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Um novo projeto de lei municipal que busca diminuir o impacto do descarte de plásticos no meio ambiente vem causando polêmica em Nova York. Ela obrigaria os estabelecimentos a servirem bebidas nos ecocopos ou recipientes levados pelos seus clientes. No entanto, isso não tem agradado especialmente as cafeterias, que costumam servir as bebidas em copos descartáveis que muitas vezes são de papel, mas com uma tampa plástica.
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As empresas e seus funcionários já estão prevendo que poderão haver discussões com os clientes, principalmente por conta da quantidade de bebida que eles terão. Para eles, algumas pessoas podem ser oportunistas e tentarem levar copos maiores do que a quantidade de bebida que compram.
“Não ganho o suficiente para brigar com eles. Isso pode se tornar um problema”, disse um funcionário ao site The New York Post, que reconheceu a importância de reduzir resíduos, ainda assim.
Mulher toma bebida em recipiente próprio
Freepik
Algumas cafeterias da cidade já têm uma política de sugerir que o cliente leve o seu copo. É o caso da Starbucks do Queens. O site ouviu uma cliente do local, que destacou que os copos térmicos são melhores para consumir os cafés.
“Acho que minha caneca mantém as bebidas mais quentes, então esse é o principal motivo pelo qual eu a troquei”, diz Yaneke Arrington, de 43 anos, à reportagem.
O objetivo da lei é reduzir a grande quantidade de lixo que é produzida na grande metrópole. Líder dos democratas na Câmara Municipal, Shaun Abreu defende a economia e a quantidade de descartes que são feitos diariamente na cidade.
“A cidade gasta centenas de milhões de dólares por ano com descarte de lixo, sendo que os plásticos descartáveis ​​representam uma parcela significativa. Este projeto de lei ajudará a reduzir os custos com o descarte de lixo. As empresas gastariam menos agora com a compra de copos plásticos”, avaliou o político ao site.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) assinou a ordem de serviço para dois novos trechos da Adutora do Agreste Pernambucano. A medida autoriza o início das obras em dois lotes que somam mais de R$ 72 milhões em investimentos. 

Cerca de 195 mil pessoas serão beneficiadas diretamente com esses trechos.

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A ordem de serviço foi assinada nesta quinta-feira (16), em Recife (PE), pelo ministro Waldez Góes e se refere aos lotes 3B (Buíque/Iati) e 5E (São Caetano/Cachoeirinha). As intervenções incluem a implantação de sistemas de adução e estação elevatória, ampliando a infraestrutura necessária para levar água tratada a municípios da região.

“No caso da Adutora do Agreste, além do impacto social, ela tem um impacto econômico muito forte. Ano passado, estive aqui com o presidente Lula cumprindo a agenda do Caminho das Águas, e demos a ordem de serviço para duplicar o bombeamento de todo o Eixo Norte do Projeto da Transposição do Rio São Francisco, dobrando a quantidade de água para o povo nordestino, especialmente os pernambucanos”, afirmou Waldez Góes.

O primeiro trecho (3B) prevê o assentamento de 11,7 quilômetros de tubulações, além da execução da Estação Elevatória de Água Tratada de Iati. A obra beneficiará diretamente mais de 174 mil habitantes dos municípios de Buíque, Tupanatinga, Itaíba, Águas Belas e também de Iati.

Já o Lote 5E atenderá cerca de 20,6 mil pessoas em Cachoeirinha com a implantação de 21,8 quilômetros de tubulação. 

A Adutora do Agreste é um sistema estruturante que, em sua primeira etapa, terá 695 quilômetros de extensão e capacidade de atender mais de 1,3 milhão de habitantes em 23 municípios. 

A iniciativa faz parte do projeto Caminho das Águas, que integra o conjunto de investimentos do Novo PAC. Segundo o ministério, o empreendimento representa mais um passo na ampliação da segurança hídrica no estado, com impacto direto no abastecimento da população do semiárido, em especial no estado de Pernambuco.

Em janeiro, entrou em operação o trecho do Lote 5B da adutora, passando a atender o município de Bezerros (PE). Integrado ao sistema que leva água da Transposição do Rio São Francisco ao interior do estado, o novo trecho garante abastecimento mais regular e contínuo para cerca de 65 mil pessoas.

Segundo o MIDR, o trecho abarcou obras remanescentes entre os municípios de Caruaru, Bezerros e Gravatá. A estimativa é que sejam beneficiados diretamente mais de 526 mil habitantes.

