A decisão aumenta a pressão sobre o regime cubano, que mal consegue suprir metade de suas demandas por energia elétrica.
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A ordem executiva foi apresentada pela Casa Branca como resposta a “uma emergência nacional”, que permite iniciar “um processo para impor tarifas sobre produtos de países que vendam ou forneçam petróleo para Cuba, protegendo assim a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos”.
O texto não especifica quais países ou qual seria a porcentagem dessas tarifas.
“Uma tarifa adicional ad valorem poderá ser imposta sobre as importações de bens que sejam produtos de um país estrangeiro que venda ou forneça, direta ou indiretamente, qualquer tipo de petróleo a Cuba”, afirma o documento divulgado pela Casa Branca.
“O presidente poderá modificar a ordem se Cuba ou os países afetados tomarem medidas significativas para lidar com a ameaça ou se alinharem aos objetivos de segurança nacional e política externa dos EUA”, acrescenta a nota explicativa.
Na noite de quinta-feira, o governo cubano denunciou a ordem executiva republicana como um “ato brutal de agressão”.
“Denunciamos perante o mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos está sujeito ao bloqueio econômico mais longo e cruel já aplicado contra uma nação inteira”, escreveu o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, nas redes sociais.
O ministro acrescentou que o documento apresentado pela Casa Branca foi justificado por “uma longa lista de mentiras que tentam retratar Cuba como uma ameaça que ela não é”.
‘Uma resposta imediata’
Após a operação militar que depôs o presidente venezuelano Nicolás Maduro, Trump alertou que Cuba deveria negociar “antes que seja tarde demais”.
Washington reitera as críticas que vem fazendo a Havana há décadas: “alinhar-se e apoiar inúmeros países, organizações terroristas internacionais e atores hostis aos Estados Unidos”, incluindo Rússia, China, Irã, Hamas e Hezbollah.
Cuba também é acusada na ordem executiva de “desestabilizar a região por meio da imigração e da violência”, enquanto “espalha suas ideias, programas e práticas comunistas”.
Após a captura de Maduro, Trump colocou o setor petrolífero da Venezuela, principal fornecedor de petróleo de Cuba desde os anos 2000, sob controle dos EUA.
A nova ameaça do líder republicano surge em um momento em que a ilha já enfrenta uma situação energética precária.
Cuba, sujeita a um embargo dos EUA desde 1962, sofre com a escassez de combustível há três anos, o que impacta diretamente sua produção de eletricidade.
O México também estava fornecendo petróleo bruto essencial para a ilha, mas recentemente recuou, sob pressão da Casa Branca.
Entre janeiro e setembro do ano passado, a estatal mexicana de petróleo Pemex exportou 17,2 mil barris de petróleo bruto e 2 mil barris de derivados de petróleo por dia para Cuba, totalizando US$ 400 milhões, segundo dados oficiais.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, reiterou na quinta-feira que seu governo continuará solidário a Cuba, em meio a notícias de que a pressão dos EUA está aumentando.
Trump e Sheinbaum conversaram por telefone na quinta-feira e ambos descreveram a conversa como “produtiva”.
Cuba “persegue e tortura opositores políticos, nega a liberdade de expressão e de imprensa e lucra corruptamente com as dificuldades do povo cubano”, afirma o texto divulgado na quinta-feira pela Casa Branca.
“Essas ações constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos, exigindo uma resposta imediata”, acrescentou a Casa Branca.







