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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, com vetos, a lei que institui o Código de Defesa do Contribuinte, beneficia bons pagadores e torna mais rígidas as regras contra devedores contumazes. A sanção foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (9).  

“Um dos principais objetivos da lei é impedir que empresas usem brechas legais para, ao longo de anos, ficarem sem pagar impostos, prejudicando de forma desleal as instituições sérias que concorrem com elas e todo cidadão que cumpre com suas obrigações em dia”, diz nota do governo federal.

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A nova legislação cria a figura do “devedor contumaz”, pessoa que pratica inadimplência reiterada, utilizando a prática como estratégia de negócio. 

“Quem for comprovadamente um devedor contumaz fica impedido de receber benefícios fiscais, contratar com o Poder Público e não é beneficiado com extinção de punibilidade em crimes tributários caso pague o tributo”, acrescenta a nota.

Ao mesmo tempo em que coíbe a ação de sonegadores, a lei traz benefícios às empresas que têm um bom histórico de pagamento, com a instituição do Programa de Estímulo à Conformidade Tributária (Sintonia). A lei também cria o Programa de Conformidade Cooperativa Fiscal (Confia) e o Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (Programa OEA), no âmbito aduaneiro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira que o presidente colombiano, Gustavo Petro, um esquerdista que sua administração há muito menospreza, visitará a Casa Branca no próximo mês, expressando otimismo em relação às relações bilaterais. Os dois concordaram na quinta-feira em realizar ações conjuntas contra o Exército de Libertação Nacional (ELN) — principal guerrilha em atividade, com atuação marcante na fronteira com a Venezuela — após uma escalada de tensões em razão dos bombardeios americanos em Caracas, da captura do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, e de ameaças de possíveis ações militares semelhantes na Colômbia. A tensão regional pelas ameaças de Trump também alcança o México, cuja presidente, Claudia Sheinbaum, demonstrou nesta sexta-feira o desejo de “fortalecer coordenação” com os Estados Unidos.
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“Tenho certeza de que tudo correrá muito bem para a Colômbia e para os EUA, mas a cocaína e outras drogas devem ser IMPEDIDAS de entrar nos Estados Unidos”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Os dois líderes “se comprometeram a fazer ações conjuntas” contra o ELN, que desafia o governo de Petro com ataques constantes e sequestros de agentes de segurança após negociações de paz fracassadas desde que assumiu o poder em 2022. Em dezembro, a organização paramilitar ordenou o confinamento de civis nas áreas sob seu domínio, no que chamou de “greve armada” para responder às “ameaças de intervenção de Trump”.
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No telefonema, Petro já havia aceitado o convite de Trump para uma reunião em Washington e pediu “ajuda para atingir duramente o ELN na fronteira” com a Venezuela, afirmou o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti. Segundo o ministro, os guerrilheiros “sempre terminavam na Venezuela” após confrontos com a força pública colombiana. “Havia vezes em que a Venezuela ajudava e outras em que não”, pontuou na quinta-feira.
Horas mais tarde, o líder rebelde mais procurado da Colômbia convocou outros comandantes guerrilheiros para uma reunião a fim de discutir a prisão de Maduro pelos Estados Unidos. “Hoje enfrentamos um inimigo comum”, disse Ivan Mordisco, líder dos remanescentes do extinto movimento armado das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em um vídeo enviado à imprensa. “Convocamos vocês com urgência para uma cúpula de comandantes insurgentes da Colômbia e de toda a América.”
Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira porosa de 2.200 quilômetros, onde diferentes grupos armados disputam as rendas do narcotráfico, da mineração ilegal e do contrabando. Para Benedetti, é necessário que os guerrilheiros “também sejam atacados na retaguarda quando são atacados aqui”.
Petro tentou sem sucesso negociar a paz com o ELN após assumir o poder em 2022, como parte de sua política para desmobilizar todos os grupos armados por meio do diálogo. As negociações com o ELN estão suspensas após uma ofensiva dos rebeldes contra combatentes de outra guerrilha em uma área de fronteira conhecida como Catatumbo, há um ano, que deixou uma centena de mortos e dezenas de milhares de deslocados.
Petro e Trump tiveram repetidos desencontros sobre temas como narcotráfico, tarifas e imigração. Aliados militares e econômicos históricos, Colômbia e Estados Unidos estão em um dos piores momentos de sua relação bilateral. Desde o fim de setembro, Petro não tem visto americano por ordem de Trump.
Ameaça de ataque por terra
Também sob a mira americana, a presidente do México afirmou nesta sexta-feira que seu governo busca maior coordenação com os Estados Unidos após Trump, ter ameaçado “atacar por terra” os cartéis de drogas.
