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A partida do Papa Leão XIV de Tenerife, ao final de uma visita de uma semana à Espanha, foi adiada nesta sexta-feira devido a um problema técnico na aeronave, o que levou o pontífice a desembarcar, segundo um repórter da AFP presente no local.
O rei Felipe VI da Espanha, que havia acabado de se despedir do Papa na pista do aeroporto, embarcou na aeronave da companhia Iberia. Em seguida, ambos desembarcaram e retornaram ao terminal.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, anunciou nesta sexta-feira uma ampliação das atividades autorizadas para as empresas privadas no país, como parte das “prioridades” econômicas estudadas pelo governo para enfrentar a crise. Sob pressão devido ao bloqueio petrolífero imposto por Washington desde janeiro, o governo cubano anunciou nos últimos meses diversas reformas voltadas para uma maior abertura econômica.
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Miguel Díaz-Canel afirmou nesta sexta-feira que mais atividades serão autorizadas para as empresas privadas e que a aprovação de novos negócios será acelerada e descentralizada.
— Para as formas de gestão não estatais, as atividades proibidas serão limitadas para que seu escopo de atuação seja o mais amplo possível — declarou o chefe de Estado em pronunciamento à imprensa nacional transmitido pela televisão estatal.
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— Está sendo realizado (…) um processo para aprovar, no menor tempo possível, todas as solicitações que estavam pendentes — assegurou.
As empresas privadas, com até 100 funcionários, foram autorizadas em 2021 e ocupam um espaço cada vez maior na economia cubana. Desde fevereiro, elas passaram a ter acesso à importação de combustível, atividade que até então era centralizada pelo Estado.
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O governo também permitirá que empresários privados invistam na economia em igualdade de condições com investidores estrangeiros, vários dos quais deixaram recentemente o país por receio de sanções dos Estados Unidos.
Díaz-Canel afirmou ainda que está sendo estudada a possibilidade de eliminar os intermediários estatais nas atividades de importação e exportação.
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O presidente reiterou a importância da “descentralização” das atividades econômicas e do fortalecimento da “autonomia das empresas estatais”, que representam 80% da economia cubana.
Além disso, anunciou uma “reestruturação da máquina estatal”, com menos ministérios e uma “redução significativa” do número de servidores públicos, medida que deverá ser aprovada em julho pelo Parlamento. A redução do funcionalismo já havia sido anunciada há três anos, mas nunca foi implementada.
Díaz-Canel também recordou o objetivo do Estado de reformular a “libreta” (cartão de racionamento), para que beneficie os mais pobres, e não toda a população cubana, marcada por desigualdades crescentes.
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Diversas reformas da conhecida “libreta” foram anunciadas ao longo dos últimos anos, mas ainda não saíram do papel.
— Essas reformas serão discutidas e aprovadas muito em breve, de forma ágil — garantiu.
— O país não está paralisado; o país enfrenta essa situação com inteligência — afirmou, em referência à política de máxima pressão adotada por Washington.
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Além do bloqueio petrolífero, os EUA impuseram diversas sanções à economia cubana.
Essa situação agravou profundamente a crise econômica, social e energética enfrentada há vários anos pelo país, submetido ao embargo dos EUA desde 1962.
No último dia de sua viagem de uma semana à Espanha, o Papa Leão XIV voltou a colocar a migração no centro de sua agenda. Em uma série de compromissos nas Ilhas Canárias — um dos principais pontos de chegada de migrantes à Europa pela rota do Atlântico —, o Pontífice defendeu a integração dos recém-chegados, criticou a indiferença diante das mortes no mar e dirigiu uma advertência direta às redes de tráfico humano.
— Todos nós somos, de alguma forma, migrantes. Somos todos peregrinos a caminho da nossa pátria celestial. Ajudemo-nos uns aos outros a tornar esta jornada mais humana para todos, contribuindo com o que estiver ao nosso alcance — disse.
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A passagem pelas Canárias marcou a etapa final de uma viagem que também incluiu Madri e Barcelona. Localizado a mais de mil quilômetros da Espanha continental, o arquipélago se tornou nos últimos anos um dos principais destinos de embarcações que partem da costa africana em direção à Europa. Apenas em 2025, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), quase 1,2 mil pessoas morreram ou desapareceram na rota.
