Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Parlamentares dos Estados Unidos acusaram o Departamento de Justiça (DOJ, na sigla em inglês) de ter editado indevidamente informações em documentos relacionados ao financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Segundo informações divulgadas pela BBC, os congressistas afirmam que os arquivos teriam sido censurados antes da divulgação, em desacordo com a legislação aprovada no ano passado para garantir transparência sobre o caso.
Milhões de documentos revelados: o que se sabe sobre o caso Epstein, escândalo que causou crise política e atingiu elites na Europa e nos EUA?
Caso Epstein: vídeo inédito de arquivos mostra momento em que agentes encontram criminoso sexual morto na prisão
Desde segunda-feira, membros do Congresso passaram a ter acesso às versões sem cortes de cerca de três milhões de páginas de documentos divulgados com base na Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (EFTA, na sigla em inglês), em vigor desde dezembro. A norma determina a liberação dos registros, com preservação da identidade das vítimas.
O deputado democrata Ro Khanna, um dos autores da lei, afirmou que os documentos analisados ainda apresentam ocultações indevidas. Segundo ele, os cortes teriam sido feitos pelo FBI em março, antes de os arquivos serem enviados ao Departamento de Justiça.
A controvérsia ganhou força após advogados que representam vítimas de Epstein alertarem que um novo lote de documentos continha endereços de e-mail e imagens de nudez que poderiam permitir a identificação de sobreviventes. Em nota, as vítimas classificaram a divulgação como “ultrajante” e disseram que não deveriam ser expostas ou retraumatizadas.
Initial plugin text
De acordo com a BBC, o Departamento de Justiça informou que retirou do ar os arquivos apontados e atribuiu os erros a “falhas técnicas ou humanas”. Após as críticas, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou, na rede social X, que ao menos um documento teve as tarjas revertidas e que o órgão está “comprometido com a transparência”.
Khanna e o deputado republicano Thomas Massie, também coautor da EFTA, disseram que, ao analisar os documentos sem cortes, encontraram uma lista com cerca de 20 nomes em que apenas Jeffrey Epstein e sua associada condenada por tráfico sexual, Ghislaine Maxwell, apareciam sem censura. Segundo Massie, ao menos seis dos nomes ocultados poderiam pertencer a pessoas potencialmente implicadas nos crimes.
Após as reclamações, Blanche afirmou que o Departamento de Justiça retirou as tarjas de todos os nomes que não pertencem a vítimas em um dos documentos citados, mantendo apenas duas ocultações. Ele também negou que outros arquivos apontados pelos parlamentares escondam informações relevantes.
Análise de documentos não editados: arquivos de Epstein revelam vítima de 9 anos e reacendem acusações de acobertamento nos EUA
Khanna, no entanto, afirmou que as medidas adotadas após a divulgação não atendem plenamente às exigências da lei, aprovada quase por unanimidade no Congresso e sancionada pelo presidente Donald Trump em novembro. Segundo o deputado, os documentos recebidos pelo DOJ já estavam censurados pelo FBI, o que violaria o texto legal.
“O FBI de Trump ‘limpou’ esses arquivos em março”, escreveu Khanna nas redes sociais.
Massie afirmou que o episódio indica falhas no manuseio dos arquivos pelo Departamento de Justiça. De acordo com ele, formulários do FBI chegaram ao órgão já com cortes, apesar de a lei determinar que as informações não protegidas sejam liberadas antes do envio.
Pronunciamento: Charles III se diz pronto para colaborar com a polícia em investigação sobre ligações entre ex-príncipe Andrew e Epstein
O debate também envolve o acesso dos parlamentares aos documentos. O deputado democrata Jamie Raskin criticou as condições impostas pelo DOJ, afirmando que os congressistas têm à disposição apenas quatro computadores, em um escritório separado, para consultar mais de três milhões de páginas sem cortes. Segundo ele, nesse ritmo, a análise completa levaria anos.
Quem aparece nos arquivos?
Segundo a BBC, entre os cortes apontados por Massie, estava um documento que aparenta mostrar uma troca de e-mails entre Epstein e uma pessoa não identificada, discutindo um “vídeo de tortura” e viagens entre a China e os Estados Unidos. O deputado republicano afirmou que a mensagem parecia ter sido enviada por um sultão e exigiu que a identidade oculta fosse revelada.
Blanche respondeu a Massie no X, dizendo que o trecho coberto se trata de um endereço de e-mail.
“A lei exige a ocultação de informações pessoais identificáveis, inclusive quando se trata de um endereço de e-mail. E você sabe que o nome do sultão aparece sem cortes em outros documentos”, afirmou.
Cúmplice de Epstein: Ghislaine Maxwell fica em silêncio em depoimento e advogado diz que ela pode depor se receber indulto de Trump
Massie também reclamou que o nome de um “CEO aposentado bastante conhecido” estava ausente da versão pública de um documento do FBI que lista possíveis cúmplices de Epstein.
Poucas horas depois, Blanche disse que esse nome já aparece em outras partes dos arquivos e também foi revelado, reafirmando que o “Departamento de Justiça não está escondendo nada”.
A deputada republicana Lauren Boebert, que também teve acesso aos arquivos, afirmou acreditar que há pessoas “claramente implicadas” nos documentos.
O Departamento de Justiça sustenta que está cumprindo a lei e nega qualquer tentativa de acobertamento. A discussão agora deve se concentrar na extensão das tarjas aplicadas e na interpretação do que pode ou não ser divulgado sem violar a proteção às vítimas.
