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O Plenário da Câmara dos Deputados decidiu, nesta quarta-feira (10), suspender o mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) por seis meses. Foram 318 votos contra 141. Houve três abstenções.

Assim foi rejeitada a cassação do parlamentar e ele não perdeu os direitos políticos.

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Glauber foi acusado, em abril do ano passado, de ter agredido o integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Gabriel Costenaro

Para aprovação da medida alternativa ou para a cassação, seriam necessários ao menos 257 votos dos parlamentares. Em uma primeira votação no Plenário, foi aprovada a preferência que substituiu a cassação que torna Glauber inelegível por uma suspensão de seis meses. Houve 226 votos para essa medida e 220 contra.

Diante do cenário, parlamentares que eram a favor de uma cassação entenderam que seria melhor uma conclusão do processo com punição do que uma eventual absolvição.

Suspensão

A suspensão, como punição alternativa, foi proposta pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).  

O destaque foi apoiado também por parlamentares de diferentes partidos, como PSD e MDB. 

O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) reconheceu que Glauber cometeu um erro, violou o Código de Ética, mas que a punição com perda do mandato seria exagerada.  “Isso não é motivo de cassação”, defendeu. 

A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) disse que é oposição a Glauber, mas afirmou que reagiria também a provocações. “Glauber erra muito. Mas a mãe dele estava na UTI. Eu daria também um tapa [se estivesse na situação]”.   

Fausto Pinato (PP-SP) também ponderou que Glauber errou, merecia punição, mas não a cassação de mandato.

Por outro lado, o relator da matéria, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), voltou a defender a cassação de Braga e disse que o tema foi exaustivamente debatido na Comissão de Constituição e Justiça e no Conselho de Ética.

“Acredito que nós temos que manter todos os conhecimentos que foram apresentados e debatidos”. 

Pouco antes da votação, Magalhães rejeitou emendas propostas por Lindbergh Farias de uma punição alternativa de seis meses de suspensão do mandato e de evitar a inelegibilidade no caso de cassação.  

“Uma violência”

Antes da votação, Glauber Braga, emocionado, protestou contra a possibilidade de ter o mandato cassado. O deputado disse que chutou o integrante do MBL após ele ter ofendido sua mãe, que estava em tratamento na UTI.

“Calar o mandato de quem não se corrompeu é sim uma violência”, afirmou.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) lembrou que Glauber não é alvo de nenhum outro processo. “Ele está nas comissões, nas causas e nas lutas”. 

Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defendeu que não havia base por uma cassação. “Os parlamentares devem colocar a mão na consciência. Não há como comparar o que ele fez para defender a honra da mãe doente com o caso da Carla Zambelli”.

Já o deputado Kim Kataguiri (União-SP) foi a favor da cassação e disse que as imagens não comprovam que Glauber teve a mãe ofendida. “Ele é incapaz de debater o tema no mérito”, disse o parlamentar. 

Outra posição pela cassação foi de Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele se posicionou que seria correta a reação em caso de ofensas à família. “Mas ele mentiu”. O parlamentar lembrou que Glauber foi favorável à cassação de Daniel Silveira.

Na terça-feira (9), Glauber Braga ocupou a cadeira da presidência da Câmara dos Deputados e foi arrancado à força por agentes da Polícia Legislativa Federal.  A ocupação começou como protesto do parlamentar, após o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciar que levaria ao plenário o pedido de cassação do deputado, juntamente com os processos de Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ).  Os casos não têm relação entre si.

“Que me arranquem desta cadeira e me tirem do plenário”, disse o deputado na ocasião.

Conselho de Ética

Em abril, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou por 13 votos a cinco o parecer pela cassação de Glauber Braga por quebra de decoro parlamentar. 

Na ocasião, o partido Novo argumentou que Glauber agrediu Costenaro que participava de manifestação de apoio a motoristas de aplicativo durante o debate de proposta de regulamentação da profissão.

Glauber Braga afirmou, no conselho, que a agressão ocorreu após um histórico de provocações em sequência.

