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Cinco socorristas morreram durante operações de combate a incêndios no nordeste da Ucrânia, após ataques russos atingirem a cidade de Kharkiv, disse o ministro do Interior, Igor Klymenko, nesta segunda-feira. Pelo menos outras nove pessoas ficaram feridas, de acordo com Klymenko e o governador regional Oleg Synegubov.
A violência deixou mais quatro mortos na capital, com um incêndio que deflagrou no complexo do Mosteiro das Cavernas de Kiev, Patrimônio Mundial da Unesco, e o telhado da Catedral da Dormição em chamas. Jornalistas da AFP na capital testemunharam que moradores foram vistos correndo pelas ruas em busca de abrigo enquanto projéteis eram interceptados no céu e destroços incandescentes caíam sobre a cidade.
Cinco socorristas morreram durante operações de combate a incêndios no nordeste da Ucrânia
Genya Savilov/AFP
Mais de uma dúzia de caminhões de bombeiros cercavam a catedral, com bombeiros trabalhando incansavelmente para extinguir o incêndio por dentro e a partir de plataformas aéreas, conforme constatou um jornalista da AFP. Um buraco enorme podia ser visto em um dos lados da igreja, com chamas visíveis no telhado, que havia sido parcialmente destruído.
‘Ataques russos repetidos’
Em janeiro, ataques russos danificaram vários edifícios no complexo do Mosteiro das Cavernas de Kiev, informou o Ministério da Cultura na época. O local, com suas emblemáticas cúpulas douradas, foi notícia nos últimos anos após a expulsão de seus monges, acusados de terem ligações com Moscou.
A Igreja Ortodoxa da Ucrânia separou-se oficialmente da Rússia em 2022, e, dois anos depois, o governo ucraniano chegou ao ponto de proibir a filial ucraniana da Igreja Ortodoxa ligada a Moscou. Institucionalmente, a Igreja Ortodoxa russa tem apoiado integralmente o presidente Vladimir Putin desde que ele lançou a ofensiva da Rússia contra a Ucrânia em 2022. O chefe da administração militar local, Tymur Tkachenko, condenou o “ataque direto” ao local.
Mais de uma dúzia de caminhões de bombeiros cercavam a catedral, com bombeiros trabalhando incansavelmente para extinguir o incêndio
Genya Savilov/AFP
O metropolita Epifânio de Kiev também denunciou o ataque como um “crime contra a humanidade, a história e o cristianismo”. Pelo menos 25 pessoas ficaram feridas na capital e 140 mil moradores dos distritos do norte ficaram sem energia elétrica. A importante cidade de Kharkiv, no nordeste, também foi alvo de um ataque com mísseis.
“Cinco socorristas do Serviço Estatal de Emergência foram mortos durante operações de combate a incêndios em decorrência de um ataque russo repetido”, disse o ministro do Interior, Igor Klymenko, no Telegram. Pelo menos nove pessoas também ficaram feridas.
O chefe da região de Sumy, Oleg Grygorov, disse que três pessoas ficaram feridas no distrito nordeste, incluindo uma criança. Um ataque com drone ucraniano matou três pessoas e feriu outras três na cidade russa de Tula, a cerca de 200 km ao sul de Moscou, disse o governador regional Dmitry Milyaev nesta segunda-feira.
Negociações de paz
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o líder russo Vladimir Putin telefonaram para o seu homólogo americano Donald Trump neste domingo para discutir o conflito na Ucrânia. Zelensky afirmou que havia “discutido assuntos que poderiam ajudar a trazer a paz agora”, enquanto seu assessor, Dmytro Lytvyn, disse à imprensa que estava satisfeito com uma “conversa bastante substancial sobre tudo” entre os líderes.
O Kremlin, por sua vez, afirmou que a conversa entre Putin e Trump se concentrou nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. A invasão da Ucrânia pela Rússia transformou-se no pior conflito da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com milhares de civis e centenas de milhares de soldados mortos.
Em meio a bombardeios quase diários de drones e mísseis russos sobre suas cidades, a Ucrânia intensificou nas últimas semanas seus próprios ataques aéreos, que, segundo o país, têm como alvo principal a infraestrutura petrolífera da Rússia para minar os lucros que financiam a guerra. O conselheiro do Kremlin, Yury Ushakov, disse à imprensa que “os representantes especiais do presidente dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, que estão atualmente intimamente envolvidos em assuntos iranianos, retornarão em breve à Rússia”.









