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Desde o ataque americano à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, as autoridades venezuelanas prenderam pelo menos 31 pessoas e as acusaram de apoiar o ataque dos Estados Unidos, de acordo com uma análise de notícias locais. Várias delas foram detidas por vídeos que postaram nas redes sociais, mas o caso mais marcante foi a prisão de 25 meninos e jovens em Barcelona, ​​uma cidade de porte médio a cerca de cinco horas a leste de Caracas.
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Em 5 de janeiro, dois dias após a prisão de Maduro, os garotos estavam na cidade para uma guerra de balões de água. A atividade é uma tradição anual que dá início às comemorações do Carnaval em Barcelona. Mas diante dos acontecimentos daquele final de semana, toda aquela gritaria e risadas não agradaram às autoridades.
Policiais locais e soldados da Guarda Nacional chegaram em peso e, segundo dois dos garotos e familiares de outros quatro, dispararam tiros. Os jovens, com idades entre 13 e 25 anos, se dispersaram, mas a polícia prendeu 25 deles. Dois dias depois, promotores estaduais apresentaram acusações pelo crime de traição.
“Vou ferrar com vocês todos”, lembrou um dos garotos, de 17 anos, de um policial lhe dizendo após a prisão, usando um palavrão. “Vocês todos apoiam Donald Trump”.
Um repórter e um fotógrafo do New York Times visitaram, na semana passada, o bairro onde a maioria dos detidos mora e entrevistaram dois dos garotos e sete familiares. Muitos deles, assim como outros venezuelanos em todo o país, falaram sob condição de anonimato por medo de represálias do governo. Os relatos revelaram que, sob o governo interino venezuelano — comandado pela ex-vice-presidente Delcy Rodríguez e apoiado por Washington — a vigilância e a repressão contra os cidadãos estão em pleno vigor.
Durante a ida dos jornalistas a Barcelona, a cidade estava tensa. Agentes armados em quatro pontos de controle interrogavam e, por vezes, revistavam transeuntes. Ao pôr do sol, no bairro densamente povoado onde os garotos detidos moravam, cerca de uma dúzia de policiais em motocicletas patrulhavam as ruas. A presença policial havia aumentado desde a prisão de Maduro, segundo moradores.
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Os meninos e jovens detidos no início do ano enchiam balões de água na margem do Rio Neverí e, de acordo com vídeos, corriam uns atrás dos outros em um terreno baldio, jogando os balões e rindo. Quando as autoridades chegaram, eles pensaram que as prisões seriam apenas temporárias, para lhes dar uma lição sobre causar tumulto na rua. Mas quando a polícia começou a mencionar Trump e Maduro, e depois transferiu o grupo para uma prisão maior, ficou claro que a situação era mais séria.
— Todos começamos a chorar e perguntar por quê, dizendo que eles não eram criminosos, que eram apenas crianças brincando de Carnaval — disse a mãe de dois detidos, descrevendo a cena de pais angustiados do lado de fora da prisão. — Porque o país estava em apuros — disse-lhe a polícia, acrescentou ela. “E se soubéssemos como estava o país, por que deixávamos nossos filhos na rua?”
Quinze menores do grupo foram indiciados por várias acusações, incluindo “traição à pátria”, de acordo com um documento judicial consultado pelo New York Times. As famílias dos 10 detidos maiores de 18 anos disseram que eles também foram acusados ​​de traição.
As famílias começaram a distribuir vídeos sobre os adolescentes nas redes sociais, denunciando sua detenção. Os vídeos ganharam repercussão na comunidade local e, uma semana após serem presos, as autoridades libertaram os 15 menores sob a condição de que permanecessem na Venezuela e comparecessem ao tribunal uma vez por mês. Já os 10 detidos adultos permanecem presos.
— Não como há dias — disse Scarlett Ruiz, de 24 anos, irmã de um dos detidos, de 19 anos, que se preparava para entrar na faculdade este ano. Ela disse que a família tem levado refeições para ele e comparecido às audiências judiciais nas últimas duas semanas, observando seu estado de saúde se deteriorar.
— Meu irmão não está dormindo. Ele tem olheiras — disse Ruiz. — Eles dizem coisas como: “Vocês não vão sair daqui”.
María Reyes disse que estava preocupada com seu filho de 21 anos detido, pois ele sofria regularmente de crises epilépticas. E Karen García, mãe de um detento de 18 anos, disse que não via o filho desde o dia da prisão. Ela está confusa sobre como sua família se envolveu na situação.
— Não somos pessoas políticas, nem temos interesse em dar opiniões sobre isso — disse ela. — A única coisa que queremos é a liberdade para nossos filhos.
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Repressão e medo seguem presentes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou a liderança interina da Venezuela, descrevendo-a como altamente cooperativa, particularmente por facilitar o acesso dos EUA ao petróleo do país. Esses líderes, os mesmos que ajudaram a comandar o regime autoritário de Maduro, também receberam manchetes positivas pela libertação de quase 150 presos políticos, cerca de um sexto do total estimado no país.
Mas, ao mesmo tempo, eles aumentaram silenciosamente esse número, detendo e prendendo pessoas suspeitas de se oporem ao governo, como parte de uma campanha nacional para sufocar a dissidência desde que os Estados Unidos capturaram Maduro há três semanas.
As forças de segurança montaram postos de controle em rodovias, revistaram celulares de cidadãos, extorquiram pessoas cujos telefones continham críticas ao governo e prenderam dezenas de outras suspeitas de comemorar a captura de Maduro.
— Você pode ser detido simplesmente por andar pelas ruas. Não no sentido de ser preso, mas de ser parado e ter seu celular confiscado — disse Andrés Azpúrua, ativista pela liberdade na internet na Venezuela que acompanha a repressão do governo. — Isso acontece há muito tempo. Mas não nessa escala.
O resultado é que muitos venezuelanos, embora talvez mais esperançosos desde a prisão de Maduro, continuam com medo de expressar sua opinião em voz alta
— Sabemos o que está acontecendo, mas ninguém pode se manifestar — contou um motorista de 49 anos, que mora no mesmo estado que os meninos detidos. — Queremos gritar, comemorar, mas não podemos. Eu quero, mas não sei onde.
