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Um carregamento de animais silvestres importados da América do Sul terminou em prejuízo ambiental e questionamentos sobre o manejo de espécies exóticas nos Estados Unidos. Pelo menos 31 preguiças morreram entre 2024 e 2025 após serem transportadas para a Flórida, onde seriam uma das principais atrações do parque temático Sloth World Orlando, ainda não inaugurado.
As mortes vieram à tona em um relatório divulgado em abril pela Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida, que investigou as condições de armazenamento dos animais em um galpão operado pela empresa Sanctuary World Imports.
Falhas estruturais e choque térmico
De acordo com o documento, os animais foram mantidos em um armazém que não estava preparado para recebê-los durante períodos de temperaturas mais baixas no estado. O espaço contava com gaiolas, telas de sombreamento e vegetação para auxiliar na adaptação das preguiças, mas carecia de infraestrutura adequada para controle térmico.
O responsável licenciado pela empresa, Peter Bandre, informou às autoridades que realizou dois pedidos: um lote de 21 preguiças oriundas da Guiana e outro com 10 animais vindos do Peru. Segundo ele, o primeiro grupo morreu em decorrência de “choque térmico”.
Ainda conforme o relatório, houve tentativa de aquecer o ambiente com o uso de aquecedores elétricos. No entanto, uma falha no fusível interrompeu o funcionamento dos equipamentos, deixando os animais expostos ao frio.
Apesar das condições inadequadas, Bandre afirmou que não foi possível cancelar o envio a tempo.
Novo carregamento também registrou mortes
O segundo lote chegou em 19 de fevereiro de 2025. Duas preguiças já desembarcaram mortas, enquanto as outras oito morreram posteriormente devido a problemas de saúde, segundo o relatório.
A sucessão de mortes levantou críticas de autoridades e reacendeu o debate sobre o comércio e o transporte de animais silvestres.
O deputado democrata da Flórida, Maxwell Frost, afirmou estar “horrorizado” com o episódio. Em publicação nas redes sociais, ele declarou que os animais foram submetidos a condições inadequadas, incluindo superlotação e ausência de aquecimento apropriado, fatores que teriam contribuído para estresse e disseminação de doenças.
Contestação e investigação
Um ex-sócio do Sloth World Orlando contestou as conclusões apresentadas no relatório. Em entrevista à afiliada local da Fox, a WOFL, ele negou que os animais tenham sofrido hipotermia ou ficado sem acesso a água e eletricidade.
O ex-coproprietário, que afirmou não ter mais vínculo com o empreendimento, destacou ainda que o parque teve sua licença renovada após uma inspeção considerada rigorosa pela própria Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida.
Os voos internacionais serão retomados no sábado (25) no Aeroporto Imã Khomeini de Teerã, um dos dois principais da capital iraniana, informou nesta sexta-feira (24) a agência de notícias ISNA.
A autoridade de aviação civil havia anunciado na segunda-feira a reabertura do terminal, assim como a do segundo grande aeroporto de Teerã, Mehrabad, após semanas de fechamento devido à guerra, iniciada em 28 de fevereiro com os ataques de Israel e Estados Unidos contra o Irã.
“Segundo um anúncio do Aeroporto Imã Khomeini, os voos internacionais para Istambul e Mascate (Omã) serão retomados amanhã (sábado) no aeroporto”, indicou a agência ISNA.
Os voos internacionais foram retomados na segunda-feira no aeroporto de Mashhad, no nordeste do país.
O transporte aéreo de passageiros no Irã havia sido interrompido no início da ofensiva israelense-americana.
Na última segunda-feira (20), a Rússia suspendeu as restrições a voos sobre o espaço aéreo iraniano e retomou os sobrevoos, informou a Agência Federal de Transporte Aéreo do país (Rosaviatsiya). Também foram retiradas as suspensões de voos de companhias aéreas russas sobre e para o país persa. A agência ainda suspendeu a recomendação de suspensão de venda de passagens para voos com chegada ou saída dos Emirados Árabes Unidos.
Um caçador norte-americano de 75 anos morreu após ser atacado por uma manada de elefantes no interior do Gabão, na África Central. O incidente ocorreu no dia 18 de abril, segundo confirmou a empresa de safáris Collect Africa, responsável pela expedição.
