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Quem disse que um cão policial precisa ter porte imponente? No Japão, um pequeno lulu da pomerânia chamado Haku está provando justamente o contrário. Com aparência que lembra mais um animal de companhia do que um farejador de elite, o cachorro de dois anos foi recrutado para auxiliar investigações da polícia na província de Miyazaki, tornando-se o primeiro exemplar da raça a assumir a função na região.
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Em abril, Haku recebeu oficialmente sua nomeação para atuar ao lado de seu treinador, Hikaru Takekoshi, após ser aprovado em um rigoroso exame realizado no fim do ano passado. O teste reuniu 51 cães de diferentes raças, incluindo pastores alemães e golden retrievers, e avaliou habilidades como rastreamento, identificação de odores e buscas em área. Apenas 38 animais foram aprovados. Haku se destacou na categoria de rastreamento, que simula a perseguição de um suspeito em fuga.
Assista:
Pequeno no tamanho, grande no desempenho
A trajetória do cão chama atenção não apenas pelo porte incomum. Nascido em uma loja de animais, Haku foi abandonado pelo antigo tutor e acabou acolhido por um centro de treinamento. Segundo Takekoshi, o potencial do animal ficou evidente durante os primeiros meses de convivência.
— Ele é muito inteligente, cheio de energia e aprende rapidamente. Achei que poderia ser adequado para o trabalho policial — afirmou a treinadora. — Não é comum um cão ser aprovado na primeira tentativa e ainda tão jovem.
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A polícia de Hyuga também defendeu a escolha do pomerânia para a função. Segundo um dos responsáveis pela corporação, o tamanho reduzido pode até representar uma vantagem em determinados cenários.
— Ele passou no teste, então não há motivo para preocupação. Confiamos nele. Em áreas urbanas, cães grandes podem intimidar moradores, enquanto um cão pequeno não causa esse receio — declarou o vice-chefe da delegacia.
Haku ainda aguarda sua primeira missão oficial, mas já está apto a participar de buscas por pessoas desaparecidas, localização de objetos e outras investigações. Para sua treinadora, a história do cão é uma demonstração de que talento e capacidade nem sempre seguem os padrões esperados.
— Não se trata de raça ou tamanho. Cada cão tem características próprias. Haku ainda tem muito potencial para crescer e ganhar experiência em campo — disse Takekoshi.
O Congresso dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira um projeto de lei de US$ 70 bilhões (cerca de R$ 362 bilhões) que financia a ofensiva migratória do presidente Donald Trump durante o restante de seu mandato. A medida, aprovada nesta terça-feira pela Câmara dos Representantes e na semana passada pelo Senado, segue agora para o gabinete de Trump para sua promulgação.
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Para o presidente republicano, ela representa uma vitória em um de seus temas políticos mais emblemáticos. O projeto prevê cerca de US$ 38 bilhões (R$ 196 bilhões) para o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), aproximadamente US$ 26 bilhões (R$ 134 bilhões) para a Patrulha de Fronteira (CBP) e quase US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões) adicionais para custos imprevistos.
Esses recursos somam-se aos quase US$ 140 bilhões (R$ 724 bilhões) já aprovados no ano passado pelo Congresso, de maioria republicana, destinados ao combate à imigração. O governo de Donald Trump enfrenta a pressão dos defensores de uma linha mais dura contra a imigração, que lamentam que as autoridades não tenham conseguido alcançar a meta de um milhão de deportações por ano.
Tom Homan, um dos arquitetos desse programa de deportações dentro do governo, prometeu nesta terça-feira uma intensificação das operações, especialmente em Nova York, cidade que vota majoritariamente nos democratas.
“Cheque em branco”
O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, comemorou em um comunicado após a votação o fato de que “os democratas não poderão retirar o financiamento” do ICE e da CBP nos próximos anos. A aprovação ocorre após vários meses de controvérsias em torno das práticas do ICE e da CBP.
Os democratas exigiam reformas significativas nessas duas agências desde a morte, em Minneapolis, em janeiro, de Renee Good e Alex Pretti, dois americanos mortos por agentes federais à margem de manifestações contra as operações do ICE naquela cidade do norte dos Estados Unidos.
“Consideramos que o dinheiro dos contribuintes deveria ser usado para tornar a vida mais acessível para os americanos, e não para dar um novo cheque em branco de US$ 70 bilhões ao ICE”, afirmou na segunda-feira o líder da minoria democrata na Câmara, Hakeem Jeffries.
