo da delegação americana é analisar as condições de segurança, infraestrutura e viabilidade para a reabertura da embaixada dos EUA em Caracas.
Uma fonte americana esclareceu à AFP que os Estados Unidos ainda não tomaram uma decisão formal sobre a reabertura da embaixada, mas que estão se preparando para fazê-lo assim que Trump der o sinal verde. Um jornalista da AFP testemunhou um comboio de SUVs saindo da embaixada em Caracas, que foi fechada pouco depois de Washington se recusar a reconhecer a primeira reeleição de Maduro, em 2018.
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Esta visita representa a primeira entrada de pessoal diplomático oficial dos EUA em Caracas desde o rompimento de relações, há quase sete anos. Em 12 de março de 2019, os Estados Unidos suspenderam as operações da embaixada em Caracas. Em 28 de agosto do mesmo ano, o Departamento de Estado anunciou a abertura da Unidade de Assuntos da Venezuela, localizada na Embaixada dos EUA em Bogotá, capital da Colômbia.
Várias agências internacionais noticiaram a chegada do avião do Departamento de Estado ao aeroporto de Maiquetía. Até o momento, no entanto, não há expectativa de que sejam realizados encontros entre os diplomatas americanos e membros do governo interino durante esta visita. As discussões sobre reuniões futuras continuam, mas permanecem em fase preliminar.
* Matéria em atualização
Mais de 25 anos depois de ter sido considerado culpado de homicídio em primeiro grau pela morte de uma mulher que administrava uma pequena mercearia rural, Brian Pippitt saiu da maior prisão de Minnesota como um homem livre nesta quarta-feira. Pippitt, de 63 anos, foi condenado em 2001 e sentenciado à prisão perpétua pelo assassinato, em 1998, de Evelyn Malin, de 84 anos, proprietária de uma loja de conveniência em uma área rural ao norte do Lago Mille Lacs por mais de meio século. Seu corpo foi encontrado em sua residência, que ficava anexa à loja Dollar Lake, no Condado de Aitkin, em Minnesota.
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Sua condenação foi mantida em apelação, e seu pedido de revisão da condenação foi negado. Durante a última década, os advogados da Centurion Ministries, uma organização nacional sem fins lucrativos que trabalha para libertar pessoas condenadas injustamente, e do Great North Innocence Project, com sede em Minneapolis, têm sustentado que não havia provas forenses ou físicas que o ligassem ao crime.
Em 2024, concluindo uma investigação de dois anos sobre o caso de Pippitt, a unidade de revisão de condenações do Gabinete do Procurador-Geral de Minnesota concordou. Após analisar milhares de páginas de documentos e entrevistar mais de 25 pessoas, entre testemunhas de fato e especialistas, concluiu que Pippitt não estava presente no local do crime, nem esteve envolvido nele.
A unidade detalhou, em um relatório de 119 páginas, que a condenação de Pippitt foi baseada em depoimentos não confiáveis ​​de duas testemunhas, que jamais deveriam ter sido apresentados ao júri. Ambas as testemunhas retrataram seus depoimentos posteriormente.
Em seguida, fez uma recomendação rara para que a condenação de Pippitt fosse anulada. A unidade recebeu mais de 1.200 solicitações desde que começou a aceitá-las em agosto de 2021. A de Pippitt é apenas a terceira em que recomendou alívio e a primeira em que recomendou a exoneração completa de uma pessoa encarcerada.
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Mais de um ano depois, em setembro de 2025, o Conselho de Indultos de Minnesota — composto pelo governador, pelo procurador-geral e pelo presidente do Supremo Tribunal do estado — votou por 2 a 1 para comutar a pena de prisão perpétua de Pippitt, três anos antes de ele se tornar elegível para liberdade condicional.
“A vergonha, o ódio das pessoas que pensam que sou responsável não só pela morte de uma senhora idosa, mas também pelos rumores associados a um crime como este. O fato de a verdade vir à tona me manteve firme ao longo dos anos”, disse Pippitt à comissão de indultos por videoconferência de uma prisão estadual em Faribault, Minnesota, naquele mês.
“Espero encontrar trabalho e viver o tempo que me resta nesta Terra em paz”, disse ele, segundo o jornal The Minnesota Star Tribune.
Malin foi encontrada morta na manhã de 25 de fevereiro de 1998, em McGregor, uma cidade com cerca de 400 habitantes. Os policiais a encontraram no chão de seu quarto com o colchão sobre ela. Seu rosto apresentava marcas de espancamento, que sugeriam estrangulamento. Os detetives investigaram mais de 100 pistas e entrevistaram muitas testemunhas. A família de Malin criticou publicamente o xerife do condado de Aitkin depois de um ano sem nenhuma prisão.
