Entenda: Trump e Petro têm primeira conversa telefônica em meio a ameaças dos EUA e combinam encontro na Casa Branca
Onça e águia: Petro comenta conversa com Trump em publicação com imagem gerada por IA
Após uma escalada de tensões em razão dos bombardeios americanos em Caracas, da captura do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, e de ameaças de possíveis ações militares na Colômbia, Petro e Trump reduziram o tom numa ligação na noite de quarta-feira, a primeira entre eles.
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Os líderes “se comprometeram a fazer ações conjuntas” contra o ELN, que desafia o governo de Petro com ataques constantes e sequestros de agentes de segurança após negociações de paz fracassadas, revelou Benedetti em entrevista à Blu Radio. Em dezembro, a organização paramilitar ordenou o confinamento de civis nas áreas sob seu domínio, no que chamou de “greve armada” para responder às “ameaças de intervenção de Trump”.
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No telefonema, o esquerdista Petro aceitou um convite de Trump para uma reunião em Washington e pediu “ajuda para atingir duramente o ELN na fronteira” com a Venezuela, afirmou Benedetti. Segundo o ministro, os guerrilheiros “sempre terminavam na Venezuela” após confrontos com a força pública colombiana.
“Havia vezes em que a Venezuela ajudava e outras em que não”, pontuou.
Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira porosa de 2.200 quilômetros, onde diferentes grupos armados disputam as rendas do narcotráfico, da mineração ilegal e do contrabando. Para Benedetti, é necessário que os guerrilheiros “também sejam atacados na retaguarda quando são atacados aqui”.
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Petro tentou sem sucesso negociar a paz com o ELN após assumir o poder em 2022, como parte de sua política para desmobilizar todos os grupos armados por meio do diálogo.
As negociações com o ELN estão suspensas após uma ofensiva dos rebeldes contra combatentes de outra guerrilha em uma área de fronteira conhecida como Catatumbo, há um ano, que deixou uma centena de mortos e dezenas de milhares de deslocados.
‘Se não se dialoga, há guerra’, diz Petro
Ao se dirigir a uma multidão reunida na Praça Bolívar, no centro de Bogotá, que atenderam a marchas convocadas pelo líder de esquerda, em repúdio às ameaças de Trump, Petro assegurou que pensava em fazer um discurso “muito duro”, mas mudou de ideia após o telefonema com Trump, que durou pelo menos uma hora. O dirigente colombiano assegurou que pediu a americano que “se restabeleçam os contatos diretos entre chancelarias e presidentes” de ambas as nações, e que eles trataram sobre o tráfico de drogas e a situação na Venezuela.
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— Se não se dialoga, há guerra — disse Petro em meio à ovação do público.
Também em uma publicação nas redes sociais, Trump também adotou um tom cordial. Ele convidou o líder colombiano para uma visita à Casa Branca. O republicano sugeriu que a ligação teria sido uma iniciativa de Bogotá, e que eles falaram trataram sobre “desacordos” entre ambos.
“Foi uma grande honra falar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que me telefonou para explicar a situação das drogas e de outros desacordos que tivemos. Agradeci sua chamada e seu tom, e espero me reunir com ele em um futuro próximo”, escreveu Trump em uma mensagem publicada em sua rede Truth Social. “Estão sendo feitos acertos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler da Colômbia. A reunião vai acontecer na Casa Branca”.
Petro e Trump tiveram repetidos desencontros sobre temas como narcotráfico, tarifas e imigração. Aliados militares e econômicos históricos, Colômbia e Estados Unidos estão em um dos piores momentos de sua relação bilateral. Desde o fim de setembro, Petro não tem visto americano por ordem de Trump.
Em uma entrevista dada à AFP na quarta, o vice-chanceler colombiano, Mauricio Jaramillo, advertiu que uma escalada das tensões poderia levar a uma “catástrofe” humanitária sem precedentes na América Latina.
Petro também informou durante o seu discurso que falou há dois dias com a presidente interina Delcy Rodríguez, a convidou a visitar a Colômbia e lhe propôs um diálogo “mundial” para “estabilizar” a Venezuela. O dirigente colombiano não reconhece a questionada vitória de Maduro nas eleições de 2024, mas acusa Washington de sequestrá-lo e se posicionou contra a operação militar dos Estados Unidos em Caracas.
Segundo o presidente colombiano, o diálogo foi proposto a Delcy com o objetivo de evitar “violência” na sociedade venezuelana. (Com AFP)







