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O acordo entre os Estados Unidos e o Irã que põe fim à guerra entre Israel e o Hezbollah deixa muitas questões relativas ao Líbano sem solução, uma vez que não aborda a retirada israelense do território vizinho, nem o fim do apoio de Teerã ao grupo xiita. Sob pressão dos EUA, as autoridades libanesas têm negociado com Israel para chegar a um acordo separado para pôr fim às hostilidades, mas Beirute parece ter sido deixada de fora do processo de negociação referente ao conflito regional.
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O que o acordo prevê?
Os detalhes do acordo para pôr fim à guerra que eclodiu no final de fevereiro no Oriente Médio não foram divulgados, mas o Paquistão, que atuou como mediador entre as partes, afirmou que o Líbano está incluído. O Hezbollah arrastou o Líbano para o conflito regional em 2 de março, lançando foguetes contra Israel em represália à morte do então líder supremo iraniano, Ali Khamenei, nos ataques israelenses-americanos que desencadearam as hostilidades.
Israel respondeu com ataques aéreos e uma invasão terrestre que, segundo o Líbano, matou mais de 3.700 pessoas e deslocou mais de um milhão. Uma fonte oficial disse à AFP que “o Líbano não foi informado dos termos do acordo nem da duração do cessar-fogo”.
O presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, agradeceu a Washington e Teerã por sua “insistência em incluir (…) uma cláusula essencial e vinculativa sobre o fim da agressão israelense contra todo o Líbano”. O Hezbollah não reivindicou a autoria de nenhum novo ataque contra Israel na segunda-feira.
Retirada israelense?
As informações que circulam sobre o pacto não mencionam uma retirada israelense do sul do Líbano, e o Ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira que suas tropas permanecerão indefinidamente no país vizinho. Karim Bitar, professor de estudos do Oriente Médio no Sciences Po, em Paris, observou que “o acordo não parece envolver Israel, o que, no curto prazo, significa que não é parte” do acordo.
“Uma retirada israelense do sul do Líbano é altamente improvável”, acrescentou. As forças israelenses controlam uma faixa de território libanês ao longo de sua fronteira. “Dezenas de milhares de soldados israelenses” estão no sul do Líbano, onde ocupam posições fixas, embora o Hezbollah ainda mantenha presença na região, segundo a fonte. “Esta é a maior incursão desde a retirada israelense em 2000”, acrescentou a fonte, referindo-se à retirada anterior de Israel após 20 anos de ocupação.
O Hezbollah afirma ter enviado reforços ao sul do rio Litani, 20 km ao norte da fronteira com Israel, após o início da guerra. Segundo um acordo de 2024 que pôs fim a um conflito anterior, o Hezbollah deveria retirar seus combatentes daquela área.
Qual o futuro do Hezbollah?
Washington pressionou o Líbano para desarmar o Hezbollah, mas o acordo não menciona os combatentes.
“O Irã não parece ter se comprometido a encerrar seu apoio e financiamento ao Hezbollah”, de acordo com Bitar.
O especialista militar Riad Kahwaji afirmou que “o Hezbollah não concordará em depor as armas, e a crise se arrastará”. Ele previu que isso poderia levar à instabilidade política e até mesmo a distúrbios, “especialmente agora que o Hezbollah acredita ter saído vitorioso deste acordo por meio do Irã”.
Negociações entre Israel e Líbano?
O Líbano e Israel têm realizado negociações diretas em Washington desde abril para pôr fim às hostilidades e retirar o Líbano do conflito regional. Uma nova rodada de negociações está agendada para este mês. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, declarou nesta segunda-feira que seu país redobrará os esforços nas negociações em Washington para garantir a retirada completa de Israel.
Mas, após o acordo entre Teerã e Washington, alguns questionam a eficácia dessas negociações. Bitar afirmou que “o Líbano pode mais uma vez se tornar bode expiatório, pagando o preço pela inexperiência americana, pelo cinismo iraniano, pela arrogância israelense e pela falta de uma estratégia clara por parte de sua própria classe política”.