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, admitiu nesta terça-feira ter visitado a ilha do financista Jeffrey Epstein, que mesmo morto há quase sete anos provoca um furacão político, mas negou manter vínculos com o homem acusado de comandar uma rede de tráfico humano e abuso de menores. Ao mesmo tempo em que nomes da elite política e econômica tentam se desvencilhar dos laços passados com Epstein, a oposição democrata questiona os critérios do Departamento de Justiça para omitir (ou manter) nomes dos documentos divulgados.
Caso Epstein: Vídeo inédito de arquivos mostra momento em que agentes encontram criminoso sexual morto na prisão
Condenada a 20 anos de prisão: Cúmplice de Epstein fica em silêncio em depoimento e advogado diz que ela pode depor se receber indulto de Trump
Em audiência no Senado, Lutnick afirmou que “desses milhões e milhões de documentos, talvez haja 10 e-mails que me liguem a ele ao longo de um período de 14 anos”, completando que “não tinha nenhum relacionamento” com Epstein, e que “mal teve contato” com ele. Contudo, reconheceu ter visitado a ilha do financista no Caribe — onde, de acordo com relatos das vítimas, ocorreram abusos em série — acompanhado de sua família e amigos, por volta de 2012.
— E nós almoçamos na ilha, isso é verdade, por uma hora. E saímos de lá com todos os meus filhos, minhas babás e minha esposa, todos juntos. Estávamos de férias em família — disse Lutnick. — Não me lembro a razão pela qual fizemos isso.
Caso Epstein: Bill e Hillary Clinton solicitam depoimento público no Congresso dos EUA
Embora uma parcela da elite política, econômica e cultural dos EUA apareça nos arquivos de Epstein, disponibilizados pelo Departamento de Justiça, e que isso não configure necessariamente uma ligação com os crimes do financista, as contradições de Lutnick saltam aos olhos.
No ano passado, em entrevista ao New York Post, Lutnick disse que ele e Epstein foram vizinhos no começo do século, e que por volta de 2005, ouviu comentários inapropriados do financista durante uma visita, e que decidiu cortar laços imediatamente.
— Minha esposa e eu decidimos que eu nunca mais estaria no mesmo ambiente que aquela pessoa repugnante. Então, nunca mais estive no mesmo ambiente que ele, seja socialmente, a negócios ou mesmo em eventos filantrópicos. Aquele cara estava lá, e eu não ia porque ele é nojento — disse Lutnick ao Post, em outubro passado.
Em 2016: Jeffrey Epstein negociou compra de agência de modelos brasileira para ‘ter acesso a garotas’
Durante a sessão na Subcomissão de Apropriações do Senado, as inconsistências foram expostas. O democrata Jeff Merkley apontou, citando os documentos do Departamento de Justiça, ao menos oito contatos entre Lutnick e Epstein depois de 2005. Entre eles, um convite para um evento de arrecadação de fundos para a campanha de Hillary Clinton à Presidência e um pedido de coordenadas navais para a ilha de Epstein nas Ilhas Virgens Americanas.
— A questão não é que você tenha cometido qualquer delito em relação a Jeffrey Epstein, mas sim que você tenha deturpado completamente a extensão do seu relacionamento com ele perante o Congresso, o povo americano e as vítimas de seus atos criminosos e predatórios desprezíveis — afirmou o senador democrata Chris Van Hollen.
Initial plugin text
Pressionado, Lutnick disse que “nos 14 anos seguintes, encontrei-o mais duas vezes” em períodos espaçados, incluindo depois de 2008, quando Epstein já havia se declarado culpado em processo por prostituição de uma menor de idade. O financista morreu em 2019, em uma prisão de Nova York, antes de ser julgado pelas acusações de comandar uma rede de tráfico humano e abuso de menores.
Apesar de alguma resistência dos republicanos, o líder da maioria governista no Senado, John Thune, não soou disposto a proteger Lutnick.
— A transparência é algo a que todos devemos aspirar aqui, e se houver pessoas que forem citadas ou mencionadas de alguma forma, elas terão que responder por isso — disse a repórteres, citado pelo portal Politico.
Caso Epstein: Após renúncia, embaixadora da Noruega passa a ser investigada por ‘corrupção’ ligada a contatos com o financista
A admissão de que ele esteve com Epstein em 2012 no Caribe, aliada a episódios como um suposto jantar com o financista e o cineasta Woody Allen em 2011, tornaram a situação de Lutnick ainda mais complicada (Lutnick nega ter se sentado com Allen e Epstein). O secretário de Comércio é um dos membros mais leais do Gabinete de Donald Trump, e está à frente do tarifaço global do republicano. Para os democratas, o tempo dele chegou ao fim.
“Durante meses, ele alegou não ter passado ‘nenhum tempo’ com Epstein. Agora, nos Arquivos Epstein, descobrimos que os dois eram sócios em negócios anos depois da primeira condenação de Epstein, com Lutnick inclusive planejando visitar a ilha particular de Epstein”, afirmou, em comunicado, o senador Adam Schiff. “Lutnick não tem o direito de ser nosso secretário de Comércio e deveria renunciar imediatamente.”
Na semana passada, o Departamento de Comércio afirmou, em declarações à rede CNN, que “Lutnick teve interações limitadas com o sr. Epstein na presença de sua esposa e nunca foi acusado de qualquer irregularidade”. A Casa Branca não se pronunciou sobre a continuidade dele no cargo.
