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Dois dias depois da maratona diplomática entre EUA e Irã, que terminou sem um acordo preliminar no Paquistão, o presidente americano, Donald Trump, disse que uma nova rodada de negociações pode acontecer “nos próximos dois dias” no país asiático, sem dar detalhes. Ao jornal New York Post, ele relatou não ter ficado satisfeito com a discussão sobre uma moratória de 20 anos às atividades nucleares iranianas, relatada por diplomatas que estiveram nas conversas.
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Segundo o Post, em um primeiro telefonema, Trump disse que as discussões entre os dois lados “estão acontecendo”, e que uma nova reunião poderia acontecer em breve, possivelmente na Europa. Em novo telefonema, conta o jornal, o presidente disse que os repórteres deveriam permanecer no Paquistão “porque algo pode acontecer nos próximos dois dias, e estamos mais inclinados a ir para lá”, antes de fazer elogios ao marechal Asif Munir, de quem se aproximou no ano passado.
O Departamento de Estado não se pronunciou, assim como o governo do Irã.
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Na semana passada, a menos de duas horas antes do fim de um prazo dado por Trump para que o Estreito de Ormuz fosse aberto— que contou com ameaças existenciais à civilização iraniana —, o americano anunciou uma trégua de duas semanas e uma reunião bilateral com o Irã, no fim de semana, no Paquistão.
Os dois lados enviaram representantes de alto escalão, como o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher-Ghalibaf, mas havia pouca expectativa de um acordo nesta etapa das conversas. Após 21 horas de reuniões, os americanos deixaram Islamabad sem um acerto, e Trump anunciou que iria impor seu próprio bloqueio ao Estreito de Ormuz (já fechado pelos iranianos) e aos portos do Irã.
Nos bastidores, diplomatas dizem que dois pontos travaram as negociações. O primeiro era a demanda iraniana para ter algum tipo de controle sobre Ormuz — um projeto no Parlamento estabelece a cobrança de um pedágio na passagem, por onde trafegavam, antes da guerra, 20% das exportações globais de petróleo e gás, e alguns navios chegaram a pagar US$ 2 milhões de taxa. A ideia esbarra na lei internacional e na pouca disposição dos países para desembolsar a quantia.
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O segundo, e mais importante, era sobre o programa nuclear iraniano. EUA e Israel acusam o país de buscar uma arma atômica, e de acelerar suas atividades de enriquecimento de urânio para obter material suficiente para tal. Teerã nega, e garante que tem apenas objetivos civis e pacíficos. Um dos objetivos anunciados pelos americanos para a guerra era impedir que o Irã obtenha uma bomba.
De acordo com a imprensa americana, citando fontes que acompanharam as conversas, os EUA sugeriram uma pausa de 20 anos no enriquecimento de urânio pelo Irã, além do envio de todo material enriquecido (cerca de 440 kg) para outros países, como a Rússia. A demanda soa grandiosa, mas analistas veem como uma pequena concessão de Washington, que até agora exigia publicamente o fim de todas atividades nucleares. Os iranianos fizeram uma contraproposta: a suspensãio por cinco anos do enriquecimento e a diluição do material enriquecido (sem enviá-lo ao exterior). Washington rejeitou.
Ao Post, Trump disse que “não gosta da ideia [da moratória] de 20 anos”, e que “não quer que eles [o Irã] sintam que saíram vitoriosos”. Contudo, negociadores acreditam que o processo de negociação deve permitir que os dois lados tenham algo para oferecer a seus públicos internos, sem que um dos lados saia como totalmente derrotado.
A Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, aprovou em primeira votação um projeto patrocinado pelo Kremlin que prevê o uso das Forças Armadas para proteger cidadãos russos presos e processados no exterior. Para juristas, além de limitar ações judiciais, inclusive por tribunais internacionais, o texto tenta criar um arcabouço legal para blindar os navios da chamada “frota fantasma”, crucial para a venda de petróleo e gás, da aplicação de sanções.
