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Quando o aiatolá Ali Khamenei governava o Irã como líder supremo, ele exercia poder absoluto sobre todas as decisões relativas à guerra, à paz e às negociações com os Estados Unidos. Seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, não desempenha o mesmo papel — ele não foi visto nem ouvido desde sua nomeação, em março. Agora, um grupo de comandantes experientes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico da República teocrática, e seus aliados são os principais tomadores de decisão em assuntos de segurança, guerra e diplomacia.
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— Mojtaba está administrando o país como se fosse o diretor do conselho — disse Abdolreza Davari, um político que conhece Khamenei e atuou como conselheiro sênior do ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad (2005 – 2013). — Ele se baseia muito na orientação dos membros do Conselho, e eles tomam todas as decisões coletivamente. Os generais são os membros do Conselho.
Mojtaba, escolhido por um conselho de clérigos de alto escalão como o novo líder supremo, está escondido desde que as forças americanas e israelenses bombardearam o complexo de seu pai no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, onde ele também morava com sua família. Seu pai, esposa e filho foram mortos. O acesso a ele é extremamente difícil e limitado neste momento, pois está cercado por uma equipe de médicos que estão tratando os ferimentos sofridos nos ataques aéreos.
Passo a passo da missão de ataque que matou Khamenei
Google Maps, Airbus/Soar Atlas e Arte O GLOBO
Altos comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários do governo não o visitam, temendo que Israel possa rastreá-los até ele e matá-lo. O presidente Masoud Pezeshkian, que também é cirurgião cardíaco, e o ministro da Saúde têm se envolvido em seus cuidados.
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Embora Khamenei tenha ficado gravemente ferido, ele está mentalmente lúcido e ativo, de acordo com quatro autoridades iranianas. Uma de suas pernas foi operada três vezes e ele aguarda uma prótese. O líder supremo passou por uma cirurgia em uma das mãos e está recuperando as funções lentamente. Seu rosto e lábios sofreram queimaduras graves, o que dificulta sua fala e, futuramente, exigirá cirurgia plástica.
Manifestantes caminham diante de cartaz com a imagem do antigo líder supremo, Ali Khamenei, e do atual, Mojtaba Khamenei, no funeral do chefe da segurança do Irã, Ali Larijani
ATTA KENARE / AFP
Ainda segundo as autoridades, Mojtaba não gravou uma mensagem em vídeo ou áudio para não parecer vulnerável ou fraco em seu primeiro discurso público. Em vez disso, ele divulgou várias declarações escritas que foram publicadas nas redes sociais e lidas na televisão estatal.
As mensagens para ele são escritas à mão, seladas em envelopes e transmitidas por meio de uma corrente humana, de um mensageiro de confiança para o seguinte, que viajam por rodovias e estradas secundárias em carros e motocicletas até chegarem ao seu esconderijo. Sua orientação sobre diversos assuntos retorna da mesma forma.
A combinação entre as preocupações com sua segurança, os ferimentos e a enorme dificuldade de contatá-lo levou Khamenei a delegar as decisões aos generais — pelo menos por ora. Facções reformistas e linha-dura ainda participam das discussões políticas, mas analistas apontam que os laços construídos com os generais desde a adolescência de Khamenei, quando se voluntariou para lutar na guerra Irã-Iraque, fizeram deles a força dominante.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a guerra, juntamente com os assassinatos de vários líderes e membros do aparato de segurança do Irã, inaugurou uma “mudança de regime” e que os novos líderes são “muito mais razoáveis”. Na realidade, a República Islâmica não foi derrubada. O poder agora está nas mãos de militares linha-dura entrincheirados, e a ampla influência dos clérigos está diminuindo.
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— Mojtaba ainda não tem o comando ou controle total — avaliou Sanam Vakil, diretora para o Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, um instituto independente de estudos políticos. — Há, talvez, alguma deferência a ele. Ele assina os documentos ou faz parte da estrutura de tomada de decisões formal. Mas, no momento, ele se depara com situações já decididas.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, ex-general da Guarda Revolucionária e principal negociador com os EUA no Paquistão, afirmou, no último sábado, que a proposta americana de um acordo nuclear e um plano de paz, bem como a resposta do Irã, foram compartilhadas com Khamenei e que suas opiniões foram levadas em consideração na tomada de decisões.
Presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf
Arash Khamooshi/The New York Times
A ascensão da Guarda
A Guarda Revolucionária, formada como protetora da Revolução Islâmica de 1979, acumulou poder de forma constante por meio de importantes cargos políticos, participações em setores-chave da indústria, domínio das operações de inteligência e cultivo de laços com grupos militantes no Oriente Médio que compartilham a inimizade do Irã em relação a Israel e aos EUA.
Mas sob o comando do patriarca Ali Khamenei, eles ainda tinham que, em grande parte, acatar sua vontade como uma figura religiosa singular que também servia como comandante-em-chefe das Forças Armadas. Ele empoderou a Guarda Revolucionária, e com o tempo ela se tornou o instrumento e o pilar de seu governo.
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O assassinato de Khamenei no primeiro dia da guerra criou um vácuo e uma oportunidade. A Guarda Revolucionária se uniu a Mojtaba na luta pela sucessão que se seguiu e desempenhou um papel fundamental em sua escolha como o terceiro líder supremo do Irã.
— Mojtaba não é supremo, ele pode ser o líder nominalmente, mas não é como seu pai era — disse Ali Vaez, diretor do International Crisis Group no Irã. — Mojtaba é subserviente à Guarda Revolucionária porque deve sua posição e a sobrevivência do sistema a eles.
Os generais
A Guarda Revolucionária possui múltiplas alavancas de poder. O comandante-em-chefe é o Brigadeiro-General Ahmad Vahidi. O general Mohammad Bagher Zolghadr, recém-nomeado chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, é um antigo comandante linha-dura da Guarda Revolucionária. Já o general Yahya Rahim Safavi, também comandante, atuou como principal conselheiro militar tanto do pai quanto do filho, líderes supremos.
Os oficiais entrevistados afirmam que os generais consideram a guerra com os Estados Unidos e Israel uma ameaça à sobrevivência do regime e, após cinco semanas de intensos combates, estão confiantes de que conseguiram conter a ameaça. Em todos os momentos decisivos, eles assumiram a liderança na definição da estratégia e na alocação de recursos.
Os generais desestabilizaram a economia global ao fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial em tempos de paz, e usaram quaisquer ganhos na guerra como alavanca para superar rivais políticos internos. Segundo fontes, o presidente eleito e seu gabinete foram instruídos a se concentrarem apenas em assuntos internos, como garantir um fluxo constante de alimentos e combustível e assegurar o funcionamento do país.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, foi marginalizado nas negociações que liderava com os Estados Unidos antes da guerra. Ghalibaf, então, assumiu a liderança dos esforços diplomáticos — escolha feita pelos generais. Mojtaba tem acompanhado tudo e, ainda de acordo com as fontes, raramente ou nunca apresenta objeções aos generais.
