Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
O Azerbaijão e a Rússia anunciaram, nesta quarta-feira, que chegaram a um acordo sobre o acidente fatal envolvendo um avião da Azerbaijan Airlines, que prevê o pagamento de indenizações e reconhece o papel das defesas aéreas russas.
1.511 dias de guerra: Trégua de Páscoa entre Rússia e Ucrânia chega ao fim, com acusações mútuas de violações
Era pós-Orbán: Entenda os fatores que devem dificultar o rompimento de vencedor da eleição na Hungria da Rússia de Putin
O anúncio representa um passo significativo na redução das tensões entre os dois países, após Baku acusar Moscou de responsabilidade pelo acidente.
Avião da Embraer caiu no Cazaquistão com 67 pessoas a bordo
O avião Embraer 190 da AZAL caiu no Cazaquistão em dezembro de 2024, deixando 38 mortos entre as 67 pessoas a bordo.
Initial plugin text
As relações entre Baku e Moscou se deterioraram depois que o presidente Ilham Aliyev exigiu que a Rússia assumisse a responsabilidade por ter disparado acidentalmente contra a aeronave, quando ela tentava pousar no Aeroporto de Grozny, no sul do país.
Nesta quarta-feira, os ministérios das Relações Exteriores dos dois países informaram, em um comunicado conjunto, que o acidente foi causado pela “ação não intencional” de um sistema de defesa aérea no espaço aéreo russo e confirmaram um acordo para o pagamento de indenizações, sem divulgar detalhes.
Segundo o comunicado, o acordo foi alcançado após rodadas anteriores de conversas entre Aliyev e o presidente russo, Vladimir Putin.
Uma filhote de elefante asiático, espécie ameaçada de extinção, fez sua primeira aparição para a imprensa antes de estrear oficialmente para o público no Smithsonian National Zoo, nos Estados Unidos. Batizada de Linh Mai, a elefanta de dois meses será apresentada aos visitantes a partir de 22 de abril, data em que se celebra o Dia da Terra.
Hipopótamos de Pablo Escobar: Qual é a mutação genética identificada nos animais?
Veja antes e depois: Mulher diz ter sido forçada a tatuar nome do ex 250 vezes no rosto e no corpo e passa por remoção na Holanda
Nascida em 2 de fevereiro, Linh Mai é a primeira elefanta a nascer no zoológico em quase 25 anos e apenas a terceira em mais de um século de história da instituição. O nascimento é considerado um marco para programas de conservação da espécie, cuja reprodução em cativeiro é complexa e envolve gestação de até 22 meses.
Com cerca de 210 quilos ao nascer e atualmente pesando mais de 460 quilos, a filhote ganha entre 11 e 13 quilos por semana e já apresenta comportamento ativo e curioso.
Apesar da evolução, o início da vida de Linh Mai foi marcado por desafios. A mãe biológica, Nhi Linh, apresentou comportamento agressivo, o que impediu o vínculo inicial e a amamentação natural. Diante disso, a equipe do zoológico passou a alimentar a filhote manualmente e contou com a ajuda de outra elefanta do grupo, Swarna, que assumiu um papel de “mãe substituta”.
A jovem elefanta também enfrentou problemas de saúde, como episódios de diarreia, tratados com sucesso por meio de transplante de microbiota fecal — procedimento ainda pouco comum, mas considerado eficaz no caso.
Desde o nascimento, o espaço dos elefantes permaneceu fechado para garantir adaptação e fortalecimento dos laços sociais. A abertura ao público ocorre agora como parte de uma estratégia de educação ambiental e conscientização sobre a preservação da espécie.
Atualmente, o zoológico abriga sete elefantes e aposta no nascimento de Linh Mai como um avanço importante na diversidade genética e na sobrevivência dos elefantes asiáticos em risco crítico de extinção.

Um pedido de vista coletivo feito pelas lideranças do PSDB e do PL na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou, nesta quarta-feira (15), a votação sobre a constitucionalidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1).

Temendo atrasos nessa votação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, na terça-feira (14), um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais. O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.

Notícias relacionadas:

Na sessão de hoje da CCJ, o relator da PEC na CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), votou pela admissibilidade do texto, ou seja, deu parecer no sentido de que a redução da jornada é constitucional. Além do fim da escala 6×1, a PEC prevê reduzir a jornada das atuais 44  para 36 horas semanais em um prazo de dez anos.


Brasília-DF – 15/04/2026 – Reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para leitura do relatório do deputado Paulo Azi da proposta de emenda à Constituição (PEC 221/2019) que reduz a jornada de trabalho a 36 horas. A oposição pediu vistas. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Deputado Paulo Azi lê relatório sobre a PEC 221/2019, que acaba com a jornada 6×1 – Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O parecer do deputado Azi ainda precisa ser aprovado pela maioria da CCJ. Os deputados Lucas Redecker (PSDB-RS) e a Bia Kicis (PL-DF) pediram vista para ter mais tempo para analisar o tema.