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Identificado como Ernie Dosio, o homem participava de uma caçada a uma espécie rara de antílope quando se deparou com cinco elefantes em meio à vegetação densa. Ele estava acompanhado de um guia profissional e armado com uma espingarda no momento do ataque.
De acordo com relatos de pessoas próximas e de um caçador aposentado que conhecia a vítima, a dupla avançava por uma área de vegetação rasteira quando entrou, sem perceber, no espaço ocupado pela manada. Os animais, descritos como fêmeas com filhotes, reagiram de forma imediata ao se sentirem ameaçados.
O guia teria sido o primeiro a ser atingido, sendo arremessado e perdendo o rifle durante o ataque. Em seguida, Dosio foi alcançado pelos elefantes e acabou pisoteado. Segundo o relato, os animais estavam camuflados pela vegetação e teriam surgido “como que do nada”.
Ataque em área de alta densidade de elefantes
O Gabão concentra uma das maiores populações de elefantes-da-floresta do mundo, com cerca de 50 mil indivíduos, aproximadamente 60% da população remanescente da espécie. Esses animais, considerados os maiores terrestres do planeta, podem pesar até quatro toneladas e atingir velocidades de até 40 km/h.
Na ocasião, Dosio buscava abater um duiker-de-dorso-amarelo, um tipo de antílope raro, para ampliar sua coleção de troféus de caça. Ao longo de décadas, ele participou de expedições envolvendo espécies consideradas de alto risco, como leões, búfalos e os próprios elefantes.
O corpo do caçador está sendo repatriado para a Califórnia, nos Estados Unidos, com apoio da embaixada americana no Gabão.
Repercussão e homenagens
A morte gerou comoção entre amigos e conhecidos. Em nota, o secretário da Loja Maçônica de Lodi, Tommy Whitman, lamentou a perda e destacou o perfil solidário de Dosio.
— É com o coração pesado que informo seu falecimento. Que nossos pensamentos estejam com a família — afirmou.
Segundo ele, o caçador era conhecido por ajudar veteranos de guerra, pessoas com deficiência e crianças em situação de vulnerabilidade, sem buscar reconhecimento público.
Amigos também o descreveram como uma figura discreta, apesar da aparência marcante. “Era um homem simples, que gostava de caçar e cozinhar”, disse um conhecido da família, que classificou a notícia da morte como “um choque”.
Casos semelhantes
O episódio não é isolado. Em agosto do ano passado, o caçador Asher Watkins morreu na África do Sul após ser atacado por um búfalo-do-cabo durante uma caçada. Conhecido entre caçadores como “Morte Negra”, o animal atingiu a vítima com os chifres em um ataque surpresa.
De acordo com paramédicos que atenderam a ocorrência, Watkins sofreu ferimentos graves no abdômen e nas costelas e não resistiu antes da chegada ao hospital.
Ataques russos contra a cidade de Odessa, no sul da Ucrânia, provocaram duas mortes e deixaram 14 feridos, informaram nesta sexta-feira (24) os serviços de emergência.
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“Prédios residenciais e infraestrutura civil foram alvos de ataques”, indicaram as equipes de emergência em uma mensagem na plataforma Telegram, na qual acrescentam que um drone inimigo atingiu uma construção de dois andares.
A Ucrânia sofre bombardeios diários com drones e mísseis russos desde o início do conflito desencadeado por Moscou em fevereiro de 2022.
Os ataques provocaram quatro mortes na quinta-feira em Dnipro e outras regiões do país. Odessa, que é alvo frequente das bombas russas, registrou nove mortes em 16 de abril.
Segundo um relatório da Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia (HRMMU), publicado no início de janeiro, quase 15 mil civis ucranianos morreram e 40.600 ficaram feridos desde o começo da invasão russa em 24 de fevereiro de 2022.
O ano de 2025 foi o mais letal depois de 2022, com mais de 2.500 civis mortos, de acordo com o relatório.
Os líderes europeus reunidos em uma cúpula no Chipre anunciaram na quinta-feira, ao lado do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, a aprovação de um empréstimo de 90 bilhões de euros para Kiev, crucial para a defesa do país.