Nessa época, os investigadores voltaram a interrogar Pippitt, que havia fornecido um álibi nos dias seguintes ao assassinato. Antes do julgamento de Pippitt, um juiz ofereceu-lhe uma pena de sete anos como parte de um acordo judicial, segundo o jornal The Star Tribune. Pippitt rejeitou a oferta, afirmando posteriormente: “Não queria admitir algo que não fiz”.
A unidade de revisão de condenações afirmou em seu relatório que o advogado que representou Pippitt durante seu julgamento em 2001, que estava atuando em seu primeiro caso de homicídio, estava “despreparado, inexperiente e sobrecarregado”.
Os investigadores da unidade observaram que o promotor principal “apresentou uma teoria do caso que entrava em conflito com as evidências objetivas” e que ele foi impedido de exercer a advocacia em Minnesota em 2007. Eles escreveram que a morte de Malin “foi inquestionavelmente trágica”, deixando “um vazio na comunidade que não pôde ser preenchido, mesmo com a correta identificação do verdadeiro assassino”. “E, no entanto, apesar do desejo de que alguém expie o crime, a expiação não pode recair sobre qualquer pessoa. Do contrário, não se faz justiça, mas sim conveniência.”
Os advogados de Pippitt disseram que continuarão a lutar por sua exoneração completa para limpar seus antecedentes criminais — ele está em um programa de liberdade supervisionada — e torná-lo elegível para receber indenização por prisão injusta. O Gabinete do Procurador do Condado de Aitkin, responsável pela acusação de Pippitt, não respondeu ao pedido de comentário nesta quinta-feira.
Pippitt, membro da tribo Mille Lacs Band of Ojibwe, agradeceu ao Centurion Ministries e ao Great North Innocence Project por terem assumido seu caso, em uma declaração conjunta divulgada pelos grupos nesta quarta-feira. Em setembro, em seu depoimento em vídeo ao Conselho de Indultos, Pippitt foi questionado sobre o que faria se sua pena fosse comutada.
“Pretendo cuidar do meu pai e da minha família”, disse ele. “Tive que ouvir falar dos problemas sem poder fazer nada, e me senti impotente.”
“Morte ao ditador”, gritavam manifestantes nesta sexta-feira em Zahedan, na província de Sistão-Baluchistão, no sudeste do Irã, em referência ao líder supremo do país, Ali Khamenei. No 13º dia consecutivo de protestos antigovernamentais, que já se espalharam por quase todas as províncias iranianas, o aiatolá prometeu não recuar e desdenhou dos manifestantes, chamando-os de “vândalos” e acusando-os de agir para “agradar” o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que há dias ameaça um ataque “muito forte”, se o regime “matar pessoas”.
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Em um pronunciamento em vídeo transmitido pela televisão estatal, Khamenei afirmou que “um bando de vândalos saiu às ruas de Teerã e de outros lugares e destruiu prédios pertencentes ao seu próprio país apenas para agradar o presidente dos EUA”. Em tom desafiador, acrescentou:
— Ele faz a afirmação absurda de que apoia vocês, arruaceiros e pessoas que prejudicam o país. Se é capaz, deveria governar o próprio país.
Manifestante segura a foto do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei
IRAN PRESS / AFP
No discurso, o líder supremo — no poder desde 1989 e autoridade máxima acima do presidente eleito e do Parlamento — também respondeu diretamente às recentes ameaças de Trump. Segundo Khamenei, as mãos do presidente americano “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos martirizados durante a guerra de 12 dias” com Israel, em junho, quando os EUA bombardearam instalações nucleares do Irã.
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— Que todos saibam que a República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas honradas e não recuará diante daqueles que negam isso — afirmou Khamenei.
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Na semana passada, o presidente Masoud Pezeshkian havia defendido uma “abordagem humanitária e responsável” diante das manifestações e anunciado incentivos financeiros modestos para mitigar o agravamento da pobreza em meio à inflação elevada. Já o procurador-geral de Teerã afirmou que pessoas envolvidas em sabotagens, incêndios de propriedades públicas ou confrontos com forças de segurança poderão enfrentar pena de morte.
De acordo com a agência Human Rights Activist News Agency (HRANA), sediada nos EUA, protestos foram registrados nos últimos 13 dias em mais de 100 cidades e vilas. Trata-se das maiores manifestações desde as manifestações de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia da polícia — e quando mais de 500 pessoas foram massacradas pelas forças de segurança.
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Os protestos eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso do rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Desde então, os atos deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.
Manifestantes agitam bandeiras do Irã anteriores à Revolução Islâmica de 1979 durante um protesto contra a repressão do regime iraniano aos protestos no centro de Paris, em 4 de janeiro de 2026
BLANCA CRUZ / AFP
A BBC Persian confirmou ao menos 22 mortos. A HRANA contabiliza pelo menos 34 manifestantes e quatro membros das forças de segurança mortos, além de cerca de 2.200 presos. Já a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, afirma que ao menos 45 manifestantes morreram, incluindo oito crianças.