Promessa de campanha de Donald Trump, a divulgação dos milhões de documentos do processo contra o financista se tornaram uma das maiores dores de cabeça para o republicano. Sem a suposta lista de clientes recheada de rivais democratas, os e-mails, fotos e mensagens jogaram luz sobre as relações de Epstein com a elite global, incluindo o próprio Trump, cujo nome aparece algumas milhares de vezes.
No Reino Unido, as baixas já começaram, e incluíram o chefe de Gabinete do premier Keir Starmer, que enfrenta pedidos de renúncia. As menções ao ex-príncipe Andrew preocupam a família real britânica, e a realeza da Noruega tenta conter os estragos causados pela revelação dos laços entre Epstein e a princesa herdeira Mette-Marit . Nos EUA, o temor é de que o caso seja mais um golpe nas pretensões de Trump para manter a maioria no Congresso nas eleições de novembro.
Vivi para contar: ‘Quero que todos os homens mencionados nos arquivos de Epstein sejam levados à Justiça’, diz brasileira que sobreviveu aos abusos
O Departamento de Justiça, responsável pela divulgação dos documentos, também está sob ataque pela falta de clareza nos critérios para omitir (ou não) nomes citados no processo. Advogados das vítimas apontam que os nomes de ao menos 47 delas não foram apagados — ao contrário do que determina a lei aprovada pelo Congresso para derrubar o sigilo — e parlamentares dizem que pessoas “provavelmente incriminadas por sua inclusão nesses arquivos” tiveram a identidade preservada.
“O FBI de Trump apagou esses arquivos em março. Os documentos que o Departamento de Justiça recebeu continham as partes ocultadas que o FBI havia feito na época. Eles precisam revelar as partes omitidas nos arquivos do FBI para que saibamos quem são os homens ricos e poderosos que estupraram meninas menores de idade”, escreveu, em suas redes sociais, o deputado democrata Ro Khanna.
Todd Blanche, número dois no departamento, disse que “está comprometido com a transparência”, e que as autoridades “não têm nada a esconder”.
O Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL, na sigla em inglês) dos Estados Unidos celebrou (por meio de um post em suas redes sociais) uma ação, em conjunto com as forças de segurança colombianas, que resultou na apreensão de um narcossubmarino que transportava dez toneladas de cocaína — avaliadas em US$ 441 milhões — e na prisão de quatro narcotraficantes.
Vídeo: Espanha intercepta barco pesqueiro brasileiro com 1,5 tonelada de cocaína, nas Ilhas Canárias
Colômbia: narcossubmarino é apreendido com R$ 172,8 milhões em cocaína
“Parcerias sólidas geram resultados expressivos”, publicou a entidade, usando, no entanto, a imagem de uma embarcação semissubmersível interceptada ao largo do arquipélago de Açores, em Portugal, no final de janeiro.
Por conta do erro, a publicação no X está recebendo uma correção da plataforma, explicando que “a embarcação foi apreendida pelas autoridades portuguesas […] em janeiro”, que “as fotografias foram captadas pela Força Aérea Portuguesa” e que “agentes portugueses podem ser vistos noutras imagens”.
A correção feita no X ainda aponta publicações da época da ação liderada por Portugal, feitas por veículos como os britânicos The Guardian e BBC e o português Jornal de Notícias que chancelam a correção.
Initial plugin text
Na ocasião, a operação liderada por Portugal foi realizada em condições meteorológicas adversas e o navio afundou com 35 dos 300 fardos de droga que transportava, informou a polícia. A bordo do submarino, que partiu da América Latina, havia três colombianos e um venezuelano.
“Esta é a maior apreensão de cocaína já realizada em Portugal”, declarou, na ocasião, uma porta-voz da polícia judiciária.
O filho da princesa herdeira Mette-Marit da Noruega negou, nesta terça-feira (10), que a suposta vítima do segundo de quatro estupros, dos quais é acusado, estivesse dormindo no momento dos fatos, descritos por ela como “o pior pesadelo”. Nascido de uma relação anterior ao casamento de sua mãe com o príncipe herdeiro Haakon, Marius Borg Høiby é julgado desde a semana passada por 38 acusações, incluindo quatro estupros e agressões contra ex-parceiras.
‘Pelo menos que eu saiba’: Em julgamento por estupro, filho da princesa da Noruega nega ter drogado suposta vítima
Marius Borg Høiby: Filho da princesa da Noruega admite ter traficado drogas
O réu de 29 anos nega as acusações mais graves, em particular os supostos estupros, que poderiam resultar em uma pena de até 16 anos de prisão.
Nesta terça-feira, o tribunal de Oslo começou a examinar o segundo suposto estupro que, segundo a acusação, teria ocorrido em 8 de outubro de 2023, após uma festa em um apartamento nas ilhas Lofoten, onde Høiby e o príncipe Haakon se hospedavam para praticar surfe.
Depois de manter relações sexuais consensuais, a suposta vítima, uma jovem que ele conheceu por meio do aplicativo Tinder, afirma ter acordado enquanto Høiby iniciava novos atos sexuais, desta vez sem sua permissão.
— O pior pesadelo da minha vida — declarou, antes de afirmar que fechou os olhos “para não ter que presenciar” a própria agressão.
— Lembro de ter acordado enquanto ele estava em ação. Eu pensei: ‘Não entendo como alguém pode ter relações sexuais com uma pessoa que está dormindo’ — explicou.
Sexo, drogas e álcool: acusado de estupro, filho da princesa de Noruega reconhece uma vida de excessos
Para demonstrar que os atos aconteceram quando a jovem não estava em condições de expressar oposição, o Ministério Público apresentou um vídeo, apreendido na casa de Høiby e que ele havia gravado com seu telefone.