— A consciência humana não pode permanecer indiferente diante das vítimas dos naufrágios e da falta de ajuda, diante desses cemitérios do mar. Cada vida perdida nessas rotas é um fracasso para a família humana. Existe também um naufrágio silencioso após a chegada: ficar sozinho em uma cidade, sem língua, sem vínculos, sem trabalho, sem confiança e exposto àqueles que se aproveitam da vulnerabilidade. Integrar é impedir esse segundo naufrágio.
‘Caminho recíproco’
A primeira parada de Leão XIV em Tenerife foi o centro de acolhimento Las Raíces, em La Laguna. Hoje com cerca de 500 pessoas abrigadas, o local chegou a receber mais de 2 mil durante os momentos mais críticos da crise migratória. Diante de migrantes e voluntários, o Pontífice destacou a dimensão humana da experiência migratória e pediu solidariedade, defendendo que “integrar-se é um caminho recíproco”:
— Quem chega aprende a habitar uma nova terra, e quem recebe aprende a ampliar a própria casa sem diluir sua identidade nem fechar o coração ao encontro. A vocês, irmãos migrantes, cabe abrir-se com confiança à comunidade que os recebe, aprender sua língua, respeitar suas leis, conhecer seus costumes, participar da vida comum e oferecer com gratidão seus dons.
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Leão XIV também agradeceu o trabalho realizado por autoridades, instituições e organizações que atuam no acolhimento dos recém-chegados e recordou o Papa Francisco (1936-2025), que, segundo ele, desejava visitar o arquipélago. Ao mencionar o nome do centro, Las Raíces, Leão XIV lembrou uma imagem frequentemente utilizada por seu antecessor para defender a importância de não esquecer as origens.
— Chamou-me a atenção o nome deste centro de acolhimento, Las Raíces. Meu predecessor, o querido Papa Francisco, que tanto desejou poder estar com vocês, gostava de utilizar a imagem das raízes para indicar a necessidade de não esquecer as origens, de permanecer unidos e de confiar no Senhor — declarou.
Tráfico humano
Mais tarde, em La Laguna, o Papa participou de um encontro com organizações religiosas e leigas que prestam assistência a migrantes. Cerca de 4 mil pessoas acompanharam o evento, segundo o Vaticano. No local, o Pontífice ouviu relatos sobre as travessias até as Canárias e as dificuldades enfrentadas após a chegada à Europa, e afirmou que as “lágrimas e o sangue” daqueles que foram explorados ao tentar chegar ao continente “clamam a Deus”.
A fala de Leão XIV foi feita no mesmo dia em que o Pacto de Migração da União Europeia (UE), que endurece as regras para pedidos de asilo, entrou plenamente em vigor. As Ilhas Canárias registraram um pico migratório em 2024, quando receberam 46,8 mil migrantes em situação irregular, ante menos de mil em 2015, segundo dados oficiais.
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Em uma das passagens mais contundentes da viagem, o Papa dirigiu-se às organizações criminosas que lucram com a migração irregular, acusando as redes de explorar pessoas vulneráveis, reter documentos, enganar famílias e transformar o sofrimento em negócio. Segundo relatório da Europol divulgado no ano passado, traficantes de migrantes têm se tornado mais ágeis na exploração da instabilidade geopolítica e das pressões econômicas, adaptando seus modelos de atuação para incorporar ferramentas online.
— Parem. Convertam-se — pediu o Papa. — Por cada vida perdida, cada família enganada, cada corpo submetido, cada mulher ameaçada, cada trabalhador explorado, terão de comparecer diante da justiça divina.
Neste ano, a polícia desmantelou uma rede criminosa da Nigéria que traficava pessoas na Espanha e outra que explorava mulheres ucranianas vulneráveis que haviam recebido status de proteção no país, informou a Europol. No ano passado, as autoridades espanholas desarticularam uma rede de tráfico humano que atraiu mais de mil mulheres para o país com ofertas de emprego falsas antes de forçá-las à prostituição.
Leão, que iniciou sua viagem em Madri, tornou-se o primeiro Papa a discursar no Parlamento espanhol, onde advertiu que a escalada dos conflitos está empurrando o mundo para uma crise profunda. Ele também visitou Barcelona, onde inaugurou a mais nova das torres geométricas da Basílica da Sagrada Família, hoje a igreja mais alta do mundo.
(Com AFP)
O cachorro de estimação de um casal virou protagonista durante um casamento em Ibiza, na Espanha, ao decidir que o vestido da noiva era o lugar ideal para descansar no meio da cerimônia.