“[O parecer do relator] foi protocolado pela manhã e o relator aqui, habilmente, leu todo o parecer na íntegra, porém, eu e outros deputados temos o interesse de ler minuciosamente em virtude desse parecer e desse texto serem um tema sensível. É prudente nós termos um prazo de debate nesse pedido de vista”, disse Redecker.

O parlamentar gaúcho ainda criticou o fato de o presidente Lula ter enviado um PL com urgência constitucional para a Casa, o que, segundo ele, “enterra a discussão da PEC”.

“Pelo nosso regimento interno, temos até um prazo de 40 sessões [do plenário da Câmara] para debater uma [PEC na] comissão especial. O prazo que o governo protocolou o regime de urgência será até 45 dias. No dia de hoje, 44 dias. Ou seja, não se vencerá o tempo hábil de debater, na comissão especial, o prazo dessas PECs”, completou.

O deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) rebateu que o PL do governo apenas antecipa um projeto que depois poderá ser colocado na Constituição por meio da PEC em tramitação na Câmara.

“Um projeto não prejudica o outro. Pelo contrário, ajuda, fortalece. O projeto foi encaminhado pelo presidente Lula por um motivo especial: líderes da oposição afirmaram publicamente que iriam obstruir a tramitação da PEC. O objetivo, segundo eles, é não deixar isso votar”, disse.

Os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, prometeram trabalhar para não deixar votar o fim da escala 6×1. A fala ocorreu em um encontro com empresários em São Paulo, em fevereiro. Juntos, os dois partidos somam 139 dos 513 deputados da Casa.


Brasília-DF – 15/04/2026 – Reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para leitura do relatório do deputado Paulo Azi da proposta de emenda à Constituição (PEC 221/2019) que reduz a jornada de trabalho a 36 horas. A oposição pediu vistas. (Deputada Erika Hilton) Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Deputada Erika Hilton durante sessão da CCJ para leitura do relatório sobre a PEC que acaba com a jornada 6×1 – Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A PEC em tramitação na CCJ é de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), mas a proposta foi apensada à PEC de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que defendeu a admissibilidade do texto na comissão.

“Que os patrões possam entender que não há produtividade, não há economia, com o trabalhador adoecido, com o trabalhador esgotado, com o trabalhador exausto. Esta matéria é por mais tempo de descanso, mas ela também é por qualidade de vida”, disse Erika.

Não houve falas contra o mérito do projeto na sessão da CCJ desta quarta-feira até o fechamento desta reportagem.

A admissibilidade

O relator Paulo Azi defendeu a admissibilidade da PEC 221, ou seja, rejeitou os argumentos que defendiam que a proposta seria inconstitucional devido, entre outros motivos, ao impacto econômico que a medida poderia causar, o que violaria a autonomia financeira dos estados e municípios.

“Não há necessidade de previsão de estimativa do impacto orçamentário ou financeiro, pois a determinação constante do Artigo 113 do ADCT [Ato das Disposições Constitucionais Transitórias] não atinge as PECs”, afirmou.

Azi acrescentou que ainda há a possibilidade de “serem discutidas e avaliadas medidas de contenção do impacto sobre estados e municípios quando da discussão do mérito, oportunidade em que poderão ser articuladas formas de compensação econômica”.

Sobre o argumento de que a medida constituiria restrição excessiva da negociação coletiva entre patrões e empregados, defendendo que a escala seja definida por meio dessas negociações, o deputado destacou a assimetria de poder entre as partes.

“Verifica-se uma assimetria de poder na relação entre capital e trabalho, o que se agrava com a fragilidade financeira de muitos sindicatos. Esse estado de coisas evidencia que a simples autonomia negocial coletiva dos agentes do mercado de trabalho é insuficiente para promover avanços na temática da redução da jornada e da escala de trabalho”, escreveu Azi no relatório.

