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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira (9) o projeto de lei (PL) 2926/23 que cria um novo marco legal para o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), responsável por intermediar as operações de transferência de fundos, valores mobiliários e outros ativos financeiros.

O texto agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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O projeto visa modernizar o sistema e aumentar a segurança das transações do sistema de pagamentos, a exemplo do Pix, além de fortalecer o poder de regulação e fiscalização das autoridades competentes.

Entre outros pontos, a proposta traz mais clareza às responsabilidades dos agentes reguladores, com definições mais precisas e atuação mais eficaz sobre os agentes de mercado. O texto dedica atenção especial ao gerenciamento de riscos, com o objetivo de minimizar o risco de liquidação, ou seja, o não cumprimento das obrigações assumidas nas transações financeiras das instituições operadoras de infraestruturas do mercado financeiro (IMF), responsáveis por intermediar as operações financeiras, desde o pagamento de boletos até negociações complexas de títulos e ativos financeiros.

Para o relator da matéria, Rogério Carvalho (PT-SE), o desenvolvimento e a difusão do Pix entre as pessoas físicas e jurídicas no Brasil é uma prova eloquente da importância crescente das IMFs para melhor servir à população em seu cotidiano e dinamizar os negócios e a economia.

“A proposta também tem o mérito de dar melhor tratamento à mitigação dos riscos nesses ambientes de negócios, o que é essencial para o funcionamento adequado dos mercados”, apontou.

De acordo com o projeto, o Banco Central terá a prerrogativa de definir quais operadoras de IMF serão consideradas sistemicamente importantes, como aquelas com grande volume de operações. Essas instituições deverão contar com a atuação de uma contraparte central ou de um garantidor para assegurar a liquidação das obrigações. 

A contraparte central é uma instituição que se interpõe entre as partes de uma transação ao assumir o risco de crédito de ambas e garantir a liquidação da operação. Já o garantidor é uma instituição que assume a responsabilidade de honrar as obrigações de um participante caso este não cumpra as obrigações.

Segundo o texto, o Banco Central ou bancos públicos não poderão atuar como contrapartes centrais ou garantidores, exceto em situações específicas previstas na legislação.

* Com informações da Agência Senado

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O número de mortos pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira subiu para pelo menos 235, e foi confirmado que há estrangeiros entre os falecidos. Abaixo, o que se sabe até o momento sobre a identidade das vítimas estrangeiras dos terremotos:
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Um cidadão português
O Ministério das Relações Exteriores de Portugal confirmou a primeira morte de um cidadão português nos terremotos. O homem foi resgatado com vida dos escombros, mas morreu a caminho do hospital, informou o ministério na sexta-feira.
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Dois brasileiros
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, país que faz fronteira com a Venezuela, informou na quinta-feira que dois de seus cidadãos — um homem e uma mulher — morreram na tragédia. O governo anunciou assistência consular para as famílias, disse o ministério.
Um ítalo-venezuelano
Um homem nascido em Caracas em 1970, com cidadania venezuelana e italiana, morreu após o desabamento de um prédio no estado de La Guaira, anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Itália nesta quinta-feira. Roma estima que haja aproximadamente 170 mil pessoas com passaporte italiano na Venezuela.
Resgatadas sem os pais, crianças são atendidas em Caracas após terremotos
Federico Parra/AFP
Dois chineses
Dois cidadãos chineses foram confirmados entre as vítimas do terremoto na tarde desta quinta-feira, informou a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, citando a embaixada em Caracas.
A embaixada emitiu um comunicado em sua conta oficial no WeChat, aconselhando os cidadãos chineses na Venezuela a “tomarem precauções contra desastres secundários causados ​​por tremores secundários e novos terremotos”.
A onda de calor que assola a Europa em junho seria impossível sem as mudanças climáticas, afirma um estudo apresentado hoje pelo World Weather Attribution (WWA, na sigla em inglês). Essa é a primeira vez que se considera que uma onda de calor não teria acontecido com tal potência em determinados local e época do ano, caso a atmosfera já não estivesse tão quente e anômala em decorrência das alterações no clima associadas à ação humana.