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O momento aconteceu quando Justine Lavoie Fitzpatrick e o marido, Matthew, trocavam alianças. O cão Mambo, querido pelo casal, se aproximou da noiva e se acomodou sobre a cauda do vestido, arrancando reações emocionadas dos convidados.
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Justine contou à Storyful que ela e Matthew “queriam muito” que Mambo “fizesse parte do nosso dia especial e ele não poderia ter feito um trabalho melhor”.
Segundo a noiva, a cena tocou os presentes. “Todos ficaram emocionados, alguns riram, outros choraram”, disse Justine.
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Mambo, ao que tudo indica, gostou dos holofotes. De acordo com Justine, o cachorro repetiu o gesto também no momento em que o bolo era cortado.
Nas redes sociais, a noiva brincou com a situação ao publicar o registro no Instagram.
“Se eu caibo, eu sento, (em uma manta muito cara), digamos assim”, escreveu Justine na legenda.
A morte da princesa Bajrakitiyabha, anunciada nesta sexta-feira (12) pela Casa Real da Tailândia, provocou uma reconfiguração na linha de sucessão da monarquia do país e ampliou as incertezas sobre o futuro da Coroa. Filha mais velha do rei Maha Vajiralongkorn, a princesa tinha 47 anos e estava hospitalizada desde dezembro de 2022, após sofrer uma grave doença cardíaca que a deixou inconsciente.
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Em comunicado, a Casa Real informou que o estado de saúde da princesa se agravou progressivamente apesar do acompanhamento médico contínuo. Segundo a nota, ela morreu na quinta-feira, às 19h48 no horário local.
Sucessão sob incerteza
Com a morte de Bajrakitiyabha, desaparece da linha sucessória uma figura considerada por observadores da monarquia como uma das mais preparadas para assumir o trono no futuro. Sua imagem era frequentemente associada a uma possível renovação da instituição, cuja popularidade diminuiu desde a ascensão de Vajiralongkorn ao trono, em 2016, após a morte do rei Bhumibol Adulyadej.
Agora, a sucessão passa a se concentrar principalmente no príncipe Dipangkorn Rasmijoti, de 21 anos, e na princesa Sirivannavari Nariratana, de 39. O príncipe é o primeiro na linha sucessória, embora rumores recorrentes sobre possíveis limitações cognitivas nunca tenham sido confirmados oficialmente pela Casa Real. Já Sirivannavari, conhecida por sua atuação no universo da moda, participa ocasionalmente de compromissos oficiais no país.
A discussão sobre a sucessão também envolve os quatro filhos que o rei teve com sua segunda esposa, Sujarinee Vivacharawongse. Eles foram afastados da família real após o exílio da mãe, em 1996, e seguem excluídos da linha sucessória. Nos últimos anos, o retorno temporário de Vacharaesorn Vivacharawongse à Tailândia alimentou especulações sobre uma possível reaproximação com a monarquia, mas os irmãos voltaram a enfrentar restrições para entrar no país em 2025.
Diante desse cenário, esegundo a EFE, especialistas avaliam que a sucessão permanece aberta a diferentes possibilidades. A hipótese de o trono passar para uma das irmãs do rei é considerada improvável devido à idade avançada e a questões de saúde.
Caso não haja um sucessor considerado adequado, a monarquia tailandesa poderá recorrer a mecanismos já utilizados em outros momentos de sua história, incluindo a escolha de parentes mais distantes para preservar a continuidade da dinastia.
Os Estados Unidos planejam reduzir significativamente as aeronaves e navios de guerra que disponibilizam para operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Europa, segundo dois altos funcionários europeus. A medida acelera o esforço americano de diminuir a proteção oferecida aos aliados europeus ao longo de oito décadas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Com 98,258% das urnas apuradas após quase uma semana de apuração, a eleição presidencial no Peru está sendo decidida por uma margem de 1.303 votos a favor de Keiko Fujimori (Força Popular), filha do ex-ditador Alberto Fujimori. Enquanto a contabilização de cada voto avança lentamente, em um processo que pode só atingir os 100% no mês que vem, começam a surgir os primeiros sinais de que a disputa pode se encerrar nos tribunais, em um momento em que o partido de esquerda Juntos pelo Peru (JP), do candidato Roberto Sánchez, tenta invalidar os votos de cerca de 2,4 mil mesas eleitorais, sob alegação de fraude. O partido de direita também apresentou um pedido para impugnação de votos.
