Estratégia: Irã avalia pausar envios pelo Estreito de Ormuz para evitar testar bloqueio dos EUA e preservar negociações
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Segundo o Post, em um primeiro telefonema, Trump disse que as discussões entre os dois lados “estão acontecendo”, e que uma nova reunião poderia acontecer em breve, possivelmente na Europa. Em novo telefonema, conta o jornal, o presidente disse que os repórteres deveriam permanecer no Paquistão “porque algo pode acontecer nos próximos dois dias, e estamos mais inclinados a ir para lá”, antes de fazer elogios ao marechal Asif Munir, de quem se aproximou no ano passado.
O Departamento de Estado não se pronunciou, assim como o governo do Irã.
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Na semana passada, a menos de duas horas antes do fim de um prazo dado por Trump para que o Estreito de Ormuz fosse aberto— que contou com ameaças existenciais à civilização iraniana —, o americano anunciou uma trégua de duas semanas e uma reunião bilateral com o Irã, no fim de semana, no Paquistão.
Os dois lados enviaram representantes de alto escalão, como o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher-Ghalibaf, mas havia pouca expectativa de um acordo nesta etapa das conversas. Após 21 horas de reuniões, os americanos deixaram Islamabad sem um acerto, e Trump anunciou que iria impor seu próprio bloqueio ao Estreito de Ormuz (já fechado pelos iranianos) e aos portos do Irã.
Nos bastidores, diplomatas dizem que dois pontos travaram as negociações. O primeiro era a demanda iraniana para ter algum tipo de controle sobre Ormuz — um projeto no Parlamento estabelece a cobrança de um pedágio na passagem, por onde trafegavam, antes da guerra, 20% das exportações globais de petróleo e gás, e alguns navios chegaram a pagar US$ 2 milhões de taxa. A ideia esbarra na lei internacional e na pouca disposição dos países para desembolsar a quantia.
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O segundo, e mais importante, era sobre o programa nuclear iraniano. EUA e Israel acusam o país de buscar uma arma atômica, e de acelerar suas atividades de enriquecimento de urânio para obter material suficiente para tal. Teerã nega, e garante que tem apenas objetivos civis e pacíficos. Um dos objetivos anunciados pelos americanos para a guerra era impedir que o Irã obtenha uma bomba.
De acordo com a imprensa americana, citando fontes que acompanharam as conversas, os EUA sugeriram uma pausa de 20 anos no enriquecimento de urânio pelo Irã, além do envio de todo material enriquecido (cerca de 440 kg) para outros países, como a Rússia. A demanda soa grandiosa, mas analistas veem como uma pequena concessão de Washington, que até agora exigia publicamente o fim de todas atividades nucleares. Os iranianos fizeram uma contraproposta: a suspensãio por cinco anos do enriquecimento e a diluição do material enriquecido (sem enviá-lo ao exterior). Washington rejeitou.
Ao Post, Trump disse que “não gosta da ideia [da moratória] de 20 anos”, e que “não quer que eles [o Irã] sintam que saíram vitoriosos”. Contudo, negociadores acreditam que o processo de negociação deve permitir que os dois lados tenham algo para oferecer a seus públicos internos, sem que um dos lados saia como totalmente derrotado.