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Segundo o WWA, essa é a onda de calor mais severa já registrada na Europa. Mas esse dado precisa ainda ser confirmado pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Ainda de acordo com o WWA, as escorchantes temperaturas noturnas, acima de 30ºC, como as registradas em França e Itália, por exemplo, são 100 vezes mais prováveis hoje do que há apenas 23 anos, durante a histórica onda de calor europeia de 2003, quando mais de 60 mil pessoas morreram em função do calor.
Em 1976, quando foram estabelecidos alguns dos recordes europeus anteriores, as temperaturas de 2026 teriam sido virtualmente impossíveis de ocorrer em junho, além de altamente improváveis em qualquer época do ano.
“Em 2003, a primeira grande onda de calor deste século, um calor diurno como o de agora teria sido muito raro, cerca de 10 vezes menos provável do que hoje”, acrescentou o WWA em relatório.
Para quantificar o efeito do aquecimento causado pelas atividades humanas, os cientistas analisaram e compararam as temperaturas registradas agora, as médias do clima atual (com aproximadamente 1,4ºC de aquecimento global), o clima 0,6ºC mais frio de 2003 e 1,1ºC mais frio de 1976.
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Segundo o estudo, a mudança do clima associada às emissões humanas de gases-estuda tornou possível o impossível. Tanto as máximas diurnas quanto as temperaturas noturnas não ocorreriam nesta época do ano há apenas 50 anos. No clima histórico, segundo o WWA, a temperatura seria cerca de 3,5ºC menor.
Além disso, o tão temido El Niño deste ano nada tem a ver com o calor extremo na Europa. A análise do WWA descartou a variabilidade natural do clima. E mostrou que o El Niño não teve influência no calor europeu de junho. E isso não é uma boa notícia. Significa que, nos próximos meses, sob a influência do El Niño, o calor poderá se intensificar.
Crianças jogam futebol enquanto se refrescam em uma fonte durante uma onda de calor na Espanha, em Madri, em 23 de junho de 2026
Oscar Del Pozo / AFP
A onda tem seu epicentro na França, mas se alastrou por oeste, sul e norte europeus. Se estima que 380 milhões de pessoas foram afetadas. A França teve seu dia mais quente desde o início dos registros meteorológicos. A máxima chegou a 44,3°C, em Pissos. Em Paris, a temperatura superou a marca de 40°C e o país enfrentou as noites mais quentes já documentadas, sem alívio para a recuperação do corpo.
O calor deformou trilhos de trem e uma usina nuclear em Toulouse reduziu a geração de energia após os rios, que normalmente resfriam os reatores, esquentarem demais para garantir uma operação segura. O Museu do Louvre e a Torre Eiffel tiveram que suspender atividades por falta de adaptação térmica.
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O WWA é um consórcio internacional de cientistas que emprega análises numéricas para estimar o impacto das mudanças climáticas na ocorrência de extremos. Os pesquisadores do WWA, de instituições de Reino Unido, Holanda, Irlanda, Suécia, Dinamarca e Hungria, investigam a chamada “impressão digital” das mudanças climáticas, as chances de um evento ocorrer com ou sem as emissões associadas à ação humana.
— A velocidade das mudanças é assustadora. A cada poucos anos, vemos recordes de calor serem quebrados na Europa. Este ano, isso tem acontecido em meses consecutivos — salientou um dos autores do estudo, Theodore Keeping, pesquisador de clima extremo do Imperial College London.
A umidade elevada (acima de 70%) também foi destacada pelo WWA. Nada menos que 45% das 854 cidades analisadas em 30 países europeus já quebraram, ou devem quebrar, seus recordes históricos de níveis de estresse térmico, medido pela associação de temperatura e umidade.
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Quanto mais elevada a umidade, maiores são o desconforto e o risco para a saúde causados pelo calor. A umidade impede que o suor evapore e retém o calor sobre a pele. Suar é o principal mecanismo de resfriamento do corpo humano.
— As pessoas estão mais conscientes sobre os riscos do calor. Mas conscientização não é suficiente. Apesar dos sistemas de alerta e dos planos de ação, o calor continua a afetar a saúde, o transporte, os sistemas de energia e a vida cotidiana. Precisamos de maior investimento em casas, cidades e infraestrutura para manter as pessoas seguras — enfatizou Carolina Pereira Marghidan, do Centro de Clima da Cruz e do Crescente Vermelhos.