Após mais de um mês de guerra, um cessar-fogo de uma semana pode ser anunciado nesta quarta-feira no Líbano, cenário de uma ofensiva militar israelense que deixou mais de dois mil mortos e provocou o deslocamento de um milhão de pessoas. Segundo a TV al-Mayadeen, ligada ao grupo Hezbollah, a trégua seria resultado da pressão do Irã, mas representantes do governo israelense ainda analisam a proposta. Na véspera, diplomatas israelenses e libaneses se reuniram em Washington e concordaram em estabelecer um diálogo para um acordo de paz de longo prazo.
Guga Chacra: Após intervalo na guerra, qual será o próximo ato de Irã x EUA?
Sem o Hezbollah: Entenda a rodada de negociação histórica entre Israel e Líbano nos EUA e o passado conflituoso entre os países
Segundo uma fonte dos serviços de segurança do Irã (aliado do Hezbollah), citada pela al-Mayadeen, “diante da pressão do Irã, um cessar-fogo será declarado no Líbano a partir desta noite (de quarta-feira)”, acrescentando que a trégua “vai durar uma semana, e se estenderá até o fim do período de cessar-fogo entre Irã e EUA”. O iraniano se referia a uma trégua de duas semanas, anunciada na semana passada pelo presidente americano, Donald Trump, que permitiu o início de negociações diretas entre Washington e Teerã”.
Ouvidos pela agência Reuters, membros do governo libanês dizem que há conversas sobre a trégua em curso, e que os americanos pressionam Israel para que suspenda os bombardeios e a ofensiva por terra no sul do Líbano. Também citado pela Reuters, Ibrahim al-Moussawi, deputado do Hezbollah, estimou que um cessar-fogo poderia ser anunciado “em breve”, sem estimar prazos.
Exército israelense divulga imagens de ataques ao Hezbollah no sul do Líbano
Exército de Israel
O Gabinete de segurança israelense se reunirá nesta quarta-feira para discutir a suspensão nos combates, a pedido dos EUA, e a fonte no governo iraniano ouvida pela al-Mayadeen afirmou que o premier Benjamin Netanyahu tentará “sabotar o plano”.
— Mas nós lidaremos com Washington como o parceiro aliado da força de ocupação (Israel) e como o responsável por conter Netanyahu — disse o iraniano à TV libanesa.
Discurso pela paz: Papa Leão XIV diz estar ‘mais próximo do que nunca do povo libanês’ e fala em ‘obrigação moral’ de proteger civis da guerra
Iniciada em paralelo à guerra contra o Irã, a ofensiva israelense no Líbano tem como alvo declarado o Hezbollah, que lançou mísseis e foguetes contra Israel nas últimas semanas, como parte de sua aliança com Teerã. Em resposta, as Forças Armadas israelenses deram início a um intenso bombardeio centrado no sul libanês, onde o grupo tem forte presença, provocando o êxodo de centenas de milhares de pessoas rumo a áreas mais seguras. As bombas também atingiram subúrbios de Beirute, como Dahiyeh, “base” do Hezbollah, e provocaram estragos em áreas civis.
Mas com o anúncio do cessar-fogo entre Irã e EUA, confirmado na segunda-feira passada após Trump ameaçar “matar a civilização” iraniana, a inclusão do Líbano foi alvo de discórdia. Teerã e o Paquistão (mediador do diálogo) afirmaram que a pausa nos combates no país árabe foi acertada com os americanos. Israel, amparado pelos EUA, disse que a guerra continuava, e horas depois lançou o mais violento ataque desde o começo de março. Cerca de 350 pessoas morreram, outras centenas ficaram feridas, e as bombas caíram em áreas onde não há presença do Hezbollah. O Irã reagiu fechando o Estreito de Ormuz, e disse que os ataques eram uma violação do cessar-fogo.
Os EUA pediram “moderação” a Israel, e pressionaram israelenses e libaneses a se sentarem à mesa para discutir um plano de longo prazo, sem o Hezbollah. O encontro, o primeiro desde 1993, aconteceu na terça-feira, em Washington, e os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos concordaram em prosseguir com as conversas, visando um cessar-fogo e, em um ponto mais complexo, o desarmamento do grupo xiita, previsto no acordo que encerrou outra guerra, no final de 2024.
Violência da guerra: ‘Chegamos a atender cerca de 60 pacientes em poucas horas’, diz ao GLOBO médico libanês após ataques israelenses
As informações sobre o potencial cessar-fogo no Líbano surgem após a maratona de negociações entre EUA e Irã no Paquistão, no fim de semana, e em meio a discussões de bastidores sobre novas reuniões. Na terça-feira, Trump disse que “alguma coisa ocorreria nos próximos dois dias”, e o chefe do Exército paquistanês, Asif Munir, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para reuniões com autoridades locais — segundo a imprensa iraniana, ele levou uma mensagem dos americanos.
Como destacou o representante do Irã à al-Mayadeen e como afirmou al-Moussawi à rede al-Jazeera, Teerã exige que o conflito no país árabe seja incluído em qualquer tipo de plano.