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A guerra deflagrada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã talvez termine em breve na possibilidade que se abre com o memorando que será assinado na sexta-feira. Nenhum dos lados pode declarar vitória, e o universo dos perdedores é muito mais amplo do que apenas os que estão diretamente envolvidos no confronto. Até o Brasil perdeu. Nesses 107 dias de embate, o cenário econômico brasileiro mudou completamente. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O céu sempre azul de San Juan, na Argentina, já não se reflete em muitos de seus rios: a província atravessa uma escassez hídrica persistente vinculada à mudança climática, enquanto a mineração avança sobre os Andes e suas milhares de geleiras.
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— A situação é delicada — disse Nicolás Yanzón, um produtor de uvas, alfafa e sementes de cebola em sua fazenda em Villa Media Agua, a 70 quilômetros da capital provincial.
Devido ao racionamento de água, Yanzón cultiva menos de um terço de suas terras, uma situação que afeta a todos os produtores desta província do oeste argentino.
— Se não começarmos o quanto antes possível, é provável que a crise se acentue — alerta.
Segundo um ditado popular, províncias andinas como San Juan são tão áridas que os peixes levantam poeira quando passam por seus rios. Chove pouco mais de 100 milímetros por ano.
Em San Juan, apenas 3% da terra é cultivável. Ainda assim, é o bastante para ser uma das principais produtoras de azeite de oliva, uvas, tomates e pistaches do país.
A água de irrigação provém quase toda de rios que são alimentados pelas nevascas e pelas mais de 4 mil geleiras da província. No entanto, elas foram significativamente reduzidas e as vazões estão em níveis mínimos históricos.
— Estamos em um cenário de escassez permanente — declarou o ministro provincial da Produção, Gustavo Fernández, à AFP.
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“Um caos”
O ministro estima que, com investimento público em infraestrutura e métodos de irrigação mais eficientes, “cerca de 40% da água que é utilizada na agricultura poderia ser economizada”.
Mas há outro problema: San Juan está passando por um incipiente boom de projetos de mineração que geram expectativas de emprego, mas também despertam preocupações pelo uso e pela gestão de seus escassos recursos hídricos.
— Do ponto de vista ambientalista, isso é um caos — disse o geofísico Silvio Pastore da Universidade Nacional de San Juan à AFP, ao explicar que, no ciclo hídrico atual, toda a água dos rios será destinada à agricultura. Não sobrará nada para as barragens, já em níveis mínimos.
Em 2000, a ONU projetou a vazão do rio San Juan sob diferentes cenários de aquecimento. Desde então, o pior cenário “foi superado pela realidade”, indicou Pastore. A vazão reduziu quase pela metade em relação à média histórica.
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Segundo o especialista, isto se deve à diminuição das nevascas na cordilheira e ao fato de que, com o aumento das temperaturas, a neve passa diretamente do estado sólido para o gasoso.
O fenômeno também afeta as geleiras: as de gelo exposto no noroeste argentino diminuíram 17% nos últimos 10 anos, segundo o Instituto Argentino de Nivologia e Glaciologia.
Geleiras discretas
A maioria das geleiras de San Juan não são como as imponentes paredes brancas da Patagônia, mas formações de gelo cobertas por sedimentos ou rochas misturadas com detritos, que apenas um olhar treinado consegue distinguir nas montanhas.
Seu papel no sistema hídrico gera debate. Pastore sustenta que, mesmo nos anos de maior seca, as geleiras “não contribuem com mais de 20%” das vazões.
Para o glaciólogo Juan Pablo Milana, por outro lado, sua contribuição nunca foi estudada a fundo: “A geleira, quando não tem neve, entrega de duas a três vezes mais água”, destacou à AFP.
Neste ano, as geleiras estiveram no centro do debate, quando o presidente Javier Milei sancionou uma alteração na lei que as protege.
Com a nova norma, os governos provinciais podem redefinir as áreas protegidas para ampliar a atividade mineradora, por exemplo, de cobre, fundamental para a transição energética.
A alteração foi contestada na Justiça por ambientalistas.