Segundo o promotor Sturla Henriksbø, o trecho de cinco segundos mostra a jovem dormindo no momento do crime. A suposta vítima protestou contra as imagens, gravadas, segundo ela, sem seu conhecimento.
A Promotoria também anexou ao processo os dados de seu relógio que mede batimentos cardíacos para provar que estava dormindo. “Segundo a acusação, a evolução da frequência cardíaca constitui o elemento mais determinante”, destacou Henriksbø.
Após aparecer em novo documentos: Princesa consorte da Noruega diz lamentar ‘profundamente’ ter sido amiga de Epstein e pede desculpas à família real
A defesa confrontou a suposta vítima com inconsistências entre seu depoimento de terça-feira e suas declarações anteriores à polícia, apontando que, no início, ela havia afirmado aos investigadores não sentir que tinha sido submetida a atos ilícitos.
— Eu estava acordada quando tive relações sexuais com ela — declarou Høiby no banco das testemunhas, antes de se corrigir: “quando tivemos relações sexuais”.
— Se tivemos relações três ou quatro vezes antes, e eu a acordei todas as vezes, por que diabos eu teria feito isto sem acordá-la da última vez? — ressaltou.
O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira dois textos considerados centrais para endurecer a política migratória da União Europeia (UE), consolidando uma mudança de rumo no debate sobre imigração no bloco. As propostas foram adotadas com apoio de partidos de direita e de extrema direita e agora passam a integrar o arcabouço legislativo europeu.
‘Desastre’: Trump chama líderes europeus de ‘fracos’ e países do continente de ‘decadentes’ ao criticar política migratória
Não é só em Portugal: Veja outros países europeus que endureceram regras para cidadania e imigração
Uma das principais medidas permite que Estados-membros enviem solicitantes de asilo a locais que não são seus países de origem, desde que esses destinos sejam considerados “seguros” pela UE. A iniciativa abre caminho para que pedidos de proteção internacional sejam analisados fora do território europeu — para preocupação de ONGs e partidos de esquerda, que temem pelo tratamento dado aos solicitantes de asilo.
— Trata-se de mais um passo na desumanização da política migratória da UE — lamentou a deputada francesa Mélissa Camara, denunciando que a dignidade dos solicitantes de asilo está sendo “pisoteada”.
A Comissão Europeia rejeita essas críticas e afirma que os países para os quais esses migrantes serão enviados deverão respeitar os direitos fundamentais. O modelo já vinha sendo testado pela primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, com a criação de centros na Albânia para processar migrantes resgatados no Mediterrâneo. A experiência, no entanto, enfrentou obstáculos jurídicos. Com a nova regra aprovada pelo Parlamento Europeu, a aplicação desse tipo de mecanismo pode ganhar respaldo legal mais claro dentro do bloco.
Novo eugenismo: Nos EUA e na Europa, governos estimulam natalidade entre nativos e barram imigrantes
Outra medida de destaque é a criação de uma lista comum de países classificados como “seguros” pela UE. A inclusão nessa lista tende a limitar as chances de concessão de asilo a cidadãos dessas nações, ao permitir a tramitação acelerada de seus pedidos e, eventualmente, a repatriação mais rápida. Entre os países mencionados na proposta estão Kosovo, Bangladesh, Colômbia, Egito, Índia, Marrocos e Tunísia. A lógica é que, por serem considerados seguros, pedidos de cidadãos desses Estados possam ser avaliados com maior celeridade.
— Os cidadãos esperam que cumpramos nossas promessas em matéria de política migratória, e é exatamente isso que estamos fazendo — celebrou a deputada conservadora Lena Düpont.
A aprovação ocorre em meio a um contexto de endurecimento mais amplo das políticas migratórias no continente. Mesmo com a redução de cerca de 25% nas entradas irregulares em comparação com o ano anterior, o tema segue no centro da agenda política.
‘Modelo ICE’
Nos últimos meses, partidos de extrema direita em países como Alemanha, Bélgica e França também passaram a defender a criação de forças policiais nacionais voltadas especificamente à deportação de imigrantes em situação irregular, inspiradas no modelo do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). O órgão tem estado no centro de controvérsias depois que seus agentes mataram dois cidadãos americanos nas últimas semanas, em meio a esforços do governo de Donald Trump para deportar imigrantes em situação irregular.
Dez anos após crise migratória: Europa abandona resgates no Mediterrâneo e aposta em parcerias na África para conter fluxo
Ainda assim, partidos de extrema direita propuseram unidades federais semelhantes ao ICE. Em janeiro, a Alternativa para a Alemanha (AfD) informou que apresentaria planos no Parlamento regional para criar uma unidade policial focada na deportação de imigrantes que entraram ilegalmente no país, como parte de um conjunto de medidas para conter a imigração irregular, segundo documento interno do partido.
— Além dos voos de deportação organizados pelo Estado, defendemos a criação de uma unidade de asilo, investigação e deportação dentro da polícia bávara — afirmou a líder do grupo parlamentar da AfD na Baviera, Katrin Ebner-Steiner, embora o sindicato da polícia da Baviera tenha declarado que não há base legal para uma unidade de deportação.
Já na Bélgica, o partido Vlaams Belang pretende apresentar nos próximos dias uma proposta para uma unidade policial semelhante, publicou o Politico. Embora a deputada Francesca Van Belleghem tenha rejeitado a comparação com o ICE — alegando que a unidade seria integrada à polícia já existente, e não seria uma agência federal separada —, os detalhes do plano sugerem o contrário: agentes especializados em cada zona policial, unidades completas nas grandes cidades e em áreas de fronteira, além de policiais atuando na busca por imigrantes.