Em fevereiro, a oposição dos parlamentares democratas levou o Departamento de Segurança Interna a uma paralisação orçamentária recorde de mais de 70 dias.
O que ficou de fora
Os democratas pediam mais restrições à forma de atuação do ICE, em particular o uso sistemático de câmeras corporais por seus agentes. O texto aprovado nesta terça-feira acabou não incluindo essas reformas solicitadas pela oposição. Várias medidas defendidas por Trump também não constam do projeto de lei, em especial os US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) para a construção de um salão de baile na Casa Branca, projeto fortemente desejado pelo presidente republicano.
Também ficou de fora o fundo de quase US$ 1,8 bilhão (R$ 9,3 bilhões) contra a suposta “politização da Justiça”, destinado, segundo o governo, a indenizar pessoas apresentadas como vítimas do sistema judicial.
A oposição democrata denunciou a proposta como uma “caixa-preta” que poderia beneficiar, em particular, apoiadores de Trump que invadiram o Capitólio em Washington no dia 6 de janeiro de 2021. Vários parlamentares republicanos também haviam manifestado oposição a essa iniciativa.
O governo dos Estados Unidos espera concluir, até o fim de 2027, o muro na fronteira com o México, uma das promessas de campanha de Donald Trump, declarou nesta terça-feira o diretor da agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês), Rodney Scott. Essa muralha de vigas de metal reforçado, que se estenderá de San Diego até o Golfo do México, exceto em alguns trechos, será complementada por medidas de vigilância eletrônica e outros dispositivos, que poderão estar instalados por volta de meados de 2028, acrescentou o responsável em um evento organizado pelo Centro de Estudos sobre Imigração (CIS).
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Devido ao amplo aparato policial contra a imigração ilegal, que provocou graves incidentes em cidades como Los Angeles e Minneapolis, a oposição democrata conseguiu paralisar durante meses as operações de órgãos como a polícia de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) e a Patrulha de Fronteira. Mas esses protestos não alteraram o cronograma das obras na fronteira, explicou Scott no evento.
“A barreira fronteiriça básica estará pronta por volta do fim de 2027, em toda parte”, garantiu. “Os únicos lugares onde não estamos erguendo a muralha são aqueles em que decidimos conscientemente que não precisamos dela”, explicou, citando como exemplo parques naturais muito acidentados e isolados, em estados como o Novo México.
“Estamos construindo cerca de seis milhas [quase 10 km] por dia, já construímos aproximadamente 110 milhas [cerca de 177 km] desde o começo do governo”, enumerou. “Estamos adiantados em relação ao cronograma e abaixo do orçamento.”
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Toda a parte do rio Grande (rio Bravo, no México), com mais de 2.000 km de extensão entre os dois países, contará com suas próprias barreiras físicas. O objetivo do muro, que alguns observadores inicialmente consideravam um sucesso limitado, é impedir não apenas a passagem de pessoas em situação irregular, mas também de narcóticos. Em ambos os casos, indicadores oficiais mostram uma queda significativa no contrabando.
A Patrulha de Fronteira não libera nenhum imigrante em situação irregular dentro do país há um ano, afirmou recentemente o presidente Trump. Mas o aumento das barreiras físicas acarreta outros perigos, como túneis e drones, reconheceu Scott.
“Estamos vendo drones que voam ao longo do rio Grande, monitorando e gravando nosso pessoal”, explicou. E os cartéis “também estão introduzindo drogas com drones”, disse.
Líderes norte-coreanos e chineses aprovaram um “plano abrangente” para as relações bilaterais durante a visita de Xi Jinping a Pyongyang, informou a imprensa estatal norte-coreana nesta quarta-feira. O presidente chinês visitou a Coreia nesta segunda-feira, após receber em Pequim vários líderes mundiais, entre eles os presidentes de Estados Unidos e Rússia.
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“O camarada Kim Jong-Un e o camarada Xi Jinping expressaram sua satisfação e profunda emoção por terem proporcionado um plano abrangente para o desenvolvimento das relações”, informou a agência de notícias norte-coreana KCNA. Durante a visita de dois dias, “os países aprofundaram ainda mais sua amizade revolucionária e relação estreita de camaradagem”, acrescentou a agência.