A Adutora do Agreste integra o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), que garante acesso à água para cerca de 12 milhões de pessoas em mais de 390 municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse que, do ponto de vista pessoal, é “completamente contrário” a qualquer socorro do governo federal ao Banco de Brasília. O BRB está sendo investigado por operações financeiras irregulares que teriam beneficiado o Banco Master.

Ao ser perguntado, durante café da manhã nesta quinta-feira (16) com jornalistas, sobre a possibilidade de o governo federal prestar alguma ajuda ao BRB, Guimarães disse de forma categórica que, se o assunto chegar a ele, se dirá “completamente contrário a qualquer socorro” à instituição.

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Segundo o ministro, os verdadeiros responsáveis pelo desvio de bilhões em recursos do banco, no caso do Banco Master, serão apontados ao final das investigações pela Polícia Federal.

Entre os investigados estão o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso nesta semana durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero.

“A PF está fazendo um trabalho extraordinário. Ao final vamos saber quem são os responsáveis por tamanho absurdo, pelos tantos bilhões envolvidos. A orientação do presidente Lula é essa. Doa a quem doer”, disse José Guimarães.

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Janela partidária e CPI

O ministro lamentou a forma oportunista como algumas questões têm sido tratadas pela classe política. Ele criticou duramente as trocas de partidos que ocorreram na última janela partidária.

“Em todos os meus anos na política, nunca vi algo como o que aconteceu nessa janela. Foi um acinte contra os partidos sérios”, disse.

“Alguns partidos perderam até 20 parlamentares, sem que a gente saiba qual a verdadeira razão”, argumentou. Ele defendeu que a reforma política em debate no Congresso estabeleça critérios que evitem situações desse tipo.

Eleições

Perguntado se as recentes pesquisas eleitorais – indicando o crescimento do candidato da oposição ao Planalto, Flávio Bolsonaro – preocupam o governo, José Guimarães disse que ainda é cedo para uma análise realista.

“A campanha sequer começou, e as estratégias ainda estão sendo discutidas pelas coordenações de campanha. Mas, pelas minhas experiências com eleições, acredito que o outro candidato não vai se sustentar. As coisas contra ele ainda vão vir à tona”, argumentou o ministro.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira que o Irã concordou em entregar suas reservas de urânio enriquecido, uma das exigências impostas por Washington para firmar um acordo e cessar os ataques ao território iraniano. A Casa Branca e o Pentágono, bem como as autoridades israelenses, já reiteraram que o objetivo da guerra entre os EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, tem como principal objetivo impedir que o regime iraniano tenha acesso a armas nucleares.
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— Eles concordaram em nos devolver o pó nuclear — disse o presidente americano a repórteres na Casa Branca, usando seu termo para se referir aos estoques de urânio enriquecido, acrescentando: — Há uma grande chance de chegarmos a um acordo.
Washington e Teerã retomaram as negociações pelo fim do conflito com mediação do Paquistão após acordarem um cessar-fogo de duas semanas, anunciado publicamente por Trump na noite do dia 7 de abril e que entrou em vigor na manhã seguinte. Na ocasião, o presidente americano publicou o anúncio em sua rede social Truth Social horas após ameaçar “levar o inferno” para o Irã, diante do fim de mais um prazo pela reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado sob intimidação da Guarda Revolucionária iraniana (IRGC, na sigla em inglês).
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Novas ameaças
A declaração de Trump desta quinta-feira, sobre a possível cessão iraniana, aconteceu pouco depois de o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, renovar sua ameaça de atacar a infraestrutura elétrica do Irã caso o cessar-fogo entre os dois países fracasse — ou seja, termine sem um acordo de paz assinado.
*Em atualização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a política do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, em relação a Irã, Cuba e Venezuela, destacando que o mundo não dá o direito à Casa Branca de ameaçar os países com os quais não concorda.

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.

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Na semana passada, Trump ameaçou cometer um crime de genocídio contra o Irã, caso o país não aceitasse os termos dos EUA para o fim da guerra no Oriente Médio. 

O comentário do presidente Lula foi feito em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16). O presidente brasileiro ainda comentou as ameaças e intervenções de Trump em Cuba e na Venezuela.

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.