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Promotores especiais sul-coreanos solicitaram nesta sexta-feira (24) uma pena adicional de 30 anos de prisão para o ex-presidente Yoon Suk Yeol, atualmente detido, por supostamente ordenar o sobrevoo de drones militares sobre a Coreia do Norte em 2024.
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Yoon é acusado de ordenar a incursão para criar um pretexto que permitisse declarar a lei marcial naquele ano, uma tentativa que fracassou e resultou em seu processo de impeachment, destituição e condenação à prisão perpétua por “insurreição”.
Os promotores especiais afirmaram em um comunicado que buscam a nova sentença por acusações de “auxílio ao inimigo” e acrescentaram que o esforço de Yoon para “fabricar condições de guerra” minou a segurança do Estado.
Também argumentam que a operação aumentou as tensões com a Coreia do Norte e levou ao vazamento de informações confidenciais, incluindo detalhes sobre as capacidades das forças de segurança, depois que os drones caíram, informou a agência de notícias Yonhap.
Yoon foi condenado à prisão perpétua em fevereiro por liderar uma insurreição para “paralisar” a Assembleia Nacional pouco após declarar a lei marcial.
Ele apresentou recurso, alegando que ordenou a medida “apenas pelo bem da nação”.
Uma turista estrangeira causou milhares de euros em danos a um monumento do século XVI em Florença, Itália, ao escalá-lo durante um “desafio” antes de um casamento, segundo autoridades locais. A mulher de 28 anos, cuja identidade e nacionalidade não foram reveladas, foi detida pela polícia após subir na Fonte de Netuno na Piazza della Signoria na tarde do último sábado (18), horário local. Segundo um comunicato do conselho municipal, a turista disse que seus amigos a desafiaram a “tocar nas partes íntimas da estátua”.
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Os agentes que viram a situação intervieram imediatamente, retiraram a jovem da fonte e a identificaram.
A obra, criada pelo escultor Bartolomeo Ammannati, foi encomendada em 1559 por Cosimo I de’Medici para celebrar o casamento de seu filho, Francesco I, com a Grã-Duquesa Joana da Áustria. A fonte apresenta uma estátua do deus romano do mar, Netuno, em uma carruagem em forma de concha puxada por cavalos.
A mídia italiana relatou que especialistas da Fabbrica di Palazzo Vecchio que inspecionaram o monumento após o incidente descobriram que a mulher “causou pequenos, mas significativos danos, tanto às pernas dos cavalos em que caminhava quanto ao friso ao qual se agarrava para não escorregar”. As autoridades municipais estimaram o custo dos danos em 5 mil euros (cerca de R$ 29 mil na cotação atual), e a polícia acusou a turista de deterioração de um bem artístico e arquitetônico.
A declaração do município esclarece que “a pessoa envolvida será considerada inocente até que as autoridades judiciais emitam uma decisão final”.
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Não é a primeira vez que um turista tenta escalar Netuno. A estátua já havia sido danificada em 2005, quando alguém subiu nela e quebrou a mão do deus romano do mar, levando as autoridades a instalarem câmeras de segurança.
Em 2023, um turista alemão de 22 anos causou danos significativos ao tentar escalar o monumento para tirar uma foto. No mesmo ano, um jovem casal tentou escalar uma cópia de David de Michelangelo no Piazzale Michelangelo, também em Florença.
Apesar dos controles mais rigorosos sobre os monumentos da cidade, tais episódios ainda são frequentes. Giorgio Caselli, chefe do escritório de belas artes do conselho municipal, disse à mídia britânica The Guardian que se tornou cada vez mais comum que visitantes escalem monumentos como parte de um “desafio”.
Em 2024, um adolescente se escondeu durante a noite na Catedral de Santa Maria del Fiore antes de subir até a cúpula para tirar uma selfie. O jovem se filmou subindo uma escada interna do Patrimônio Mundial até alcançar o nível da cúpula, e então saiu para uma pequena plataforma externa, tirou uma foto e postou no Instagram.
— Nosso objetivo deve ser despertar e reparar o senso cívico daqueles que passam pela cidade, o que não é apenas mostrar respeito aos outros, mas também aos monumentos — disse Caselli ao The Guardian.