À medida que vídeos de protestos em massa começaram a circular na quinta-feira, o regime recorreu a uma tática já conhecida: impôs um corte de internet em escala nacional. As autoridades alegam razões de segurança e a existência de supostos ataques cibernéticos — justificativas semelhantes às usadas durante a guerra de 12 dias com Israel, quando as comunicações também foram cortadas.
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Em meio à instabilidade, companhias aéreas começaram a suspender voos. A estatal de Dubai flydubai informou nesta sexta-feira que cancelou suas operações para o Irã, afirmando monitorar a situação “de perto”.
Israel observa
Israel acompanha de perto a situação, mas tem evitado declarações públicas que possam fortalecer a narrativa do regime iraniano de interferência externa. Segundo uma fonte israelense ouvida pela rede americana CNN, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu orientou seus ministros a manterem silêncio sobre os protestos.
— Do ponto de vista de Israel, este não é o momento certo para intervir — disse um ex-alto funcionário israelense à CNN. — Não há razão para interromper o enfraquecimento interno do regime nem para lhe dar um pretexto para mobilizar apoio interno.
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Ainda assim, no último domingo, Netanyahu afirmou que Israel se identifica com “a luta do povo iraniano por liberdade, igualdade e justiça” e afirmou ser possível que o país esteja vivendo um momento em que a população “toma as rédeas do próprio destino”.
‘Pahlavi voltará’
Grandes multidões de iranianos tomaram as ruas da capital Teerã e de várias outras cidades para pedir o fim da República Islâmica e, em muitos lugares, a restauração da monarquia. Manifestantes passaram a entoar “Pahlavi voltará”, em referência a Reza Pahlavi, filho do Xá deposto pela Revolução Islâmica de 1979. Foi ele quem convocou atos na noite de quinta-feira.
— Pessoalmente, acho que ele é a única saída — disse Sara, de 26 anos, moradora de Teerã, à BBC Persian.
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Outros iranianos veem os cânticos pró-monarquia como um sinal de desespero diante da ausência de alternativas políticas viáveis.
Em publicação no X, Reza Pahlavi elogiou os manifestantes como “corajosos compatriotas” e agradeceu a Trump por reiterar a promessa de responsabilizar o regime iraniano, pedindo que líderes europeus “rompam o silêncio”.
Passageiros de um voo da British Airways ficaram feridos após a aeronave enfrentar forte turbulência durante o trajeto, em um episódio descrito como repentino e intenso. Alguns ocupantes chegaram a quebrar os tornozelos em meio ao impacto causado pelos solavancos, o que levou a atendimentos médicos após o pouso.
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De acordo com os relatos publicados pela imprensa britânica e americana, a turbulência ocorreu de forma abrupta, quando passageiros e tripulantes estavam fora de seus assentos ou com os cintos de segurança afrouxados. Pessoas a bordo foram arremessadas contra o teto e o corredor da aeronave, provocando quedas e lesões.
A British Airways confirmou que houve passageiros feridos e informou que equipes médicas aguardavam o avião no aeroporto de destino para prestar atendimento imediato. A companhia não divulgou o número exato de vítimas, mas reconheceu que algumas sofreram ferimentos mais graves, incluindo fraturas.
O incidente ocorreu em 6 de dezembro de 2024, em um voo de Los Angeles para Heathrow, quando a aeronave sobrevoava a região próxima à Groenlândia. Nesta quinta-feira, a Air Accidents Investigation Branch (AAIB) divulgou um relatório sobre o episódio, detalhando o impacto que a turbulência teve sobre o voo.
O relatório detalha que a tripulação recebeu documentos de briefing antes do voo, nos quais constava que não havia alertas meteorológicos significativos a serem considerados antes da decolagem. No entanto, durante o voo, a tripulação observou, em um aplicativo de meteorologia em tempo real instalado nos “electronic flight bags” — tablets digitais semelhantes a um iPad —, que uma “turbulência potencialmente severa” estava se formando ao sul da Groenlândia.
Segundo o Independent, o voo seguia normalmente até ser atingido por uma área de ar instável, fenômeno que pode ocorrer mesmo sem sinais visíveis de tempestade. Especialistas em aviação explicam que episódios de turbulência severa, embora raros, representam risco principalmente quando passageiros não estão com o cinto afivelado.
Em nota, a British Airways afirmou que a segurança dos clientes é prioridade e que está oferecendo apoio aos passageiros afetados. A empresa também reforçou a importância de manter o cinto de segurança afivelado sempre que o sinal luminoso estiver aceso — e, sempre que possível, mesmo durante períodos de aparente estabilidade.