Para Lula, está faltando no mundo lideranças políticas que assumam a responsabilidade de que o planeta não é de um país só. “Por mais importante que seja esse país, é importante que os maiores tenham mais responsabilidade de manter a paz no mundo”, completou.

Terceira guerra mundial

O presidente brasileiro chegou a comentar a possibilidade de uma terceira guerra mundial em consequência da política de Trump de intervir nos demais países.

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.

Questionado pelo jornal espanhol se ele acredita na possibilidade de uma guerra mundial, Lula disse que “se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”.

Cuba

Lula ainda condenou o endurecimento do bloqueio energético contra Cuba em meio a um embargo econômico que já dura quase sete décadas, afirmando que o país caribenho é “precioso” para o Brasil. 

“Não tem explicação um bloqueio durante 70 anos. Ou seja, se as pessoas que não gostam de Cuba, que não gostam do regime cubano, têm uma preocupação com o povo cubano, por que essas pessoas não têm uma preocupação com Haiti? Que não tem o regime comunista, por que não tem?”, questionou o brasileiro.

O Haiti vive uma grave crise econômica e social há décadas, com gangues armadas controlando boa parte do território da capital, Porto Príncipe. 

O presidente Lula acrescentou que Cuba precisa de chances para melhorar a situação interna. “Como é que pode sobreviver um país que está comprometido a não receber alimento, a não receber combustível, a não receber energia?”, questionou. 

Venezuela

Sobre a Venezuela, o presidente brasileiro disse que a posição do governo era de que fosse realizada a eleição, em julho de 2024, e que o resultado fosse acatado para que o país vizinho “pudesse voltar a ter paz”.

“[O que não dá é] os EUA acharem que eles podem administrar a Venezuela”, completou

Taxação

Sobre a taxação dos EUA contra parte das exportações brasileiras, adotadas entre abril e agosto de 2025, o presidente Lula relembrou o que disse ao presidente Trump no encontro entre os dois. 

“Eu nunca pedirei para ele concordar ideologicamente comigo, como eu também não concordo com ele. Dois chefes de Estado não têm que pensar ideologicamente. Eu tenho que pensar como chefe de Estado. Quais são os interesses do meu país com relação aos Estados Unidos e quais são os interesses deles com relação ao meu país?”, finalizou.

Após negociações entre Brasília e Washington em novembro de 2025, os EUA retiraram tarifa de 40% sobre uma série de produtos brasileiros. Em fevereiro deste ano, a Supremo Corte norte-americana derrubou o tarifaço imposto por Trump a dezenas de países, atendendo a pedido de empresas estadunidenses afetadas pelas medidas.

Recém-empossado no cargo de ministro das Relações Institucionais, José Guimarães disse que não vê com bons olhos a possibilidade de o governo implementar políticas de desoneração como forma de compensar setores que, eventualmente, possam ser prejudicados pela redução da atual jornada de seis dias de trabalho semanal.

“Sempre se tenta empurrar mais políticas de desoneração no Congresso Nacional. Isso não deu certo em outras situações, como vimos no governo da Dilma. O Brasil não pode seguir esse caminho”, disse nesta quinta-feira (16) o ministro, durante café da manhã com jornalistas.

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Para Guimarães, o comprometimento de receitas visando à desoneração de setores pode colocar em risco o equilíbrio federativo.

Ele, no entanto, garantiu que o governo estará sempre disposto a sentar à mesa para negociar, inclusive sobre a possibilidade de haver algum período de transição, desde que seja curto, para a implementação da nova regra.

“Nunca se votou matéria polêmica sem que as partes cedam. É possível discutirmos isso, mas esse debate terá de ser feito no Congresso Nacional”, disse. “Na política, você tem de fazer negociações no fio da navalha, mas sem mudar de lado”, acrescentou.

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Jornada desumana

José Guimarães disse que percebe, de forma quase consensual no Congresso, “uma visão de que essa jornada desumana tem de acabar”, possibilitando, ao trabalhador, pelo menos dois dias de descanso semanal.

Segundo ele, o governo pretende aproveitar que maio é o mês do trabalhador para dar ainda mais força ao debate, e que já estão agendadas para os próximos dias reuniões com os presidentes das duas casas legislativas, inclusive para definir se a matéria avançará por meio de PEC ou PL.

“Obviamente o presidente Lula considera que por meio de projeto de lei será mais fácil votar a matéria”, disse.