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Segundo o projeto, apresentado em março pelo Ministério da Defesa, o presidente (Vladimir Putin) poderá determinar a adoção de medidas para proteger russos presos ou processados por tribunais de outros países ou cortes internacionais que não contem com a participação da Rússia. Entre as ações cabíveis, o projeto prevê o uso das Forças Armadas.
— Estamos falando de órgãos judiciais que receberam poderes de Justiça Criminal de outros Estados sem a participação da Rússia, ou cuja jurisdição não se baseia em tratados internacionais com participação da Rússia ou em resoluções do Conselho de Segurança da ONU — explicou Vladimir Gruzdev, presidente do conselho da Associação de Advogados da Rússia, ao jornal russo Kommersant.
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Citado pela agência RIA, o presidente da Duma, Vyacheslav Volodin, acusou a “Justiça ocidental” de se tornar um “um instrumento de repressão contra aqueles considerados indesejáveis”, de “interferir nos assuntos de outros Estados” e de perseguir ilegalmente seus cidadãos. O projeto é similar a uma lei aprovada em 2002 pelo Congresso dos EUA, a Lei de Proteção dos Militares Americanos, apelidada de “Lei de Invasão de Haia”.
A Rússia não reconhece alguns dos principais tribunais, como o Tribunal Penal Internacional (TPI) ou a Corte Internacional de Justiça (CIJ), onde estão sendo analisadas denúncias relacionadas à guerra na Ucrânia. Em 2023, o TPI emitiu um mandado internacional de prisão contra Putin e contra a comissária dos Direitos da Criança, Maria Lvova-Belova, em um caso relacionado à transferência ilegal de centrenas de menores ucranianos para a Rússia, ato considerado crime de guerra. Apesar de não reconhecer a jurisdição do tribunal, a decisãoirestringiu severamente as viagens de Putin, e o afastou de visitas oficiais e de cúpulas de organizações como o G20 e o Brics.
Juristas russos apontam que Putin já tem poder de usar a força para proteger russos no exterior, e empregou esse argumento em um passado recente, como na invasão e anexação da Crimeia, em 2014, e nos primeiros momentos da atual guerra na Ucrânia, quando listou a suposta política russofóbica de Kiev entre as justificativas para o conflito.
Ao Kommersant, o advogado Ilya Rachkov nota que o projeto não estabelece como o Ministério da Defesa poderia usar tropas para resgatar seus cidadãos de centros de detenções ou tribunais. Em seu canal no Telegram, a jornalista Farida Rustamova acredita que o objetivo do Kremlin seja intimidar países ”hostis”, como as nações no Báltico, que analistas veem como os próximos alvos de Putin (apesar de integrarem a Otan).
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Mas o texto não é apenas sobre pessoas. De acordo com os juristas, ele pode legitimar ações para proteger os navios da chamada “frota fantasma” da Rússia, formada por centenas de embarcações usadas para burlar as sanções internacionais e levar o petróleo russo e outros produtos alvos de restrições a seus compradores.
— Imaginemos que guardas de fronteira estrangeiros abordem esses navios e prendam as embarcações e suas tripulações. Nesse caso, nossas Forças Armadas provavelmente teriam o direito de impedir tais tentativas se recebessem uma ordem correspondente do presidente — explicou Rachkov.
Apesar de, em tese, fornecer um arcabouço legal para a proteção dos navios, o projeto não traz soluções para alguns problemas do plano. A começar pela incapacidade da Marinha russa em fornecer escolta a todas as embarcações comerciais. Ulyan Baizert, ex-oficial da Marinha russa, disse ao Kommersant que hoje não há navios suficientes. Ele destaca que a maior parte das embarcações usadas na “frota fantasma” é registrada em outros países, como Libéria e Panamá, criando um novo conflito legal, desta vez interno.
O texto será submetido em outras duas votações antes de seguir para o Conselho da Federação, a Câmara Alta do Parlamento.