Durante a entrevista, o homem frequentemente falava em sussurros, com medo de que seu vizinho ouvisse e o denunciasse à polícia. Ele acrescentou que sempre deixa o celular em casa quando sai, com medo de que a polícia o reviste.
O governo venezuelano não respondeu ao pedido de comentário. Diosdado Cabello, o poderoso ministro do Interior do país, que comanda grande parte das forças de inteligência e segurança do Estado, reconheceu na semana passada que alguns agentes extorquiram cidadãos.
— Eu disse aos policiais que, para quem quer ser policial, extorsão não tem lugar aqui — afirmou, segundo uma publicação de seu partido político.
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‘Ótimo trabalho’
A ansiedade dos venezuelanos é alimentada por anos de dura e sistemática repressão por parte do governo Maduro. Uma complexa mistura de forças de segurança — de soldados e policiais a agentes de inteligência e milícias armadas e mascaradas — que espionava, ameaçava, extorquia e prendia pessoas consideradas uma ameaça potencial ao regime. Os alvos incluíam políticos da oposição, ativistas, acadêmicos, jornalistas e até mesmo pessoas comuns que simplesmente criticavam o governo em conversas privadas.
Nas últimas duas semanas, as autoridades venezuelanas têm libertado gradualmente cerca de um sexto dos quase 900 presos políticos do país, segundo estimam grupos de direitos humanos. A Casa Branca reivindicou o mérito. Nos últimos dias, Trump também elogiou consistentemente a presidente interina ao mesmo tempo em que criticava a rival dela, María Corina Machado, líder da oposição exilada.
— Ela está fazendo um ótimo trabalho. Temos um ótimo relacionamento — disse o presidente americano sobre Delcy na semana passada.
Enquanto isso, a líder chavista tem supervisionado uma repressão interna. No dia em que Maduro foi capturado, Delcy anunciou um estado de emergência na Venezuela que, na prática, deu ao governo a autoridade para deter qualquer pessoa suspeita de apoiar o ataque dos EUA. Ela alegou que Maduro havia assinado a medida — supostamente enquanto buscava segurança após o início dos ataques.

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O alpinista britânico Kenton Cool alcançou nesta sexta-feira o topo do Everest pela vigésima vez e ampliou o próprio recorde de ascensões à montanha mais alta do mundo realizadas por uma pessoa não nepalesa.
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A informação foi confirmada por autoridades no acampamento-base da montanha.
— Foi informado que hoje, no início da manhã, ele alcançou o cume do monte Everest — declarou à AFP Khim Lal Gautam, funcionário do governo nepalês.
Cool, de 52 anos, escalou os 8.849 metros do Everest pela primeira vez em 2004 e, desde então, participou de expedições quase todos os anos.
O alpinista britânico Kenton Cool acena de dentro de um carro ao chegar ao aeroporto de Katmandu
Prakash MATHEMA / AFP
A trajetória do britânico inclui uma recuperação considerada improvável.
Em 1996, ele quebrou os dois calcanhares em um acidente durante uma escalada em rocha, e médicos chegaram a afirmar que ele talvez nunca mais andasse sem ajuda.
Mesmo assim, em 2022, tornou-se o estrangeiro com mais ascensões ao Everest ao atingir o 16º cume e superar o americano Dave Hahn.
Apesar do recorde, Cool minimizou a marca em comparação às conquistas dos montanhistas nepaleses.
“Estou realmente surpreso com o interesse (…) considerando que tantos sherpas têm muito mais ascensões”, afirmou à AFP em 2022.
Sete escaladores nepaleses já ultrapassaram a marca de 20 cumes no Everest.
O recorde absoluto pertence a Kami Rita Sherpa, conhecido como “Homem do Everest”, que alcançou o topo da montanha pela 32ª vez na semana passada.
Temporada no Everest registra recorde de permissões
Mais de 600 alpinistas chegaram ao cume do Everest desde o início da temporada de primavera neste mês, aproveitando uma breve janela de bom tempo e ventos mais amenos.
Nesta temporada, o Nepal emitiu um recorde de 492 permissões de escalada.
Ao redor do acampamento-base, foi montada uma cidade de barracas para receber montanhistas estrangeiros e equipes de apoio.
O alto número de expedições reacendeu preocupações sobre superlotação no Everest, especialmente em períodos de clima instável.
Na quarta-feira, cerca de 275 pessoas alcançaram o topo da montanha, no dia mais movimentado já registrado na vertente sul do Everest.
Segundo o texto, três alpinistas nepaleses morreram durante expedições nesta temporada.
O Nepal abriga oito das dez montanhas mais altas do planeta e recebe centenas de escaladores a cada primavera, em uma atividade considerada uma importante fonte de receita para o país.
Os quatro astronautas da missão Artemis II, da Nasa, foram confrontados no Capitólio dos Estados Unidos por um homem que os acusou de mentir sobre as missões espaciais e de participar de uma suposta “operação psicológica” contra o público.
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O incidente ocorreu após uma visita da tripulação ao Capitólio, onde os astronautas se reuniram com autoridades políticas americanas. Segundo o “20 Minutos”, vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o homem se dirigindo aos integrantes da missão com frases como “parem de mentir”, “vocês nunca foram ao espaço” e “eu vejo através das suas mentiras”.
O homem também acusou os astronautas de enganar o público e insistiu que a suposta “operação psicológica” “não estava funcionando”. Durante a abordagem, fez ainda referências religiosas, dizendo aos membros da tripulação para “seguirem Jesus”, afirmando que “Deus está observando vocês” e exigindo que eles “se arrependessem diante de Deus”.
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Os astronautas mantiveram a calma durante todo o episódio e evitaram responder diretamente às provocações, seguindo pelo edifício.
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A missão Artemis II foi a primeira tripulada do programa Artemis e marcou o retorno de astronautas a uma viagem em torno da Lua, mais de 50 anos depois da era Apollo. A Nasa confirma que a missão foi lançada em 1º de abril de 2026 e terminou em 10 de abril, com a amerissagem da cápsula Orion no Pacífico, ao largo de San Diego.
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A tripulação foi formada pelos astronautas da Nasa Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do astronauta canadense Jeremy Hansen. Durante a missão, a cápsula Orion realizou uma viagem de quase dez dias em torno da Lua, sem pousar no satélite, testando sistemas essenciais para futuras missões lunares e para o objetivo de levar astronautas a Marte.
