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A dois dias do fim do cessar-fogo entre EUA e Irã, há poucos sinais animadores sobre um acordo definitivo para a guerra iniciada no final de fevereiro. Pelo lado iraniano, divisões dentro do regime ficaram à mostra no fim de semana, e a desconfiança em relação a Washington é palpável. Pelo lado americano (e israelense), o presidente Donald Trump transparece seu incômodo com a extensão de um conflito impopular. Segundo fontes diplomáticas, os dois lados devem se sentar à mesa no Paquistão nos próximos dois dias, com expectativas mais modestas do que na primeira rodada, há duas semanas.
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Além da incerteza sobre a própria reunião, cuja participação iraniana não foi confirmada até a noite desta segunda-feira, os dois lados têm diante de si dois pontos urgentes. O primeiro, a extensão da trégua, que pode sair antes do fim do prazo, noite de quarta-feira pelo horário de Washington, mas não se sabe por qual período. Já o segundo, a reabertura do Estreito de Ormuz, esbarra em objetivos militares e nas divisões internas do regime em Teerã.
Na sexta-feira, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, anunciou na rede social X a reabertura “completa” de Ormuz, fechado desde o início de março. A decisão foi saudada como uma vitória por Trump e recebida com alívio por governos nacionais e organizações internacionais. Afinal, poderia ser o fim de um dos mais graves bloqueios navais da História recente, liberando a via por onde, em tempos de paz, passam cerca de 20% das exportações globais de petróleo e gás.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Em questão de horas, a Guarda Revolucionária, responsável pelo bloqueio, corrigiu Araghchi publicamente, alegando que os navios que quisessem passar por Ormuz ainda deveriam buscar autorização do Irã, trafegar em rotas pré-estabelecidas e pagar pedágio. Veículos de imprensa estatais criticaram o chanceler, um parlamentar o ameaçou com o impeachment e uma mensagem de rádio da Guarda a navios na área, obtida pelo Wall Street Journal, dizia que “vamos abrir [o Estreito de Ormuz] por ordem do nosso líder, o imã [Mojtaba] Khamenei, e não por tuítes de algum idiota”.
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Para a Guarda Revolucionária, a abertura soou como uma concessão indevida e inexplicada aos EUA.
“A opinião pública levanta a seguinte questão: se é do interesse do país que os detalhes das negociações ou dos desenvolvimentos recentes não sejam divulgados, por que esse mesmo interesse e a razão para evitar a transparência não são explicados ao povo?”, questionou um artigo da agência Fars, ligada à Guarda.
O estreito permanece fechado, e as parcas perspectivas de uma reabertura ecoaram nos mercados. Nesta segunda-feira, o barril do tipo Brent, referência no mercado, subiu mais de 5%, encostando em US$ 96. Na sexta-feira, diante da possível retomada do tráfego, houve queda de mais de 9%.
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Os comandantes apontaram ainda que o anúncio veio em meio a um bloqueio naval americano aos portos iranianos e navios de bandeira do Irã, considerado por eles uma violação do cessar-fogo. Segundo o Comando Central dos EUA, 27 embarcações foram barradas nos últimos dias. No domingo, um navio cargueiro de bandeira do Irã foi atacado e interceptado pelas forças americanas na região do Golfo de Omã, em um ato que os militares prometeram responder à altura.
— Como disse o nosso líder (Mojtaba Khamenei), não confiamos em negociações com vocês (EUA), mas acreditamos no poder de Deus, do povo e dos combatentes — disse o chefe das forças aeroespaciais da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, nesta segunda-feira. — Onde quer que vocês estejam, responderemos com firmeza sempre que quisermos.
Antes do início da guerra, quando se especulava sobre o futuro do regime, um dos cenários propostos por analistas era a confirmação do domínio da Guarda Revolucionária. Com a “Operação Fúria Épica” em curso, a Guarda, criada por Ruhollah Khomeini para proteger a República Islâmica, tomou as rédeas militares e instalou aliados no comando político. A ausência do antigo líder supremo, Ali Khamenei, que atuava como mediador nos bastidores, acelerou o processo.
“A consolidação do controle da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) sobre a tomada de decisões no Irã indica que as autoridades políticas iranianas que atualmente negociam com os Estados Unidos não têm poder para determinar de forma independente as posições de negociação do Irã”, apontou análise publicada pelo Instituto para o Estudo da Guerra, dos EUA, na semana passada. “A IRGC parece ter marginalizado figuras mais pragmáticas com as quais os Estados Unidos negociaram.”