O deputado federal José Guimarães (PT-CE) tomou posse, na tarde desta terça-feira (14), como ministro da Secretaria de Relações Institucionais. Guimarães ocupava o posto de líder do governo na Câmara dos Deputados e agora assume o cargo no lugar de Gleisi Hoffmann, que deve disputar uma vaga no Senado pelo estado do Paraná.

Em seu discurso, Guimarães se dirigiu aos presidentes do Senado e da Câmara, presentes no evento, no Palácio do Planalto. “Davi Alcolumbre e Hugo Motta, vocês podem nos ajudar muito a construir as bases para nós derrotarmos a ultradireita, o fascismo e construirmos cada vez mais a democracia no Brasil”.

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Elogiado tanto por Motta quanto por Alcolumbre pela sua habilidade política, Guimarães destacou a importância do diálogo e o papel do Congresso Nacional nas conquistas do governo.

“Não tem governo que dê certo que não tenha diálogo com o Congresso Nacional, porque o Congresso faz parte da construção da democracia. Você não constrói a democracia se não tiver diálogo com todos, sem deixar de reconhecer a pluralidade que é o Parlamento”.

Como chefe da pasta das Relações Institucionais, caberá a ele comandar a articulação política do governo, sobretudo com a Câmara e Senado, mas também com estados e municípios e com a sociedade civil.

Entre os principais desafios de Guimarães para os próximos meses estão o avanço na pauta do fim da escala 6×1 de trabalho e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Além disso, trabalhar na articulação política para garantir a aprovação, no Senado, do nome de Jorge Messias, indicado por Lula para ocupar uma vaga como ministro do Supremo Tribunal Federal.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, destacou a boa relação que Guimarães nutre no Congresso. Ele classificou o colega como “um cidadão que sempre se portou com máxima correção ao projeto político que defende” e afirmou que Guimarães tem uma “ótima relação” até mesmo com parlamentares de oposição.

Lula deu posse a Guimarães, mas não discursou no evento.

Guimarães é advogado, deputado federal pelo Ceará desde 2007 e atual vice-presidente do Partido dos Trabalhadores. Na liderança do governo na Câmara, assume o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

Em cerca de 220 páginas, o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado (CPI) no Senado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), conecta o crime organizado em facções e milícias com operações do mercado financeiro realizadas para lavagem de dinheiro. 

“Os grupos criminosos, além de criptoativos e outros ativos – virtuais ou não –, têm igualmente se valido do sistema financeiro formal para ocultar ou dissimular a natureza ilícita dos bens originários”, escreveu o relator.

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“O caso Master evidenciou de forma incontornável que o crime organizado brasileiro atingiu um patamar de sofisticação em que facções criminosas de base territorial, como o PCC, operam em simbiose com operadores do mercado financeiro formal, valendo-se de fundos de investimento, gestoras de ativos e instituições bancárias para lavar bilhões de reais, corromper agentes públicos e capturar parcelas do aparato estatal e regulatório”, explicou.

O relator acrescentou que a CPI constatou que a lavagem de dinheiro permanece como o mecanismo central de sustentação do crime organizado, que utiliza mercados lícitos para reciclar o dinheiro do tráfico de drogas e armas.

“A infiltração em setores como tabaco, ouro, combustíveis, mercado imobiliário e bebidas, aliada ao uso sofisticado de fintechs, criptomoedas e fundos de investimento, demonstra que a criminalidade organizada opera com grau de sofisticação empresarial que exige resposta igualmente qualificada do Estado”, pontuou Alessandro Vieira.

O relatório apresentado ainda precisa de aprovação da CPI do Crime Organizado, que ainda pode pedir vistas do texto, em sessão marcada para a tarde desta terça-feira (14).

Áreas dominadas pelas facções

Diante da relação do crime organizado com o sistema financeiro, o relator da CPI Alessandro Vieira defende que o enfrentamento à criminalidade não pode se limitar ao combate ostensivo de facções em territórios dominados.

“É igualmente necessário atuar sobre as cadeias econômicas que financiam essas estruturas, com especial atenção para mercados de consumo massivo, rotas logísticas já consolidadas e setores em que a aparência de legalidade”, disse.

