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A França sedia nesta segunda-feira a cúpula do G7, grupo das maiores economias do mundo, dominada pela análise do acordo do presidente Donald Trump para encerrar a guerra com o Irã. O presidente anfitrião, Emmanuel Macron, quer impulsionar uma agenda de temas sensíveis, desde a redução dos desequilíbrios econômicos globais até o aumento do controle sobre a tecnologia digital, especialmente a inteligência artificial.
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Os líderes das sete maiores economias do mundo se reunirão em Évian-les-Bains, às margens do Lago de Genebra. A França busca ampliar o alcance do G7 para além de seus sete membros: Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chegará na terça-feira para uma sessão sobre seu país, enquanto líderes árabes estarão presentes para discutir o Irã. Os líderes do Brasil, Egito, Índia, Quênia e Coreia do Sul também devem comparecer.
Após o anúncio, no domingo, de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar a guerra, Macron afirmou que o G7 discutirá as “consequências” esperadas nesta segunda-feira, incluindo a reabertura a longo prazo do Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, Sam Altman, chefe da gigante de IA OpenAI, Dario Amodei, chefe da Anthropic, e Arthur Mensch, de sua concorrente europeia Mistral AI, se reunirão para um almoço na quarta-feira para discutir a proteção infantil no ambiente digital. Milhares de policiais e soldados participam da operação de segurança, que se estende até a vizinha Suíça, do outro lado do lago.
No domingo, confrontos eclodiram entre a polícia e manifestantes anti-G7 na cidade suíça de Genebra. Manifestantes atiraram garrafas, pedras e fogos de artifício perto da sede da ONU, e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e canhões de água.
Celebração de Aniversário
Trump chegará nesta segunda-feira, após comemorar seu 80º aniversário no dia anterior com lutas de artes marciais mistas nos jardins da Casa Branca, um evento que obrigou a França a alterar as datas da cúpula.
Com o brilho sereno do Lago de Genebra como pano de fundo, os líderes do G7 tentarão encontrar pontos em comum com Trump após um ano que, por vezes, foi turbulento para as relações transatlânticas. O G7 está ansioso para reabrir o Estreito de Ormuz a fim de aliviar a pressão sobre os preços do petróleo.
“O objetivo será observar as consequências deste acordo: apoio ao Líbano, a reabertura definitiva de Ormuz e, claro, a conclusão de um acordo sobre as atividades nucleares e de mísseis balísticos do Irã”, declarou Macron.
Ele acrescentou que buscarão maneiras de diversificar as rotas energéticas do Oriente Médio para reduzir a dependência de Ormuz. Os líderes europeus e o Canadá também lembrarão Trump da importância de pressionar a Rússia a aceitar a paz com a Ucrânia, mais de quatro anos após a invasão do país vizinho.
Zelensky anunciou no domingo uma reunião com Trump para discutir “boas ideias que ajudarão a promover a paz e proteger vidas”. A participação de Trump na cúpula começará com uma reunião na segunda-feira com Macron e um jantar de trabalho com os demais participantes. O americano permanecerá na França após o término da cúpula para um jantar com Macron na quarta-feira no Palácio de Versalhes.
Para Macron, a cúpula será uma de suas últimas oportunidades para fortalecer sua projeção internacional e promover sua acalentada ideia de autonomia estratégica europeia antes de deixar o cargo em 2027. A China não estará presente na cúpula, mas os líderes discutirão temas como o domínio chinês no mercado de minerais de terras raras, utilizados em dispositivos eletrônicos do dia a dia.

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A imagem negativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), avançou seis pontos percentuais junto ao eleitorado brasileiro em um mês. É o que revelam dados exclusivos da última pesquisa Genial/Quaest divulgados nesta segunda-feira pelo GLOBO.
A parcela que vê negativamente o americano passou de 39%, em maio, para 45%, este mês. O aumento ocorre após os anúncios da classificação de Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, em 28 de maio, e da proposta de novo tarifaço contra o Brasil, em 2 de junho.
Outros 27% hoje veem a imagem de Trump como “regular”. No mês anterior, esse percentual foi de 33%. Já os que a classificam como positiva se mantiveram em 22%.

O avanço foi puxado principalmente pelos eleitores que se identificam como esquerda não lulista. Nesse grupo, a imagem negativa do presidente dos EUA saltou de 66% para 84%, índice que supera os 66% registrados entre os que se dizem lulistas. Entre os autoidentificados como independentes, o índice ficou estável — variou de 46% para 47%. Já na direita não bolsonarista e entre bolsonaristas, esse índice é menor — respectivamente, de 14% e 15%.
No último grupo, houve avanço de três pontos percentuais na avaliação negativa de Trump frente a maio. A variação ocorreu em meio à tentativa e êxito da aproximação do grupo ligado a Jair Bolsonaro com o presidente americano. Nove dias antes do início da pesquisa, Flávio Bolsonaro esteve com Trump na Casa Branca.
Como mostrou O GLOBO no dia seguinte, porém, a visita mobilizou apoiadores no Brasil, mas teve o impacto neutro na percepção sobre a campanha presidencial nas redes sociais. Segundo dados da consultoria Arquimedes, o encontro mobilizou cerca de 250 mil publicações nas redes sociais até a tarde seguinte e envolveu 55 mil perfis. Desse total, cerca de 46% das publicações foram neutras, enquanto as citações negativas representaram 29%. Já as citações positivas somaram 25% e foram referentes a postagens feitas por aliados do senador, muitas em tom de comemoração.
A Quaest também perguntou aos entrevistados se eles têm uma opinião “favorável ou desfavorável sobre os Estados Unidos”. Ao todo, 46% responderam que a visão é desfavorável e 39%, como favorável. No levantamento de maio, os índices foram de 45% e 40%, respectivamente.

Apesar do viés mais negativo entre os brasileiros, 46% dos ouvidos defendem que a relação que Lula deveria ter com Trump é de “aliado”. Outros 31% dizem que ela deve ser “independente”. Apenas 9% dizem que deveria ser de “opositor” — no mês passado, eram 6%.
Lula embarcou ontem para a França, onde vai participar da reunião de líderes dos países do G7. Como mostrou O GLOBO, não há perspectiva concreta de encontro de Lula com Trump, mas o petista usará sua participação no evento para marcar posição contra a possibilidade de implantação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. De acordo com integrantes do governo, não houve pedido de uma reunião com o americano, mas isso não significa que os dois chefes de Estado não possam conversar casualmente durante a cúpula.

A Quaest também quis saber se os brasileiros têm medo de uma “intervenção ou interferência” dos Estados Unidos ou se acham essa preocupação exagerada: 51% afirmaram ter medo, ante 40% que veem exagero.
A pesquisa fez 2.004 entrevistas entre 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos. O nível de confiança do levantamento é de 95%.

A Rússia lançou uma série de mísseis contra várias das principais cidades ucranianas, incendiando a histórica Catedral da Dormição de Kiev e matando nove pessoas, enquanto ataques na Ucrânia deixaram três mortos ao sul de Moscou. A onda de ataques ocorreu no momento em que as notícias de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã começavam a abrir caminho para a paz na guerra do Oriente Médio, evidenciando a falta de progresso rumo ao fim de mais de quatro anos de combates na Ucrânia.
Leia mais: EUA e Irã confirmam acordo para encerrar a guerra ‘em todas as frentes’; plano inclui reabertura de Ormuz
Veja também: França sedia cúpula do G7 dominada por Trump e conflito com o Irã
Cinco socorristas morreram durante operações de combate a incêndios no nordeste da Ucrânia, após ataques russos atingirem a cidade de Kharkiv, disse o ministro do Interior, Igor Klymenko, nesta segunda-feira. Pelo menos outras nove pessoas ficaram feridas, de acordo com Klymenko e o governador regional Oleg Synegubov.
A violência deixou mais quatro mortos na capital, com um incêndio que deflagrou no complexo do Mosteiro das Cavernas de Kiev, Patrimônio Mundial da Unesco, e o telhado da Catedral da Dormição em chamas. Jornalistas da AFP na capital testemunharam que moradores foram vistos correndo pelas ruas em busca de abrigo enquanto projéteis eram interceptados no céu e destroços incandescentes caíam sobre a cidade.
Cinco socorristas morreram durante operações de combate a incêndios no nordeste da Ucrânia
Genya Savilov/AFP
Mais de uma dúzia de caminhões de bombeiros cercavam a catedral, com bombeiros trabalhando incansavelmente para extinguir o incêndio por dentro e a partir de plataformas aéreas, conforme constatou um jornalista da AFP. Um buraco enorme podia ser visto em um dos lados da igreja, com chamas visíveis no telhado, que havia sido parcialmente destruído.
‘Ataques russos repetidos’
Em janeiro, ataques russos danificaram vários edifícios no complexo do Mosteiro das Cavernas de Kiev, informou o Ministério da Cultura na época. O local, com suas emblemáticas cúpulas douradas, foi notícia nos últimos anos após a expulsão de seus monges, acusados ​​de terem ligações com Moscou.
A Igreja Ortodoxa da Ucrânia separou-se oficialmente da Rússia em 2022, e, dois anos depois, o governo ucraniano chegou ao ponto de proibir a filial ucraniana da Igreja Ortodoxa ligada a Moscou. Institucionalmente, a Igreja Ortodoxa russa tem apoiado integralmente o presidente Vladimir Putin desde que ele lançou a ofensiva da Rússia contra a Ucrânia em 2022. O chefe da administração militar local, Tymur Tkachenko, condenou o “ataque direto” ao local.
Mais de uma dúzia de caminhões de bombeiros cercavam a catedral, com bombeiros trabalhando incansavelmente para extinguir o incêndio
Genya Savilov/AFP
O metropolita Epifânio de Kiev também denunciou o ataque como um “crime contra a humanidade, a história e o cristianismo”. Pelo menos 25 pessoas ficaram feridas na capital e 140 mil moradores dos distritos do norte ficaram sem energia elétrica. A importante cidade de Kharkiv, no nordeste, também foi alvo de um ataque com mísseis.
“Cinco socorristas do Serviço Estatal de Emergência foram mortos durante operações de combate a incêndios em decorrência de um ataque russo repetido”, disse o ministro do Interior, Igor Klymenko, no Telegram. Pelo menos nove pessoas também ficaram feridas.
O chefe da região de Sumy, Oleg Grygorov, disse que três pessoas ficaram feridas no distrito nordeste, incluindo uma criança. Um ataque com drone ucraniano matou três pessoas e feriu outras três na cidade russa de Tula, a cerca de 200 km ao sul de Moscou, disse o governador regional Dmitry Milyaev nesta segunda-feira.
Negociações de paz
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o líder russo Vladimir Putin telefonaram para o seu homólogo americano Donald Trump neste domingo para discutir o conflito na Ucrânia. Zelensky afirmou que havia “discutido assuntos que poderiam ajudar a trazer a paz agora”, enquanto seu assessor, Dmytro Lytvyn, disse à imprensa que estava satisfeito com uma “conversa bastante substancial sobre tudo” entre os líderes.
O Kremlin, por sua vez, afirmou que a conversa entre Putin e Trump se concentrou nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. A invasão da Ucrânia pela Rússia transformou-se no pior conflito da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com milhares de civis e centenas de milhares de soldados mortos.
Em meio a bombardeios quase diários de drones e mísseis russos sobre suas cidades, a Ucrânia intensificou nas últimas semanas seus próprios ataques aéreos, que, segundo o país, têm como alvo principal a infraestrutura petrolífera da Rússia para minar os lucros que financiam a guerra. O conselheiro do Kremlin, Yury Ushakov, disse à imprensa que “os representantes especiais do presidente dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, que estão atualmente intimamente envolvidos em assuntos iranianos, retornarão em breve à Rússia”.
“Você precisa ser feliz”, diz um grafite na parede de um prédio em ruínas em Havana. E por quase duas horas, durante o jogo entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo, os cubanos deixaram de lado suas preocupações.
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A transmissão dos jogos pela TV estatal cubana começou com dois dias de atraso devido a um problema com o pagamento dos direitos. No sábado, foi ao ar a primeira partida. Em um pequeno café no na região central de Havana, de casas com cores em tons pastéis, fachadas descascadas e varais de roupa nas varandas, homens sentados em pequenos barris observavam com atenção a televisão na parede.
O beisebol é o esporte nacional de Cuba, e a única participação do país em uma Copa do Mundo (de futebol) ocorreu há quase um século, em 1938, quando chegou às quartas. Mas a chegada da internet móvel, há uma década, abriu espaço para essa nova paixão, e a bola de futebol já reina soberana, especialmente entre as crianças.
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Quando a TV estatal anunciou, no dia seguinte à abertura do torneio no México, que transmitiria 16 partidas da primeira fase e todos os jogos das fases eliminatórias, o ambiente mudou. Agora, a eletricidade precisa cumprir sua parte: há mais de quatro meses sob bloqueio petroleiro dos EUA, e com uma rede de transmissão antiquada, os blecautes são rotina.
Moradores de Havana assistem a jogo entre Brasil e Marrocos em café
Pablo PORCIUNCULA / AFP
Ismael Veranes, diretor de recursos humanos do Teatro Nacional de Cuba, foi ao café para assistir ao jogo porque está há mais de 20 horas sem luz em casa. Enquanto bebe um suco de frutas, o único prazer que se permite durante o jogo por causa da crise econômica, garante que a Copa alivia sua mente em meio a um dia de transportes caóticos e blecautes.
— Quando retorno de casa cansado, não tem luz. Faz calor de noite, e os mosquitos são terríveis — diz Veranes, que divide sua torcida entre a França e o Brasil.
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Uma hora antes do jogo, em uma esquina próxima, Michael, um fã de Lionel Messi, de nove anos, e sua irmã Meiliuvis, de 10, brincavam com uma tampa de garrafa sob os olhares de Che Guevara, imortalizado com sua boina na parede de uma galeria do outro lado da rua.
Enquanto no passado os cubanos eram fiéis ao beisebol — Fidel Castro costumava rebater para as multidões —, desde a chegada dos smartphones, em 2018, “as crianças tendem mais para o futebol”, explica Osmany, pai de Michael. E embora a crise se reflita nos campos de futebol “muito deteriorados” da ilha, a Copa “nos permite uma distração rápida”.
Muitos cubanos falam com nostalgia de Mundiais passados, quando a TV estatal transmitia todas as partidas, e a comida e gasolina não eram tão escassos, com exceção dos anos 1980, quando a ajuda soviética chegou ao fim. Agora, apenas os bares com TV a cabo e cerveja cara exibem todos os jogos, e a muitos resta apenas assistir das calçadas.
— Não é a mesma coisa — diz, em tom de tristeza, Alan, de 36 anos, em pé na rua com dois amigos e uma lata de cerveja na mão.
Estudantes de medicina mexicanos comemoram gol do México em bar de Havana
Pablo PORCIUNCULA / AFP
Em Cuba, onde a crise ampliou as desigualdades, alguns torcedores de futebol são mais iguais do que outros. No arborizado bairro de classe média de El Vedado, em Havana, as cervejas vendidas a US$ 1 circulavam em uma festa em um centro cultural decorado com bandeiras do Brasil e cartazes da Copa.
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Do lado de fora, uma fila de veículos 4×4 atestava a existência de uma pequena elite que passa muito bem, recebendo salários em dólares no setor privado, ao mesmo tempo em que outros cubanos vasculham o lixo em busca de comida. Mas até ali a crise se faz sentir: de tempos em tempos, o sinal da TV congela, para protesto dos presentes.
Víctor Díaz, um biólogo de 24 anos, comemora poder acompanhar a Copa.
— Ter algo para aliviar todas as dificuldades, como as que temos dia após dia, é incrível.
A água potável em Cumaná, cidade no leste da Venezuela, está em níveis extremamente baixos. Apagões diários assolam a cidade. O vento uiva pelos restos saqueados de sua outrora ilustre universidade. Catadores vasculham lixões em busca de restos de comida. Grande parte de Cumaná, que já foi uma joia da coroa da base industrial do país, tem a atmosfera de uma zona de guerra devastada. Esta cidade litorânea é um mundo completamente diferente de Caracas, a capital, que está prestes a vivenciar uma recuperação em grande parte isolada da decadência que assola grande parte do país. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um novo estudo sobre o derretimento do permafrost, o solo que fica permanentemente congelado no planeta em altas latitudes, eleva o grau de preocupação sobre o que vai acontecer com as terras do hemisfério Norte à medida que a mudança climática avança. Esse fenômeno provocará emissões maciças de carbono antes do esperado, diz a pesquisa.
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A previsão sobre o que vai acontecer com essas áreas de terra firme sempre desafiou os cientistas porque um outro fenômeno, o crescimento acelerado de florestas boreais, poderia atuar como compensador. Entretanto, o novo trabalho, liderado pelo Laboratório de Ciências Ambientais e do Clima da Universidade de Paris, reduz as esperanças de que isso ocorra.
— Por um lado, temperaturas mais altas e estações de crescimento mais longas podem estimular o crescimento das plantas, permitindo que a vegetação absorva mais CO₂ da atmosfera — explica a autora principal do estudo, Yi Xi. — Por outro, o aquecimento também acelera a decomposição da matéria orgânica do solo, liberando carbono de volta para a atmosfera.
O que a cientista especializada em biogeoquímica fez com seus colegas para entender melhor o que acontecerá com o permafrost foi um modelo de simulação matemática que busca prever quanto desse solo derreterá diante de cenários relativamente pessimistas do aquecimento global (acima de 3.5°C graus de acréscimo até 2100).
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Seu projeto foi o primeiro a levar em conta dados sobre o que está acontecendo com o solo abaixo de três metros da superfície, e gerou previsões mais preocupantes do que a literatura científica tem até agora.
— Muitas projeções de modelos anteriores sugeriam que o aumento da produtividade vegetal poderia compensar ou mesmo exceder as perdas de carbono do solo durante este século, resultando em um ganho líquido de carbono para as terras do norte — diz. — Nosso estudo mostra que essa conclusão se torna muito menos certa quando o carbono do permafrost profundo é incluído. O carbono adicional liberado dos solos profundos enfraquece substancialmente o sumidouro de carbono terrestre projetado e pode até mesmo revertê-lo nos cenários de aquecimento mais intenso.
A dificuldade de cientistas em avaliar reservatórios profundos de carbono é que eles se formaram ao longo de dezenas de milhares de anos e, para representá-los de forma realista, os modelos devem simular não só o ciclo do carbono atual, mas também o histórico de longo prazo de acumulação, sedimentação, congelamento e soterramento do carbono.
O que o grupo de Yi Xi conseguiu fazer foi desenvolver uma nova estrutura que reconstrói a formação e a acumulação de carbono do permafrost profundo em escala de tempo milenar, permitindo que esses estoques de carbono sejam representados de forma mais realista.
Levando isso em conta, o estudo da cientista, publicado nesta semana na revista Science Advances, mostra uma situação inversa ao que modelos anteriores haviam apontado para o período entre 1900 e 2100. Enquanto estudos feitos previamente apontavam que nesse intervalo o solo gelado absorveria entre 43 e 65 bilhões de toneladas de carbono, seu novo modelo aponta que ele vai na verdade emitir entre 3 e 32 bilhões de toneladas.
Como o derretimento do permafrost agrava o próprio fenômeno que o provoca, cria-se um ciclo de retroalimentação que contribui para agravá-lo.
Metano e gás carbônico
Um outro ponto preocupante do estudo é que todo o balanço de carbono que ele avaliou se refere apenas ao CO₂, o gás de efeito estufa mais comum em ação no fenômeno do aquecimento global. Além dessa substância, porém, o permafrost possui grandes reservas de metano (CH4), um gás-estufa muito mais potente, que apesar de ser menos abundante pode agravar de maneira significativa a crise do clima.
— O metano é um gás que origina de uma decomposição sem presença do oxigênio, enquanto a geração de CO₂ precisa de oxigênio. Então, o metano em geral se solta do fundo de reservatórios ou de áreas com muita matéria orgânica, como é o caso do permafrost — explica o biogeoquímico João Ometto, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A preocupação maior com o metano, talvez, tenha feito a comunidade científica ter se dedicado menos a entender a dinâmica do CO₂ nos solos congelados. Apesar de o CH4 ser mais potente, ele se degrada mais rápido na atmosfera, e no longo prazo o CO₂ se torna um problema muito maior.
O estudo de Yi Xi não aborda a questão de por que o solo do Norte está emitindo mais CO₂ do que se esperava. Ometto acredita que isso pode ter, talvez, relação com o crescimento de florestas boreais.
— Uma coisa interessante é que a respiração de raízes das plantas pode contribuir no processo de decomposição oxidativa de matéria orgânica no solo, pelas bactérias e pela microfauna, porque o crescimento de raízes provoca entrada de mais oxigênio no solo — afirma. — É um processo de dinâmica biológica que é potencializado pelo aumento da temperatura no planeta.
O estudo de Yi Xi não incluiu o metano na conta geral do equilíbrio de entrada e saída de carbono, mas ela afirma que fazê-lo provavelmente reforçaria, em vez de atenuar, o impacto climático do degelo do permafrost.
IPCC em alerta
Essa nova pesquisa vem num contexto preocupante para o clima, porque a literatura científica sobre outros fenômenos de retroalimentação do clima mostram que esse tipo de fenômeno perturbam o sistema mais do que se esperava. É o caso, por exemplo, do enfraquecimento das correntes do Atlântico, e da transição de florestas para savanas na Amazônia.
Todas essas novas pesquisas podem incorrer em ajustes no consenso sobre a ciência da mudança climática construída painel de cientistas do clima da ONU, o IPCC. O grupo deve voltar a se reunir no final do ano para começar a elaborar um novo relatório de avaliação, que pode dar um prognóstico mais grave para o futuro do planeta.
— Eu tenho receio em fazer previsões sobre futuras avaliações do IPCC, mas posso afirmar é que as pesquisas estão se concentrando cada vez mais em processos que antes eram simplificados ou omitidos dos modelos, incluindo o carbono do permafrost — diz Yi Xi. — Em muitos casos, a incorporação desses processos reduz a capacidade de amortecimento do sistema terrestre e revela riscos adicionais sob o aquecimento contínuo. Ao mesmo tempo, ainda existem incertezas em ambas as direções. O objetivo desta pesquisa não é necessariamente tornar as projeções mais pessimistas, mas sim torná-las mais realistas e fisicamente completas.
A projeção feita pela cientista, de todo modo, leva em conta apenas os dois cenários mais graves possíveis de aquecimento futuro, com aumento de 3,6°C e 4,4°C até 2100. Caso o planeta consiga conter a elevação de temperatura a no máximo 1,5°C (objetivo do Acordo de Paris), o destino do permfrost talvez seja outro. A marca dos 1,5°C, porém, pode ser atingida já na próxima década, o que torna os cenários pessimistas mais realistas do que eram antes.
Taty Almeida, presidente das Mães da Praça de Maio-Linha Fundadora e um ícone da luta pelos direitos humanos na Argentina, faleceu neste domingo, aos 95 anos, após mais de quatro décadas como uma das vozes mais reconhecidas contra os crimes da última ditadura. “Com profunda tristeza, compartilhamos a triste notícia: hoje, nossa querida Taty Almeida, presidente da Mães da Praça de Maio-Linha Fundadora, faleceu”, afirmou um comunicado da organização de direitos humanos.
Relembre: 4 casos marcantes de netos encontrados pelas Avós da Praça de Maio
Entenda: Mães da Praça de Maio marcham há mais de três décadas por notícias de filhos desaparecidos
Com seu lenço branco sempre amarrado ao pescoço, Almeida foi uma figura incansável nas mobilizações que exigiam memória, verdade e justiça pelos crimes da ditadura, mas também acompanhou sempre os movimentos operário e estudantil com sua presença e sua voz inconfundível.
“Obrigada por nos ensinar que amar é resistir, que a única luta perdida é a abandonada e que não há força maior que o amor”, declarou a organização que ela liderava.
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A vida de Almeida deu uma guinada dramática após o desaparecimento de seu filho de 20 anos, Alejandro, em 1975. Assim como ele, cerca de 30 mil outros dissidentes desapareceram pelas mãos das milícias de direita da chamada Triplo A, ou ditadura que governou a Argentina entre 1976 e 1983.
Sua filha, Fabiana Almeida, contou a repórteres que ela e seu irmão, Jorge, perceberam que ela “não estava bem” na manhã deste domingo: “Dissemos a ela: ‘Mãe, vamos lá, se entregue. Vamos, Alejandro está esperando por você lá em cima. Se abracem, nos olhem lá de cima'”, relatou, com a voz embargada pela emoção.
Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo
Eitan Abramovich/AFP
Almeida estava hospitalizada em Buenos Aires havia três semanas. Seus restos mortais serão velados nesta segunda-feira na sede de um sindicato na cidade, informou sua família. Sua morte foi lamentada por diversas figuras dos direitos humanos, da política e da cultura na Argentina.
“Ela era uma lutadora”, disse uma emocionada Estela de Carlotto, ícone das Avós da Praça de Maio, ao canal C5N após a notícia. “Continuamos a luta, uma luta com mais dor, mas não podemos desistir”, acrescentou. “Uma lutadora incansável que honrou a vida. Adeus, querida Taty”, escreveu a ex-presidente argentina de centro-esquerda Cristina Kirchner (2007-2015) no X.
Lutadora Incansável
Taty Almeida nasceu Lidia Stella Mercedes Miy Uranga em 28 de junho de 1930. Ela era professora e teve três filhos com seu colega Jorge Almeida. Seu filho, Alejandro, era membro do grupo guerrilheiro Exército Revolucionário Popular (ERP) quando foi sequestrado em 1975 pela organização paramilitar de direita Triple A.
Taty Almeida, ícone das Mães da Praça de Maio, morreu na Argentina neste domingo
Eitan Abramovich/AFP
Alejandro, estudante do primeiro ano de medicina, está desaparecido desde então, e Taty nunca recuperou seus restos mortais.
“Transformamos essa raiva em amor, em luta pacífica”, disse Almeida à AFP em 2017. Filha e irmã de militares, Taty Almeida só se juntou às Mães da Praça de Maio em 1979. “Eu não ousava ir; com a minha origem, eu poderia ser considerada uma espiã. Uma vez dentro da organização, revelei tudo a eles”, disse Almeida.
Nos últimos anos, ela manteve uma postura abertamente confrontativa com o governo de Javier Milei em relação às suas políticas sobre memória, verdade e justiça, e foi uma voz central nos eventos que comemoraram o 50º aniversário do golpe militar em março de 2026.
“Só restam três mães e duas avós”, disse Almeida em abril, ao receber um prêmio na Universidade de Buenos Aires, acrescentando: “Já passamos o bastão. Aos poucos, porque, apesar das bengalas e cadeiras de rodas, nós, as ‘loucas’, ainda estamos de pé.”
O petróleo recuou após Estados Unidos e Irã fecharem acordo de paz para encerrar guerra no Oriente Médio, abrindo caminho para a possível reabertura do Estreito de Ormuz. O Brent para entrega em agosto caiu 3,4%, para US$ 84,32 por barril, após ter encerrado a semana anterior no menor nível em mais de três meses. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate) era negociado a US$ 81,46, com queda de 4%.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em publicações nas redes sociais que autorizaria a “reabertura sem pedágio” do Estreito de Ormuz e também o fim do bloqueio imposto à República Islâmica. Segundo ele, a passagem será reaberta quando o acordo for assinado na sexta-feira.
“Navios do mundo, liguem seus motores”, escreveu Trump. “Deixem o petróleo fluir!”, acrescentou.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que um acordo foi alcançado e disse que o texto será divulgado após a cerimônia de assinatura, prevista para ocorrer na Suíça.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que “certamente” pretende participar da cerimônia e que também existe a possibilidade de Trump comparecer.
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Os mercados globais de energia vêm sendo fortemente impactados pela guerra desde o início do conflito, no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã com o objetivo de conter seu programa nuclear.
A resposta de Teerã incluiu ataques em diversas áreas do Golfo Pérsico e o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde, em tempos de normalidade, transitava cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente. Paralelamente, forças americanas também impuseram um bloqueio a embarcações ligadas ao Irã.
Após dispararem no início da guerra, os preços do petróleo perderam força nas últimas semanas diante dos sinais de aproximação entre Washington e Teerã e de indícios de retomada parcial dos fluxos de petróleo pelo estreito.
Além disso, países desenvolvidos recorreram às suas reservas estratégicas de petróleo, enquanto grandes importadores, especialmente a China, reduziram suas compras.
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Embora o acordo represente um importante alívio para os produtores de energia do Golfo, para a indústria global de transporte marítimo e para os consumidores, ainda existem obstáculos para a normalização completa do tráfego em Ormuz.
Entre eles estão a remoção de minas navais e a definição das novas exigências do Irã para o controle das embarcações que atravessam a região.
Os contratos futuros de gás natural na Europa também registraram forte queda, chegando a recuar até 5,8%.
O petróleo recuou após Estados Unidos e Irã fecharem acordo de paz para encerrar guerra no Oriente Médio, abrindo caminho para a possível reabertura do Estreito de Hormuz. O Brent para entrega em agosto caiu 3,4%, para US$ 84,32 por barril, após ter encerrado a semana anterior no menor nível em mais de três meses. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate) era negociado a US$ 81,46, com queda de 4%.
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“Navios do mundo, liguem seus motores”, escreveu Trump. “Deixem o petróleo fluir!”, acrescentou.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que um acordo foi alcançado e disse que o texto será divulgado após a cerimônia de assinatura, prevista para ocorrer na Suíça.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que “certamente” pretende participar da cerimônia e que também existe a possibilidade de Trump comparecer.
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Os mercados globais de energia vêm sendo fortemente impactados pela guerra desde o início do conflito, no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã com o objetivo de conter seu programa nuclear.
A resposta de Teerã incluiu ataques em diversas áreas do Golfo Pérsico e o fechamento do Estreito de Hormuz, por onde, em tempos de normalidade, transitava cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente. Paralelamente, forças americanas também impuseram um bloqueio a embarcações ligadas ao Irã.
Após dispararem no início da guerra, os preços do petróleo perderam força nas últimas semanas diante dos sinais de aproximação entre Washington e Teerã e de indícios de retomada parcial dos fluxos de petróleo pelo estreito.
Além disso, países desenvolvidos recorreram às suas reservas estratégicas de petróleo, enquanto grandes importadores, especialmente a China, reduziram suas compras.
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Embora o acordo represente um importante alívio para os produtores de energia do Golfo, para a indústria global de transporte marítimo e para os consumidores, ainda existem obstáculos para a normalização completa do tráfego em Hormuz.
Entre eles estão a remoção de minas navais e a definição das novas exigências do Irã para o controle das embarcações que atravessam a região.
Os contratos futuros de gás natural na Europa também registraram forte queda, chegando a recuar até 5,8%.
O Paquistão, país que atua como mediador no conflito entre EUA e Irã anunciou neste domingo que os dois países chegaram a um entendimento para um cessar-fogo no Oriente Médio, que inclui Líbano. A assinatura do memorando estaria marcada para 19 de junho na Suíça. O Irã ainda não se manifestou.
Também neste domingo, o presidente Donald Trump afirmou que um acordo de paz “agora está concluído” e que o Estreito de Ormuz está aberto e que os Estados Unidos suspenderão seu bloqueio naval.
“O acordo com a República Islâmica do Irã agora está concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social, pouco depois de o Paquistão, que atuou como mediador, informar que as duas partes haviam chegado a um entendimento.
“Por meio desta, autorizo plenamente a abertura sem cobrança de pedágio do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, deem partida em seus motores. Que o petróleo volte a fluir!” escreveu ele.
Um avião de pequeno porte utilizado para paraquedismo caiu neste domingo (14) no estado do Missouri, na região central dos Estados Unidos, deixando 12 mortos. O acidente ocorreu a cerca de 96 km ao sul de Kansas City, cidade que receberá na terça-feira (16) a estreia da Argentina, atual campeã do mundo, contra a Argélia pela Copa do Mundo. As informações foram passadas por Dennis Jacobs, diretor da agência de gestão de emergências do condado de Bates, à agência de notícias AFP.
Kansas City também é a base da seleção da Inglaterra, outra candidata ao título. A região também recebeu alerta de tornado, o que fez os jogadores serem orientados a ficarem nos quartos. A imprensa local não informou se as condições meteorológicas interferiram no acidente aéreo.
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Segundo os serviços de emergência locais, a aeronave transportava 11 paraquedistas e um piloto. O avião havia decolado do Aeroporto Memorial Butler, mas retornou por motivos ainda desconhecidos antes de cair nas proximidades de uma rodovia.
A queda mobilizou equipes de resgate e levou ao fechamento dos dois sentidos da estrada próxima ao local do acidente. Não houve sobreviventes.
De acordo com Dennis Jacobs, as autoridades foram acionadas logo após a queda da aeronave. Equipes da patrulha rodoviária do Missouri, da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) e do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) participaram do atendimento da ocorrência.
As causas do acidente ainda são desconhecidas. A emissora local FOX4 informou que uma investigação foi aberta para apurar as circunstâncias da tragédia.
O acidente acontece dois dias antes de Kansas City receber uma das partidas mais aguardadas da primeira rodada da Copa do Mundo. Na terça-feira, a Argentina fará sua estreia no torneio diante da Argélia, às 22h (horário de Brasília), em busca do bicampeonato consecutivo e do quarto título mundial de sua história.

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