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Lançada na quarta-feira, 1° de abril, a missão Artemis II fez a maior aproximação do satélite em pouco mais de cinco décadas. Durante o sobrevoo, os quatro astronautas a bordo da espaçonave Orion registraram imagens detalhadas da Lua e testemunharam fenômenos raros, como um eclipse solar visível apenas do espaço.
A previsão é que a tripulação retorne à Terra nesta sexta-feira, dia 10. O GLOBO convida os leitores a responderem: o que consideram mais marcante nessa viagem de retomada da exploração lunar?
As respostas serão selecionadas e publicadas pela Redação.
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O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, anunciou nesta sexta-feira (horário local) a destruição de 20 drones que se dirigiam para a capital russa desde o início da trégua unilateral de dois dias, declarada pela Rússia à meia-noite (21h GMT de quinta-feira), em comemoração à vitória na Segunda Guerra Mundial.
Em meio a suspeita de ataque: Zelensky aconselha líderes estrangeiros a não comparecerem a desfile em Moscou
‘Zona da morte’: Empresas de fachada levam africanos à Rússia com falsas promessas e os enviam para a guerra na Ucrânia
“Três drones que se dirigiam para Moscou foram destruídos pelas forças de defesa aérea do Ministério da Defesa”, escreveu Sobyanin na rede social russa Max, atualizando posteriormente o número de drones abatidos durante a noite, chegando a um total de 20, segundo uma mensagem publicada à 1h44 (22h44 GMT).
Na quinta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou os aliados da Rússia contra a presença no desfile militar de 9 de maio em Moscou, que comemora o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. A Rússia celebra o Dia da Vitória todos os anos com um grande desfile na Praça Vermelha, na capital. Nesse contexto, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou um cessar-fogo unilateral com a Ucrânia para os dias 8 e 9 de maio, como parte do conflito que começou em 2022 com a invasão russa da Ucrânia.
— Recebemos mensagens de alguns países próximos à Rússia, afirmando que seus representantes planejam estar em Moscou — disse Zelensky em seu pronunciamento noturno. — É um desejo estranho… nestes dias. Não recomendamos.
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A Ucrânia havia proposto sua própria trégua a partir de 6 de maio e criticou o cessar-fogo anunciado pela Rússia como uma estratégia de propaganda para proteger o desfile militar, um evento importante no calendário nacional que exalta o patriotismo.
*Em atualização
Os Estados Unidos e o Irã trocaram disparos de mísseis e acusações nesta quinta-feira, enquanto as tensões no Estreito de Ormuz aumentavam, ameaçando o frágil cessar-fogo. As Forças Armadas iranianas afirmaram ter disparado contra navios de guerra americanos em retaliação ao ataque destes contra um petroleiro iraniano. Os militares americanos, por sua vez, disseram ter atacado instalações militares iranianas e outros alvos responsáveis por uma série de ações “não provocadas”. A escalada ocorre enquanto Washington aguarda a resposta de Teerã à proposta apresentada para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra, iniciada em 28 de fevereiro.
EUA esperam resposta do Irã sobre última proposta de paz: Veja quais devem ser os pontos para negociações semana que vem
Bala de prata: Trump busca estratégia para forçar Irã a ceder, mas pressão endurece Teerã
Segundo o comunicado do Comando Central dos EUA (Centcom), as forças iranianas lançaram múltiplos mísseis, drones e pequenas embarcações contra três contratorpedeiros americanos que transitavam pelo estreito. Nenhum dos navios da Marinha americana foi atingido, acrescentou a nota, acrescentando que o Comando Central “não busca uma escalada”.
Em entrevista à rede ABC News, Trump reiterou que, em sua opinião, “o cessar-fogo está em vigor, está funcionando”, e que as ações desta quinta-feira foram um “tapinha com amor”. Pouco depois, na rede social Truth Social, disse que os navios da Marinha transitaram sem problemas por Ormuz, enquanto as forças iranianas foram destruídas, e usou sua versão bélica para ameaçar Teerã.
“Um país normal teria permitido a passagem desses contratorpedeiros, mas o Irã não é um país normal. Eles são liderados por LUNÁTICOS, e se tivessem a chance de usar uma arma nuclear, o fariam, sem dúvida alguma — mas nunca terão essa oportunidade e, assim como os derrotamos hoje, os derrotaremos com muito mais força e violência no futuro, se não assinarem o acordo RAPIDAMENTE!”, escreveu o presidente.
O comando militar central do Irã, Khatam al-Anbiya, por sua vez, acusou os EUA de violarem o cessar-fogo ao atingirem um petroleiro iraniano que seguia da região costeira de Jask em direção ao Estreito de Ormuz, além de outra embarcação próxima ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o comunicado citado pela TV estatal iraniana, forças americanas também realizaram ataques em outras áreas do sul do país “em cooperação com alguns países da região”. O Irã afirmou ainda que suas forças “imediatamente e em retaliação atacaram embarcações militares americanas”.
Crise humanitária: Irã promete combustível e assistência médica a navios presos no Golfo Pérsico em meio a relatos de fome e abandono
Explosões atingiram a ilha de Qeshm e a cidade de Bandar Abbas, importantes centros portuários no Estreito de Ormuz, assim como a capital, Teerã, segundo a imprensa iraniana e publicações de cidadãos nas redes sociais. As explosões provocaram pânico na capital, e alguns temiam que fosse a retomada da guerra, um mês depois do início da trégua. Mais tarde, a emissora iraniana Press TV afirmou que a situação nas ilhas iranianas e nas cidades costeiras do estreito havia “voltado ao normal”. Não há relatos de vítimas ou detalhes sobre os possíveis danos.
A imprensa israelense, citando fontes dentro do governo, descartou o envolvimento do país nas ações desta quinta-feira, mas Teerã suspeita que os Emirados Árabes Unidos tenham participado. O país árabe foi um dos mais atingidos pelos drones e mísseis do Irã durante o conflito.