Pedido de vista

Na avaliação do ministro da SRI, o pedido de vistas feito pela oposição à matéria que prevê o fim da jornada 6 por 1, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, demonstra a falta de compromisso com a aprovação da matéria.

“Se quisessem votar, tinham de deixar votar. Isso mostra que a oposição e Flávio Bolsonaro não têm o compromisso de aprovar [a redução da jornada dos trabalhadores]. Mas vamos sentar com Hugo Motta [presidente da Câmara] para resolver”, complementou.

Prioridades

Durante o encontro com os jornalistas, Guimarães apresentou algumas das prioridades de sua pasta, tanto nas relações com o Legislativo como com os entes federados. Segundo ele, “tudo que for [do Planalto] ao Congresso Nacional” passará antes pela sua secretaria, de forma a dar unidade às propostas e prioridades do governo federal.

Ele lembrou que a SRI tem duas missões centrais: a articulação com o Congresso Nacional e a relação com os entes federados. Disse que o Congresso é a “prioridade das prioridades” e que ninguém governa sem uma relação saudável com o Legislativo.

Bets e endividamento

Guimarães disse que o governo está especialmente preocupado com duas questões que, inclusive, acabam de certa forma relacionadas: o endividamento das famílias e a falta de regulamentação das apostas online – as chamadas bets.

Tendo por base as conversas que já vinha mantendo com parlamentares, o ministro disse que vê uma maioria, no Congresso Nacional, disposta a regulamentar a atividade.

“O governo está preparando um conjunto de medidas para enfrentar este que é um dos piores males da atualidade, até pela relação que tem com o endividamento das famílias. Tributar já pode ser um grande passo”, antecipou o ministro.

Sobre a taxa básica de juros (Selic), algo que na avaliação de Guimarães prejudica ainda mais as famílias endividadas, ele afirmou que o Banco Central “perdeu oportunidades de reduzi-los, diante de um cenário de inflação baixa para os níveis históricos”.

PL dos aplicativos

Guimarães disse que o PL dos aplicativos não avançou no Legislativo por total falta de acordo entre as partes, o que abrange plataformas e entregadores. Segundo ele, ao contrário do que diz a oposição, este é o real motivo de a matéria não ter sido votada.

“Claro que a oposição se aproveita disso para acusar o governo de prejudicar motoristas de aplicativo. Mas a verdade é que quem não quis votar foram as partes envolvidas. Não foi o governo”, afirmou. Segundo o ministro, provavelmente, essa matéria só será votada após as eleições.

