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O mundo destinou cerca de US$ 2,9 trilhões de dólares (R$ 14,5 trilhões) aos gastos militares em 2025, marcando o 11º ano consecutivo de crescimento em um contexto de multiplicação de conflitos e tensões, segundo um relatório de referência publicado nesta segunda-feira (27, data local). Os três maiores contribuintes — Estados Unidos, China e Rússia — representam pouco mais de metade do total, com US$ 1,48 trilhão (R$ 7,4 trilhões).
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Veja também: Suprema Corte de Israel manda suspender benefícios a ultraortodoxos que evitam serviço militar
O aumento foi de 2,9% em comparação com o ano anterior, e apesar da diminuição do gasto militar americano, segundo o relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês).
Essa queda foi amplamente compensada pelos aumentos na Europa e na Ásia, em “um novo ano marcado por guerras e intensificação das tensões”, explicou Lorenzo Scarazzato, especialista do Sipri, à AFP. O “ônus militar”, ou seja, a proporção do PIB mundial destinada ao gasto militar, é o mais alto desde 2009.
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Os Estados Unidos gastaram US$ 954 bilhões (R$ 4,7 trilhões), 7,5% menos que em 2024, fundamentalmente devido à suspensão da ajuda à Ucrânia. O principal motor do crescimento global foi a Europa — que inclui Rússia e Ucrânia –, onde os gastos foram 14% maiores, somando US$ 864 bilhões (R$ 4,3 trilhões).
Forte aumento na Ásia/Oceania
“Isto se explica pela guerra em curso na Ucrânia e pela retirada dos Estados Unidos da Europa”, declarou Scarazzato. Os Estados Unidos “estão pressionando a Europa para assumir maior responsabilidade em sua própria defesa”.
A Alemanha, o quarto país do mundo em termos de gasto militar, o aumentou em 24% em 2025, para US$ 114 bilhões (R$ 570 bilhões). A Espanha também aumentou consideravelmente os seus gastos, em 50%, para US$ 40,2 bilhões (R$ 201 bilhões), superando pela primeira vez, desde 1994, a marca de 2% do PIB.
O gasto da Rússia cresceu 5,9%, para US$ 190 bilhões (R$ 951 bilhões), o equivalente a 7,5% do PIB. A Ucrânia, por sua vez, expandiu seus gastos em 20%, para US$ 84,1 bilhões (R$ 421 bilhões), o que representa 40% de seu PIB. Apesar das tensões persistentes no Oriente Médio, os gastos na região apenas aumentaram 0,1%, para US$ 218 bilhões (pouco mais de R$ 1 trilhão).
Enquanto a maioria dos países da região aumentou seus gastos, Israel e Irã, na realidade, os reduziram. No Irã, o gasto caiu 5,6%, para US$ 7,4 bilhões (R$ 37 bilhões), mas isso se explica principalmente por uma inflação anual elevada, de 42%. Em termos nominais, o gasto sim aumentou.
No caso de Israel, a redução de 4,9%, para US$ 48,3 bilhões (R$ 241 bilhões), deve-se ao arrefecimento da guerra em Gaza, após um primeiro cessar-fogo com o Hamas no início de 2025, e outro desde outubro, explicaram os pesquisadores, que, no entanto, apontaram que os gastos continuavam sendo 97% superiores aos de 2022.
Na região da Ásia-Oceania, o gasto totalizou US$ 681 bilhões (R$ 3,41 trilhões), um aumento de 8,5% em relação a 2024, o maior crescimento anual desde 2009. O “principal ator” da região é a China, que aumentou seus gastos todos os anos nas últimas três décadas e destinou aproximadamente US$ 336 bilhões (R$ 1,68 trilhão) em 2025, destacou o pesquisador do Sipri.
“Mas o verdadeiro interesse provavelmente reside na reação de outros países, como a Coreia do Sul, o Japão e Taiwan, diante da percepção de ameaça”, afirmou.
Alta também na América do Sul
O relatório indica que o gasto militar na América Central e no Caribe caiu 27% em 2025, para US$ 17,1 bilhões (R$ 85,6 bilhões), mas “cresceu 64% durante a década 2016-2025”.
“As tendências na sub-região estão fortemente influenciadas pelo gasto militar do México, que foi reduzido em um terço em 2025, para 13,6 bilhões de dólares [R$ 68 bilhões]”, diz o relatório. Em 2024, o México, no entanto, havia aumentado o seu investimento militar em 71%.
Por outro lado, na América do Sul, o gasto militar “ascendeu para 56,3 bilhões de dólares [R$ 282 bilhões] em 2025, um aumento de 3,4% em relação a 2024, e de 5,7% em comparação com 2016”. O Brasil é o país sul-americano que mais gasta, e aumentou suas despesas em 13% em 2025, para US$ 23,9 bilhões (R$ 119,6 bilhões), segundo o relatório.
O gasto militar da Guiana cresceu 16%, para US$ 248 milhões (R$ 1,24 bilhão) em 2025, “impulsionado pelas tensões crescentes com a Venezuela pela região petrolífera de Essequibo”. Entre os 40 maiores gastadores em nível global, o Brasil aparece na 21ª colocação, com a Colômbia na 29ª posição e o México na 30ª.