— Ontem [quinta-feira], pedi ao chanceler Juan Ramón de la Fuente que entrasse em contato direto com o secretário do Departamento de Estado e, se necessário, conversasse com o presidente Trump para fortalecer a coordenação no âmbito [do acordo bilateral de segurança] — disse a presidente em sua coletiva de imprensa matinal.
Sheinbaum abordou o assunto em resposta a uma pergunta sobre seu telefonema na quinta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— Discutimos muitos tópicos, incluindo a situação na América Latina e a defesa da soberania — disse a presidente.
Leia mais: Trump diz que supervisão dos EUA sobre a Venezuela pode durar anos; governo quer barril de petróleo a US$ 50
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Em atualização. Com AFP.
O agente federal da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês), que atirou e matou uma mulher de 37 anos em Minneapolis durante uma operação na última quarta-feira, é um veterano da Guerra do Iraque e serviu por quase 20 anos na Patrulha da Fronteira. As informações foram reveladas pela agência de notícias Associated Press (AP). A morte provocou protestos nas cidades de Mineápolis e Saint Paul, em Minnesota, onde os manifestantes também gritaram contra a presença do ICE na região.
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Jonathan Ross, que atirou em Renee Good, trabalha como agente do ICE desde 2015. Ele é designado para operações de captura de fugitivos, buscando prender “alvos de alto valor”, conforme testemunhou em depoimento judicial no mês passado. O agente também foi líder da Força-Tarefa Conjunta de Combate ao Terrorismo do FBI, instrutor de armas de fogo e membro da Swat, unidade de elite da polícia, treinadas e equipadas para situações de alto risco.
— Eu defino os alvos, crio um dossiê, realizo a vigilância e, em seguida, elaboro um plano para executar o mandado de prisão — contou Ross, na ocasião, segundo a AP.
Renee Nicole Good
Reprodução
No mesmo depoimento, Ross afirmou ter servido no Iraque entre 2004 e 2005 com a Guarda Nacional de Indiana, como metralhador em um caminhão. Ele, ainda de acordo com a AP, retornou do Iraque em 2005, cursou a faculdade e ingressou na Patrulha da Fronteira em 2007, perto de El Paso, no Texas. Trabalhou lá até 2015, atuando como agente de inteligência de campo, coletando e analisando informações sobre cartéis, tráfico de drogas e contrabando de pessoas.
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Após a morte de Renee, protestos começaram a ser organizados por Minnesota, motivados pelo governador democrata Tim Walz, que considerou um “dever patriótico” manifestar-se contra o assassinato.
— O desejo de sair às ruas, protestar e denunciar a esta administração o quão errada ela está é um dever patriótico neste momento, mas precisa ser feito com segurança — disse Walz na quarta-feira.
Alguns manifestantes exigem que Ross seja indiciado criminalmente, e as autoridades de Minnesota também querem investigar o caso. Pelo menos um manifestante foi preso em frente a um edifício federal na cidade de Saint Paul, na quinta-feira, durante um protesto contra a presença do ICE no estado — uma estratégia que opositores democratas afirmam estar sendo usada pelo presidente americano, Donald Trump, sob pretexto de coibir a imigração ilegal, para interferir e pressionar estados governados por opositores.
Apoio do governo Trump
A Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e outros funcionários do governo Trump defenderam o agente como um profissional experiente da lei que seguiu seu treinamento e atirou na mulher depois de acreditar que ela estava tentando atropelá-lo. O FBI está investigando se o tiro foi, de fato, em legítima defesa.
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O vice-presidente americano, JD Vance, elogiou o serviço prestado pelo agente ao país na quinta-feira, sem mencionar seu nome, dizendo que o oficial do ICE “merece gratidão”.
— Este é um cara que realmente fez um trabalho muito, muito importante para os Estados Unidos da América — disse Vance. — Ele foi agredido, atacado e ficou ferido por causa disso.
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, disse que Ross “agiu de acordo com o treinamento recebido”.
— O agente é um veterano do ICE que serviu ao seu país durante toda a sua vida — afirmou a porta-voz.
Ross ficou ferido em outra operação
Em 17 de junho do ano passado, Ross era o líder de uma equipe de agentes que foi prender um homem que estava ilegalmente nos EUA, no subúrbio de Bloomington, em Minneapolis. Os agentes se reuniram em frente à casa do homem, Roberto Munoz-Guatemala, que saiu de carro. Agentes do FBI acionaram as sirenes, ordenando que ele encostasse, mas ele não obedeceu. Ross, então, posicionou seu veículo diagonalmente na frente de Muñoz-Guatemala para forçá-lo a parar.