Florença é uma das cidades mais inundadas de turistas da Europa, com cerca de 16 milhões de visitantes por ano.
A Índia classificou nesta quinta-feira como inadequada uma publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chamou o país do sul da Ásia de “buraco infernal”. Os comentários surgem antes da visita planejada para o próximo mês do secretário de Estado americano, Marco Rubio, à Índia, que buscará superar as recentes tensões entre as potências normalmente amigas.
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Na noite de quarta-feira, Trump publicou nas redes sociais um texto aparentemente escrito por outra pessoa, que denunciava o direito constitucional americano à cidadania de todos os nascidos no país. A publicação acusava imigrantes indianos na indústria de tecnologia de não contratarem americanos brancos nativos e alegava, de forma imprecisa, que imigrantes indianos não dominam o inglês.
“Um bebê aqui se torna cidadão instantaneamente, e então eles trazem a família inteira da China, da Índia ou de algum outro buraco infernal no planeta”, dizia a publicação.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Randhir Jaiswal, respondeu que as declarações eram “obviamente desinformadas, inapropriadas e de mau gosto”. “Certamente não refletem a realidade da relação entre a Índia e os EUA, que há muito se baseia no respeito mútuo e em interesses comuns.”
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O deputado Ami Bera, um democrata filho de imigrantes indianos, classificou a publicação de Trump como “ofensiva, ignorante e indigna do cargo que ocupa”.
“O presidente Trump, que nasceu rico e privilegiado, nunca teve que enfrentar as dificuldades que tantas famílias de imigrantes enfrentam”, disse ele.
A Fundação Hindu Americana, um grupo de defesa dos direitos civis, afirmou estar “perturbada” com o “discurso odioso e racista”.
“Apoiar discursos inflamados como os do presidente dos Estados Unidos só irá alimentar ainda mais o ódio e colocar nossas comunidades em perigo, em um momento em que a xenofobia e o racismo já estão em níveis altíssimos”, escreveu a organização no X.
Trump, que fez de uma repressão generalizada à imigração uma de suas políticas emblemáticas, tem mirado nos vistos comumente usados ​​por trabalhadores indianos da área de tecnologia. Ele também manteve, durante meses, tarifas elevadas sobre a Índia, após ficar irritado com o fato de o primeiro-ministro Narendra Modi ter minimizado sua mediação durante um conflito entre a Índia e o Paquistão, país que tem cortejado avidamente Trump.
A disputa de Trump com a Índia contrasta com décadas de esforços de sucessivos presidentes dos EUA para evitar atritos e construir relações com a maior democracia do mundo, que os formuladores de políticas dos EUA consideram um contrapeso à rival China.
No coração da capital dos Estados Unidos, uma cerca foi adornada com 20 mil ursos de pelúcia para representar as crianças ucranianas que, segundo Kiev, foram sequestradas pela Rússia durante a guerra. Nesta quinta-feira, um grupo de ativistas reuniu parlamentares americanos ao lado da exposição, localizada a poucos passos do Capitólio. “Tragam-nas para casa”, disseram.
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“Quando você vê a dimensão […] então começa a entender o quão aterrorizante isso é, e que durante todo esse tempo, enquanto esperamos por algum tipo de negociação, a vida de crianças está em risco”, disse Mariia Hlyten, uma ativista ucraniana de 24 anos.
Os representantes Richard Blumenthal, Jamie Raskin e Michael McCaul se revezaram para falar sobre a situação das crianças ucranianas desaparecidas no evento desta quinta-feira. Vladimir Putin “está tentando destruir o povo; esse é o propósito de sequestrar crianças, mudar seus nomes e reeducá-las”, denunciou Blumenthal, senador democrata.
Animais de pelúcia simbolizando crianças ucranianas em cativeiro são exibidos em Washington
Anna Moneymaker/AFP
O democrata Jamie Raskin classificou as ações de Putin como “uma violação flagrante” dos direitos humanos, do direito internacional humanitário e das leis da guerra.
“É um crime de guerra e, se for feito intencionalmente… constitui parte das evidências de genocídio”, disse Raskin. Moscou nega as acusações.