— Os iranianos estão exercendo forte pressão sobre os americanos e impuseram como condição que os americanos incluam o Líbano no cessar-fogo. Caso contrário, continuarão o bloqueio de Ormuz. É a carta na manga econômica — disse o deputado. — Os iranianos se abriram para diversos atores regionais e internacionais para alcançar esse objetivo.
Enquanto a trégua não é declarada, Israel afirmou ter atacado mais de 200 alvos no Líbano em 24 horas, alegando ter destruído estruturas “terroristas, estruturas militares e cerca de 20 lançadores (de foguetes)”. Em reunião com o premier libanês, Nawaf Salam, o chefe da agência da ONU para refugiados (Acnur), Bahram Salih, fez um apelo à comunidade internacional para que ajudem os mais de um milhão de deslocados internos pela guerra.
— As consequências humanitárias desta guerra são imensas, e enfatizo a necessidade de poupar os civis e as infraestruturas civis dos estragos dos ataques. O Líbano não merece ficar preso num ciclo recorrente de violência; merece apoio e estabilidade — declarou à imprensa.
As Forças Armadas do Irã ameaçaram nesta quarta-feira iniciar um bloqueio ao tráfego naval no Mar Vermelho, ao qual a nação persa não tem acesso territorial, caso os EUA persistam com um plano de impedir a entrada e saída de embarcações em portos iranianos e no Estreito de Ormuz. A ameaça por parte de Teerã foi endereçada horas após o anúncio do Comando Central dos EUA (Centcom) sobre a “plena aplicação” do bloqueio entre a noite de terça-feira e a madrugada desta quarta — o que é denunciado pela parte iraniana como uma violação ao cessar-fogo de duas semanas acordado entre os rivais para conversas diplomáticas mediadas pelo Paquistão.
Investigação: Irã usou dados de satélite-espião comprado de empresa chinesa para atacar bases dos EUA em março, diz jornal
‘Piratas de Ormuz’: Com memes e IA, humor vira arma de guerra viralizada de embaixadas do Irã para zombar e ironizar Trump
— As poderosas Forças Armadas da República Islâmica [do Irã] não permitirão qualquer exportação ou importação no Golfo Pérsico, no Mar de Omã ou no Mar Vermelho — afirmou o general Ali Abdollahi em um comunicado divulgado pela TV estatal, após acusar Washington de “criar insegurança para os navios comerciais do Irã e para os petroleiros”, no que se referiu como “prelúdio” de uma violação do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.
Initial plugin text
A guerra entre a aliança formada por EUA e Israel contra o Irã provocou um grave choque na economia mundial com a instabilidade provocada no Estreito de Ormuz, rota por onde passava 20% do petróleo e do gás natural produzido no mundo antes do conflito. A reabertura da via marítima era o ponto central da frágil trégua obtida para interromper os conflitos por duas semanas, mas após a fracassada rodada de negociação entre os países em Islamabad, o presidente americano, Donald Trump, anunciou um bloqueio a todos os navios que tentassem entrar ou sair de Ormuz — medida apontada como uma forma de sufocar financeiramente o Irã e impor pressão sobre a China, uma grande importadora do petróleo bruto da região, que continuava tendo acesso a parte da produção.
Em uma publicação nas redes sociais, o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, afirmou que o bloqueio ordenado por Trump teria sido “totalmente implementado”, interrompendo a maior parte da atividade econômica de Teerã em apenas um dia e meio.
“Estima-se que 90% da economia do Irã seja impulsionada pelo comércio internacional por via marítima. Em menos de 36 horas desde a implementação do bloqueio, as forças dos EUA interromperam completamente todo o comércio econômico que entra e sai do Irã por mar”, disse Cooper.
Initial plugin text
O bloqueio naval americano conta com uma Armada de mais de 10 navios de guerra, além do maior contingente militar deslocado para a região desde a invasão do Iraque, em 2003, incluindo forças de operações especiais e fuzileiros navais. O ex-capitão da Marinha dos EUA Carl Schuster explicou, em entrevista à rede americana CNN, que o bloqueio não era propriamente uma barreira física, e que os navios provavelmente sequer estão dentro de Ormuz neste momento. Contudo, os equipamentos que foram enviados para a região permitiriam perseguir e interceptar qualquer embarcação.
Mesmo com todo o poderio bélico destacado, há indícios de que o tráfego em Ormuz não parou inteiramente. Dados de rastreamento marítimo de terça‑feira — quando o bloqueio estava em curso, segundo o Centcom —, apontam que vários navios zarparam de portos iranianos e atravessaram Ormuz. Em uma publicação no X nesta quarta, o perfil oficial do Centcom afirmou que nenhum navio “saindo ou entrando de portos iranianos” conseguiu passar pelas forças dos EUA “durante as primeiras 48 horas” de bloqueio. Além disso, nove navios teriam cumprido instruções para dar meia-volta e retornar a um porto ou área costeira.
Initial plugin text