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Ross ordenou ao motorista que baixasse o vidro completamente, o que não foi feito. Ele usou um dispositivo conhecido como “quebra-vidros com mola” para quebrar o vidro traseiro do lado do motorista e, em seguida, alcançou o interior do carro para destrancar a porta do motorista. Munoz-Guatemala, então, arrancou com o carro enquanto o braço de Ross estava preso, arrastando o agente pela rua. Ross disparou sua arma de choque, atingindo Munoz-Guatemala com os dardos na cabeça, rosto e ombro.
Segundo a promotoria, Muñoz-Guatemala não foi incapacitado pela arma de eletrochoque e continuou dirigindo, levando Ross a percorrer a distância de um campo de futebol em 12 segundos. O agente, que ficou gravemente ferido, acabou levando dezenas de pontos em um hospital. Os promotores disseram que ele havia sofrido “múltiplos cortes profundos e escoriações no joelho, cotovelo e rosto”.
— Foi uma dor bastante excruciante — testemunhou Ross.
Muñoz-Guatemala, posteriormente, foi preso e acusado de agressão a um agente federal com arma perigosa ou letal. No mês passado, um júri considerou Munoz-Guatemala culpado, concluindo que ele “deveria razoavelmente saber que Jonathan Ross era um agente da lei e não um cidadão comum tentando agredi-lo”.
O principal foco de incêndio florestal na Patagônia argentina consumia, até esta sexta-feira, cerca de 3.500 hectares e provocou a evacuação de milhares de pessoas, confirmaram autoridades da província de Chubut, no sul do país. Desde segunda-feira, o balneário de Puerto Patriada, a cerca de 1.700 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires, enfrenta um dos incêndios mais graves de uma série de queimadas florestais em várias províncias patagônicas.
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O governador Ignacio Torres afirmou na rede social X que, nesse povoado andino de cerca de 50 habitantes, o fogo “já afetou 3.500 hectares de campo e floresta nativa” e que o Ministério Público determinou que “foi iniciado de forma intencional, com o uso de acelerantes”. A área equivale a 4,9 mil campos de futebol.
As chamas tomam os morros que margeiam o lago Epuyén, e grandes nuvens de fumaça cobrem a paisagem andina. Nas últimas horas, o fogo cruzou a Ruta Nacional 40, a principal via da região, elevando o risco para áreas residenciais e florestais. Ao menos cinco casas foram destruídas e moradores próximos tiveram que evacuar suas casas diante da propagação rápida do fogo e das altas temperaturas e ventos fortes que dificultam o trabalho de brigadistas e bombeiros.
As previsões meteorológicas indicam condições adversas novamente, o que agrava ainda mais a situação para as equipes de combate às chamas e para as comunidades afetadas. Além das altas temperaturas predominantes nos últimos dias, as intensas rajadas de vento registradas na tarde de ontem também dificultaram o trabalho dos brigadistas.
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Cerca de 3 mil turistas em Puerto Patriada e oito famílias da área vizinha de Coihue, perto da localidade de Epuyén, ao sul do lago, foram evacuados, detalhou Torres. Pelo menos 10 casas foram atingidas pelas chamas.
O risco de incêndio era previsível desde maio do ano passado porque “Chubut registrou níveis históricos de déficit de precipitações, da ordem de 50%”, disse nesta sexta-feira ao canal TN Ariel Amthauer, diretor de incêndios do Parque Nacional Los Alerces.
“Muitos dos córregos dos quais podemos obter água para enterrar motobombas estão secos (…) há lagoas que estão chegando a níveis mínimos”, afirmou Amthauer.
Além de Chubut, há incêndios florestais nas províncias patagônicas de Neuquén, Río Negro e Santa Cruz, segundo a Agência Federal de Emergências. Centenas de brigadistas combatem o fogo com apoio de helicópteros e aviões-tanque.
Amthauer acrescentou que “o comportamento do incêndio para hoje e amanhã (sexta e sábado) realmente não é animador (…) e, para o restante do verão, a projeção, por enquanto, não é boa. Em janeiro não estamos vendo precipitações e, em fevereiro, muito pouco”.
Torres afirmou que “os miseráveis que atearam fogo vão terminar presos” e anunciou uma recompensa de 50 milhões de pesos (aproximadamente R$182 mil) para quem fornecer informações sobre o incêndio.
*Com informações de La Nación e AFP
O principal foco de incêndio florestal na Patagônia argentina consumia, até esta sexta-feira, cerca de 3.500 hectares e provocou a evacuação de milhares de pessoas, confirmaram autoridades da província de Chubut, no sul do país. Desde segunda-feira, o balneário de Puerto Patriada, a cerca de 1.700 quilômetros a sudoeste de Buenos Aires, enfrenta um dos incêndios mais graves de uma série de queimadas florestais em várias províncias patagônicas.