Ao menos um ponto traz convergência entre os aparatos civil e militar: ninguém está disposto a abrir mão do programa nuclear, acusado de ter finalidades militares pelo Ocidente. Na semana passada, Trump disse que os iranianos “concordaram com tudo”, sugerindo que Teerã estava de acordo com uma pausa longa (de até 20 anos) no enriquecimento de urânio, e que poderia enviar material já enriquecido ao exterior. Os iranianos negaram publicamente, e deixaram claro que esse tema não será tratado às pressas ou em postagens no Truth Social — fazer as vontades do republicano, no momento em que o regime se considera empoderado, seria uma declaração de submissão ao “Grande Satã”.
— Trump diz que o Irã não pode exercer seus direitos nucleares, mas não diz por qual crime. Quem é ele para privar uma nação de seus direitos? — disse no domingo o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, um reformista que, assim como Araghchi, foi atacado no passado pela Guarda por declarações vistas como excessivamente apaziguadoras.
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Pelo lado americano, um elemento é o maior entrave à paz: Donald Trump. A decisão de lançar uma guerra sem objetivos claros provocou cisões entre seus comandantes e assessores. Sua verborragia nas redes sociais alia mensagens de destruição civilizacional com mensagens sobre desfechos diplomáticos positivos. Muitas de suas falas, como sobre as supostas concessões nucleares, deixam o campo da comunicação oficial de chefe de Estado e avançam sobre o terreno da especulação e da propaganda: em uma publicação no Truth Social, afirmou que os EUA estão “ganhando a guerra” e acusou a imprensa local de criar uma atmosfera derrotista.
Nesta segunda-feira, Trump mais uma vez alternou ameaças com perspectivas otimistas. Em entrevista, disse ser “extremamente improvável” a extensão do cessar-fogo sem um acordo até quarta. Ao mesmo tempo, disse que um novo acerto com Teerã seria “muito melhor” do que o firmado em 2015 por seu antecessor Barack Obama, que estabelecia limites às atividades nucleares iranianas em troca do alívio de sanções. O texto, eficaz enquanto esteve em vigor, foi rasgado por Trump em 2018, e substituído por uma política mais agressiva que não produziu resultados positivos.
— O comportamento ilegal dos Estados Unidos e as posições contraditórias de seus líderes são incompatíveis com os princípios diplomáticos — disse Araghchi em conversa telefônica com o chanceler russo, Sergei Lavrov, citado pela Chancelaria iraniana, nesta segunda-feira.
Segundo reportagem do Wall Street Journal, a impaciência de Trump com a guerra, e o medo de tomar decisões que possam lhe causar problemas políticos nos EUA já preocupam assessores e aliados. Alguns veem suas bravatas, que raramente passam por revisão prévia, como riscos às negociações com os iranianos, e passam uma imagem de improvisação na Casa Branca. Em fevereiro, antes da guerra, uma pesquisa da Reuters em parceria com o instituto Ipsos mostrou que 61% dos americanos consideravam que o republicano ficou mais errático com a idade. Ele completará 80 anos em junho.
O chefe do Escritório das ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Thomas Fletcher, disse nesta segunda-feira que o dinheiro gasto pelos Estados Unidos no conflito contra o Irã poderia salvar milhões de pessoas pelo mundo. Em palestra em Londres, Fletcher mencionou os impactos econômicos e sociais causados pela guerra, e alertou que a normalização de discursos violentos é um presente para os autocratas.
— Para cada dia deste conflito, são gastos US$ 2 bilhões. Minha meta para um plano de prioridade máxima para salvar 87 milhões de vidas é de US$ 23 bilhões — disse Fletcher, durante palestra no centro de estudos britânico Chatham House, se referindo a uma iniciativa lançada no ano passado pela ONU, e que poderia ser financiada com o valor equivalente a duas semanas de guerra, chamada por ele de “irresponsável”.
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Fletcher, um ex-diplomata britânico, destacou os impactos graves da guerra além do Oriente Médio, mencionando o aumento dos preços de combustíveis e itens básicos, especialmente em países pobres: para ele, “sentiremos o impacto durante anos na África subsaariana e na África Oriental, empurrando muito mais pessoas para a pobreza”.
As doações feitas por nações mais ricas também começaram a rarear, agravando a crise de financiamento a ações humanitárias classificada por ele de “cataclísmica”. A agência comandada por Fletcher já sofreu um corte de 50% no orçamento.