O programa Artemis é uma das principais apostas da Nasa para retornar à Lua de forma sustentada. Depois da Artemis II, a agência já prepara a Artemis III, missão que deverá avançar para uma nova fase da exploração lunar.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, saudou na sexta-feira o anúncio do presidente Donald Trump de que 5 mil soldados americanos seriam enviados para a Polônia, após um destacamento planejado anteriormente ter sido cancelado em meio à pressão para que a Europa se defendesse sozinha.
“É claro que saúdo o anúncio”, disse o secretário-geral a jornalistas antes de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da aliança na Suécia, acrescentando que os comandantes militares da OTAN “estão analisando todos os detalhes”.
No outono e inverno do ano passado, diplomatas israelenses de alto escalão contataram com urgência autoridades e emissoras de televisão em toda a Europa para abordar um tema delicado, ainda que inesperado: o extravagante Festival Eurovisão da Canção.
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As emissoras queriam banir Israel do Eurovision e ameaçaram boicotar o concurso devido à guerra na Faixa de Gaza. Algumas chegaram a acusar o governo israelense de influenciar injustamente os resultados por meio de uma campanha de votação em massa.
Israel tinha, sem dúvida, preocupações diplomáticas maiores do que uma competição de música pop, mesmo uma que alcança 166 milhões de telespectadores em todo o mundo. Uma comissão das Nações Unidas havia acusado recentemente Israel de cometer genocídio, o que o país negou veementemente. E líderes mundiais estavam reconhecendo a criação de um Estado palestino, algo a que Israel se opunha há muito tempo.
“Estou um pouco surpreso por que a embaixada está investigando esse assunto”, escreveu Stefan Eiriksson, chefe da emissora nacional da Islândia, a um diplomata israelense que queria discutir o Eurovision em dezembro passado.
Essa pressão diplomática, até então não divulgada, para manter Israel no Eurovision foi apenas um aspecto de um drama que se desenrolou ao longo do último ano em torno do evento cultural mais assistido do mundo. Para o governo israelense, o Eurovision tornou-se mais do que uma simples celebração de roupas brilhantes, orgulho gay e espetáculos pirotécnicos. Transformou-se em uma oportunidade, por meio de boas apresentações de seus cantores, de revitalizar a reputação decadente do país e angariar apoio internacional.
A competição começou após a maior crise nos 70 anos de história do Eurovision. A Islândia e outros quatro países boicotaram o evento em protesto contra a participação de Israel. A União Europeia de Radiodifusão (UER), organização sem fins lucrativos que organiza o concurso, enfrenta dificuldades financeiras.
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Uma investigação do New York Times revelou uma campanha bem organizada pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que adotou o Eurovision como instrumento de soft power, e um organizador do concurso que agiu em segredo e não estava preparado para responder à situação.
À medida que o concurso, normalmente descontraído, se transformava numa disputa indireta sobre assuntos do Oriente Médio e direitos humanos, o Eurovision lutava para defender um princípio fundamental: a política não tem qualquer influência no evento.
Os esforços de Israel para influenciar a votação do Eurovision foram mais amplos e começaram anos antes do que se sabia. Mesmo antes da controvérsia sobre a votação vir à tona, registros financeiros mostram que Israel gastou pelo menos US$ 1 milhão em marketing para o Eurovision. Parte desse dinheiro veio do escritório de “hasbara” de Netanyahu, um eufemismo para propaganda no exterior, para promover a cantora israelense.
Os governos não devem interferir na votação. O Eurovision é um concurso para emissoras públicas e cantores, não para governos.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel não respondeu aos pedidos detalhados de comentários. Um porta-voz do gabinete de Netanyahu disse que ele analisaria as perguntas e consideraria responder. Ele não respondeu.
O diretor do Eurovision, Martin Green, afirmou em entrevista que as ações de Israel no ano passado foram excessivas, mas não contribuíram para o inesperado segundo lugar conquistado pelo país.
Uma investigação do Times, baseada em dados de votação até então não divulgados, documentos do Eurovision e entrevistas com mais de 50 pessoas, descobriu, no entanto, que a campanha poderia facilmente ter alterado o resultado do concurso.
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A cantoraisraelense venceu nos votos populares em países onde as pesquisas mostram que Israel é profundamente impopular. Uma análise dos votos revela que, em alguns países, bastariam algumas centenas de votos para mudar o resultado, o que, por sua vez, pode influenciar o desfecho final devido ao sistema de votação do concurso.
Não há provas de que Israel, como alguns fãs do Eurovision especularam, tenha usado bots ou outras táticas secretas para manipular a votação.
Os organizadores mantiveram os dados completos da votação em segredo absoluto, até mesmo de suas próprias emissoras. Diante de uma revolta interna e ameaças de aliados israelenses para que abandonassem a disputa, eles minimizaram publicamente a campanha eleitoral de Israel e nunca a investigaram a fundo.
Os organizadores do concurso encomendaram um estudo sobre a opinião das emissoras em relação a Israel, mas mantiveram o relatório completo em segredo. Eles convocaram uma votação sobre a permanência de Israel no concurso e, em seguida, a cancelaram abruptamente. Desencorajaram as emissoras a falar com jornalistas.
— O governo israelense cooptou o Eurovision — disse Stefan Jon Hafstein, presidente do conselho da emissora pública da Islândia.
Comprar anúncios e coordenar mensagens nas redes sociais não é ilegal. Afinal, o Eurovision é apenas um concurso de canto — embora o maior do mundo. Mas, embora os governos frequentemente tentem capitalizar a publicidade que seus cantores proporcionam, nenhum esforço promocional liderado pelo governo foi tão extenso e controverso quanto o de Israel.
— A voz de Israel deve ser ouvida em todos os lugares — disse o presidente israelense, Isaac Herzog, cuja função é em grande parte cerimonial, e que levantou a questão do boicote em reuniões com líderes mundiais no ano passado. Devemos participar, devemos hastear nossa bandeira bem alto e devemos levar os melhores artistas para o Eurovision.