Xi e Kim percorreram a Escola Central de Formação de Quadros do Partido dos Trabalhadores, onde discutiram a formação de funcionários e plantaram uma árvore comemorativa. Também visitaram o monumento da Torre da Amizade, que homenageia os soldados chineses que lutaram na Guerra da Coreia.
Kim ofereceu um almoço a Xi, antes de acompanhar o líder chinês até o aeroporto. Após a viagem, Xi enviou uma carta de agradecimento a Kim, em que destacou que os dois tiveram “uma troca profunda de opiniões sobre temas de interesse mútuo e chegaram a uma série de acordos comuns importantes”, segundo a KCNA.
Segundo Xi, as conversas “mostraram a firme determinação de ambas as partes em fortalecer a amizade tradicional, promover o desenvolvimento e a prosperidade e defender a paz e estabilidade na região e no restante do mundo”, acrescentou a agência.
Em junho de 1926, um homem idoso foi atropelado por um bonde ao atravessar uma rua de Barcelona — e, vestido com roupas consideradas “desalinhadas”, morreu dias depois em um hospital para indigentes. Era, no entanto, Antoni Gaudí, o arquiteto que havia dedicado os últimos doze anos de vida exclusivamente a uma obra: a Sagrada Família. Exatos 100 anos depois de sua morte, nesta quarta-feira, o Papa Leão XIV celebra uma missa na basílica e abençoa a Torre de Jesus Cristo, estrutura que transformou o templo na igreja mais alta do mundo. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Logo após a derrubada de um helicóptero americano pelo Irã na região do Estreito de Ormuz — que levou a um ataque de retaliação ordenado por Donald Trump —, os militares dos EUA revelaram que o resgate foi feito por um drone naval, uma operação (ao menos ao público) inédita e que dá pistas sobre os planos do país para a guerra do futuro.
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De acordo com a empresa Saronic Technologies, o Corsair, drone usado na operação desta terça-feira, tem 7 metros de comprimento, é capaz de levar cerca de meia tonelada de carga, autonomia de 1,8 mil km e velocidade máxima de 64 km/h. Não foram divulgados detalhes sobre como ele foi operado durante o resgate dos aviadores no Golfo, e não se sabe quantos estão em operação.
“O Corsair pode receber uma missão, sozinho ou como parte de um enxame colaborativo, e executá-la com mínima interação humana para deter ou neutralizar ameaças adversárias em um alcance de 1.000 milhas náuticas”, disse a Saronic em um comunicado à imprensa. “Empregando comunicações redundantes e capacidades de percepção passiva, o Corsair pode identificar, rastrear, seguir e interceptar alvos de forma autônoma em ambientes contestados e com comunicação negada.”
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No final do ano passado, a Marinha anunciou um contrato de US$ 392 milhões para a produção do modelo. Após uma bem-sucedida rodada de financiamento, finalizada em março, a Saronic anunciou que seu valor de mercado chegou a US$ 9,25 bilhões, e que poderia ampliar sua capacidade de produção para milhares de unidades por ano.
Em uma apresentação do Corsair, em 2024, o presidente da Saronic, Tim Mavrookas, disse ao portal Axios que “no fim das contas, a mudança no campo de batalha marítimo depende da escala”, e que “tudo o que fazemos é pensando: ‘Podemos chegar a milhares [de unidades]?'”. Mavrookas é eterano da Marinha e ex-integrante do SEAL Team Six, uma das unidades mais especializadas das Forças Armadas dos EUA. A empresa espera disponibilizar ao menos três novas embarcações não tripuladas — a maior delas, o Marauder, tem 45 metros de comprimento e autonomia de até 10 mil km.
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Ao mesmo tempo em que países como Irã, Ucrânia, Rússia e China ostentam sua indústria de drones como orgulho nacional, os EUA — país pioneiro no uso de equipamentos não tripulados em ambientes de guerra — os trata com ares de sigilo.
Uma das iniciativas do Pentágono para tentar diminuir a distância em relação a outros países no campo dos drones foi anunciada em 2021. Baseada no Bahrein, a Força Tarefa 59 recebeu a missão de operar equipamentos existentes, desenhar modelos e formatos de uso na região do Golfo Pérsico e explorar novos conceitos de operações navais e aéreas.
Na ocasião, o hoje chefe do Comando Central dos EUA, Brad Cooper, disse à agência Associated Press que os drones navais eram prioridade da Força Tarefa 59. Os equipamentos hoje são usados em missões para encontrar minas navais, vigilância e monitorar potenciais ameaças. Alguns já foram adaptados para funções de combate.
