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Colaborador próximo de Martin Luther King na década de 1960, Jackson marcou época como um orador dinâmico e um mediador de sucesso em disputas internacionais. Ícone da luta por igualdade racial nos EUA, tendo sido um dos afetados diretos pelas políticas de segregação no país, o pastor batista ampliou o espaço para os afro-americanos no cenário nacional por mais de seis décadas.
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“Nosso pai foi um líder servidor – não apenas para nossa família, mas para os oprimidos, os sem voz e os marginalizados ao redor do mundo”, pronunciou-se a família do reverendo em um comunicado, por meio do qual destacou a crença inabalável dele na “justiça, igualdade e amor”. “Compartilhamos seu nome com o mundo e, em troca, o mundo se tornou parte de nossa família ampliada.”
Jackson esteve presente em muitos momentos cruciais da longa luta pela justiça racial nos Estados Unidos. Ele estava com King em Memphis, em 1968, quando o líder dos direitos civis foi assassinado; chorou abertamente na multidão quando Barack Obama comemorou sua eleição presidencial em 2008; e apoiou a família de George Floyd em 2021, após a condenação de um ex-policial pelo assassinato do homem negro desarmado.
— Meu eleitorado é formado pelos desesperados, pelos condenados, pelos deserdados, pelos desrespeitados e pelos desprezados — disse Jackson na Convenção Nacional Democrata de 1984.
Carreira política
Filho de uma mãe adolescente solteira e de um ex-boxeador profissional, Jackson nasceu Jesse Louis Burns em 8 de outubro de 1941, em Greenville, Carolina do Sul. Mais tarde, adotou o sobrenome de seu padrasto, Charles Jackson. Em uma época em que políticas de segregação racial ainda eram regra nos EUA, ele se destacou na escola secundária segregada em que estudou, ganhando uma bolsa para jogar futebol americano na Universidade de Illinois. Ele acabou se transferindo para a Faculdade Agrícola e Técnica da Carolina do Norte, predominantemente negra, onde se formou em sociologia.
— Eu não nasci com berço de ouro. Eu tinha uma pá programada para as minhas mãos— disse ele certa vez.
O reverendo surgiu para o cenário político após ganhar destaque na década de 1960 como líder da Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC), ligada a Martin Luther King. Em 1960, ele participou de seu primeiro protesto pacífico em Greenville. Depois, juntou-se às marchas pelos direitos civis de Selma a Montgomery em 1965, onde chamou a atenção de Luther King.
Após o falecimento do mentor, ele fundou duas organizações que atuaram na busca por justiça social por meio do ativismo: a Operation PUSH, em 1971, e a Coalizão Nacional Arco-íris, doze anos depois. Os grupos se fundiram em 1996.
Mas foi na década de 1980 que ele ganhou notoriedade nos EUA. Por duas vezes, Jackson tentou ser presidente pelo Partido Democrata — chamando a a atenção de muitos americanos e garantindo que as questões afro-americanas se tornassem fundamentais para a plataforma do partido. Em 1984, ele terminou as primárias democratas em terceiro lugar, atrás de Walter Mondale e de Gary Hart, tornando-se o candidato presidencial negro mais bem-sucedido até Obama. Mondale foi derrotado por Ronald Reagan na eleição geral daquele ano.
Jesse Jackson, então pré-candidato à Presidência pelo Partido Democrata, parra perto de cartaz com os dizeres “Não a Reagan e à guerra”, em 1985
Marcel Mochet/AFP
Quatro anos depois, Jackson estava de volta ao palco da convenção após ficar em segundo lugar, atrás do candidato Michael Dukakis, instando os americanos a encontrarem um “terreno comum”.
Ele atacou o que chamou de “Robin Hood às avessas” de uma presidência Reagan que concedeu riquezas aos ricos, enquanto deixava os americanos pobres em dificuldades. Embora seu discurso impactante tenha aumentado sua visibilidade, a gradual inclinação do país para a direita o privou de grande influência política nos anos seguintes.
Embora suas realizações tenham sido pioneiras, seu trabalho também foi manchado por controvérsias. Em 1984, ele descreveu Nova York como “Hymietown”, usando um termo pejorativo para judeus. Um dos filhos de Jackson, o ex-congressista americano Jesse Jackson Jr., cumpriu pena de prisão após se declarar culpado, em 2013, de desviar cerca de US$ 750 mil em verbas de campanha para uso pessoal.
Mais tarde, Jackson se tornou um mediador e enviado em diversas frentes internacionais importantes. Como defensor proeminente do fim do apartheid na África do Sul, atuou na década de 1990 como um enviado especial presidencial para a África durante o governo de Bill Clinton. Também integrou missões para libertar prisioneiros americanos da Síria ao Iraque e à Sérvia.
Um dos últimos compromissos públicos da liderança foi o apoio à família de George Floyd em uma coletiva de imprensa, em abril de 2021, quando um júri de Minneapolis condenou o assassino de Floyd, Derek Chauvin.
Jackson foi hospitalizado em novembro para tratamento de uma condição neurodegenerativa rara e particularmente grave, a paralisia supranuclear progressiva (PSP). Em 2017, ele anunciou que tinha a doença de Parkinson, que em seus estágios iniciais pode produzir efeitos semelhantes nos movimentos corporais e na fala. A família anunciou nesta terça-feira que ele “faleceu em paz”. (Com AFP)