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O representante legal do partido Juntos pelo Peru, Carlos Zafra Flores, apresentou um primeiro recurso eleitoral nesta apuração perante um Júri Eleitoral Especial (JEE) em Lima na quinta-feira. A petição alega que foram detectados “padrões de repetição exata” em mesas de votação durante a jornada eleitoral de 7 de junho em favor do fujimorismo. A sigla sustenta que o padrão idêntico de votos em diferentes mesas “desafia toda probabilidade matemática” e “indica uma adulteração sistemática e coordenada no preenchimento das atas de apuração”.
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Ao longo do dia, outros três ofícios foram apresentados a órgãos da justiça eleitoral peruana, em um total de quatro pedidos de anulação de votos. O pedido é pela anulação de 1.751 mesas eleitorais no Peru e 649 nos EUA, em áreas onde Keiko obteve a maioria dos votos. Ainda na quinta, a candidata de direita fez uma declaração à imprensa, afirmando que seu partido não encontrou qualquer elemento de ilegalidade.
O Força Popular também apresentou recursos de nulidade, alegando irregularidades no dia da votação. A solicitação foi direcionada a mesas de votação na região de Puno, alcançando mais de 7 mil votos — 5.932 deles em favor de Sánchez. A sigla alegou que “representantes devidamente credenciados” não tiveram acesso à sala de votação, e que “fatos graves que afetam a transparência, a legalidade e a autenticidade do sufrágio” são causa de nulidade.
À medida que a apuração avançava e desenhava o cenário de uma decisão apertada, tanto Sánchez quanto Keiko fizeram apelos em respeito ao processo eleitoral. A candidata de direita largou na frente, com maioria em centros urbanos como Lima, onde os votos foram apurados mais rapidamente, e viu a liderança escapar à medida que votos de zonas pobres do país, sobretudo da região andina, pesaram a favor do esquerdista. A dianteira foi retomada por Keiko com ajuda da contabilização dos votos do exterior.
Enquanto o partido apresentou o pedido de impugnação dos votos, Sánchez manteve uma postura mais reservada. Na quinta, o candidato participou de reuniões com representantes das missões da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia que acompanharam o processo eleitoral. Ele evitou levantar acusações diretas de fraude eleitoral, mas compartilhou nas redes sociais um depoimento de um advogado de seu partido questionando o envio de atas eleitorais em malas desde o exterior.
Oficialmente, os candidatos e partidos não romperam com a institucionalidade. Keiko, em sua fala na quinta-feira, minimizou um possível efeito desestabilizador do pedido de impugnação do partido rival, afirmando que a sigla estava “no direito” de fazê-lo. Em declarações públicas, o secretário-geral do JP, Ernesto Zunini, falou à imprensa que o grupo político respeitará o resultado da votação. (Com El Comércio)
Uma mensagem automática enviada por um relógio inteligente foi o primeiro sinal de que algo grave havia acontecido com o ciclista Ben Overton, de 29 anos, que morreu após uma colisão em Crawley, no condado de West Sussex, na Inglaterra, em 2022. A esposa dele, Paula Overton, de 32 anos, contou que recebeu o alerta enquanto tomava banho em casa e, antes mesmo da chegada da polícia, já temia o pior.
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Segundo Paula, a notificação enviada pelo relógio Garmin informava que o dispositivo havia detectado um incidente envolvendo Ben e incluía as coordenadas do local. Ao acessar o aplicativo de rastreamento Life360, utilizado pelo casal por motivos de segurança, ela percebeu que a localização do marido permanecia parada no meio da rua.
— Achei a mensagem muito estranha, então resolvi verificar o aplicativo. Eu esperava que o marcador estivesse se movendo, mas ele estava parado. Todos os cenários possíveis começaram a passar pela minha cabeça. Eu estava apavorada — relatou em entrevista nesta semana.
Ela acionou o serviço de emergência e, minutos depois, recebeu a confirmação de que havia ocorrido um acidente. Cerca de uma hora mais tarde, um policial foi até sua residência para comunicar oficialmente a morte do ciclista.
Investigação e disputa judicial
Sem imagens de câmeras de segurança ou testemunhas do acidente, o Ministério Público concluiu que não havia provas suficientes para processar o motorista envolvido. O caso foi revisado três vezes, mas acabou arquivado pelas autoridades.