— Queremos instalar mais sistemas no domínio marítimo, acima, na superfície e abaixo do mar — afirmou Cooper. — Queremos mais pessoas observando o que está acontecendo lá fora.
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A primeira vez que o Pentágono confirmou o emprego de drones navais em um conflito foi em março, através da agência Reuters, durante operações de patrulha. Essa ação, assim como o resgate desta terça-feira, foram coordenados pela Força Tarefa 59.
“As forças americanas continuam a empregar sistemas não tripulados na região do Oriente Médio, incluindo drones de superfície como o GARC. Esta plataforma, em particular, registrou com sucesso mais de 450 horas de operação e mais de 2.200 milhas náuticas durante patrulhas marítimas em apoio à Operação Fúria Épica”, disse Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, em comunicado à Reuters em março.
Citado por Hawkins, o GARC, sigla em inglês para Embarcação de Reconhecimento Autônoma Global, é um drone naval que enfrentou uma série de problemas na fase de testes e operação, e é tratado pelo Pentágono como um equipamento em desenvolvimento.
Poucas vezes uma seleção em uma Copa do Mundo acumulou tantas polêmicas antes mesmo do apito inicial como a do Irã no Mundial que começa nesta quinta-feira. Além da guerra contra um dos anfitriões, os EUA, houve ameaças aos atletas, ingressos revogados, problemas com os vistos, regras migratórias restritivas e o veto a um antigo símbolo nacional, hoje associado à oposição no exílio: a bandeira tricolor que tem no centro um leão e um sol, abandonada após a Revolução Islâmica de 1979.
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Na última Copa, no Catar em 2022, torcedores que tentavam entrar nos estádios com essa bandeira foram abordados por seguranças e não raro obrigados a abandoná-las. Em maio, a Fifa decidiu que a regra seria repetida em 2026, invocando seu Código de Conduta à torcida. Ali, a federação afirma que estarão proibidos materiais “que sejam de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória”.
Oficialmente, a Fifa não classificou a bandeira pré-revolucionária como item político, mas nas entrelinhas disse exatamente isso. No mesmo encontro de maio, foi decidido que a bandeira da Palestina — alvo de recentes entreveros no futebol europeu — estava liberada, já que representa um membro da entidade.
“A bandeira do Leão e do Sol é um símbolo de paz abraçado por milhões de iranianos que acreditam na liberdade, na democracia e no direito de expressar sua identidade sem medo ou censura”, disse, em comunicado, o Instituto para as Vozes da Liberdade, uma organização de oposição ao regime em Teerã, e que entrou com uma ação na Justiça dos EUA para garantir o direito de levar as bandeiras aos jogos.
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Reprodução/Twitter
Para o Instituto, o veto é resultado da pressão do governo iraniano sobre a Fifa: em maio, quando a federação iraniana ameaçou se retirar do torneio devido à guerra contra EUA e Israel, uma das condições para participar era o “respeito à bandeira iraniana”.
“A liberdade de expressão é protegida nos Estados Unidos — e nenhuma organização deve silenciar uma voz enquanto favorece outra. Estamos preparados para buscar todos os recursos legais necessários para defender esse direito e garantir que a liberdade de expressão seja respeitada durante a Copa do Mundo”, acrescentou.
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Embora as cores da bandeira — verde, branco e vermelho — e as faixas horizontais sigam um padrão similar desde o início do Século XX, o que está no centro dela é a causa da discórdia. Até 1979, a bandeira trazia o leão e o sol, um símbolo originado na Pérsia Antiga e com milhares de anos de história. Após a instauração da República Islâmica, em fevereiro de 1979, o leão e o sol permaneceram temporariamente (mas sem uma coroa que representava o regime comandado pela dinastia Pahlevi). Em 1980, foi adotado o modelo atual, com o novo brasão da República e o takbir islâmico (“Allah é Grande”) escrito 22 vezes nas faixas.
Saman Ghodos, meia do Irã após partida contra o Uzbequistão em Teerã
AFP
É essa a bandeira usada em competições oficiais há quase 50 anos, e é a única reconhecida pela Fifa. Mas para a diáspora iraniana — são mais de 750 mil nos EUA —, ela é o símbolo de um regime que reprime sua população, mata seus dissidentes e que, hoje, não os representa. Por isso, a antiga bandeira dos tempos de Reza Pahlevi predomina nos atos contra a República Islâmica no exterior, e foi vista nos protestos de janeiro, quando dezenas de milhares de pessoas foram mortas.
— Meu primo foi assassinado e minha mãe foi presa. Não há paz entre mim e este regime — disse à rede BBC Roozbeh Farahanipour, empresário, ativista e que deixou o Irã no ano 2000, durante um protesto pela liberação da bandeira pré-revolucionária em Los Angeles.
Esse não é o único dilema da diáspora. Muitos veem o “Team Melli” (“Seleção Nacional”, em persa) como mais uma ferramenta de promoção do regime, e torcer pelo próprio país se torna uma escolha, acima de tudo, política.
— Não é fácil para nós protestar contra o nosso povo, são os nossos filhos. Mas eles se aliaram à República Islâmica — diz Tannaz Parsi, uma das manifestantes no ato contra a Fifa em Los Angeles, à BBC.
Para outros, é necessário separar o futebol do regime.
—Existe essa narrativa de que, ah, não é a seleção iraniana; é a seleção da República Islâmica — afirmou Niki Akhavan, professora da Universidade Católica dos EUA, em Washington, à rádio pública NPR. — Meu argumento é que você não pode ceder ao Estado e dizer: “OK, bem, sabe, é o seu time”. Não, é uma seleção nacional, e é por isso que você quer apoiar essa seleção.
Iranianos nos EUA fazem protesto diante do estádio onde a seleção iraniana fará sua estreia na Copa do Mundo, em Los Angeles
Sarah LAI / AFP
Das três partidas do Irã na primeira fase, duas acontecerão em Los Angeles, cidade que tem a maior quantidade de iranianos nos EUA, cerca de 250 mil, e que foi apelidada de “Tehrangeles”. Nesta segunda-feira, a federação do país disse que sua cota de ingressos foi revogada, sem explicação, e afirmou que a decisão levanta questões “sobre a interferência de considerações políticas e não esportivas na organização do maior evento de futebol do mundo”. Pelas regras, cada federação tem direito a 8% dos ingressos de cada partida, e tem o poder de decidir como distribuí-los. A Fifa não se pronunciou.
“Negar aos torcedores iranianos o acesso à sua cota legal e oficial de ingressos é uma ação contrária ao espírito que rege as competições internacionais e ao princípio da igualdade entre os países participantes”, afirmou a federação iraniana.
O impasse sobre os ingressos se junta à longa lista de problemas pré-Copa do Irã, que se vê na rara situação de participar do Mundial ao mesmo tempo em que trava uma guerra contra os EUA. As autoridades em Teerã chegaram a questionar a presença da equipe, e o processo de concessão de vistos foi árduo e cheio de entraves. Na última hora, a equipe transferiu sua base para o México, alegando questões de segurança, e será obrigada a deixar os EUA logo após o final das partidas por ordem das autoridades migratórias.
Em novembro de 2024, o professor Todd Humphreys, chefe do Laboratório de Radionavegação da Universidade do Texas, recebeu uma dica anônima que alterou o curso de uma investigação que já durava cinco anos. Através do monitoramento de sinais de navegação por satélite coletados desde 2019, o cientista consegue demonstrar que satélites russos são responsáveis por interferências não regulares e precisas sobre receptores de GPS espalhados pela Europa, Groenlândia e Canadá.
O resultado do trabalho inédito foi publicado recentemente no estudo “Chasing lightning” (“À caça do relâmpago”, em tradução livre), ainda em fase de revisão científica. As interferências, ele explica, funcionam na prática como uma queda abrupta no sinal de GPS, como se algo, em algum lugar do espaço, estivesse “afogando” a transmissão.
— Estou convicto de que é jamming deliberado da Rússia — afirmou Humphreys ao GLOBO.
Para dimensionar a gravidade da descoberta, é preciso levar em conta que os sinais de navegação por satélite (GPS americano, Galileo europeu e BeiDou chinês) chegam à Terra extremamente fracos, na ordem de um décimo de quadrilhão de watts. Basta emitir ruído na mesma faixa de frequência para “engolir” o sinal legítimo. Isso é o que os especialistas chamam de jamming.
Estação de satélites construída pelos EUA na Guerra Fria, conhecida como ‘Mickey Mouse’, em colina perto de Kangerlussuaq, no oeste da Groenlândia, em junho de 2025
Ivor Prickett/The New York Times
O que torna o caso russo tão singular não é o jamming em si, já que a técnica é conhecida e amplamente usada em zonas de conflito, como, por exemplo, na Ucrânia, mas, sim, a origem espacial da interferência e sua escala continental.
A curvatura da Terra impede que qualquer transmissor em solo cubra simultaneamente regiões da Polônia, da Espanha e do Canadá, como visto nas análises. Ou seja, Humphreys descobriu que a fonte precisava estar a pelo menos 1.200 quilômetros de altitude.
— Fazer jamming de GPS do espaço exige muita potência. Com o uso dual do GPS (civil e militar), a estratégia é realmente atrapalhar. Não é à toa que os Estados Unidos têm feito licitações para novos sistemas de GPS, mais robustos, para evitar esse problema — afirmou ao GLOBO Pedro Palotta, especialista em astronáutica do canal Space Orbit.
Os pesquisadores identificaram o Cosmos 2546 por meio de uma técnica que mede a diferença de tempo de chegada do sinal de interferência em duas estações — uma em Amsterdã e outra em Trondheim, na Noruega. A diferença, medida em microssegundos, definiu uma superfície geométrica no espaço onde a fonte deveria estar. Ao comparar com o catálogo de satélites conhecidos, apenas um se encaixava: o Cosmos 2546, com margem de erro de apenas 200 metros. O satélite integra uma constelação de seis unidades em órbitas elípticas e altas que compõem o sistema de detecção de mísseis balísticos da Rússia.
Sinal de teste ou arma pronta?
O padrão temporal das interferências foi o que convenceu os pesquisadores a descartar possível falha técnica. Os eventos se concentram em dias úteis (de terças a quintas) e no horário comercial europeu.
— Me digam que amplificador costuma falhar durante o expediente comercial nas quartas-feiras — ironiza Humphreys.
O espectro do sinal também dá dicas sobre a intenção do país por trás dos ataques. A interferência está centrada em uma faixa dois megahertz acima da frequência central do GPS, não exatamente sobre ela. Para o cientista Lucas Fonseca, empreendedor espacial e pesquisador do setor, trata-se de uma lógica estratégica: testar a capacidade sem revelar todo o potencial destrutivo.
Satélite GPS
Freepik
Os EUA, destaca o especialista, fizeram algo semelhante no passado, quando incorporaram a degradação controlada ao próprio sinal do GPS. A prática, no entanto, foi proibida por lei desde o segundo mandato de Bill Clinton, do Partido Democrata (1997-2001).
— Se os sinais fossem calibrados para coincidir exatamente com a frequência central do GPS e transmitidos de forma contínua, o impacto sobre a aviação, a navegação marítima, os sistemas bancários e as redes elétricas provocaria uma escalada massiva em uma guerra eletrônica — alertou Humphreys.
Há ainda uma segunda frequência de interferência registrada em uma faixa usada pelo sistema de navegação por satélite chinês, o BeiDou. Os dois sinais nunca aparecem ativos ao mesmo tempo, o que sugere um sistema capaz de atingir múltiplas constelações de forma sequencial.
Por trás do sinal
Mauricio Santoro, pesquisador colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, analisa que a descoberta pode se encaixar em um quadro ainda mais amplo de preparação russa para um eventual conflito direto com países-membros da Otan.
— A Europa está em pré-guerra com a Rússia. Não há soldados atirando uns nos outros, mas um cenário de tensão, de preparação militar, de disputa por novos domínios do campo de batalha — disse Santoro. — Essa interferência, diretamente do espaço, provavelmente é um balão de ensaio, um teste para depois se ampliar em eventual conflito direto.
Santoro lembra que o GPS já foi usado como arma de precisão no Oriente Médio. Em 2024, mísseis iranianos erraram alvos depois que americanos e israelenses interferiram em seus sistemas de navegação. No ano seguinte, a eficácia dos mísseis iranianos melhorou expressivamente, hipótese associada à substituição do GPS pelo BeiDou chinês, em razão da proximidade militar entre Teerã e Pequim.
Representação visual do congestionamento de satélite na órbita da Terra
Reprodução/satellitemap.space
Após quase sete anos de investigações para encontrar a “agulha no palheiro”, a dificuldade de atribuição pode ser vista, segundo os especialistas, como um recurso estratégico em si mesmo. Sem uma prova técnica incontestável, qualquer resposta diplomática ou militar fica fragilizada. Dentro da ONU, a União Internacional de Telecomunicações é o fórum competente para tratar do tema, mas Santoro é cético quanto à velocidade das respostas institucionais.
— A maioria dos sistemas de localização foram afetados. No momento, isso é um incômodo. Mas, se os sinais de interferência fossem sintonizados para coincidir exatamente com os do GPS/Galileo/BDS, teríamos um problema significativo. É necessário confrontar a Rússia sobre essa interferência e preparar sistemas de backup que sejam totalmente independentes [para lidar com o fato] — afirma Humphreys.
As ameaças de violência contra congressistas dos Estados Unidos dispararam no Facebook depois que a Meta reverteu políticas-chave de moderação de conteúdo, no ano passado, apontou nesta terça-feira um grupo de monitoramento. O relatório do Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH, sigla em inglês) analisou quase 8 milhões de comentários no Facebook direcionados a 100 membros do Congresso nos seis meses anteriores e posteriores ao afrouxamento das medidas de proteção por parte da Meta, algo apresentado como uma tentativa de proteger a liberdade de expressão.
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As ameaças contra os congressistas, inclusive de morte, quadruplicaram. O assédio mais que dobrou, enquanto as agressões racistas e de gênero aumentaram, segundo o relatório. O CCDH também revelou que os comentários que incitam à violência contra o presidente Donald Trump dispararam após as mudanças de política, incluindo um que afirma que ele “merece uma bala na cabeça”.
“Quando as plataformas deixam de aplicar suas próprias normas contra ameaças, ódio e assédio, tornam-se cúmplices da normalização da intimidação e do assédio a autoridades eleitas”, afirmou Imran Ahmed, diretor-executivo do CCDH.
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Em comunicado, um porta-voz da Meta disse que a empresa publica regularmente relatórios que rastreiam o “conteúdo que infringe as normas” em suas plataformas, e que “a incidência de condutas de ódio não aumentou ao longo de 2025”.
A AFP mostrou o relatório do CCDH à gigante do setor de tecnologia, mas o porta-voz se recusou a comentar suas conclusões, “porque ele não foi fornecido [à empresa] antes da publicação”. Nos últimos anos, tanto políticos quanto funcionários eleitorais dos Estados Unidos têm denunciado um aumento de ameaças, intimidação e assédio.
A Meta dispensou verificadores de fatos americanos em janeiro de 2025 e deixou a tarefa de desmentir informações falsas a cargo dos usuários, um modelo conhecido como “notas da comunidade”. A decisão foi vista como uma tentativa de agradar ao governo Trump, cuja base de apoio reclama que a checagem de fatos restringe a liberdade de expressão e censura conteúdo de direita.
Vários países ocidentais, incluindo Reino Unido e França anunciaram nesta terça-feira novas sanções contra colonos e organizações israelenses ligados à violência e à expansão ilegal dos assentamentos na Cisjordânia ocupada, medidas classificadas como “vergonhosas” por Israel.
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— Agimos de forma coordenada para impor sanções e outras medidas a fim de que os colonos extremistas prestem contas pela terrível violência que cometem contra civis palestinos — afirmam Austrália, Canadá, França, Noruega e o Reino Unido em um comunicado conjunto.
— Há tempo demais, os colonos atuam quase com total impunidade, enquanto a expansão dos assentamentos e a criação de postos avançados continuam com o apoio e a ajuda do governo israelense — acrescentam.
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Estes países pedem a Israel que aja “rapidamente” para garantir que “os autores da violência na Cisjordânia prestem realmente contas” e não descartam “novas medidas”.
O governo israelense denunciou imediatamente “medidas vergonhosas”, tomadas em uma “tentativa de impor uma posição política sobre o direito dos judeus de se instalar na terra de Israel e sobre o conflito israelense-palestino”, reagiu o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein.
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As medidas variam de um país para outro. Londres anunciou sanções contra “seis entidades e uma pessoa envolvidas no financiamento, facilitação e perpetração de atos de violência de colonos na Cisjordânia ocupada”.
As sanções canadenses contemplam “duas pessoas e cinco entidades”, enquanto a França, além de sancionar “quatro responsáveis por organizações de colonos e 21 colonos violentos”, proibiu a entrada do ministro de Finanças israelense, Bezalel Smotrich, em seu território.
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No fim de maio, adotou uma medida semelhante contra o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, outra figura da extrema direita.
Apesar dos protestos de vários países, Israel, que ocupa a Cisjordânia desde 1967, não tomou nenhuma medida concreta para conter a violência.

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