Caso a votação avance e o Conselho formalize a decisão, o documento final do acordo poderá ser assinado definitivamente já na segunda-feira, dia 12, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
União Europeia: Itália quer gatilho de salvaguarda mais rigoroso de 5% no acordo com Mercosul, diz ministro
Melhoria de texto e sugestões de respostas: Google anuncia novos recursos de IA no Gmail
A expectativa é que o acordo, negociado desde 1999, seja finalmente assinado. Para ter o aval, contudo, o texto precisa ter maioria qualificada entre os países da UE. Isso significa que ao menos 15 dos 27 Estados-membros precisam votar a favor, desde que representem no mínimo 65% da população do bloco.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni: país será decisivo em votação sobre o acordo
Nicolas Tucat/AFP
O tratado é resultado de 26 anos de negociações e é considerado histórico porque criará uma zona de livre-comércio de mais de 720 milhões de consumidores. Combinadas, as economias somam US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).
Em dezembro, a UE adiou a tentativa de assinatura após o presidente da França, Emmanuel Macron, e da premiê italiana, Giorgia Meloni, recusarem-se a apoiar o texto até que fossem aprovadas garantias para proteger o setor agrícola europeu.
UE-Mercosul: Entenda por que Lula tem pressa para assinar acordo, mesmo com barreiras ao agro brasileiro
Nesta semana, Bruxelas intensificou as negociações para tentar remover os últimos obstáculos. Na quarta-feira, ministros da Agricultura da UE se reuniram para discutir medidas de reforço ao apoio aos produtores rurais, que temem competição com produtos do Mercosul.
Na reunião, foi anunciado o adiantamento de até 45 bilhões de euros em subsídios previstos no próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC). Ao todo, o orçamento garantido da PAC soma 293,7 bilhões de euros. A medida foi elogiada pela Itália, que indicou ter retirado sua objeção.
Protesto em Paris
A ofensiva política não conteve os protestos do campo e nem convenceu os líderes dos outros países resistentes. O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o país votará contra a assinatura do acordo e invocando uma “rejeição política unânime”. Ontem, agricultores franceses protestaram com tratores em frente à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, em Paris.
Também ontem, o vice-primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, também declarou que se uniria a países como França, Hungria e Polônia na oposição ao texto.
Itália será decisiva
Ainda assim, a avaliação predominante em Bruxelas é que os votos contrários desses países não seriam suficientes para barrar o avanço do acordo. A mudança de postura da Itália, que havia se alinhado ao grupo liderado pela França pouco antes do Natal, pode garantir a maioria necessária no Conselho.
Initial plugin text
Por isso, as atenções se voltam para o país. O governo italiano obteve concessões relevantes nos últimos dias, em especial uma salvaguarda de 5% para produtos agrícolas sensíveis. Uma demanda de Roma para apoiar o acordo, segundo afirmou o ministro da Agricultura ao jornal Il Sole 24 Ore. A Itália agora quer exigir que essa cláusula seja incluída no texto do acordo para votar a favor.
INFO 1 – UE MERCOSUL NOVO – Saiba mais sobre o acordo
Arte O GLOBO
Se aprovado, quais são os próximos passos do acordo?
Se aprovado na reunião desta sexta-feira e assinado na segunda-feira, o texto segue direto para o Parlamento Europeu, que precisa aprovar o texto para que ele possa entrar em vigor. Nessa etapa, é necessário apenas maioria simples dos eurodeputados.
No caso do Mercosul, cada nação precisa ratificar o acordo em seu próprio parlamento. No Brasil, isso significa a aprovação pelo Congresso Nacional, explica Roberto Jaguaribe, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-embaixador do Brasil na Alemanha.
Initial plugin text
Segundo ele, como o acordo na UE foi desmembrado, ele não precisa passar individualmente pelos parlamentos de cada país europeu. A Comissão Europeia tem competência para negociar a parte comercial e tarifária em nome do bloco.
— Isso faz com que a expectativa de que ele entre em vigor seja mais realista. Se tivesse que passar por cada parlamento (europeu), sabemos que isso não aconteceria. Mas não é o caso — diz Jaguaribe, que projeta a assinatura como um primeiro passo simbólico significativo para os países envolvidos.
Initial plugin text