Limites
— Você faria uma pessoa que está na UTI doar sangue? — questionou o advogado e ativista ambiental Raúl Orduña.
— Nosso sistema hídrico está em terapia e há políticos que não escutam — disse à AFP em sua casa em Barreal, no sul de San Juan. Ao longe, ouve-se o rio Los Patos, a rota que José de San Martín percorreu através a Cordilheira dos Andes em 1817 para libertar o Chile.
A mineração utiliza muito menos água do que a agricultura, mas diante da escassez persistente, cada volume conta.
Empresas e autoridades asseguram que a atividade é realizada sob rigorosos controles ambientais. No entanto, a desconfiança persiste por feridas abertas, como o vazamento tóxico de uma mina de Barrick Golg em 2015.
— O maior perigo da mineração é a falta de controles — afirmou Milana.
Nicolás Yanzón observa a água que chega ao seu vinhedo após um longo percurso.
Ele não é contra a mineração, mas não a qualquer custo:
— Se é desenvolvimento, tem que ser sustentável, porque, se não for, não é desenvolvimento.
Quando Maria Moskalyova tinha 12 anos, ela desenhou mísseis sobrevoando uma bandeira russa em direção a uma mulher e uma criança que estavam ao lado de uma bandeira ucraniana. “Não a [Vladimir] Putin e à guerra”, escreveu ela sobre a bandeira russa. Moscou acabara de invadir o país vizinho, e o desenho contra a guerra mudou a vida da menina para sempre, levando-a, juntamente com seu pai solteiro, Alexei Moskalyov, a um caminho de separação, prisão e exílio. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Há um ano, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deliberava sobre a possibilidade de suspender o direito ao habeas corpus para imigrantes sem documentos, revelou uma investigação do New York Times. A proposta fazia parte de um conjunto de medidas extremas que vinham sendo consideradas pelo assessor que liderava a campanha de deportação do líder republicano, Stephen Miller. Em 29 de abril de 2025, um advogado ultraconservador que atuava como secretário da equipe da Casa Branca, Will Scharf, escreveu um memorando secreto para a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, avaliando a aplicabilidade legal da proposição. O documento indicava que a ideia não tinha fundamento constitucional que permitisse sua aplicação. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O anunciado acordo entre EUA e Irã para suspender a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz ainda não corresponde a uma garantia de paz duradoura. Com termos a serem negociados e discordâncias marcantes entre alguns dos atores interessados, o avanço do processo diplomático, por outro lado, já representa uma vitória estratégica para Teerã, que após sofrer pesados ataques parece ter arrancado concessões da maior potência militar do mundo — alcançando uma posição apontada por analistas como mais forte do que a que detinha antes do início do conflito.
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— A construção do possível acordo envolve países que há um ano tratavam a revolução iraniana [de 1979] como derrotada, e que agora fazem parte de articulações para viabilizar a negociação — apontou o professor Michel Gherman, coordenador do Núcleo de Estudos Judaicos da UFRJ e pesquisador do Centro de Estudos do Antissemitismo da Universidade Hebraica de Jerusalém, em entrevista ao GLOBO. — Há uma expansão da legitimidade do Irã passando para além do Oriente Médio.
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Em contraste com o tom de vitória proclamado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao anunciar no domingo que as partes chegaram a um acordo — na realidade, um memorando de entendimento que suspende por 60 dias o conflito —, os objetivos centrais indicados pelo republicano ao desencadear a guerra em 28 de fevereiro junto com Israel não foram obtidos. Trump afirmou que iria “aniquilar” as capacidades militares do Irã, mas teve que recorrer ao acordo para romper o efetivo bloqueio iraniano em Ormuz; falou em derrubar o governo iraniano, ao qual acabou dando legitimidade ao sentar para negociar por meses; falou em eliminar as ambições nucleares de Teerã, que mesmo tendo negado perseguir armas atômicas, conseguiu adiar a resolução do tema para tratativas futuras.