— Em vez de apenas registrar imigrantes ilegais quando são encontrados por acaso, a unidade buscaria ativamente pessoas sem status legal — disse Van Belleghem ao veículo americano. — Não permitimos que nossas propostas nacionais sejam ditadas pelo contexto internacional.
Em 2025: EUA diz para Europa reforçar a própria segurança e cobra ‘valores democráticos’
Na França, o líder de extrema direita e fundador do partido Reconquête, Éric Zemmour, não descartou a ideia ao ser questionado em uma entrevista de TV se o país deveria ter uma força policial semelhante ao ICE. Na ocasião, ele afirmou que a iniciativa precisaria ser “adaptada às instituições francesas”, mas ressaltou que é preciso “ser implacável”.
Embora as propostas tenham sido alvo de críticas de adversários políticos, efeitos da pressão já são visíveis: a União Europeia vem endurecendo sua política migratória na tentativa de conter o avanço da extrema direita. Ainda no mês passado, a Comissão Europeia apresentou uma estratégia migratória para os próximos cinco anos, destacando uma “diplomacia migratória assertiva” para pressionar países terceiros a ajudar a impedir a entrada de imigrantes irregulares na Europa e a readmitir cidadãos que não tenham direito de permanecer no bloco.
(Com AFP)
O ex-deputado de oposição venezuelano Juan Pablo Guanipa, detido pelas forças de segurança pouco depois de deixar o cárcere, no domingo, está na cidade de Maracaibo, afirmou o filho dele, Ramón, nesta terça-feira. Desde domingo, quando foi levado por homens armados, não havia informações sobre seu paradeiro, e aliados acusaram o governo de sequestro.
“Confirmo que meu pai, Juan Pablo Guanipa, está em nossa casa em Maracaibo. Estamos aliviados em saber que nossa família estará reunida em breve”, disse Ramón, em mensagem publicada na conta do pai na rede social X, na qual agradece o presidente dos EUA, Donald Trump. “Meu pai permanece injustamente preso, pois prisão domiciliar ainda é prisão, e exigimos sua plena liberdade, assim como a liberdade de todos os presos políticos.”
Estava prevista para terça: ONG denuncia ‘contradições’ e ‘conflitos de interesse’ em projeto de anistia na Venezuela após votação ser adiada
Entenda: Veja o que mudou na Venezuela um mês após queda de Nicolás Maduro
Juan Pablo Guanipa, ex-vice-presidente da Assembleia Nacional e próximo da líder opositora María Corina Machado, ficou preso por quase nove meses, acusado de conspiração, e estava em um grupo de 35 detidos por crimes políticos libertados pelo governo da presidente interina, Delcy Rodríguez.
Horas depois de ganhar a liberdade, Guanipa se juntou a um ato diante do Helicoide, a temida prisão política do chavismo (e que Delcy prometeu fechar), no qual abraçou famílias de presos políticos e fez um discurso exigindo a libertação imediata de todos, além de novas eleições.
— Em 28 de julho de 2024, o povo falou; houve uma decisão popular — afirmou à AFP, referindo-se às eleições passadas, que a oposição alega terem sido fraudadas pelo presidente deposto Nicolás Maduro e que serviram de estopim para uma onda de protestos e repressão. — Queremos respeitá-la? Vamos respeitá-la. (…) Não querem respeitá-la? Então vamos ter um processo eleitoral.
‘Nojo, ódio e rancor’: Francês relata ‘calvário’ de cinco meses em prisões da Venezuela após ser acusado de espionagem
Para a Procuradoria-Geral venezuelana, se tratou de uma violação das medidas cautelares de sua liberdade, o que motivou um novo pedido de prisão, desta vez domiciliar. Diosdado Cabello, ministro do Interior, criticou a “estupidez de alguns políticos”, sem citar Guanipa.
— Meu pai não cometeu nenhum crime nem violou nenhuma das medidas cautelares a que estava sujeito. Tenho a ordem de soltura do meu pai, que afirma claramente que as únicas condições a que ele estava sujeito eram comparecer perante o tribunal a cada 30 dias e estar proibido de sair do país — acrescentou o filho de Guanipa, em entrevista coletiva na segunda-feira.
Até que seu paradeiro fosse confirmado, parentes e aliados cobraram publicamente os chavistas por informações. Em Washington, María Corina Machado disse que “isso demonstra que estamos enfrentando não apenas um regime criminoso, mas um regime que tem pavor da verdade, que tem pavor de seus cidadãos”. O ex-diplomata e ex-candidato à Presidência, Edmundo González Urrutía, declarou que “a falta de informações sobre o paradeiro de Juan Pablo Guanipa configura um desaparecimento forçado”. Ramón Guanipa reiterou que “falar, dizer e se expressar não são crimes”.
Captura, interrogatório, detenção: Entenda as versões sobre ação contra aliados de Maduro em Caracas
Desde a intervenção armada americana que culminou com a captura de Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro, os chavistas anunciaram a libertação gradual de prisioneiros políticos. Segundo a ONG Foro Penal, que presta assistência jurídica a opositores, 426 pessoas foram libertadas, mas como demonstra o caso de Guanipa, elas seguem monitoradas e, em alguns casos, sujeitas a outras formas de restrição de liberdade . Para a oposição, medidas que põem em xeque o compromisso das autoridades com o período pós-Maduro.