O relator da CPI acrescenta que, sem esse olhar econômico e patrimonial, a repressão tende a incidir apenas “sobre manifestações visíveis da criminalidade, preservando-se, entretanto, os mecanismos que garantem sua reprodução financeira e institucional”.

A CPI do Crime no Senado foi instalada após operação policial no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 122 pessoas, a maior letalidade de uma operação na história do país.

Controle de armas

O relator Alessandro Vieira ainda destacou a importância de aumentar a fiscalização das armas e munições no Brasil. Segundo ele, alterações legislativas e falhas de fiscalização, “criam ambiente propício a desvios e usos indevidos de armas e munições. Esse ponto interessa diretamente ao crime organizado”.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, foram editados decretos e regulamentos que flexibilizaram a posse de armas de fogo, em consequência da plataforma do governo anterior que defendia a flexibilização das regras para venda e posse de armas no Brasil. 

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Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou decretos para restringir o acesso a armas no país, revertendo a flexibilização no monitoramento e acesso a armas que havia sido promovida durante o governo anterior. 

Redes Sociais e crianças

Um dos focos da CPI do Crime Organizado no Senado foi investigar o papel das plataformas digitais para a criminalidade organizada e os ganhos econômicos das big techs por meio da prática de crimes pela internet. 

No relatório final, o senador Alessandro Vieira aponta que o ambiente digital é elemento estruturante no aliciamento e exploração de crianças e adolescente.  

“Evidências mostram que plataformas amplamente utilizadas, como Facebook e Instagram, são centrais no aliciamento, enquanto sistemas de recomendação podem conectar usuários a redes ilícitas, inclusive de abuso sexual infantil”, escreveu.

O relatório aponta que esse quadro é agravado pela atuação “predominantemente passiva das plataformas”, a partir de denúncias realizadas por usuários.

“Esse modelo, no entanto, revela limitações evidentes quando se considera que o ambiente é amplamente frequentado por crianças e adolescentes, que não dispõem de plena capacidade de identificar, compreender e reagir adequadamente a situações de violência e exploração”, completou Vieira.

A SaferNet Brasil registrou, entre janeiro e julho de 2025, 49.336 denúncias de abuso e exploração sexual infantil online, aumento de 18,9%, correspondendo a 64% das denúncias de crimes cibernéticos.

Déficit do sistema prisional e das forças de segurança

O “alarmante” déficit de vagas no sistema prisional brasileiro, que ultrapassa as 202 mil, é apontado no relatório como grave porque os presídios seriam a principal plataforma das facções no Brasil.  

“[Essa situação] permitiu que os presídios se tornassem o berço e o centro de comando das organizações criminosas no país”, escreveu o relator. O Brasil possui a terceira maior população prisional do mundo, com 701 mil pessoas presas.  

Para suprir esse déficit, o relator calculou que seriam necessários aportes de RS 14 bilhões para construção de novas vagas.

Vieira ainda destaca o efetivo “diminuto” das forças de segurança em função das dimensões continentes do país, com a Polícia Federal operando com 40% de déficit no quadro funcional.

“A descapitalização dos órgãos de controle e inteligência representa, paradoxalmente, um dos maiores estímulos à expansão do crime organizado, pois reduz a capacidade do Estado de detectar, investigar e reprimir atividades ilícitas”, completou.

Indiciamentos e Intervenção do RJ

O relator da CPI do Crime Organizado no Senado Alessandro Vieira ainda pediu, no mesmo relatório, os indiciamentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. 

A base para os indiciamentos dessas autoridades é o caso do Banco Master. Vieira aponta que há indícios do cometimento de crimes de responsabilidades de “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa”; e de “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

Além disso, o relatório recomenda que o presidente da República decrete uma intervenção federal no estado do Rio de Janeiro (RJ) como medida “indispensável” diante da infiltração do crime no Poder Público local, o que comprometeria a capacidade do estado “de conduzir, com autonomia e idoneidade, as ações de enfrentamento necessárias”. 