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A atual epidemia do vírus ebola na África circulou por seis semanas sem ser detectada e deve crescer de cerca de 1.000 casos em junho para 8.000 em setembro, indica um novo estudo.
A estimativa, feita por um grupo de cientistas da Organização Mundial de Saúde (OMS), foi baseada em um modelo de simulação por computador da epidemia atual, alimentado com dados colhidos em tempo real pela entidade.
Crise humanitária: Casos de ebola chegam a mil enquanto pacientes fogem de centros de tratamento em busca de comida
Os resultados do trabalho, liderado pelo epidemiologista Dick Chamla, foram publicados hoje pela revista The Lancet Infectious Diseases.
No cenário mais provável projetado na pesquisa, existe 70% de risco de o surto entrar também no Sudão do Sul, após ter se iniciado na República Democrática do Congo e ter passado também para Uganda.
Ensaios clínicos: OMS promove teste de dois tratamentos contra o ebola na República Democrática do Congo
A atual epidemia é causada pela variante Bundibugyo do vírus, para a qual ainda não existe vacina. Para entender como a situação pode evoluir, os cientistas desenharam três cenários com graus diferentes de pessimismo sobre a taxa de transmissão do ebola e a capacidade de reação dos países afetados.
“Com base nos dados mais recentes de casos confirmados em laboratório, o surto está mais próximo do previsto pelo cenário central, mesmo com a resposta intensificada na República Democrática do Congo”, escreve Chamla. “No entanto, ainda há incertezas em relação ao número de casos notificados devido à baixa taxa de rastreamento de contatos.”
Pressão acadêmica: Cientistas estrangeiros pedem mais acesso a amostras do vírus ebola em circulação
O cientista reconhece que existem muitas limitações para que um modelo epidemiológico consiga prever a evolução de uma epidemia. Ele afirma, porém, que o trabalho desenvolvido agora tem se mostrado útil para autoridades de saúde.
Os pesquisadores mostram que a simulação, mesmo tendo sido feita com poucas semanas de circulação, conseguiu antecipar a quantidade de casos e mortes pela epidemia com números dentro de sua margem de erro, mesmo antes de o vírus entrar em Uganda.

“No cenário central, o conjunto de projeções indicou uma mediana de 990 casos confirmados acumulados até a semana 12 da epidemia (24 de junho) e 174 óbitos”, escrevem os cientistas. “Em 22 de junho de 2026, a República Democrática do Congo apresentava 1048 casos confirmados e 267 óbitos confirmados, e Uganda, 20 casos confirmados, dois óbitos confirmados e um óbito provável.”
Segundo o estudo, a data mais provável em que o surto começou com o primeiro caso foi 1º de abril deste ano.
Com base na escala de tempo e na evolução prevista até aqui, a projeção central indica que no meio de setembro, após 24 semanas, o número de casos deve chegar a 8.210. Se considerada uma margem de erro com intervalo de confiança de 50%, esse número varia de 6.636 a 10.287. O número de mortes deve ficar em torno de 1.440, com uma taxa de letalidade de 17,6%.
Cautela na interpretação
Em um comentário sobre o trabalho de Chamla, o epidemiologista Claude Muvunyi, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) afirma que é preciso cautela na interpretação dos dados.
Para ele, apesar de a simulação ter tido sucesso em antever a epidemia até agora, isso não significa que o mesmo vai ocorrer a partir de agora. A ideia é que, com medidas de conenção ampliadas, a disseminação do ebola se desacelere.
“Além de estimar o risco de contágio entre países, essas descobertas podem ser aproveitadas para orientar a alocação oportuna de recursos para vigilância, diagnóstico e resposta, possibilitando, assim, estratégias de preparo mais direcionadas e proativas”, escreveu Muvunyi.
Segundo a simulação, apesar de o risco de a epidemia chegar ao Sudão do Sul ser alto, a possibilidade de o vírus cruzar a fronteiras para outras nações africanas é menos provável. O risco de entrada em Ruanda foi estimado em 8,5%, e de entrada no Burundi em 2,0%.
O tempo durante o qual o vírus circulou em território congolês sem ser detectado, dizem os cientistas, é um dos principais pontos de preocupação na vigilância. No estudo, eles delineiam uma série de recomendações para autoridades de países africanos.
“O planejamento da preparação deve priorizar urgentemente o fortalecimento da vigilância nas fronteiras, a prevenção e o controle de infecções, as equipes de resposta rápida e os mecanismos de coordenação transfronteiriça nos países de maior risco”, afirma Chamla. “A intensificação da vigilância nos pontos de entrada formais e informais é essencial para detectar precocemente casos suspeitos e prevenir a transmissão silenciosa.”