O deputado libanês Ibrahim al-Musawi, representante do braço político do movimento xiita Hezbollah, afirmou nesta quinta-feira que o grupo respeitará o cessar-fogo de 10 dias com Israel, anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, após negociação com o governo constituído de Beirute. O político confirmou a adesão do movimento — que é crítico das negociações diretas com o Estado judeu — em entrevista à agência de notícias francesa AFP.
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— Nós, do Hezbollah, aderiremos ao cessar-fogo com cautela, desde que haja uma cessação completa das hostilidades contra nós e que Israel não o utilize como oportunidade para realizar assassinatos — disse o parlamentar. — Agradecemos ao Irã por pressionar o Líbano a nosso favor.
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A adesão do Hezbollah ao cessar-fogo temporário é um indicador positivo em um cenário diplomático complexo. Israel aceitou negociações diretas com o governo do Líbano, que não participa diretamente da guerra travada sobretudo no sul do país — embora grandes cidades, incluindo Beirute, tenham sido bombardeadas com intensidade. Israel não aceita negociar com o Hezbollah, que considera um grupo terrorista, enquanto o movimento libanês condenou as conversas diretas entre o governo do país e a liderança do Estado judeu.
À medida que versões conflitantes sobre a organização de um possível diálogo entre o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, representantes do grupo de inspiração xiita se opuseram ao avanço das tratativas diretas. Também em entrevista à AFP, o deputado Hussein Hajj Hassan, também do Hezbollah, classificou o diálogo com a liderança do Estado judeu de “um grave erro”.
— Negociações diretas com o inimigo são um grave pecado e um grave erro… e não serve a nenhum interesse do país — afirmou Hassan, horas antes do anúncio do cessar-fogo.
A trégua total das hostilidades foi uma condição imposta pelo governo do Líbano para avançar com as conversas diretas com Israel — os dois países não mantêm relações diplomáticas e travaram guerras em lados opostos desde a fundação do Estado judeu em 1948. O governo israelense insistia por uma ordem inversa: avançar com as negociações que levassem a um desarmamento do Hezbollah, antes de interromper os ataques.
A ofensiva militar de Israel contra o território libanês, retomada em 2 de março após um longo período de trégua iniciado em 2024, matou mais de 2 mil pessoas e provocou o deslocamento interno de mais de 1,2 milhão. O impacto civil foi denunciado pelo governo libanês e por líderes políticos e religiosos ao redor do mundo. As Forças Armadas de Israel afirmam que os alvos atacados tem ligação com o Hezbollah, e que ações em áreas civis densamente povoadas ocorreriam em decorrência do grupo manter operações nessas áreas — uma alegação similar à utilizada para atacar o Hamas na Faixa de Gaza.
O Ministério da Saúde do Líbano anunciou nesta quinta-feira que um ataque horas antes do início do cessar-fogo matou ao menos 7 pessoas e feriu 33 na cidade de Ghazieh. A mídia estatal libanesa já classifica o episódio como um “massacre contra civis”, apontando que uma operação para a remoção de destroços e entulho ainda está em andamento, o que poderia fazer o número de vítimas subir ainda mais. (Com AFP)
Em 27/2, viajei a trabalho para Doha. O plano era passar o fim de semana na cidade, realizar reuniões na segunda-feira e retornar em seguida. Menos de 24 horas após minha chegada, porém, o contexto regional mudou abruptamente. EUA e Israel bombardearam o Irã, ainda durante negociações diplomáticas mediadas por Omã. A resposta de Teerã atingiu Israel e alvos militares em países do Golfo. O espaço aéreo do Catar foi então fechado, e minha saída só se concretizou em 13/3. Minha experiência, ainda que pontual, oferece um prisma para refletir sobre uma narrativa mais ampla: a ideia de que o Golfo teria se consolidado como um espaço de estabilidade em um Oriente Médio marcado por volatilidade.
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Nas últimas décadas, com o declínio do Levante — região profundamente conectada ao Brasil por fluxos migratórios de libaneses, sírios e palestinos —, os países do Golfo passaram a ocupar posição central na geopolítica e na economia regional, além de se afirmarem como novos polos de cultura e arte árabes. Catar e Emirados Árabes Unidos (EAU) investem em diversificação econômica, buscando reduzir a dependência de hidrocarbonetos nas próximas décadas.
Cidades como Dubai, Abu Dhabi e Doha emergiram como hubs globais de aviação, finanças, tecnologia, turismo e hospitalidade. A realização de megaeventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2022 no Catar, consolidou a imagem da região como espaço estável e globalmente conectado. Essa construção não foi casual: trata-se de um projeto de inserção internacional sustentado por estabilidade política interna, capacidade de investimento e articulação com potências externas, como os EUA e, cada vez mais, a Ásia.
Navio militar transita pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico
Sahar AL ATTAR / AFP
Os acontecimentos recentes, contudo, colocam essa narrativa em xeque e causam dano reputacional aos países mais ricos do Golfo. A escalada regional expõe uma vulnerabilidade estrutural: a dependência simultânea de garantias externas de segurança e da manutenção de relações funcionais com atores regionais. A presença militar estadunidense, historicamente vista como fator de dissuasão, passa também a representar risco, ao transformar territórios do Golfo em potenciais alvos.
Ao mesmo tempo, a crise evidencia assimetrias no sistema de alianças. Quando interesses estratégicos divergem em Washington, a prioridade atribuída a Israel tende a prevalecer sobre a influência dos parceiros do Golfo. Essa percepção ajuda a explicar a postura adotada até o cessar-fogo: contenção, ênfase em defesa e recusa em aderir diretamente à escalada militar. Não se trata apenas de cálculo tático de curto prazo. A geografia impõe limites claros: independentemente do desfecho do conflito, o Irã continuará sendo vizinho, exigindo, cedo ou tarde, algum nível de reacomodação diplomática.
Isso não significa, porém, que os países do Golfo não estejam repensando suas estratégias de segurança. Os EAU dispõem de capacidade para integrar eventuais ações militares contra o Irã, assim como a Arábia Saudita, em razão de seus robustos meios de poder aéreo. Ambos já atuaram conjuntamente no Iêmen.
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Paralelamente, Riad estreita laços de defesa com o Paquistão, enquanto os EAU aprofundam o diálogo estratégico com a Índia. Catar e Omã mantêm postura mais diplomática e mediadora, mas têm condenado de forma mais enfática ataques iranianos, especialmente contra infraestruturas e alvos civis. Além disso Arábia Saudita, EAU e Catar já buscam apoio da Ucrânia para se defender de drones iranianos.
Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz
Giuseppe CACACE / AFP
A questão do Estreito de Ormuz e a pressão iraniana sobre a cadeia energética global mostram como as implicações econômicas são igualmente relevantes. O modelo de desenvolvimento recente do Golfo pressupõe previsibilidade e segurança. Setores como aviação, mercado imobiliário, tecnologia financeira e infraestrutura digital são particularmente sensíveis a choques de confiança. A interrupção de rotas aéreas e o aumento da percepção de risco geopolítico tendem a gerar efeitos que extrapolam o campo militar. O interesse dos países do Golfo é, portanto, claro: uma rápida desescalada que permita o retorno da normalidade econômica.
Com o impasse nas negociações EUA–Irã mediadas pelo Paquistão durante o cessar-fogo de duas semanas, os países do Golfo parecem seguir apostando na resiliência de suas defesas aéreas e em uma saída diplomática para conter a escalada regional. Talvez fique claro que a sub-região não é mais tão excepcional em termos de segurança, mas resta acompanhar como conseguirá se manter próspera em meio à instabilidade.
* Mestranda em Relações Internacionais na Johns Hopkins University de Bolonha, Itália e integrante do Observatório do Golfo, grupo de pesquisa acadêmico liderado pelo IDP.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que Israel e o Líbano concordaram com um cessar-fogo temporário de 10 dias, após conversas com o presidente libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Segundo o anúncio, feito por Trump em sua rede Truth Social, a trégua entrará em vigor nesta noite, enquanto o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio trabalharão com as duas partes para tentar alcançar uma “paz duradoura”.
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O acordo ocorre em meio à ofensiva militar israelense no Líbano, que, segundo o Ministério da Saúde libanês, deixou mais de dois mil mortos e provocou o deslocamento de cerca de um milhão de pessoas. Apesar do histórico de confrontos, o atual conflito entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, aliado ao Irã, teve início como extensão da guerra regional envolvendo Estados Unidos, Israel e a República Islâmica. Forças do Hezbollah lançaram ataques contra o território israelense em resposta aos bombardeios em Teerã que resultaram na morte do líder supremo iraniano, desencadeando a resposta militar de Israel, com bombardeios principalmente nos subúrbios ao sul da capital Beirute e uma incursão terrestre na região sul do Líbano, próxima à fronteira entre os dois países.
Segundo a TV al-Mayadeen, ligada ao grupo Hezbollah — que antecipou a possibilidade do anúncio —, a trégua seria resultado da pressão iraniana. Representantes do governo israelense teriam analisado a proposta ao longo do dia e decidido pela adoção do cessar-fogo após uma reunião do Gabinete de segurança. Autoridades libanesas também já haviam adiantado ao Financial Times que o cessar-fogo provavelmente entraria em vigor “esta semana”, depois que as forças israelenses tomassem a província de Bint Jbeil, um reduto do Hezbollah.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o principal objetivo da negociação com o Líbano era garantir o “desmantelamento” do movimento islamista Hezbollah, que atua em paralelo ao Estado libanês.