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O Eurovision, que outrora lançou as carreiras internacionais de artistas como ABBA e Celine Dion, enfrenta um futuro incerto. Projeções financeiras analisadas pelo The Times estimaram no ano passado que os boicotes custariam ao grupo de radiodifusão sem fins lucrativos centenas de milhares de dólares em taxas de participação. Green afirmou que as finanças da Eurovisão eram robustas, mas reconheceu a dificuldade em encontrar patrocinadores.
— É certamente um dos maiores desafios que enfrentamos — disse Green sobre a controvérsia com Israel. Mas o Eurovision, acrescentou, existe para demonstrar a harmonia global — Para mostrar o mundo como ele poderia ser”.
Esta é a história por trás da controvérsia que quase acabou com o Eurovision.
Eurovision como soft power
Em maio de 2024, fãs se reuniram na cidade costeira sueca de Malmö para o primeiro concurso Eurovision da guerra em Gaza.
Apesar do nome, o Eurovision reúne cantores e emissoras de todo o mundo. Israel estreou em 1973. Os músicos competem sob bandeiras nacionais, mas as apresentações são financiadas por emissoras de televisão.
Naquela época, não havia nenhuma regra clara que proibisse a promoção governamental, mas a independência é um princípio fundamental do Eurovision.
No entanto, o governo israelense vinha promovendo discretamente os artistas de sua emissora desde pelo menos 2018, segundo Doron Medalie, ex-compositor de músicas para o Eurovision representando Israel. O governo gastou mais de US$ 100 mil em promoção nas redes sociais naquele ano, afirmou ele. Israel venceu.
Medalie afirmou que a vitória convenceu os líderes israelenses de que o Eurovision, que é extremamente popular em Israel, era um bom investimento.
Registros mostram que o governo Netanyahu aumentou os gastos antes da eleição em Malmö.
A opinião pública europeia se opunha à guerra, e alguns grupos da indústria musical já pediam a expulsão de Israel do Eurovision. Uma boa apresentação israelense demonstraria que Israel era amado pelo público europeu, segundo autoridades israelenses. Elas, juntamente com algumas pessoas próximas à Eurovision, falaram sob condição de anonimato, seja por não estarem autorizadas a falar publicamente, seja por temerem represálias dos organizadores do concurso.
Em Malmö, o governo israelense gastou mais de US$ 800 mil em publicidade relacionada ao Eurovision, segundo dados da Agência de Publicidade do Governo de Israel. Os dados, obtidos pelo grupo de vigilância da mídia israelense The Seventh Eye e fornecidos ao The Times, revelam que a maior parte do dinheiro veio do Ministério das Relações Exteriores. Uma rubrica do gabinete de relações públicas do primeiro-ministro mostrou que também foram alocados fundos para “promoção de votos”.
A emissora pública israelense Kan disse ao Times que não tinha conhecimento prévio de campanhas publicitárias do governo e que, até onde sabia, “as regras da concorrência não foram violadas”.
Em 2024, a cantora israelense Eden Golan ficou em segundo lugar na votação popular e liderou a votação em muitos países onde o sentimento pró-Palestina é forte. “O mundo, ao que parece, não está contra nós”, escreveu o site de notícias israelense Ynet.
O Ynet observou que o Ministério das Relações Exteriores havia feito propaganda no YouTube durante o Eurovision. Mas a história, e os padrões de votação incomuns, receberam pouca atenção.
As emissoras do Eurovision estavam ocupadas. A ativista Greta Thunberg e milhares de outras pessoas lotaram Malmö, protestando contra a participação de Israel. No palco, vários cantores usavam símbolos palestinos. O rapper holandês Joost Klein foi expulso por uma altercação não relacionada com um operador de câmera.
Mas uma emissora da Eslovênia notou o resultado peculiar da votação e pediu ao Eurovision que divulgasse mais dados. Os organizadores nunca responderam, disse a emissora.
O Eurovision afirmou na primeira semana deste mês que não considerou excessivas quaisquer promoções israelenses a partir de 2024.
O Eurovision tinha deixado Malmö para trás, mas os seus problemas estavam apenas a começar.
‘Vote 20 vezes!’
No concurso Eurovision de 2025, em Basileia, na Suíça, Israel ficou em segundo lugar na classificação geral e venceu o voto popular — mais uma vez conquistando os países onde as pessoas se manifestaram abertamente contra as políticas de Israel.
Desta vez, os resultados inesperados foram notados.
Utilizando a biblioteca de anúncios do Google, jornalistas da emissora finlandesa Yle revelaram que o governo israelense comprou anúncios online em vários idiomas, convocando as pessoas a votarem no candidato israelense, Yuval Raphael, até o limite máximo de 20 votos.
Os números de gastos para essa disputa não estão disponíveis, mas a campanha de Israel foi mais ampla e coordenada do que em Malmö.
O próprio Netanyahu publicou uma imagem nas redes sociais incentivando as pessoas a votarem 20 vezes em Raphael. Grupos pró-Israel em toda a Europa publicaram imagens semelhantes e outras relacionadas. O vice-embaixador de Israel na Áustria, Ilay Levi Judkovsky, disse ao Times que havia entrado em contato com um grupo da diáspora para angariar apoio para Raphael.
Medalie, o compositor israelense, defendeu a estratégia. Israel gasta tanto com segurança, disse ele, que seria justo que o governo financiasse a promoção.
— Todo mundo está com inveja e se sente incomodado porque Israel está alcançando ótimos resultados — disse ele.
Os esforços de promoção de Israel poderiam ter facilmente influenciado o voto popular, segundo uma análise dos dados eleitorais. Isso porque, em alguns países, os registros mostram que tão poucas pessoas votam que apenas algumas centenas votando repetidamente poderiam mudar o resultado.
Após a votação, a emissora eslovena voltou a exigir os dados da votação e ameaçou retirar-se do ar. Outros, em privado, pediram uma investigação externa.
Green prometeu que o órgão dirigente do Eurovision analisaria a votação. Mas esse grupo nunca recebeu uma análise completa da votação, apenas dados “superficiais”, reconheceu Green.
Nem ele nem o sindicato das emissoras encomendaram uma investigação externa.
— Estamos muito, muito felizes que o resultado seja verdadeiro, justo e bem analisado — disse Green.
Em julho, durante um encontro de emissoras em Londres, a dissidência aumentou. A Espanha pediu um debate sobre a participação de Israel e a mudança de um sistema de votação que considerava suscetível a manipulação.