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Em fevereiro, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que duas mil crianças ucranianas haviam sido repatriadas da Rússia e dos territórios ocupados pelos russos, mas que milhares permaneciam “em cativeiro”. Em março, os Estados Unidos anunciaram a criação de um fundo de US$ 25 milhões para auxiliar no retorno das crianças ucranianas, causa pela qual a primeira-dama Melania Trump também se manifestou.
Em 2023, o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra Putin e seu comissário para os direitos da infância “pelo crime de guerra de deportação ilegal” de crianças. Kiev alega que a Rússia os doutrinou, forçando muitos a adotar a cidadania russa, acusações apoiadas por depoimentos de ucranianos que conseguiram escapar da ocupação russa.
Quando o aiatolá Ali Khamenei governava o Irã como líder supremo, ele exercia poder absoluto sobre todas as decisões relativas à guerra, à paz e às negociações com os Estados Unidos. Seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, não desempenha o mesmo papel — ele não foi visto nem ouvido desde sua nomeação, em março. Agora, um grupo de comandantes experientes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico da República teocrática, e seus aliados são os principais tomadores de decisão em assuntos de segurança, guerra e diplomacia.
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— Mojtaba está administrando o país como se fosse o diretor do conselho — disse Abdolreza Davari, um político que conhece Khamenei e atuou como conselheiro sênior do ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad (2005 – 2013). — Ele se baseia muito na orientação dos membros do Conselho, e eles tomam todas as decisões coletivamente. Os generais são os membros do Conselho.
Mojtaba, escolhido por um conselho de clérigos de alto escalão como o novo líder supremo, está escondido desde que as forças americanas e israelenses bombardearam o complexo de seu pai no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, onde ele também morava com sua família. Seu pai, esposa e filho foram mortos. O acesso a ele é extremamente difícil e limitado neste momento, pois está cercado por uma equipe de médicos que estão tratando os ferimentos sofridos nos ataques aéreos.
Passo a passo da missão de ataque que matou Khamenei
Google Maps, Airbus/Soar Atlas e Arte O GLOBO
Altos comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários do governo não o visitam, temendo que Israel possa rastreá-los até ele e matá-lo. O presidente Masoud Pezeshkian, que também é cirurgião cardíaco, e o ministro da Saúde têm se envolvido em seus cuidados.
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Embora Khamenei tenha ficado gravemente ferido, ele está mentalmente lúcido e ativo, de acordo com quatro autoridades iranianas. Uma de suas pernas foi operada três vezes e ele aguarda uma prótese. O líder supremo passou por uma cirurgia em uma das mãos e está recuperando as funções lentamente. Seu rosto e lábios sofreram queimaduras graves, o que dificulta sua fala e, futuramente, exigirá cirurgia plástica.
Manifestantes caminham diante de cartaz com a imagem do antigo líder supremo, Ali Khamenei, e do atual, Mojtaba Khamenei, no funeral do chefe da segurança do Irã, Ali Larijani
ATTA KENARE / AFP
Ainda segundo as autoridades, Mojtaba não gravou uma mensagem em vídeo ou áudio para não parecer vulnerável ou fraco em seu primeiro discurso público. Em vez disso, ele divulgou várias declarações escritas que foram publicadas nas redes sociais e lidas na televisão estatal.
As mensagens para ele são escritas à mão, seladas em envelopes e transmitidas por meio de uma corrente humana, de um mensageiro de confiança para o seguinte, que viajam por rodovias e estradas secundárias em carros e motocicletas até chegarem ao seu esconderijo. Sua orientação sobre diversos assuntos retorna da mesma forma.
A combinação entre as preocupações com sua segurança, os ferimentos e a enorme dificuldade de contatá-lo levou Khamenei a delegar as decisões aos generais — pelo menos por ora. Facções reformistas e linha-dura ainda participam das discussões políticas, mas analistas apontam que os laços construídos com os generais desde a adolescência de Khamenei, quando se voluntariou para lutar na guerra Irã-Iraque, fizeram deles a força dominante.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a guerra, juntamente com os assassinatos de vários líderes e membros do aparato de segurança do Irã, inaugurou uma “mudança de regime” e que os novos líderes são “muito mais razoáveis”. Na realidade, a República Islâmica não foi derrubada. O poder agora está nas mãos de militares linha-dura entrincheirados, e a ampla influência dos clérigos está diminuindo.