A situação só avançou após uma investigação conduzida por advogados em uma ação contra a seguradora do condutor. Neste ano, o motorista concordou em assumir responsabilidade parcial pelo acidente. Para Paula, a admissão representou um encerramento importante após anos de espera.
— Saber que eles admitiram responsabilidade parcial me permitiu seguir em frente de certa forma. Acho que finalmente tive o desfecho que precisava. Sei quem foi o culpado e acredito firmemente que foi o motorista — afirmou.
O inquérito sobre a morte de Ben ocorreu apenas neste ano, cerca de quatro anos após o acidente, em razão do longo processo de análise do caso pelas autoridades.
Uma calma tensa tomou conta do Oriente Médio nesta sexta-feira, após dias de ataques trocados por EUA e Irã, com o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que um acordo de paz entre os países está “praticamente em fase final” e pode ser assinado neste fim de semana — com algumas fontes revelando preparativos em curso para uma cerimônia de assinatura. Embora o porta-voz da diplomacia iraniana tenha afirmado nesta sexta que o país “não chegou a uma conclusão” a respeito do acordo, a imprensa estatal do país noticiou que entre os termos em discussão estariam a manutenção da capacidade de enriquecimento de urânio, o controle iraniano sobre Ormuz, o fim da guerra de Israel no Líbano e o descongelamento de ativos financeiros do país no estrangeiro — todas demandas do regime sobre as quais os EUA exigiam concessões, e que dificilmente seriam aceitas sem controvérsia.
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As declarações contraditórias encerraram um dia de grande tensão, com ameaça de ataque massivo contra a nação persa. Embora ambas as partes afirmem que os termos ainda estão em discussão — Trump, por exemplo, admitiu que a questão nuclear com o Irã ainda está sendo discutida do ponto de vista conceitual —, fontes citadas pela imprensa dos dois países delineiam sobre o rumo das negociações.
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Uma fonte americana citada pela rede CNN afirmou à emissora que o acordo provisório estenderia o cessar-fogo entre os países e reabriria o Estreito de Ormuz, pavimentando o caminho para discussões posteriores sobre o programa nuclear iraniano. A agência de notícias iraniana Mehr noticiou nesta sexta-feira que o texto do acordo estabeleceria um prazo de 60 dias para negociação de um acordo nuclear que envolva o fim das sanções econômicas americanas ao país.
Um esboço do suposto acordo em negociação referido pela agência iraniana cita a liberação de US$ 24 bilhões (cerca de R$ 122,4 bilhões no câmbio atual) em recursos congelados no exterior, além de uma garantia ao controle iraniano de Ormuz — uma condição que a Casa Branca e aliados na região rejeitaram publicamente ao longo da guerra. Em outras ocasiões, Trump afirmou que documentos apresentados pela mídia iraniana não correspondiam aos termos considerados por Washington.
O futuro da rota naval é visto como um aspecto central, com a perturbação no mercado internacional de hidrocarbonetos tendo sido uma das maiores consequências do conflito, considerando a pressão sobre o presidente americano. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico — agência criada pelo regime iraniano no intuito de supervisionar o tráfego de embarcações — anunciou na quinta que a via marítima ficaria completamente bloqueado até nova ordem, em meio aos embates com os EUA. O comando militar americano nega que a rota esteja fechada, e abateu dois drones iranianos que tentavam atacar navios comerciais no estreito, segundo um alto funcionário americano na noite de quinta-feira.
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Outro ponto que o Irã alega estar incluído no acordo é um fim total da ofensiva de Israel no Líbano, que o Estado judeu afirma mirar o Hezbollah, grupo aliado de Teerã como parte do “Eixo da Resistência”. A demanda tem sido recorrente nas manifestações iranianas, e Trump já se apresentou como mediador para encerrar o conflito anteriormente, incentivando o diálogo entre os governos de Israel e Líbano — embora tenha culpado integralmente o grupo paramilitar pelo insucesso das negociações.
A frente libanesa da guerra é um dos exemplos mais claros das divergências entre os aliados Israel e EUA. Militares do Estado judeu lançaram novos ataques contra o sul do Líbano na manhã desta sexta, apesar do andamento das negociações. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já disse ver a ação contra o Hezbollah como uma questão existencial para Israel e uma medida de “autodefesa”, tendo defendido a legitimidade dos ataques em diálogo com Trump.