— O efeito cascata da crise no Estreito de Ormuz, independentemente do que aconteça no Mar Vermelho, das crises nas cadeias de abastecimento e assim por diante, será que todos os outros países se tornarão menos generosos — afirmou, mencionando a crescente aversão política a gastos públicos com doações ao Sistema ONU e ONGs independentes. — [Os países doadores] não querem publicidade porque estão enfrentando protestos sobre os preços dos combustíveis [internos].
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Para ele, a atual guerra e a linguagem agressiva usada pelos beligerantes traz o risco de normalização de um discurso violento — o exemplo mais conhecido dessa retórica veio com a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de eliminar a civilização iraniana e bombardear instalações do sistema elétrico e de dessalinização de água, uma declaração que, por si só, configura um crime de guerra na visão de juristas.
— A ideia de que, de repente, é aceitável dizer: “Vamos explodir tudo, vamos bombardear vocês até a Idade da Pedra, destruir sua civilização”, normalizar esse tipo de linguagem é realmente perigoso — explicou. — Isso dá mais liberdade a todos os outros aspirantes a autocratas ao redor do mundo para usar esse tipo de linguagem e esse tipo de tática, atacando infraestrutura civil e civis de uma forma que viola completamente o direito internacional.
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Trump é um notório crítico das Nações Unidas, que retirou seu país de importantes agências e iniciativas, contribuindo para os atuais problemas orçamentários. Para Fletcher, as relações com Washington na atual era trumpista são como uma “montanha-russa”, agravada pela pouca experiência de muitos de seus integrantes com o meio político.
— Para o governo Trump, a desordem é mais eficaz. A imprevisibilidade, pegar o adversário e o aliado desprevenidos, eles acreditam que isso traz mais resultados — afirmou Fletcher, ao mesmo tempo em que revelou ter convencido alguns funcionários do governo americano de que a ONU não é “apenas um bando de burocratas politicamente corretos, incompetentes, inúteis e exaustos”.
Uma mulher canadense foi morta a tiros nesta segunda-feira no sítio arqueológico das pirâmides de Teotihuacán, no centro do México, por um homem que depois cometeu suicídio, informaram as autoridades. Outras quatro pessoas ficaram feridas por disparos no ataque em um dos sítios arqueológicos mais emblemáticos do país, disse Cristóbal Castañeda, secretário de Segurança do Estado do México, onde as pirâmides estão localizadas. O casal de cariocas Henrique Reis e Marina Beta estava curtindo o último dia de férias no país quando foi surpreendido pelo ataque e acabou sendo feito refém pelo atirador.
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O secretário de Segurança acrescentou que entre os feridos estão dois colombianos, uma mulher russa e outra canadense. Além disso, duas pessoas ficaram feridas em quedas, detalhou a secretaria de Segurança local em um comunicado. Teotihuacán está localizada a 50 quilômetros da Cidade do México, de onde são oferecidos passeios diários para turistas nacionais e estrangeiros.
Em entrevista ao GLOBO, Henrique relatou que ele e a namorada tiravam fotos numa parte média de uma das pirâmides do local, a Pirâmide da Lua, num ponto até onde turistas podem subir, quando ouviram os primeiros disparos. Apesar do barulho, os dois não chegaram a se assustar, contou o rapaz. Como o local é conhecido por ter uma acústica especial, “é comum que haja barulhos o tempo todo”, principalmente de guias e turistas fazendo experimentações com a característica peculiar do sítio arqueológico.
Na sequência, conforme os visitantes no local começaram a correr, Henrique e Marina fizeram a mesma coisa. Como o casal de brasileiros estava mais distante da escada, que é bastante íngreme, não conseguiu descer antes que o atirador os ameaçasse no local. Segundo Henrique, cerca de 20 pessoas ficaram presas como reféns neste ponto da pirâmide.
— Por um tempo eu demorei para entender o que que era. Ele tinha uma bolsa. Eu achei que ele ia roubar a gente. Achei que era um ladrão e que ele ia pegar nossos pertences — relatou o carioca.
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Segundo o relato de Henrique, durante os cerca de 15 minutos que passaram sob poder do atirador, o homem disparava na direção dos reféns e chegou a atingir alguns deles. Durante esse tempo, o homem repetia frases um pouco desconexas, xingava os turistas e dizia que eles não deveriam estar ali num local “que deveria ser sagrado”.
— Os tiros passavam voando por cima da gente. A maioria dos que ele deu. Ele dava alguns para baixo também, para a parte onde é a cidade arqueológica. Onde estava todo mundo que conseguiu descer e quem já estava lá embaixo — detalhou.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram registros do momento do ataque. Nas imagens é possível ver várias pessoas abaixadas num ponto médio da pirâmide enquanto um homem armado vestido de camisa xadrez e máscara no rosto anda de um lado para o outro.