Especialistas em inteligência marítima afirmam que cada vez mais navios em Ormuz e ao redor da rota parecem estar adotando táticas para evitar serem detectados pelo sistema global que monitora o tráfego marítimo. Entre as estratégias, os navios estariam desligando seus transponders — equipamentos de localização que grandes embarcações comerciais são obrigadas a utilizar, segundo o Direito Internacional — ou alterando dados abastecidos nos sistemas globais, a fim de manipular sua localização, origem ou destino.
Um relatório divulgado nesta terça-feira pela provedora de dados de inteligência marítima Windward apontou que navios iranianos “apagaram” seus sinais, enquanto embarcações sancionadas e com bandeiras falsas continuam ativas — o que torna uma leitura precisa do real tráfego por Ormuz muito difícil de ser checada de forma independente. (Com AFP e NYT)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um pronunciamento em defesa ao Papa Leão XV após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz ataques ao pontífice que tem feito críticas a guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
“Quero manifestar minha mais profunda solidariedade ao Papa Leão XV, ao longo da história da humanidade, defensores da paz e dos oprimidos, tem sido atacados pelos poderosos que se julgam divindades a serem adorados pelos simples mortais. A mesma história tem demonstrado que mais vale um coração repleto de amor ao próximo do que o poder das armas e do dinheiro”, disse Lula em vídeo publicado nas redes sociais.
No domingo, Trump foi à redes sociais responder aos apelos por paz do papa com críticas ao primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos. Na publicação, Trump reivindicar para si o mérito pela ascensão de Leão ao papado:
— Leão deveria ser grato porque, como todos sabem, ele foi uma surpresa chocante — escreveu Trump em uma longa publicação na noite de domingo. — Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá pela Igreja porque era americano, e acharam que essa seria a melhor forma de lidar com o presidente Donald J. Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.
As críticas do Papa à guerra com o Irã tornaram-se mais incisivas à medida que o conflito avançou e autoridades americanas passaram a invocar argumentos teológicos para justificar a ofensiva ordenada por Trump sem autorização do Congresso, apoio popular ou adesão de aliados. O presidente também acusou o pontífice de “agradar a esquerda radical” e aconselhou que ele se concentrasse em “ser um grande Papa, não um político”.
Lula também fez menção direta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e destacou o papel na defesa da democracia e no enfrentamento à ditadura militar:
“Quero fazer uma saudação especial à CNBB, por ocasião de sua sexagésima segunda assembleia-geral. E reafirmar meu respeito e admiração por uma instituição que, nos momentos mais dolorosos da nossa história recente, esteve na linha de frente em defesa da democracia. A CNBB enfrentou a ditadura. Defendeu os perseguidos pelo regime militar. Apoiou as greves dos trabalhadores urbanos e a luta dos trabalhadores rurais pela posse da terra”, disse ainda Lula no vídeo de três minutos.
O presidente também afirmou que a Igreja Católica, ao longo de dois séculos, “vem atuando de forma extraordinária na sustentação aos mais necessitados, com a iniciativa que permanece como referência na construção de políticas públicas e de inclusão social. social. Hoje, a defesa intransigente da dignidade da vida renova e inspira a relação entre o governo do Brasil e a CNBB”, afirmou Lula.
Lula também defendeu o estado laico e a garantia da “plena de liberdade religiosa”:
“Quero terminar reafirmando o nosso compromisso com o estado laico e a garantia plena de liberdade religiosa. Desejo todo sucesso essa Assembleia Geral e que a CNBB seja sempre aliada do povo brasileiro na construção de um país mais justo, mais fraterno e mais feliz. Que Deus ilumina o Brasil e o povo brasileiro”, disse o presidente.
O governo dos Estados Unidos designou John Barrett como o novo chefe da missão diplomática para a Venezuela, no âmbito da normalização das relações entre os dois países após a captura de Nicolás Maduro, anunciou nesta quarta-feira a embaixada americana no país. Laura Dogu, exonerada do cargo, ocupava a função desde janeiro deste ano e foi responsável pelo restabelecimento das relações entre Washington e Caracas após o ataque dos EUA.
Negociações com os EUA: Filho e netos do ex-presidente cubano Raúl Castro assumem posições de destaque
7 em cada 10: Maioria dos venezuelanos no Brasil não pretendem retornar ao país, aponta Acnur
— Tenho o prazer de anunciar que John Barrett chegará em breve à Venezuela para atuar como o próximo encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas — anunciou Laura Dogu em um comunicado oficial publicado no X.
Laura Dogu, exonerada do cargo, ocupava a função desde janeiro deste ano
JUAN BARRETO
