A votação fracassada paralisou um pacote de gastos de seis projetos de lei que financiaria mais de três quartos do governo federal, e uma paralisação parcial está prevista para começar após a meia-noite de sábado.
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Esperava-se que os senadores realizassem uma segunda votação sobre a revisão de um pacote de projetos, mas mesmo um resultado positivo ainda exigiria a aprovação pelos deputados na Câmara dos Representantes, que só retorna do recesso na segunda-feira — mais de dois dias após o prazo da noite de sexta-feira.
De acordo com as regras do Congresso, projetos de lei idênticos precisam ser aprovados tanto pela Câmara quanto pelo Senado para se tornarem lei.
Esta será a segunda paralisação do governo desde que Trump assumiu o cargo há um ano, embora houvesse grandes expectativas de que ela pudesse ser limitada ao fim de semana, ao contrário da paralisação recorde de 43 dias do verão passado.
Os democratas deixaram claro que pretendiam bloquear o pacote de seis projetos de lei, a menos que o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) fosse separado e renegociado para impor novas salvaguardas ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), a agência federal de aplicação da lei com maior financiamento.
– O que o ICE está fazendo é violência sancionada pelo Estado e isso precisa parar. E o Congresso tem a autoridade — e a obrigação moral — de agir – disse o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer.
Schumer anunciou posteriormente que a Casa Branca havia concordado com uma estrutura temporária que atendia às demandas dos democratas sobre o projeto de lei do DHS, embora a mídia americana tenha relatado que a votação sobre o acordo havia sido adiada para sexta-feira.
Trump instou legisladores de ambos os partidos a apoiarem o acordo, apelando a um “voto bipartidário ‘SIM’, tão necessário”, numa publicação nas redes sociais em que apoiava a proposta.
Uma paralisação prolongada provavelmente colocaria centenas de milhares de funcionários federais em licença ou os forçaria a trabalhar sem receber, com a perturbação econômica a se espalhar muito além de Washington.
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O confronto foi alimentado pela indignação com a aplicação das leis de imigração, uma disputa com implicações políticas especialmente elevadas num ano de eleições, em que toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado estão em disputa.
Repressão agressiva à imigração
O ponto de ignição imediato ocorreu no sábado, em Minneapolis, onde Alex Pretti, um enfermeiro de cuidados intensivos que monitorizava e registava a operação de deportação de Trump, foi morto a tiro por agentes federais da fronteira.
O assassinato ocorreu apenas algumas semanas depois de outra ativista, Renee Good, ter sido morta a tiro por agentes de imigração a poucos quarteirões de distância.
As mortes destruíram o que parecia ser uma frágil trégua bipartidária de financiamento, redirecionando o debate no Congresso para a conduta dos agentes de imigração que atuam sob a repressão de Trump.
Os democratas afirmam estar preparados para aprovar imediatamente os cinco projetos de lei de gastos restantes, que abrangem diversos departamentos, incluindo defesa, saúde, educação, transporte e serviços financeiros.
Mas eles estão pedindo uma reformulação do projeto de lei do Departamento de Segurança Interna (DHS) para obrigar o fim das patrulhas itinerantes do ICE, requisitos mais rigorosos para mandados judiciais, um código universal de uso da força, a proibição do uso de máscaras por agentes, câmeras corporais obrigatórias e identificação visível.
Nenhum desses requisitos é abordado no acordo da Casa Branca, que, em vez disso, concede aos parlamentares duas semanas para reformular o projeto de lei de financiamento do Departamento de Segurança Interna antes que o próprio departamento enfrente uma paralisação.
Parlamentares de ambos os partidos alertaram que a interrupção do financiamento do DHS pode ter sérias consequências para agências como a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), enquanto o rigoroso inverno atinge grandes áreas do país.