Uma fotografia divulgada pelo governo do Paquistão mostra a delegação iraniana liderada pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf (o segundo da direita para a esquerda), e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi (o segundo da esquerda para a direita). Eles foram recebidos pelo chefe do exército paquistanês, Asim Munir (à esquerda), e pelo ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar (à direita), em Islamabad, Paquistão, na sexta-feira
Ministério das Relações Exteriores do Paquistão/Reuters/via The New York Times
Foram os membros da Guarda Revolucionária que elaboraram a estratégia para os ataques do Irã contra Israel e os estados do Golfo Pérsico, bem como o fechamento do estreito ao tráfego marítimo. Também foram eles que concordaram com um cessar-fogo temporário e aprovaram a diplomacia paralela e as negociações diretas com os Estados Unidos. Pela primeira vez, vários generais da Guarda Revolucionária fizeram parte da delegação iraniana que negociou com Washington.
Esta reportagem sobre a nova estrutura de poder do Irã baseia-se em entrevistas com seis autoridades iranianas, dois ex-funcionários do regime, dois membros da Guarda Revolucionária, um clérigo de alto escalão e três pessoas próximas à Mojtaba Khamenei. Outras nove pessoas com ligações à Guarda e ao governo também descreveram a estrutura de comando. Todas falaram sob a condição de anonimato.
Mojtaba Khamenei
Autoridades iranianas e outras três pessoas próximas ao líder supremo afirmaram que a deferência de a Mojtaba à Guarda Revolucionária se devia, em parte, à sua recente ascensão ao poder. Ele não possui a estatura política e a influência religiosa que fizeram de seu pai uma figura tão singular. E isso se deve aos seus profundos laços pessoais com a Guarda.
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Quando Khamenei tinha 17 anos, ele se ofereceu como voluntário para lutar na guerra Irã-Iraque. Foi, então, designado para uma brigada da Guarda Revolucionária chamada Batalhão Habib. A experiência o moldou e ele criou laços para a vida toda. À medida que cresciam e envelheciam, muitos membros do batalhão ascenderam a cargos influentes nas Forças Armadas e na Inteligência.
Khamenei concluiu seus estudos em um seminário teológico, alcançando o posto de aiatolá, considerado um erudito e jurista da fé xiita. Trabalhou no complexo de seu pai, coordenando operações militares e de inteligência para ele, função que consolidou ainda mais seus laços com os generais e chefes de inteligência.
Entre seus amigos próximos do Batalhão Habib estão o clérigo Hossein Taeb, antigo chefe de inteligência da Guarda Revolucionária, e o general Mohsen Rezaei, que o comandou na década de 1980 e foi chamado de volta da aposentadoria. Ghalibaf também é um amigo de longa data.
Durante anos, Khamenei, Taeb e Ghalibaf se reuniam semanalmente para longos almoços de trabalho no complexo do aiatolá, segundo autoridades iranianas e três pessoas próximas a Khamenei. Eles ficaram conhecidos como o “triângulo do poder”. O trio foi acusado por um clérigo mais moderado, Mehdi Karroubi, de interferir na eleição presidencial de 2009, na qual ele era candidato, e de fraudar os resultados em favor do então presidente, Ahmadinejad. Karroubi perdeu, e a derrota eleitoral levou a meses de agitação, protestos e violência.
Essas relações pessoais agora influenciam bastante a dinâmica entre Khamenei e os generais. Segundo o político Abdolreza Davari, eles se tratam pelo primeiro nome e se veem como iguais, não como superiores e subordinados.
Surgem diferenças
Mas os generais não são as únicas vozes à mesa. A política iraniana nunca foi monolítica, e o sistema é projetado para ter estruturas de poder paralelas. Desentendimentos e divisões sempre foram comuns e, em muitos casos, públicos entre figuras políticas e comandantes militares iranianos. Pezeshkian e Araghchi também têm assentos no Conselho de Segurança Nacional.
Mas sob a atual liderança coletiva, são os generais que prevalecem e, no momento, não há sinais de desordem entre eles.
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Na última terça-feira, enquanto as equipes de negociação iranianas e americanas se preparavam para viajar a Islamabad para uma segunda rodada de conversas, os generais interromperam as negociações. Havia dias que surgiam divergências sobre se o Irã deveria continuar as conversas com o vice-presidente americano, JD Vance, caso o presidente Donald Trump mantivesse o bloqueio marítimo ao Irã. Cerca de 27 navios iranianos já haviam sido impedidos de entrar ou sair de portos iranianos. A Marinha dos EUA apreendeu dois navios pertencentes ao Irã, enfurecendo ainda mais os generais, que consideraram a ação uma violação do cessar-fogo.
Trump havia publicado uma série de mensagens nas redes sociais sobre forçar o Irã a ceder a todas as suas exigências e renovou as ameaças de bombardear usinas de energia e pontes do país caso o regime não concordasse com um acordo.
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Kent Nishimura/AFP
O comandante-em-chefe, general Vahidi, e vários outros generais argumentaram que as negociações eram inúteis porque o bloqueio demonstrava que Trump não estava interessado em negociações e queria pressionar o Irã a se render, de acordo com autoridades e dois membros da Guarda Revolucionária.
As autoridades disseram que Pezeshkian e Araghchi discordaram. Pezeshkian alertou para as graves perdas econômicas da guerra, estimadas pelo governo em cerca de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,4 trilhão, na cotação atual), e para a necessidade de alívio das sanções para a reconstrução. Também surgiram divergências sobre até que ponto o Irã deveria prosseguir com o fechamento do estreito.
Os generais, então, venceram e as negociações fracassaram.
Trump, por sua vez, prorrogou o cessar-fogo, mas manteve o bloqueio até que, segundo ele, os “líderes fragmentados” do Irã apresentem sua própria proposta de paz. O que acontecerá a seguir não está claro. Tampouco está claro se a Guarda Revolucionária permitirá concessões suficientes aos Estados Unidos em relação ao programa nuclear iraniano para que um acordo de paz se concretize, incluindo as duas questões controversas: o congelamento do enriquecimento e a renúncia ao estoque de 400 quilos de urânio altamente enriquecido.
Uma facção radical no Irã, embora não seja dominante, se opõe a quaisquer concessões, acreditando que, se o Irã continuasse lutando, derrotaria Israel e os Estados Unidos. Os apoiadores dos radicais têm tomado as ruas em manifestações noturnas, agitando bandeiras e jurando derramar seu sangue pela república islâmica. Quando Araghchi publicou nas redes sociais que o Irã estava abrindo o estreito, os radicais o atacaram, acusando a equipe de negociação de trair seus apoiadores.
Os radicais são apoiadores de Saeed Jalili, um candidato presidencial ultraconservador, que foi afastado das decisões, mas ainda exerce alguma influência, inclusive sobre a televisão estatal, dirigida por seu irmão. Alguns exigiram que Khamenei gravasse uma mensagem em vídeo ou áudio para confirmar publicamente seu apoio às negociações com Washington. Em um comício em Teerã, a multidão que se dirigia a Khamenei gritava: “Comandante, dê-nos a ordem e nós a cumpriremos”.
Ghalibaf dirigiu-se à nação na televisão estatal na noite de sábado, assegurando aos iranianos que Khamenei estava envolvido. Ele adotou um tom desafiador, mas pragmático, afirmando que o Irã havia obtido conquistas militares, incluindo o abate de um caça americano — mas que agora era hora de usar esses ganhos em negociações diplomáticas.
— Às vezes, vejo nosso povo dizer que os destruímos — disse Ghalibaf. — Não, não os destruímos e vocês precisam entender isso. Nossos avanços militares não significam que somos mais poderosos que os Estados Unidos.