O calor na Europa é gerado por um domo, um sistema de alta pressão atmosférica, que esquenta o ar por compressão. O domo também forma uma espécie de bloqueio de frentes frias e concentra o ar quente sobre o continente.
— Cientistas como eu repetem a mesma coisa ano após ano. É a mudança climática. A culpa é humana. Não é o El Niño. Temos soluções. Mas é realmente uma questão de que tipo de futuro queremos e se estamos dispostos a fazer o que for necessário para garanti-lo — declarou Friederike Otto, uma das fundadoras do WWA e professora de Ciência do Clima do Imperial College London.
Os Estados Unidos afirmaram nesta quinta-feira que desejam um acordo definitivo com o Irã, mas não “a qualquer preço”, e advertiram sobre um possível “caos total” caso Teerã imponha pedágios para o trânsito pelo Estreito de Ormuz, próximo ao qual um navio cargueiro foi atacado. Washington e Teerã iniciaram, na semana passada, negociações na Suíça após a assinatura, em 17 de junho, de um protocolo de entendimento que busca pôr fim ao conflito desencadeado pelos bombardeios israelenses e norte-americanos no fim de fevereiro.
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O ataque ao cargueiro nesta quinta-feira, realizado com um projétil de origem desconhecida, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, provocou a suspensão do plano lançado dois dias antes para evacuar cerca de 600 navios que permaneciam bloqueados no Golfo desde o início do conflito, anunciou a Organização Marítima Internacional (OMI).
A embarcação, que navegava fora desse dispositivo coordenado pela OMI, foi atingida no golfo de Omã após atravessar o Estreito de Ormuz. Horas antes, durante uma viagem aos países aliados dos Estados Unidos no Golfo, fortemente afetados pela guerra no Oriente Médio, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, procurou tranquilizar esses parceiros.
“Embora queiramos um acordo, não queremos um acordo a qualquer preço”, declarou no Bahrein diante de seus colegas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).
Ele se referia à situação no Estreito de Ormuz, onde o Irã pretende impor “taxas de trânsito”, inexistentes antes da guerra, medida à qual Washington se opõe. Essa passagem marítima, com cerca de 30 km de largura entre o Irã e Omã, é estratégica: antes da guerra, por ela transitava 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos.
“O conjunto das ameaças”
“As vias navegáveis internacionais não pertencem a nenhum Estado”, declarou Rubio. Sem esse princípio fundamental, “o mundo estaria mergulhado no caos total”, acrescentou.
A situação também parece estar se agravando entre o Irã e seu vizinho Omã, localizado na margem oposta do estreito. Mascate anunciou que não está prevista nenhuma “taxa de trânsito” nos futuros acordos e mencionou a abertura de um “corredor marítimo temporário”, apresentado como uma iniciativa coordenada com a ONU.
No entanto, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, ameaçou responder com “medidas apropriadas” a qualquer tentativa de atravessar o estreito sem sua autorização. Além da questão de Ormuz, os países do Golfo querem que o programa de mísseis balísticos de Teerã e seu apoio a grupos armados no Oriente Médio façam parte das negociações.
“Uma paz e uma segurança regional duradouras exigem enfrentar o conjunto das ameaças iranianas”, escreveram os ministros das Relações Exteriores do CCG em um comunicado. Esses temas não fazem parte do protocolo de entendimento. “Queremos garantir que nenhuma parte desse acordo prejudique […] a segurança, a estabilidade ou a prosperidade de qualquer um de nossos parceiros na região do Golfo”, insistiu Rubio.
O cessar das hostilidades permitiu a retomada do tráfego no Estreito de Ormuz: a plataforma de monitoramento Kpler registrou 70 travessias na quarta-feira, um ritmo que, no entanto, ainda é duas vezes inferior ao normal. Com o ataque ao cargueiro nesta quinta-feira, os preços do petróleo voltaram a subir, depois de terem recuado aos níveis anteriores à guerra.