No final de janeiro, Delcy Rodríguez submeteu à Assembleia Nacional um projeto de lei para conceder anistia a todos os presos e processados por delitos políticos desde 1999, ano em que Hugo Chávez chegou ao poder. Ela ainda prometeu fechar o Helicoide e dar início a um processo de reconciliação, mas analistas veem o texto da anistia como “vago”, com brechas que poderiam ser usadas contra dissidentes.
A primeira votação ocorreu na semana passada, e a segunda deveria acontecer nesta terça-feira, mas foi suspensa na véspera. Segundo o Legislativo, a sessão prevista para esta terça coincide com uma marcha convocada pelo chavismo em ocasião do Dia da Juventude. Uma outra sessão está marcada para quinta-feira, mas a pauta não foi divulgada pela mesa diretora.
A agência reguladora de internet da Rússia anunciou nesta terça-feira que está implementando “restrições graduais” à plataforma de mensagens Telegram, alegando uma “violação” da lei. O anúncio surge em um momento em que Moscou busca promover o uso de serviços digitais de desenvolvimento próprio com controles mais rigorosos.
Na fronteira da Estônia com a Rússia: Narva vive entre dois mundos e teme se tornar alvo de Putin
Em inverno de bombardeios mortais: Rússia usa arsenais modernos para pressionar Ucrânia e ameaçar Europa
“A lei russa continua sendo ignorada (…), nenhuma medida real está sendo tomada para combater a fraude e o uso de mensagens para fins criminosos e terroristas”, afirmou a Agência Russa de Supervisão de Telecomunicações (Roskomnadzor), em comunicado. A Roskomnadzor ainda alertou que “continuará introduzindo restrições graduais” ao Telegram, que, segundo a agência, não cumpriu a lei.
Críticos e ativistas de direitos humanos afirmam que esta é uma tentativa do Kremlin de intensificar seu controle e vigilância da internet em meio a uma repressão mais ampla à dissidência no contexto da guerra na Ucrânia.
Initial plugin text
Desde 2019, as plataformas de mídia social americanas X, Facebook, Instagram, LinkedIn e a plataforma de vídeos YouTube estão bloqueadas na Rússia por não cumprirem a legislação nacional.
O Telegram, porém, é amplamente utilizado na Rússia, tanto como serviço de mensagens quanto como rede social, e quase todas as principais figuras públicas, incluindo agências do governo e o Kremlin, publicam mensagens regularmente na plataforma.
Entretanto, o Tribunal Municipal de Tagansky, em Moscou, afirmou que o Telegram enfrenta multas que totalizam 64 milhões de rublos (quase R$ 440 mil) por se recusar a remover conteúdo proibido e por não cumprir a lei de automonitoramento.
Antes de eleições de meio de mandato: Trump quer acordo para encerrar guerra na Ucrânia até junho, revela Zelensky
O governo, por sua vez, tenta direcionar os usuários para um concorrente estatal chamado Max, que também pode processar pagamentos e serviços governamentais.
A Rússia, inclusive, já havia tentado banir o Telegram, sob a liderança de Pavel Durov, mas acabou fracassando em seus esforços para bloquear o acesso e suspendeu a proibição em 2020.
Uma britânica de 23 anos foi morta a tiros pelo próprio pai, também britânico, quando o visitava em sua casa no Texas, nos Estados Unidos, em janeiro de 2025, de acordo com depoimentos apresentados nesta terça-feira em um inquérito no Tribunal de Coroner de Cheshire, no Reino Unido. O caso está sendo analisado pela Justiça britânica depois que um grande júri texano decidiu não apresentar acusações criminais contra o pai.
Vídeo: Em plena luz do dia, quadrilha explode carro-forte, bloqueia rodovia e foge sem levar dinheiro na Itália
Entenda: Em decisão histórica, Filipinas permitem que casais homoafetivos sejam coproprietários de bens
A vítima, identificada como Lucy Harrison, natural de Warrington, na Inglaterra, estava visitando seu pai, Kris Harrison, e a família em Prosper, no Texas, quando foi morta no dia 10 de janeiro de 2025 — justamente o dia em que ela e o namorado planejavam retornar ao Reino Unido.
Segundo o depoimento do namorado, Sam Littler, Lucy e seu pai tiveram uma discussão acalorada naquela manhã sobre temas políticos, incluindo o então presidente Donald Trump, que estava prestes a ser empossado. Após a troca de palavras, Lucy ficou visivelmente abalada. Horas depois, ainda naquele dia, o pai a levou até um quarto no térreo da casa e, cerca de 15 segundos depois, um disparo foi ouvido.
Littler relatou ao tribunal ter encontrado Lucy caída no chão perto do banheiro, enquanto Kris Harrison gritava por sua esposa sem prestar explicações claras. A mãe da vítima, Jane Coates, descreveu a filha como “uma força de vida”, apaixonada por debates e engajada com o que acreditava.
Durante a audiência, a defesa de Kris Harrison pediu que a juíza Jacqueline Devonish fosse afastada, alegando possível parcialidade no andamento do inquérito, que, segundo os advogados, estaria conduzido mais como uma investigação criminal do que uma simples apuração de fatos. O pedido foi rejeitado pela juíza, que manteve sua condução do processo. O inquérito prossegue para apurar as circunstâncias da morte e reunir mais evidências sobre o que antecedeu o disparo fatal nos Estados Unidos.
Na véspera do aniversário de 47 anos da Revolução Islâmica de 1979, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, concedeu indultos e reduziu as penas de mais de 2 mil condenados, uma decisão que não incluiu os presos durante os protestos contra o regime, iniciados no fim do ano passado e que teriam deixado milhares de mortos.