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— Mojtaba ainda não tem o comando ou controle total — avaliou Sanam Vakil, diretora para o Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, um instituto independente de estudos políticos. — Há, talvez, alguma deferência a ele. Ele assina os documentos ou faz parte da estrutura de tomada de decisões formal. Mas, no momento, ele se depara com situações já decididas.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, ex-general da Guarda Revolucionária e principal negociador com os EUA no Paquistão, afirmou, no último sábado, que a proposta americana de um acordo nuclear e um plano de paz, bem como a resposta do Irã, foram compartilhadas com Khamenei e que suas opiniões foram levadas em consideração na tomada de decisões.
Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf
Arash Khamooshi/The New York Times
A ascensão da Guarda
A Guarda Revolucionária, formada como protetora da Revolução Islâmica de 1979, acumulou poder de forma constante por meio de importantes cargos políticos, participações em setores-chave da indústria, domínio das operações de inteligência e cultivo de laços com grupos militantes no Oriente Médio que compartilham a inimizade do Irã em relação a Israel e aos EUA.
Mas sob o comando do patriarca Ali Khamenei, eles ainda tinham que, em grande parte, acatar sua vontade como uma figura religiosa singular que também servia como comandante-em-chefe das Forças Armadas. Ele empoderou a Guarda Revolucionária, e com o tempo ela se tornou o instrumento e o pilar de seu governo.
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O assassinato de Khamenei no primeiro dia da guerra criou um vácuo e uma oportunidade. A Guarda Revolucionária se uniu a Mojtaba na luta pela sucessão que se seguiu e desempenhou um papel fundamental em sua escolha como o terceiro líder supremo do Irã.
— Mojtaba não é supremo, ele pode ser o líder nominalmente, mas não é como seu pai era — disse Ali Vaez, diretor do International Crisis Group no Irã. — Mojtaba é subserviente à Guarda Revolucionária porque deve sua posição e a sobrevivência do sistema a eles.
Os generais
A Guarda Revolucionária possui múltiplas alavancas de poder. O comandante-em-chefe é o Brigadeiro-General Ahmad Vahidi. O general Mohammad Bagher Zolghadr, recém-nomeado chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, é um antigo comandante linha-dura da Guarda Revolucionária. Já o general Yahya Rahim Safavi, também comandante, atuou como principal conselheiro militar tanto do pai quanto do filho, líderes supremos.
Os oficiais entrevistados afirmam que os generais consideram a guerra com os Estados Unidos e Israel uma ameaça à sobrevivência do regime e, após cinco semanas de intensos combates, estão confiantes de que conseguiram conter a ameaça. Em todos os momentos decisivos, eles assumiram a liderança na definição da estratégia e na alocação de recursos.
Os generais desestabilizaram a economia global ao fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial em tempos de paz, e usaram quaisquer ganhos na guerra como alavanca para superar rivais políticos internos. Segundo fontes, o presidente eleito e seu gabinete foram instruídos a se concentrarem apenas em assuntos internos, como garantir um fluxo constante de alimentos e combustível e assegurar o funcionamento do país.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, foi marginalizado nas negociações que liderava com os Estados Unidos antes da guerra. Ghalibaf, então, assumiu a liderança dos esforços diplomáticos — escolha feita pelos generais. Mojtaba tem acompanhado tudo e, ainda de acordo com as fontes, raramente ou nunca apresenta objeções aos generais.
Uma fotografia divulgada pelo governo do Paquistão mostra a delegação iraniana liderada pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf (o segundo da direita para a esquerda), e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi (o segundo da esquerda para a direita). Eles foram recebidos pelo chefe do exército paquistanês, Asim Munir (à esquerda), e pelo ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar (à direita), em Islamabad, Paquistão, na sexta-feira
Ministério das Relações Exteriores do Paquistão/Reuters/via The New York Times
Foram os membros da Guarda Revolucionária que elaboraram a estratégia para os ataques do Irã contra Israel e os estados do Golfo Pérsico, bem como o fechamento do estreito ao tráfego marítimo. Também foram eles que concordaram com um cessar-fogo temporário e aprovaram a diplomacia paralela e as negociações diretas com os Estados Unidos. Pela primeira vez, vários generais da Guarda Revolucionária fizeram parte da delegação iraniana que negociou com Washington.