Dogu chegou em Caracas em 31 de janeiro de 2026, em meio a um processo de reaproximação diplomática entre os países. Pouco depois, os EUA e a Venezuela concordaram formalmente em restabelecer as relações diplomáticas, sendo um marco histórico nas relações bilaterais.
— Minha missão temporária em Caracas está chegando ao fim, e retornarei ao meu cargo anterior como Conselheiro de Política Externa do Chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos — disse Dogu no comunicado.
Initial plugin text
O mandato de Dogu previa a execução de três etapas — estabilização, reconstrução e transição — definidas pelo secretário de Estado Marco Rubio para a condução da política dos Estados Unidos em relação à Venezuela. Nesse contexto, foram prorrogadas licenças que permitem a atuação de empresas americanas no país, além da flexibilização de restrições ao comércio de ouro e da retirada de sanções contra figuras ligadas ao chavismo. Mais recentemente, uma nova autorização do Tesouro dos EUA ampliou de forma significativa a capacidade de transações do país ao liberar operações com o Banco Central venezuelano.
No campo econômico, o Parlamento venezuelano aprovou mudanças nas legislações de hidrocarbonetos e mineração para facilitar a entrada de capital estrangeiro, incluindo a previsão de arbitragem internacional em disputas. Essas iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla de reabertura do setor energético e atração de investimentos internacionais.
Initial plugin text
No período houve a libertação de presos políticos, mas as alterações institucionais não foram suficientes para gerar confiança. Nomeações recentes, como as do novo procurador-geral e do defensor público, além da reorganização do gabinete, são vistas como ajustes internos do próprio chavismo. Mudanças mais estruturais, como na composição do Supremo Tribunal e do órgão eleitoral, ainda não ocorreram. Enquanto isso, os efeitos da reativação econômica seguem distantes da realidade da maioria da população venezuelana.
187 militares rebeldes presos: Venezuela mantém prisões mesmo sob pressão dos EUA após lei de anistia
Diplomata tem perfil voltado à segurança e à agenda de Trump
Diplomata de carreira, John Barrett acumula mais de duas décadas de experiência no Serviço Exterior dos Estados Unidos. Entre suas funções recentes, esteve como vice-chefe de missão na embaixada americana no Panamá, entre 2023 e 2026, onde participou de iniciativas para retomar a influência sobre o Canal do Panamá. Também atuou como conselheiro econômico no Peru e em El Salvador e até passagem no Brasil, como cônsul-geral em Recife.
Seu histórico profissional é marcado por atuação em áreas como segurança, controle migratório e combate ao narcotráfico, alinhado à política internacional de Trump. Durante sua passagem pela Guatemala, entrou em atrito com o presidente Bernardo Arévalo, que criticou a suposta interferência da embaixada americana na escolha de magistrados para a Corte Constitucional, em meio a disputas institucionais no país.
Instabilidades na Venezuela
A Venezuela atravessa um período de forte instabilidade política e econômica intensificadas após a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos há três meses. Maduro responde a acusações de narcotráfico em Nova York. Ademais, a oposição pediu, na última sexta-feira, a convocação de novas eleições presidenciais, alegando a existência de uma “ausência absoluta” do ex-presidente após o fim do prazo de 90 dias previsto na Constituição para substituições temporárias no comando do país.
‘Transição democrática’: Oposição venezuelana exige novo órgão eleitoral como garantia para futuras eleições
A economia também segue fragilizada, com inflação em níveis elevados, moeda desvalorizada e dificuldades estruturais na produção de petróleo, principal fonte de receita nacional. O Fundo Monetário Internacional classifica a situação como “bastante frágil”, em um cenário marcado por pobreza disseminada e desigualdade, após mais de uma década de crise que levou milhões de venezuelanos a deixar o país.
Pessoas realizam uma vigília exigindo a libertação de presos políticos venezuelanos em frente à prisão El Rodeo I em Guatire, estado de Miranda, Venezuela
Maryorin Mendez / AFP
Nos últimos meses, o país também tem registrado aumento da pressão social, com protestos por melhores salários e condições de vida, enquanto o governo promete medidas graduais para conter a crise sem agravar a inflação. Apesar de sinais pontuais de recuperação e articulações internacionais para reativar a economia, a melhora ainda não chegou de forma significativa à população.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou, nesta quarta-feira (15), que a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da redução de jornada semanal de trabalho ainda é essencial para evitar que futuros políticos “aventureiros” queiram aumentar a carga horária para o trabalhador.