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As chamas tomam os morros que margeiam o lago Epuyén, e grandes nuvens de fumaça cobrem a paisagem andina. Nas últimas horas, o fogo cruzou a Ruta Nacional 40, a principal via da região, elevando o risco para áreas residenciais e florestais. Ao menos cinco casas foram destruídas e moradores próximos tiveram que evacuar suas casas diante da propagação rápida do fogo e das altas temperaturas e ventos fortes que dificultam o trabalho de brigadistas e bombeiros.
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“Muitos dos córregos dos quais podemos obter água para enterrar motobombas estão secos (…) há lagoas que estão chegando a níveis mínimos”, afirmou Amthauer.
Além de Chubut, há incêndios florestais nas províncias patagônicas de Neuquén, Río Negro e Santa Cruz, segundo a Agência Federal de Emergências. Centenas de brigadistas combatem o fogo com apoio de helicópteros e aviões-tanque.
Amthauer acrescentou que “o comportamento do incêndio para hoje e amanhã (sexta e sábado) realmente não é animador (…) e, para o restante do verão, a projeção, por enquanto, não é boa. Em janeiro não estamos vendo precipitações e, em fevereiro, muito pouco”.
Torres afirmou que “os miseráveis que atearam fogo vão terminar presos” e anunciou uma recompensa de 50 milhões de pesos (aproximadamente R$182 mil) para quem fornecer informações sobre o incêndio.
*Com informações de La Nación e AFP
Após o governo interino da Venezuela anunciar a retomada de contatos diplomáticos diretos com os EUA, que na prática normaliza a relação depois dos ataques a Caracas e a captura do presidente Nicolás Maduro, uma figura desponta para assumir um eventual consulado americano no país latino: John McNamara, encarregado de negócios da Unidade de Assuntos Venezuelanos do Departamento de Estado dos EUA, com sede na vizinha Colômbia. Antes mesmo de Caracas revelar que a diplomacia seria reestabelecida, uma equipe de autoridades enviadas pela Casa Branca chegou à capital venezuelana nesta sexta-feira, incluindo McNamara. O objetivo era “realizar uma avaliação inicial para uma possível retomada gradual das operações” no país, disse um porta-voz do departamento ao New York Times. Os Estados Unidos, que não têm embaixador na Venezuela desde 2010, suspenderam as operações da embaixada e retiraram todo o seu pessoal em 2019.
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Diplomata de carreira do Serviço Diplomático Sênior dos Estados Unidos, John McNamara assumiu há quase um ano o posto de encarregado de negócios interino da Embaixada americana em Bogotá, depois de mais de duas décadas de atuação em Washington e no exterior. Natural de Nova York, McNamara construiu boa parte de sua trajetória profissional na América Latina e no Caribe, com passagens repetidas pela Colômbia, país que conhece de perto, e atuação direta em temas sensíveis como combate ao narcotráfico, política regional e negociações de paz.
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Antes de retornar a Bogotá, ele foi chefe da missão dos EUA no Caribe Holandês, em Curaçao, e chefe adjunto da missão — além de encarregado de negócios interino — na embaixada em Lima. No território colombiano, serviu por três períodos distintos, incluindo a função de conselheiro político durante os dois últimos anos das negociações de paz entre o governo local e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) — uma das principais guerrilhas do país. Posteriormente, ocupou o posto de encarregado de negócios interino da embaixada americana em Nassau, nas Bahamas.
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McNamara atuou também em zonas de conflito no Oriente Médio e na Ásia, como conselheiro provincial na Babilônia, no Iraque, e diretor-adjunto da equipe de transição integrada ao Ministério do Interior em Bagdá Oriental. No Afeganistão, cumpriu duas missões, como adjunto da Equipe de Reconstrução Provincial de Kandahar e como diretor da Seção de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei na embaixada em Cabul. Em Washington, foi oficial sênior da mesa da Venezuela, oficial político e diretor-adjunto do Escritório de Assuntos Mexicanos, além de lecionar na Universidade de Defesa Nacional.
Veterano do Exército dos EUA, onde serviu majoritariamente na América Latina e integrou o Estado-Maior Conjunto no Pentágono, McNamara é formado pela Academia Militar de West Point e tem mestrado pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército americano. Fluente em espanhol, é considerado um diplomata com perfil técnico e forte experiência em segurança, política regional e gestão de crises.