Diplomacia: EUA e Irã concluem primeira rodada diplomática em Omã com acerto para novas tratativas, mas novas sanções a Teerã
Indica análise: Irã priorizou reconstrução de programa de mísseis a centrais nucleares após bombardeios dos EUA
Segundo a agência de notícias Mizan, ligada ao Poder Judiciário iraniano, Khamenei aceitou um pedido para conceder indulto integral a 919 condenados e para reduzir ou comutar as penas de 1.189 detentos. Todos os anos, o regime concede benefícios a condenados por crimes de menor gravidade antes do aniversário da Revolução.
— Cabe ressaltar que, desde o início do ano, em diversas ocasiões, o judiciário preparou e submeteu ao Líder Supremo listas de condenados que demonstraram bom comportamento durante o cumprimento de suas penas e que não precisam cumpri-las novamente, sendo uma das mais importantes o indulto padrão — afirmou o vice-presidente da Suprema Corte, Hojjatoleslam Walmuslimin Mozaffari, citado pela agência.
Vídeos mostram manifestações no Irã apesar de bloqueio da internet
Mas ele pontuou que as milhares de pessoas detidas nos protestos que arrastaram multidões às ruas das cidades iranianas, reprimidos com violência poucas vezes vista nas últimas décadas, não serão beneficiados.
— Tendo em vista as circunstâncias atuais e a recente onda de violência e sedição, foi decidido, por ordem do chefe do Poder Judiciário, remover da lista de indultos os nomes de todos os condenados que, de alguma forma, estejam ligados a questões de segurança — disse Mozaffari. — Os acusados ​​e condenados pelos distúrbios recentes não serão incluídos nos indultos e clemências.
‘O tempo se acaba’: Trump pressiona Irã a negociar enquanto países do Golfo dizem que não auxiliarão eventual ataque
Motivados pela deterioração das condições econômicas no Irã, ligadas às sanções internacionais e à má gestão dos recursos públicos, muitos iranianos tomaram as ruas para pressionar as autoridades por medidas urgentes. Inicialmente, as lideranças afirmaram que os protestos deveriam ser ouvidos, mas a paciência durou pouco: o aparato repressivo do Estado atuou contra os dissidentes de maneira poucas vezes vista nas últimas décadas, usando — segundo análise do serviço persa da rede BBC — armas de combate aliadas a instrumentos como facas e porretes. Com o agravamento da situação, os gritos por soluções econômicas passaram a conviver com pedidos pelo fim do regime.
O governo iraniano reconhece que ao menos 3 mil pessoas morreram, incluindo membros das forças de segurança, mas organizações independentes apontam que o número real supera os 6 mil — algumas estimativas colocam o número na casa de 30 mil.
Além de manifestantes, figuras de destaque da oposição reformista foram presas e receberam novas penas nos últimos dias: o caso mais recente é o da vencedora do Nobel da Paz, Narges Mohammadi, condenada a sete anos de prisão. Ela está detida desde dezembro.
Do ataque limitado ao caos regional: Os sete cenários possíveis de um confronto entre EUA e Irã
Em meio à convulsão social, que levou alguns analistas a questionarem se o regime estava caminhando para seu fim, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã para “ajudar” os manifestantes. No mês passado, afirmam fontes diplomáticas, ele esteve perto de bombardear o país, mas foi dissuadido pelas monarquias do Golfo Pérsico e por Israel, que temem as prováveis retaliações contra interesses americanos na região.
Enquanto Trump enviava suas forças ao Golfo, diplomatas deram início a uma maratona para viabilizar o diálogo entre Washington e Teerã, e talvez dar ao republicano um “troféu”: um novo acordo para chamar de seu. Ao contrário do pacto internacional firmado em 2015 (e rasgado por ele anos depois), que impunha limites atividades atômicas em troca do fim das sanções, o republicano quer a suspensão do enriquecimento de urânio pelos iranianos, além de barreiras ao programa de mísseis balísticos e o fim das alianças com milícias armadas na região.
As demandas maximalistas não agradam Teerã, mas a faca segue no pescoço do regime. Na semana passada, os dois lados realizaram uma rodada indireta de negociações, em Omã, e parecem dispostos a dialogar. Uma nova reunião deve acontecer nos próximos dias, mas ainda sem local ou data definidos. Na segunda-feira, o chefe da agência nuclear do país disse que poderia diluir os estoques de urânio enriquecido a 60% caso as sanções sejam retiradas.
Na segunda-feira, Khamenei convocou os iranianos a participarem das paradas marcadas para o dia do aniversário da Revolução Islâmica, pedindo que demonstrem “o poder e a dignidade da nação iraniana” e que “deixem os inimigos desapontados”. Longe dos olhos públicos — os EUA e Israel já sugeriram que ele é um alvo “legítimo” —, o aiatolá disse que as cerimônias serão realizadas “em sua grande glória” e que forçarão outros países “a se curvar diante da República Islâmica”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, alertou que a Europa deve se preparar para novos episódios de hostilidade por parte dos Estados Unidos e defendeu que a União Europeia (UE) trate o chamado “momento Groenlândia” como um sinal de alerta para acelerar reformas há muito adiadas e fortalecer o peso global do bloco. Em entrevista a jornais europeus publicada nesta terça-feira, ele afirmou que uma eventual trégua nas tensões com Washington não deve ser interpretada como uma mudança estrutural na relação transatlântica.
— Quando há um ato claro de agressão, acho que o que devemos fazer não é nos curvar ou tentar chegar a um acordo. Tentamos essa estratégia por meses. Não está funcionando. [Essa estratégia] leva estrategicamente a Europa a aumentar sua dependência — disse Macron ao Le Monde, ao Financial Times e a outros veículos.
Contexto: Em Davos, Trump descarta uso da força na Groenlândia, mas insiste em adquirir ilha de Dinamarca ‘ingrata’
Entenda: Trump afirma que líderes europeus não oferecerão muita resistência à compra da Groenlândia
O presidente francês afirmou que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, tem sido “abertamente anti-europeu” e estaria buscando o “desmembramento” da UE. Segundo ele, é provável que surjam novos atritos nos próximos meses, inclusive na área de regulação digital, um dos pontos sensíveis da relação com Washington. Macron citou que Espanha e França podem estar entre os países visados por suas propostas de proibir o uso de redes sociais por crianças.
A União Europeia e vários outros governos europeus, entre eles Reino Unido, Portugal, Dinamarca, Grécia, Noruega, Polônia, Áustria, Irlanda e Países Baixos, também avaliam medidas desse tipo. Elas afetariam empresas como Instagram e Facebook, da Meta Platforms Inc., X, de Elon Musk, e TikTok e YouTube, do Google. Uma proibição na Europa deixaria milhões de usuários jovens sem acesso a serviços que os reguladores consideram prejudiciais e viciantes, além de reduzir receitas publicitárias relevantes associadas a essas plataformas.
A Espanha tornou-se o país mais recente a avançar com esse tipo de iniciativa. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou na semana passada que “as redes sociais se tornaram um Estado falido”. Com isso em mente, Macron disse ser “certo” que os Estados Unidos irão, nos próximos meses, “atacar [a Europa] por causa da regulação digital”, citando a possibilidade da União Europeia utilizar sua Lei de Serviços Digitais para regular empresas de tecnologia.
— Quando saímos do pico da crise [com os EUA], quando foi negociado um acordo para as tarifas, houve uma espécie de alívio covarde. Mas não acreditem nem por um segundo que isso terminou — advertiu. — Vejam o que vai acontecer com as tarifas sobre os produtos farmacêuticos e tudo o que está por vir. A cada dia, a cada semana, haverá ameaças.
‘Preferência europeia’
Na sequência, Macron instou os líderes europeus a aproveitarem uma cúpula marcada para esta semana em um castelo na Bélgica para dar novo impulso às reformas econômicas do bloco. Segundo ele, o objetivo é reforçar a competitividade da União Europeia e ampliar sua capacidade de enfrentar tanto o que definiu como um “tsunami chinês na frente comercial” e a “instabilidade” dos Estados Unidos no cenário internacional — duas “crises que representam um choque profundo e uma ruptura para os europeus”, disse o presidente.
Pesquisa: Mais europeus consideram Trump um ‘inimigo’ do que um ‘amigo’
O francês defendeu que a Europa se torne mais resiliente diante desse duplo desafio e voltou a propor uma maior emissão conjunta de dívida por parte da União Europeia. Para ele, esse instrumento permitiria ao bloco de 27 países investir em larga escala e desafiar a hegemonia do dólar no sistema financeiro internacional. Macron ressaltou que os mercados globais estão “cada vez mais desconfiados do dólar”.
— Estão buscando alternativas. Vamos oferecer a eles dívida europeia — afirmou, acrescentando que as instituições democráticas europeias são um ativo relevante para investidores em um momento em que os Estados Unidos estariam “se afastando do Estado de Direito”.
A União Europeia recorreu à emissão conjunta de dívida em 2020 para reativar a economia após a pandemia de Covid-19. No entanto, as tentativas da França de tornar esse mecanismo permanente enfrentaram resistência da Alemanha e de outros países do norte do bloco, considerados mais rigorosos em questões fiscais.
Análise: Ataque dos EUA na Groenlândia encerraria cooperação transatlântica de segurança e forçaria adaptação da Otan
Na cúpula de quinta-feira, também devem ser discutidos planos liderados pela França para a estratégia de “Feito na Europa”, que estabeleceria requisitos mínimos de conteúdo europeu em bens fabricados no bloco. A proposta dividiu os Estados-membros e provocou preocupação entre montadoras. Na entrevista, Macron defendeu a proteção da indústria europeia sem cair no protecionismo, por meio de uma “preferência europeia” em setores estratégicos, como tecnologias limpas, automóveis e defesa. E citou o acordo com o Mercosul.
— Para mim, a estratégia econômica para fazer da nossa Europa uma potência está no que chamo de proteção, que não é protecionismo, mas sim preferência europeia — disse Macron, citando o acordo com o Mercosul como um “mau acordo”. — Defendo acordos justos e, portanto, acordos que incluam salvaguardas e em que se respeite o clima ao mesmo tempo em que se obtenha o que queremos para a economia.
Entenda: Na mira de duas potências, Europa se vê pressionada entre Trump e Putin
Sobre a Rússia, Macron disse que deseja que a retomada do diálogo com Vladimir Putin ocorra de maneira coordenada entre os europeus e com um número limitado de interlocutores. As trocas diretas com Putin estavam praticamente suspensas em razão da guerra na Ucrânia, iniciada em 2022. Para preparar uma retomada do diálogo, Macron enviou no início de fevereiro seu assessor diplomático a Moscou. O presidente francês indicou que os primeiros contatos técnicos confirmaram que “a Rússia não quer a paz agora”, embora tenham permitido reconstruir “canais de diálogo”. (Com AFP e Bloomberg)

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress