Cerca de 20 países, incluindo Brasil, França, Espanha e vários Estados muçulmanos, condenaram nesta segunda-feira com firmeza as últimas medidas tomadas por Israel para ampliar seu controle sobre a Cisjordânia e declararam que essa estratégia constitui uma tentativa de “anexação de fato”.
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A decisão de Israel de alterar o registro de terras na Cisjordânia para que possam ser classificadas como “propriedade do Estado” israelense, e de aumentar os assentamentos ilegais, “faz parte de uma trajetória clara que tem como objetivo mudar a realidade no terreno e avançar rumo a uma anexação de fato inaceitável”, disseram em comunicado conjunto os ministros das Relações Exteriores da Turquia, Brasil, França, Espanha, Arábia Saudita e outros, bem como a Organização de Cooperação Islâmica (OCI) e a Liga Árabe. “Essas ações constituem um ataque deliberado e direto à viabilidade de um Estado palestino e à implementação da solução de dois Estados”.
“Diante da alarmante escalada na Cisjordânia, apelamos também a Israel para que ponha fim à violência dos colonos contra os palestinos, inclusive responsabilizando os culpados. Reafirmamos o nosso compromisso de tomar medidas concretas, em conformidade com o direito internacional, para combater a expansão dos assentamentos ilegais em território palestino e as políticas e ameaças de deslocamento forçado e anexação”, sublinhou o comunicado. “No mês sagrado do Ramadã, enfatizamos também a importância de preservar o status quo histórico e legal em Jerusalém e seus locais sagrados, reconhecendo o papel especial da custódia histórica hashemita nesse sentido. Condenamos as repetidas violações do status quo em Jerusalém, que constituem uma ameaça à estabilidade regional.”
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Entenda o plano de Israel
Desde o início do mês, Israel anunciou vários planos para ampliar seu controle sobre a Cisjordânia, um território que ocupa desde 1967 — medida que não é reconhecida pela comunidade internacional — incluindo áreas que estão sob controle da Autoridade Nacional Palestina em virtude dos Acordos de Oslo assinados por israelenses e palestinos na década de 1990 e hoje praticamente moribundos.
Os palestinos consideram Jerusalém Oriental como a possível capital de um futuro Estado palestino. A situação da cidade é um dos pontos centrais do conflito entre israelenses e palestinos.
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O plano foi publicado no início de fevereiro e coincide com uma série de medidas que buscam ampliar o controle de Israel na Cisjordânia. Críticos avaliam que essas iniciativas apontam para uma anexação de fato do território palestino, embora o governo israelense não tenha anunciado formalmente tal medida.
O projeto foi anunciado pelo Ministério da Construção e Habitação de Israel e prevê a expansão para o leste do assentamento de Geva Binyamin, também chamado Adam, localizado ao nordeste de Jerusalém, na Cisjordânia. A área integra o Conselho Regional de Binyamin, que representa assentamentos ao norte de Ramallah.
Em nota, o ministério informou que o plano inclui a construção de 2.780 unidades habitacionais no assentamento, com investimento estimado em 120 milhões de shekels, o equivalente a cerca de R$ 202 milhões. O projeto ainda precisa passar por etapas formais de aprovação.
Violência: Palestino morre asfixiado durante incêndio provocado por colonos israelenses na Cisjordânia
Excluindo Jerusalém Oriental, mais de 500 mil israelenses vivem atualmente em assentamentos e postos avançados na Cisjordânia, considerados ilegais segundo o direito internacional. No mesmo território, residem cerca de três milhões de palestinos.
Os confrontos, por vezes mortais, entre populações palestinas locais, o Exército de Israel e colonos judeus se multiplicaram na região após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel, em 2023. Segundo registros do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), colonos realizaram mais de 750 ataques a palestinos e suas propriedades na primeira metade deste ano — uma média de quase 130 ataques por mês.
Esse é o maior índice mensal desde que a ONU começou a compilar esses registros, em 2006, e representa quase cinco vezes mais do que os casos contabilizados em 2022. O Exército israelense, que exerce a autoridade soberana no território ocupado, registrou um aumento similar na violência de colonos, embora tenha documentado apenas 440 ataques.
Com agências internacionais.
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A decisão de Israel de alterar o registro de terras na Cisjordânia para que possam ser classificadas como “propriedade do Estado” israelense, e de aumentar os assentamentos ilegais, “faz parte de uma trajetória clara que tem como objetivo mudar a realidade no terreno e avançar rumo a uma anexação de fato inaceitável”, disseram em comunicado conjunto os ministros das Relações Exteriores da Turquia, Brasil, França, Espanha, Arábia Saudita e outros, bem como a Organização de Cooperação Islâmica (OCI) e a Liga Árabe. “Essas ações constituem um ataque deliberado e direto à viabilidade de um Estado palestino e à implementação da solução de dois Estados”.
“Diante da alarmante escalada na Cisjordânia, apelamos também a Israel para que ponha fim à violência dos colonos contra os palestinos, inclusive responsabilizando os culpados. Reafirmamos o nosso compromisso de tomar medidas concretas, em conformidade com o direito internacional, para combater a expansão dos assentamentos ilegais em território palestino e as políticas e ameaças de deslocamento forçado e anexação”, sublinhou o comunicado. “No mês sagrado do Ramadã, enfatizamos também a importância de preservar o status quo histórico e legal em Jerusalém e seus locais sagrados, reconhecendo o papel especial da custódia histórica hashemita nesse sentido. Condenamos as repetidas violações do status quo em Jerusalém, que constituem uma ameaça à estabilidade regional.”
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Entenda o plano de Israel
Desde o início do mês, Israel anunciou vários planos para ampliar seu controle sobre a Cisjordânia, um território que ocupa desde 1967 — medida que não é reconhecida pela comunidade internacional — incluindo áreas que estão sob controle da Autoridade Nacional Palestina em virtude dos Acordos de Oslo assinados por israelenses e palestinos na década de 1990 e hoje praticamente moribundos.
Os palestinos consideram Jerusalém Oriental como a possível capital de um futuro Estado palestino. A situação da cidade é um dos pontos centrais do conflito entre israelenses e palestinos.
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O projeto foi anunciado pelo Ministério da Construção e Habitação de Israel e prevê a expansão para o leste do assentamento de Geva Binyamin, também chamado Adam, localizado ao nordeste de Jerusalém, na Cisjordânia. A área integra o Conselho Regional de Binyamin, que representa assentamentos ao norte de Ramallah.
Em nota, o ministério informou que o plano inclui a construção de 2.780 unidades habitacionais no assentamento, com investimento estimado em 120 milhões de shekels, o equivalente a cerca de R$ 202 milhões. O projeto ainda precisa passar por etapas formais de aprovação.
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Excluindo Jerusalém Oriental, mais de 500 mil israelenses vivem atualmente em assentamentos e postos avançados na Cisjordânia, considerados ilegais segundo o direito internacional. No mesmo território, residem cerca de três milhões de palestinos.
Os confrontos, por vezes mortais, entre populações palestinas locais, o Exército de Israel e colonos judeus se multiplicaram na região após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel, em 2023. Segundo registros do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), colonos realizaram mais de 750 ataques a palestinos e suas propriedades na primeira metade deste ano — uma média de quase 130 ataques por mês.
Esse é o maior índice mensal desde que a ONU começou a compilar esses registros, em 2006, e representa quase cinco vezes mais do que os casos contabilizados em 2022. O Exército israelense, que exerce a autoridade soberana no território ocupado, registrou um aumento similar na violência de colonos, embora tenha documentado apenas 440 ataques.
Com agências internacionais.










