‘Atingiremos muito duramente’: Trump volta a ameaçar o Irã com ataque se regime ‘matar pessoas’
Diante de protestos no Irã: ameaças de intervenção feitas por Trump podem trazer efeitos indesejados
Em um pronunciamento em vídeo transmitido pela televisão estatal, Khamenei afirmou que “um bando de vândalos saiu às ruas de Teerã e de outros lugares e destruiu prédios pertencentes ao seu próprio país apenas para agradar o presidente dos EUA”. Em tom desafiador, acrescentou:
— Ele faz a afirmação absurda de que apoia vocês, arruaceiros e pessoas que prejudicam o país. Se é capaz, deveria governar o próprio país.
Manifestante segura a foto do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei
IRAN PRESS / AFP
No discurso, o líder supremo — no poder desde 1989 e autoridade máxima acima do presidente eleito e do Parlamento — também respondeu diretamente às recentes ameaças de Trump. Segundo Khamenei, as mãos do presidente americano “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos martirizados durante a guerra de 12 dias” com Israel, em junho, quando os EUA bombardearam instalações nucleares do Irã.
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— Que todos saibam que a República Islâmica chegou ao poder com o sangue de centenas de milhares de pessoas honradas e não recuará diante daqueles que negam isso — afirmou Khamenei.
‘Morte ao ditador’, gritam iranianos durante noite de protestos
Na semana passada, o presidente Masoud Pezeshkian havia defendido uma “abordagem humanitária e responsável” diante das manifestações e anunciado incentivos financeiros modestos para mitigar o agravamento da pobreza em meio à inflação elevada. Já o procurador-geral de Teerã afirmou que pessoas envolvidas em sabotagens, incêndios de propriedades públicas ou confrontos com forças de segurança poderão enfrentar pena de morte.
De acordo com a agência Human Rights Activist News Agency (HRANA), sediada nos EUA, protestos foram registrados nos últimos 13 dias em mais de 100 cidades e vilas. Trata-se das maiores manifestações desde as manifestações de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia da polícia — e quando mais de 500 pessoas foram massacradas pelas forças de segurança.
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Os protestos eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso do rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Desde então, os atos deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.
Manifestantes agitam bandeiras do Irã anteriores à Revolução Islâmica de 1979 durante um protesto contra a repressão do regime iraniano aos protestos no centro de Paris, em 4 de janeiro de 2026
BLANCA CRUZ / AFP
A BBC Persian confirmou ao menos 22 mortos. A HRANA contabiliza pelo menos 34 manifestantes e quatro membros das forças de segurança mortos, além de cerca de 2.200 presos. Já a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, afirma que ao menos 45 manifestantes morreram, incluindo oito crianças.
À medida que vídeos de protestos em massa começaram a circular na quinta-feira, o regime recorreu a uma tática já conhecida: impôs um corte de internet em escala nacional. As autoridades alegam razões de segurança e a existência de supostos ataques cibernéticos — justificativas semelhantes às usadas durante a guerra de 12 dias com Israel, quando as comunicações também foram cortadas.
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Em meio à instabilidade, companhias aéreas começaram a suspender voos. A estatal de Dubai flydubai informou nesta sexta-feira que cancelou suas operações para o Irã, afirmando monitorar a situação “de perto”.
Israel observa
Israel acompanha de perto a situação, mas tem evitado declarações públicas que possam fortalecer a narrativa do regime iraniano de interferência externa. Segundo uma fonte israelense ouvida pela rede americana CNN, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu orientou seus ministros a manterem silêncio sobre os protestos.
— Do ponto de vista de Israel, este não é o momento certo para intervir — disse um ex-alto funcionário israelense à CNN. — Não há razão para interromper o enfraquecimento interno do regime nem para lhe dar um pretexto para mobilizar apoio interno.
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Ainda assim, no último domingo, Netanyahu afirmou que Israel se identifica com “a luta do povo iraniano por liberdade, igualdade e justiça” e afirmou ser possível que o país esteja vivendo um momento em que a população “toma as rédeas do próprio destino”.
‘Pahlavi voltará’
Grandes multidões de iranianos tomaram as ruas da capital Teerã e de várias outras cidades para pedir o fim da República Islâmica e, em muitos lugares, a restauração da monarquia. Manifestantes passaram a entoar “Pahlavi voltará”, em referência a Reza Pahlavi, filho do Xá deposto pela Revolução Islâmica de 1979. Foi ele quem convocou atos na noite de quinta-feira.
— Pessoalmente, acho que ele é a única saída — disse Sara, de 26 anos, moradora de Teerã, à BBC Persian.
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Outros iranianos veem os cânticos pró-monarquia como um sinal de desespero diante da ausência de alternativas políticas viáveis.
Em publicação no X, Reza Pahlavi elogiou os manifestantes como “corajosos compatriotas” e agradeceu a Trump por reiterar a promessa de responsabilizar o regime iraniano, pedindo que líderes europeus “rompam o silêncio”.