Embora os termos ainda não tenham sido apresentados oficialmente, analistas apontam que a parte que chegou ao conhecimento público indica um acerto positivo para Teerã. Enquanto a reabertura de Ormuz, alardeada como vitória por Trump, foi uma situação que entrou em pauta justamente por causa da guerra — o Irã só fechou o estreito como resposta ao ataque israelense-americano — , o regime iraniano parece prestes a conseguir em troca o descongelamento de bilhões de dólares em ativos financeiros bloqueados no exterior. Além do alívio financeiro, Teerã persegue o reconhecimento dos termos pelo Conselho de Segurança da ONU — algo que o acordo nuclear fechado pelo governo de Barack Obama, em 2015, não permitiu.
A avaliação sobre o encaminhamento das negociações nucleares foi alvo de críticas de analistas americanos. Em um comentário na rede social X, o ex-embaixador dos EUA em Israel e pesquisador do Atlantic Council Daniel Shapiro afirmou que Trump parecia concentrado em um acordo melhor do que o de Obama, mas que os EUA ainda estavam longe de chegar a isso.
“É possível que nenhum acordo jamais seja alcançado. É muito provável que, se um for alcançado, ele seja pior do que aquilo que poderíamos ter conseguido por meio da diplomacia antes da guerra”, disse Shapiro na publicação, acrescentando que o memorando não corresponde a qualquer acordo nuclear, e que Washington parecia “estar pagando” pela reabertura de Ormuz.
Veja reações: Comunidade internacional elogia acordo entre EUA e Irã, enquanto Israel busca manter distância
Fatores externos
Para além da negociação de prestações e contraprestações entre EUA e Irã, os termos versam também sobre atores alheios ao processo de negociações Autoridades dos dois países e do Paquistão, que atua como mediador do diálogo indireto, afirmaram que o cessar-fogo inclui também o Líbano, onde Israel ataca posições do movimento Hezbollah diariamente. Novos ataques foram registrados nesta segunda, embora em menor intensidade, enquanto integrantes de linha-dura do governo israelense rejeitaram recuar por ordem dos EUA.
Em um comentário no podcast “Conflicts of Interest” no sábado, do centro de estudos americano ACLED, a CEO da organização de pesquisa, Clionadh Raleigh, apontou que as contrapartidas associadas a países alheios como um fator a causar dificuldade de implementação em qualquer acordo alcançado.
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— Grande parte dessa questão envolve como os Estados do Golfo devem agir, como Israel deve se comportar e como os outros Estados banhados pelo estreito devem agir. Nenhum deles foi formalmente incluído nesse processo — afirmou, questionando a eficácia de qualquer acordo nesse formato.
Gherman também se disse pessimista sobre qualquer avanço em questões centrais no período de 60 dias estabelecido pelo memorando para as novas negociações. Ele menciona, porém, que o alívio que a desescalada ofereceu imediatamente à economia mundial é um fator que pode inibir uma retomada de qualquer conflito de alta intensidade, no formato previamente observado na região.
— Se por um lado eu estou pessimista que este seja efetivamente um acordo de paz, é impossível que as guerras voltem nas condições que estavam — disse o professor, indicando como cenário provável para o caso de um futuro conflito, uma disputa regional entre Israel e Irã, com um escrutínio maior a eventuais impactos a economia da nação persa, por seu impacto abrangente. — É possível que a gente se depare com uma situação muito paradoxal, dos EUA apoiando o regime iraniano se Israel ameaçar atacá-lo. (Com NYT)
As 47 prefeituras do Japão planejam investir, juntas, pelo menos 5,5 bilhões de ienes, ou cerca de R$ 173 milhões, em programas destinados a atrair e integrar trabalhadores estrangeiros durante o atual ano fiscal, segundo a emissora estatal japonesa NHK. Parte dos recursos será usada para custear aulas de língua japonesa, auxílio financeiro para estudantes internacionais e até apoio na compra de eletrodomésticos para quem decidir se estabelecer no país.
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A iniciativa reflete uma preocupação crescente das administrações locais diante da grave escassez de mão de obra que afeta a economia japonesa. Segundo uma pesquisa privada, 441 empresas encerraram as atividades no ano fiscal de 2025 por não conseguirem contratar trabalhadores suficientes.
O problema é especialmente grave em cidades do interior e regiões rurais, onde o envelhecimento da população e a queda da taxa de natalidade reduziram drasticamente a oferta de mão de obra. Para especialistas, os trabalhadores estrangeiros tornaram-se essenciais para manter setores inteiros em funcionamento.
Além dos incentivos financeiros, diversas prefeituras estão promovendo feiras de emprego, seminários e eventos de recrutamento voltados tanto para candidatos estrangeiros quanto para empresários japoneses interessados nessas contratações. O objetivo é orientar empresas sobre os procedimentos legais de contratação, vistos de trabalho e formas de integração dos novos funcionários.
No início de maio, a cidade de Isesaki foi uma das que realizou um seminário sobre gestão de emprego estrangeiro.
“À medida que a escassez de mão de obra, especialmente entre pequenas e médias empresas, continua a crescer ano após ano, o número de trabalhadores estrangeiros empregados no Japão continua a crescer. Portanto, realizaremos um “Seminário de Gestão do Emprego Estrangeiro” voltado para empregadores que empregam ou estão considerando empregar trabalhadores estrangeiros, para aprender as regras básicas sobre emprego, condições de trabalho, saúde e segurança ocupacional para trabalhadores estrangeiros”, anunciou a prefeitura, sobre o evento.
Em Okinawa, no Japão, muitos passam dos 100 anos.
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Entre as administrações locais que mais investirão na iniciativa estão Tóquio, com cerca de US$ 5 milhões previstos, a província de Mie, com US$ 3,1 milhões, e Ehime, com aproximadamente US$ 1,6 milhão.
Segundo o pesquisador Inoue Hajime, especialista em políticas para estrangeiros do Instituto de Pesquisa do Japão ouvido pela NHK, a presença desses trabalhadores é cada vez mais indispensável, principalmente em áreas onde a falta de profissionais já compromete serviços essenciais, com destaque para as zonas rurais.
“As pessoas tendem a migrar para áreas urbanas em busca de melhores condições de vida e maiores oportunidades de renda, mas há limites para o que os governos locais possam fazer esses programas sozinhos, é importante o apoio do governo central”, destacou.
Enfermagem
Ainda segundo a NHK, a necessidade é particularmente urgente no setor de saúde. Hospitais, clínicas e instituições de atendimento a idosos enfrentam dificuldades crescentes para preencher vagas em um país que possui uma das populações mais envelhecidas do mundo. Governos locais veem a contratação de estrangeiros como uma alternativa para manter o atendimento à população.
Agricultura
A agricultura também está entre as áreas prioritárias. Regiões rurais sofrem com a falta de jovens interessados em permanecer no campo, tornando os trabalhadores estrangeiros fundamentais para atividades de plantio, colheita e processamento de alimentos.
Indústria de manufatura
É o principal empregador de trabalhadores estrangeiros no país. O setor reúne fábricas de automóveis, eletrônicos, máquinas e outros produtos industriais. A escassez de jovens japoneses levou as empresas a ampliar significativamente as contratações internacionais para manter as linhas de produção funcionando.
Serviços
A área engloba atividades como limpeza, segurança, manutenção e diversos serviços empresariais. Muitas funções exigem menor domínio do idioma japonês, o que facilita a entrada de trabalhadores estrangeiros e ajuda a suprir a falta de mão de obra local.
Comércio atacadista e varejista
Empresas do setor buscam especialmente profissionais com conhecimento de idiomas estrangeiros para atuar no atendimento ao público, na administração de estoques e em atividades corporativas. A expansão do turismo internacional também aumentou a demanda por funcionários multilíngues.
Hospedagem e alimentação
Hotéis, pousadas, restaurantes e estabelecimentos ligados ao turismo enfrentam dificuldades para preencher vagas. Além de suprir a carência de trabalhadores, estrangeiros ajudam a atender visitantes de diferentes nacionalidades e a ampliar o suporte em vários idiomas.
Construção civil
O envelhecimento dos trabalhadores do setor e a falta de jovens interessados na profissão fizeram crescer a contratação de estrangeiros. As vagas envolvem desde obras residenciais até grandes projetos de infraestrutura, exigindo treinamento específico e rigorosos protocolos de segurança devido aos riscos da atividade.
A aguardada notícia de um acordo entre Estados Unidos e Irã para a guerra no Oriente Médio provocou queda de 4,76% na cotação do barril de petróleo do tipo Brent (referência internacional), a US$ 83,17, o menor valor desde 5 de março, logo após o início do conflito. Com a queda da commodity, o dia foi de otimismo no mercado global, com fortes altas em mercados acionários de Ásia, Europa e Estados Unidos, mas os indicadores locais não acompanharam o ritmo positivo do exterior. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Antes mesmo de a bola rolar para a estreia do Irã na Copa do Mundo de 2026, contra a Nova Zelândia, uma bandeira iraniana avistada nas arquibancadas do Sofi Stadium gerou controvérsia. A bandeira, que tem no centro um leão e um sol, foi abandonada pelo país após a Revolução Islâmica de 1979, mas acabou abraçada pela oposição iraniana no exílio. E apareceu na partida desta segunda-feira, apesar dos protestos do atual regime iraniano e da proibição da Fifa.
Iranianos vão ao estádio com bandeira rejeitada pelo regime e vetada pela Fifa
Embora as cores da bandeira — verde, branco e vermelho — e as faixas horizontais sigam um padrão similar desde o início do Século XX, o que está no centro dela é a causa da discórdia. Até 1979, a bandeira trazia o leão e o sol, um símbolo originado na Pérsia Antiga e com milhares de anos de história.
Após a instauração da República Islâmica, em fevereiro de 1979, o leão e o sol permaneceram temporariamente (mas sem uma coroa que representava o regime comandado pela dinastia Pahlevi). Em 1980, foi adotado o modelo atual, com o novo brasão da República e o takbir islâmico (“Allah é Grande”) escrito 22 vezes nas faixas.

É essa a bandeira usada em competições oficiais há quase 50 anos, e é a única reconhecida pela Fifa. Mas para a diáspora iraniana — são mais de 750 mil nos EUA —, ela é o símbolo de um regime que reprime sua população, mata seus dissidentes e que, hoje, não os representa. Por isso, a antiga bandeira dos tempos da dinastia Pahlevi, deposta pela revolução de 1979, predomina nos atos contra a República Islâmica no exterior.
Antes da partida desta segunda-feira, a Federação Iraniana de Futebol exigiu que a Fifa garantisse o veto à bandeira pré-revolucionária nos estádios da Copa. O presidente da federação, Mehdi Taj, afirmou que a entidade máxima do futebol é “responsável” pelo cumprimento dos protocolos, e que uma das regras é que “a bandeira oficial de um país deve estar presente no estádio”.

Já o ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donyamali, chegou a ameaçar retirar a seleção de campo em caso de atitudes consideradas desrespeitosas ao atual regime iraniano nos estádios. Ignorando as ameaças, um grupo de manifestantes se reuniu nos arredores do Sofi Stadium horas antes do jogo e, além da bandeira pré-revolucionária, exibiram fotos de Reza Pahlavi — que é filho do xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto na revolução de 1979, e representante da oposição aos líderes islâmicos.
Processo judicial
Na última Copa, no Catar em 2022, torcedores iranianos que tentavam entrar nos estádios com a bandeira pré-revolucionária foram abordados por seguranças e não raro obrigados a abandoná-las. Em maio, a Fifa decidiu que a regra seria repetida em 2026, invocando seu Código de Conduta à torcida. Nele, a Fifa afirma que estarão proibidos materiais “que sejam de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória”.
Atualmente, a Fifa é alvo de uma ação judicial nos Estados Unidos por ter vetado a entrada da bandeira iraniana pré-revolucionária nos estádios.
“A bandeira do Leão e do Sol é um símbolo de paz abraçado por milhões de iranianos que acreditam na liberdade, na democracia e no direito de expressar sua identidade sem medo ou censura”, disse, em comunicado, o Instituto para as Vozes da Liberdade, uma organização de oposição ao regime em Teerã, e que acionou a Justiça dos EUA para garantir o direito de levar as bandeiras aos jogos.

Para o Instituto, o veto é resultado da pressão do governo iraniano sobre a Fifa: em maio, quando a federação iraniana ameaçou se retirar do torneio devido à guerra contra EUA e Israel, uma das condições para participar era o “respeito à bandeira iraniana”.
Esse não é o único dilema da diáspora iraniana. Muitos veem o “Team Melli” (“Seleção Nacional”, em persa) como mais uma ferramenta de promoção do regime, e por isso têm se manifestado contra a seleção. Antes da partida desta segunda-feira, uma manifestante nos arredores do Sofi Stadium ergueu um cartaz com a frase “o time de futebol da república terrorista islâmica não representa o povo do Irã”, escrita em inglês.

Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que quase metade das crianças no planeta mora em locais sujeitos a mais do que três tipos de riscos climáticos.
A organização aponta que 1,1 bilhão de meninos e meninas enfrentam ao mesmo tempo eventos como enchentes, temporais, secas, incêndios, tempestades de areia e ondas de calor.
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O número saiu de uma nova base de dados criada pelos autores do relatório, que tem como objetivo ajudar o poder público em políticas de adaptação ao clima para contemplar as necessidades da infância e da juventude.
O Relatório de Risco Climático das Crianças 2026 é acompanhado de dados locais, em que é possível mapear populações vulneráveis a esses eventos climáticos extremos com uma precisão de 10 km.
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Os dados levam em conta diversas maneiras com que a crise do clima pode afetar a vida das crianças, incluindo o acesso a saúde, educação, alimentação e saneamento básico. O clima também torna a infância mais vulnerável à perda de serviços de proteção e a violações de direitos fundamentais indica o trabalho.
Segundo Danilo Moura, especialista em clima e meio ambiente do Unicef Brasil, apesar de os impactos da mudança climática se manifestarem de maneira geral na população, o poder público precisa dar atenção especial às crianças nesse contexto.
— Quando a gente olha para a mudança do clima, a gente está olhando para um fenômeno que impacta as crianças de uma forma desproporcional — diz. — O exemplo mais simples é o dos dias com calor extremo. O impacto das altas temperaturas nas crianças pequenas, especialmente nos dois primeiros anos de vida, é muito maior do que nos adultos, porque no começo da vida, fisiologicamente, o corpo é menos capaz de lidar com o calor.
Na área da saúde, esse problema se manifesta também no espalhamento de doenças infecciosas e no impacto da poluição, dois temas indiretamente ligados ao aquecimento global, mas que também foram contemplados no relatório do Unicef.
Uma análise da Organização Mundial de Saúde (OMS) citada no relatório indica que quase 90% do impacto das doenças que serão agravadas pela crise do clima recai sobre crianças de até 5 anos.
Escolas destruídas
O relatório dá atenção especial, também, as formas com que a crise do clima atinge a educação.
“Tempestades destroem escolas e ondas de calor interrompem o aprendizado, roubando o futuro das crianças. Só em 2024, pelo menos 242 milhões de estudantes em 85 países e territórios tiveram sua escolaridade prejudicada por eventos climáticos extremos”, afirma o relatório.
— Aqui no Brasil, em 2024, mais de um milhão de crianças tiveram seus estudos interrompidos por um período longo só pelos dois principais eventos climáticos extremos daquele ano, que foram a enchente do Rio Grande do Sul e a seca na Amazônia — diz Moura.
Quando se olha para o impacto social como um todo no país, porém, o dano é muito maior. Ao todo 16 milhões de crianças brasileiras estão expostas a três ou mais riscos climáticos, como ondas de calor ou secas, o equivalente a 30% da população infantil. Olhando para dois ou mais riscos, são mais de 30 milhões de crianças.
O Brasil não figura na lista dos países onde o problema é mais preocupante, porém. Seções especiais do relatório são dedicadas a Paquistão, Iraque, Líbano, Camboja e Etiópia. O relatório também destaca o pequenos países-ilhas do mundo em desenvolvimento, sobretudo no Caribe e no Pacífico, e a região do Sahel, ao sul do deserto do Saara.
Impacto desigual
O desafio brasileiro, segundo Moura, é encontrar maneiras de atender necessidades de populações mais pobres, nas quais a crise do clima tem impacto muito maior.
— Quando a gente mapeia essas crianças que estão expostas a múltiplos riscos no território brasileiro, o que a gente vê é uma grande sobreposição com o mapa das desigualdades — diz — Nós vemos ali as crianças que moram nas periferias, que são na sua maioria, crianças negras, as crianças indígenas que vivem em comunidades rurais, as crianças quilombolas ou crianças que pertencem a outros povos e comunidades tradicionais.
Num prefácio escrito para o relatório, a diretora-executiva do Unicef, Catherine Russel, diz que a ideia é que os dados que a organização está gerando para ajudar formuladores de política a enfocarem políticas climáticas para a infância consigam dar conta das diferenças regionais mais localizadas.
“Agora podemos ver onde as crianças estão expostas a uma variedade de riscos dentro dos países com um nível de detalhamento sem precedentes”, diz. “Combinando esses dados com informações sobre o acesso e a capacidade dos serviços sociais existentes, os governos podem mapear onde as crianças estão mais vulneráveis aos impactos e estresses climáticos. Os dados deste relatório são uma ferramenta fundamental para os tomadores de decisão, ajudando-os a planejar de forma mais inteligente, agir com mais rapidez e investir de forma mais eficaz em serviços resilientes às mudanças climáticas para crianças.”
Moura afirma que os dados de populações infantis vulneráveis por tipo de evento climático poderão ser consultados em nível de estado e município, para ajudar essas duas esferas de governo a fazerem seus planejamentos.
Um aspecto preocupante do novo relatório é que todo o impacto climático sobre a infância listado ali se refere a eventos correntes. Em outras palavras, não está computado ali ainda o agravamento de situação que deve vir quando o planeta superar 1,5°C acréscimo à média da temperatura global, o que pode acontecer já na próxima década.
As Forças Armadas dos EUA indicaram que oito pessoas estavam a bordo do bombardeiro americano B-52 Stratofortress que caiu nesta segunda-feira na Califórnia, pouco depois da decolagem, acrescentando que os indícios iniciais sugerem que “não houve sobreviventes”.
Análise: Trump começa a encerrar a guerra que ele mesmo iniciou, mas sem cumprir seus objetivos
Entenda: Por que entendimento entre EUA e Irã ainda é um memorando e não um acordo de fato?
“Um bombardeiro B-52 Stratofortress da Força Aérea dos EUA, transportando oito pessoas em uma missão de teste de rotina, caiu hoje, pouco depois da decolagem, às 11h20 (horário local). Os indícios iniciais sugerem que não há sobreviventes”, disse a Base Aérea de Edwards em um comunicado.
Mais cedo, a base afirmou em comunicado que havia fechado seu aeródromo e desviaria as aeronaves que pousariam ali.
“Além disso, todos os passes de visitantes não comerciais foram suspensos até novo aviso para permitir que a instalação concentre integralmente seus esforços nas operações de resposta à emergência”, destacou.
Imagens divulgadas pela imprensa local mostraram uma enorme mancha escura na pista aérea, assim como uma coluna de fumaça. Também foram vistos veículos de assistência. A instalação militar fica no sul da Califórnia, a quase 100 km de Los Angeles.
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O B-52 Stratofortress é um bombardeiro de longo alcance fabricado pela empresa americana Boeing. É usado pela Força Aérea americana desde os anos 1950. Os Estados Unidos mobilizaram a aeronave em conflitos no Vietnã, Iraque, Afeganistão e, mais recentemente, no Irã.
O bombardeiro, que pode carregar diversas armas, incluindo bombas e mísseis de cruzeiro, tem uma envergadura de 56 metros e um comprimento de 48 metros.

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