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou, em entrevista, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, antiga aliada, ao questionar sua disposição em apoiar a guerra contra o Irã. “Fiquei surpreso. Achei que ela tinha coragem, mas me enganei”, disse ele ao jornal italiano Corriere della Sera.
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A líder da extrema direita, que governa a Itália desde outubro de 2022, foi uma das aliadas mais próximas de Trump na Europa e frequentemente tenta atuar como mediadora entre posições divergentes dos Estados Unidos e do continente europeu.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni
Bloomberg
Trump afirmou que Meloni não quer que a Itália se envolva diretamente na guerra contra o Irã, iniciada após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica — mesmo com o país europeu dependendo, em grande parte, do petróleo da região.
A entrevista foi publicada menos de um dia depois de Meloni classificar como “inaceitáveis” as críticas de Trump ao papa Leão XIV, após os reiterados apelos do pontífice pelo fim da guerra no Oriente Médio.
Presidente Donald Trump e Papa Leão XIV
Alex Brandon e Filippo Monteforte/AFP
O presidente americano declarou ao Corriere que é Meloni que é “inaceitável”, alegando que ela não se preocupa com a possibilidade de o Irã desenvolver uma arma nuclear.
O Irã está considerando uma pausa de curto prazo nos envios pelo Estreito de Ormuz para evitar testar um bloqueio dos Estados Unidos e comprometer uma nova rodada de negociações de paz, segundo relato de uma pessoa familiarizada com as deliberações de Teerã à Bloomberg. A possível pausa reflete o desejo de evitar uma escalada imediata em um momento diplomático sensível, enquanto Washington e Teerã acertam a logística para outra reunião presencial, disse a fonte, pedindo para não ser identificada porque as discussões são privadas.
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— Se o Irã de fato pausar os envios, seria um sinal de que seu governo também busca desescalar e evitar a retomada da guerra aberta — afirmou Rachel Ziemba, pesquisadora sênior do Center for a New American Security. — Pausar o transporte acrescentaria interrupções temporárias ao mercado de petróleo, embora os mercados globais provavelmente se concentrassem na possibilidade de acordo, e não na interrupção de curto prazo.
A embaixada iraniana no Reino Unido e o Ministério das Relações Exteriores em Teerã não responderam aos pedidos de comentário.
Os Estados Unidos e o Irã avaliam novas negociações para estender um cessar-fogo, informou a Bloomberg na segunda-feira, enquanto o presidente Donald Trump avança com um bloqueio naval para restringir as exportações de petróleo da República Islâmica. O objetivo é realizar novas conversas antes que a trégua expire na próxima semana.
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Conter a atividade marítima por vários dias é visto como uma possível medida pragmática para evitar um incidente que possa minar os esforços frágeis para retomar as discussões, disseram pessoas familiarizadas com o assunto. Os cálculos do Irã permanecem em aberto, afirmaram. A Guarda Revolucionária Islâmica poderia mudar rapidamente de curso, por exemplo, tentando demonstrar que o bloqueio dos EUA pode ser desafiado sem consequências — um movimento que correria o risco de enfraquecer a via diplomática.
Operadores de petróleo estão atentos a qualquer trânsito pelo crucial Estreito de Ormuz, com Teerã bloqueando quase todos os navios não iranianos e os EUA agora conduzindo seu próprio bloqueio. Os contratos futuros do petróleo caíram com a notícia, com o Brent recuando cerca de US$ 1,20 por barril, para ser negociado em torno de US$ 98.
Uma pausa nos envios ressaltaria a corda bamba que o Irã percorre ao tentar demonstrar firmeza sem provocar uma confrontação que possa fechar uma abertura diplomática.
— Não acho que seja uma grande concessão do lado iraniano, mas poderia servir como uma medida de construção de confiança antes da próxima rodada de negociações — disse Aniseh Bassiri Tabrizi, analista sênior da Control Risks, baseada em Abu Dhabi. — Nesse sentido, provavelmente há mais a ganhar do que a perder para Teerã se eles apenas interromperem os envios por alguns dias.

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), recomenda que o presidente da República decrete intervenção federal no estado do Rio de Janeiro (RJ).

