Desde sábado, estudantes iniciaram uma nova onda de manifestações contra o regime do líder supremo Ali Khamenei em universidades no Irã, mais de 40 dias após a violenta repressão que marcou os protestos de janeiro no país. Vídeos verificados por veículos internacionais mostram atos em ao menos 13 instituições, incluindo os campi em Teerã e Mashhad. O governo iraniano respondeu rapidamente, mobilizando um forte aparato de segurança e presença armada nos arredores das universidades.
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Segundo o jornal britânico The Guardian, policiais à paisana e integrantes da milícia Basij, ligada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), ocuparam universidades ainda abertas. Em alguns campi, confrontos físicos foram registrados. Imagens mostram brigas entre estudantes e membros da milícia na Iran University of Science and Technology, enquanto caminhonetes com metralhadoras foram fotografadas do lado de fora da Universidade de Teerã.
De acordo com a BBC, estudantes entoaram palavras de ordem contra a Basij no pátio principal da Sajjad University of Technology, em Mashhad, a segunda maior cidade do país. Também houve manifestações no Shandiz Institute of Higher Education e na Khajeh Nasir University, na capital. Em frente à Escola de Engenharia Mecânica, manifestantes pró e contra o governo se enfrentaram verbalmente.
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Os estudantes contrários ao regime gritaram slogans como “Morte a Khamenei” e “Vida longa ao xá”, além de exibirem a antiga bandeira nacional, substituída após a Revolução de 1979. Em vídeos gravados na Universidade de Arte de Teerã, ouvem-se frases como “Lutamos, morremos, retomamos o Irã” e “Presos políticos devem ser libertados”.
Por outro lado, na Shahid Beheshti University, também em Teerã, um grande grupo de contra-manifestantes marchou pelo campus com bandeiras da República Islâmica e gritos de “Deus é grande”, segundo o The Wall Street Journal.
Muitos dos apoiadores do regime parecem ser estudantes ligados à Basij, milícia voluntária que teve papel central na repressão à onda anterior de protestos. Em alguns campi, integrantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel, acusando ambos os países de fomentar a instabilidade.
Universidades sob vigilância
Administradores anunciaram a suspensão de aulas presenciais em diversas instituições. Estudantes identificados como participantes de protestos anteriores também foram impedidos de entrar nos campi. Atualmente, quase 80% das universidades iranianas operam em regime virtual, medida vista por analistas como forma de evitar novas concentrações.
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O ministro da Ciência, Hossein Simaei-Sarraf, afirmou em vídeo divulgado pela mídia estatal iraniana que não tolerará “distúrbios” nas universidades. Já o procurador-geral Mohammad Mohebi Azad exigiu punições rápidas contra os envolvidos.
— Sempre que o sistema esteve no caminho das negociações, certos grupos, sob orientação do inimigo, tentaram inflamar o ambiente interno — declarou.
As manifestações foram retomadas com a reabertura do semestre letivo, após atos organizados em memória de estudantes mortos na repressão de janeiro. A onda anterior de protestos, que começou no fim do ano passado em meio ao colapso econômico e se espalhou pelo país, representou o maior desafio aos líderes clericais do Irã em décadas.
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No início de janeiro, o regime cortou o acesso à internet e promoveu uma repressão violenta para conter os atos. Segundo a organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, 7.070 pessoas tiveram as mortes confirmadas nos protestos anteriores, de acordo com relatório intitulado “Red Winter”. O governo iraniano reconhece 3.117 mortos.
Pressão externa e risco de escalada
A nova onda de agitação ocorre em um momento delicado. Na quinta-feira, está prevista em Genebra a terceira rodada de negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano entre o chanceler Abbas Araghchi e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, com mediação de Omã.
Enquanto isso, o presidente americano Donald Trump intensificou a presença militar na região, posicionando navios de guerra e aeronaves após ameaçar “punir” o regime caso não haja acordo. Trump afirmou que, se Teerã não firmar um entendimento, será “um dia muito ruim para aquele país e, infelizmente, para seu povo”.
Após repressão violenta em janeiro: Governo do Irã adverte estudantes a não ultrapassarem ‘limites’ nos protestos em meio à tensão com os EUA
Analistas avaliam que o discurso de Khamenei também endureceu. Segundo Ali Hashem, pesquisador do Center for Islamic and West Asian Studies, da Royal Holloway, University of London, o líder supremo passou a adotar uma retórica inspirada em Karbala, símbolo central da tradição xiita que exalta o martírio diante da injustiça.
Por ora, os protestos permanecem restritos ao ambiente universitário e ainda não ganharam tração ampla nas ruas. Mas sua persistência, mesmo após a repressão que matou milhares de pessoas há poucas semanas, evidencia que o regime enfrenta um novo desafio, agora sob o olhar atento da comunidade internacional e em meio ao risco de uma crise externa.
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De acordo com a BBC, estudantes entoaram palavras de ordem contra a Basij no pátio principal da Sajjad University of Technology, em Mashhad, a segunda maior cidade do país. Também houve manifestações no Shandiz Institute of Higher Education e na Khajeh Nasir University, na capital. Em frente à Escola de Engenharia Mecânica, manifestantes pró e contra o governo se enfrentaram verbalmente.
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O ministro da Ciência, Hossein Simaei-Sarraf, afirmou em vídeo divulgado pela mídia estatal iraniana que não tolerará “distúrbios” nas universidades. Já o procurador-geral Mohammad Mohebi Azad exigiu punições rápidas contra os envolvidos.
— Sempre que o sistema esteve no caminho das negociações, certos grupos, sob orientação do inimigo, tentaram inflamar o ambiente interno — declarou.
As manifestações foram retomadas com a reabertura do semestre letivo, após atos organizados em memória de estudantes mortos na repressão de janeiro. A onda anterior de protestos, que começou no fim do ano passado em meio ao colapso econômico e se espalhou pelo país, representou o maior desafio aos líderes clericais do Irã em décadas.
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Enquanto isso, o presidente americano Donald Trump intensificou a presença militar na região, posicionando navios de guerra e aeronaves após ameaçar “punir” o regime caso não haja acordo. Trump afirmou que, se Teerã não firmar um entendimento, será “um dia muito ruim para aquele país e, infelizmente, para seu povo”.
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Analistas avaliam que o discurso de Khamenei também endureceu. Segundo Ali Hashem, pesquisador do Center for Islamic and West Asian Studies, da Royal Holloway, University of London, o líder supremo passou a adotar uma retórica inspirada em Karbala, símbolo central da tradição xiita que exalta o martírio diante da injustiça.
Por ora, os protestos permanecem restritos ao ambiente universitário e ainda não ganharam tração ampla nas ruas. Mas sua persistência, mesmo após a repressão que matou milhares de pessoas há poucas semanas, evidencia que o regime enfrenta um novo desafio, agora sob o olhar atento da comunidade internacional e em meio ao risco de uma crise externa.










