‘Abominável’: Nova leva de documentos do caso Epstein expõe nomes e imagens de vítimas de abusos
Caso Epstein: Novos documentos revelam ligações da família real da Noruega com criminoso
Laurent, 62, afirmou mais cedo, ainda nesta segunda, que nunca havia se reunido “direta ou indiretamente” com o ex-financista ou seu entorno. Ele corrigiu a informação, alegando que, na veradde, nunca se reuniu com Epstein “em eventos públicos ou coletivos”.
Várias figuras internacionais de alto perfil foram mencionadas no último lote de arquivos sobre Epstein publicados pelo departamento. O príncipe contou à agência de notícias Belga que os encontros, solicitados por Epstein, aconteceram no começo dos anos 1990 e 2000.
Nova leva de documentos
A nova leva de documentos do caso contra o financista Jeffrey Epstein, que morreu antes de ser julgado por acusações de abuso de menores e de comandar uma rede de tráfico humano, expôs, mais uma vez, suas ligações com a elite econômica e política dos EUA, mas também desferiu mais golpe contra suas vítimas: os nomes de dezenas delas não foram omitidos pelo Departamento de Justiça, e imagens mostraram os corpos e os rostos das mulheres, muitas delas menores de idade na época.
De acordo com uma revisão dos mais de 2 milhões de documentos — que incluem desde e-mails até fotos e mensagens de texto — feita pelo Wall Street Journal (WSJ), os nomes de 43 vítimas aparecem. Em um caso, o de uma menor de idade na época dos abusos, há 160 citações, por vezes acompanhadas de outros detalhes que deveriam ser sigilosos, como contas de e-mail e endereços residenciais.
Advogados que representam as vítimas disseram ao jornal que entregaram, no começo de dezembro, uma lista com 350 nomes que não poderiam ser citados publicamente.
— Nós os notificamos do problema dentro de uma hora após a divulgação — afirmou Brad Edwards, um dos advogados das vítimas, ao WSJ. — Foi reconhecido como um erro grave; não há desculpa para não corrigi-lo imediatamente, a menos que tenha sido feito intencionalmente.
Família real norueguesa
Os mesmos documentos divulgados na última sexta-feira (30) revelaram também o envolvimento de membros proeminentes da elite da Noruega, incluindo a princesa herdeira do país. Foram encontrados mais de 100 e-mails amistosos entre Mette-Marit e Epstein após ele ter sido considerado culpado de crimes sexuais contra crianças em 2008.
Pessoas próximas à coroa norueguesa também aparecem nos novos documentos liberados. Entre eles está Thorbjorn Jagland, primeiro-ministro da Noruega nos anos 1990, que mais tarde presidiu o comitê responsável pela concessão do Prêmio Nobel da Paz e ainda atuou como secretário-geral do Conselho da Europa por 10 anos. E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que ele planejou férias em família em uma ilha pertencente a Epstein em 2014.
No último sábado, dia seguinte após a liberação dos documentos, Mette-Marit pediu desculpas por manter contato com Jeffrey Epstein, dizendo que agiu com falta de bom senso. O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Stoere, concordou com ela.
— Estou usando as próprias palavras dela. Ela diz que demonstrou falta de bom senso. Concordo e acho importante dizer isso quando me pedem minha opinião sobre o assunto — disse Stoere aos repórteres.
O primeiro-ministro acrescentou que Mette-Marit e outros noruegueses proeminentes que foram mencionados nos documentos mais recentes sobre Epstein, incluindo os diplomatas mais importantes do país, deveriam fornecer mais detalhes sobre seu envolvimento com o bilionário.
Outros nomes noruegueses que aparecem na nova leva de documentos liberados. Terje Rod-Larsen e Mona Juul, um casal que talvez seja o mais famoso corpo diplomático do país por ter ajudado a intermediar os Acordos de Oslo entre Israel e Palestina, também tiveram vínculos com Epstein. Seus filhos estavam entre os beneficiários do testamento do bilionário e criminoso, segundo os documentos.