Menos de um dia após um homem armado invadir o tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou a jornalista Norah O’Donnell, da CBS, de “vergonhosa”. A declaração, feita durante entrevista exibida na noite deste domingo no programa 60 Minutes, ocorreu após O’Donnell ler trechos de um manifesto escrito pelo suspeito — que parecia referir-se a Trump como “estuprador” e “pedófilo” —, e questionar a reação do republicano.
— Eu estava esperando você ler isso, porque sabia que você leria, porque vocês são pessoas horríveis. Pessoas horríveis — disse o presidente, que, até então, vinha respondendo de forma relativamente contida. — Sim, ele escreveu isso. Eu não sou um estuprador. Eu não estuprei ninguém. Eu não sou um pedófilo. Com licença, com licença. Você lê esse lixo de uma pessoa doente? Eu fui associado a todo tipo de coisa que não tem nada a ver comigo. Fui totalmente inocentado.
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No trecho citado pela jornalista, o suposto atirador, Cole Allen, de 31 anos, teria escrito: “Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes”. Após a reação de Trump, O’Donnell tentou interromper o presidente para questionar se achava que o texto fazia referência a ele, mas foi ignorada pelo republicano, que continuou declarando:
— Os seus amigos do outro lado são os que estavam envolvidos com, digamos, Epstein ou outras coisas. Mas eu disse a mim mesmo: “Sabe de uma coisa? Vou dar essa entrevista a eles”. Eu li o manifesto. Você sabe, ele é uma pessoa doente. Mas você deveria se envergonhar por ler isso, porque eu não sou nenhuma dessas coisas. Você não deveria estar lendo isso no 60 Minutes. Você é uma vergonha. Mas vá em frente. Vamos terminar a entrevista. Você é vergonhosa.
Trump reagiu com irritação ao que pareceu interpretar como uma insinuação sobre sua relação com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais — algo que não foi citado nominalmente nem no manifesto nem pela jornalista. O presidente continuou a criticar O’Donnell ao longo do restante da conversa. Depois que ela mencionou que Allen, o suspeito, teria participado de um protesto “No Kings” (Sem Reis), contra o governo do republicano, Trump respondeu:
— A razão de você ter pessoas assim é que há gente fazendo “No Kings”. Eu não sou um rei. Se eu fosse um rei, não estaria lidando com você.
Em atualização.
A Suprema Corte de Israel ordenou, neste domingo, que o Estado suspenda os benefícios econômicos concedidos a judeus ultraortodoxos que se recusam a atender às convocações para o serviço militar obrigatório.
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O serviço militar é obrigatório no país para homens e mulheres, mas os judeus ultraortodoxos podem evitá-lo ao se dedicarem ao estudo de textos sagrados, em razão de uma isenção criada em 1948.
A medida foi instaurada por David Ben-Gurion, fundador do Estado de Israel, com o objetivo de preservar tradições religiosas ameaçadas após o Holocausto.
Nos últimos anos, no entanto, a Suprema Corte tem questionado essa exceção. Em 2024, o tribunal determinou que estudantes ultraortodoxos de escolas talmúdicas devem ser recrutados para o Exército.
— Dado que não foram propostas medidas concretas que indiquem a intenção de fazer cumprir a obrigação de alistamento não resta outra alternativa senão ordenar medidas práticas — destacou o tribunal na decisão deste domingo.
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O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, depende do apoio de partidos ultraortodoxos para manter sua coalizão de governo e, por isso, tem resistido a iniciativas para encerrar a isenção.
Com a nova decisão, o tribunal determinou a eliminação de subsídios que garantem a esse grupo acesso a tarifas reduzidas em impostos locais, transporte público e serviços de cuidados infantis.
O juiz Noam Solberg afirmou que a medida não constitui uma “sanção”, mas sim uma “perda de benefícios”, ao considerar que a promoção do serviço militar é um objetivo “legítimo” e deve ser levada em conta na definição das condições de acesso a benefícios públicos.
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A comunidade ortodoxa conhecida como “haredim”, termo usado para designar judeus ultraortodoxos, representava uma pequena parcela da população, mas cresceu nas últimas décadas e hoje corresponde a cerca de 14% dos judeus israelenses.
Esse avanço demográfico, somado às longas mobilizações de milhares de israelenses em guerras recentes, tem ampliado o ressentimento em relação à isenção, inclusive entre setores religiosos da sociedade.
Apenas horas depois de um homem armado invadir o tradicional jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca na noite de domingo, o presidente americano, Donald Trump, disse enxergar seus repetidos encontros com a violência como um sinal de sua importância histórica; afirmou que o episódio evidencia a necessidade da construção de seu planejado salão de baile na residência oficial da Presidência e adotou um tom incomumente conciliador ao pedir unidade e reconciliação entre partidos.
— Estudei assassinatos e devo dizer que as pessoas mais impactantes, aquelas que fazem mais, são as que acabam sendo alvo — disse ele a repórteres na Casa Branca pouco depois da prisão do suspeito, identificado como Cole Tomas Allen, californiano de 31 anos. — É uma profissão perigosa, mas não vejo dessa forma. Estou aqui para fazer um trabalho. Não consigo imaginar uma profissão mais perigosa, mas amo o país e tenho muito orgulho.
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Trump argumentou que o tumulto evidenciava a necessidade de um novo salão de baile na Casa Branca. O projeto é prioridade para o governo desde outubro, mas tem sido alvo de disputas judiciais que vêm atrasando seu avanço. Para o presidente e dezenas de apoiadores, o incidente ajudou a ilustrar o motivo pelo qual a ação judicial que tenta barrar a construção do salão deveria ser rejeitada. Advogados de Trump já argumentaram em tribunal que o projeto melhoraria a segurança e permitiria eventos maiores no complexo presidencial.
Há pouco mais de uma semana, um juiz federal intensificou o impasse jurídico ao ordenar a suspensão das obras acima do solo, afirmando que o presidente parecia tentar contornar uma decisão anterior ao redefinir o projeto como uma melhoria de segurança nacional. Na decisão, Richard J. Leon afirmou que a inclusão de elementos como janelas à provas de balas e outros recursos de segurança comuns na Casa Branca não isentava o projeto de suas determinações:
“A segurança nacional não é um cheque em branco para avançar com atividades que, de outra forma, seriam ilegais”, escreveu, indicando que Trump não tinha autoridade para reconstruir unilateralmente a Casa Branca sem aprovação do Congresso. Um tribunal de apelações, no entanto, permitiu que a construção continue enquanto analisa a decisão.
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Os planos do presidente preveem uma estrutura de cerca de 8,3 mil metros quadrados no local da antiga Ala Leste. Ele afirma que o projeto será financiado por US$ 400 milhões em doações privadas, mas se recusa a divulgar os nomes dos doadores. Trump tem reclamado constantemente da falta de espaço interno para eventos na Casa Branca e propôs o salão como solução para receber encontros maiores. Neste domingo, ele criticou o processo judicial que tenta barrar o projeto, classificando-o como uma “campanha ridícula”.
“Este evento nunca teria acontecido com o Salão de Baile Militar de Máximo Sigilo atualmente em construção na Casa Branca”, escreveu o presidente nas redes sociais na manhã de domingo, pouco antes de reforçar a mensagem em entrevista à Fox News.
O esforço de Trump para vincular a segurança do jantar à disputa em torno do salão, no entanto, ignora as características do evento e as circunstâncias da falha de segurança. A Associação de Correspondentes da Casa Branca, que organiza o jantar anual desde 1921, é uma entidade independente cujos membros são jornalistas que cobrem a Presidência. O grupo enfrentou críticas neste ano por convidar o presidente — como normalmente faz há anos — diante das iniciativas de Trump de investigar jornalistas e processar veículos de imprensa. Não está claro se a organização aceitaria realizar o evento dentro da Casa Branca.
Mudança de tom
Ao mesmo tempo, o presidente americano também buscou adotar um tom sóbrio ao comentar o ocorrido. O suspeito, munido de armas de fogo e facas, tentou ultrapassar o perímetro de segurança dentro do hotel em Washington onde o republicano estava prestes a discursar. Dentro do salão, onde mais de 2 mil pessoas estavam reunidas, imagens mostram Trump e a primeira-dama sentados em um palco na parte frontal, conversando com outros convidados, quando sons altos foram ouvidos à distância. Na sequência, eles são rapidamente retirados do palco por seguranças, enquanto alguns convidados se abaixam para se proteger.
— É sempre chocante quando algo assim acontece. Aconteceu comigo, e isso nunca muda. Nenhum país está imune [à violência] — disse ele em entrevista coletiva horas mais tarde. — Temos que resolver nossas diferenças. Havia republicanos, democratas, independentes, conservadores, liberais e progressistas [no evento]. Havia um enorme sentimento de união e de aproximação. Eu observei isso e fiquei muito impressionado.
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O presidente repetiu o tom em entrevista neste domingo, ao descrever o jantar como “uma noite em que muitas pessoas se reuniram”. Trump afirmou que democratas, “que normalmente são hostis”, estavam acenando para ele, compondo um ambiente “unido”. Ele também disse que inicialmente pretendia fazer um discurso duro contra a imprensa, mas que, após o incidente, quando ainda havia a possibilidade de o evento continuar, declarou que queria mudar a mensagem para algo “muito diferente, um discurso de amor”.
— Mas não tive a chance de fazer isso. Talvez tenha sido melhor assim, não sei.
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O episódio de sábado é mais um capítulo da violência política nos Estados Unidos, que, segundo pesquisas, está em alta. Em 2024, houve uma tentativa de assassinato contra Trump na Pensilvânia, quando um tiro de raspão atingiu a sua orelha. Apenas 64 dias depois, ele voltou a ser alvo de um possível assassinato enquanto jogava golfe em seu campo na Flórida. O assassinato do comentarista conservador Charlie Kirk em Utah no ano passado expôs ainda mais as profundas divisões políticas do país.
Meses antes, a deputada estadual de Minnesota Melissa Hortman, democrata, e seu marido, Mark, foram mortos a tiros, enquanto Paul Pelosi, marido da ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi, foi atacado com um martelo e hospitalizado com uma fratura no crânio. Em 2023, a Polícia do Capitólio investigou mais de 8 mil ameaças — um aumento de 50% em relação a 2018. Quando questionado sobre se este seria custo de se fazer política nos Estados Unidos hoje, Trump disse:
— Se eu decidisse simplesmente não fazer muita coisa, se deixasse todo mundo nos explorar e tirar vantagem de nós… Estamos liderando o mundo no comércio [e] no setor militar. Não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear. [Conseguimos coisas] que diziam que não conseguiríamos. Então, quando você faz coisas assim, você se torna um alvo. Se eu não estivesse fazendo isso, acho que seria muito menos. Mas me sinto honrado por isso. (Com New York Times)
Os governantes militares do Mali, país da África Ocidental governado por uma junta desde 2020, enfrentaram uma crise de segurança neste domingo após ataques coordenados em todo o território por combatentes jihadistas, ligados a grupos extremistas islâmicos, e rebeldes separatistas neste fim de semana, que mataram o ministro da Defesa e, segundo relatos, deixaram uma importante cidade do norte sob controle rebelde.
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Não houve pronunciamento do líder da junta, o general Assimi Goita, atual chefe de Estado que chegou ao poder por meio de golpes militares. Ele não é visto desde o início dos ataques ao amanhecer de sábado. As tropas do governo ainda combatiam em algumas partes do país, mas a morte do ministro da Defesa, Sadio Camara, uma das principais figuras da junta militar, no sábado, representou um duro golpe para a administração.
A ofensiva, sincronizada por rebeldes tuaregues, grupo étnico nômade do deserto do Saara, da coalizão Frente de Libertação do Azawad (FLA) e pelo grupo jihadista Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), afiliado à Al-Qaeda, teve como alvo várias regiões do vasto e árido país.
Analistas afirmaram que os ataques coordenados foram o desafio mais sério aos governantes do país desde a ofensiva de março de 2012, quando rebeldes tomaram o norte do Mali, que foi repelida pela intervenção de forças francesas, que desde então deixaram o território após anos de atuação militar.
Camara, sua segunda esposa e dois de seus netos morreram após um ataque com carro-bomba à sua residência no reduto da junta em Kati, base militar estratégica nos arredores da capital Bamako, segundo familiares e uma autoridade.
Ainda havia combates neste domingo em várias áreas, incluindo Kati, Kidal, Gao e Sévaré, cidades-chave em diferentes regiões do país.
Rebeldes dizem controlar Kidal
Rebeldes tuaregues disseram à AFP que chegaram a um acordo, permitindo às forças do Corpo Africano da Rússia, contingente ligado ao Ministério da Defesa russo, que apoiam o Exército do Mali, de se retirarem da cidade de Kidal, no norte, reduto histórico dos tuaregues, que, segundo eles, está “totalmente” sob seu controle.
— Vimos um comboio militar sair, mas não sabemos os detalhes do que está acontecendo. Combatentes de movimentos armados agora tomaram as ruas — disse um morador.
O Exército do Mali havia retomado Kidal, um reduto tuaregue, em novembro de 2023 com a ajuda do grupo paramilitar russo Wagner, empresa militar privada que atuou em conflitos internacionais, encerrando mais de uma década de controle rebelde.
A FLA, composta principalmente por grupos tuaregues que defendem a independência de Azawad, território reivindicado no norte do Mali, também afirmou ter assumido posições na região de Gao, no norte.
O Mali vem sendo devastado há mais de uma década por conflitos e violência jihadista, frequentes na região do Sahel, mas os ataques de sábado foram os piores desde 2020, quando a junta tomou o poder após um golpe.
A situação em Sévaré, no centro do Mali, onde ainda era possível ouvir tiros, permanecia “confusa”, disse uma autoridade local.
Embora não haja informações ou aparições do chefe da junta, Goita, uma fonte de segurança do Mali disse à AFP que ele está em um local seguro.
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Moradores em alerta
Neste domingo, a calma havia retornado a Kati, onde o ministro da Defesa foi morto um dia antes.
— Os jihadistas deixaram a área, mas estamos vivendo com medo — disse um morador à AFP.
O aeroporto internacional, nos arredores de Bamako, capital do país, voltou a operar após intensos combates no sábado no distrito periférico de Senou.
— Ainda ouço as explosões ecoando nos meus ouvidos. É traumatizante — disse um morador.
Na capital, tropas bloquearam o acesso a instalações militares com barreiras e pneus nas ruas, disse um jornalista da AFP.
Os combates deixaram 16 civis e soldados feridos, causando “danos materiais limitados”, informou o governo em comunicado na noite de sábado, acrescentando que “a situação está totalmente sob controle em todas as localidades”.
A oposição, reunida na Coalizão de Forças pela República (CFR), aliança de partidos contrários à junta, afirmou em nota que o Mali está “em perigo”.
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A junta havia “prometido aos malineses segurança, estabilidade e o retorno do Estado”, disse. Após a ofensiva do fim de semana, ninguém pode afirmar seriamente que o Mali esteja pacificado ou seguro, acrescentou.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, chefe da organização internacional, condenou os “atos de violência” no Mali, disse seu porta-voz em comunicado.
— O secretário-geral pede apoio internacional coordenado para enfrentar a crescente ameaça do extremismo violento e do terrorismo no Sahel, faixa semiárida ao sul do deserto do Saara, e atender às necessidades humanitárias urgentes — acrescentou o porta-voz Stephane Dujarric.
A União Europeia, bloco político e econômico do continente europeu, condenou neste domingo os “ataques terroristas” no Mali.
O Corpo Africano da Rússia, organização sob controle direto do Ministério da Defesa russo, substituiu o grupo mercenário Wagner no apoio às forças do Mali no combate aos jihadistas.
O Mali possui recursos como ouro e outros minerais valiosos, que são estratégicos para sua economia.
Os governantes do país, assim como seus homólogos militares nos vizinhos Níger e Burkina Faso, também governados por juntas, romperam laços com a antiga potência colonial França e com vários países ocidentais, aproximando-se da Rússia.
O jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca é um evento anual que os jornalistas que trabalham em Washington sempre esperam com ansiedade. Mas esse tinha algo de especial. Pela primeira vez, Donald Trump havia confirmado presença. Até o primeiro mandato de Trump, a ida do presidente americano ao jantar era uma tradição centenária praticamente incontornável. Desde 1924, todos os presidentes compareceram pelo menos uma vez ao longo do mandato; a maioria não perdeu um único ano. Ausências foram sempre pontuais por motivo de saúde ou compromissos políticos inadiáveis.
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Mas Donald Trump, um presidente de relação conflituosa com a imprensa, esnobou o evento durante todo o primeiro mandato. Por isso, foi uma surpresa para toda a imprensa quando, desta vez, no primeiro ano de seu segundo mandato, Trump disse que compareceria. Havia outra novidade importante prevista para a noite deste sábado em Washington. Há 40 anos, na década de 80, nascera uma tradição dentro da tradição: um humorista passou a fazer parte do programa do jantar, convidado a satirizar o presidente na presença dele – para deleite dos jornalistas. Com Trump, dessa vez, o humorista seria substituído por um “mentalista”, alguém que “leria a mente” do presidente americano diante de todos nós. O resultado desta ousadia, por enquanto, nós vamos ficar sem saber.
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O jantar deste sábado também foi o primeiro ao qual eu, que não faço parte da Associação de Correspondentes da Casa Branca, pude ir. A coincidência entre a data do jantar e uma viagem pessoal aos Estados Unidos combinada à gentileza de um convite da Agência de Notícias Reuters permitiram que eu pontualmente, às 19h, passasse pela recepção do Washington Hilton com um pequeno convite na mão para a checagem de ninguém. Esse foi o primeiro espanto. O Hilton é um hotel de mil quartos. O evento da associação de correspondentes previa 2500 convidados. No subsolo do hotel, agências de notícias e outros órgãos da imprensa americana organizavam badaladas festas de “aquecimento” para o jantar. À exceção de uma breve espiada de um guarda metropolitano ainda na parte externa do hotel, não foi necessário apresentar o convite. Também não houve detector de metal ou revista até a antessala do International Ballroom, o imenso salão onde ocorreria o jantar. Foi só ao chegar a este ponto que Cole Tomas Allen sentiria necessidade de acelerar o passo, atravessar correndo armado a barreira de segurança, para então ser alvejado e detido.
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Antes disso, no interior do International Ballroom tudo seguia o script. A presidente da Associação dos Correspondentes da Casa Banca Weijia Jiang, da CBS News, abriu o evento celebrando a Primeira Emenda da Constituição e a presença inédita de Donald Trump. O Presidente e o vice, JD Vance, tomaram seus lugares em um palco armado à frente das mesas. Uma banda performou o hino americano. Uma salada de burrata com pepino foi servida.
Lideranças do governo Trump e jornalistas se misturavam em centenas de mesas justapostas no salão. Meus colegas da Globo Nova York Raquel Krahenbuhl, Deni Navarro e Anna Camanducaia estavam numa mesa com outros colegas estrangeiros que cobrem a Casa Branca. Mark Rubio, Scot Bessent, Pete Hegseth e outros integrantes do gabinete de Trump espalhados por mesas com estrelas do jornalismo americano. Na mesma mesa em que eu estava, o senador democrata por Rhode Island, Sheldon Whitehouse. Era com ele e com o diretor-executivo da Reuters, Alphonse Hardel, que eu começava a conversar sobre as eleições parlamentares americanas de novembro e a presidencial brasileira de outubro quando algo estranho aconteceu. Foi uma sequência de estampidos secos, que depois eu entenderia serem os tiros, mas que no ato me pareceram ruídos produzidos pela queda de objetos muito pesados em chão de madeira.
Correria após tiros serem disparados durante jantar de correspondentes da Casa Branca em Washington
Danny KEMP and AFPTV teams / AFP
A dúvida de que algo grave estava acontecendo se dissipou quando dezenas de soldados armados com fuzis entraram pelo salão. Fomos todos para debaixo das mesas. Houve gritaria, mas não pânico. É ruim ver soldados de roupa camuflada apontando rifles num salão. Trump e JD Vance foram retirados do palco rapidamente. E todas as autoridades nas mesas também. O serviço secreto sabia onde estava cada um deles. Um ou mais agentes iam até a mesa, pegavam sem delicadeza no braço da autoridade e a conduziam para fora.
Por cerca de meia hora ficamos apenas nós lá. Dois mil e quinhentos jornalistas. Sem saber o que tinha se passado do lado de fora do salão. Um frenesi de apuração por telefone com internet ruim. Muitos repórteres para pouca informação. Soube-se em sequência que era apenas um atirador; que era da California; que estava preso; que não havia vítimas; que talvez o evento continuasse como programado. Era a determinação do presidente.
Agentes do serviço secreto fazem buscas após disparos em jantar de correspondentes
Yuri Gripas/Abaca/Bloomberg
Mas não deu. Àquela altura, a disrupção era grande demais para seguir o script. Foram as autoridades policiais que decretaram que o evento estava encerrado sem os discursos, sem a leitura da mente de Trump pelo mentalista, sem a palavra do Presidente, com a salada de burrata com pepino mal servida nas mesas. A presidente da Associação voltou ao palco e repetiu uma máxima do jornalismo: “Quando há uma emergência, a gente corre em direção à crise, não para longe dela.” É isso que distingue os jornalistas das outras pessoas. Do lado de fora do Hilton, depois de tudo, uma demonstração. Repórteres ainda no black-tie mandatório para o encontro, no frio de 10 graus, informando ao vivo para câmeras, microfones e telefones, um ao lado do outro, o que tinham acabado de testemunhar. Ninguém ali correu da notícia.
* Ricardo Villela é diretor de jornalismo da TV Globo
No Dia Internacional dos Anfíbios, especialistas trabalham contra o tempo em um projeto de conservação para evitar a perda definitiva da rã-da-patagônia, espécie endêmica e criticamente ameaçada de extinção. A iniciativa destaca a importância da preservação de anfíbios e sua adaptabilidade, que os torna um modelo biológico único.
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A ação ocorre em um contexto preocupante: dos 175 táxons de anfíbios identificados na Argentina, 51 enfrentam riscos críticos de conservação, com destaque para os gêneros Alsodes, Atelognathus e Telmatobius, considerados os mais vulneráveis. Nesse cenário, a rã-patagônica (Atelognathus patagonicus) tornou-se o foco de um projeto estratégico de resgate, reprodução em cativeiro e restauração de habitat, conduzido pela Fundação Temaikén em parceria com a Administração de Parques Nacionais (APN).
A relevância da espécie vai além de seu valor biológico. Os anfíbios são considerados bioindicadores ambientais fundamentais, já que sua pele permeável e ciclo de vida entre ambientes aquáticos e terrestres os tornam altamente sensíveis à qualidade da água, poluição e mudanças ambientais. “Seu estado de saúde reflete diretamente o equilíbrio dos ecossistemas em que vivem”, destacam os pesquisadores.
No caso da rã-da-patagônia, sua preservação é ainda mais relevante devido à sua plasticidade fenotípica excepcional, capaz de expressar dois morfotipos distintos conforme as condições ambientais. “Diante da redução dos corpos d’água causada pelas mudanças climáticas, esses animais conseguem adaptar suas características morfológicas e fisiológicas para sobreviver em ambiente terrestre, o que os torna um modelo valioso para estudos científicos”, explicam os especialistas.
Desde 2023, o projeto realiza o resgate de indivíduos em lagoas temporárias que estão secando, com transferência para o Bioparque. O objetivo é estruturar um programa de reprodução sob cuidados humanos e formar um novo núcleo populacional para futura reintrodução na natureza. “O objetivo é criar uma nova população reprodutora para que possam retornar em breve ao ambiente natural”, afirmam os responsáveis pela iniciativa.
A rã-da-patagônia é uma espécie endêmica que está criticamente ameaçada de extinção
Lucha Musante/Tamaikén
Até o momento, foram recebidos 64 espécimes, dos quais 34 seguem em observação constante. Os especialistas explicam que as perdas iniciais eram esperadas devido à falta de experiência prévia no manejo da espécie em cativeiro.
O trabalho inclui medições morfométricas, pesagens periódicas e um sistema de identificação baseado em manchas dorsais. A equipe já registrou avanços importantes, como a identificação de períodos de reabsorção ovariana em fêmeas e mudanças na coloração das calosidades nupciais em machos. “Essas informações são essenciais para o desenvolvimento de estratégias futuras de conservação”, apontam os pesquisadores.
Apesar dos progressos, o conhecimento sobre a fisiologia e a reprodução da espécie ainda é limitado. Mesmo assim, os dados coletados são considerados fundamentais para orientar novas ações de preservação.
Paralelamente, o Serviço de Parques Nacionais, com apoio técnico de pesquisadores do CONICET e da Universidade Nacional de La Plata, atua na restauração de habitats naturais e no controle de espécies invasoras. Ainda assim, a reintrodução imediata na Laguna Blanca não é possível, já que a recuperação do ecossistema exige um processo de longo prazo.
A ciência argentina reforça o compromisso com a espécie, entendendo que cada indivíduo resgatado é essencial para evitar a perda da singularidade biológica da Patagônia diante das mudanças climáticas. “A ciência segue empenhada em garantir a sobrevivência dessa espécie única”, concluem os pesquisadores.
Com informações da Fundação Temaikén.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo que Cole Tomas Allen, o atirador que tentou invadir o jantar dos correspondentes da Casa Branca ao qual o republicano compareceu, escreveu um manifesto anticristão que incitava ataques contra funcionários do governo.
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— Esse cara é um doente — disse Trump à rede de TV americana Fox News. — Quando você lê o manifesto dele, vê que ele odeia os cristãos. A irmã ou o irmão dele estava reclamando disso. Eles chegaram até a reclamar com as autoridades policiais. Ele era um sujeito muito perturbado.
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Trump sugeriu que a família de Allen expressou preocupações sobre ele à polícia de Connecticut antes do ataque ao jantar de imprensa.
Autoridades que examinaram os dispositivos eletrônicos e os escritos do atirador acreditam que ele pretendia atacar membros do governo presentes no Salão de Baile do Washington Hilton. Na ocasião, o homem tentou invadir o jantar com duas armas, mas foi derrubado em uma cena caótica que resultou em disparos, Trump sendo retirado às pressas do palco e convidados se protegendo debaixo das mesas.
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Em entrevista à imprensa americana neste domingo, o secretário de Justiça interino dos EUA, Todd Blanche, reiterou que Allen agiu sozinho e “tinha como alvo pessoas que trabalham no governo, possivelmente incluindo o presidente”. Ele acredita que o atirador “não está cooperando com as investigações”.
— Parece que ele, de fato, tinha como alvo pessoas que trabalham no governo, provavelmente incluindo o presidente — disse Blanche, afirmando que esta é uma visão “bastante preliminar”.
O secretário de Justiça interino ainda disse que o incidente mostrou que o perímetro de segurança ao redor de Trump e seus assessores “funcionou bem” para neutralizar rapidamente a ameaça.
— Não podemos esquecer que o suspeito não foi muito longe. Ele mal ultrapassou o perímetro — disse Blanche, que também estava no salão. — O sistema funcionou. Estávamos seguros, o presidente Trump estava seguro.
Ele disse ao programa Meet the Press, da rede americana NBC News, que os investigadores estão analisando relatos de que o suposto atirador montou a arma no hotel. De acordo com Blanche, o suspeito pegou um trem de Los Angeles para Chicago e, em seguida, de Chicago para Washington, onde se hospedou no Washington Hilton um ou dois dias antes do jantar.
Trump mostrou-se excepcionalmente conciliador após o que considerou a terceira tentativa de assassinato contra ele em menos de dois anos. Ele sugeriu que suas convicções políticas pessoais o tornaram um alvo frequente, mas também fez um apelo à união e à reconciliação bipartidária em um mundo cada vez mais violento.
O presidente do UFC, Dana White, esteve presente no jantar da Casa Branca, neste sábado, onde um atirador tentou realizar um atentado contra Donald Trump, presidente dos EUA. Após o ocorrido, White contou que recusou o comando, dos agentes de segurança, para se abaixar no momento da confuão, pois ele queria “aproveitar cada minuto”. Reconhecidamente trumpista, White afirmou que a situação foi “incrível”, além de uma “experiência louca e única” .
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Na saída do evento, Dana White explicou para jornalistas o que ele testemunhou.
— Começou a ficar barulhento, mesas sendo viradas, carras correndo com armas gritando para abaixar. Eu não abaixei, foi incrível para c***. Eu literalmente aproveitei cada minuto. Foi uma experiência louca e única — disse Dana White, que estava sentado bem na frente da mesa de Trump.

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O atentado na Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado às pressas por agentes do serviço secreto do hotel Washington Hilton na noite deste sábado, após disparos de arma de fogo serem ouvidos durante o jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca, que reunia autoridades políticas e repórteres que acompanham o dia a dia do presidente. Uma operação de emergência foi realizada para retirar autoridades do local, que rapidamente foi tomado por agentes com armas em punho. A Polícia Federal dos EUA (FBI) afirmou que um suspeito está sob custódia, enquanto Trump classificou o homem como “um lobo solitário”. Um agente foi alvejado, mas vestia colete à prova de balas.
Os convidados, incluindo autoridades e jornalistas, haviam entrado no salão de eventos para a noite de gala há cerca de cinco minutos, quando uma agitação foi notada na parte de trás da recepção. Um forte barulho foi ouvido e provocou pânico entre os presentes. Um agente do Serviço Secreto gritou: “Disparos efetuados”. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que Trump é alcançado por agentes de segurança, que retiram ele e a primeira-dama, Melania, sob escolta. Relatos publicados pelas redes CBS e BBC, apontam que agentes armados da Equipe de Contra-Ataque (CAT) foram posicionados no salão com armas longas apontadas para o ambiente.
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Trump se manifestou sobre o incidente, inicialmente por meio das redes sociais, e posteriormente em uma coletiva de imprensa na Casa Branca. Em uma reação inicial, o presidente afirmou que o serviço secreto e as forças policiais “fizeram um trabalho fantástico” e que o “atirador foi detido”. Pouco depois, compartilhou a imagem de um homem imobilizado por policiais, sem identificá-lo. O New York Times, citando fontes policiais ouvidas em anonimato, afirmou se tratar de Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, Califórnia.
— A minha impressão é que é um lobo solitário — disse Trump na coletiva de imprensa, na qual também se referiu ao suspeito como “uma pessoa doente”. — É sempre chocante quando algo como isso acontece. Já aconteceu outras vezes comigo. Eu ouvi um barulho e achei que tinha caído uma bandeja. Provavelmente eu devia ter abaixado mais rapidamente. Fomos retirados muito rapidamente. O desempenho da polícia foi muito bom. Foi muito rápido.
Trump publicou imagem de homem detido por agentes de segurança após disparos em evento oficial em Washington
Reprodução/Truth Social
Ainda de acordo com Trump, investigadores estavam a caminho da residência do suspeito ainda na noite de sábado. O procurador-geral interino Todd Blanche disse esperar que uma acusação criminal fosse apresentada em breve. Minutos depois, Jeanine Pirro, procuradora federal do Distrito de Columbia, afirmou que o suspeito seria acusado de dois crimes: porte de arma de fogo durante um crime violento e agressão a um agente federal com arma perigosa. A autoridade disse que o réu será apresentado perante o tribunal federal na segunda-feira e que espera que outras acusações sejam feitas posteriormente.
Imagens de câmera de segurança mostram que o homem detido não chegou a passar pelo posto de segurança antes da porta de entrada do salão principal. Agentes de segurança perseguem o homem, que consegue disparar antes de ser imobilizado. Um repórter do Wall Street Journal presente no evento descreveu os protocolos de segurança aos quais os convidados foram submetidos e disse que só era necessário um ingresso de papel para entrar no hotel. Na entrada do salão de baile, havia detectores de metal.
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Testemunhas que presenciaram o momento descrevem a cena com apreensão. O âncora da CNN Wolf Blitzer, disse que estava a poucos metros do confronto e que tiros foram disparados antes que os policiais conseguissem imobilizar o homem. Blitzer descreveu como um policial o agarrou, o derrubou no chão e o protegeu com o próprio corpo. “Eu só vi uma arma grande e ouvi os estrondos”, disse.
O chefe de polícia de Washington, Jeffery Carroll, disse que “um indivíduo atacou um posto de controle do Serviço Secreto” armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas. Carroll esclareceu que o suspeito não foi atingido por disparos, mas foi levado a um hospital local para avaliação.
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Enquanto isso, na parte interna do salão, convidados foram pegos de surpresa. Muitos descreveram cenas de desordem e pânico entre os presentes, assustados com a presença dos agentes armados.
“Um agente do Serviço Secreto de smoking me acompanhou até o banheiro masculino momentos antes do início dos tiros no corredor do lado de fora. Ouvimos gritos e o som de pratos quebrando. Saímos correndo do banheiro. Ao virarmos, outros agentes estavam com as armas em punho, apontadas diretamente para nós. Eles começaram a gritar para corrermos pelo corredor e nos abaixarmos”, escreveu o jornalista do New York Times Shawn McCreesh, que estava no evento. “Em seguida, os membros do Gabinete foram retirados um a um. Agentes de smoking circulavam pelo enorme Hilton com metralhadoras, olhando para todos os lados”.
Entre os presentes estavam Scott Bessent, secretário do Tesouro; Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional; Sean Duffy, secretário de Transportes; Robert Kennedy Jr., secretário de Saúde; Karoline Leavitt, secretária de Imprensa; Steven Cheung, diretor de Comunicações da Casa Branca; e Kash Patel, diretor do FBI.
Há um paralelo histórico entre o incidente de sábado e o local em que o evento era realizado: o Washington Hilton é o mesmo hotel em frente ao qual tentaram assassinar o presidente Ronald Reagan, também republicano, em 1981. Trump também foi alvo de atentados recentes. Na campanha de 2024, o republicano foi atingido de raspão por um tiro de fuzil na orelha, em Butler, na Pensilvânia. Meses depois, foi retirado às pressas para um local seguro quando um agente federal atirou contra um homem armado em seu clube de golfe na Flórida.
Questionado sobre o motivo de continuar sofrendo atentados durante a coletiva na Casa Branca, Trump sugeriu que “as pessoas que causam o maior impacto”, citando o ex-presidente Abraham Lincoln, são as que se tornam alvos.
— Detesto dizer que me sinto honrado com isso, mas já fizemos muito — afirmou.
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O presidente americano foi retirado do local do evento em uma limusine por volta das 21h45 (22h45 em Brasília) e seguiu para a Casa Branca. Imagens do local mostram que a segurança foi reforçada, com homens fardados em patrulha nos jardins da residência oficial.
Enquanto isso, organizadores de algumas das festas pós-evento confirmaram que elas seriam realizadas. A festa da revista Time na residência do embaixador suíço ocorrerá, segundo os organizadores. Richard Hudock, porta-voz da MS NOW, escreveu em uma mensagem de texto que o evento no Dupont Underground também acontecerá.
— Embora o evento desta noite não seja como planejamos originalmente, ainda achamos importante proporcionar um espaço para que amigos e colegas estejam juntos — disse ele. (Com NYT e AFP)

A polícia britânica fez um apelo público por informações que possam levar ao paradeiro de Holly Collinson, de 29 anos, desaparecida há pouco mais de um mês. O caso ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias, ampliando a mobilização por pistas sobre a jovem, vista pela última vez em 25 de março, em um pub na região da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra.
Segundo as autoridades, Holly havia viajado para a cidade de Newquay, onde foi vista no pub Central Square. Desde então, não há registro de contato com familiares, o que aumentou a preocupação com sua segurança. O desaparecimento foi oficialmente comunicado à polícia em 10 de abril pela família, que afirma não ter notícias da jovem desde o fim de março.
Confira:
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Natural de Hinckley, Holly é descrita como uma mulher de aproximadamente 1,70 metro de altura, com constituição física esbelta. De acordo com a polícia, ela atualmente usa longos dreadlocks vermelhos e pode estar vestindo um chapéu e um casaco da mesma cor.
Buscas se estendem por diferentes regiões
Desde o registro do desaparecimento, equipes policiais têm conduzido buscas não apenas na Cornualha, mas também em Leicestershire e em outras áreas onde a jovem poderia ter passado. As investigações seguem em andamento, mas até o momento não houve confirmação de seu paradeiro.
As autoridades reforçam o pedido para que qualquer pessoa que tenha visto Holly ou possua informações relevantes entre em contato pelo telefone da polícia, informando o número do incidente 623, registrado em 10 de abril.
A família segue mobilizada e pede colaboração do público, enquanto cresce a apreensão pelo longo período sem notícias da jovem.

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