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Ao longo dos minutos que passaram ali, Henrique e Marina chegaram a ser ameaçados diretamente pelo atirador. O saco que o homem carregava, segundo o brasileiro, estava repleto de munições. Num dado momento, ele exigiu que um dos reféns cortasse uma cerca de plástico que impede a passagem para pontos mais altos da pirâmide. Nessa hora, contou Henrique, ele pediu a Marina que cortasse a estrutura e arremessou a faca no chão na direção dela. Na sequência, ele disse que se ela colaborasse, seria liberada. Marina então seguiu as orientações do atirador e foi liberada para descer as escadas.
— Meu maior medo nessa hora era que ele desse um tiro nela pelas costas — disse Henrique. — Graças a Deus ele não fez isso.
Pouco tempo depois, a polícia chegou ao local. Henrique relatou que o atirador começou a falar com ele dizendo que o brasileiro o estava deixando nervoso. Ele assume que a razão era por Henrique encará-lo sem parar. Diante disso, o homem o escolheu para descer da pirâmide e avisar aos policiais que havia muitos reféns lá em cima, a fim de convencer os agentes a não subirem e nem atirarem.
— Eu fui fazer o que ele mandou. Que era avisar para a polícia. Então eu quis deixar bem claro. E como o lugar é grande, eu gritei lá de cima. Mas mesmo quando eu cheguei perto dos policiais fiquei de mão levantada avisando: “tem refém lá em cima. Tem muitos reféns” — disse o brasileiro, que conseguiu ir embora do local com a namorada após os dois serem liberados.
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“O que aconteceu hoje em Teotihuacán nos causa profunda tristeza. Expresso minha mais sincera solidariedade às pessoas afetadas e suas famílias. Estamos em contato com a embaixada canadense”, publicou a presidente Claudia Sheinbaum nas redes sociais.
As autoridades federais encontraram “uma arma de fogo, uma arma branca (faca) e munição” no local, que permanece sob a proteção da polícia estadual e da Guarda Nacional, segundo um comunicado do Gabinete de Segurança Federal.
As Nações Unidas e a União Europeia anunciaram, nesta segunda-feira, que serão necessários US$ 71,4 bilhões (R$ 355 bilhões, na cotação atual) para reconstruir a Faixa de Gaza durante a próxima década, segundo estimativas de um estudo realizado com o Banco Mundial.
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“Esta avaliação considera os danos, as perdas econômicas e as necessidades de recuperação e reconstrução em Gaza após 24 meses de conflito”, indicaram em um comunicado conjunto.
As instituições detalharam que, durante os primeiros 18 meses, serão necessários US$ 26,3 bilhões (R$ 130,7 bilhões) “para restabelecer os serviços essenciais, reconstruir infraestruturas principais e apoiar a recuperação econômica”.
“Os danos materiais às infraestruturas são estimados em US$ 35,2 bilhões (R$ 175 bilhões), enquanto as perdas econômicas e sociais chegam a US$ 22,7 bilhões (R$ 113 bilhões)”, detalha o documento, que indica, ainda, que os setores mais afetados são “a habitação, a saúde, a educação, o comércio e a agricultura”.
A guerra em Gaza foi desencadeada após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.219 mortos do lado israelense, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais.
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A campanha de represálias israelense causou ao menos 72.549 mortos em Gaza, em sua maioria civis, de acordo com um balanço divulgado no sábado pelo Ministério da Saúde de Gaza — território controlado pelo Hamas —, cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
Segundo o estudo, no total, mais de 371.888 moradias e quase todas as escolas foram destruídas ou danificadas, mais de 50% dos hospitais estão fora de serviço e a economia encolheu 84% no território. Aproximadamente 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas, muitas delas várias vezes, e mais de 60% da população perdeu sua moradia.
O presidente da Argentina, Javier Milei, recebeu nesta segunda-feira a Medalha Presidencial de Honra de Israel, principal distinção civil concedida pelo país, em cerimônia oficial com o presidente Isaac Herzog. A homenagem ocorreu durante visita de Estado de Milei a Jerusalém e reforçou a aproximação diplomática entre os dois governos.
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Segundo a presidência israelense, a medalha reconhece o “apoio constante e firme” de Milei a Israel, além de seu compromisso com familiares das vítimas dos ataques de 7 de outubro de 2023. A condecoração é destinada a personalidades israelenses e estrangeiras que tenham prestado contribuição excepcional ao Estado de Israel ou à humanidade.
