Mulher que escreveu livro sobre luto após perder marido é acusada do assassinato dele
Viúva é acusada de matar marido com fentanil dois meses após lançar livro infantil para ajudar filhos a viver luto
De acordo com a rede BBC, a decisão foi tomada após cerca de três horas de deliberação, na segunda-feira. Richins também foi considerada culpada de tentativa de homicídio por um episódio anterior, em que teria tentado matar o marido ao adulterar sua comida.
Segundo a promotoria, o crime foi motivado por interesses financeiros. Durante o julgamento, os investigadores apontaram que Richins acumulava milhões de dólares em dívidas, havia contratado seguros de vida em nome do marido e mantinha um relacionamento extraconjugal.
— Ela queria se separar de Eric Richins, mas não queria abrir mão do dinheiro dele — afirmou o promotor do condado de Summit, Brad Bloodworth.
Os promotores apresentaram mais de 40 testemunhas, incluindo uma mulher que disse ter fornecido as drogas usadas no crime. Já a defesa optou por não convocar testemunhas, e a própria acusada não prestou depoimento.
De acordo com os autos, Richins chegou a tentar envenenar o marido semanas antes da morte, aumentando posteriormente a dose da substância até provocar a overdose fatal. O laudo do médico legista concluiu que Eric Richins morreu com cerca de cinco vezes a dose letal de fentanil no organismo.
Mensagens de texto apresentadas no tribunal indicam que, entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022, a acusada buscou adquirir analgésicos e, posteriormente, solicitou drogas mais potentes, incluindo fentanil, descrito por ela como “algo como o que matou Michael Jackson”.
Na noite do crime, em 4 de março de 2022, Richins ligou para a polícia afirmando ter encontrado o marido inconsciente na cama. Ela relatou ter servido uma bebida alcoólica antes de se deitar com um dos filhos, que passava mal, e disse ter encontrado o companheiro “frio ao toque” ao retornar ao quarto.
O caso ganhou ainda mais repercussão pelo fato de que, dois meses antes de ser presa, em março de 2023, Richins lançou o livro ilustrado “Are You With Me?”, voltado para crianças que enfrentam a perda de um ente querido. A obra foi dedicada ao marido, descrito por ela como “um pai maravilhoso”.
Em entrevistas à época, a autora afirmou que o livro tinha como objetivo ajudar famílias — incluindo seus três filhos — a lidar com o luto. A acusação, no entanto, sustentou que ela acreditava que herdaria um patrimônio superior a US$ 4 milhões com a morte do marido.
Richins se declarou inocente durante todo o processo. A principal acusação, de homicídio qualificado, pode levar a uma pena que varia de 25 anos de prisão à prisão perpétua.