— Nas negociações com o Líbano há dois objetivos fundamentais: em primeiro lugar, o desmantelamento do Hezbollah; em segundo lugar, uma paz sustentável (…) alcançada por meio da força — declarou o primeiro-ministro depois que os dois países realizaram as primeiras conversas diretas em décadas, sem a participação do grupo xiita.
Netanyahu afirmou que os Estados Unidos mantêm Israel constantemente informado sobre seus contatos com o Irã e que os dois países compartilham os mesmos objetivos, acrescentando que querem que o urânio enriquecido seja retirado do país, que sua capacidade de enriquecimento seja eliminada e que o Estreito de Ormuz seja reaberto. No mesmo dia, Trump declarou que “acolheria com satisfação” o fim do conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano, segundo um alto funcionário do governo americano informou à AFP.
— O presidente acolheria com satisfação o fim das hostilidades no Líbano como parte de um acordo de paz entre Israel e o Líbano — disse o funcionário, falando sob condição de anonimato. — Mas iisso não é algo que tenhamos solicitado, nem faz parte das negociações de paz com o Irã.
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Com o anúncio do cessar-fogo entre Irã e EUA, confirmado na segunda-feira passada após Trump ameaçar “matar a civilização” iraniana, a inclusão do Líbano foi alvo de discórdia. Teerã e o Paquistão, mediador do diálogo, afirmaram que a pausa nos combates no país árabe foi acertada com os americanos. Israel, amparado pelos EUA, disse que a guerra continuava, e horas depois lançou o mais violento ataque desde o começo de março. Cerca de 350 pessoas morreram, outras centenas ficaram feridas, e as bombas caíram em áreas onde não há presença do Hezbollah. O Irã reagiu fechando o Estreito de Ormuz, e disse que os ataques eram uma violação do cessar-fogo.
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Os EUA pediram “moderação” a Israel, e pressionaram israelenses e libaneses a se sentarem à mesa na terça-feira para discutir um plano de longo prazo, sem o Hezbollah. O encontro, o primeiro desde 1993, aconteceu na terça-feira, em Washington, e os embaixadores dos dois países nos Estados Unidos concordaram em prosseguir com as conversas, visando um cessar-fogo e, em um ponto mais complexo, o desarmamento do grupo xiita, previsto no acordo que encerrou outra guerra, no final de 2024.
O líder das negociações com os EUA e presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, exaltou a participação do grupo xiita no conflito na quarta-feira e comentou sobre a possibilidade de um cessar-fogo, que classificou como “resultado da resistência e da luta firme do grande Hezbollah e da unidade do Eixo da Resistência”.
Em uma publicação no X, Ghalibaf escreveu que “os Estados Unidos devem cumprir o acordo. Resistência (grupo de aliados do regime autocrático de Teerã) e Irã são uma só alma, tanto na guerra quanto no cessar-fogo”. Ele acrescentou ainda que os EUA deveriam desistir do erro [de manter] “Israel Primeiro”, em referência aos laços estreitos entre Washington e Tel Aviv.
Antes do anúncio, membros do governo libanês ouvidos pela agência Reuters diziam que havia conversas sobre a trégua em curso, e que os americanos pressionavam Israel para que suspendesse os bombardeios e a ofensiva por terra no sul do Líbano. Também citado pela Reuters, Ibrahim al-Moussawi, deputado do Hezbollah, estimou que um cessar-fogo poderia ser anunciado “em breve”, sem estimar prazos.
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Inclusão do Líbano no acordo
As informações sobre o cessar-fogo no Líbano surgem após a maratona de negociações entre EUA e Irã no Paquistão, no fim de semana, e em meio a discussões de bastidores sobre novas reuniões. Na terça-feira, Trump disse que “alguma coisa ocorreria nos próximos dois dias”, e o chefe do Exército paquistanês, Asif Munir, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para reuniões com autoridades locais — segundo a imprensa iraniana, ele levou uma mensagem dos americanos.
Como destacou o representante do Irã à al-Mayadeen e como afirmou al-Moussawi à rede al-Jazeera, Teerã exige que o conflito no país árabe seja incluído em qualquer tipo de plano.
— Os iranianos estão exercendo forte pressão sobre os americanos e impuseram como condição que os americanos incluam o Líbano no cessar-fogo. Caso contrário, continuarão o bloqueio de Ormuz. É a carta na manga econômica — disse o deputado. — Os iranianos se abriram para diversos atores regionais e internacionais para alcançar esse objetivo.
Em reunião com o premier libanês, Nawaf Salam, o chefe da agência da ONU para refugiados (Acnur), Bahram Salih, fez um apelo à comunidade internacional para que ajudem os mais de um milhão de deslocados internos pela guerra.