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O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ordenou a retirada de cerca de 5 mil soldados da Alemanha no próximo ano, informou o Pentágono na sexta-feira. A medida surge após o chanceler alemão Friedrich Merz criticar a forma como o presidente Donald Trump tem lidado com a guerra no Irã. A medida ocorre também após Trump anunciar a possibilidade de reduzir tropas americanas também na Itália e Espanha, intensificando a pressão sobre aliados da Otan.
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“Esta decisão surge após uma análise minuciosa da presença militar do Departamento na Europa”, afirmou o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, em comunicado. “Prevemos que a retirada seja concluída nos próximos seis a doze meses.”
Segundo o Wall Street Journal, autoridades americanas disseram que a decisão levará à retirada de uma brigada do Exército. A medida também reverte um plano do governo Joe Biden de enviar à Alemanha um batalhão equipado com mísseis convencionais de longo alcance ainda este ano. O envio havia sido anunciado conjuntamente por Estados Unidos e Alemanha durante a cúpula da Otan de 2024, em Washington.
O chanceler Friedrich Merz entrou na mira de Trump após afirmar que os Estados Unidos estavam sendo “humilhados” pelo Irã e criticar a falta de uma estratégia clara para encerrar a guerra.
Trump respondeu diretamente em sua rede social, afirmando que Merz “não sabe do que está falando” e atacando também a situação econômica alemã. O presidente americano já havia feito ameaça semelhante durante seu primeiro mandato, quando Angela Merkel ainda comandava o governo alemão.
A Alemanha concentra a maior presença militar americana na Europa, com 36.436 militares da ativa estacionados permanentemente no país, segundo dados do Departamento de Defesa dos EUA divulgados em dezembro de 2025.
Atritos com Itália e Espanha
A ofensiva do presidente americano não é inédita. Em março, Trump já havia ameaçado rever a presença militar dos EUA na Europa como forma de pressionar aliados que, segundo ele, não demonstram apoio suficiente à política externa americana.
Na Itália, a relação com a primeira-ministra Giorgia Meloni se deteriorou por causa da resistência de Roma em aderir diretamente ao conflito com o Irã. Antes uma aliada próxima de Trump, Meloni passou a ser alvo de críticas do presidente, que chegou a afirmar que lhe faltava “coragem”. O desgaste aumentou após a recusa italiana em autorizar o uso de uma base aérea na Sicília por aviões militares americanos que transportavam armas para a guerra, além de críticas da premiê a falas de Trump sobre o Papa Leão XIV.
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Já na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez tem sido um dos líderes europeus mais duros contra a atuação americana no Oriente Médio. Trump já chegou a ameaçar impor sanções comerciais ao país e sugeriu até mesmo a suspensão espanhola da Otan, hipótese considerada inviável dentro das regras da aliança. Atualmente, cerca de 3.200 militares americanos estão estacionados em solo espanhol.
Com agências internacionais.
A ganhadora iraniana do Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, foi transferida da prisão para um hospital após “uma piora catastrófica em sua saúde”, informou sua fundação em um comunicado. Mohammadi recebeu a honraria por “sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e para promover os direitos humanos e a liberdade para todos”. Em fevereiro, um tribunal iraniano condenou a ativista a sete anos e meio de prisão por acusações relacionadas a conspiração e propaganda contra o sistema, mais um episódio em sua longa sequência de detenções.
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A família e os apoiadores de Mohammadi passaram semanas pedindo ao regime iraniano que permitisse que ela recebesse atendimento médico urgente. Até sexta-feira, esses apelos pareciam ter sido ignorados.
A Fundação Narges informou que a ativista foi transferida da prisão de Zanjan para um hospital local na província de Zanjan, no Irã. A fundação havia dito em fevereiro que Mohammadi estava em greve de fome e, no mês seguinte, alertou que ela se encontrava com a saúde extremamente debilitada, havia sofrido um possível ataque cardíaco e teve o atendimento médico especializado negado.
Mohammadi, de 53 anos, foi detida em meados de dezembro durante uma cerimônia fúnebre na cidade de Mashad, junto com outros ativistas, segundo denúncia de familiares citada pelo El País. Ela estava em liberdade condicional desde dezembro de 2024 por motivos médicos.
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No fim de novembro, havia denunciado que as autoridades lhe proibiram de forma “permanente” de deixar o país e que não emitiam passaporte para que pudesse visitar os dois filhos, que não vê há 11 anos.
A ativista já foi presa 13 vezes e condenada em nove ocasiões, tendo sido encarcerada pela última vez em 2021. Mesmo durante períodos de prisão, continuou denunciando violações de direitos humanos no Irã, incluindo a aplicação da pena de morte e a repressão a mulheres que não utilizam o véu islâmico.
Em uma região marcada predominantemente por climas áridos e semiáridos, com alguns dos índices pluviométricos mais baixos do mundo registrados anualmente, os recursos hídricos são uma questão-chave nos territórios palestinos em Gaza e na Cisjordânia. Dois anos e meio após o início da guerra entre Israel e Hamas, organizações internacionais afirmam que o abastecimento tem sido um dos alvos, com um forte impacto sobre a população civil.