A tramitação das PECs, segundo ele, não competem com o projeto de lei (PL) enviado nesta terça-feira (14) pelo governo, com urgência constitucional, que visa acelerar o debate e a aprovação da medida. 

Notícias relacionadas:

O regime de urgência prevê a tramitação em até 45 dias na Câmara e 45 dias no Senado.

“Se a PEC for aprovada nesse prazo, evidentemente que o PL está prejudicado, não há mais necessidade. Mas o rito da PEC é mais demorado do que o PL. O PL vai avançar e pode ser que entre em vigor a redução de jornada de trabalho e depois se consolide por PEC para impedir eventuais aventureiros do futuro quererem aumentar a jornada como aconteceu na Argentina”, explicou Marinho.

Em fevereiro, o governo do presidente argentino Javier Milei promoveu uma reforma trabalhista que ampliou a jornada de trabalho diária de 8 para 12 horas.

Na noite desta terça-feira (14), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional o PL que prevê o fim da escala de 6 dias trabalhados para 1 de descanso (6×1) , e reduz a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais. Isso, sem redução de salário.

De acordo com Marinho, questões sobre regras de transição e tempo de implementação para as empresas serão negociadas no Congresso Nacional. 

“Compete ao governo fazer a defesa do seu projeto e a aplicação imediata”, ressaltou o ministro em entrevista à imprensa no Palácio do Planalto.

Atualmente, a Constituição Federal estabelece que a carga horária de trabalho é de até 8 horas diárias e até 44 horas semanais.

O que hoje é a escala 6×1, com até 8 horas diárias, deverá ser 5×2, com as mesmas 8 horas de trabalho por dia. 

Segundo Marinho, há possibilidade de uma escala 4×3, com 10 horas diárias de trabalho, mas isso seria em uma eventual negociação coletiva entre funcionários e empregadores.

PECs

O ministro Luiz Marinho explicou ainda que, mesmo estando na Constituição, é possível tratar o tema por projeto de lei, se a intenção é reduzir a jornada. 

“Para cima não pode. O PL tem restrição de aumentar a jornada. Isso é importante estar na Constituição porque nenhum governante poderia, por PL, aplicar um aumento de jornada de trabalho”, esclareceu.

Nesta quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados analisa os textos das PECs apresentadas pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

O primeiro texto estabelece a escala 4×3, de 4 dias de trabalho e 3 de descanso e limita a duração do trabalho normal a 8 horas diárias e 36 horas semanais. Ainda faculta a compensação de horas e a redução de jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. 

Pela proposta, a nova jornada entra em vigor 360 dias após a data da sua publicação.

A outra proposta em discussão na CCJ também reduz a jornada de trabalho para 8 horas diárias e 36 horas semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, nos mesmos termos da proposta anterior. 

A matéria, entretanto, não trata da escala de dias de trabalho e prevê que a nova jornada entre em vigor 10 anos após a data de sua publicação.

Qualidade

Para o governo, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário visa dar mais qualidade de vida para a população, com mais lazer, educação e tempo com a família. 

O ministro Luiz Marinho disse que a escala 6×1 é a pior das escalas de jornada de trabalho que possa existir, em especial para as mulheres, que carregam também a maior parte das responsabilidades domésticas e familiares.

Segundo ele, a redução da jornada deve levar a melhora do ambiente laboral e o consequente aumento de produtividade do trabalhador. 

Marinho lembrou que há casos de diversas empresas que já aderiram à iniciativa, reduziram a jornada de seus funcionários e já notaram essa melhora.

“O ambiente de trabalho saudável ajuda a eliminar absenteísmo, ajuda a melhorar a concentração do trabalhador, o foco no trabalho. Um ambiente de trabalho com uma jornada excessiva, casado com eventual assédio moral, leva a um processo de adoecimento mental”, disse.

“A economia brasileira está precisando de produtividade. Tem a lógica de pensar a natureza do que está acontecendo no mercado de trabalho, muito adoecimento, muitos acidentes e baixa produtividade. Então, isso aqui ajuda a pensar a economia, não é meramente o benefício aos trabalhadores”, acrescentou.

Mario Agra / Câmara dos Deputados
Elisângela Araújo: ideia é aumentar representação política das mulheres

O Projeto de Lei 1155/26 vincula a cota mínima de candidaturas femininas nas eleições à proporção de mulheres na população brasileira. O índice será o apurado pelo Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A proposta, em análise na Câmara dos Deputados, altera a Lei das Eleições.  Hoje, a legislação estabelece percentual mínimo fixo de 30% e máximo de 70% para candidaturas de cada sexo nas disputas proporcionais (deputados e vereadores).

Pelo texto, o limite de 70% para qualquer um dos sexos será mantido, impedindo a formação de chapas integralmente masculinas ou femininas. Já o mínimo de mulheres será arredondado para o número inteiro imediatamente superior.

Critério dinâmico
Autora da proposta, a deputada Elisângela Araújo (PT-BA), atualmente fora do exercício do mandato, afirma que a cota fixa de 30% não promoveu a transformação esperada na representação política. “O projeto propõe substituir o modelo de cota fixa por um critério dinâmico”, explica.

Segundo a parlamentar, como as mulheres representam 51,5% da população pelo Censo de 2022, a cota atual passaria a esse patamar. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá publicar o percentual aplicável até 12 meses antes de cada eleição.

Próximos passos
O projeto será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, seguirá para o Plenário.

