Entenda o caso: Rafah reabre parcialmente enquanto 20 mil palestinos esperam retirada médica de Gaza em crise humanitária
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O primeiro dia da reativação da passagem ficou aquém do número estimado de 50 pessoas cruzando a fronteira em cada sentido. O Ministério do Interior de Gaza, citado pelo New York Times, afirmou que apenas oito palestinos, incluindo pessoas necessitando atendimento médico e seus acompanhantes, saíram por Rafah. Uma fonte que trabalha na fronteira informou à agência AFP que 12 pessoas teriam passado em direção ao Egito. Um funcionário do Ministério da Saúde do país africano detalhou que três ambulâncias transportaram pacientes palestinos, e que eles “foram imediatamente examinados para determinar para qual hospital seriam transferidos”.
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Fontes oficiais na fronteira egípcia afirmaram que estão autorizadas a permitir a passagem de 50 pacientes por dia, acompanhados por um máximo de dois acompanhantes cada. Cerca de 20 mil pacientes, incluindo 4,5 mil crianças, têm necessidade urgente de atendimento médico em Gaza, segundo o diretor do Hospital al-Shifa, Mohammed Abu Salmiya, principal unidade de saúde do território palestino.
O palestino Mohammed Mahdi, de 25 anos, acompanhou o pai, Akram Mahdi, de 61 anos, na segunda-feira, demonstrou otimismo. Akram foi ferido em abril de 2024 por estilhaços de um ataque israelense a um campo de refugiados, perdendo a vista do olho direito e ferindo o esquerdo. Os médicos em Gaza pouco puderam fazer além de estabilizá-lo.
— Finalmente podemos receber tratamento avançado no exterior — disse Mohammed, antes de embarcar.
Ambulâncias aguardam em fila no lado egípcio da passagem de fronteira de Rafah com a Faixa de Gaza
AFP
Do lado egípcio da fronteira, 150 hospitais e 300 ambulâncias foram incluídas na operação para receber os palestinos, além de 12 mil médicos e 30 equipes de emergência, segundo informações do AlQahera News, meio de comunicação estatal. Uma das preocupações do Cairo, que recebeu cerca de 80 mil palestinos desde o começo da guerra entre Israel e Hamas, em 2023, seria o de garantir que o fluxo de entradas e saídas fosse similar, disseram fontes ouvidas sob a condição de anonimato. Ao menos no primeiro dia isso se confirmou, com 12 pessoas retornando a Gaza.
O pequeno grupo se reencontrou com suas famílias após quase dois anos do fechamento da fronteira, em uma jornada de volta que também carregou um peso simbólico. Retornar a um território ainda sem sinal de cessar-fogo definitivo, em escombros e que a organizações internacionais afirmam ainda ser uma situação de crise humanitária grave, segundo alguns deles, expõe uma rejeição a qualquer ideia de expulsão permanente do território — algo que foi defendido por radicais em Israel e pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
— Não à expulsão — disse Huda Abu Abed, de 56 anos, que retornou após a conclusão de tratamento médico. — Ninguém quer deixar o próprio país.
Palestinos retornam do Egito e desembarcam em Khan Younis, na Faixa de Gaza
Bashar Taleb/AFP
‘Nova Rafah’
Em meio à retomada da atividade do posto de fronteira, e da pressão de agências da ONU e ONGs com atuação em Gaza para que seja permitida a entrada de carregamentos com ajuda humanitária, novos planos para Rafah parecem estar em curso. Fontes ouvidas pelo jornal israelense Haaretz afirmaram que o governo do Estado judeu concordou com o plano de reconstrução da “Nova Rafah” — área sob controle militar israelense — depois que receber um compromisso para desarmamento do Hamas em 100 dias.
A decisão, segundo as fontes israelenses, foi tomada após um pedido dos EUA para que houvesse uma separação do que seria a “Velha Gaza” — ainda sob controle total do Hamas — e a área que vai ficar sob responsabilidade do comitê de tecnocratas já designado. A reconstrução da “Velha Gaza”, por outro lado, ficaria condicionada à conclusão do desarmamento total do grupo palestino.
Além do compromisso do Hamas com o desarmamento, outros pontos ainda estariam em aberto para o início da reconstrução, incluindo o financiamento por parte de países colaboradores do processo de paz e a formalização da Força Internacional de Estabilização. Apesar disso, o Exército israelense vem atuando como parte dos preparativos para a mudança no terreno, removendo há muito tempo entulhos de construção e munições não-detonadas. (Com AFP e NYT)