— No início de 2024, apenas alguns meses após o massacre de 7 de outubro, o presidente Milei optou por fazer sua primeira visita oficial ao Estado de Israel, enquanto a guerra ainda assolava o país. Juntos, visitamos o Kibutz Nir Oz e choramos juntos ao ver a destruição. Diante da profunda dor e do trauma vivenciados por toda a sociedade israelense, ele ofereceu sua corajosa amizade durante um dos momentos mais difíceis que já enfrentamos — disse o presidente israelense, que recebeu o argentino com todas as honras — tapete vermelho, hinos nacionais — em sua residência em Jerusalém.
A agenda de Milei em Israel inclui encontros com Herzog e com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. No domingo, os dois governos anunciaram os chamados “Acordos de Isaac”, iniciativa voltada ao fortalecimento da cooperação bilateral em áreas como tecnologia, inteligência artificial, comércio e transporte aéreo.
Durante a visita, Milei também reafirmou o alinhamento político com Israel e Estados Unidos em temas de segurança internacional. Desde o início de seu mandato, o presidente argentino tem ampliado laços com o governo israelense e defendido a transferência da embaixada argentina de Tel Aviv para Jerusalém.
— Assim como me sinto honrado com esta distinção, celebro a contínua reaproximação entre nossos povos, celebro a consolidação desta amizade, que tem sido um dos pilares da política externa do nosso governo e parte de um retorno aos valores judaico-cristãos que nos tornaram grandes — disse Milei. — Hoje, graças ao renovado abraço do povo argentino aos ideais de liberdade, retornamos ao caminho do Ocidente, aos valores judaico-cristãos e a tudo aquilo que nos tornou uma grande civilização — acrescentou, reiterando o “estreito laço de amizade” entre as nações, expressando sua esperança de que ele “perdure alo longo do tempo”.
Mais tarde, no último compromisso do dia — fechado à imprensa — o presidente visitou a Yeshiva Hebron, um dos mais importantes institutos de estudo da Torá, onde foi homenageado pela Academia de Estudos Talmúdicos.
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Em comunicado conjunto divulgado ontem, Brasil e Alemanha disseram compartilhar “profunda preocupação” com a guerra na Ucrânia e conflitos no Oriente Médio, com impacto na liberdade de navegação pelo Estreito de Ormuz. O texto foi divulgado após encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão, Friedrich Merz, além de ministros de ambos os países, às margens da Hannover Messe, a tradicional feira industrial de Hanôver, na Alemanha, que neste ano tem o Brasil como país-parceiro.
Por causa dos atuais desdobramentos geopolíticos, os governos afirmaram que é necessário reforçar a importância do diálogo, da compreensão mútua e da cooperação para enfrentar os desafios globais:
“Brasil e Alemanha estão unidos na firme convicção de que as disputas devem ser resolvidas por meios pacíficos e com o concurso da diplomacia, em plena conformidade com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, rejeitando a ameaça ou o uso da força contra a independência política e a integridade territorial de qualquer Estado, assim como outras formas de coerção”, diz o comunicado.
Os dois países defendem “uma solução negociada substantiva sobre o Irã”:
“Esses conflitos causam imenso sofrimento humano, consequências humanitárias e impactos globais negativos, inclusive por meio da perturbação dos mercados globais de energia”, diz o texto.
A declaração conjunta reafirma a “parceria estratégica” dos dois países, que se baseia nos “valores compartilhados de democracia, liberdade, inclusão social, solidariedade, bem como em um firme compromisso com o multilateralismo, o direito internacional e o comércio livre e baseado em regras”, e o desejo de aprofundar essa parceria, “fomentando a cooperação econômica e em segurança, impulsionando conjuntamente a transformação em áreas como digitalização, ciência, tecnologia, inovação, ação climática e desenvolvimento sustentável”.
O texto classifica consultas intergovernamentais realizadas entre os países nesta segunda-feira como um “marco significativo para o fortalecimento da parceria estratégica e da amizade entre a Alemanha e o Brasil” e cita uma série de resultados, com acordos e anúncios em diferentes áreas, como sustentabilidade, minerais críticos e defesa.
Na área de sustentabilidade, foi anunciado o primeiro investimento da Alemanha no Fundo Clima, declarações conjuntas sobre combate a crimes ambientais e intensificação da cooperação em pesquisa climática e plano de ação conjunta sobre economia circular e eficiência de recursos.
