Contexto: Com captura de Maduro, EUA alertam mundo que imposição pela força é opção legítima e alvos não param na Venezuela
Entenda: Após ataques à Venezuela, Trump ameaça realizar operação militar na Colômbia
“Jurei não voltar a tocar em uma arma… mas, pela pátria, voltarei a pegar em armas”, escreveu Petro em uma publicação no X. Ex-guerrilheiro do grupo M-19, o presidente colombiano tem sido alvo frequente de ataques verbais de Trump, que voltou a acusá-lo, sem apresentar provas, de envolvimento com o narcotráfico.
No domingo à noite, falando a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, Trump descreveu a Colômbia como “governada por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. Questionado se os EUA poderiam realizar uma operação militar no país, nos moldes da ação na Venezuela, respondeu: “Soa bem para mim”.
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As declarações se somam a outras feitas nos últimos dias. No sábado, poucas horas após a captura de Maduro, Trump afirmou que Petro “está produzindo cocaína e enviando para os Estados Unidos” e disse que o colombiano “deveria cuidar do próprio traseiro”. Em dezembro, o presidente americano já havia dito que Petro deveria “andar com cuidado” por supostamente manter “fábricas de cocaína”.
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A retórica ocorre em meio ao endurecimento da política externa americana. Após a operação na Venezuela, Trump voltou a defender que os EUA assumam o controle da Groenlândia, ameaçou a Colômbia com ações militares e, por meio do secretário de Estado, Marco Rubio, advertiu o governo de Cuba de que estaria “em sérios apuros”. Em sua Estratégia de Segurança Nacional, publicada no mês passado, o governo Trump definiu como objetivo central a restauração da “preeminência americana no Hemisfério Ocidental”.
Na Colômbia, Petro tem reagido às ameaças com críticas duras à operação americana na Venezuela. Em outra publicação no X, afirmou que a captura de Maduro, sem base legal internacional, configura um sequestro. “O que Donald Trump fez é aberrante. Destruíram o Estado de Direito em nível mundial”, escreveu. O presidente colombiano também ordenou que qualquer comandante das forças de segurança que “prefira a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia” seja imediatamente afastado do cargo e disse ter convocado a população a defender o governo contra “qualquer ato violento ilegítimo”.
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Petro também voltou a negar as acusações de envolvimento com o narcotráfico. “Meu nome não aparece, em 50 anos, em nenhum arquivo judicial sobre narcotráfico, nem do passado nem do presente”, escreveu, pedindo que Trump “pare de caluniá-lo”. Segundo o presidente colombiano, as ameaças seriam uma retaliação a uma manifestação que ele liderou em Nova York, em setembro do ano passado, na qual criticou o apoio americano à ofensiva de Israel em Gaza. Após o protesto, os Estados Unidos revogaram seu visto diplomático.
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A relação entre Petro e Trump, porém, é tensa desde o início de 2025, quando o governo colombiano devolveu um avião com migrantes deportados algemados, levando Washington a ameaçar o país com tarifas comerciais. Embora canais diplomáticos e militares tenham sido mantidos desde então, o governo americano ampliou a pressão direta sobre o presidente colombiano. Em outubro, o Departamento do Tesouro incluiu Petro em uma lista que o associa ao narcotráfico, sem provas.
Durante o governo Petro, levantamentos indicam aumento no número de cultivos de coca na Colômbia — dados que o presidente contesta. Analistas associam o fenômeno sobretudo ao enfraquecimento da política de paz e ao fortalecimento de grupos armados envolvidos no tráfico, e não a uma ligação direta do presidente com o narcotráfico. A Casa Branca, no entanto, tem adotado um discurso cada vez mais agressivo em relação ao governo colombiano. (Com AFP)