Embora não esteja diretamente envolvido nas negociações, o premier conversou com o presidente americano na quinta-feira, segundo informações divulgadas pelo seu gabinete. O comunicado dizia que o líder israelense “expressou apreço” pelo compromisso de Trump de que um acordo final com o Irã estipulará a remoção do material nuclear iraniano, o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento de urânio, limites à produção de mísseis e a cessação do apoio iraniano a grupos armados na região — termos que não foram citados pelo esboço da imprensa iraniana.
Apesar da falta de clareza nos termos, fontes americanas indicaram otimismo com o desfecho positivo das negociações. Funcionários do governo americano ouvidos por veículos como CNN, Axios e Bloomberg afirmaram que estão sendo feitos preparativos para uma cerimônia de assinatura de um memorando em Genebra, na Suíça. Não há confirmação por parte de Teerã. (Com NYT e AFP)
O papa Leão XIV protagonizou um momento inusitado no último dia de sua viagem à Espanha ao repetir o gesto viral conhecido como “six-seven” após uma brincadeira feita por Mbacke Ndiaye, jovem imigrante senegalês que havia lido uma mensagem diante do pontífice. A cena ocorreu em Tenerife, nas Ilhas Canárias, durante uma visita marcada por discursos em defesa dos migrantes e críticas à indiferença diante das mortes nas rotas marítimas rumo à Europa.
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O “six-seven”, ou “6-7”, é uma tendência da internet associada a uma expressão viral e a um gesto com as mãos, feito em movimento de sobe e desce, como se pesasse duas opções. Dias antes, Leão XIV já havia surpreendido fiéis ao parecer imitar o mesmo gesto enquanto circulava no papamóvel em Madri, no sábado, 6 de junho.
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Entenda visita
Em Tenerife, uma das ilhas Canárias que se tornaram uma importante porta de entrada para imigrantes sem documentos que chegam à Espanha e à Europa, o papa visitou o centro de acolhimento Las Raíces, onde falou diante de centenas de migrantes e voluntários.
“Todos, de algum modo, somos migrantes”, afirmou Leão XIV durante o discurso. “Todos, de algum modo, somos migrantes, todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial. Ajudemo-nos a fazer desta travessia um lugar mais humano para todos”, acrescentou o pontífice.
A visita às Canárias encerrou a primeira viagem de Leão XIV a um país da União Europeia fora da Itália. O roteiro incluiu passagens por Madri, Barcelona, o Mosteiro de Montserrat e o arquipélago espanhol localizado no Oceano Atlântico, próximo à costa oeste da África.
Antes de chegar a Tenerife, o papa esteve em Gran Canaria, onde criticou a “indiferença” em relação aos migrantes. No porto de Arguineguín, ele lançou uma coroa de flores ao mar em homenagem às milhares de pessoas que morreram tentando chegar às ilhas.
“A dignidade humana não tem passaporte”, afirmou no cais, antes de abençoar uma cruz azul desbotada feita com madeira de uma embarcação de imigrantes.
“Hoje existem monstros que espreitam esses mares: máfias que traficam o desespero, traficantes que escravizam mulheres e crianças, e a indiferença de muitos que permitem que os pobres sejam engolidos pela exploração ou pelo esquecimento”, disse o papa, de 70 anos.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), quase 1.200 pessoas morreram ou desapareceram no ano passado na rota entre a África e as Ilhas Canárias, considerada uma das mais letais do mundo.
Em seu discurso, Leão XIV afirmou que a Europa, onde governos endureceram políticas migratórias sob pressão da extrema direita, “não pode proclamar a dignidade humana e se acostumar com o Mediterrâneo e o Atlântico sendo cemitérios sem lápides”.
O pontífice também disse que a tragédia deve apelar à “consciência” dos países de origem e de trânsito, de onde migrantes fogem da pobreza e dos conflitos e acabam nas mãos de grupos de traficantes.
Ainda em Tenerife, Leão XIV tinha previsão de se reunir com representantes de associações religiosas e laicas que auxiliam migrantes e de celebrar uma missa ao ar livre no porto de Santa Cruz de Tenerife para dezenas de milhares de pessoas. Depois, o pontífice retornaria a Roma e, durante o voo, deveria conversar com jornalistas.

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