A polícia britânica informou nesta quinta-feira que o ex-príncipe Andrew foi colocado em liberdade “sob investigação” após ter sido detido ao longo do dia por suspeita de má conduta no exercício de função pública quando atuou como representante comercial, um desdobramento do caso Epstein. Andrew Mountbatten-Windsor foi visto deixando uma delegacia de polícia de Aylsham, de carro, após quase 12 horas de interrogatório pelas autoridades em Norfolk. A detenção, sem precedentes na história da família real, coincidiu com o 66º aniversário de Andrew.
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“Podemos confirmar que nossos procedimentos em Norfolk foram concluídos”, afirmou a polícia local de Thames Valley em comunicado que parece fazer referência à residência do ex-príncipe em uma propriedade pertencente ao rei Charles III, em Sandringham.
Pouco antes das 19h30 (horário local), uma emissora britânica divulgou uma imagem do ex-príncipe deixando a delegacia no condado de Norfolk no banco traseiro de um automóvel.
A prisão destaca o notável contraste nas respostas oficiais às 3 milhões de páginas de correspondências de Epstein, divulgadas pelo Departamento de Justiça americano no fim de janeiro. Enquanto as autoridades britânicas atuam agressivamente para investigar a possibilidade de crimes relacionados aos arquivos, os EUA nada fizeram. Também desfere um forte golpe na monarquia britânica e representa uma escalada da antiga crise enfrentada pelo Palácio de Buckingham sobre os laços do ex-príncipe com Epstein e as alegações de abuso sexual de mulheres jovens.
A detenção do irmão de um monarca é sem precedentes no Reino Unido moderno: o último membro da realeza a ser preso foi o rei Carlos I, que foi julgado e executado por traição durante a Guerra Civil Inglesa em 1649. Independentemente de Andrew ser acusado formalmente de um crime, o escrutínio público mais uma vez vai se voltar para a família real britânica. Para especialistas em realeza e historiadores britânicos, a crise recente representa uma séria ameaça à estabilidade da monarquia em um momento de grande incerteza.
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Minas terrestres
— O problema da monarquia aqui são as várias incógnitas dentro desta situação, que continuarão a estimular o interesse da mídia e do público — disse ao New York Times Ed Owens, historiador da realeza e especialista na família real britânica. — Essas incógnitas são como minas terrestres que podem potencialmente causar enormes problemas à instituição.
Ao contrário de crises anteriores, não há um manual de instruções, disse Owens. Após a morte da princesa Diana, ex-esposa do rei, havia um funeral para planejar e formalidades a serem organizadas, aponta ele. Mesmo após a abdicação do rei Eduardo VIII em 1936, seu irmão estava à espera para assumir o trono.
Mas simplesmente não existe um plano para reagir à prisão de um parente próximo do rei que, até recentemente, desempenhava um papel importante na família real e que potencialmente pode ser acusado e levado a julgamento. E, se vierem à tona revelações de que a família protegeu Andrew, isso poderia ser devastador, dizem os especialistas.
‘Lei deve seguir curso’
Em uma declaração, o rei Charles III confirmou a prisão do irmão e afirmou que apoiava um “processo completo, justo e adequado” na investigação, acrescentando que apoiava as autoridades envolvidas.
“Nisso, como já disse antes, elas têm nosso total e irrestrito apoio e cooperação”, declarou. “Deixe-me afirmar claramente: a lei deve seguir seu curso”, acrescentou.
Embora os laços de Andrew com Epstein sejam conhecidos há anos, sua prisão marca o início de um novo capítulo de sua desgraça pública. No ano passado, o ex-príncipe, que sempre negou qualquer irregularidade, foi destituído de seus títulos reais e expulso do Royal Lodge, sua extensa residência em Windsor.
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Um porta-voz disse que o Palácio de Buckingham não foi informado previamente da prisão na manhã desta quinta-feira, quando policiais foram vistos na propriedade de Sandringham, um retiro campestre privado de 8.093 hectares pertencente ao rei Charles III e à rainha Camilla em Norfolk, Inglaterra, onde o Mountbatten-Windsor reside. Um dos policiais carregava um computador portátil de uso oficial. Parte das viaturas entrou pela frente da residência de cinco quartos, enquanto outras utilizaram a entrada traseira. Segundo um comunicado da polícia, houve operações de busca também em Berkshire.
“Como parte da investigação, hoje prendemos um homem na casa dos 60 anos, de Norfolk, sob suspeita de má conduta no exercício de um cargo público”, afirmou a polícia em um comunicado, que não revela o nome do suspeito, como é habitual no Reino Unido.
Informações confidenciais
O conjunto de documentos divulgado em 30 de janeiro inclui diversos e-mails sugerindo que Andrew pode ter compartilhado documentos confidenciais. Segundo um e-mail enviado ao financista e agressor sexual americano, com data de 24 de dezembro de 2010, o ex-príncipe teria encaminhado “um relatório confidencial” sobre oportunidades de investimento no Afeganistão. Também há correspondências sugerindo que, no mesmo ano, Andrew enviou ao financista relatórios sobre viagens de trabalho à China, Cingapura e Vietnã.
