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A informação foi confirmada por Antonio Hernández Llamas, diretor da entidade, que explicou que, após os rumores gerados pelo aparecimento de restos ósseos sob a ponte rodoviária, foi realizada uma perícia técnica na área para apurar o que realmente havia acontecido.
O funcionário afirmou que nenhuma vala comum foi encontrada no local e que os restos mortais descobertos consistiam principalmente de crânios e fragmentos ósseos de animais como porcos, que parecem ser resíduos de frigoríficos localizados na área. De acordo com a investigação, em alguns casos, esses resíduos são entregues ou removidos por moradores de rua e levados para aquele local.
Hernández Llamas também negou enfaticamente que essa população esteja se alimentando de cães. Ele indicou que, pelo contrário, em muitos casos, animais e pessoas em situação de rua formam o que se conhece como “famílias interespecíficas”, laços de cuidado e apoio mútuo entre humanos e animais.
O diretor da IDPYBA pediu às pessoas que não considerassem verdadeiras as versões que circulam sem verificação nas redes sociais e que comparassem as informações com fontes oficiais antes de tirar conclusões sobre situações tão sensíveis como o bem-estar animal e a situação dos sem-teto.
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A primeira reclamação
O caso veio a público após uma operação de recuperação do espaço público realizada sob a ponte da Avenida da Sexta Rua com a Rua 30, na cidade de Puente Aranda, um ponto onde o tráfego intenso e o ruído constante dos veículos dominam o ambiente.
Durante a operação, realizada na terça-feira, 20 de janeiro, funcionários da Prefeitura de Puente Aranda encontraram diversas lonas abandonadas que escondiam restos de animais. A cena gerou alertas institucionais e renovou a atenção para essa área, que há anos é identificada por equipes de resgate como um local crítico devido à presença constante de animais vivendo em condições precárias.
A inspeção foi realizada em conjunto com a Polícia Metropolitana. De acordo com o relatório oficial, não foram encontradas poças de sangue, órgãos ou outros elementos que indicassem sacrifícios de animais no local.
Também não foi possível determinar se os restos mortais estavam relacionados a práticas de sacrifício ou ao consumo por pessoas em situação de rua. “As autoridades competentes continuam realizando as verificações necessárias, no âmbito de suas atribuições, para garantir os serviços sociais à população, o bem-estar e a proteção dos animais, a conservação dos espaços públicos e a tranquilidade da comunidade”, informou a Prefeitura de Puente Aranda.
Por sua vez, o IDPYBA indicou que tem trabalhado permanentemente neste setor e em outras partes da cidade com a Secretaria de Integração Social, no âmbito da estratégia Huellitas de la Calle, e que, neste apoio, não foram encontradas provas de abate de animais para consumo.
A entidade também participa da nova elaboração da Política Pública para Pessoas em Situação de Rua, que busca destacar o vínculo entre essa população e seus animais de companhia, uma realidade reconhecida em Bogotá como famílias interespecíficas.
‘Isso não é novidade’
A versão oficial, no entanto, contrasta fortemente com os relatos de socorristas que trabalham na região há anos. Angie Melissa Rodríguez Fernández, conhecida como Melissa Rodríguez, é uma socorrista independente há mais de duas décadas. Juntamente com o marido, ela cuida de 138 animais, abrigados em seu abrigo em Kennedy, além de canis, lares temporários e clínicas veterinárias.
Segundo o relato dela, eles já resgataram animais abandonados debaixo da ponte e ao longo do canal próximo em diversas ocasiões.
— Muitos moradores de rua têm vários animais consigo — disse ela.
Ela relatou que os cães são frequentemente encontrados em estado crítico: acorrentados, abaixo do peso, desnutridos, sofrendo de sarna e pulgas, e que alguns são usados para reprodução. Ela lembrou que até teve que comprar uma cadela junto com seus filhotes porque não queriam entregá-los a ela.
Na opinião dela, as autoridades já sabem há muito tempo o que está acontecendo ali.
— O Instituto, a Prefeitura e a Polícia sabem que isso acontece naquele lugar e que sempre há vários animais lá — afirmou.
Melissa acredita que a resposta institucional tem sido limitada e que a recente descoberta dos restos mortais não pode ser vista como um incidente isolado. Ela conta que voltou à área esta semana e encontrou animais amarrados, incluindo uma cadela com filhotes sendo alimentados no canal.
Ela também relatou que tentaram conversar com os vizinhos da região, mas geralmente são recebidos com silêncio ou medo. Embora tenha esclarecido que nem todos os moradores de rua maltratam animais e que muitos cuidam deles e os amam, ela insiste que algo diferente está acontecendo naquele caso específico.
Segundo relatos, eles viram repetidamente animais de raça pura amarrados debaixo da ponte, alguns dos quais desaparecem sem deixar rastro.
— Não sei se estão vendendo ou matando os animais. Não sei o que estão fazendo, mas algo estranho está acontecendo ali — disseram.
Após a publicação do primeiro artigo do El Tiempo sobre os restos mortais, foram notadas mudanças na área: os animais já não estavam debaixo da ponte, mas sim mais escondidos no canal.
A socorrista questiona a falta de controles, censos de animais e a presença permanente das autoridades. — Ligamos para a polícia e eles nos ignoram. Pedimos apoio e nada acontece — disse ela.
Investigação em curso
Entretanto, a Procuradoria-Geral da República confirmou ao El Tiempo que já foi instaurado um processo criminal neste caso, ou seja, o registro formal que inicia um processo penal quando uma autoridade toma conhecimento de um fato que pode constituir crime.
O processo encontra-se na fase de inquérito, uma fase preliminar em que as informações são coletadas e verificadas para determinar se há mérito para prosseguir com uma investigação formal.
Outras fontes consultadas por este jornal concordaram que, até o momento, não há evidências de que os animais tenham sido abatidos no local ou que os restos mortais se destinassem ao consumo humano.
No entanto, para quem viaja pela região há anos, as dúvidas persistem: de onde vieram os crânios, por que estavam escondidos sob lonas e o que acontece com os animais que aparecem e desaparecem em uma das estradas mais movimentadas da zona oeste de Bogotá? Como resume Melissa Rodríguez: “Há algo estranho acontecendo ali”.