Participam da comitiva do presidente Lula na Alemanha os ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante; e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, entre outras autoridades.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera o cessar-fogo com o Irã válido até a noite de quarta-feira, no horário de Washington, e disse ser “altamente improvável” que a trégua seja estendida caso não haja um acordo. Com o fim do prazo de duas semanas, iniciado em 8 de abril, se aproximando, cresce a tensão entre os dois países após a apreensão de um cargueiro iraniano pela Marinha americana, enquanto a participação de Teerã nas novas negociações permanece incerta.
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Entrevista: Deficiência conceitual de Trump fica evidente com ameaça de destruir civilização do Irã, avalia historiador
— É altamente improvável que eu estenda — disse Trump à Bloomberg, em entrevista por telefone.
— Não vou ser pressionado a fechar um acordo ruim. Temos todo o tempo do mundo — afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de retomada imediata dos combates, o republicano respondeu que “se não houver acordo, certamente espero que isso aconteça”.
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Nos últimos dias, Trump tem oscilado sobre a extensão da trégua. Em uma sessão com jornalistas na semana passada, ele foi questionado cinco vezes sobre o tema e deu respostas diferentes.
A declaração do líder americano ocorre em meio à escalada de tensões no Golfo Pérsico. O Irã prometeu nesta segunda-feira “responder em breve” à apreensão, pela Marinha dos EUA, de um cargueiro iraniano que tentava driblar o bloqueio imposto por Washington aos portos do país. Ao mesmo tempo, Teerã afirmou que ainda não decidiu se participará da próxima rodada de negociações com os americanos no Paquistão.
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“As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão em breve e tomarão medidas de represália contra este ato de pirataria armada e contra os militares americanos”, escreveu no Telegram o porta-voz do Estado-Maior iraniano, ao acusar os EUA de terem “violado o cessar-fogo”.
Segundo a agência iraniana Tasnim, Teerã chegou a lançar drones na direção de navios militares americanos envolvidos no episódio.
A apreensão do cargueiro foi anunciada no domingo por Trump. Segundo ele, a embarcação, identificada como Touska, tentava escapar do bloqueio naval imposto por Washington a portos iranianos no Estreito de Ormuz.
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Em publicação na rede Truth Social, o presidente afirmou que um contratorpedeiro dos EUA interceptou o navio e assumiu o controle após a tripulação se recusar a obedecer ordens. Segundo ele, a embarcação está sob sanções do Departamento do Tesouro americano.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA divulgou imagens do momento em que militares dos EUA embarcam no cargueiro iraniano M/V Touska, interceptado no Golfo de Omã.
Trump anuncia apreensão de navio de bandeira iraniana enquanto Teerã deixa incerta nova rodada de negociações
Reprodução: Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos
O episódio ocorre em meio ao bloqueio imposto pelos EUA ao tráfego ligado ao Irã no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, aumentando o risco de escalada militar na região.
O cenário se dá em meio à incerteza diplomática. O Ministério das Relações Exteriores iraniano indicou que o país pode não comparecer às novas negociações com Washington. Segundo o porta-voz da chancelaria, Esmaeil Baqaei, ainda não há decisão sobre a participação do Irã no próximo encontro.
“Neste momento, enquanto falo, não temos nenhum plano para a próxima rodada de negociações e nenhuma decisão foi tomada a respeito”, afirmou Baqaei durante entrevista coletiva.
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Ele também criticou a postura americana, dizendo que, apesar do discurso favorável ao diálogo, os EUA não estariam agindo com seriedade.
“Embora se declarem a favor da diplomacia e se mostrem dispostos a negociar, os Estados Unidos estão adotando atitudes que não denotam, em absoluto, seriedade no momento de levar adiante um processo diplomático”, disse.
A imprensa iraniana também aponta que a suspensão do bloqueio naval americano é vista como condição prévia para a retomada das negociações.
Impasse e versões divergentes
Declarações divergentes de autoridades americanas e iranianas ampliam a incerteza sobre a realização de uma nova rodada de negociações nos próximos dias.
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No domingo, Trump afirmou que uma delegação americana estava a caminho de Islamabad, com previsão de chegada na noite desta segunda-feira. O grupo é liderado pelo vice-presidente JD Vance e inclui o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente. O republicano também voltou a ameaçar atacar a infraestrutura civil iraniana caso um acordo não seja alcançado.
Já a mídia estatal do Irã disse que Teerã ainda não concordou com um novo encontro após o fracasso da primeira rodada, em 11 de abril — a reunião presencial de mais alto nível entre os dois países em décadas.
Em artigo, a agência estatal Irna afirmou que as informações divulgadas por Washington fazem parte de uma “estratégia midiática” para pressionar o Irã, citando “exigências excessivas”, “expectativas irreais” e o bloqueio naval como entraves ao diálogo.