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O governo venezuelano anunciou que os contatos diplomáticos com Washington seriam reestabelecidos, seis dias após os ataques à sua capital e a deposição de Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Em comunicado, a administração liderada pela presidente interina Delcy Rodríguez reiterou a denúncia de que foi “vítima de uma agressão criminal, ilegítima e ilegal contra seu território e seu povo”. Segundo o anúncio, as autoridades venezuelanas condenam a ação americana e esclarecem que a decisão de restabelecer missões diplomáticas em ambos os países tem o objetivo de abordar as consequências “da agressão e do sequestro do Presidente da República e da Primeira-Dama, bem como de definir uma agenda de trabalho de interesse mútuo”.
“Como reiterou a Presidente Interina Delcy Rodríguez, a Venezuela enfrentará essa agressão por meio de canais diplomáticos, convicta de que a Diplomacia Bolivariana de Paz é o caminho legítimo para defender a soberania, restaurar o direito internacional e preservar a paz”, diz o comunicado.
No documento divulgado hoje, o governo da presidente interina Delcy Rodríguez afirmou ainda que mais de cem pessoas, entre civis e militares, morreram durante a operação do último sábado, no que classificou como “flagrante violação do direito internacional”.
O governo venezuelano confirmou ainda a chegada da delegação no comunicado e acrescentou que uma equipe diplomática da Venezuela também será enviada em Washington para realizar avaliações correspondentes em solo americano.
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que as declarações recentes do governo dos Estados Unidos sobre a operação militar que resultou na retirada de Nicolás Maduro do poder indicam que não há, neste momento, expectativa de realização de eleições na Venezuela a curto prazo. A leitura é que Washington passou a sinalizar que a prioridade imediata é a estabilização política e institucional do país, após uma ação considerada muito mais ampla do que um ataque pontual.
Na última segunda-feira, dois dias depois de ordenar bombardeios na Venezuela e a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, praticamente descartou a possibilidade de eleições nos próximos 30 dias. Questionado em entrevista, afirmou: “Temos que consertar o país primeiro. Não dá para fazer eleições. Não há como o povo votar”.
Segundo interlocutores, o governo brasileiro trabalhava com a hipótese de uma ofensiva limitada, semelhante a operações pontuais conduzidas pelos EUA em outros contextos. A expectativa era de uma ação cirúrgica, direcionada a alvos específicos. “Mas foi muito mais do que isso. O presidente do país foi capturado em uma operação militar que ainda precisará ser plenamente explicada”, afirmou um influente embaixador.
A curto prazo, a principal preocupação do governo brasileiro é evitar um vácuo de poder e a eclosão de conflitos armados internos. Interlocutores avaliam que a sucessão seguiu, ao menos formalmente, os mecanismos previstos na Constituição venezuelana, com a posse da vice-presidente. A maior preocupação do governo Lula sempre foi um cenário de ruptura, com divisão dentro da base governista, disputa armada nas ruas e colapso institucional com impacto direto sobre os países vizinhos, especialmente o Brasil.
Outra a avaliação é que houve, até o momento, demonstração de unidade das principais forças do chavismo em torno do novo arranjo de poder, o que contribuiu para conter mobilizações de rua e confrontos imediatos. Não houve grandes manifestações ou tentativas abertas de desestabilização, o que indica uma manutenção mínima da ordem, o que também interessa aos EUA.
A expectativa, a curtíssimo prazo, é de manutenção desse equilíbrio instável, com monitoramento diário da correlação de forças internas e do grau de intervenção americana na gestão do país e de seus recursos naturais: saiu um ponto de equilíbrio, que era Maduro, e se estabeleceu outro. A questão agora é até onde esse novo arranjo se sustenta sem provocar novas tensões, resume um diplomata.
A avaliação no governo brasileiro é que, passados poucos dias da ação, ainda é cedo para conclusões sobre o grau de envolvimento de atores internos venezuelanos ou sobre eventuais traições dentro do regime. Qualquer ilação, segundo interlocutores a par do assunto, seria precipitada, já que se tratou de uma operação atípica, fora dos roteiros mais usuais de intervenções militares recentes.
Segundo relatos, essa leitura também esteve presente na estratégia americana. Para sustentar a narrativa de que se trata de uma operação de “lei e ordem”, e não de mudança de regime”, Washington teria considerado essencial preservar uma aparência de continuidade institucional. “Eles aprenderam com o Iraque, o Afeganistão e a Líbia que o caos absoluto inviabiliza qualquer objetivo posterior”, disse um interlocutor.