Dois tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, sacudiram a Venezuela na noite de quarta-feira, provocaram a morte de ao menos 164 pessoas e deixaram quase mil feridos, além de um número indeterminado de desaparecidos sob os escombros em várias regiões do país. Ao norte, de frente para o Caribe, La Guaira, a 40 minutos de Caracas e onde se encontra o aeroporto internacional de Maiquetía, foi a região mais afetada. O governo interino a declarou “zona de desastre”. Imagens de satélite publicadas pela AFP mostram o antes e depois de diversos pontos da região, onde vários edifícios desapareceram.
Vídeos, fotos, mapas AO VIVO: acompanhe a nossa cobertura da tragédia venezuelana em tempo real
Serviço Geológico dos EUA: Terremoto de magnitude 7,5 é o mais forte na Venezuela em mais de 100 anos
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
— Foi terrível. Tudo, tudo desabou — lamentou Yilsmaris Blanco, de 39 anos, à AFP enquanto observava, atônita, o desastre em que se transformou Catia La Mar, uma das localidades mais afetadas pelo duplo terremoto que arrasou dezenas de edifícios no estado venezuelano de La Guaira. — Damos graças a Deus porque (…) estamos vivos, mas há pessoas que estão agora sofrendo com seus familiares soterrados, com seus familiares presos sob os escombros, que não conseguem tirar.
Alguns desses prédios permanecem de pé como podem, com grandes rachaduras e paredes abertas visíveis do lado de fora, constatou uma equipe da AFP em um percurso pelo local.
— Não temos nada agora, nem sequer forças, nem coragem para entrar ali — afirmou Larry Rojas, de 49 anos, um dos milhares de moradores afetados em uma área de Catia La Mar com quase 200 torres residenciais.
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
Muitos moradores passaram a noite na rua. Na manhã desta quinta-feira, não havia eletricidade em boa parte da área.
— Precisamos que venham nos ajudar. Há gente viva ali, há gente morta — declarou à AFP Paola Sanoja, de 31 anos, apontando para um prédio que ficou torto e com os apartamentos à mostra, onde um de seus familiares está desaparecido. — Precisamos saber dos nossos familiares.
Ao fundo, dezenas de pessoas se aglomeravam em torno de um prédio que permaneceu de pé, ao lado de uma avenida movimentada por motocicletas e carros buzinando. Dezenas de outros edifícios ficaram totalmente destruídos e reduzidos a escombros.
— Minha casa desabou completamente, perdi familiares, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida — relatou à AFP Jean Alexander Capote, de 48 anos, morador de Catia La Mar.
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
Em Playa Grande, Dani Rizo pedia ajuda para resgatar uma menina que eles ouviam há horas sob os escombros de uma casa desabada.
— Ela está presa desde ontem à noite, se eles vierem [com ajuda] nós conseguimos tirá-la, precisamos de uma retroescavadeira — contou desesperado à AFP esse morador de 48 anos.
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Dezenas de socorristas trabalhavam como podiam entre os escombros, enquanto as autoridades observavam de perto cidadãos que tentavam por conta própria encontrar seus parentes, gritando seus nomes. Jornalistas da AFP presenciaram familiares recuperando os corpos de um homem e de uma mulher e colocando-os na parte de trás de uma caminhonete durante a madrugada.
Uma conhecida farmácia de Catia La Mar ficou com as portas de vidro destruídas e as prateleiras vazias, mas as autoridades não confirmaram se houve saques após a emergência.
— O que está faltando é ajuda — principalmente com os equipamentos técnicos, os que estão em Caracas — [pessoas] que sabem quais [ferramentas] usar, que podem vir ajudar aqui em La Guaira, que venham — pediu ofegante José Pacheco, chefe de operações do Grupo Rescate Unido de Venezuela. Socorrista de 52 anos e três décadas de experiência, ele afirmou que “nunca” viu “algo parecido”.
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
Antonio Bermúdez, 48 anos, morador de La Guaira, estava na sala de sua casa quando “de repente” o tremor começou.
— Eu comecei a me mover, procurei refúgio debaixo de uma coluna. Estava entre meu quarto e o chuveiro. Tremia mais forte, tremia mais forte — lembrou. — Eu me segurei na parede, me segurei na parede, me segurei na parede e o prédio começou a desabar — relatou, enquanto tenta ajeitar uma perna que não consegue mexer depois que uma “placa” caiu sobre ele enquanto tentava sair debaixo dos escombros.
Antes e depois dos terremotos de 24 de junho de 2026 no estado venezuelano de La Guaira
Imagens de satélite ©2026 VANTOR / AFP
Em meio à escuridão, alguns moradores corriam pelas ruas com lanternas, enquanto os veículos de emergência iluminavam brevemente as ruas com suas sirenes e os sobreviventes procuram refúgio.
— Também não temos água, estamos morrendo de sede, entramos na estrutura e temos medo de que ela também desabe — acrescentou Larry Rojas. — Que realmente alguém nos ajude, que enviem máquinas. É isso que precisamos para entrar nos prédios que desabaram.
Uma transmissão ao vivo da streamer venezuelana Gabriella Suárez, conhecida nas redes como Feirlygab, viralizou após registrar o momento exato em que um forte terremoto atingiu a Venezuela, nesta quarta-feira. A influenciadora jogava Minecraft quando percebeu o tremor e interrompeu imediatamente a live para deixar o local em segurança.
No vídeo, Gabriella aparece concentrada na partida até notar que o ambiente começava a tremer. Assustada, ela interrompe a transmissão e diz:
— Meu Deus… Tenho que ir, tenho que ir. Está tremendo — afirma. Em seguida, ela se levanta e deixa a câmera ligada enquanto sai do cômodo. Veja o vídeo do momento:
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O trecho passou a circular em diferentes plataformas, como X, Instagram e Facebook. O tremor foi sentido em diversas regiões da Venezuela e levou moradores a evacuarem prédios e residências por precaução. Horas depois, Suárez compartilhou o vídeo do momento em sua conta no X, onde tentou tratar a situação com humor ao escrever:
— Quando disseram que iam aumentar a dificuldade do Minecraft Extremo 3, não imaginei que acrescentariam efeitos especiais.
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Na mesma rede social, ela acrescentou:
— Desculpem pela minha reação. Nunca tinha vivido um terremoto, achei que fosse apenas um tremor. A única coisa em que pensei foi sair do meu setup caso algo caísse em cima de mim, mas o choque me deixou daquele jeito.
Terremotos de quarta-feira
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), pouco depois das 18h de quarta-feira, um primeiro terremoto, de magnitude 7,2, atingiu o país com epicentro a 21 quilômetros a oeste de Morón, no norte do território. Quase um minuto depois, ocorreu outro ainda mais forte, de magnitude 7,5, considerado o mais intenso a atingir a Venezuela desde 1900.
Os especialistas classificaram o fenômeno como um “dupleto sísmico”: dois terremotos de grande magnitude ocorridos com apenas alguns segundos de diferença na mesma região. Os abalos provocaram ao menos 188 mortos e 1.520 feridos. O governo interino decretou estado de emergência nacional e declarou o estado de La Guaira como zona de desastre.
O terremoto que atingiu a Venezuela na noite da última quarta-feira (24) pode ter réplicas que continuarão ocorrendo durante semanas ou até meses, segundo alerta o especialista em sismologia Ziggy Lubkowski. Embora esses novos tremores costumem ser menos intensos, eles ainda podem provocar danos adicionais, especialmente em construções já enfraquecidas pelo abalo inicial. O alerta foi feito em entrevista publicada no site da revista científica Science Media Centre.
— Espera-se a ocorrência de réplicas após um terremoto dessa magnitude, e elas podem continuar por semanas ou meses. As primeiras réplicas já foram registradas. Embora geralmente sejam de menor intensidade, ainda podem causar danos adicionais, principalmente em edificações que já tenham sido enfraquecidas — afirma.
Lubkowski é diretor associado e especialista em sismologia da Arup, consultoria global com atuação em serviços técnicos e de assessoria. Ele também possui mestrado em Engenharia de Terremotos (MSc in Earthquake Engineering) e atua como professor visitante da Royal Academy of Engineering (RAEng) na área de engenharia geotécnica de terremotos.
Segundo o especialista, a sequência de tremores registrada no terremoto venezuelano pode ter aumentado o potencial de destruição. Ele explica que grandes terremotos como este nem sempre ocorrem de maneira contínua e podem liberar energia em diferentes estágios:
— Em alguns casos, o que parece ser dois terremotos distintos pode, na verdade, fazer parte de um único processo complexo de ruptura. Uma grande ruptura nem sempre se propaga de forma contínua ao longo de uma falha; ela pode ocorrer em estágios ou pulsos.
Lubkowski acrescenta que as duas liberações de energia ocorridas em curto intervalo provavelmente foram percebidas pela população como um único e prolongado período de tremores intensos. Ele destaca que estruturas já afetadas por um primeiro tremor podem se tornar mais vulneráveis diante de novos abalos.
— Isso é importante porque tremores prolongados ou repetidos podem aumentar significativamente os danos. Estruturas enfraquecidas por um tremor inicial podem ter menor capacidade de resistir a tremores subsequentes. Embora esse tipo de comportamento de “dupleto” (que ocorreu na mesma noite) seja raro, é uma característica reconhecida de grandes eventos sísmicos.
Terremoto na Venezuela
Vídeo/ O GLOBO
Além dos danos provocados diretamente pelo tremor, Lubkowski chama atenção para riscos secundários, como a liquefação do solo e os deslizamentos de terra. Segundo ele, áreas com solos soltos e saturados de água podem sofrer liquefação, fenômeno em que o terreno perde temporariamente sua resistência.
— Terremotos não causam danos apenas pelo tremor em si. Eles também podem desencadear uma série de riscos secundários, que frequentemente contribuem de forma significativa para o impacto geral. Onde existem solos soltos e saturados de água, comuns em áreas costeiras e de baixa altitude, o tremor do solo pode causar liquefação, fenômeno no qual o solo se comporta temporariamente como um líquido. Isso pode levar à inclinação ou ao colapso de edifícios e à falha de infraestruturas, como estradas e tubulações — completa.
Outro risco importante é de deslizamentos em regiões montanhosas ou instáveis, especialmente em terrenos acidentados ou instáveis. Esses deslizamentos podem danificar edifícios, bloquear vias de transporte e dificultar as operações de resgate. Ele avalia que esses fenômenos podem já ter ocorrido nas áreas afetadas, embora a dimensão dos danos ainda dependa de avaliações em campo.
Ao comentar a possibilidade de prever o terremoto, Lubkowski afirma que a ciência ainda não consegue determinar quando e onde um abalo ocorrerá. Segundo ele, o foco da engenharia sísmica está na preparação das cidades e das construções para suportar esses eventos.
— Atualmente, não é possível prever terremotos quanto ao momento exato, à localização e à magnitude. O que podemos fazer é identificar onde é provável que ocorram terremotos, com base no contexto tectônico, e projetar nossa infraestrutura de acordo com essa realidade — completa Lubkowski
Pessoas vasculham os escombros ao redor de um carro preso sob os restos de um prédio residencial que desabou após um terremoto em Catia La Mar
FEDERICO PARRA / AFP
Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Hugo Motta (C) preside reunião de líderes partidários