Metade dos prédios residenciais de Kiev ficou sem calefação nesta sexta-feira, após uma noite de intensos ataques russos que deixaram pelo menos quatro mortos e durante os quais, pela segunda vez desde o início da guerra, Moscou lançou um míssil hipersônico Oreshnik.
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O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, pediu aos moradores em condições de fazê-lo que deixassem temporariamente a cidade.
“Metade dos prédios residenciais de Kiev — quase 6.000 — está atualmente sem calefação devido aos danos à infraestrutura crítica da capital causados por um intenso ataque do inimigo”, disse Klitschko em comunicado publicado em seu canal oficial no Telegram.
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A capital ucraniana registrou cerca de -8°C nesta sexta-feira, e a temperatura continuava caindo.
A empresa privada de eletricidade DTEK informou que 417.000 residências em Kiev estavam sem energia. Cerca de 40 prédios foram danificados nos ataques russos, incluindo 20 residenciais e a embaixada do Catar na capital, segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. A polícia relatou quatro mortos e 24 feridos.
Moscou bombardeou Kiev poucas horas depois de rejeitar um plano europeu para enviar uma força multinacional à Ucrânia após um possível fim da guerra. A Ucrânia e seus aliados, empenhados em pôr fim ao conflito que se aproxima do seu quarto ano, estabeleceram nesta semana que a Europa enviará tropas para o território ucraniano após um eventual cessar-fogo.
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Mas Moscou, que lançou a invasão em fevereiro de 2022, em parte para impedir a entrada da Ucrânia na Otan, rejeitou repetidamente a ideia de forças ocidentais enviadas ao país e afirmou, na quinta-feira, que tais tropas seriam consideradas “alvos militares legítimos”.
Enquanto a diplomacia tenta fazer a sua parte, a Rússia prossegue com ataques diários contra a Ucrânia em meio às temperaturas congelantes do inverno. O Ministério da Defesa russo alegou ter usado um míssil hipersônico Oreshnik, com capacidade nuclear, contra “alvos estratégicos” na madrugada desta sexta-feira, em resposta a um suposto ataque com drone em dezembro contra uma residência do presidente Vladimir Putin, o qual a Ucrânia nega.
A Rússia já havia usado um míssil semelhante, com ogiva convencional, contra a Ucrânia no final de 2024. As autoridades ucranianas afirmaram que uma “instalação de infraestrutura” foi atingida pelo míssil perto da cidade de Lviv, no oeste do país. O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) publicou imagens de destroços que apresentou como pertencentes ao míssil Oreshnik.
“Teste” para UE e Otan
Zelensky exigiu uma “resposta clara” da comunidade internacional ao ataque, que “ocorreu justamente quando uma forte onda de frio atingiu o país”. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sibiga, descreveu o ataque hipersônico como uma ameaça à Europa e um “teste” para os aliados de Kiev.
“Um ataque desse tipo perto da fronteira da UE e da Otan representa uma séria ameaça à segurança do continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica. Exigimos respostas firmes”, disse nas redes sociais.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta sexta-feira que o lançamento do míssil hipersônico é um sinal “claro” de uma “escalada” no conflito. Reino Unido, Alemanha e França o classificaram como “inaceitável”.
Segundo Etienne Marcuz, da Fundação para a Pesquisa Estratégica, a escolha de Lviv, perto das fronteiras da UE, “busca enviar um sinal aos países europeus”. “É uma forma de lembrá-los de sua vulnerabilidade”, afirmou no X.
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A Força Aérea ucraniana declarou que os russos lançaram 36 mísseis e 242 drones de vários tipos, e acrescentou que seus sistemas de defesa aérea derrubaram 226 veículos aéreos não tripulados e 18 projéteis.
Do outro lado da fronteira, o governador da região russa de Belgorod informou que mais de meio milhão de pessoas ficaram sem eletricidade ou calefação após um ataque ucraniano a instalações de serviços públicos. Quase 200 mil pessoas também ficaram sem água, acrescentou o governador Vyacheslav Gladkov.
“Muito longe” de um acordo
Esta última onda de ataques russos ocorre depois de a Embaixada dos Estados Unidos em Kiev ter alertado, na quinta-feira, que um “ataque aéreo potencialmente significativo” poderia ocorrer a qualquer momento nos próximos dias.
A Ucrânia continua lutando para restabelecer a calefação e o abastecimento de água a centenas de milhares de casas após os ataques russos desta semana a instalações de energia nas regiões de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia.
Embora Zelensky tenha afirmado que o acordo entre Kiev e Washington sobre as garantias de segurança dos EUA estava “praticamente pronto para ser concluído”, o chanceler alemão Friedrich Merz reconheceu que um acordo de cessar-fogo ainda estava “muito longe”, dada a posição da Rússia.

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