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Um relatório publicado pela Médicos Sem Fronteiras (MSF) na terça-feira acusou Israel de usar a água como arma de guerra, realizando uma “campanha de punição coletiva” contra os palestinos por meio de “privação deliberada de água”, o que classificou como “parte integrante do genocídio perpetrado” pelo governo israelense, alegações rejeitadas por autoridades de Tel Aviv. Já o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) compilou, no fim da semana passada, 60 ataques desde o começo do ano contra instalações de águas e esgotos ligadas ao Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) na Cisjordânia por colonos israelenses, que ganharam respaldo em suas pretensões expansionistas com o governo.
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A Coordenador de Atividades Governamentais nos Territórios (Cogat), unidade do Ministério da Defesa de Israel responsável por implementar políticas civis e coordenar operações humanitárias em Gaza e na Cisjordânia rejeitou ainda na terça as conclusões do relatório da MSF, classificando as alegações como “infundadas”, acusando a ONG com atuação em cerca de 75 países de “ecoar propaganda do Hamas”. Também argumentou que o fornecimento de água em Gaza “consistentemente excede os limiares humanitários”, apontando que facilitaria a entrada de mais de 70 mil metros cúbicos de água no território diariamente.
“As afirmações de que Israel usa a água como uma ‘arma’ são factualmente incorretas e ignoram uma verdade simples: a única parte que transforma a ajuda humanitária em arma é o Hamas”, disse o órgão em um comunicado compartilhado via redes sociais. “Longe de ‘impedir’ o acesso, Israel facilita e fornece água de suas próprias fontes”.
Fontes de água
O acesso a fontes de água é um gargalo histórico da região e mudou conforme a dinâmica conflituosa das últimas décadas. Israel controla a maior parte dos recursos hídricos na Cisjordânia desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em ambos os territórios palestinos, o abastecimento depende de uma rede de dessalinizadores, poços e uma infraestrutura de distribuição intensamente comprometidas por ações militares, ataques de grupos extremistas e o controle de fronteira, segundo organizações que atuam nas duas regiões.
Dados da ONU, da União Europeia e do Banco Mundial indicam que Israel destruiu ou danificou quase 90% das infraestruturas de água e saneamento em Gaza, incluindo centrais de dessalinização, poços, tubulações e redes de esgoto. A MSF documentou disparos do Exército israelense contra caminhões-pipa “claramente identificados”, segundo o relatório, indicando também que um terço dos pedidos da ONG para transportar unidades de dessalinização, bombas, cloro e outros produtos para tratamento da água, reservatórios, repelentes de insetos ou latrinas “foi rejeitado ou ficou sem resposta”.
Menino segura garrafas plásticas vazias enquanto espera para buscar água potável em Khan Yunis
Bashar Taleb/AFP
— As autoridades israelenses sabem que sem água a vida acaba, mas, mesmo assim, destruíram deliberada e sistematicamente a infraestrutura hídrica em Gaza, ao mesmo tempo em que bloqueiam consistentemente a entrada de suprimentos relacionados ao [abastecimento de] água — afirmou Claire San Filippo, coordenadora de emergência de MSF. — Palestinos têm sido feridos e mortos simplesmente por tentarem ter acesso à água.
As conclusões do relatório da MSF levam em consideração dados da organização e depoimentos que foram coletados por seus funcionários entre 2024 e 2025 no enclave palestino. Alguns depoimentos foram tornados públicos.
— Meu neto estava em Nuseirat, em julho [de 2025]. Ele foi buscar água potável — disse Hanan, uma mulher palestina na Cidade de Gaza ouvida pela ONG. — Ele estava na fila com outras crianças, e eles [as forças israelenses] o mataram. Ele tinha 10 anos… Buscar água não deveria ser perigoso.
Colono israelense armado se reúne com outros em um toboágua na vila de Ras Ein al-Auja, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 9 de abril de 2026
Ilia Yefimovich/AFP
Sob ataque
No caso do território palestino mais ao norte, os ataques ao sistema de água foram descritos por agências de ajuda humanitária e organizações de defesa dos direitos humanos como parte de um processo mais amplo de disputa pelo controle da terra — em um contexto em que pretensões expansionistas ganham respaldo do governo israelense. Os ataques de grupos de colonos às estruturas, alguns deles registrados em vídeo por meios palestinos, comprometeram o abastecimento de ao menos 32 comunidades em 2026.
“Essas condições continuam a prejudicar o acesso dos palestinos às fontes de água, danificar redes e estruturas de armazenamento e limitar a prestação de serviços, aumentando a dependência de intervenções de curto prazo, como o transporte de água por caminhões-pipa”, diz o relatório da OCHA.
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A rede americana CNN conversou com testemunhas de um dos ataques, em fevereiro, na estação de tratamento de Ein Samia, a nordeste de Ramallah. As fontes descreveram como homens mascarados invadiram a área e danificaram as tubulações, essenciais para abastecer cerca de 100 mil pessoas. A Polícia de Israel disse que uma investigação foi aberta e está em andamento. O Exército israelense disse que seus soldados são instruídos a interferir em situações como as descritas.
— Não se trata de que, se os palestinos receberem mais, os colonos receberão menos. Na verdade, a motivação é: ‘queremos expulsar os palestinos, então não queremos que eles tenham o que precisam para sobreviver’ — afirmou Aviv Tatarsky, pesquisador da ONG israelense Ir Amim, em entrevista à CNN. — Os confrontos em torno das fontes de água fazem parte de uma luta maior pelo controle da terra.
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Pragas e doenças
Além do dano direto dos bombardeios e das ações direcionadas à infraestrutura hídrica, a guerra impactou profundamente o acesso à água com o deslocamento forçado de palestinos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) indicou na semana passada que 80% dos cerca de 1,6 mil acampamentos de deslocados pelo conflito registraram infestações de roedores e outras pragas que espalham doenças. A MSF também citou que as condições de vida indignas, em tendas superlotadas e abrigos improvisados, favorece a propagação de doenças, em particular infecções respiratórias, doenças de pele e doenças diarreicas. (Com AFP)
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em carta ao Congresso que as hostilidades com o Irã foram “encerradas” após a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo no início de abril, buscando reduzir a pressão política sobre a necessidade de autorização formal dos parlamentares para a continuidade do conflito. A justificativa está ligada à legislação americana que regula o uso das Forças Armadas. Pela lei, após notificar oficialmente o Congresso sobre ações militares, o presidente tem 60 dias para encerrar as operações ou obter autorização para prolongá-las. Em tese, esse prazo expiraria nesta sexta-feira.
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“Não houve troca de tiros entre as Forças Armadas dos Estados Unidos e o Irã desde 7 de abril de 2026”, escreveu o presidente aos líderes do Congresso. “As hostilidades que começaram em 28 de fevereiro de 2026 foram encerradas.” “Tenho dirigido e continuarei a dirigir as Forças Armadas dos Estados Unidos de acordo com minhas responsabilidades e em conformidade com minha autoridade constitucional para conduzir as relações exteriores dos Estados Unidos como Comandante-em-Chefe e Chefe do Executivo”.
O argumento jurídico usado por Trump foi antecipado pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, durante audiência no Congresso na quinta-feira, afirmando que o prazo para buscar a aprovação dos legisladores havia sido suspenso em decorrência do cessar-fogo.
— Estamos em um cessar-fogo neste momento, o que, segundo nosso entendimento, significa que o prazo de 60 dias é suspenso ou interrompido — disse Hegseth durante audiência na Comissão das Forças Armadas do Senado.
De acordo com a Resolução de Poderes de Guerra, adotada em 1973 pelo Congresso nos últimos anos da Guerra do Vietnã, o presidente que decidir lançar uma operação militar no exterior precisa comunicar o Congresso em até 48 horas, e estipula que se os legisladores não autorizarem a guerra em até 60 dias, as tropas devem retornar às suas bases. A legislação dá um prazo adicional de 30 dias, mas apenas para permitir uma retirada. Na ocasião, o presidente Richard Nixon vetou o texto, mas o Congresso derrubou o veto.
Ameaça à estabilidade do Golfo: Presidente do Irã diz que bloqueio naval dos EUA está ‘condenado ao fracasso’
Pelas contas de Trump e Hegseth, eles teriam mais algumas semanas de guerra mesmo sem o aval do Legislativo. Mas senadores, especialmente de oposição, afirmam que o prazo acaba nesta sexta-feira, impondo mais um desafio legal a uma guerra questionada dentro dos EUA.
Não há qualquer indício de que a Casa Branca tentará buscar a aprovação do Congresso, e deve deixar o prazo expirar, como fizeram alguns de seus antecessores — em 1999, Bill Clinton foi processado por estourar os 60 dias durante a ofensiva contra as forças iugoslavas durante a Guerra do Kosovo, mas a provisão dos 30 dias adicionais livrou seu governo de culpa ou condenações.
Ao contrário da operação nos Bálcãs, lançada com justificativas humanitárias e contra um líder mais tarde processado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, Slobodan Milosevic, a guerra no Irã não conta com o apoio dos americanos e começa a incomodar a base republicana, preocupada com os impactos nas eleições de novembro. Na terça-feira, pesquisa publicada pela agência Reuters e pelo instituto Ipsos mostrou que apenas 34% dos entrevistados são a favor da “Operação Fúria Épica”.
‘Insatisfeito’
Enquanto isso, Trump disse nesta sexta-feira que não está satisfeito com a nova proposta do Irã para iniciar negociações pelo fim da guerra no Oriente Médio, expressando dúvidas sobre a capacidade do país de aceitar um acordo.
As tratativas entre os dois lados permanecem paralisadas. A agência estatal iraniana Irna afirmou horas antes que o Irã enviou uma proposta de negociação aos EUA por meio de mediadores do Paquistão. No mesmo dia, o chefe do Poder Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, afirmou que Teerã está aberto a dialogar com Washington, mas não aceitará “imposições” sob ameaça.
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A nova proposta iraniana oferece a discussão das condições de Teerã para a abertura do Estreito de Ormuz, em troca de garantias americanas de que cessarão os ataques e suspenderão o bloqueio aos portos iranianos, disseram fontes do Wall Street Journal.
Nas discussões anteriores, o Irã exigia que os EUA suspendessem o bloqueio como pré-condição para as negociações e concordassem com os termos para o fim da guerra antes de discutir a gestão futura do estreito e seu programa nuclear. Já a nova proposta enviada pela República Islâmica prevê a discussão das questões relativas ao programa nuclear iraniano em troca do alívio das sanções americanas, de acordo com as fontes.
Com agências internacionais.

Equipes da Defesa Civil Nacional se deslocaram, nesta sexta-feira (1º), para apoiar o estado de Pernambuco atingido por fortes chuvas. A decisão foi dada pelo Governo após contato com as autoridades locais. As equipes atuarão em conjunto com as defesas civis, estaduais e municipais. A determinação foi anunciada mais cedo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, entrou em contato com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e com o prefeito do Recife, Vitor Marques, para orientar sobre as providências necessárias para o reconhecimento sumário da situação de emergência.

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“Já conversei com autoridades locais, como o senador Humberto Costa, o ex-prefeito João Campos e a governadora Raquel Lyra, para informar que a determinação do presidente Lula é clara: garantir o socorro e assistência do Governo Federal nessa situação de emergência”, afirmou o ministro.

Waldez Góes também destacou que equipes da Defesa Civil Nacional vão atuar em campo, em parceria com as defesas civis estaduais e municipais, para avaliar a situação e adotar as medidas necessárias para reduzir os impactos causados pelas chuvas em Pernambuco.

A pasta informou que, além de Pernambuco, o governo vai apoiar a Paraíba. O estado também tem sofrido com os temporais nas últimas 24h.

De acordo com o último boletim, divulgado pela Defesa Civil estadual, nesta sexta-feira (1º), às 12h, o estado de Pernambuco está com sete municípios em alerta e teve registros expressivos de acumulado de chuva nas últimas 24 horas, em milímetros (mm), com destaque para as seguintes cidades: Goiana (181 mm), Abreu e Lima (144,8 mm), Paulista (142,9 mm), Igarassu (140,5 mm), Condado (129,6 mm), Itaquitinga (120,8 mm) e Itambé (117,6 mm). Em Recife, foram registrados pontos de alagamento.

“Os técnicos também fazem o monitoramento hidrológico em rios da Mata Norte de Pernambuco. O risco hidrológico e urbano está em evolução, com possibilidade de alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de terra em áreas vulneráveis” disse a pasta.

O auxílio a Pernambuco já havia sido anunciado mais cedo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula determinou o apoio do governo federal à região metropolitana do Recife após a cidade sofrer com fortes chuvas.

Desde ontem (30), segundo a Defesa Civil estadual, foram registrados mais de 100 milímetros de chuva na região. Pelo menos duas pessoas morreram, segundo o prefeito de Recife, Victor Marques. 

Em uma rede social, Lula disse que conversou por telefone, na manhã desta sexta-feira, com o ex-prefeito de Recife, João Campos, e o senador pernambucano Humberto Costa (PT-PE) sobre as chuvas, que atingem também outras regiões do estado.

“Determinei imediatamente o pronto apoio federal às autoridades locais. O ministro da Integração Regional, Waldez Góes, acionou a Defesa Civil Nacional para prestar todo suporte às cidades atingidas, Inclusive com o reconhecimento da situação de emergência e o deslocamento de técnicos para a área,” disse o presidente

Paraíba

O estado da Paraíba também registrou chuvas intensas e está em risco. Há alerta laranja (perigo) para parte do estado, com previsão de chuva entre 30 e 60 milímetros (mm) por hora, ventos intensos, risco de alagamentos, queda de árvores e interrupções de energia.

Entre os municípios em alerta, destaque para João Pessoa, Cabedelo, Santa Rita, Bayeux, Conde, Mamanguape, Guarabira, Sapé, Rio Tinto, Alhandra, Areia e Bananeiras.

 

Após mais de quatro décadas sem respostas, o assassinato de Roxanne Sharp, uma garota de 16 anos encontrada morta em 1982 na Louisiana, no sul dos Estados Unidos, voltou a ser relevante após a captura de quatro homens identificados como supostos autores. O caso, que permaneceu paralisado por anos devido à falta de evidências e ao silêncio da comunidade, tomou um rumo com a ajuda de novas tecnologias e um podcast que reativou a investigação.
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O crime ocorreu em 12 de fevereiro de 1982, quando o corpo da menor foi encontrado em uma área arborizada de Covington. As autoridades estabeleceram que a jovem foi vítima de agressão sexual e homicídio, mas naquele momento nenhuma prisão foi realizada. A escassez de provas físicas e a falta de testemunhas dispostas a depor mantiveram o arquivo sem progresso por décadas.
Em meio a essa incerteza, surgiu uma linha de investigação que acabou sendo descartada. Um serial killer confessou o crime, mas depois retratou, e sua versão foi descartada devido a inconsistências nas evidências.
De acordo com informações compartilhadas pela Associated Press (AP), o caso mudou de direção quando o podcast “Who Killed Roxanne Sharp?” foi lançado em 2025, uma produção desenvolvida em conjunto com investigadores e a mídia local. A série não só reacendeu o interesse do público, como também permitiu que informações-chave que haviam permanecido ocultas por anos fossem obtidas.
— Isso ajudou nossos investigadores a reconstruir onde Roxanne estava dias antes de sua morte — disse Marc Gremillion, porta-voz da polícia estadual. — Foi uma grande ajuda para espalhar essa mensagem ao público e, portanto, para que testemunhas nos contatassem novamente — disse ele.
O impacto do podcast foi imediato. Charles Dowdy, vice-presidente da Northshore Media, o veículo responsável pela produção da série, reconheceu que o escopo superou todas as expectativas.
— Quando começamos o podcast, achamos que ninguém se importava, mas rapidamente percebemos nosso erro — disse ele. — Muitas pessoas nos procuraram e disseram que conheciam Roxanne, que se lembravam dela e que eram amigos dela — acrescentou.
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Durante a produção, Dowdy acompanhou os investigadores na reconstrução da cena do crime, documentando detalhes que passaram despercebidos por anos.
— Ficou claro que a agarraram na rua e a arrastaram para a floresta — disse ele.
A divulgação do caso também quebrou o silêncio que a comunidade manteve por décadas diante dos acontecimentos que ocorreram.
— Tem sido uma grande nuvem negra sobre a comunidade. Ninguém falava sobre isso, era um segredo aberto — disse Justin Joiner, morador da região.
Com novas informações fornecidas por testemunhas e o apoio de tecnologias modernas de análise de DNA, as autoridades conseguiram identificar quatro suspeitos: Perry Wayne Taylor, Darrell Dean Spell, Carlos Cooper e Billy Williams Jr., todos com mais de 60 anos. Os homens enfrentam acusações de estupro agravado e homicídio em segundo grau. Alguns já estavam presos por outros crimes.
As prisões, realizadas em abril de 2026, representam um avanço significativo em um caso que por anos não pôde ser resolvido.
— Casos não resolvidos não se fecham sozinhos. Eles fecham porque as pessoas aparecem ano após ano e se recusam a desistir — disse o chefe do Departamento de Polícia de Covington, Michael Ferrell.
O processo judicial pode levar a prisão perpétua, levando em conta a gravidade das acusações. Enquanto isso, a família da vítima mantém a expectativa de fechar um capítulo que permaneceu aberto por mais de 40 anos.
— Esperamos que, com justiça, cura e encerramento venham para nossa família — disse Michele Lappin, sobrinha da jovem.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou nesta sexta-feira novas sanções com o objetivo de enfraquecer o governo cubano, que, segundo ele, “continua a representar uma ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, classificou as medidas como “ilegais e abusivas”.
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“Repudiável, mas curioso e ridículo. O governo dos EUA está alarmado e responde com novas medidas coercitivas unilaterais, ilegais e abusivas contra Cuba, à marcha do Dia do Trabalho de mais de meio milhão de cubanos em Havana, liderada pelo General do Exército Raúl Castro e pelo presidente [Miguel] Díaz-Canel, e às assinaturas de 6 milhões de cubanos (81% da população com mais de 16 anos) em defesa da pátria sob ameaça militar, denunciando o bloqueio intensificado e o embargo energético”, escreveu o chanceler em uma publicação nas redes sociais.
Trump instruiu sua administração a sancionar bancos estrangeiros que trabalham com o governo comunista em Havana, bem como a endurecer as regulamentações de imigração. As sanções também atingirão indivíduos envolvidos nos setores de energia e mineração, e qualquer pessoa envolvida em “graves violações dos direitos humanos”.
A administração Trump acusa o governo cubano de implementar “políticas e práticas destinadas a prejudicar os Estados Unidos”, contrárias aos “valores morais e políticos de sociedades livres e democráticas”, de acordo com o decreto presidencial.
O anúncio ocorre no mesmo dia em que milhares de pessoas marcharam em frente à embaixada dos EUA em Havana para “defender a pátria” e denunciar ameaças de agressão militar, em meio à escalada das tensões com Washington.
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Além do embargo em vigor desde 1962, Washington — que não esconde seu desejo de mudança de regime em Havana — impôs um bloqueio de petróleo a Cuba desde janeiro, permitindo a entrada de apenas um petroleiro russo no país desde então.
Essa medida provocou uma profunda crise energética no país, e que tem se agravado exponencialmente desde então. A escassez de combustível contribuiu para três grandes apagões em nível nacional e levou muitas companhias aéreas estrangeiras a suspender voos para a ilha.
Os governos do Brasil e da Espanha divulgaram nota conjunta nesta sexta condenando “em termos enérgicos” o que chamaram de “sequestro” dos ativistas que foram detidos por autoridades israelenses enquanto viajavam para Gaza a bordo de uma flotilha humanitária. O Países dizem exigir do governo de Israel o retorno imediato do brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Keshek, com “plenas garantias de segurança”.
Thiago e Saif estavam a bordo da flotilha Global Sumud junto de mais de outros 170 ativistas. As embarcações foram abordadas em águas internacionais, próximo à Grécia. A maior parte do grupo foi liberada e desembarcou na ilha de Creta, mas não o brasileiro e o espanhol-palestino. Autoridades israelenses afirmaram que eles seriam interrogados em Israel.
Segundo os governos do Brasil e da Espanha a ação israelense é “flagrantemente ilegal”, fora da jurisdição daquele Estado. “É uma afronta ao Direito Internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, registrou nota conjunta divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores.
Os países ainda dizem exigir que seja facilitado o acesso consular imediato a Thiago e a Saif para “assistência e proteção”.
Em um comunicado, o ministério israelense afirmou que Thiago Ávila é “suspeito de atividade ilegal”, sem fornecer mais detalhes, e Abu Keshek é “suspeito de ligação com uma organização terrorista”.
Thiago Ávila participou da flotilha humanitária “Nossa América”, que chegou a Havana no final de março, em solidariedade ao governo cubano, afetado pelo bloqueio energético imposto pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump. Acompanhado pela ativista sueca Greta Thunberg e pela ex-prefeita de Barcelona, ​​Ada Colau, Ávila também participou, no ano passado, de outra flotilha com destino a Gaza, que também foi interceptada por Israel.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou nesta sexta-feira (1º) apoio do governo federal à região metropolitana de Recife, após a cidade sofrer com fortes chuvas. Desde ontem (30), segundo a Defesa Civil estadual, foram registrados mais de 100 milímetros de chuva na região. 

Pelo menos quatro pessoas estão desaparecidas após o deslizamento de uma barreira em Olinda.

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Em uma rede social, Lula disse que conversou por telefone com o ex-prefeito de Recife, João Campos, e com o senador pernambucano Humberto Costa (PT-PE) sobre as chuvas, que atingem também outras regiões do estado.

“Determinei imediatamente o pronto apoio federal às autoridades locais. O ministro da Integração Regional, Waldez Góes, acionou a Defesa Civil Nacional para prestar todo suporte às cidades atingidas, Inclusive com o reconhecimento da situação de emergência e o deslocamento de técnicos para a área”, disse o presidente. 

Lula determinou ainda que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mobilize a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para prestar atendimento às vítimas.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, também se manifestou. Ele disse que Góes conversou com a governadora do estado, Raquel Lyra, sobre as medidas de apoio do governo.

Entre as providências a serem adotadas está a decretação de estado de calamidade pública para o estado e os municípios atingidos. 

Guimarães disse ainda que o governo fará o reconhecimento sumário da situação e adotará, “com rapidez, as medidas necessárias para minimizar os impactos e reduzir o sofrimento das populações atingidas”.

“O diálogo com as diferentes esferas de governo reforça a importância da atuação conjunta neste momento crítico. A união de esforços é fundamental para enfrentar a tragédia, salvar vidas e evitar maiores perdas, em um gesto de solidariedade com o povo pernambucano diante de uma situação tão difícil”, disse.

Alerta

A Defesa Civil emitiu um alerta de fortes chuvas para hoje e sábado na região metropolitana de Recife e zona da Mata Norte.

Chuvas moderadas devem atingir as zonas do Agreste e Mata Sul.

O Papa Leão XIV nomeou, nesta sexta-feira (1º), como bispo na Virgínia Ocidental um ex-migrante sem documentos nos Estados Unidos, após ter criticado a guerra no Irã e a política de imigração do presidente Donald Trump.
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O Vaticano anunciou, em um comunicado, a nomeação de Evelio Menjivar Ayala, de 56 anos, atualmente bispo auxiliar em Washington, como bispo da diocese de Wheeling-Charleston, na Virgínia Ocidental.
Nascido em El Salvador, Menjivar Ayala emigrou para os Estados Unidos em 1990, segundo o site da diocese de Washington. Ele relatou ter nascido na pobreza e ter fugido do conflito armado em seu país.
Detido inicialmente no México quando tentava entrar em solo americano, contou em uma entrevista no ano passado que pagou um suborno para ser libertado e que atravessou a fronteira por Tijuana.
Ele foi ordenado padre em 2004.
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O Papa Leão XIV, nascido nos Estados Unidos, recebeu no mês passado críticas de Trump — que o qualificou como “fraco” — depois de considerar “inaceitável” a ameaça de destruir o Irã.
Também qualificou a política do presidente americano em relação aos migrantes como “extremamente desrespeitosa” e pediu para “tratar as pessoas com humanidade”.

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