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), agendou para a próxima terça-feira (30) uma reunião dos líderes partidários para discutir a pauta da semana. De acordo com o presidente, serão debatidos os projetos remanescentes do mês e novos itens que serão analisados no encontro.

Entre as matérias que podem ser votadas está o Projeto de Lei 1828/23, do deputado Rodrigo Gambale (Pode-SP), que autoriza a instalação de câmeras de reconhecimento facial em estações ferroviárias e rodoviárias, vagões, vias públicas e repartições públicas. O relator é o deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL).

Outra proposta é o Projeto de Lei 424/15, do deputado Jorge Solla (PT-BA), que permite a dispensa de licitação para a aquisição de hemoderivados pelo SUS. O relator de Plenário é o deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE).

Também pode entrar na pauta o Projeto de Lei 192/26, da ex-deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), que fixa o tempo máximo de espera para atendimento de crianças e adolescentes na saúde. A relatora é a deputada Dra. Alessandra Haber (Pode-PA).

O plano de evacuação do Estreito de Ormuz foi suspenso nesta quinta-feira (25) após um ataque, no Golfo de Omã, contra um navio que havia atravessado o estreito, anunciou a Organização Marítima Internacional (OMI) em um comunicado.
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“Decidi suspender temporariamente sua implementação para confirmar novamente que as garantias de segurança necessárias continuam vigentes tanto para os navios que figuram em nossa lista de evacuação quanto para todos aqueles que se encontram na região”, declarou o secretário-geral da agência da ONU, o panamenho Arsenio Domínguez.
Mais cedo, a agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um projétil de origem desconhecida atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz, a 7,5 milhas náuticas (14 km) a sudeste de Dahit, uma localidade do sultanato de Omã.
O incidente ocorreu após mais de uma semana de relativa calma no estreito, depois que Teerã e Washington suspenderam bloqueios mútuos como parte de um memorando de entendimento destinado a pôr fim à guerra no Oriente Médio.
“Um navio cargueiro foi atingido a estibordo por um projétil de origem desconhecida, causando danos na ponte de comando. O capitão não informou vítimas nem impacto ambiental”, informou a UKMTO.
A empresa britânica de segurança marítima Vanguard Tech identificou a embarcação como o porta-contêineres Ever Lovely, de bandeira de Cingapura.
O memorando de entendimento prevê a livre passagem, sem cobrança de pedágios, pelo Estreito de Ormuz durante um período de 60 dias. No entanto, o Irã pretende impor taxas de trânsito nessa rota estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos, medida à qual Washington se opõe de forma categórica.
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Omã afirmou no início da semana que estava discutindo a questão com o Irã, mas esclareceu nesta quinta-feira que não estão previstas “taxas de passagem”.
As autoridades omanenses também anunciaram a abertura de um “corredor marítimo temporário”, descrito como uma iniciativa conjunta com a ONU.
A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou responder com “medidas apropriadas” a qualquer tentativa de transitar pelo estreito sem sua autorização prévia.
Em 12 de junho, um navio também foi atingido por um projétil de origem desconhecida no estreito, em frente à costa de Omã, segundo informou a UKMTO.
A onda de calor que atinge a Europa desde o início desta semana tem impactado diretamente a saúde de milhões de pessoas no velho continente. Cidades que enfrentam as altas temperaturas, algumas recordes para o verão, têm se adaptado para evitar a exposição de trabalhadores e moradores ao calor excessivo — apenas na Espanha já foram registradas mais de 200 mortes. Paris está em alerta devido à superlotação em hospitais. A capital francesa tem feito uma série de adaptações para este período. Uma das medidas mais recentes é a proibição do consumo de álcool em locais públicos.
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Essa mudança, segundo decreto publicado, passa a valer a partir do meio-dia de sexta-feira (horário local) e se estende até as 7h de sábado. A proibição então volta a valer ao meio-dia e segue até as 7h do domingo. No mesmo período fica vedada a venda para consumo fora do estabelecimento a partir das 18h.
“Essa proibição não se aplica às áreas públicas normalmente ocupadas por restaurantes e bares que possuem as licenças necessárias”, esclareceu a Prefeitura de Polícia.
O álcool, além do efeito diurético, interfere no hormônio antidiurético, aumentando a perda de líquidos e mascarando sinais de fadiga. A desidratação é um dos fatores que podem levar à internação em períodos prolongados de calor excessivo, como o que a Europa enfrenta com este fenômeno. A redução de bebidas alcoólicas pode minimizar os efeitos das altas temperaturas no corpo.
O prefeito da polícia de Paris, Patrice Faure, alertou, nesta quinta-feira (25), que os hospitais da capital francesa estão chegando ao limite de sua capacidade, um motivo de preocupação nos últimos dias.
— Estamos chegando a um ponto de saturação nas instalações hospitalares — declarou Patrice Faure, observando que o número de internações “continua a aumentar”.
No início desta semana, a empresa que administra a Torre Eiffel e o Louvre anunciou que os importantes pontos turísticos passam a fechar mais cedo devido à onda de calor. Esses são dois dos monumentos mais visitados do mundo.
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A Torre Eiffel, que recebe quase 7 milhões de visitantes por ano, dos quais aproximadamente 75% são estrangeiros, antecipou seu horário de fechamento nesta terça-feira para as 16h (11h em Brasília), em vez das 00h45 (19h45 em Brasília) que normalmente fecha durante a alta temporada.
Já o Museu do Louvre fechará suas portas às 16h, em vez das 18h, de quarta a sábado, para lidar com a onda de calor que torna “as condições de visitação e trabalho difíceis”, anunciou a administração na terça-feira (23).
A França enfrenta temperaturas que chegam a 40°C em algumas áreas. Até mesmo o setor de educação foi afetado. Nesta semana, mais de 800 escolas ficaram fechadas e outras 1.800 tiveram horários adaptados no país.
Em Paris, uma diretora descreveu sua escola como uma “panela de pressão” após uma semana de temperaturas elevadas. Dentro do prédio, os termômetros ultrapassaram os 30°C, atividades esportivas foram canceladas e funcionários relataram dores de cabeça. Em uma sala do segundo ano, duas crianças chegaram a adormecer sobre as carteiras durante a tarde.
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Onda de calor mortal
Mais de 100 milhões de pessoas na Europa experimentam, nesta quinta-feira (25), temperaturas acima de 35ºC, em meio a uma onda de calor longa e mortal que, segundo um instituto científico espanhol, causou mais de 200 mortes no país.
A onda de calor bateu recordes de temperaturas em vários países para um mês de junho e provocou as duas noites mais quentes já registradas na França, cuja capital, Paris, abriu os parques durante toda a noite para oferecer um espaço verde aos seus moradores.
“A diferença de temperatura entre a rua e aqui, debaixo das árvores, é alucinante!”, surpreende-se Agathe Chebassier, uma jovem pintora que buscou refúgio na última noite em um parque parisiense.
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, informou, nesta quinta-feira, um “aumento da mortalidade” na cidade, onde os termômetros superaram, na quarta-feira, os 40ºC pela quarta vez em 150 anos.
O Ministério da Saúde reportou, por sua vez, 25 paradas cardíacas em 24 horas, diante das dez que ocorrem habitualmente.
Além disso, o país lamentou dezenas de mortos por afogamento de pessoas que se refrescavam em zonas não habilitadas para o banho ou sem vigilância, além de três crianças mortas dentro de veículos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que telefonou para a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, oferecendo ajuda do governo brasileiro ao país. A Venezuela foi atingida por um terremoto de magnitude 7,5 na quarta-feira, deixando ao menos 188 mortos e 1.520 feridos, é o mais forte registrado no país em mais de um século, segundo dados históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Lula disse ainda que ministros estão reunidos em Brasília para discutir o envio de ajuda humanitária para o país. Os abalados tiveram epicentros a oeste de Caracas e são considerados os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século.
— Vocês sabem que essa madrugada teve terremoto na Venezuela, até agora, sabemos que teve 180 mortos. Fizemos uma reunião com vários ministros agora, falei com a presidente Delcy da Venezuela, do carro, para perguntar o que ela precisava que a gente fizesse. Nós estamos reunindo os ministros para mandar tudo que for necessário mandar para Venezuela: água, bombeiro, defesa civil, remédio — afirmou Lula em evento de entrega de títulos de terra em Ponta Porã (MS).
O governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o país, fechou o Aeroporto Internacional de Maiquetía devido aos danos estruturais e mantém equipes de resgate mobilizadas em busca de sobreviventes. Dezenas de edifícios desabaram ou sofreram graves avarias, especialmente em Caracas e no estado de La Guaira, apontado pelas autoridades como uma das regiões mais atingidas. Os tremores também foram sentidos em países vizinhos, incluindo a Colômbia e cidades do Norte do Brasil, como Belém, Manaus, Santarém, Macapá e Cutias do Araguari.
Pela manhã, em publicação nas redes sociais, Lula disse ter recebido a notícia do desastre “com grande preocupação e consternação” e informou que o governo brasileiro acompanha a situação para verificar como pode contribuir com o país vizinho.
“Instrui o Ministério das Relações Exteriores que avalie, juntamente com a Embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de assistência que o Brasil possa adotar”, escreveu.
Na quarta-feira, um primeiro tremor de magnitude 7,2 foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 no horário de Brasília), a cerca de 200 quilômetros a oeste da capital venezuelana. Pouco depois, um segundo abalo, de magnitude 7,5, ocorreu a cerca de 45 quilômetros do primeiro epicentro. Após os dois terremotos, foram registradas cerca de 30 réplicas de abalos secundários, segundo a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.
Os dois terremotos devastadores provocaram destruição generalizada de prédios e cenas de pânico em Caracas e outras partes do país, segundo relatos oficiais.
A Federação Venezuelana de Futebol (FVF) publicou, em suas redes sociais, nesta quinta-feira, um apelo pela busca de jogadores das categorias de base, desaparecidos após os terremotos que atingiram o país nesta quarta.
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Fausto Escobar, Edwin Peraza, Valerie Gil, Ederson Ramos e Brainelys Mendoza foram “localizados e se encontram a salvo”, segundo a FVF. Os jogadores que continuam desaparecidos são Mainell Rondón, de 12 anos, da Adiffem, Yimvert Berroterán, de 18 anos, do UCV FC, atleta considerado uma das promessas do futebol venezuelano, José Pimentel, de 16 anos, do Deportivo La Guaira, e Rosmel Ramos.
Também estão desaparecidos o integrante da seleção nacional de futebol de praia, Rubén Rovaina, o jogador de futsal Robert Pérez, goleiro da equipe Centauros de Caracas; e o ex-jogador de futebol Kleudes Garcia.
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O time Deportivo de La Guaira designou o Centro de Alto Rendimento Santo Tomás de Aquino, localizado no município de Baruta, como ponto de coleta de coleta para auxílio aos desabrigados. O clube também expressou preocupação e solidariedade às famílias afetadas.
O jogador de futebol argentino Lucas Trejo, que atua no Marítimo La Guaira, equipe que disputa a Segunda Divisão do Campeonato Venezuelano, relatou que sua mulher e seus filhos também estão desaparecidos após o desabamento de um prédio em Playa Grande, em La Guaira.
A atleta Yordelis Pereira, jogadora da Academia Puerto Cabello Feminino, que estava internada na Unidade de Terapação Intensiva (UTI) do Hospital Prince Lara, em Puerto Cabello, no momento da tragédia, teve a morte divulgada nesta quinta pela federação e pelo clube.
A FVF manifestou solidariedade às pessoas e comunidades afetadas pelos terremotos e se colocou à disposição para atuar como canal de divulgação de informações de “clubes, ligas, jogadores e demais integrantes do futebol venezuelano que possam necessitar de apoio na comunicação neste momento”.
— As informações poderão ser encaminhadas por meio dos assessores de imprensa de cada clube ou liga para garantir uma divulgação responsável, verificada e útil para a comunidade. Hoje, mais do que nunca, o futebol venezuelano se une em solidariedade — disse a federação em comunicado.
Terremotos
Dois raros terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela com apenas 39 segundos de diferença, em um fenômeno conhecido como dupleto sísmico. Os abalos causaram ao menos 188 mortes e feriram cerca de 1.520 pessoas. A sequência, sentida amplamente no Caribe, é uma das mais fortes em quase um século na região, e chegou a ser sentida no Brasil e na Colômbia. O governo declarou estado de emergência e La Guaira como zona de desastre, e autoridades continuam as buscas por vítimas e avaliam o impacto nas infraestruturas.
Os Estados Unidos e diversos países ao redor do mundo, especialmente na América Latina, ofereceram assistência à Venezuela após os dois fortes terremotos que deixaram pelo menos 188 mortos e cerca de 1000 feridos. Em comunicado, o chefe de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a organização está “totalmente mobilizada” após o abalo duplo, afirmando que os próximos dias exigirão um “esforço coletivo massivo para apoiar a resposta liderada pelo governo e auxiliar as comunidades afetadas”. Fletcher também observou que, já antes da tragédia, “quase oito milhões de pessoas na Venezuela precisavam de assistência humanitária”.
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“Este desastre corre o risco de agravar as vulnerabilidades existentes”, portanto “o apoio internacional contínuo às organizações humanitárias que atuam no terreno é essencial e urgente”, disse Fletcher. Equipes de resgate especializadas coordenadas pela ONU já foram enviadas para participar das buscas por pessoas presas sob os escombros.
Veja os principais apoios anunciados até agora:
Estados Unidos
Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a anunciar assistência. Na rede Truth Social, o presidente americano, Donald Trump, escreveu que sua administração está “pronta, disposta e apta” a ajudar, indicando que ordenou “a todas as agências do governo que se preparem para agir rapidamente”: “Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos”, disse, acrescentando que “os primeiros relatos não são bons”.
Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os EUA estavam enviando “imediatamente” equipes de busca e resgate, recursos médicos e ajuda humanitária. Enquanto isso, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, agradeceu a Trump em uma publicação no X, escrevendo que seu país “jamais esquecerá a mão estendida” pelos Estados Unidos.
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Em janeiro, forças americanas invadiram, capturaram e depuseram o presidente Nicolás Maduro, levando-o para os EUA para responder a acusações federais relacionadas ao tráfico de drogas. Trump escolheu Delcy como sucessora e prometeu que a mudança “desencadearia prosperidade” ao revitalizar a indústria petrolífera venezuelana.
Ainda assim, a Venezuela enfrenta anos de crise econômica e sanções severas impostas pelos Estados Unidos, e os terremotos representam um desafio imediato para a presidente.
Brasil
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter tomado conhecimento, “com grande preocupação e consternação”, dos “impactos causados pelo terremoto que atingiu a Venezuela”.
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Lula afirmou que determinou ao Ministério das Relações Exteriores que avalie, em conjunto com a Embaixada do Brasil em Caracas, medidas de assistência à Venezuela: “Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades”, declarou.
Guiana
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, país que mantém uma disputa diplomática com a Venezuela pelo território de Essequibo, também expressou sua solidariedade.
Vaticano
O Papa Leão XIV enviou uma ajuda emergencial de €100 mil (R$ 591 mil). A quantia, desembolsada pela Esmolaria Apostólica — responsável pelas obras de caridade do Papa e pela assistência a populações em situação de dificuldade — constitui “uma primeira contribuição” para apoiar os trabalhos de socorro, informou o Vatican News.
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América Latina
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, anunciou o envio de uma equipe militar de resgatistas e profissionais médicos e acrescentou que, se necessário, enviaria assistência adicional posteriormente: “O México sempre é e será solidário”, publicou no X.
Em Cuba, o chanceler Bruno Rodríguez expressou sua “solidariedade com o governo e o povo irmão” da Venezuela, escrevendo no X: “Os colaboradores da saúde de Cuba presentes no país estão totalmente mobilizados e prestando serviços médicos à população afetada”.
Já em El Salvador, o presidente Nayib Bukele afirmou no X que tinha prontos para enviar a Caracas 300 resgatistas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos, medicamentos e insumos de primeira necessidade. No Equador, o presidente Daniel Noboa também afirmou que determinou “o envio imediato” de ajuda humanitária:
“O Equador responderá com a rapidez e o compromisso que este momento exige porque, apesar das enormes diferenças, a humanidade sempre deve reger a atuação de um governante”, declarou Noboa.
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A Argentina informou que acompanhava de perto a situação e expressou “sua disposição de colaborar com a assistência humanitária”. Em nota, o governo afirmou que, “além das diferenças que possam existir” entre os países, “o presidente Javier G. Milei estende sua mão”.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, disse no X estar “providenciando o envio de ajuda humanitária urgente e o deslocamento de equipes de resgate para enfrentar a emergência” na Venezuela. O Chile, onde vivem cerca de 700 mil venezuelanos, não tem relações diplomáticas com a Venezuela desde 2024.
No Uruguai, o presidente Yamandú Orsi expressou solidariedade “às autoridades e ao povo venezuelano” e disse acompanhar “com atenção a evolução da situação”. Ele também destacou a “disposição de colaborar no que o governo venezuelano considerar necessário”.
Epicentros dos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela
Editoria de Arte/O Globo
O presidente panamenho, José Raúl Mulino, prestou “profunda solidariedade e apoio à Venezuela após o terremoto e suas consequências”, afirmando que o Panamá, “mais uma vez, oferece sua ajuda humanitária às nossas nações irmãs”. Em comunicado, a Costa Rica também disse se solidarizar “de coração com o povo venezuelano”.
Na República Dominicana, o presidente Luis Abinader disse que “equipes especializadas de busca, resgate e resposta a emergências de nossas Forças Armadas partirão para a Venezuela para apoiar o trabalho que está sendo realizado pelas autoridades venezuelanas”.
Europa
A comissária de Gestão de Crises da União Europeia, Hadja Lahbib, afirmou que o sistema europeu Copernicus de detecção por satélite foi ativado para apoiar as operações de resgate na Venezuela: “Estamos preparados para reforçar nossa ajuda”, declarou no X.
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A Alemanha ofereceu seis aviões militares para ajudar a Venezuela, enquanto o presidente espanhol, Pedro Sánchez, ofereceu seu “total apoio” ao povo venezuelano. A Espanha tem 54 integrantes da Unidade Militar de Emergências “preparados” para participar dos trabalhos de resgate, informou posteriormente o Ministério da Defesa espanhol.
Na França, país cuja embaixada em Caracas foi danificada, o presidente Emmanuel Macron expressou solidariedade e anunciou o envio de 85 resgatistas franceses “especializados em operações de busca e resgate em estruturas colapsadas”. Por sua vez, a Suíça anunciou que enviará 80 socorristas e 18 toneladas de equipamentos de resgate para ajudar.
Os Países Baixos também anunciaram o envio à Venezuela de uma equipe de resgatistas, além de cães de busca e equipamentos, enquanto, na Itália, Giorgia Meloni afirmou que acompanhava com preocupação as consequências do terremoto. O Ministério das Relações Exteriores italiano informou que o país está pronto para prestar assistência.
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Em Portugal, o ministro das Relações Exteriores, Paulo Rangel, anunciou que cerca de 50 resgatistas se preparavam para enviar uma missão de emergência.
Rússia, China, Irã
Em carta, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu a Delcy que transmitisse “sinceras palavras de solidariedade às famílias e amigos das vítimas, assim como nossos votos de rápida recuperação a todos os afetados por este desastre natural”.
Na China, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, disse desejar oferecer “toda a ajuda possível de maneira adequada, de acordo com as necessidades da Venezuela”.
Apesar das consequências da guerra em seu próprio território, o Ministério das Relações Exteriores do anunciou que a República Islâmica “está preparada para fornecer toda a ajuda necessária nas operações de resgate e salvamento” na Venezuela.
Cruz Vermelha
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) informou que liberou US$ 2,5 milhões para apoiar os trabalhos de recuperação.

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