Em vez de investigar, o Eurovision contratou um consultor, o veterano da radiodifusão checa Petr Dvorak, para entrevistar membros sobre a participação de Israel.
As opiniões eram bastante diversas. “Às vezes, eles simplesmente sentiam que Israel, como Estado, estava usando esse evento como uma espécie de ferramenta de promoção”, lembrou Dvorak em uma entrevista. Outros queriam que o Eurovision cancelasse ou adiasse a edição de 2026. Alguns achavam que a Kan, emissora israelense, não deveria ser responsabilizada pelas ações de seu governo.
Posteriormente, as emissoras receberam apenas um resumo das conclusões de Dvorak, e não o relatório completo, reforçando a opinião de que o esforço foi uma perda de tempo.
No final de setembro, cinco emissoras — Islândia, Irlanda, Holanda, Espanha e Eslovênia — discutiam abertamente um boicote.
Uma controvérsia latente chega ao limite.
Uma reunião do Eurovision na Croácia, naquele mês, não dissipou as preocupações. Em vez disso, a equipe de Green fez duas apresentações aparentemente contraditórias, segundo dois participantes.
A primeira apresentação alegou que Israel não havia influenciado o resultado das eleições de 2025. Nenhum dado detalhado foi oferecido. A segunda apresentação orientou os profissionais de comunicação sobre como usar as mídias sociais para garantir mais votos.
Para alguns presentes na sala, os organizadores pareciam estar dizendo que as campanhas online poderiam influenciar a votação, mas que a de Israel não havia influenciado.
Os organizadores ficaram divididos entre lados rivais. Corriam rumores de que a Noruega e Portugal poderiam se juntar aos cinco países dissidentes caso Israel permanecesse no palco. Documentos mostram que aliados de Israel, incluindo a Alemanha e a Estônia, se opuseram à proibição.
Os organizadores calcularam os efeitos financeiros de ambos os cenários: perder os críticos de Israel ou perder Israel e seus defensores. Nenhum dos resultados foi bom, segundo os registros. De acordo com algumas estimativas, o Eurovision poderia perder mais de US$ 600.000 em taxas de inscrição.
A situação tinha ficado tão ruim que até o chefe da emissora pública austríaca cogitou, em uma conversa interna, a possibilidade de seu país se retirar em apoio a Israel, segundo uma fonte familiarizada com a discussão. Isso deixaria o concurso de 2026, marcado para Viena, sem sede.
(Um porta-voz da emissora austríaca afirmou que “sempre foi claro” que Viena sediaria o evento. O diretor da emissora renunciou ao cargo posteriormente.)
Em uma carta enviada aos seus membros no final de setembro, o Eurovision reconheceu que “nunca havia enfrentado uma situação tão divisiva” e anunciou uma votação de emergência sobre a participação de Israel.
Em conversas privadas, os advogados do Eurovision deram um conselho extraordinário: os organizadores poderiam excluir Israel legalmente, se quisessem.
Eurovisão, Dilacerado
Algumas semanas depois, o Eurovision cancelou a votação de emergência, alegando o novo cessar-fogo em Gaza. Isso adiou a questão para dezembro.
As emissoras ainda tinham dúvidas sobre os direitos humanos e a campanha de marketing de Israel. Mas, aparentemente, o Eurovision queria que a controvérsia desaparecesse. Sua equipe de comunicação havia enviado um e-mail desencorajando as emissoras a falar com jornalistas.
O atraso deu ao governo de Israel tempo para fazer uma investida diplomática.
Segundo documentos e entrevistas com pessoas envolvidas, as embaixadas israelenses entraram em contato com emissoras de televisão em pelo menos três países. Em um quarto país, o governo israelense contatou o Ministério das Relações Exteriores para discutir o Eurovision.
Finalmente, em dezembro, após meses de debate e atrasos, as emissoras se reuniram em Genebra para discutir a participação de Israel.
Mais uma vez, o Eurovision esquivou-se da questão.
O sindicato das emissoras organizou uma votação para decidir se limitaria cada telespectador a 10 votos e se “desencorajaria campanhas promocionais desproporcionais”.
Havia uma reviravolta: se os membros aprovassem as mudanças, estariam concordando em manter Israel no Eurovision — sem nunca votar explicitamente sobre a questão. (Alguns membros disseram a Dvorak que não queriam ser responsabilizados em seus países de origem por tal votação.)
A presidente do sindicato das emissoras, Delphine Ernotte Cunci, reconheceu que o acordo “pode ​​parecer um tanto bizarro”. Mas, explicou ela, não votar era “a solução mais democrática possível”, de acordo com a ata da reunião.
Frederik Delaplace, da emissora belga VRT, não se convenceu. Segundo ele, durante a reunião, o Festival Eurovisão da Canção estava “se escondendo atrás de diretrizes” em vez de discutir direitos humanos.
Por meio de votação secreta, as emissoras aprovaram as mudanças nas regras. Israel permaneceria no Eurovision, sem que ninguém precisasse votar sobre o assunto.
As cinco emissoras dissidentes rapidamente iniciaram um boicote.
Green afirmou que as novas regras abordavam “uma questão de percepção”, e não problemas reais.
Na edição deste ano do Eurovision, em Viena, outros países estão testando as novas regras, mobilizando suas diásporas para votar.
E uma propaganda israelense está mais uma vez gerando polêmica. A equipe por trás do candidato de Israel, Noam Bettan, divulgou nas redes sociais promoções pedindo que as pessoas votassem nele 10 vezes.
Os organizadores do Eurovision, correndo contra o tempo para evitar uma repetição do ano passado, advertiram formalmente a emissora e pediram a remoção das publicações. “Utilizar um apelo direto para votar 10 vezes no mesmo artista ou canção também não está de acordo com as nossas regras, nem com o espírito do concurso”, disse Green.
Ele reiterou o compromisso do público, afirmando que tais campanhas não podem influenciar o resultado.
Donald Trump sofreu um revés legislativo na quinta-feira com o adiamento da votação de um projeto de lei para financiar agências de imigração, após uma disputa entre senadores republicanos sobre um fundo adicional de US$ 1,8 bilhão destinado a compensar aliados do presidente que alegam perseguição por agências federais.
Os líderes republicanos esperavam aprovar quase US$ 70 bilhões para o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), a Patrulha da Fronteira e outras agências antes do recesso legislativo de uma semana. Mas a divergência dentro das fileiras republicanas surgiu da proposta de Trump de um “fundo anti-manipulação política”, que poderia compensar centenas de seus apoiadores processados ​​pela invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Os republicanos “estão brigando abertamente por um projeto de lei que injetaria bilhões a mais na agenda imigratória extremista do presidente Trump e aprovaria quase US$ 1,8 bilhão (…) para um fundo opaco destinado a recompensar os aliados políticos de Trump”, disseram os senadores democratas Mark Warner e Tim Kaine em uma declaração conjunta. Os republicanos também estavam divididos sobre uma proposta de financiamento de até US$ 1 bilhão para o Serviço Secreto, vinculado à segurança do salão de baile da Casa Branca, conforme idealizado por Trump.
O adiamento dessa votação estende o prazo de 1º de junho estabelecido por Trump para aprovar um dos pilares de sua agenda interna.
Empresas de mineração em águas profundas enfrentarão uma avalanche de processos judiciais se prosseguirem com os planos “ilegais” apoiados pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para extrair minerais críticos do fundo do oceano, disse à AFP, nesta sexta-feira, a chefe da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos.
“Prevejo uma grande quantidade de processos judiciais se isso acontecer. Essa ação unilateral acionará muitos, muitos sistemas jurídicos”, disse Leticia Carvalho, secretária-geral da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos.
A República Islâmica do Irã acelerou o ritmo de reposição do seu arsenal de drones durante o cessar-fogo temporário com os EUA, em uma demonstração de que a ofensiva americano-israelense contra Teerã não atrasou a capacidade da indústria bélica iraniana na intensidade que as autoridades em Washington apontaram anteriormente. A reconstrução da indústria e do arsenal dos EUA foi revelada por fontes de inteligência citadas em anonimato pela rede americana CNN em publicação nesta quinta-feira.
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Relatórios de inteligência anteriores, incluindo do período em que o conflito entre os países era disputado em alta intensidade, indicaram que o regime iraniano havia conservado uma parcela relevante de seu arsenal de mísseis e drones. Instalações subterrâneas, como bunkers e silos, escaparam das ondas de ataque aéreo lançadas por EUA e Israel, com os projéteis sendo, em determinados casos, utilizados poucas horas após as ofensivas. A informação trazida pelas fontes americanas, porém, revela um elemento novo.
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Em meio à trégua para negociações entre EUA e Irã, as Forças Armadas iranianas deram início a uma reposição acelerada do arsenal destruído ou utilizado durante o começo da guerra. Além do estoque de drones, as fontes de inteligência americanas disseram que foram recuperadas plataformas para o lançamento de mísseis e instalações ligadas à indústria bélica.
Uma das quatro fontes consultadas pela reportagem mencionou que o tempo de reposição total da capacidade de drones, em estimativas considerando o ritmo atual, seria de seis meses — e não de anos, como apontaram algumas declarações públicas de autoridades militares. Um dos motivos seria de que os danos inicialmente causados pela ofensiva não teria sido tão intenso quanto o retratado.
Outra razão apontada nas informações de inteligência é que a colaboração de Rússia e China estaria dando ao Irã as capacidades necessárias para se recuperar. A alegação de colaboração chinesa foi rejeitada por Pequim publicamente, mas o próprio premier de Israel, Benjamin Netanyahu, chegou a acusar o regime chinês de enviar componentes usados pela indústria bélica iraniana para Teerã.
‘Drone suicida’ usando no conflito entre Irã e Israel
Editoria de Arte
Impressões sobre o conflito
As forças iranianas demonstraram capacidade de resiliência e recuperação em ocasiões anteriores. Em fevereiro, antes do início do atual conflito, uma análise publicada pelo New York Times com base em imagens de satélite demonstrou que as autoridades de Teerã priorizaram a reconstrução do programa de mísseis em detrimento do programa nuclear, após a onda de ataques israelenses e americanos em 2025. Especialistas alertaram na época que manter os estoques de projéteis era uma prioridade para o Irã, como forma de responder imediatamente a possíveis ataques.
Com o início da guerra, a previsão se comprovou. O Irã disparou ondas de mísseis e drones contra as bases americanas na região, contra Israel e contra alvos estratégicos em países vizinhos, arrastando os países do Golfo para o conflito. O alcance dos projéteis iranianos colocam na linha de tiro quase todos os possíveis alvos no Oriente Médio, sobrecarregando também sistemas de defesa antiaéreo.
A inconsistência entre declarações de agentes públicos americanos sobre os objetivos atingidos com a ofensiva militar e os relatos de fontes de inteligência não foi uma exclusividade deste caso. O jornal Washington Post revelou que 228 bases e equipamentos americanos foram atingidos em ataques do Irã ao longo da guerra, em uma extensão de danos superior ao que autoridades americanas deixaram transparecer.
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Estratégias de reação
Especialistas apontaram ao longo da semana que Teerã tem preparado estratégias para uma possível retomada dos confrontos, com um dos pilares sendo o disparo de “dezenas ou centenas de mísseis” a fim de dissuadir o lado inimigo. O maior impacto provavelmente seria sobre países do Golfo como Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Arábia Saudita e Catar, bombardeados na primeira fase da guerra.
Outras estratégias planejadas passariam pelo bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, passagem marítima que estreita perto do Iêmen, onde os aliados iranianos, os Houthis, operam. Não está claro, porém, o quanto o grupo rebelde estaria disposto a contribuir neste momento.
Relatos de dentro do Irã mostram que o regime dos aiatolás tenta manter a mobilização em setores populares em torno da ideia de resistência patriótica. Em Teerã, treinamentos para capacitar civis ao uso de fuzis AK-47 foram noticiados nas últimas semanas, com a montagem de estandes de tiro e soldados da Guarda Revolucionária iraniana ensinando civis a utilizarem os equipamentos. (Com NYT e AFP)
George Santos, filho de brasileiros e ex-deputado republicano nos Estados Unidos, afirmou na última quarta-feira que considera solicitar acesso ao novo fundo bilionário do governo de Donald Trump, informou o Washington Post. Os recursos públicos servem para indenizar pessoas que se consideram perseguidas por administrações anteriores. Santos, condenado por fraude e roubo de identidade, deixou a cadeia no ano passado por ordem do presidente americano, o qual classificou como “maior presidente da história” do país.
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— Para mim não é uma questão financeira. Eu não fui prejudicado. Consigo manter minha renda — defendeu o ex-congressista ao jornal americano.
Santos havia sido condenado a sete anos de prisão por fraude eletrônica e roubo de identidade qualificado, uma pena que ele havia começado a cumprir em julho do ano passado. Nascido em Nova York, o político usou cartões de crédito de seus doadores sem autorização para comprar roupas de grife, quitar a entrada de automóvel e sacar dinheiro em caixas eletrônicos, segundo a Promotoria.
Além de apresentar problemas legais no Brasil, George Santos se tornou conhecido ao se apresentar como a “nova face” do Partido Republicano, surpreendendo em primárias no estado de Nova York, há décadas dominado pelos democratas, e chegando à Câmara dos Deputados.
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Contudo, a imagem de republicano perfeito começou a desmoronar: pouco depois de ser eleito, uma investigação revelou que toda sua trajetória política foi baseada em mentiras sobre sua educação, religião, experiência profissional, bens e salários. Ele chegou a falsificar sua história familiar, afirmando ser descendente de judeus sobreviventes do Holocausto que fugiram da barbárie nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
— Quero esclarecer as coisas. Acho que esse [acesso ao fundo] é um ótimo caminho para isso — disse Santos ao Washington Post.
A criação do fundo
Na segunda-feira, após o fim de uma ação de US$ 10 bilhões (equivalente a R$ 50 bilhões) movida por Trump contra a Receita americana, que também o blinda de investigações futuras, o Departamento de Justiça anunciou a criação do fundo de U$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 8,6 bilhões), para “proporcionar um processo sistemático para ouvir e reparar as queixas de outras pessoas que sofreram instrumentalização e abuso jurídico”.
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— A máquina governamental jamais deve ser usada como arma contra qualquer cidadão americano, e é intenção deste departamento corrigir os erros cometidos anteriormente, garantindo que isso nunca mais aconteça —disse o secretário interino de Justiça, Todd Blanche.
Na prática, qualquer um que tenha se sentido prejudicado pelo governo dos EUA por razões “políticas, pessoais ou ideológicas” pode pedir compensação. Desde os envolvidos na contagem de votos na eleição de 2020 que alegam terem sido ameaçados até os mais de 1,5 mil processados ou condenados pela invasão ao Capitólio. Na terça, o vice-presidente, JD Vance, não afastou a possibilidade dos agressores, já perdoados por Trump, receberem dinheiro e um pedido de desculpas.
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— Não descarto hipóteses categoricamente quando não sei nada sobre as circunstâncias individuais de uma pessoa — declarou Vance. — Temos pessoas acusadas de atacar agentes da lei. Isso não significa que vamos ignorar completamente as suas alegações.
Os desembolsos serão decididos por uma comissão de cinco membros, sendo que quatro indicados pelo Departamento de Justiça, e que podem ser demitidos a qualquer momento por Trump.
Um tribunal de Ancara anulou nesta quinta-feira a eleição da liderança do principal partido de oposição da Turquia, o CHP, em 2023, numa escalada acentuada contra a oposição fragilizada do país. Esta é a mais recente de uma série de medidas contra o Partido Republicano do Povo (CHP, na sigla original), a legenda política mais antiga da Turquia, que obteve uma vitória expressiva sobre o AKP, partido governista do presidente Recep Tayyip Erdogan, nas eleições locais de 2024 e vem crescendo nas pesquisas de opinião.
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A decisão anulou o resultado da eleição da liderança, que elegeu o atual líder do partido, Özgur Özel, e nomeou o ex-presidente do partido, Kemal Kılığdaroğlu — que perdeu a eleição para Özel — como líder interino.
O CHP convocou imediatamente uma reunião de emergência da liderança em sua sede em Ancara, onde centenas de manifestantes enfurecidos começaram a se reunir do lado de fora, chegando a mais de 5.000 pessoas, segundo um correspondente da AFP.
“Traidor Kemal!” Eles gritaram, agitando bandeiras e entoando slogans de protesto contra a decisão judicial. A anulação também provocou uma forte reação na principal bolsa de valores da Turquia, cujas ações despencaram mais de seis por cento.
O caso diz respeito a alegações de compra de votos no congresso do CHP em novembro de 2023. Os promotores alegam que Özel venceu pressionando delegados com promessas de empregos e outras propinas. Aberto em fevereiro de 2025, o caso foi arquivado em outubro por falta de fundamento. Mas os promotores recorreram e o tribunal decidiu a seu favor.
“Não reconhecemos nem aceitamos esta decisão (judicial) ilegal”, escreveu o CHP no X, enquanto Özel prometia continuar a luta.
— Estamos vivendo um dia sombrio para a democracia turca — declarou Özel em uma coletiva de imprensa no final da noite em Ancara, afirmando que o partido havia recorrido da decisão ao Tribunal de Cassação e que também recorreria à autoridade eleitoral máxima da Turquia na sexta-feira.
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‘Tal como Putin’
O prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, principal rival político de Erdogan e candidato presidencial do CHP, foi preso no ano passado sob acusações amplamente consideradas políticas. Ele afirmou que não se trata apenas de uma manobra contra o CHP, mas sim de “um golpe contra a Turquia, contra a democracia”.
“Isto é grave. Transcende as divisões partidárias. É hora de a nação se unir para defender a Turquia”, escreveu ele no X.
O caso é amplamente visto como uma tentativa politicamente motivada de enfraquecer o partido de oposição, com analistas afirmando que se trata da continuação do processo iniciado com a prisão de Imamoglu.
— Sabíamos que era para isso que Erdogan estava caminhando, e este é um ataque sem precedentes ao que restava do espaço democrático — disse Gonul Tol, do Instituto do Oriente Médio, com sede em Washington, à AFP. — É basicamente uma reestruturação da oposição, tal como Putin moldou uma oposição leal. É para lá que estamos indo, é algo sem precedentes.
O analista político Berk Esen afirmou que tentar mudar a liderança da oposição por meio dos tribunais era “sem precedentes”, alertando que aceitar Kılığdaroğlu como líder seria, na prática, “um acordo com o regime”.
“É o mesmo que encobrir a ilegalidade em curso”, alegou Esen em publicação no X sobre uma figura amplamente vista como um peão do governo.
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Nova era sob Özel
No ano passado, Kılığdaroğlu disse que estaria disposto a assumir a liderança se o tribunal anulasse o resultado das primárias, provocando indignação dentro do CHP. No X, o político de 77 anos disse que a decisão “não deveria ser motivo de divisão, mas sim uma oportunidade para unir” e “deixar de lado as mágoas”.
Como líder do partido, ele foi uma figura apagada, acumulando uma série de derrotas eleitorais e mal conseguindo abalar a estrutura do AKP, partido de Erdogan. Kılığdaroğlu foi destituído do cargo no congresso do partido cinco meses após perder uma acirrada campanha presidencial contra Erdogan, mergulhando a legenda em crise.
A situação mudou após a eleição de Özel: em poucos meses, ele liderou o CHP a uma retumbante vitória nas eleições locais. Posteriormente, se tornou o rosto dos maiores protestos de rua na Turquia em uma década, desencadeados pela prisão de Imamoglu, que permanece detido e enfrenta uma série de processos judiciais que o acusam de tudo, desde corrupção e espionagem até ligações com o terrorismo.
O principal processo contra ele foi aberto em março, com os promotores buscando uma pena de 2.430 anos de prisão. Caso seja impedido de concorrer, analistas preveem que Özel, de 51 anos, surgirá como o provável candidato nas eleições à Presidência, previstas para 2028.
A Assembleia Geral da ONU aprovou na quarta-feira uma resolução que amplia a pressão sobre os países para que cumpram compromissos de redução de emissões e para o controle de danos ambientais. O texto tem como base uma decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) de 2025 que previa, em determinados casos, o pagamento de reparações por grandes poluidores. O texto passou no plenário, mas chamou a atenção uma curiosa aliança no campo dos votos contrários.
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A resolução foi apresentada por Vanuatu, um país no Oceano Pacífico que pode perder grande parte de seu território por causa do aumento do nível dos oceanos, e se baseia em uma opinião do Tribunal Penal Internacional, emitida em 2025, e que abre espaço para a judicialização de países que ignoram medidas de redução de danos ao clima.
Segundo a Corte, esses governos poderão ser condenados por seu desleixo ambiental e obrigados a pagar restituições financeiras ou em outros formatos. Na ocasião, os magistrados destacaram o impacto dos combustíveis fósseis, e afirmaram ser dever dos Estados controlar as emissões — a omissão, destacaram, “pode constituir um ato ilícito internacional atribuível a esse Estado”.
A decisão rejeitou os argumentos de que apenas os signatários do Acordo de Paris estariam sujeitos às obrigações, citando uma série de outros compromissos internacionais, e estabeleceu que os governos podem ser responsabilizados por ações de atores privados.
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Nos meses que se seguiram, nações produtoras de petróleo, especialmente os EUA, cujo abandono da pauta ambiental é política de governo para o presidente Donald Trump, tentaram afundar a campanha de Vanuatu. Em fevereiro, a agência Associated Press revelou que o Departamento de Estado agiu pesado para orquestrar a derrubada do texto: uma ordem emitida às embaixadas do país afirmava que a decisão da CIJ “poderia representar uma grande ameaça para a indústria americana”, e pedia que agissem junto às autoridades locais.
No ano passado, durante a COP30, em Belém, a proposta de transformar a opinião do CIJ em uma resolução na ONU não ganhou força, e alguns pesos pesados do setor de energia engrossaram a oposição à proposta — um representante da Arábia Saudita disse, em reunião a portas fechadas, que ela era uma “linha muito vermelha”.
Vanuatu, apoiado por uma coalizão de países, não se curvou, mas o texto final sofreu muitas alterações para que pudesse avançar. Mesmo assim, ele estipula a necessidade de ações para limitar o aquecimento do planeta em até 1,5ºC, em comparação com a era pré-Revolução Industrial, e para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis.
— A intervenção ativa do governo Trump no mercado para impedir a eliminação gradual dos combustíveis fósseis é muito frustrante; é algo que ultrapassa as expectativas de um governo —disse Ralph Regenvanu, ministro da Adaptação às Mudanças Cimáticas de Vanuatu, ao jornal britânico Guardian, em março. — Isso terá um enorme impacto negativo no mundo e nas futuras gerações.
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Na quarta, o texto foi a plenário, recebendo 141 votos a favor (incluindo o do Brasil), com 28 abstenções (incluindo a da Turquia, que sediará a COP31), e 8 contra. Ao contrário do Conselho de Segurança, nenhum país tem direito a veto na Assembleia Geral.
“Saúdo a adoção da resolução da Assembleia Geral sobre o parecer consultivo da CIJ sobre mudanças climáticas – uma poderosa afirmação do direito internacional, da justiça climática, da ciência e da responsabilidade dos Estados em proteger as pessoas da crescente crise climática”, escreveu, na rede social X, o secretário-geral da ONU, António Guterres. “Aqueles que menos contribuem para as mudanças climáticas estão pagando o preço mais alto. Essa injustiça precisa acabar.”
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Divulgação/Governo de Tuvalu
Para Regeveanu, “o compromisso contínuo com o Estado de Direito é mais importante do que nunca”, e as mudanças climáticas “não são exceção”.
— A manutenção do esclarecimento das obrigações existentes feito pela Corte é essencial para a credibilidade do sistema internacional e para uma ação coletiva eficaz — afirmou nesta quinta-feira ao Guardian.
Apesar da resolução ser não vinculante, os argumentos ali presentes já são usados em decisões sobre questões climáticas, e sua aprovação é considerada histórica por ambientalistas e ativistas climáticos. Mas outro destaque da votação estava na curiosa aliança de oposição ao texto: EUA, Rússia, Irã, Israel, Bielorrússia, Iêmen, Libéria e Arábia Saudita, países que, em outras frentes, estariam em lados diferentes das mesas de negociações e, especialmente, das trincheiras.

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