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“Com efeito imediato, estamos implantando câmeras corporais para todos os oficiais em campo em Minneapolis”, escreveu a secretária do DHS, Kristi Noem, no X.
Em declaração a jornalistas no Salão Oval, o presidente americano manifestou aprovação ao anúncio de Noem. Trump e membros de seu governo haviam se oposto veementemente aos esforços para conter a repressão do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) e da Patrulha de Fronteira — agências subordinadas ao DHS — em Minnesota, mesmo após agentes federais terem atirado e matado dois manifestantes nas últimas semanas.
O líder republicano afirmou que havia deixado a decisão a cargo da secretária de segurança interna, mas que acreditava que as câmeras corporais “em geral tendem a ser boas para a aplicação da lei, porque as pessoas não podem mentir sobre o que está acontecendo”.
Nas últimas semanas, protestos se espalharam por Minnesota e por outros estados, com marchas, paralisações e atos públicos contra o reforço da fiscalização migratória em cidades como Nova York e Atlanta. Na sexta-feira, uma greve nacional foi organizada sob o lema “sem trabalho, sem escola, sem compras”, resultando no fechamento de estabelecimentos, cancelamento de aulas e manifestações em várias cidades.
Em Minnesota, manifestações tomaram as ruas pelo segundo fim de semana consecutivo. Parte dos manifestantes chegou a se reunir sobre um lago congelado para formar um sinal humano de SOS na sexta-feira. No sábado, uma multidão de manifestantes foi vista marchando pacificamente pelas ruas do centro da cidade, ao lado de ciclistas que participavam de um passeio memorial em homenagem a Alex Pretti, uma das vítimas fatais de ações de agentes federais no Estado neste ano.
Em sua publicação nas redes sociais, Noem disse ainda que “assim que houver verba disponível” o DHS vai distribuir câmeras corporais para agentes em todo o país. A fala da secretária faz referência a um outro lado da disputa sobre a política anti-imigração do governo Trump.
Os EUA enfrentam um novo bloqueio governamental — o segundo em menos de seis meses — desde que vários legisladores democratas se recusaram a manter o financiamento dos serviços de imigração após as mortes de Good e Pretti em Minneapolis. Numa manobra política contra as duas mortes violentas e capitalizando a revolta de eleitores pelo país, senadores democratas adiaram a votação de várias leis orçamentárias na semana passada a fim de pressionar a Casa Branca a recuar em sua estratégia.
Após rodadas intensas de negociação entre Trump e lideranças democratas, o Senado dos EUA acabou aprovando na sexta-feira cinco projetos de finanças públicas que permitiriam manter o funcionamento da maioria do governo até setembro.
No caso do Departamento de Segurança Interna, o projeto de orçamento concede um prazo de duas semanas para a discussão e aprovação de um financiamento a parte, o que obrigaria os democratas e republicanos na Câmara dos Deputados, que têm que dar a aprovação definitiva, a negociar sob pressão.
O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, quis minimizar a gravidade da situação e assegurou no fim de semana que a votação, prevista para esta terça-feira, seria uma “formalidade”. Mas Johnson conta com a oposição da ala conservadora de seu partido.
Um novo democrata toma posse no Congresso nesta segunda-feira, após uma eleição suplementar no Texas, o que significa que o presidente da Câmara não poderá perder mais do que um voto de seu próprio partido se quiser aprovar o acordo bipartidário. Nesta segunda-feira, Trump instou o Congresso a aprovar a legislação necessária para desbloquear a paralisação orçamentária, que entrou em seu terceiro dia sem um desfecho claro.
“Espero que todos os republicanos e democratas se juntem a mim para apoiar este projeto de lei e o enviem ao meu gabinete sem demora. Neste momento, não pode haver mudanças”, escreveu o republicano Trump em sua rede Truth Social.
O uso de câmeras corporais pelos agentes federais faz parte da lista de reformas exigidas pelos democratas para votar qualquer proposta de orçamento para o DHS. Entre as exigências estão ainda a proibição do uso de balaclavas pelos oficiais e a obrigatoriedade de ordens judiciais para autorizar as detenções realizadas por eles. Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara, afirmou no domingo à ABC News que o governo Trump não podia “se contentar com palavras” e devia aplicar tais medidas imediatamente.
Os republicanos concordam com o uso generalizado das câmeras corporais, já bastante difundido, mas mostram-se muito reticentes em relação às operações com a face descoberta, pois afirmam que os ativistas divulgam constantemente todos os dados pessoais que conseguem obter sobre os agentes. Já os mandados judiciais atualmente são necessários para revistar residências, mas não para deter alguém na rua, medida que tem sido executada ostensivamente durante o segundo mandato de Trump.
Diante das ameaças de alguns legisladores de sua ala, Mike Johnson poderia necessitar de votos da oposição. No domingo, ele afirmou que precisam de “boa-fé de ambos os lados”.
Embora o ‘shutdown’ esteja em seu terceiro dia, os Estados Unidos provavelmente não terão uma repetição do bloqueio de outubro e novembro de 2025, quando republicanos e democratas batalharam durante 43 dias por disputas sobre os subsídios aos seguros de saúde.
Centenas de milhares de funcionários foram então colocados em paralisação técnica, enquanto outros com funções consideradas essenciais tiveram que seguir trabalhando. Mas todos tiveram que esperar até o fim do shutdown (como é chamada a paralisação governo em inglês) para receber seus salários.
A última paralisação terminou quando alguns senadores democratas decidiram votar a favor de um texto orçamentário elaborado pelos republicanos, em troca de promessas de concessões sobre estes subsídios.
(Com AFP e New York Times)
* Em atualização