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Os documentos se somam às acusações de agressão sexual apresentadas contra o ex-príncipe por Virginia Giuffre, vítima de Epstein que cometeu suicídio em 2025. Giuffre afirmou que o financista a traficou para Andrew por volta de 2001, quando ela era adolescente, e que ele a estuprou diversas vezes. Em 2022, o ex-príncipe pagou a Giuffre uma quantia não divulgada para encerrar um processo em um tribunal de Nova York, no qual ela alegava ter sido estuprada e abusada sexualmente por ele quando tinha 17 anos. Andrew não admitiu nenhuma das acusações de Giuffre ao anunciar o acordo e negou qualquer irregularidade em relação à sua amizade com Epstein.
Uma segunda mulher afirmou posteriormente, por meio de seu advogado, que Epstein a enviou à Inglaterra em 2010 para manter relações sexuais com o filho da rainha Elizabeth II. Outro advogado americano revelou que uma de suas clientes relatou que Epstein e o ex-príncipe a obrigaram a manter relações sexuais durante uma festa na Flórida em 2006.
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Os arquivos de Epstein implicaram vários outros membros da elite britânica. A polícia está investigando se Peter Mandelson, um operador político britânico de longa data que atuou como embaixador nos Estados Unidos, cometeu “má conduta em cargo público” ao compartilhar documentos governamentais confidenciais com Epstein. Ele nega qualquer delito criminal. Os arquivos mais recentes também revelaram que Sarah Ferguson, ex-esposa de Mountbatten-Windsor e ex-duquesa de York, manteve uma longa e pessoal correspondência com Epstein muito tempo depois de o financista ter sido condenado por aliciamento de prostituição em 2008.
Nota da polícia na íntegra sobre a prisão do ex-príncipe
“Como parte da investigação, hoje (19/2) prendemos um homem na casa dos sessenta anos, de Norfolk, sob suspeita de má conduta em cargo público, e estamos realizando buscas em endereços em Berkshire e Norfolk.
O homem permanece sob custódia policial neste momento.
Não divulgaremos o nome do homem preso, conforme as diretrizes nacionais. Lembre-se também de que este caso está agora em andamento, portanto, deve-se ter cuidado com qualquer publicação para evitar desacato ao tribunal.
O chefe assistente de polícia Oliver Wright disse: ‘Após uma avaliação minuciosa, agora abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta em cargo público. É importante que protejamos a integridade e a objetividade de nossa investigação enquanto trabalhamos com nossos parceiros para apurar essa suposta infração. Entendemos o significativo interesse público neste caso e forneceremos atualizações no momento apropriado.’”
Com AFP e The New York Times
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“Podemos confirmar que nossos procedimentos em Norfolk foram concluídos”, afirmou a polícia local de Thames Valley em comunicado que parece fazer referência à residência do ex-príncipe em uma propriedade pertencente ao rei Charles III, em Sandringham.
Pouco antes das 19h30 (horário local), uma emissora britânica divulgou uma imagem do ex-príncipe deixando a delegacia no condado de Norfolk no banco traseiro de um automóvel.
A prisão destaca o notável contraste nas respostas oficiais às 3 milhões de páginas de correspondências de Epstein, divulgadas pelo Departamento de Justiça americano no fim de janeiro. Enquanto as autoridades britânicas atuam agressivamente para investigar a possibilidade de crimes relacionados aos arquivos, os EUA nada fizeram. Também desfere um forte golpe na monarquia britânica e representa uma escalada da antiga crise enfrentada pelo Palácio de Buckingham sobre os laços do ex-príncipe com Epstein e as alegações de abuso sexual de mulheres jovens.
A detenção do irmão de um monarca é sem precedentes no Reino Unido moderno: o último membro da realeza a ser preso foi o rei Carlos I, que foi julgado e executado por traição durante a Guerra Civil Inglesa em 1649. Independentemente de Andrew ser acusado formalmente de um crime, o escrutínio público mais uma vez vai se voltar para a família real britânica. Para especialistas em realeza e historiadores britânicos, a crise recente representa uma séria ameaça à estabilidade da monarquia em um momento de grande incerteza.
Estratégia migratória: Epstein usava vistos de estudante, cursos de inglês e casamentos de fachada para ludibriar mulheres e mantê-las em sua órbita
Minas terrestres
— O problema da monarquia aqui são as várias incógnitas dentro desta situação, que continuarão a estimular o interesse da mídia e do público — disse ao New York Times Ed Owens, historiador da realeza e especialista na família real britânica. — Essas incógnitas são como minas terrestres que podem potencialmente causar enormes problemas à instituição.
Ao contrário de crises anteriores, não há um manual de instruções, disse Owens. Após a morte da princesa Diana, ex-esposa do rei, havia um funeral para planejar e formalidades a serem organizadas, aponta ele. Mesmo após a abdicação do rei Eduardo VIII em 1936, seu irmão estava à espera para assumir o trono.
Mas simplesmente não existe um plano para reagir à prisão de um parente próximo do rei que, até recentemente, desempenhava um papel importante na família real e que potencialmente pode ser acusado e levado a julgamento. E, se vierem à tona revelações de que a família protegeu Andrew, isso poderia ser devastador, dizem os especialistas.
‘Lei deve seguir curso’
Em uma declaração, o rei Charles III confirmou a prisão do irmão e afirmou que apoiava um “processo completo, justo e adequado” na investigação, acrescentando que apoiava as autoridades envolvidas.
“Nisso, como já disse antes, elas têm nosso total e irrestrito apoio e cooperação”, declarou. “Deixe-me afirmar claramente: a lei deve seguir seu curso”, acrescentou.
Embora os laços de Andrew com Epstein sejam conhecidos há anos, sua prisão marca o início de um novo capítulo de sua desgraça pública. No ano passado, o ex-príncipe, que sempre negou qualquer irregularidade, foi destituído de seus títulos reais e expulso do Royal Lodge, sua extensa residência em Windsor.
Caso Epstein: Criminoso sexual tem CPF ativo no Brasil e discutiu sobre ‘naturalização’ em e-mail
Um porta-voz disse que o Palácio de Buckingham não foi informado previamente da prisão na manhã desta quinta-feira, quando policiais foram vistos na propriedade de Sandringham, um retiro campestre privado de 8.093 hectares pertencente ao rei Charles III e à rainha Camilla em Norfolk, Inglaterra, onde o Mountbatten-Windsor reside. Um dos policiais carregava um computador portátil de uso oficial. Parte das viaturas entrou pela frente da residência de cinco quartos, enquanto outras utilizaram a entrada traseira. Segundo um comunicado da polícia, houve operações de busca também em Berkshire.
“Como parte da investigação, hoje prendemos um homem na casa dos 60 anos, de Norfolk, sob suspeita de má conduta no exercício de um cargo público”, afirmou a polícia em um comunicado, que não revela o nome do suspeito, como é habitual no Reino Unido.
Informações confidenciais
O conjunto de documentos divulgado em 30 de janeiro inclui diversos e-mails sugerindo que Andrew pode ter compartilhado documentos confidenciais. Segundo um e-mail enviado ao financista e agressor sexual americano, com data de 24 de dezembro de 2010, o ex-príncipe teria encaminhado “um relatório confidencial” sobre oportunidades de investimento no Afeganistão. Também há correspondências sugerindo que, no mesmo ano, Andrew enviou ao financista relatórios sobre viagens de trabalho à China, Cingapura e Vietnã.
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Os documentos se somam às acusações de agressão sexual apresentadas contra o ex-príncipe por Virginia Giuffre, vítima de Epstein que cometeu suicídio em 2025. Giuffre afirmou que o financista a traficou para Andrew por volta de 2001, quando ela era adolescente, e que ele a estuprou diversas vezes. Em 2022, o ex-príncipe pagou a Giuffre uma quantia não divulgada para encerrar um processo em um tribunal de Nova York, no qual ela alegava ter sido estuprada e abusada sexualmente por ele quando tinha 17 anos. Andrew não admitiu nenhuma das acusações de Giuffre ao anunciar o acordo e negou qualquer irregularidade em relação à sua amizade com Epstein.
Uma segunda mulher afirmou posteriormente, por meio de seu advogado, que Epstein a enviou à Inglaterra em 2010 para manter relações sexuais com o filho da rainha Elizabeth II. Outro advogado americano revelou que uma de suas clientes relatou que Epstein e o ex-príncipe a obrigaram a manter relações sexuais durante uma festa na Flórida em 2006.
Em audiência: Democratas acusam secretária de Justiça dos EUA de ‘acobertamento’ do caso Epstein
Os arquivos de Epstein implicaram vários outros membros da elite britânica. A polícia está investigando se Peter Mandelson, um operador político britânico de longa data que atuou como embaixador nos Estados Unidos, cometeu “má conduta em cargo público” ao compartilhar documentos governamentais confidenciais com Epstein. Ele nega qualquer delito criminal. Os arquivos mais recentes também revelaram que Sarah Ferguson, ex-esposa de Mountbatten-Windsor e ex-duquesa de York, manteve uma longa e pessoal correspondência com Epstein muito tempo depois de o financista ter sido condenado por aliciamento de prostituição em 2008.
Nota da polícia na íntegra sobre a prisão do ex-príncipe
“Como parte da investigação, hoje (19/2) prendemos um homem na casa dos sessenta anos, de Norfolk, sob suspeita de má conduta em cargo público, e estamos realizando buscas em endereços em Berkshire e Norfolk.
O homem permanece sob custódia policial neste momento.
Não divulgaremos o nome do homem preso, conforme as diretrizes nacionais. Lembre-se também de que este caso está agora em andamento, portanto, deve-se ter cuidado com qualquer publicação para evitar desacato ao tribunal.
O chefe assistente de polícia Oliver Wright disse: ‘Após uma avaliação minuciosa, agora abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta em cargo público. É importante que protejamos a integridade e a objetividade de nossa investigação enquanto trabalhamos com nossos parceiros para apurar essa suposta infração. Entendemos o significativo interesse público neste caso e forneceremos atualizações no momento apropriado.’”
Com AFP e The New York Times
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