Para virar lei, terá de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

 

 

 

Um novo padrão de atividade enganosa por parte de algumas embarcações nessa importante via marítima indica que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos está alterando o comportamento de navios ligados ao Irã.
Resposta a bloqueio: Teerã ameaça retaliar portos vizinhos
Entenda: O que é um bloqueio naval e como os EUA devem implementá-lo no Estreito de Ormuz?
Especialistas em inteligência marítima afirmam que, desde que o bloqueio dos EUA a embarcações que entram e saem de portos iranianos entrou em vigor na segunda-feira, mais navios no Estreito de Ormuz e em seus arredores passaram a adotar estratégias para evitar a detecção.
“Agora, estamos começando a ver embarcações desaparecendo ou usando identificação ‘zumbi’ ou aleatória”, disse Ami Daniel, diretor executivo da Windward, empresa de dados de inteligência marítima, em entrevista na terça-feira.
Initial plugin text
Nas semanas após o ataque americano-israelense ao Irã no fim de fevereiro, as exportações iranianas continuaram “sem interrupções” e “quase não precisaram sair do radar”, afirmou Daniel. No entanto, nas últimas 24 horas, houve aumento na manipulação de sistemas globais de monitoramento marítimo, indicando que embarcações ligadas ao Irã estão sendo “um pouco mais cautelosas”.
Pelo direito marítimo internacional, a maioria dos grandes navios comerciais deve operar com um transponder que transmite automaticamente dados como nome, localização e rota. Esse sistema inclui um número de identificação de nove dígitos, que funciona como uma espécie de “impressão digital” da embarcação.
Segundo especialistas, navios no Oriente Médio que tentam ocultar sua localização ou falsificar informações vêm utilizando técnicas semelhantes às empregadas pela chamada “frota paralela” da Rússia para driblar sanções após a invasão da Ucrânia, em 2022.
Ataques no mar: Trump ameaça destruir embarcações do Irã com ‘mesmo sistema de morte’ usado no Caribe
“Os navios-tanque da frota paralela têm feito experiências com números de identificação apátridas”, disse John CK Daly, pesquisador não residente do Instituto Ásia Central-Cáucaso, em Washington. “O que os russos têm feito é alterar os números.”
Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz
Giuseppe Cacace/AFP
Quando uma embarcação pratica “spoofing” — ou falsificação de sinal —, seu capitão pode inserir dados falsos sobre origem e destino ou até simular a identidade de outro navio. Também é comum desligar temporariamente o transponder, fazendo com que a embarcação “desapareça” de um ponto e reapareça em outro com informações alteradas.
Essa estratégia permitiu à Rússia manter exportações de energia e financiar sua guerra, gerando até 100 bilhões de dólares por ano.
Agora, segundo especialistas, embarcações ligadas ao Irã parecem adotar métodos semelhantes. Alguns navios simplesmente desaparecem dos sistemas, enquanto outros operam sob bandeiras falsas ou mesmo estando sob sanções, de acordo com relatório da Windward divulgado na terça-feira.
“Nos mecanismos de fiscalização anteriores, incluindo o bloqueio da Venezuela em dezembro, os petroleiros sancionados e apátridas eram os principais alvos de interdição”, afirma o relatório. “A movimentação contínua de embarcações com perfis semelhantes indica que os operadores estão testando os limites práticos da fiscalização em tempo real.”
Leia mais: Por que termo ‘bloqueio’ usado por Trump amplia risco militar e atrai críticas nos EUA?
Ao manipular os sistemas globais de rastreamento, esses chamados “navios fantasmas” podem aumentar a incerteza sobre o que ocorre no Estreito de Ormuz — mesmo que, na prática, não consigam romper o bloqueio.
“Neste momento, o estreito é um ambiente de informação contestado”, disse Erik Bethel, sócio da Mare Liberum, fundo de investimento em tecnologia marítima.
O uso dessas técnicas pode dificultar o trabalho de identificação e interceptação por forças navais. “Um bloqueio só é eficaz se a inteligência por trás das interdições for sólida”, afirmou Bethel.
O sistema marítimo global, no entanto, é complexo. Uma embarcação pode pertencer a um país, ser operada por outro e navegar sob a bandeira de um terceiro — o que torna “muito difícil” identificar os responsáveis reais por cada operação, segundo o especialista.
Empresas de inteligência marítima e forças armadas recorrem a diversas fontes para monitorar navios, como satélites ópticos, radares e sinais de rádio. Também utilizam dados gerados, às vezes sem intenção, por tripulantes por meio de dispositivos pessoais, como celulares e relógios inteligentes.
Ainda assim, apesar das tentativas de driblar a vigilância, especialistas avaliam que o espaço de manobra é limitado. O Estreito de Ormuz é uma via estreita e estratégica, o que dificulta a passagem sem detecção.
Um oficial americano afirmou que mais de 12 navios militares dos EUA estão posicionados em águas internacionais no Golfo de Omã. Na terça-feira, o Comando Central dos Estados Unidos informou que seis navios mercantes obedeceram ordens transmitidas por rádio e retornaram a portos iranianos.
“Minha expectativa é que a Marinha dos EUA consiga manter sua posição no Golfo de Omã”, disse Ami Daniel. “Não acredito que haja uma maneira de romper o bloqueio.”

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress