Diplomacia: EUA e Irã concluem primeira rodada diplomática em Omã com acerto para novas tratativas, mas novas sanções a Teerã
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Segundo a agência de notícias Mizan, ligada ao Poder Judiciário iraniano, Khamenei aceitou um pedido para conceder indulto integral a 919 condenados e para reduzir ou comutar as penas de 1.189 detentos. Todos os anos, o regime concede benefícios a condenados por crimes de menor gravidade antes do aniversário da Revolução.
— Cabe ressaltar que, desde o início do ano, em diversas ocasiões, o judiciário preparou e submeteu ao Líder Supremo listas de condenados que demonstraram bom comportamento durante o cumprimento de suas penas e que não precisam cumpri-las novamente, sendo uma das mais importantes o indulto padrão — afirmou o vice-presidente da Suprema Corte, Hojjatoleslam Walmuslimin Mozaffari, citado pela agência.
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Mas ele pontuou que as milhares de pessoas detidas nos protestos que arrastaram multidões às ruas das cidades iranianas, reprimidos com violência poucas vezes vista nas últimas décadas, não serão beneficiados.
— Tendo em vista as circunstâncias atuais e a recente onda de violência e sedição, foi decidido, por ordem do chefe do Poder Judiciário, remover da lista de indultos os nomes de todos os condenados que, de alguma forma, estejam ligados a questões de segurança — disse Mozaffari. — Os acusados e condenados pelos distúrbios recentes não serão incluídos nos indultos e clemências.
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Motivados pela deterioração das condições econômicas no Irã, ligadas às sanções internacionais e à má gestão dos recursos públicos, muitos iranianos tomaram as ruas para pressionar as autoridades por medidas urgentes. Inicialmente, as lideranças afirmaram que os protestos deveriam ser ouvidos, mas a paciência durou pouco: o aparato repressivo do Estado atuou contra os dissidentes de maneira poucas vezes vista nas últimas décadas, usando — segundo análise do serviço persa da rede BBC — armas de combate aliadas a instrumentos como facas e porretes. Com o agravamento da situação, os gritos por soluções econômicas passaram a conviver com pedidos pelo fim do regime.
O governo iraniano reconhece que ao menos 3 mil pessoas morreram, incluindo membros das forças de segurança, mas organizações independentes apontam que o número real supera os 6 mil — algumas estimativas colocam o número na casa de 30 mil.
Além de manifestantes, figuras de destaque da oposição reformista foram presas e receberam novas penas nos últimos dias: o caso mais recente é o da vencedora do Nobel da Paz, Narges Mohammadi, condenada a sete anos de prisão. Ela está detida desde dezembro.
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Em meio à convulsão social, que levou alguns analistas a questionarem se o regime estava caminhando para seu fim, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã para “ajudar” os manifestantes. No mês passado, afirmam fontes diplomáticas, ele esteve perto de bombardear o país, mas foi dissuadido pelas monarquias do Golfo Pérsico e por Israel, que temem as prováveis retaliações contra interesses americanos na região.
Enquanto Trump enviava suas forças ao Golfo, diplomatas deram início a uma maratona para viabilizar o diálogo entre Washington e Teerã, e talvez dar ao republicano um “troféu”: um novo acordo para chamar de seu. Ao contrário do pacto internacional firmado em 2015 (e rasgado por ele anos depois), que impunha limites atividades atômicas em troca do fim das sanções, o republicano quer a suspensão do enriquecimento de urânio pelos iranianos, além de barreiras ao programa de mísseis balísticos e o fim das alianças com milícias armadas na região.
As demandas maximalistas não agradam Teerã, mas a faca segue no pescoço do regime. Na semana passada, os dois lados realizaram uma rodada indireta de negociações, em Omã, e parecem dispostos a dialogar. Uma nova reunião deve acontecer nos próximos dias, mas ainda sem local ou data definidos. Na segunda-feira, o chefe da agência nuclear do país disse que poderia diluir os estoques de urânio enriquecido a 60% caso as sanções sejam retiradas.
Na segunda-feira, Khamenei convocou os iranianos a participarem das paradas marcadas para o dia do aniversário da Revolução Islâmica, pedindo que demonstrem “o poder e a dignidade da nação iraniana” e que “deixem os inimigos desapontados”. Longe dos olhos públicos — os EUA e Israel já sugeriram que ele é um alvo “legítimo” —, o aiatolá disse que as cerimônias serão realizadas “em sua grande glória” e que forçarão outros países “a se curvar diante da República Islâmica”.