“Foram observados indícios de uma ação traiçoeira dos Emirados Árabes Unidos contra o cais Bahman Qeshm”, informou a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, acrescentando que, se confirmada, “os Emirados Árabes Unidos pagarão um preço alto por sua ação hostil”.
Proposta de paz pendente
A escalada dos ataques aumenta a ameaça de que o cessar-fogo, já fragilizado por ataques a navios e aos Emirados Árabes Unidos, possa ruir completamente.
Apenas algumas horas antes, três autoridades iranianas disseram que os dois países estavam debatendo uma proposta de uma página para que os Estados Unidos suspendessem o bloqueio a navios e portos iranianos, para que o Irã abrisse o estreito ao tráfego comercial irrestrito e para que cessassem os combates por 30 dias, enquanto os negociadores tentavam chegar a um acordo de paz abrangente.
Rota estratégica: Irã lança site com novo sistema para supervisionar tráfego no Estreito de Ormuz
Embora os termos não tenham sido tratados publicamente pelas autoridades envolvidas no processo, o portal americano de notícias Axios detalhou na quarta-feira que o documento de 14 pontos teria sido encaminhado aos iranianos. O Wall Street Journal detalhou o andamento das discussões, citando fontes americanas ouvidas em anonimato.
A publicação indicou que, em caso de aceite de Teerã, as negociações poderiam ser retomadas já na semana que vem em Islamabad — o Paquistão é o principal mediador da atual mesa de negociações. A República Islâmica teria manifestado abertura para discutir o programa nuclear, um dos alvos de Trump, enquanto os EUA teriam exigido que Teerã aliviasse o controle do Estreito de Ormuz. Ainda de acordo com fontes americanas ouvidas pelo jornal americano, os EUA estariam dispostos a afrouxar o bloqueio a portos iranianos pelo período de 30 dias, enquanto novas conversas seriam realizadas.
Continua sendo um gargalo, porém, o futuro do urânio enriquecido pelo Irã acima do uso civil. Estaria em discussão a possível remoção dos estoques radioativos, embora Teerã ainda se oponha à transferência do material para os EUA — a Rússia, que recebeu o urânio após o acordo de 2015, se ofereceu como local de armazenamento. Outro ponto que ainda não teria sido solucionado é o papel do Irã no futuro da supervisão do tráfego no Estreito de Ormuz.
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Há sinais de movimentação na frente negocial. O Paquistão anunciou na quarta-feira que uma intensa atividade de troca de mensagens entre EUA e Irã estava ocorrendo via mediadores. Nesta quinta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, encontrou-se com o líder supremo Mojtaba Khamenei, em uma reunião que durou mais de duas horas, segundo a mídia iraniana. A pauta da reunião não foi discutida publicamente, mas o encontro acendeu a suspeita de que a mais alta liderança iraniana possa estar tratando sobre concessões a serem feitas para um acordo.
O conflito, que já dura três meses e levou o Irã e os Estados Unidos a implementarem bloqueios rivais em Ormuz, interrompeu uma importante rota de trânsito de petróleo, causando estragos nas cadeias de suprimentos globais e provocando uma disparada nos preços da energia.
Com agências internacionais.
Os Estados Unidos e o Irã trocaram disparos de mísseis e acusações nesta quinta-feira, enquanto as tensões no Estreito de Ormuz aumentavam, ameaçando o frágil cessar-fogo. As Forças Armadas iranianas afirmaram ter disparado contra navios de guerra americanos em retaliação ao ataque destes contra um petroleiro iraniano. Os militares americanos, por sua vez, disseram ter atacado instalações militares iranianas e outros alvos responsáveis por uma série de ações “não provocadas”. A escalada ocorre enquanto Washington aguarda a resposta de Teerã à proposta apresentada para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra, iniciada em 28 de fevereiro.
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Segundo o comunicado do Comando Central dos EUA (Centcom), as forças iranianas lançaram múltiplos mísseis, drones e pequenas embarcações contra três navios americanos que transitavam pelo estreito. Nenhum dos navios da Marinha americana foi atingido, acrescentou a nota, acrescentando que o Comando Central “não busca uma escalada”.
O comando militar central do Irã, Khatam al-Anbiya, por sua vez, acusou os EUA de violarem o cessar-fogo ao atingirem um petroleiro iraniano que seguia da região costeira de Jask em direção ao Estreito de Ormuz, além de outra embarcação próxima ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o comunicado citado pela TV estatal iraniana, forças americanas também realizaram ataques em outras áreas do sul do país “em cooperação com alguns países da região”. O Irã afirmou ainda que suas forças “imediatamente e em retaliação atacaram embarcações militares americanas”.
Crise humanitária: Irã promete combustível e assistência médica a navios presos no Golfo Pérsico em meio a relatos de fome e abandono
Explosões atingiram a ilha de Qeshm e a cidade de Bandar Abbas, importantes centros portuários no Estreito de Ormuz, assim como a capital, Teerã, segundo a imprensa iraniana e publicações de cidadãos nas redes sociais.
Mais tarde, a emissora iraniana Press TV afirmou que a situação nas ilhas iranianas e nas cidades costeiras do estreito havia “voltado ao normal” após os ataques. Não há relatos de vítimas.
Proposta de paz pendente
A escalada dos ataques aumenta a ameaça de que o cessar-fogo, já fragilizado por ataques a navios e aos Emirados Árabes Unidos, possa ruir completamente.
Apenas algumas horas antes, três autoridades iranianas disseram que os dois países estavam debatendo uma proposta de uma página para que os Estados Unidos suspendessem o bloqueio a navios e portos iranianos, para que o Irã abrisse o estreito ao tráfego comercial irrestrito e para que cessassem os combates por 30 dias, enquanto os negociadores tentavam chegar a um acordo de paz abrangente.
Rota estratégica: Irã lança site com novo sistema para supervisionar tráfego no Estreito de Ormuz
Até o momento, líderes iranianos não indicaram se aceitarão os termos do acordo, embora anteriormente tenham dado poucos sinais de disposição para ceder em relação ao programa nuclear do país e aceitar uma moratória no enriquecimento de urânio, exigência feita pelos EUA. Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, o Irã deve enviar uma resposta por meio do Paquistão, que atua como mediador, nos próximos dois dias.
O conflito, que já dura três meses e levou o Irã e os Estados Unidos a implementarem bloqueios rivais no Estreito de Ormuz, interrompeu uma importante rota de trânsito de petróleo , causando estragos nas cadeias de suprimentos globais e provocando uma disparada nos preços da energia.
*Em atualização.
Com agências internacionais.
O comando militar central do Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo na guerra no Oriente Médio ao atacarem embarcações no Estreito de Ormuz, afirmando que atacaram forças americanas em retaliação.
Os EUA “alvejaram um petroleiro iraniano que seguia das águas costeiras do Irã, na região de Jask, em direção ao Estreito de Ormuz, assim como outra embarcação que entrava no Estreito de Ormuz em frente ao porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos”, afirmou o Khatam Al Anbiya em comunicado citado pela TV estatal, acusando os EUA de também realizarem ataques em outras áreas do sul “em cooperação com alguns países da região”.
As forças iranianas “imediatamente e em retaliação atacaram embarcações militares americanas”, acrescentou o comunicado.
*Em atualização.
Os Estados Unidos instaram o Irã, nesta quinta-feira, a libertar Narges Mohammadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, presa desde dezembro, após seus apoiadores alertarem que ela corre risco de morrer sob custódia. A ativista iraniana, de 54 anos, cumpre pena por acusações relacionadas à sua atuação política. Premiada por sua luta de décadas pelos direitos humanos no país, Mohammadi enfrenta um quadro de saúde grave, segundo familiares e apoiadores.
Contexto: Nobel da Paz Narges Mohammadi é hospitalizada no Irã após piora ‘catastrófica’
Entenda: Iraniana vencedora do Nobel da Paz está ‘entre a vida e a morte’ após hospitalização, dizem aliados
“Pedimos ao regime iraniano que a liberte agora e lhe dê os cuidados de que precisa. O mundo está observando”, escreveu Riley Barnes, subsecretário de Estado dos EUA para os Direitos Humanos, nas redes sociais.
Nos últimos 25 anos, Mohammadi foi repetidamente julgada e presa por sua campanha contra a pena de morte no Irã e o uso obrigatório do hijab para mulheres.
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Ela está detida desde dezembro após criticar as autoridades religiosas iranianas durante um funeral.
Em fevereiro deste ano, ela foi condenada a mais de sete anos de prisão, somando-se a outras sentenças anteriores que elevam seu tempo total de pena.
Análise: A tragédia da Nobel da Paz em Teerã
Segundo familiares e apoiadores, a ativista sofre de problemas cardíacos e pulmonares e teve o quadro de saúde agravado durante períodos de detenção devido ao acesso limitado a cuidados médicos adequados. Nas últimas semanas, ela teria sofrido dois ataques cardíacos.
Luta pelos direitos humanos
Ativista iraniana Narges Mohammadi ganha o Prêmio Nobel da Paz
AFP PHOTO / NARGES MOHAMMADI FOUNDATION
Mohammadi ganhou projeção internacional principalmente por seu trabalho contra a pena de morte e pela defesa dos direitos das mulheres no Irã.
Nos últimos anos, sua atuação passou a dialogar diretamente com o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, que ganhou força após a morte da jovem Mahsa Amini, em 2022, depois de ser detida pela polícia moral iraniana.
Relembre: Iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz, denuncia ameaças de morte
Mesmo presa, Mohammadi continuou divulgando cartas e denúncias sobre abusos cometidos dentro das prisões iranianas, incluindo relatos de violência física e psicológica contra detentas.
A concessão do Nobel da Paz, em 2023, ampliou a pressão internacional sobre Teerã e consolidou o nome de Mohammadi como um dos principais símbolos globais da resistência ao regime iraniano.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou os aliados da Rússia nesta quinta-feira contra a presença no desfile militar de 9 de maio em Moscou, que comemora o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. A Rússia celebra o Dia da Vitória todos os anos com um grande desfile na Praça Vermelha, na capital. Nesse contexto, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou um cessar-fogo unilateral com a Ucrânia para os dias 8 e 9 de maio, como parte do conflito que começou em 2022 com a invasão russa da Ucrânia.
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— Recebemos mensagens de alguns países próximos à Rússia, afirmando que seus representantes planejam estar em Moscou — disse Zelensky em seu pronunciamento noturno. — É um desejo estranho… nestes dias. Não recomendamos.
A Ucrânia havia proposto sua própria trégua a partir de 6 de maio e criticou o cessar-fogo anunciado pela Rússia como uma estratégia de propaganda para proteger o desfile militar, um evento importante no calendário nacional que exalta o patriotismo.
Zelensky acusou a Rússia, na quarta-feira, de lançar um novo ataque após a entrada em vigor de seu cessar-fogo unilateral e, em seu discurso na quinta-feira, reclamou que Moscou quer que seu país “permita que eles realizem o desfile, para que possam sair à praça em segurança por uma hora, uma vez por ano, e depois continuar matando”.
Poucos minutos antes do discurso de Zelensky, o Ministério da Defesa russo instou os moradores de Kiev a deixarem a cidade em antecipação a possíveis represálias caso a Ucrânia viole o cessar-fogo unilateral declarado para as comemorações.
“Relembramos à população civil de Kiev e ao pessoal das missões diplomáticas estrangeiras a necessidade de deixarem a cidade a tempo”, declarou o Ministério da Defesa russo em um comunicado nesta quinta-feira, prometendo uma resposta em caso de ataque ucraniano.
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O Ministério das Relações Exteriores da Rússia já havia solicitado ontem que as embaixadas estrangeiras evacuassem seus funcionários e cidadãos da capital ucraniana, antecipando um possível “ataque de retaliação” caso a Ucrânia interrompesse a comemoração da vitória soviética.

Enquanto as mineradoras privadas elogiam o projeto de lei (PL) sobre minerais críticos, a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil) e especialistas no tema criticaram o texto, alegando que não tem capacidade de promover a industrialização desses minerais no Brasil, o que inclui também as terras raras.

Aprovado na Câmara dos Deputados nessa quarta-feira (6), o PL 2780 de 2024, do relator Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). O texto agora segue para análise do Senado


Brasília – DF – 06/05/2026 – Sessão da Câmara que votou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.  ( Relator, Deputado Arnaldo Jardim) Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

Sessão da Câmara que votou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Relator, Deputado Arnaldo Jardim, cumprimenta Hugo Motta- Lula Marques/Agência Brasil.

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Para analistas do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o PL da Câmara aprofunda o papel do Brasil como exportador de matéria-prima.

“As falas e depoimentos que tentam associar o atual PL a uma eventual reindustrialização se mostram desconectados da realidade e sem embasamento nos instrumentos incluídos na proposta”, afirma parecer do Inesc divulgado nesta quinta-feira (7). 

O Instituto concluiu que o PL se baseia na noção de que a “mão invisível do mercado” vai garantir que o Brasil desenvolva a indústria de minerais críticos, grupo de materiais essenciais para a cadeia da tecnologia de ponta, da defesa militar e da transição energética.

“O perfil de exportação do país em setores como minério de ferro, cobre, lítio, entre outros, mostram como tal pressuposto é equivocado, independentemente de quanto mais incentivos e subsídios se concedam ao setor”, diz o documento.

O Inesc cita como pontos problemáticos do texto o “acesso preferencial ao Fundo Clima”; o uso de recursos públicos para outros minerais que não os críticos; a previsão de incentivo financeiro para extração de minérios; e uma financeirização excessiva.

Para o Instituto, os incentivos para minerais não críticos e setores de extração de minérios, e não apenas a industrialização, fragilizaria o objetivo de criar uma indústria desses insumos no Brasil.

Papel das terras raras

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Apesar das grandes reservas, o Brasil produz menos de 1% do consumo global.

A posição geográfica do Brasil tem sido apontada como uma vantagem importante em um mercado em desenvolvimento que opõem China e Estados Unidos (EUA) em uma disputa pelo controle desses materiais, considerados fundamentais para áreas de tecnologia, defesa e transição energética. 

>>Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças 

Municípios Mineradores

A Amig Brasil – que reúne 63 municípios mineradores do Brasil, a maioria em Minas Gerais (MG) – manifestou “profunda preocupação” com a forma “precipitada” com que a tramitação do PL foi conduzida.  

“[O texto] ignora os municípios mineradores — justamente os entes que convivem diariamente com os impactos sociais, econômicos, ambientais e territoriais da mineração. Mais uma vez, os verdadeiros afetados foram excluídos do debate”, diz o comunicado.

A associação argumenta que o Brasil não possui uma estrutura regulatória robusta, fiscalização adequada ou capacidade institucional compatível com os riscos envolvidos na expansão da mineração de minerais críticos.

“Onde estão os mecanismos obrigatórios de industrialização local? Quem garante que os municípios não continuarão apenas exportando minério bruto enquanto absorvem destruição ambiental, pressão sobre infraestrutura pública e degradação territorial?”, diz a entidade.

A Amig ainda criticou os incentivos fiscais para o setor, que já é beneficiado pelas isenções fiscais da Lei Kandir. “A lógica tributária da mineração brasileira beneficia majoritariamente o setor exportador e penaliza municípios, estados e a própria Federação”, acrescentou a nota.

Mineradoras privadas

Por outro lado, Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que reúne as mineradoras no país, defende o texto e elogia os incentivos fiscais e de financiamento para processos de industrialização.

O presidente do Ibram Pablo Cesário disse à Agência Brasil que a aprovação na Câmara foi um passo importante para o desenvolvimento desse setor dos minerais críticos e terras raras.

“O estabelecimento de incentivos para industrialização e processamento mineral é relevante, por exemplo, na área de financiamento, a industrialização em regiões especiais, créditos fiscais, incentivos em fundo de garantia, ou alguns mecanismos de pesquisa e desenvolvimento”, explicou.

Porém, o Ibram critica mecanismos de intervenção do Estado no mercado previstos no PL, como o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE).   

“O governo passará a ter a palavra final sobre todos os investimentos no Brasil. É um volume bastante grande de autorizações que precisam ser dadas, de homologações que precisam ser aprovadas”, reclamou.

O Conselho previsto pelo PL, formado majoritariamente por indicados do Poder Executivo, tem, entre as atribuições, a de homologar mudanças de controle societário de empresas; de contratos ou parcerias internacionais; entre outras.

Industrialização duvidosa

O PL aprovado na Câmara cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) com recursos públicos da União, estimados em RS 2 bilhões, além de aportes de empresas privadas, o que poderia chegar, inicialmente, a R$ 5 bilhões.

O texto do projeto ainda prevê uma série de benefícios fiscais estimados em até outros RS 5 bilhões, a partir de 2030, tanto para minerais críticos, quanto para os minerais considerados estratégicos, por meio do Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE).

Um dos autores do estudo, o professor de geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), engenheiro Bruno Milanez, ressaltou à Agência Brasil que os recursos podem ser usados para minerais não críticos, assim como atividades menos elaboradas, como extração e beneficiamento, tirando recursos necessários à industrialização.

“O fundo garantidor, como um todo, é para reduzir risco de investidor. Parte dele vai poder ser direcionado para pesquisa tecnológica, mas pode ser pesquisa sobre extração. Eles podem pegar quase todo esse dinheiro e colocar em extração. E, provavelmente, é o que vai acontecer”, avalia.

O Art. 36 define para os investimentos obrigatórios em pesquisa e inovação, entre outras finalidades, o “conhecimento geofísico, mapeamento geológico, pesquisa mineral, extração, beneficiamento e transformação mineral”.

 


Unidade de Tratamento de Minérios da UTM, em Caldas

Unidade de Tratamento de Minérios da UTM, em Caldas (MG) – Camila Forlin – Divulgação INB

 

Fundo Clima

O Inesc pontuou que o PL cria um acesso preferencial ao Fundo Clima, em “outra tentativa de facilitar ainda mais o acesso das mineradoras ao crédito climático”.

“Considerando a já mencionada definição vaga dos minerais beneficiados pelo projeto de lei, esse instrumento permitiria, por exemplo, o desvio de recursos voltados para o combate às mudanças climáticas para a produção de concentrado de minério de ferro”, afirma o Instituto.

A Associação dos Municípios Mineradores também teme os efeitos ambientais da mineração de terras raras no Brasil.

“Não existe hoje qualquer vantagem econômica concreta para um município se tornar produtor de terras raras. Os impactos ambientais potenciais são enormes, a demanda hídrica é elevadíssima e a compensação financeira recebida pelos municípios é irrisória”, diz a Amig.

Financeirização

O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) critica ainda o capítulo que prevê mecanismos de financeirização que seriam prejudiciais ao país por meio de contratos de streaming e de royalties privados.

“Ambos os mecanismos tratam de novas formas de alavancagem financeira do setor, os quais, com graves riscos aos governos associados à redução na participação na forma de royalties públicos e impostos”, diz o documento.

Ainda segundo o Inesc, contratos de streaming amarram contratos que podem restringir eventual destinação de minerais críticos para indústria nacional.

“Um verdadeiro ‘tiro no pé’ de uma estratégia nacional e soberana para minerais críticos. Contratos de streaming podem facilitar e amplificar arranjos que têm como propósito adicional (além de ganhos financeiros) garantir fornecimento de minerais a baixos preços para empresas fora do país”, completa o Inesc.

ANM

Um dos autores do estudo, o professor de geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), engenheiro Bruno Milanez, observa que o projeto cria uma série de novas obrigações à Agência Nacional de Mineração (ANM) que, segundo ele, está subfinanciada.

“A ANM não consegue nem garantir, fiscalizar quem está pagando royalties, que é a coisa mais básica. O texto coloca a Agência, que não tem capacidade, para rastrear se o minério é de terra indígena, se é ilegal”, comentou.

A Associação dos Municípios Mineradores também expressou preocupação com a falta de capacidade da ANM para monitorar e regular o setor.

“Faltam servidores, fiscais, investimentos em tecnologia, sistemas modernos de monitoramento, estrutura operacional adequada, entre outros pontos essenciais”, diz a nota da Amig Brasil.

Os Estados Unidos aguardam a resposta do Irã à proposta apresentada por Washington para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra que já matou milhares de pessoas. Enquanto isso, as tensões seguem elevadas tanto no Golfo Pérsico quanto no Líbano, que voltou a ser alvo de ataques israelenses. Até o momento, líderes iranianos não indicaram se aceitarão os termos do acordo, embora anteriormente tenham dado poucos sinais de disposição para ceder em relação ao programa nuclear do país e aceitar uma moratória no enriquecimento de urânio, exigência feita pelos EUA.
EUA esperam resposta do Irã sobre última proposta de paz: veja quais devem ser os pontos para negociações semana que vem
Bala de prata: Trump busca estratégia para forçar Irã a ceder, mas pressão endurece Teerã
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reuniu-se recentemente por quase duas horas e meia com o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, informou nesta quinta-feira a agência estatal Mizan, sem detalhar o conteúdo das conversas nem a data do encontro.
Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, o Irã deve enviar uma resposta por meio do Paquistão, que atua como mediador, nos próximos dois dias. O petróleo caiu fortemente desde que a proposta americana veio à tona na quarta-feira, sinalizando que parte do mercado aposta em um possível acordo.
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Israel afirmou ter matado um comandante do Hezbollah em um subúrbio ao sul de Beirute, no primeiro ataque à cidade desde o início do cessar-fogo firmado no mês passado no Líbano. O episódio demonstrou a fragilidade da trégua, considerada peça importante nos esforços de paz envolvendo Teerã.
De acordo com a fonte ouvida pela Bloomberg, Washington enviou à República Islâmica um memorando de uma página que poderia levar à reabertura estratégica do Estreito de Ormuz e ao fim do bloqueio americano aos portos iranianos. Isso abriria caminho para um mês de negociações destinadas a alcançar um acordo final para encerrar o conflito, que já dura dez semanas.
Crise humanitária: Irã promete combustível e assistência médica a navios presos no Golfo Pérsico em meio a relatos de fome e abandono
Caso as negociações avancem, as partes deverão discutir as atividades nucleares iranianas. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou repetidamente que o objetivo da guerra é impedir que Teerã obtenha uma arma nuclear, intenção que o Irã sempre negou ter.
Na quarta-feira, Trump afirmou que os EUA “vão obter” o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido como parte do acordo, embora não haja sinais de que Teerã esteja disposto a fazer essa concessão.
Mais cedo, em uma publicação nas redes sociais, Trump disse que os EUA iniciarão uma campanha de bombardeios “mais ampla e intensa” caso o Irã rejeite o plano inicial de paz, composto por 14 pontos. Apesar disso, o republicano tem recuado repetidamente de ameaças de ampliar o conflito.
Rota estratégica: Irã lança site com novo sistema para supervisionar tráfego no Estreito de Ormuz
Em entrevista ao programa PBS News Hour, Trump afirmou acreditar que há “uma chance muito boa” de um acordo ser fechado, possivelmente antes da cúpula marcada com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, na próxima semana.
A agência iraniana ISNA, ligada ao Estado, afirmou que as reportagens sobre detalhes da proposta representam “especulações da mídia e construção de narrativa”, acrescentando que o enriquecimento de urânio não faz parte das discussões atuais.
Mojtaba Khamenei sucedeu seu pai, Ali Khamenei, morto em um ataque israelense no primeiro dia da guerra. Desde então, ele não apareceu em público. Na semana passada, em comunicado, afirmou que o Irã não fará concessões sobre seu programa nuclear, classificado por ele como um “patrimônio nacional” que os iranianos protegerão “a qualquer custo”.
Presidente dos EUA: Trump ameaça bombardear o Irã com ‘intensidade’ após secretário de Estado dizer que operação ofensiva acabou
Outros temas pendentes incluem limites ao programa iraniano de mísseis balísticos e ao apoio do país a grupos armados aliados, como o Hezbollah, no Líbano.
Esses pontos são prioridade para Israel, cujas autoridades adotaram um tom cauteloso em relação à nova tentativa americana de encerrar a campanha militar contra o Irã. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, disse à rádio do Exército nesta quinta-feira que “é preciso esperar e não sair fazendo declarações e manchetes” sobre um possível acordo.
Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e EUA
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel mantém “coordenação próxima” com os EUA nos esforços de paz e que não haverá “surpresas”.
Os sinais de possível avanço diplomático também reduziram a tensão no mercado internacional de petróleo, após dias de volatilidade provocada pelos confrontos no Estreito de Ormuz.
Viagem a Pequim: Irã envia chanceler à China dias antes de viagem de Trump ao país e amplia articulação em meio à tensão com os EUA
Reabrir a rota, por onde passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes de a guerra interromper o tráfego, é um dos principais objetivos de Trump.
O presidente americano deve se reunir com Xi Jinping nos dias 14 e 15 de maio, após um encontro anterior ter sido adiado no início do conflito. Na quarta-feira, a China elevou a pressão internacional pelo fim da guerra e pela reabertura da rota marítima, dizendo ao Irã que a continuidade das hostilidades é “desaconselhável”.
Pesquisas de opinião mostram que o descontentamento dos americanos com o conflito está crescendo, a seis meses das eleições legislativas de meio de mandato, nas quais os custos de energia devem ser tema central. Segundo a Associação Americana do Automóvel (AAA), o preço da gasolina ultrapassou US$ 4,50 (cerca de R$ 22) por galão pela primeira vez desde julho de 2022.

A Câmara dos Deputados aprovou hoje (7) a Medida Provisória (MP) 1327/25, que prevê, entre outros pontos, a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação para inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). O texto segue agora para análise do Senado.

O RNPC oferece benefícios a motoristas que não cometeram infrações de trânsito sujeitas à pontuação nos últimos 12 meses, como descontos em tributos, pedágios, estacionamentos e seguros, além de prever a renovação sem custos da carteira de motorista.

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A MP trata de outras mudanças no Código de Trânsito Brasileiro, ao permitir a emissão física ou digital da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), a critério do condutor.

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A medida prevê ainda que a União fixe preço para exames de aptidão física e mental e para avaliação psicológica. Os valores serão reajustados anualmente de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No parecer, o relator na comissão mista que analisou a MP, senador Renan Filho (MDB-AL), afirma que as alterações propostas modernizam o trâmite de renovação.

“As mudanças representam importante avanço no processo de modernização, racionalização e redução de custos associados ao sistema brasileiro de habilitação de condutores.”

Ao incluir os “minerais estratégicos” ao lado dos “minerais críticos”, o projeto de lei (PL) aprovado na Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (6), permite que políticas e recursos que poderiam beneficiar o desenvolvimento da mineração de terras raras e outros minerais críticos sejam usados para exploração, por exemplo, do minério de ferro.

Terceiro produto mais exportado pelo Brasil, o minério de ferro não figura na lista de minerais críticos ou terras raras que alimentam a disputa das super potências pelo controle de setores da tecnologia de ponta, defesa militar e transição energética.

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O substitutivo do PL 2780 de 2024, do relator Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), ao criar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), classifica os minerais estratégicos como aqueles recursos relevantes para o país:

“Decorrentes de reservas significativas e que sejam essenciais para a economia na geração de superávit da balança comercial, para desenvolvimento tecnológico, para o desenvolvimento regional, ainda que não diretamente vinculados à transição energética, ou para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa.”

O professor de geografia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), engenheiro Bruno Milanez, alertou à Agência Brasil que qualquer mineral que seja exportado gera superávit primário da balança comercial.

“O PL gera uma série de benefícios econômicos, fiscais, tributários e creditícios para o setor mineral como um todo. Isso porque ele trata da mesma forma minerais críticos e estratégicos. Apesar de distinguir os dois no projeto, os benefícios valem para os dois tipos”, afirmou o especialista.

Aprovado na Câmara, o PL que agora segue para análise do Senado cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) com recursos públicos da União, estimados em RS 2 bilhões, além de aportes de empresas privadas, o que poderia chegar, inicialmente, a R$ 5 bilhões, segundo estimativas.

O texto do projeto ainda prevê uma série de benefícios fiscais estimados em até outros RS 5 bilhões, a partir de 2030, tanto para minerais críticos, quanto para os minerais considerados estratégicos, por meio do Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE).

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que reúne as empresas do setor, avalia que o projeto é positivo por trazer incentivos para industrialização e processamento mineral no Brasil.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do Ibram Pablo Cesário não vê riscos em utilizar recursos que poderiam ser usados para minerais críticos em cadeias de outros minerais, uma vez que o Brasil já é competitivo em outros produtos.

“Cada minério desse, inclusive de terras raras, tem um mercado muito diferente do outro. E é papel do governo dizer o que é necessário em cada mercado. Não faz sentido você incentivar a exportação de minérios de ferro. Nós já somos altamente competitivos. Basta não atrapalhar, neste caso”, respondeu.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas.

A posição geográfica do Brasil tem sido apontada como uma vantagem importante em um mercado em pleno desenvolvimento que opõem China e Estados Unidos (EUA) em uma disputa pelo controle desses materiais. 

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Beneficiamento

O professor Bruno Milanez, que coordena o projeto Justiça na Transição Energética, acrescentou que, ao não distinguir beneficiamento de transformação mineral, o PL da Câmara ainda permite a destinação de recursos para atividades que não agregam valor ao produto no Brasil e que já é feito atualmente pelas mineradoras.  

“Todo o minerador já faz beneficiamento. O PL coloca todos os recursos, esses benefícios e incentivos, para as mineradoras, mesmo que elas continuem fazendo a mesma coisa que elas já fazem”, disse Bruno.

O especialista explicou que o beneficiamento é o processo de limpar o material extraído da terra para separar, o que é minério, do que é barro ou terra. “O beneficiamento é aquela coisa mais básica que toda mineradora faz”, pontuou.

O presidente do Ibram, Pablo Cesário, por outro lado, argumentou que não há como separar beneficiamento de outros processos, pois são a mesma cadeia produtiva.

“Isso vai até mais à frente na venda desses produtos, especialmente para esses produtos que são de nicho, tipo terras raras, que não são grandes volumes. Se não tem as primeiras etapas, não tem a segunda ou a terceira”, argumentou Cesário.

Industrialização

O professor da UFJF Bruno Milanez acrescentou que exportar minério acaba sendo mais lucrativo que transformar o produto internamente, o que é um dos objetivos anunciados pelo PL aprovado na Câmara.

“O setor mineral tem tantos benefícios já, antes dessa lei, que, na verdade, o quadro tributário do Brasil desestimula a industrialização. A Lei Kandir, ao isentar as exportações, contribui para esse quadro”, disse Bruno.

Para o especialista, como os incentivos criados pelo PL beneficiam toda a cadeia da mineração e existe uma parte que é mais estruturada e lucrativa, como a de extração e beneficiamento, ela deve drenar os recursos que deveriam ir para outros pontos da cadeia, que o Brasil ainda não domina.

O projeto estabelece no Artigo 18, parágrafo 12, que o crédito fiscal concedido às empresas deve ser “proporcional à agregação de valor na cadeia dos minerais” críticos ou estratégicos, “cabendo ao regulamento estabelecer os critérios e os patamares”.

Milanez diz que esse é o único dispositivo da lei que induz ao favorecimento das etapas mais desenvolvidas da cadeia de produção, mas que essa diferenciação “não está nos outros dispositivos”, como do Fundo para atividade mineral.

“A diferença do percentual de crédito concedido para quem está na industrialização, fabricando ímã ou bateria, teria que ser muito grande, de 50%, 100% ou mais. Tem que ser gigantesca para realmente compensar as vantagens comparativas que as extrações de minérios têm”, justificou.

Essa diferença deve ser definida, posteriormente, em regulamento do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), criado pelo projeto de lei, que deve regular essa política no Brasil, controlado majoritariamente por indicados pelo Executivo federal.

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