Guerra no Oriente Médio: Acompanhe a cobertura completa
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Desde o início da guerra, a Rússia tem repassado ao Irã a localização de ativos militares dos EUA, incluindo navios de guerra e aeronaves, segundo o Post, que citou três autoridades, que falaram sob condição de anonimato, familiarizadas com o plano.
— Parece ser um esforço bastante abrangente — afirmou uma das fontes, acrescentado que a própria capacidade das Forças Armadas iranianas de localizar os alvos americanas foi prejudicada em menos de uma semana de combates.
No último domingo, seis soldados americanos foram mortos e vários outros ficaram feridos em um ataque de drones iranianos contra uma base dos EUA no Kuwait. Após os ataques iniciais, o Irã retaliou, disparando milhares de drones e centenas de mísseis contra posições militares americanas, inclusive embaixadas.
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Segundo analistas, o compartilhamento de informações entre Moscou e Teerã justifica o padrão de ataques retaliatórios do Irã contra as forças americanas, incluindo infraestrutura de comando e controle, radares e estruturas temporárias, como aconteceu no Kuwait. A estação da CIA na embaixada dos EUA, em Riad, capital da Arábia Saudita, também foi alvo de ataques nos últimos dias.
— O regime iraniano está sendo completamente esmagado — disse Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca, sem comentar sobre qualquer ajuda russa ao Irã. — Sua capacidade de retaliação com mísseis balísticos está diminuindo a cada dia, sua Marinha está sendo dizimada, sua capacidade produtiva está sendo demolida e seus aliados mal oferecem resistência.
Questionado esta semana sobre sua mensagem para a Rússia e a China, que estão entre os apoiadores mais poderosos do Irã, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que não tinha nenhuma e que “eles não são realmente um fator aqui”.
Ao Post, Nicole Grajewski, que estuda a cooperação do Irã com a Rússia no Centro Belfer da Escola Kennedy de Harvard, afirmou que houve um alto nível de “sofisticação” nos ataques retaliatórios iranianos, tanto em relação aos alvos escolhidos por Teerã quanto à sua capacidade, em alguns casos, de sobrepujar as defesas dos EUA e de seus aliados.
— Eles estão conseguindo ultrapassar as defesas aéreas — disse ela, observando que a qualidade dos ataques do Irã parecia ter melhorado até mesmo em comparação com a guerra de 12 dias com Israel, em junho do ano passado.
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A assistência da Rússia reorganiza a forma como vários países têm se envolvido em guerra desde a invasão russa na Ucrânia em 2022. Ao longo desse conflito, adversários dos EUA, incluindo Irã, China e Coreia do Norte, forneceram à Rússia ajuda militar direta ou apoio material para a vasta indústria de defesa de Moscou.
Os EUA, por sua vez, forneceram à Kiev dezenas de bilhões de dólares em equipamentos militares e compartilharam informações de inteligência sobre as posições russas para aprimorar a capacidade de ataque. Na quinta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, publicou no X que o governo Trump havia solicitado assistência para ajudar na proteção contra drones iranianos e que Kiev forneceria “especialistas” em resposta.
O Irã tem sido um dos principais apoiadores da Rússia durante a guerra na Ucrânia, compartilhando a tecnologia para produzir drones de ataque unidirecionais baratos, que foram repetidamente usados para sobrecarregar as defesas aéreas de Kiev e esgotar os estoques ocidentais de interceptores doados para proteger as cidades ucranianas.
— Os russos estão mais do que cientes da assistência que estamos dando aos ucranianos — disse uma das fontes familiarizadas com o apoio de Moscou a Teerã. — Acho que eles ficaram muito felizes em tentar obter alguma retribuição.
Rússia beneficiada com a guerra
O Kremlin vê possíveis vantagens em uma guerra prolongada entre os EUA e o Irã, incluindo maiores receitas com petróleo e uma crise aguda que distraia a América e a Europa da guerra na Ucrânia.
Embora o petróleo russo esteja sob embargo internacional, Moscou ainda tem compradores, oferecendo a preços reduzidos e uma pronta entrega através de sua frota fantasma, algo crucial no momento em que centenas de petroleiros estão ancorados no Golfo Pérsico.
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— Quanto mais tempo durar a crise no Golfo Pérsico, mais benéfico será para a Rússia e mais fundos seu orçamento receberá para financiar sua agressão contra a Ucrânia — disse Vyacheslav Likhachev, membro do Conselho de Especialistas do Centro para as Liberdades Civis, uma organização ucraniana sem fins lucrativos, à TV France 24.
A caótica expansão da guerra criou outra situação positiva para os russos. Sob ataque de mísseis, foguetes e drones, americanos, israelenses e as monarquias do Oriente Médio estão usando à exaustão seus sistemas de defesa aérea. No Chipre, onde um drone iraniano caiu em uma base britânica, aliados europeus deslocaram forças e sistemas de defesa aérea. Caso o conflito se estenda por mais tempo, os EUA devem mover recursos de outras regiões, como o Leste da Ásia, para o Golfo.
Com isso, os ucranianos se viram em uma situação perigosa. O país depende do sistema Patriot para defender instalações estratégicas, como centrais elétricas, contra os ataques russos. Segundo cálculos de Kiev, são necessários 60 mísseis por mês, mas os parceiros europeus se comprometeram com apenas cinco, isso antes da guerra no Irã. Ao mesmo tempo, a Rússia produz novos mísseis e centenas de drones graças à adequação de seu parque industrial à economia de guerra.
— A Ucrânia nunca teve tantos mísseis para repelir ataques. Mais de 800 foram usados somente nos últimos três dias — lamentou Zelensky durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, em Kiev.
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Mas o líder ucraniano tem um novo plano. Desde o fim de semana, ele conversa com líderes do Golfo para oferecer o conhecimento ucraniano para interceptar drones de tecnologia iraniana, os mesmos usados pela Rússia desde 2022, em troca de mísseis do sistema Patriot do modelo PAC-3. Ele afirmou que os EUA já pediram ajuda a Kiev.
— A questão principal é como proteger o espaço aéreo deles (países do Golfo). Nós mesmos convivemos com essa questão. Então vamos falar sobre as armas que nos faltam: mísseis do sistema PAC-3, se eles nos fornecerem, nós forneceremos interceptores — disse na terça. — Essa é uma troca justa. Certamente faremos isso. E se as equipes começarem a trabalhar agora, veremos qual será o resultado.