— As consequências humanitárias desta guerra são imensas, e enfatizo a necessidade de poupar os civis e as infraestruturas civis dos estragos dos ataques. O Líbano não merece ficar preso num ciclo recorrente de violência; merece apoio e estabilidade — declarou à imprensa.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país”, disse Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira. A declaração foi feita às vésperas de uma viagem do petista a Barcelona, onde se reunirá na sexta-feira com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, antes de participar de um fórum internacional de lideranças da esquerda, o Fórum Democracia Sempre.
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— No Brasil acreditávamos no desarmamento e promulgamos em 1988 uma Constituição que proíbe fabricar armas nucleares. O que aconteceu? Os EUA não se desarmaram, a Rússia também não, [nem] China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. Estamos quase desprotegidos. Mas não quero investir em armas, quero investir em livros, alimentação, emprego — disse. — Já liguei para o presidente Xi Jinping, para o primeiro-ministro indiano, para Putin, para Macron, para todos, pedindo que nos reunamos. Porque Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país. Não foi eleito para isso e sua Constituição não permite.
Ao ser questionado sobre como definiria o líder americano, Lula afirmou que Trump está “jogando um jogo muito equivocado”, partindo da premissa de que “a força econômica, militar e tecnológica americana determina as regras do jogo”. Na avaliação do petista, ao agir assim, o republicano acaba criando problemas para os Estados Unidos, sem considerar que, ao atacar o Irã, por exemplo, “quem pagaria” a conta seria a própria população.
— Quando se é chefe de Estado, deve-se respeitar a soberania dos outros países — disse ele, citando ainda as tarifas americanas: — Me chamou a atenção que os argumentos de Trump para impor tarifas ao Brasil não eram verdadeiros. Decidi ter muita paciência e disse a ele: “Dois países governados por dois senhores de 80 anos deveriam conversar com maturidade”. [Também] disse a Trump que era importante definir que tipo de líder se quer ser. Prefiro ser um líder respeitado, não temido. Ninguém tem o direito de causar medo.
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Intervenção na América Latina
Diante da invasão americana na Venezuela, Lula foi perguntado sobre o possível cenário de mais intervenções na América Latina — e se temia essa possibilidade. O presidente, no entanto, disse que se sente seguro, citando que, pela primeira vez na história, o Brasil tem “um ex-presidente preso e quatro generais de quatro estrelas encarcerados”, indicando que, “aqui a democracia funciona [e é] um exemplo para os Estados Unidos”. Lula disse, ainda, que sua guerra “é a do argumento” e que deseja travá-la numa mesa de negociação.
— Pelo amor de Deus, uma terceira guerra mundial seria uma tragédia dez vezes mais potente que a segunda — declarou, mencionando também a ideia de novas eleições no território venezuelano: — Isso é um problema da Venezuela, e não do Brasil. Mas, se eu fosse venezuelano e vice-presidente, e se tivesse ocorrido o que ocorreu, tomaria posse e convocaria eleições gerais. Teria que haver um processo eleitoral pactuado com a oposição para que o resultado fosse acatado e a Venezuela voltasse a ter paz. O que não pode ser é que os EUA acreditem que podem administrar a Venezuela. Isso não é normal.
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Citando o regime das Nações Unidas, Lula disse sentir-se incomodado com a ideia de que o Conselho de Segurança, “criado para manter a paz, faça guerra”. Para ele, “é como se o mundo fosse um navio à deriva, sem nenhuma instituição que oriente o comportamento civilizatório das nações”. O presidente ressaltou que a situação é especialmente delicada porque nunca, desde a Segunda Guerra, houve tantos conflitos simultâneos. O dinheiro gasto com as guerras, disse, seria capaz de acabar com a fome de 630 milhões de pessoas.
— Chegou o momento de redefinir as Nações Unidas para dar credibilidade, porque, caso contrário, Trump tem razão. As instituições internacionais não cumprem o papel para o qual foram criadas. E por quê? Porque os cinco países do Conselho de Segurança que deveriam ter um comportamento exemplar não o tem. Os senhores da paz se transformaram em senhores da guerra — afirmou. — Na África há países com mais de 120 milhões de habitantes e nenhum está no Conselho. Tampouco Brasil, Alemanha, Índia. É preciso acabar com o direito de veto. A geopolítica de 1945 não serve para 2026.
‘O bolsonarismo não voltará a governar’
Quando perguntado sobre as pesquisas que apontam para um empate com Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais deste ano — com o senador aparecendo pela primeira vez frente do petista no cenário simulado de segundo turno —, Lula manteve o tom firme: disse ter a convicção de que “o bolsonarismo não voltará a governar” no Brasil porque “o povo prefere a democracia”. E acrescentou que, para ele, o fato de a sociedade brasileira estar dividida não é novidade:
— Nunca ganhei uma eleição no primeiro turno. E o mundo se polarizou ainda mais; a extrema direita ganha força com um discurso mentiroso e negacionista, utilizando as redes digitais como nunca antes, e agora com ajuda da inteligência artificial.

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