“A crise fluminense transcende os limites de um problema ordinário de segurança pública: trata-se de uma situação de comprometimento estrutural da soberania estatal sobre parcelas significativas de seu território, agravada pela infiltração sistêmica do crime organizado nas instituições públicas estaduais”, afirmou o senador.

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Vieira argumenta que a medida é indispensável diante da infiltração do crime no Poder Público local, o que comprometeria a capacidade do estado “de conduzir, com autonomia e idoneidade, as ações de enfrentamento necessárias”.

O relatório de Alessandro Vieira ainda precisa de aprovação na CPI do Crime Organizado, que pode pedir vistas do texto em sessão marcada para esta terça-feira (14) à tarde.

A Agência Brasil pediu manifestação do governo do Estado do Rio de Janeiro sobre o tema, e ainda aguarda um retorno.

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Segurança Pública

A intervenção federal no Rio se limitaria ao setor da segurança pública e tem caráter de recomendação, uma vez que ela só pode ser feita por decisão da Presidência da República e posterior aprovação do Congresso Nacional.

O relator destaca que o RJ é o único estado que concentra três importantes facções originadas do sistema prisional, como o Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro, e as milícias armadas de origem paraestatal, que passaram a explorar também o tráfico de drogas.

“Trata-se de milhões de brasileiros que vivem sob o jugo de organizações criminosas armadas, sem que o Estado consiga lhes assegurar os direitos mais elementares: vida, propriedade, liberdade de ir e vir, acesso a serviços públicos e participação no processo democrático”, justificou.

Para Vieira, a dupla dimensão criminal — de facções e milícias — gera dinâmicas próprias. “A complexidade dessa configuração criminal não encontra paralelo no restante do país e exige, por si só, uma resposta estatal de magnitude correspondente”.

O senador acrescenta que a gravidade desse quadro preenche os requisitos para uma intervenção federal no estado do Rio e criticou a intervenção federal decretada no governo de Michel Temer, em fevereiro de 2018.

“Os resultados foram limitados, sobretudo, porque a intervenção não foi acompanhada de ações integradas em outras áreas, como políticas sociais, urbanização e enfrentamento à lavagem de dinheiro, e porque seu prazo excessivamente curto impediu a consolidação das ações”, avaliou.

Indiciamentos

O relator da CPI do Crime Organizado no Senado ainda pediu, no mesmo relatório, os indiciamentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. 

A base para os indiciamentos dessas autoridades é o caso do Banco Master. Vieira aponta que há indícios do cometimento de crimes de responsabilidades de “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa”; e de “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

