Trégua temporária: Trump diz que Israel e Líbano concordaram com cessar-fogo de 10 dias
Dimensão da destruição: Imagens de satélite mostram escala de demolições israelenses no Líbano, com mais de 1,4 mil edifícios destruídos em um mês
— Nós, do Hezbollah, aderiremos ao cessar-fogo com cautela, desde que haja uma cessação completa das hostilidades contra nós e que Israel não o utilize como oportunidade para realizar assassinatos — disse o parlamentar. — Agradecemos ao Irã por pressionar o Líbano a nosso favor.
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A adesão do Hezbollah ao cessar-fogo temporário é um indicador positivo em um cenário diplomático complexo. Israel aceitou negociações diretas com o governo do Líbano, que não participa diretamente da guerra travada sobretudo no sul do país — embora grandes cidades, incluindo Beirute, tenham sido bombardeadas com intensidade. Israel não aceita negociar com o Hezbollah, que considera um grupo terrorista, enquanto o movimento libanês condenou as conversas diretas entre o governo do país e a liderança do Estado judeu.
À medida que versões conflitantes sobre a organização de um possível diálogo entre o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, representantes do grupo de inspiração xiita se opuseram ao avanço das tratativas diretas. Também em entrevista à AFP, o deputado Hussein Hajj Hassan, também do Hezbollah, classificou o diálogo com a liderança do Estado judeu de “um grave erro”.
— Negociações diretas com o inimigo são um grave pecado e um grave erro… e não serve a nenhum interesse do país — afirmou Hassan, horas antes do anúncio do cessar-fogo.
A trégua total das hostilidades foi uma condição imposta pelo governo do Líbano para avançar com as conversas diretas com Israel — os dois países não mantêm relações diplomáticas e travaram guerras em lados opostos desde a fundação do Estado judeu em 1948. O governo israelense insistia por uma ordem inversa: avançar com as negociações que levassem a um desarmamento do Hezbollah, antes de interromper os ataques.
A ofensiva militar de Israel contra o território libanês, retomada em 2 de março após um longo período de trégua iniciado em 2024, matou mais de 2 mil pessoas e provocou o deslocamento interno de mais de 1,2 milhão. O impacto civil foi denunciado pelo governo libanês e por líderes políticos e religiosos ao redor do mundo. As Forças Armadas de Israel afirmam que os alvos atacados tem ligação com o Hezbollah, e que ações em áreas civis densamente povoadas ocorreriam em decorrência do grupo manter operações nessas áreas — uma alegação similar à utilizada para atacar o Hamas na Faixa de Gaza.
O Ministério da Saúde do Líbano anunciou nesta quinta-feira que um ataque horas antes do início do cessar-fogo matou ao menos 7 pessoas e feriu 33 na cidade de Ghazieh. A mídia estatal libanesa já classifica o episódio como um “massacre contra civis”, apontando que uma operação para a remoção de destroços e entulho ainda está em andamento, o que poderia fazer o número de vítimas subir ainda mais. (Com AFP)