Esta reportagem sobre a nova estrutura de poder do Irã baseia-se em entrevistas com seis autoridades iranianas, dois ex-funcionários do regime, dois membros da Guarda Revolucionária, um clérigo de alto escalão e três pessoas próximas à Mojtaba Khamenei. Outras nove pessoas com ligações à Guarda e ao governo também descreveram a estrutura de comando. Todas falaram sob a condição de anonimato.
Mojtaba Khamenei
Autoridades iranianas e outras três pessoas próximas ao líder supremo afirmaram que a deferência de a Mojtaba à Guarda Revolucionária se devia, em parte, à sua recente ascensão ao poder. Ele não possui a estatura política e a influência religiosa que fizeram de seu pai uma figura tão singular. E isso se deve aos seus profundos laços pessoais com a Guarda.
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Quando Khamenei tinha 17 anos, ele se ofereceu como voluntário para lutar na guerra Irã-Iraque. Foi, então, designado para uma brigada da Guarda Revolucionária chamada Batalhão Habib. A experiência o moldou e ele criou laços para a vida toda. À medida que cresciam e envelheciam, muitos membros do batalhão ascenderam a cargos influentes nas Forças Armadas e na Inteligência.
Khamenei concluiu seus estudos em um seminário teológico, alcançando o posto de aiatolá, considerado um erudito e jurista da fé xiita. Trabalhou no complexo de seu pai, coordenando operações militares e de inteligência para ele, função que consolidou ainda mais seus laços com os generais e chefes de inteligência.
Entre seus amigos próximos do Batalhão Habib estão o clérigo Hossein Taeb, antigo chefe de inteligência da Guarda Revolucionária, e o general Mohsen Rezaei, que o comandou na década de 1980 e foi chamado de volta da aposentadoria. Ghalibaf também é um amigo de longa data.
Durante anos, Khamenei, Taeb e Ghalibaf se reuniam semanalmente para longos almoços de trabalho no complexo do aiatolá, segundo autoridades iranianas e três pessoas próximas a Khamenei. Eles ficaram conhecidos como o “triângulo do poder”. O trio foi acusado por um clérigo mais moderado, Mehdi Karroubi, de interferir na eleição presidencial de 2009, na qual ele era candidato, e de fraudar os resultados em favor do então presidente, Ahmadinejad. Karroubi perdeu, e a derrota eleitoral levou a meses de agitação, protestos e violência.
Essas relações pessoais agora influenciam bastante a dinâmica entre Khamenei e os generais. Segundo o político Abdolreza Davari, eles se tratam pelo primeiro nome e se veem como iguais, não como superiores e subordinados.
Surgem diferenças
Mas os generais não são as únicas vozes à mesa. A política iraniana nunca foi monolítica, e o sistema é projetado para ter estruturas de poder paralelas. Desentendimentos e divisões sempre foram comuns e, em muitos casos, públicos entre figuras políticas e comandantes militares iranianos. Pezeshkian e Araghchi também têm assentos no Conselho de Segurança Nacional.
Mas sob a atual liderança coletiva, são os generais que prevalecem e, no momento, não há sinais de desordem entre eles.
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Na última terça-feira, enquanto as equipes de negociação iranianas e americanas se preparavam para viajar a Islamabad para uma segunda rodada de conversas, os generais interromperam as negociações. Havia dias que surgiam divergências sobre se o Irã deveria continuar as conversas com o vice-presidente americano, JD Vance, caso o presidente Donald Trump mantivesse o bloqueio marítimo ao Irã. Cerca de 27 navios iranianos já haviam sido impedidos de entrar ou sair de portos iranianos. A Marinha dos EUA apreendeu dois navios pertencentes ao Irã, enfurecendo ainda mais os generais, que consideraram a ação uma violação do cessar-fogo.
Trump havia publicado uma série de mensagens nas redes sociais sobre forçar o Irã a ceder a todas as suas exigências e renovou as ameaças de bombardear usinas de energia e pontes do país caso o regime não concordasse com um acordo.
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Kent Nishimura/AFP
O comandante-em-chefe, general Vahidi, e vários outros generais argumentaram que as negociações eram inúteis porque o bloqueio demonstrava que Trump não estava interessado em negociações e queria pressionar o Irã a se render, de acordo com autoridades e dois membros da Guarda Revolucionária.
As autoridades disseram que Pezeshkian e Araghchi discordaram. Pezeshkian alertou para as graves perdas econômicas da guerra, estimadas pelo governo em cerca de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão, na cotação atual), e para a necessidade de alívio das sanções para a reconstrução. Também surgiram divergências sobre até que ponto o Irã deveria prosseguir com o fechamento do estreito.
Os generais, então, venceram e as negociações fracassaram.
Trump, por sua vez, prorrogou o cessar-fogo, mas manteve o bloqueio até que, segundo ele, os “líderes fragmentados” do Irã apresentem sua própria proposta de paz. O que acontecerá a seguir não está claro. Tampouco está claro se a Guarda Revolucionária permitirá concessões suficientes aos Estados Unidos em relação ao programa nuclear iraniano para que um acordo de paz se concretize, incluindo as duas questões controversas: o congelamento do enriquecimento e a renúncia ao estoque de 400 quilos de urânio altamente enriquecido.
Uma facção radical no Irã, embora não seja dominante, se opõe a quaisquer concessões, acreditando que, se o Irã continuasse lutando, derrotaria Israel e os Estados Unidos. Os apoiadores dos radicais têm tomado as ruas em manifestações noturnas, agitando bandeiras e jurando derramar seu sangue pela república islâmica. Quando Araghchi publicou nas redes sociais que o Irã estava abrindo o estreito, os radicais o atacaram, acusando a equipe de negociação de trair seus apoiadores.
Os radicais são apoiadores de Saeed Jalili, um candidato presidencial ultraconservador, que foi afastado das decisões, mas ainda exerce alguma influência, inclusive sobre a televisão estatal, dirigida por seu irmão. Alguns exigiram que Khamenei gravasse uma mensagem em vídeo ou áudio para confirmar publicamente seu apoio às negociações com Washington. Em um comício em Teerã, a multidão que se dirigia a Khamenei gritava: “Comandante, dê-nos a ordem e nós a cumpriremos”.
Ghalibaf dirigiu-se à nação na televisão estatal na noite de sábado, assegurando aos iranianos que Khamenei estava envolvido. Ele adotou um tom desafiador, mas pragmático, afirmando que o Irã havia obtido conquistas militares, incluindo o abate de um caça americano — mas que agora era hora de usar esses ganhos em negociações diplomáticas.
— Às vezes, vejo nosso povo dizer que os destruímos — disse Ghalibaf. — Não, não os destruímos e vocês precisam entender isso. Nossos avanços militares não significam que somos mais poderosos que os Estados Unidos.
Enquanto a extensão do cessar-fogo entre EUA e Irã tem impedido o retorno da guerra em alta intensidade que fechou os céus do Oriente Médio e resultou em bombardeios diários a todos os países da região, uma disputa paralela vem sendo travada por Teerã e Washington pelo controle do Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo que negociações para o fim definitivo das hostilidades seguem travadas. O Pentágono anunciou nesta quinta-feira a apreensão de um novo navio-petroleiro supostamente ligado à exportação de combustível iraniano como parte do bloqueio ampliado aos portos do país, no mesmo dia em que o presidente americano, Donald Trump, deu ordem para “atirar e destruir” qualquer embarcação que lance minas navais em Ormuz. Autoridades iranianas, por sua vez, afirmam que os primeiros proventos de tarifas cobradas a cargueiros pela passagem segura no estreito teriam sido depositados no Banco Central do país — em uma sinalização de que a República Islâmica não pretende renunciar a uma das últimas frentes de pressão geopolítica que dispõe. Explosões foram relatadas sobre Teerã, na primeira vez que o governo disse ter acionado o sistema de defesa antiaéreo desde o início da trégua. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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