Quatro embarcações cruzaram com sucesso o estreito de Ormuz mesmo após o anúncio do bloqueio pelos Estados Unidos. Depois de navegarem próximas à costa iraniana, seguiram para águas abertas. Enquanto isso, a medida já começa a dissuadir outras embarcações, com pelo menos dois navios desistindo das viagens planejadas.
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As travessias bem-sucedidas começaram a se deslocar para nordeste no início da segunda-feira a partir de águas ao largo dos Emirados Árabes Unidos, mostram dados de rastreamento de navios. Os petroleiros de médio porte parecem ter seguido uma rota logo ao sul da ilha iraniana de Larak, uma passagem que Teerã disse nos últimos dias que embarcações que tentam uma travessia rumo ao leste deveriam seguir.
Um navio transportador de gás liquefeito de petróleo, de bandeira e propriedade vietnamita, aproximou-se do estreito na direção oposta para entrar no Golfo Pérsico. O NV Sunshine começou a navegar para o norte a partir de águas ao largo de Sohar, no Golfo de Omã, no final de domingo, e agora está dentro do golfo, sinalizando que segue para Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos.
Bloqueio dos EUA
As travessias ocorrem poucas horas antes de os Estados Unidos implementarem um bloqueio nas áreas ao redor do estreito de Ormuz, após as negociações entre Teerã e Washington terem fracassado no fim de semana. As restrições — que se aplicam a todas as embarcações que entram ou saem de portos ou áreas costeiras iranianas e passaram a valer às 10h de Nova York (12h00 em Brasília) na segunda-feira — seguem o endurecimento do controle da República Islâmica sobre a vital hidrovia desde o início da guerra, o que fez o tráfego marítimo despencar.
O petroleiro de produtos de petróleo Rich Starry, sancionado pelos EUA, recuou durante sua travessia de saída perto da ilha iraniana de Qeshm, enquanto o graneleiro Guan Yuan Fu Xing, ligado à China, fez uma súbita meia-volta em sua travessia de entrada no lado oposto da hidrovia.
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As travessias de navios estão sendo observadas de perto enquanto EUA e Irã disputam o controle do ponto de estrangulamento, por onde cerca de um quinto do petróleo mundial costumava passar. Embarcações têm sido alvo ou atacadas por Teerã nas últimas semanas por seus vínculos com países ocidentais ou por sua propriedade. A mais recente medida de Trump busca desafiar o controle da República Islâmica sobre o estreito e privá-la de receita energética.
Os embaixadores do Líbano e de Israel negociarão diretamente nesta terça-feira em Washington um acordo para tentar colocar um fim ao conflito que atinge os dois países, apesar de na prática ser derivado da guerra dos israelenses e dos EUA contra o Irã. O encontro não deve levar a um acordo de paz, ao menos por enquanto. Neste momento, o objetivo libanês seria o fim dos ataques ao seu território e da ocupação israelense em áreas no sul do país. Os dois lados concordam que o Hezbollah, alvo da operação de Israel, deve ser desarmado. Mas divergem sobre como atingir este objetivo. Entenda os principais pontos da tratativa e o histórico das disputas entre os países: Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (14), que a guerra dos Estados Unidos, liderada por Donald Trump, contra o Irã é inconsequente e que o presidente estadunidense não precisa ameaçar o mundo. Lula também foi solidário ao papa Leão XIV, que trocou críticas com Trump esta semana.

Para o presidente Lula, Trump faz jogo de narrativas na tentativa de agradar à população e para tentar passar a ideia de os Estados Unidos serem “país onipotente, daquele povo superior”. O brasileiro afirmou que admira os Estados Unidos como maior economia do mundo, mas que isso é resultado da capacidade de trabalho do povo do país norte-americano.

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“Isso não é pelo autoritarismo do presidente. Isso é pela conjuntura econômica, pela importância do país, pelo grau de universidade que eles têm. Então, o Trump não precisava ficar ameaçando o mundo”, disse Lula.

“Essas ameaças do Trump não fazem bem para a democracia. Essa guerra do Irã é inconsequente”, acrescentou o presidente ao destacar as consequências do conflito na economia, sobretudo nos preços dos combustíveis.

No domingo (12), ao comentar as críticas do papa sobre as ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela, Trump afirmou que Leão XIV é “terrível em política externa” e pediu que ele deixe de agradar a esquerda radical. O papa respondeu que não tem medo do presidente estadunidense e que acredita na mensagem de paz do Evangelho.

“Estive com ele [papa Leão XIV] e saí muito bem-impressionado. [Quero] ser solidário a ele, porque está correta a crítica que ele fez ao presidente Trump. Ninguém precisa ter medo de ninguém”, disse Lula em entrevista aos veículos Brasil247, Revista Fórum e DCM.

Ramagem

Durante a entrevista, Lula ainda lembrou da recente parceria entre Brasil e Estados Unidos visando a combater o tráfico internacional de armas e drogas e comentou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo serviço de imigração e alfândega do país norte-americano, conhecido pela sigla ICE (ICE U.S. Immigration and Customs Enforcement).

“O Ramagem acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso por uma multazinha [de trânsito], mas não. Ele foi preso, ele já estava condenado a 16 anos nesse país [Brasil], ele foi um golpista que está condenado. Ele tem que voltar para o Brasil para cumprir a sua pena”, disse Lula.

A Polícia Federal (PF) informou, em nota, que a prisão de Ramagem decorreu “de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”. O ex-deputado e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi detido na cidade de Orlando, no estado da Flórida.

Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito. Proibido de deixar o país, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.

O nome de Ramagem consta na lista de foragidos procurados da Interpol.
 

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