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Apesar do discurso público mais duro, há sinais de que as negociações podem avançar. Segundo a CNN, citando fontes em Teerã, uma delegação iraniana deve chegar a Islamabad na terça-feira. A expectativa é que uma declaração simbólica de extensão do cessar-fogo seja feita na quarta-feira, data prevista para o fim da trégua.
Paralelamente, autoridades paquistanesas seguem com os preparativos para o encontro, segundo a BBC. Em Islamabad, o Serena Hotel, que sediou a primeira rodada, foi novamente isolado, enquanto o esquema de segurança foi ampliado, com dezenas de postos de controle e o fechamento de vias com arames farpados na área diplomática. Policiais, militares e forças paramilitares reforçam o patrulhamento, com milhares de agentes mobilizados da província de Punjab, em uma operação que indica foco no “quando”, e não no “se”, das negociações.
Escritórios do governo foram fechados e algumas universidades passaram a operar com aulas online. Apesar da preparação, autoridades paquistanesas têm evitado declarações públicas, e ainda há dúvidas sobre a realização efetiva das negociações.
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No primeiro encontro, há pouco mais de uma semana, a presença da delegação iraniana também só foi confirmada nos momentos finais, o que levanta questionamentos sobre se o cenário atual se repete ou se as conversas podem nem chegar a ocorrer.
Um eventual avanço nas tratativas poderia abrir caminho para um acordo mais amplo, com a possibilidade de um encontro presencial entre os líderes dos dois países — algo inédito desde a Revolução Islâmica de 1979.
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No domingo, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que houve progresso nas negociações, mas ressaltou que “ainda estamos longe de um acordo final”. Ele também alertou que Teerã está pronto para retomar os combates caso o cessar-fogo seja rompido.
Entre os principais pontos de impasse estão as exigências americanas sobre o programa nuclear iraniano, incluindo a suspensão ou limitação de longo prazo das atividades de enriquecimento de urânio. Autoridades iranianas rejeitam as condições e negam ter concordado com as demandas mencionadas por Trump.
(Com AFP e New York Times)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Friedrich Merz afirmaram ontem que estão engajados em um esforço conjunto para fazer a reforma da Organização das Nações Unidas. Segundo o líder europeu, o Brasil deu apoio para que a Alemanha tenha um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Lula e Mertz se reuniram na cidade Hanôver, no norte da Alemanha, que sedia a Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, que este nano tem o Brasil como país-parceiro.
– Reafirmamos o engajamento comum em prol da comunidade internacional com base em regras e nos engajamos em esforço conjunto para a reforma das Nações Unidas. Alegro-me que o Brasil nos deu apoio de também ter assento permanente no Conselho das Nações Unidas. A votação vai acontecer em algumas semanas – disse Merz em entrevista ao lado do presidente brasileiro.
Lula voltou a fazer críticas aos cinco países que são os atuais membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido).
– É importante deixar explícito, é preciso renovar o Conselho de Segurança da ONU, ele não é privilégio de cinco pessoas que não estão preocupados com a paz. Ou assumimos a responsabilidade de mudar o estatuto da ONU ou vamos continuar nesta nau vagando pelo mar sem controle. É isso que está em jogo e que me preocupa. Ou renovamos a ONU, ou mudamos o estatuto da ONU, colocando mais países para representar a geopolítica de 2026, ou vamos continuar com guerra sendo decisão unilateral de quem tem armas – disse o presidente brasileiro.
Questionado a respeito de uma possível invasão dos EUA a Cuba, Lula disse que será contra, assim como foi contrário às invasões na Venezuela e em outros países:
– Ninguém pode se meter. É importante saber que Cuba é vítima de bloqueio de 70 anos, o que é uma vergonha mundial. O país não teve a chance depois da revolução de definir seu destin. Sou contra qualquer bloqueio, qualquer intervenção em qualquer país.
O presidente brasileiro também foi questionado a respeito do cenário eleitoral no Brasil:
– Temos quase nove meses para eleição. Não temos turbulência nenhuma. Encaro eleição como a coisa mais democrática possível, mais tranquila possível, não tem turbulência.
(*Do Valor) (Os jornalistas viajaram a convite da Apex Brasil)
A agência policial europeia Europol anunciou nesta segunda-feira ter encontrado o paradeiro de 45 crianças ucranianas deslocadas à força, após uma investigação coordenada com base em fontes públicas de informação. O objetivo da operação era identificar e localizar crianças transferidas ou deportadas para territórios ucranianos temporariamente ocupados pela Rússia, para o próprio território russo e para Belarus.
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A investigação foi coordenada pela Europol com 40 investigadores de 18 países, o Tribunal Penal Internacional (TPI) e outros parceiros não governamentais. Após a investigação, realizada nos dias 16 e 17 de abril, em Haia, foram reunidas informações sobre 45 crianças, que foram transmitidas às autoridades ucranianas para ajudá-las em suas investigações em andamento, indicou a Europol em um comunicado.
As informações incluem “as rotas seguidas durante os deslocamentos forçados”, “as pessoas que facilitaram a deportação” e até “os acampamentos ou centros para os quais as crianças foram levadas”, detalha o comunicado da agência.
Em março, a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre a Ucrânia afirmou dispor de provas de que “as autoridades russas cometeram crimes contra a humanidade, especificamente deportações e transferências forçadas, assim como desaparecimentos forçados de crianças”.
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A comissão indicou que a Rússia havia deportado ou transferido “milhares” de crianças das zonas ocupadas da Ucrânia, das quais 1.205 casos haviam sido confirmados no momento da declaração.
‘Detidas em campos de reeducação ou hospitais psiquiátricos’
A iniciativa multinacional que confirmou a localização de 45 crianças teve como objetivo auxiliar as investigações em curso pelas autoridades ucranianas, que documentaram a transferência forçada ou deportação de mais de 19.500 crianças dos territórios ocupados para a Federação Russa ou a República da Bielorrússia.
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Segundo a Europol, “algumas das crianças ucranianas foram adotadas por cidadãos russos, enquanto outras estão detidas em campos de reeducação ou hospitais psiquiátricos”.
A Rússia afirma, por sua vez, ter transferido algumas crianças ucranianas de suas casas ou orfanatos com o objetivo de protegê-las das hostilidades.
O ex-presidente da Bulgária Rumen Radev, Pró-Rússia, venceu as eleições parlamentares do país com maioria absoluta com a promessa de acabar com a corrupção e com a instabilidade política do país, que contou com oito eleições em cinco anos. O ex-mandatário deve aproximar a Bulgária, membro da União Europeia (UE) e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), de Moscou.
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Radev renunciou à presidência em janeiro para concorrer às eleições parlamentares da Bulgária. O resultado alcançado superou as previsões das pesquisas de opinião e é um dos melhores em um único partido dos últimos anos, o que pode auxiliar na falta de estabilidade que o país mais pobre da União Europeia enfrenta. Já na política externa, UE e Rússia se agradaram com a vitória de Radev.
— Claro, as palavras de Radev (…) assim como as de outros dirigentes europeus sobre sua disposição de resolver os problemas por meio do diálogo nos agradam — declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em uma coletiva de imprensa.
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o felicitou e disse que espera “com interesse trabalhar juntos pela prosperidade e a segurança da Bulgária e da Europa”. A Bulgária “desempenha um papel importante na resolução de nossos desafios comuns”, afirmou.
Horizonte de establidade
O partido de Radev, “Bulgária Progressista”, obteve 44,7% dos votos nas eleições de domingo, segundo resultados oficiais após a apuração de 91,7% das cédulas. Se confirmado, poderá conquistar cerca de 130 assentos dos 240 do Parlamento. Isso permite ao pequeno país dos Bálcãs formar um Executivo estável.
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Radev, presidente entre 2017 e 2026, superou os conservadores (GERB) do ex-primeiro-ministro Boiko Borisov e os liberais do PP-DB, que obtiveram, respectivamente, 13,4% e 13,2% dos votos.
— Superamos a apatia — disse Radev a seus apoiadores no domingo. — É uma vitória da esperança sobre a desconfiança, uma vitória da liberdade sobre o medo.
O ex-general da Força Aérea afirmou que seu país “fará esforços para seguir seu caminho europeu”, mas é necessário “espírito crítico e pragmatismo”. Antes das eleições, declarou ser contrário ao envio de armas à Ucrânia, em guerra contra a Rússia desde que Moscou invadiu seu território, porque não vê que interesse pode ter “seu país, pobre, em pagar”. Mas descarta exercer seu direito de veto para bloquear as decisões da União Europeia.
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Segundo as pesquisas, uma parte dos eleitores pró-ocidentais apostou nele. Em 2021, as manifestações multitudinárias contra a corrupção provocaram a queda de Borisov, que estava há quase 10 anos como primeiro-ministro, e desde então se sucederam coalizões frágeis.
A Bulgária tem “uma oportunidade histórica de romper de uma vez por todas com o modelo oligárquico”, afirmou no domingo.

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