Caso Epstein: Divulgação da primeira parte dos documentos destaca Clinton e faz poucas menções a Trump; entenda
Contexto: Com imagens de rivais políticos e estrelas pop, governo Trump divulga parte dos documentos do caso Epstein
Milhares de documentos já haviam sido divulgados ao longo do último fim de semana em cumprimento a uma exigência legal aprovada recentemente pelo Congresso americano. A liberação ocorreu de forma escalonada, imediatamente antes e no próprio limite do prazo estabelecido pela nova legislação.
A divulgação decorre de uma lei de transparência aprovada em novembro, que determinou a publicação de todo o material sob posse do departamento relacionado ao caso até sexta-feira, 19 de dezembro. No entanto, no próprio dia do vencimento do prazo, o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que os documentos não seriam disponibilizados de uma só vez.
Os primeiros arquivos foram organizados em sete lotes distintos, publicados entre a sexta-feira e o sábado. O volume dos pacotes variou significativamente. A maior parte do material foi disponibilizada em subpastas que reúnem fotografias individuais e arquivos contendo páginas de documentos digitalizados.
Grande parte dos registros, porém, apresenta extensas censuras. De acordo com informações da rede BBC, há trechos ocultos e, em alguns casos, páginas inteiras cobertas por tarjas pretas, o que impede a leitura do conteúdo original.
Segundo o Departamento de Justiça, todos os documentos divulgados fazem parte de materiais reunidos durante duas investigações criminais federais distintas envolvendo Jeffrey Epstein. Não se trata, portanto, de novas provas ou informações recentemente coletadas, mas de arquivos já existentes que passaram a ser tornados públicos por força da nova lei.
O departamento ressaltou ainda que a divulgação não deve ser confundida com outros conjuntos de documentos já disponíveis em domínio público. Antes mesmo desse fim de semana, dezenas de milhares de páginas de provas relacionadas a investigações federais sobre Epstein já haviam sido liberadas.
Além disso, na quinta-feira, 18 de dezembro — um dia antes do prazo legal —, os democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes divulgaram 68 fotografias obtidas por meio de intimação judicial, provenientes do espólio de Epstein.
Fotos removidas
Recentemente, pelo menos 16 fotos — incluindo uma do presidente Donald Trump — tinham sido removidas do grande conjunto de arquivos relacionados às investigações do caso. As imagens foram retiradas no sábado, mas neste domingo o departamento afirmou que elas já retornaram ao portal onde estão os documentos, e justificou a medida como “abundância de precaução”.
Entre as fotos que sumiram, estava uma de Trump. Trata-se de uma imagem de um aparador na casa de Epstein em Manhattan, com uma gaveta aberta contendo outras fotos, incluindo pelo menos uma do presidente americano ao lado do financista, Melania Trump e Ghislaine Maxwell, associada de longa data de Epstein e condenada por facilitar seus crimes.
Os democratas do Comitê de Supervisão da Câmara aproveitaram a foto desaparecida, republicando-a nas redes sociais e perguntando à secretária de Justiça americana, Pam Bondi, se era verdade que a imagem havia sido removida. “O que mais está sendo acobertado?”, escreveram os políticos. “Precisamos de transparência para o público americano”.
Doze das outras fotos desaparecidas mostravam a infame sala de massagem no terceiro andar da mansão de Epstein em Nova York. A sala, que ficava no mesmo corredor do quarto do financista, era onde, segundo as investigações, muitos de seus abusos sexuais ocorreram — alguns deles contra adolescentes. As prateleiras da sala continham lubrificantes e uma bola de prata com corrente, entre outros itens.
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As imagens da sala de massagem que foram removidas mostravam pinturas e fotografias de mulheres nuas, algumas com os rostos ocultados. Mas outras imagens e obras de arte com mulheres nuas permaneceram no site. E algumas fotos da sala de massagem — incluindo as imagens de nudez — também permaneceram.
As fotos desaparecidas faziam parte de uma vasta coleção de materiais que o governo Trump foi obrigado a divulgar após a aprovação, no mês passado, de uma lei que determina que o Departamento de Justiça divulgue todos os arquivos em sua posse relacionados a Epstein.
Inicialmente, Departamento de Justiça não respondeu às perguntas sobre os arquivos, mas afirmou, em uma publicação no X, que “fotos e outros materiais continuarão sendo revisados e editados de acordo com a lei, por precaução, à medida que recebermos informações adicionais”. Neste domingo, Todd Blanche, número dois do departamento, afirmou que a imagem foi retirada por “abundância de precaução”, até que uma análise sobre potencial exposição das vítimas fosse concluída.
“Após a revisão, determinou-se que não há evidências de que quaisquer vítimas de Epstein estejam retratadas na fotografia, e ela foi republicada sem qualquer alteração ou redação”, disse Blanche, em publicação na rede social X.
Apesar das crescentes expectativas, os arquivos divulgados, que incluíam milhares de fotografias e documentos de investigação, foram uma espécie de anticlímax. Eles pouco acrescentaram à compreensão pública da conduta de Epstein e também não forneceram muitas informações adicionais sobre suas ligações com empresários e políticos ricos e poderosos que se associavam a ele.
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Trump não disse nada sobre os arquivos, que continham muito mais material sobre um de seus adversários políticos, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, do que sobre ele próprio. Mesmo assim, o Departamento de Justiça afirmou que mais arquivos serão divulgadas nas próximas semanas.
Menções a Trump
Por meses, Trump lutou ativamente contra a divulgação dos arquivos de Epstein, chamando-os de “fraude” democrata e ameaçando punir membros do Congresso que votassem para permitir sua divulgação pública. Mas seu nome foi raramente mencionado nos materiais divulgados na sexta-feira. Permaneceu incerto, no entanto, se ele figuraria mais na divulgação dos arquivos ainda por vir e se o Departamento de Justiça selecionou o lote inicial com política em mente.
Trump e Epstein foram amigos próximos por anos, e a relutância inicial do ex-presidente em liberar os arquivos alimentou especulações sobre se os arquivos o destacavam.
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A maioria das fotos de Trump divulgadas nos documentos já havia sido tornada pública, incluindo imagens dele e de sua esposa, Melania, com Epstein e Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de prisão federal por ajudar Epstein a traficar mulheres menores de idade.
Referências escritas a Trump apareceram na agenda de endereços e nos registros de voo de Epstein, bem como em um livro de recados onde os assistentes de Epstein o informavam sobre ligações perdidas. Versões desses documentos também já eram públicas.