Apesar das fortes tensões, o governo brasileiro avalia que há espaço para convergências pontuais com Washington em torno da estabilidade regional, considerada vital para a segurança brasileira e para mitigar impactos sociais e humanitários ao longo da fronteira. Auxiliares de Lula destacam que essa preocupação se traduz em ações práticas: o Brasil enviou 40 toneladas de insumos médicos para tratamentos de hemodiálise na Venezuela, parte de um compromisso maior de até 100 toneladas, após a destruição do principal centro de distribuição de medicamentos do país durante a operação militar americana. O governo avalia que a interrupção de tratamentos vitais poderia gerar pressões migratórias e colapsos sociais com impacto direto sobre estados brasileiros fronteiriços.
Há também sinais pontuais, segundo relatos, de tentativa de redução da tensão interna na Venezuela, como a libertação de presos, incluindo estrangeiros, movimento interpretado em Brasília como positivo, embora persistam dúvidas sobre a profundidade de qualquer abertura política.
Diante do impacto regional da operação, o presidente Lula intensificou contatos com líderes estrangeiros para articular uma resposta política e diplomática. A avaliação no Planalto é de que a ação americana extrapola o caso venezuelano e projeta efeitos mais amplos sobre o hemisfério ocidental.
Nesse contexto, o governo brasileiro buscou costurar uma declaração conjunta com países como México, Colômbia, Chile, Uruguai e Espanha, com o objetivo de reafirmar princípios do direito internacional, como o respeito à soberania e a rejeição à interferência externa no controle de recursos naturais. A iniciativa também visou evitar a naturalização de precedentes desse tipo.
No plano multilateral, o Brasil levou a mesma linha ao Conselho de Segurança da ONU e à Organização dos Estados Americanos (OEA), buscando estimular uma reação que fosse, nas palavras de um interlocutor, “minimamente digna” diante do episódio. Para o Planalto, o esforço diplomático liderado por Lula busca conter a consolidação de um precedente que possa redefinir, de forma unilateral, as regras de atuação no continente.
Nesta sexta-feira, o governo venezuelano anunciou a retomada de relações diplomáticas com os EUA, seis dias após os ataques em Caracas. Em comunicado, a Venezuela reiterou a denúncia de que foi “vítima de uma agressão criminal, ilegítima e ilegal contra seu território e seu povo”. Os EUA, que não têm embaixador na Venezuela desde 2010, suspenderam as operações na embaixada e retiraram todo o pessoal da embaixada em 2019.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, teria solicitado ser recebida na Casa Branca na próxima terça-feira, afirmaram fontes americanas ouvidas pelo jornal espanhol ABC. A líder chavista teria enviado pedidos a diversos órgãos da administração federal americana em Washington para uma série de reuniões políticas — que poderiam coincidir com uma já anunciada viagem da líder da oposição, María Corina Machado.
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A publicação espanhola afirma que Delcy ainda não tem uma agenda fechada na capital americana, e que não há uma confirmação por parte dos órgãos oficiais. Contudo, fontes americanas consultadas pelo jornal informaram que o procedimento foi iniciado e está em uma fase preliminar, devendo ainda passar por determinados crivos, incluindo sobre a entrada de um voo diplomático a partir da Venezuela. Parte da administração federal americana, como o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Nacional também estariam examinando o pedido.
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As informações sobre a suposta viagem de Delcy aos EUA surgem no mesmo dia em que o governo interino da Venezuela anunciou a retomada das relações diplomáticas com Washington, que estava rompida desde 2019, quando os americanos fecharam a Embaixada em Caracas, transferindo todas as atividades relativas ao país para uma representação em Bogotá. Também chegam um dia depois do presidente dos EUA, Donald Trump, indicar que se reunirá com María Corina na próxima semana em Washington.
O futuro político da Venezuela ainda está nebuloso diante da variedade de atores e interesses na região. Embora os EUA tenham historicamente apoiado movimentos de oposição em Caracas, o presidente Donald Trump ignorou a líder María Corina logo após a captura do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, afirmando que ela não tinha “apoio ou respeito” para governar.
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A opção inicial americana foi por apoiar uma transição a partir da vice de Maduro — uma liderança vista como profissional e capaz por interlocutores americanos, sobretudo os ligados à indústria do petróleo. No cálculo político, estaria a preocupação americana de não desestabilizar completamente a região ao retirar Maduro do poder, abrindo espaço para disputas entre grupos armados.
A administração venezuelana tenta passar uma imagem de unidade e continuidade. A transição para o governo interino foi confirmada sem maiores contestações, e os quatro principais nomes do chavismo — além de Delcy, seu irmão e presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o ministro da Defesa, Padrino López — apareceram juntos na posse da líder interina. Analistas apontam, porém, que haveria tensões internas entre o grupo, sobretudo quanto à resposta aos EUA.
Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, em reunião com a cúpula do governo
Reprodução/Instagram
Não está claro se Delcy está de acordo com os planos americanos para uma transição de governo — citados pelo secretário de Estado Marco Rubio na quarta-feira. Publicamente, ela demonstrou apoio ao retorno de Maduro ao país — algo que os EUA parecem longe de concordar — e denunciou o ataque. A retomada dos laços diplomáticos e o interesse em negociar pessoalmente, em solo americano, porém, lançam sinais de uma possível colaboração.
Líderes de outras partes do mundo — mesmo de países que condenaram expressamente a ação dos EUA, considerando uma violação territorial à margem do direito internacional — tentam influenciar por uma transição de poder que inclua o espectro político alheio ao chavismo.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse nesta sexta-feira que espera “ajudar a aproximar” a presidente interina da oposição, incluindo o ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, exilado em Madri.
“Queremos apoiar o país nesta nova fase e ajudar a aproximar as duas partes. Já comuniquei isso a Delcy Rodríguez e Edmundo González Urrutia”, disse ele em uma mensagem na rede social X.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a aprovação do acordo entre União Europeia e Mercosul. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou no início da tarde desta sexta-feira (9) a aprovação por ampla maioria dos Estados-membros. Pelas redes sociais, Lula afirmou ser “uma vitória do diálogo”.

“Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou o presidente.

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Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é “uma sinalização em favor do comércio internacional”. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.

O presidente ainda afirmou ser um “dia histórico para o multilateralismo” e lembrou a longa negociação, de 25 anos, até a conclusão do acordo.

“Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre-comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões”.

O multilateralismo, citado por Lula, é a prática que promove a cooperação entre múltiplos países para promover os interesses comuns a todos nas relações internacionais. É uma prática oposta à do unilateralismo, quando o país age por conta própria, e é diferente também do bilateralismo, quando há associação de apenas dois países.

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Com o resultado confirmado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para ratificar o acerto com os países-membros do Mercosul – bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa pro-tempore do bloco.

Os países do Mercosul precisam fazer o mesmo e submeter o documento final aos seus parlamentares, mas a entrada em vigor é individual, ou seja, não é preciso esperar a aprovação dos parlamentos dos quatro estados-membros.

Após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do líder chavista Nicolás Maduro, no sábado (3), pairam dúvidas sobre o futuro não somente dos países envolvidos diretamente na crise geopolítica como também de toda América Latina. O que pode acontecer com a Venezuela nas próximas semanas e meses? Como devem se posicionar outros países da região e seus líderes? Quais são os riscos de instabilidade para a América Latina a partir de agora? Quais os planos de Donald Trump?
Convidamos nossos leitores a enviar perguntas sobre o tema. As questões selecionadas pela redação foram respondidas pela editora de Mundo do GLOBO, Leda Balbino.
É o caso da pergunta da leitora Izilda Bacil, sobre a possibilidade de uma guerra civil na Venezuela. Seguem abaixo as repostas da editora Leda Balbino em vídeo e texto.
Pergunte ao GLOBO: Há risco de guerra civil na Venezuela?
Pelo que o Maduro está sendo acusado? Quais as provas sobre esse caso? (Por Jailton)
As últimas notícias sobre a acusação formal dos EUA contra Maduro dão conta de que o Cartel de Los Soles passou a ser usado como um ‘termo guarda-chuva’. O que sobra agora? (Por Tatiana Azevedo)
Leda Balbino: Nesta semana, um aspecto que chamou atenção na denúncia apresentada pelo governo Trump à Justiça americana é o fato de não apresentar o chamado Cartel de los Soles como uma organização real, mas, sim, como um “sistema clientelista” e uma “cultura de corrupção” alimentada pelo dinheiro do tráfico de drogas. No ano passado, além de os EUA apresentarem o Los Soles como uma organização narcotraficante e a classificarem como terrorista, também acusaram Maduro de liderá-lo. Mas, apesar dessa mudança, o documento ainda acusa Maduro e sua esposa Cilia — capturados em 3 de janeiro —, seu filho Nicolás Ernesto Maduro Guerra e autoridades como o atual ministro do Interior, Diosdado Cabello, de conspiração para o narcoterrorismo e de uso de armas para proteger operações de tráfico. O documento diz que, desde o início do chavismo, eles se associaram a grupos criminosos da Colômbia, da Venezuela e do México para apoiar o tráfico de cocaína. A denúncia contém informações genéricas e não cita nomes de informantes e testemunhas, sendo a parte mais detalhada a que se refere a dados concedidos, sob delação premiada, por um ex-aliado de Maduro. Ainda não está claro se há provas materiais e, em caso afirmativo, quais seriam.
Segundo especialistas, a Venezuela tem produção insignificante de cocaína, mas serve como um centro de distribuição de 10% a 13% do fornecimento global, principalmente para a Europa. O presidente americano, Donald Trump, alega que a cocaína contribui para as mortes por overdose no país e que é misturada com o fentanil, a droga líder no número de mortes desse tipo. Mas, segundo a DEA (Administração de Repressão às Drogas dos EUA) e estudos acadêmicos, a mistura acontece no México ou dentro dos Estados Unidos, não na América do Sul.
Queria saber sobre a esposa do Maduro. Ela será julgada com o mesmo rigor que o esposo? (Por Daniel Furtado)
É interessante notar que, além do Maduro, os EUA também capturaram Cilia Flores. Outras pessoas citadas na denúncia, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o filho de Maduro, Nicolás Ernesto Maduro Guerra, não foram capturadas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi perguntado sobre o porquê dessa decisão. Em resumo, ele respondeu que a missão teve que ter um alvo prioritário para evitar os riscos que surgiriam para as equipes americanas se tentassem fazer outras prisões. Os EUA acusam tanto Maduro quanto Cilia de conspiração narcoterrorista e de uso de armas para proteger operações de tráfico de cocaína. Ex-advogada na década de 90 de Hugo Chávez, morto em 2013, Cilia tem uma longa carreira política. Ela foi presidente da Assembleia Nacional (2006 a 2011), procuradora-geral da República (2012 e 2013) e, desde 2017, era deputada. Primeira-dama, também tinha poder dentro do governo. Nesse sentido, ela não é só meramente a mulher de Maduro. Mas ainda não sabemos se ela será julgada com o mesmo rigor, no sentido de ter a mesma pena. Isso só o andamento do caso vai dizer.
Chavistas estão sendo mantidos no poder e a oposição não parece receber de Trump o apoio que esperava. A ação dos EUA foi apenas para abrir a Venezuela para os EUA ou podemos esperar outras reviravoltas? (Por Tatiana Azevedo)
Terá a Venezuela uma saída em paz ou a mesma crise política ficará por mais tempo? (Por José Luis)
Exatamente. A ação dos EUA retirou o Maduro, mas manteve o chavismo, escanteando a oposição — e isso não foi acidental. Tudo leva a entender que os EUA perceberam que não seria possível desmantelar o chavismo, que está institucionalizado há quase 30 anos, sem envolver diretamente autoridades e forças americanas em terra. Considerando as consequências vistas em intervenções de mudança de regime no Iraque e Afeganistão, que implicaram tropas e tiveram alto custo financeiro e humano, o cálculo foi restringir a ação à prisão da autoridade máxima do governo e de sua mulher. Essas prisões funcionam como um símbolo e dão um recado coercitivo: se os líderes remanescentes do chavismo não colaborarem, podem ter a mesma sorte. Também indicam que os EUA querem que o chavismo, historicamente nacionalista e antiamericano, passe agora a trabalhar pelos interesses americanos na região, e não mais em conjunto com China, Rússia, Irã etc. Vai levar tempo para compreendermos melhor como essa dinâmica vai operar e quais serão suas consequências para a Venezuela, para os EUA, para a região e para o mundo.
Você acha que existe perigo de uma guerra civil na Venezuela, agora sem o Maduro, mas também sem mudança de regime? (Por Izilda Bacil)
Com os elementos presentes agora, ainda é muito cedo para dizer se há risco de guerra civil. Por enquanto, o que é possível afirmar é que uma operação como a dos EUA, que levou à captura de Maduro e de Cilia Flores, aumentou a instabilidade, tensão e desconfiança no país. Já há, por exemplo, informações de maior presença nas ruas dos chamados coletivos, que são grupos armados aliados ao chavismo. Sob ordens do governo, eles vêm percorrendo as ruas para reprimir celebrações pela operação de captura de Maduro e quaisquer atos que interpretem como traição. Também há informações da detenção temporária de ao menos 16 jornalistas, 14 deles enquanto tentavam cobrir a posse da presidente interina, Delcy Rodríguez, na última segunda-feira. Como, segundo os próprios EUA, a operação contou com a ajuda de ao menos um informante, que sabia detalhes da rotina do Maduro, é possível imaginar que haja um clima de desconfiança e de disputas internas no governo. Com todo esse cenário, há um risco de aumento da repressão e perseguição política. Então, realmente, muita coisa ainda pode acontecer.
Presidente interina: Delcy é ‘business’ e pode até dar nova chance ao chavismo

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