Três mortos no Líbano
O protocolo de entendimento abre caminho para 60 dias de negociações com o objetivo de alcançar um acordo definitivo. Segundo Rubio, uma reunião técnica com a delegação iraniana está prevista para os dias 29 ou 30 de junho, na Suíça. Nos Estados Unidos, aumentam as críticas às concessões feitas pelo presidente Donald Trump, que deseja encerrar essa guerra impopular.
A Casa Branca solicitou ao Congresso recursos adicionais de quase 88 bilhões de dólares (cerca de R$ 457 bilhões), principalmente para recompor os estoques de munição. Teerã defende seu direito de desenvolver um programa nuclear para fins civis e sempre negou querer fabricar uma bomba atômica, como temem alguns países ocidentais.
Além disso, o Irã exigiu que o protocolo de entendimento incluísse a frente de combate no Líbano, onde Israel enfrenta o movimento islamista libanês pró-iraniano Hezbollah e mantém tropas mobilizadas no sul do país. O Hezbollah voltou a acusar Israel nesta quinta-feira de cometer uma “violação flagrante” do cessar-fogo, após um ataque com drone que deixou três mortos. O Exército israelense afirmou ter eliminado combatentes do Hezbollah.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou nesta quinta-feira que as tropas israelenses permanecerão mobilizadas “pelo tempo que for necessário”. Com o ataque desta quinta-feira, subiu para sete o número de mortos desde terça-feira em ofensivas israelenses, enquanto ocorrem em Washington negociações diretas entre Líbano e Israel, as primeiras em décadas.
O governo brasileiro preparou uma operação de ajuda humanitária de auxílio a Venezuela, após o país ser atingido por dois terremotos de magnitude 7,5 na quarta-feira, deixando ao menos 188 mortos e 1.520 feridos. O Itamaraty informou que dois brasileiros estão entre as vítimas. O primeiro voo sai do Brasil nesta sexta-feira. Nesta quinta-feira, Lula telefonou para a presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, oferecendo ajuda ao país. Segundo dados históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), este é o mais forte terremoto registrado no país em mais de um século. 
Na manhã desta sexta-feira, em avião KC-390 da FAB partirá do Aeroporto de Guarulhos para missão humanitária de busca e resgate urbano, com 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e outros quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações. Com eles vão nove toneladas de equipamentos para ajudar na busca e socorro às vítimas.
No sábado, um novo avião será enviado com equipamentos para a montagem de um hospital de campanha, cem purificadores de água com painel solar, medicamentos e material médico para cirurgias.
Em paralelo, o governo articula o envio de uma equipe técnica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para apoiar as operações de busca e resgate. A iniciativa utilizará equipamentos de monitoramento de espectro capazes de identificar e localizar sinais emitidos por dispositivos de telecomunicações, entre os quais aparelhos celulares, tecnologia que pode auxiliar equipes de resgate na localização de sobreviventes em áreas atingidas por desastres naturais.
Os mesmos equipamentos já foram empregados pela Anatel em operações de resposta a emergências no Brasil, como deslizamentos de terra e outras ocorrências de grande impacto, contribuindo para ampliar a capacidade de localização de vítimas em regiões de difícil acesso.
O governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o país, fechou o Aeroporto Internacional de Maiquetía devido aos danos estruturais e mantém equipes de resgate mobilizadas em busca de sobreviventes. Dezenas de edifícios desabaram ou sofreram graves avarias, especialmente em Caracas e no estado de La Guaira, apontado pelas autoridades como uma das regiões mais atingidas. Os tremores também foram sentidos em países vizinhos, incluindo a Colômbia e cidades do Norte do Brasil, como Belém, Manaus, Santarém, Macapá e Cutias do Araguari.
“Não deixe a segurança da sua família para participar de uma guerra que não é sua”. A afirmação é do brasileiro Herik Ferreira Soares, de 23 anos, capturado por forças militares da Rússia durante a guerra na Ucrânia, segundo confirmou o Itamaraty ao GLOBO. Em um vídeo divulgado nesta semana, o jovem, natural de Castanhal, no Pará, afirma ter sido enganado por uma promessa de trabalho e enviado para o front do conflito. O caso chama atenção para a situação de vulnerabilidade enfrentada por estrangeiros recrutados para guerras: quando são classificados como mercenários, não têm acesso a garantias previstas para combatentes regulares e ficam sujeitos às leis do país que os capturou.
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Reprodução
A definição de mercenário não depende apenas do fato de uma pessoa lutar em uma guerra estrangeira. Segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, o Direito Internacional estabelece critérios específicos para enquadrar alguém nessa categoria.
De acordo com o consultor legislativo do Senado Federal e especialista em Direito dos Conflitos Armados Tarciso Jardim, mercenário é, em linhas gerais, uma pessoa recrutada para participar de um conflito armado por motivações financeiras.
— Além disso, o mercenário não é nacional nem residente de uma das partes envolvidas no conflito, não integra oficialmente as forças armadas de uma delas e não pode ter sido enviado por outro Estado em missão oficial. Em outros termos, um estrangeiro que luta por grana — explica.
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Situação vulnerável
É justamente essa distinção que põe os mercenários em uma situação mais vulnerável perante o Direito Internacional. De acordo com o jornalista, escritor e analista político João Paulo Charleaux, autor do livro “As regras da guerra”, as normas que regulam os conflitos armados foram construídas para mitigar o sofrimento e diferenciar combatentes, que são alvos legítimos, de civis, que são pessoas protegidas, estabelecendo direitos e deveres para cada grupo.
— Mercenários, como espiões, bagunçam essas categorias e dificultam a aplicação das prerrogativas que os Estados buscam resguardar para suas próprias forças — observa.
Na prática, a principal consequência aparece em casos de pessoas capturadas.
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— O principal direito que eles perdem é o de, em caso de captura, serem tratados como prisioneiros de guerra. Combatentes regulares, quando capturados, não são julgados e condenados pelo simples fato de terem matado oponentes nas batalhas; mas os mercenários, ao contrário, podem ser julgados e condenados por serem mercenários — explica Charleaux.
Dessa forma, caso seja capturado, o mercenário fica sujeito à legislação local do país responsável pela detenção.
— Pegar em armas sem ser um combatente é um crime em si — afirma Jardim.
Mercenários têm direitos?
No entanto, apesar dessa vulnerabilidade jurídica, o mercenário não fica completamente desprotegido. Charleaux afirma que o Artigo 3º comum às quatro Convenções de Genebra (1949) estabelece um conjunto mínimo de proteções aplicáveis mesmo em situações de conflito armado, que independe da condição jurídica do indivíduo:
— Mesmo tendo menos direitos, o mercenário não pode ser assassinado, executado sumariamente, torturado ou submetido a penas cruéis, degradantes ou humilhantes — diz. — Assassinar é diferente de condenar à morte.
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No vídeo divulgado nesta semana, Soares afirma que sua experiência foi diferente daquela que imaginava ao deixar o Brasil. Segundo o paraense, ele viajou para a Ucrânia acreditando que exerceria uma função de apoio, longe dos combates, mas acabou sendo enviado para o front.
— Eles mentiram para mim e me enviaram para a linha de frente, para um confronto intenso. Não era isso que tinham prometido — alega no vídeo.
Ele relata que estrangeiros seriam tratados como “descartáveis” para suprir as necessidades das tropas locais, citando brasileiros, colombianos, peruanos e argentinos entre os combatentes que estariam nessa situação.
Porém, a alegação de ter sido enganado sobre as funções que desempenharia em uma zona de guerra não altera, necessariamente, os riscos envolvidos nem as consequências jurídicas de uma eventual captura. Segundo Jardim, pessoas que aceitam atuar em conflitos armados no exterior assumem, desde o início, um cenário de elevada exposição.
— Mercenários brasileiros vão para ganhar, e isso em si é um risco calculado — afirma.
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Riscos elevados
O caso de Soares ocorre em meio ao aumento do número de brasileiros envolvidos no conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Segundo dados atualizados do Itamaraty, ao menos 33 brasileiros morreram e outros 86 estão desaparecidos desde o início da guerra.
Em comunicado divulgado em julho do ano passado, a pasta chamou atenção para os perigos do alistamento voluntário em forças armadas estrangeiras, ressaltando que a assistência consular pode ser limitada pelas condições dos contratos firmados.
Ao GLOBO, o órgão informou que a Embaixada do Brasil em Moscou acompanha a situação do paraense preso na Rússia e mantém contato tanto com a família quanto com as autoridades do país em busca de informações adicionais sobre sua condição.
Herik Ferreira Soares aparece em vídeo após ser capturado por forças russas na Ucrânia; brasileiro afirma que foi enviado à linha de frente após falsa promessa de trabalho
Reprodução
Em seu apartamento no 15º andar de um prédio na região de Los Símbolos, em Caracas, a fotógrafa venezuelana Dayana Durán, de 41 anos, havia acabado de deitar para ver o jogo entre Brasil e Escócia quando “tudo começou a tremer”. Eram 18h04 no horário local (19h04 em Brasília) de quarta-feira, Dia da Batalha de Carabobo, um dos feriados nacionais mais importantes do calendário venezuelano. A aproximadamente 45 metros do térreo, Dayana, no primeiro momento, sentou no chão, pois “não conseguia ficar em pé para andar até a porta” do quarto. Cerca de 40 segundos depois, quando ela, desesperada, tentava alcançar seus sapatos, chaves e telefone para descer as escadas do prédio, outro tremor – desta vez, duas vezes mais forte, 7,5 de magnitude. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Yenderlin Cabarza chegou com fraturas ao hospital, na área mais atingida pelos terremotos na Venezuela. Sua mãe não sobreviveu, nem seu tio, que a protegeu com o próprio corpo de um desabamento. Aos 13 anos, ela aguardou sozinha por atendimento médico, assim como dezenas de outros menores.
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Ambulâncias chegavam a todo momento ao Hospital Domingo Luciani, no leste de Caracas, onde pessoas procuravam o nome de familiares em longas listas coladas nas paredes. A relação inclui 22 crianças e adolescentes, de 4 a 19 anos.
Esses menores feridos foram resgatados na localidade costeira de La Guaira, que sofreu ontem o impacto de dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5. Yenderlin foi retirada de ambulância da região, que autoridades classificaram como zona de desastre.
“Não conseguiam resgatá-la, porque estava coberta de escombros”, contou à AFP Rolando, amigo da família, que acompanhava o pai da menina. “Ela entrou sozinha na ambulância (…) Soubemos que estava aqui porque avisaram que iriam transferi-la.”
Menores feridos foram resgatados em La Guaira, que sofreu ontem impacto de dois terremotos qeu atingiram a Venezuela
Juan Barreto/AFP
O pai de Yenderlin entrou no setor de emergência e soube que a filha havia passado por uma cirurgia para tratar fraturas nos dois braços. Outros parentes da menina aguardavam do lado de fora do hospital.
“Várias crianças chegam sozinhas porque são trazidas rapidamente do local do resgate”, explicou um médico, que preferiu não se identificar, por não estar autorizado a falar. Algumas delas “nos dizem seus nomes”, outras chegam “identificadas por uma fita adesiva no braço”, acrescentou uma médica.
“A maioria não tem parentes, chega sozinha, e o que os paramédicos nos dizem é que as retiraram de escombros, colocaram na ambulância e as trouxeram para cá, porque os hospitais estão lotados em La Guaira”, contou a doutora. Autoridades estimam que a tragédia tenha deixado 1.520 feridos e quase 200 desaparecidos.
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Espera
Na sala de espera do hospital, parentes e amigos de pessoas feridas nos terremotos aguardavam notícias. Entre as lesões mais frequentes estão traumatismos e fraturas em membros superiores e inferiores.
“Os familiares devem ficar na sala de espera!”, pedia uma funcionária do hospital, com o auxílio de um megafone. “Têm que desocupar a área, é proibido ficar perto da sala de emergência!”
Na sala de espera do hospital, parentes e amigos de pessoas feridas nos terremotos aguardavam notícias
Juan Barreto/AFP
Com a esperança de localizar familiares, muitas pessoas fotografavam as listas de feridos. Imagens de dezenas de nomes se espalhavam pelas redes sociais.
“Venho de outro hospital, onde também não encontrei minha irmã”, contou Zoraida Hernández, de 52 anos, que soube do desabamento da casa de sua familiar, em Catia la Mar. Um socorrista informou à AFP que o necrotério do hospital estava cheio.
A força dos terremotos fez com que eles também fossem sentidos no Brasil e na Colômbia, onde alertas soaram. Desde então, mais de 130 réplicas foram registradas.
O líder norte-coreano, Kim Jong-un, supervisionou testes de sistemas de artilharia e mísseis modernizados, informou a mídia estatal nesta sexta-feira (horário local). Kim supervisionou os testes de “armas em larga escala” conduzidos por institutos de pesquisa de defesa como parte do plano quinquenal de desenvolvimento militar do país, informou a agência de notícias oficial norte-coreana KCNA.
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Os testes avaliaram um lançador múltiplo de foguetes de 240 mm modernizado, com alcance estimado em 90 km, uma ogiva de “missão especial” para um míssil balístico tático e projéteis de obuseiro autopropulsado de longo alcance, capazes de cobrir até 65 km, segundo a KCNA.
Kim supervisionou os testes de “armas em larga escala” conduzidos por institutos de pesquisa de defesa como parte do plano quinquenal de desenvolvimento militar do país
KCNA/AFP
O líder norte-coreano expressou satisfação com os resultados, afirmando que os testes demonstraram progresso na melhoria do poder de fogo ao longo da fronteira sul por meio do aumento da automação, alcance e precisão.
Líder norte-coreano, Kim Jong-un expressou satisfação com os resultados, afirmando que os testes demonstraram progresso na melhoria do poder de fogo ao longo da fronteira
KCNA/AFP
Ele reiterou que a política de autodefesa de Pyongyang também visa aprimorar o que descreveu como uma “postura ofensiva letal e destrutiva” para dissuadir adversários.
O governo federal informou que há dois brasileiros entre as vítimas do terremoto que ocorreu na Venezuela nesta quarta-feira. Os tremores deixaram ao menos 188 mortos e 1.520 feridos e tiveram magnitude 7,5, a mais forte registrada no país em mais de um século, segundo dados históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
A informação foi divulgada pelo Ministério de Relações Exteriores na note desta quinta-feira.
“O MRE informa, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão brasileiros em consequência dos terremotos que atingiram a Venezuela. O MRE informa estar prestando assistência consular às famílias das vítimas”, diz a nota.
Na quarta-feira, um primeiro tremor de magnitude 7,2 foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 no horário de Brasília), a cerca de 200 quilômetros a oeste da capital venezuelana. Pouco depois, um segundo abalo, de magnitude 7,5, ocorreu a cerca de 45 quilômetros do primeiro epicentro. Após os dois terremotos, foram registradas cerca de 30 réplicas de abalos secundários, segundo a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.
Os dois terremotos devastadores provocaram destruição generalizada de prédios e cenas de pânico em Caracas e outras partes do país, segundo relatos oficiais.
O governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o país, fechou o Aeroporto Internacional de Maiquetía devido aos danos estruturais e mantém equipes de resgate mobilizadas em busca de sobreviventes. Dezenas de edifícios desabaram ou sofreram graves avarias, especialmente em Caracas e no estado de La Guaira, apontado pelas autoridades como uma das regiões mais atingidas. Os tremores também foram sentidos em países vizinhos, incluindo a Colômbia e cidades do Norte do Brasil, como Belém, Manaus, Santarém, Macapá e Cutias do Araguari.
Ajuda brasileira
Ministros do governo se reuniram nesta quarta-feira em Brasília para discutir o envio de ajuda humanitária para o país. Na manhã de sexta-feira, será enviado um avião, que sairá do Aeroporto de Guarulhos, com 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e outros quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações. No voo, irá nove toneladas de equipamentos para ajudar na busca e socorro às vítimas.
Já no sábado, o governo brasileiro enviará um novo voo com equipamentos para a montagem de um hospital de campanha, cem purificadores de água com painel solar, medicamentos e material médico para cirurgias.
Terremotos na Venezuela: desastre deixou pelo menos 188 mortos e mil feridos Comunidade internacional mobiliza equipes de resgate, ajuda humanitária e médica e apoio logístico

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