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Meses antes da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, o governo de Donald Trump tentou construir uma saída negociada para o líder venezuelano. Nesse esforço, o empresário brasileiro Joesley Batista, dono da processadora de carnes JBS, teria atuado como interlocutor informal em uma missão para convencer Maduro a deixar o poder de forma pacífica, segundo apurou o jornal americano Washington Post em reportagem publicada neste sábado.
Procurada pelo GLOBO, a J&F, grupo controlado pelos irmãos Batista ao qual pertence a JBS, negou pedidos de comentário.
No início do ano passado, o então enviado especial de Trump, Richard Grenell, teria liderado tentativas diplomáticas de negociação, com apoio ocasional do Catar e contatos diretos com figuras centrais do governo venezuelano, como Jorge Rodríguez, ex-ministro da Informação e atual presidente da Assembleia Nacional do país. As propostas americanas para a saída de Maduro, no entanto, foram rejeitadas por ele, segundo a reportagem.
Com as tentativas de negociações formais frustradas e o aumento da pressão dentro da Casa Branca por medidas mais duras, empresários teriam passado a preencher o espaço deixado pela diplomacia oficial.
Um desses empresários teria sido Joesley Batista, que teria ido a Caracas no fim de novembro, levando uma proposta que incluía a renúncia de Maduro e a possibilidade de exílio em países como a Turquia, além de outras condições consideradas estratégicas pelos Estados Unidos.
Entre os pontos discutidos por eles estariam a exigência de acesso americano a minerais críticos e ao petróleo, além do rompimento com Cuba, aliada histórica da Venezuela, segundo fontes do jornal americano que estavam a par do encontro.
Batista, que teria interesses comerciais tanto nos Estados Unidos quanto na Venezuela, já havia aproveitado sua influência global anteriormente para atuar como intermediário em negociações sobre tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros.
Segundo um alto funcionário da Casa Branca, o empresário não atuou oficialmente a pedido dos Estados Unidos, mas suas informações foram levadas em consideração pelo governo Trump.
Apesar das tratativas, Maduro e sua esposa teriam reagido negativamente às propostas, encerrando a possibilidade de uma transição negociada. Pouco depois, Trump concluiu que os esforços diplomáticos haviam se esgotado, abrindo caminho para a ação militar que culminou na captura do presidente venezuelano.
Uma série de protestos tem sido registrados em diversos pontos do Irã e resistindo à forte opressão do governo ao longo das últimas duas semanas. Desencadeadas por conta da crise financeira que o país enfrenta, as manifestações resultaram até mesmo no bloqueio da rede de internet no país, o que não impediu que uma série de registros feitos por manifestantes fossem divulgados e circulassem nas redes sociais.
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Segundo a ONG Human Rights Activist, ao menos 65 pessoas foram mortas e mais de 2.300 presas ao longo destas duas semanas de protestos, organizados em ao menos cem cidades de todas as 31 províncias do Irã.
“Se o ímpeto desses protestos de rua em massa for mantido, a repressão se tornará muito mais difícil, senão insuficiente”, afirmou Ali Fathollah-Nejad, diretor do Centro para o Oriente Médio e a Ordem Global (CMEG) em Berlim.
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Esses novos protestos, que chegaram ao 14º dia consecutivo neste sábado, foram desencadeados, principalmente, pelo agravamento da crise econômica e alimentados pela raiva popular contra o regime iraniano.
Na quinta-feira, o país mergulhou num apagão de internet — ordenado pelo governo como forma de repressão —, à medida que as manifestações se espalhavam pela maioria das cidades do país, incluindo a capital, Teerã.
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Historicamente, as autoridades iranianas recorrem à violência para reprimir levantes. Em 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini, detida por uso considerado inadequado do hijab, mais de 550 pessoas teriam sido mortas por forças de segurança, segundo organizações de direitos humanos. Desta vez, a resposta inicial pareceu mais contida, mas vídeos verificados mostram intensificação do uso da força desde o último sábado.
Os protestos eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso do rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Desde então, os atos deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.
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A economia iraniana vem, de fato, sofrendo pressão constante há anos, em grande parte como resultado das sanções americanas e europeias relacionadas às suas ambições nucleares. Essa situação foi agravada pelas tensões regionais, incluindo uma guerra de 12 dias com Israel em junho do ano passado, que drenou ainda mais os recursos financeiros do Irã.
A forte desvalorização da moeda iraniana afetou duramente os negócios dependentes de importações, irritando os lojistas e pressionando os orçamentos familiares. A moeda perdeu aproximadamente metade do seu valor em relação ao dólar em 2025. Comerciantes e estudantes universitários realizaram dias de protestos, fechando os principais mercados e promovendo manifestações nos campi universitários. Em resposta, as autoridades praticamente paralisaram grande parte do país.
Os protestos têm se concentrado cada vez mais no próprio governo e no regime autoritário dos clérigos islâmicos do país. Nas redes sociais e em emissoras de televisão, manifestantes têm sido vistos entoando slogans como “Morte ao ditador”, em referência ao líder supremo do país, Ali Khamenei, e “Iranianos, levantem suas vozes, reivindiquem seus direitos”.
A principal coalizão venezuelana informou neste sábado que 17 presos políticos foram libertados em meio ao lento processo de soltura de prisioneiros anunciado pelo governo sob pressão dos Estados Unidos após a captura do presidente Nicolás Maduro no último sábado. A Plataforma Unificada publicou a contagem em sua conta X, sem especificar nomes. Outras ONGs relatam 12 pessoas entre um total de 800 a 1.200 detidos.
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Há dois dias, dezenas de famílias dormem em frente a centros de detenção como El Rodeo I, nos arredores da capital, aguardando notícias. Os guardas alegam não saber de nada.
“Exigimos que os processos de libertação sejam acelerados para que o sofrimento dos presos políticos e de suas famílias finalmente cesse”, declarou a Plataforma Unificada em comunicado.
A Venezuela anunciou na quinta-feira a libertação de um “número significativo” de detidos, incluindo estrangeiros. Mas, 48 ​​horas depois, pouco progresso foi feito. O governo ainda não respondeu às insistentes mensagens da imprensa internacional sobre o assunto.
Entre os primeiros libertados estavam o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, que foi solto juntamente com o ativista Biagio Pilieri. Rocío San Miguel, que tem dupla cidadania, foi libertada junto com outros quatro espanhóis e viajaram para Madri.
Rocío San Miguel, presa em fevereiro de 2024, ex-candidato presidencial Enrique Márquez, que foi detido em janeiro de 2025, e Juan Pablo Guanipa (ex-governador de Zulia e líder do partido ¨Primer Justicia¨) figuram na primeira lista de libertos pelo chavismo
Arte O GLOBO
A ONG Foro Penal informou a libertação, no estado de Bolívar (sul), do Dr. Virgilio Valverde, coordenador da juventude do partido da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado. “Ele nunca deveria ter estado atrás das grades!”, escreveu a organização política nas redes sociais.
E de Didelis Corredor, também preso desde julho de 2023.
A ONG Justiça, Encontro e Perdão exigiu que as autoridades publiquem a lista completa das pessoas libertadas, incluindo nomes, local de detenção e condições de libertação, e “que quaisquer anúncios futuros sejam feitos de forma verificável e sem gerar falsas expectativas”.
O governo Lula comunicou à Argentina a decisão de deixar de administrar a embaixada do país na Venezuela. A gestão de Delcy Rodríguez, presidente interina do país caribenho, também foi avisada. O Brasil havia assumido a representação diplomática, a pedido de Javier Milei, em agosto de 2024, após o então presidente venezuelano Nicolás Maduro expulsar os diplomatas argentinos do país.
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores não se manifestou. Fontes do Itamaraty, no entanto, confirmam que a decisão de fato partiu do Brasil. A mudança ocorre em meio a divergências do país com a Argentina na posição sobre a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela realizada na semana passada, que capturou Maduro. O governo Lula acondenou a ação militar e tem feito articulações com outros governos da região para reforçar a defesa da autodeterminação dos povos e da soberania nacional dos países em meio à ação dos EUA. Já Milei saudou a ação militar ordenada pelo presidente americano, Donald Trump.
A decisão do Brasil de não assumir a representação diplomática da Argentina em Caracas foi noticiada pelo La Nación e confirmada pelo GLOBO. O jornal argentino diz que o comunicado foi transmitido à chancelaria argentina na sexta-feira, mesmo dia em que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia avançou ao ser aprovado pelo Conselho Europeu, em Bruxelas.
O La Nación afirma que a Itália, hoje governada pela direitista Georgia Meloni, vai assumir a embaixada da Argentina na Venezuela no lugar do Brasil, a pedido do governo de Milei.
O jornal argentino menciona como uma das razões que motivaram a decisão do Itamaraty a postagem de um vídeo nas redes sociais de Milei em que o presidente argentino aparece elogiando as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela, intercalando as falas com imagens do presidente Lula. O La Nación afirma que “o que causou a ira brasileira foi que o post terminava com uma imagem de Lula e Maduro abraçados”.
No Itamaraty, no entanto, uma pessoa familiarizada com o tema afirma que a avaliação da diplomacia brasileira foi de que o Brasil já havia cumprido com a missão que lhe cabia e que, na atual conjuntura da Venezuela, outros países poderiam representar os interesses da delegação argentina.
No período em que esteve na custódia da embaixada argentina em Caracas, o Itamaraty autou na defesa de seis opositores venezuelanos que colaboravam com María Corina Machado e estavam abrigados na representação diplomática argentina.
Os opositores fizeram parte da campanha presidencial de Edmundo González Urritia, que disputou as eleições de 2024 contra Maduro. De acordo com observadores internacionais, o regime venezuelano fraudou as eleições para manter-se no poder. Os seis oposicionistas receberam asilo da embaixada argentina em março de 2024 e só deixaram o país rumo aos Estados Unidos em maio de 2025, com o auxílio da diplomacia brasileira. Magalli Meda, Claudia Macero, Pedro Urruchurtu, Omar González e Humberto Villalobos tinham contra si ordens de prisão por “ações violentas”, “terrorismo” e “desestabilização” da Venezuela.
O Brasil também fez gestões junto ao regime venezuelano para que libertasse Nahuel Gallo, militar argentino preso em dezembro de 2024 na Venezuela, acusado pelo regime de Maduro de vinculação com “atividades terroristas”. O militar, no entanto, segue preso, embora haja a expectativa de que seja libertado após o anúncio de Jorge Rodríguez, irmão da presidente venezuelana Delcy Rodríguez e presidente da Assembleia Nacional do país, de que “um número importante” de presos políticos será libertado.
Em manifestação oficial assinada pelo irmão após ser liberada pelo governo da Venezuela, a ativista e advogada Rocío San Miguel creditou sua saída da prisão à atuação direta do governo da Espanha e, especificamente, do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Em comunicado divulgado neste sábado, a família de San Miguel revelou que a transferência para Madri foi fruto de negociações diplomáticas que se estenderam por meses.
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O texto, assinado por José Manuel San Miguel, irmão e único porta-voz autorizado da ativista, destaca o agradecimento aos governos da Venezuela e da Espanha, mas dá ênfase especial ao papel do político socialista espanhol.
“Agradecemos (…) ao ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, assim como aos atores que participaram nos recentes diálogos e conversas entre Venezuela e Estados Unidos, cujas gestões foram determinantes para que ocorressem estas excarcerações”, diz o comunicado.
San Miguel, que possui cidadania espanhola e venezuelana, foi detida em fevereiro de 2024 sob a acusação de conspiração, num movimento que, à época, foi interpretado como um endurecimento de Maduro contra a sociedade civil antes das eleições presidenciais.
Segundo a nota oficial, a ida da ativista para a Europa não deve ser interpretada como um banimento forçado, mas como uma solução diplomática construída nos bastidores. O texto cita que a presença dela na Espanha ocorreu “especialmente graças às gestões sustentadas durante mais de um ano pelo ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, a quem Rocío San Miguel expressou seu profundo agradecimento”.
Liberdade restrita e silêncio imposto
Apesar de estar fora da prisão e em território europeu, a situação jurídica de San Miguel ainda é delicada. A nota da família faz questão de esclarecer, com “absoluta responsabilidade jurídica”, que a ativista não recebeu liberdade plena. Trata-se de uma medida cautelar substitutiva.
Como parte das condições impostas por Caracas para sua soltura, San Miguel está sob uma espécie de “lei da mordaça”. Ela mantém medidas de proibição de declarar publicamente, o que impede que ela mesma narre as condições de seu cárcere ou emita opiniões políticas.
“Nenhuma pessoa está autorizada, desde o momento de sua excarceração, a emitir declarações em seu nome, atribuir-lhe opiniões, posições (…) nem interpretar sua situação pessoal, legal, de saúde, nem as condições que viveu na reclusão”, reforça o documento.
Sobre seu estado de saúde, a família informou que ela se encontra bem, mas segue em reabilitação de um problema no ombro, tendo passado por cirurgias em abril e outubro de 2025.
A ‘dama de ferro’ dos quartéis
A prisão de Rocío San Miguel em 2024 gerou comoção internacional devido ao seu perfil técnico e respeitado. Presidente da ONG Control Ciudadano, ela não era vista como uma radical política, mas como a acadêmica que melhor conhecia as entranhas do mundo militar venezuelano.
Fontes relataram ao GLOBO no ano passado que sua detenção foi um recado claro ao setor de defesa dos direitos humanos. Diferente de outros opositores, a “arma” de San Miguel era a informação privilegiada sobre a movimentação nos quartéis, algo que incomodava profundamente o Palácio de Miraflores.
Sua trajetória de embate com o chavismo é antiga. Em 2004, quando trabalhava no Ministério das Relações Exteriores, foi demitida após assinar a “Lista Tascón”, um abaixo-assinado pedindo a revogação do mandato de Hugo Chávez. San Miguel levou o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos e, em 2018, obteve uma vitória histórica com a condenação do Estado venezuelano por violação de direitos civis — uma derrota que o chavismo jamais digeriu.
Agora em Madri, a ativista manifestou, através do irmão, a esperança de que sua soltura seja apenas o primeiro passo de um “processo amplo de reconciliação nacional”, desejando a liberdade plena para todos os detidos por razões políticas na Venezuela.
Mais ativistas soltos
A Foro Penal, uma organização sem fins lucrativos, afirmou nesta sexta-feira (9) ter confirmado que nove presos políticos foram libertados na Venezuela desde o anúncio feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, na quinta-feira (8).
Rodríguez pontuou que o governo soltaria “um número significativo” de presos políticos. Agora, neste sábado, Alfredo Romero, presidente do Foro Penal, compartilhou no X que a ativista venezuelana Didelis Raquel Corredor também foi solta.
Uma pessoa morreu e outras sete estão desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação com migrantes no Mar Egeu, neste sábado (10), próximo à costa da Turquia. Segundo informações da guarda costeira turca, os passageiros estavam a bordo de um bote inflável que começou a afundar antes do amanhecer perto da cidade de Dikili. Ao todo, 37 foram resgatados com vida.
“As operações de busca continuam para encontrar os sete imigrantes irregulares desaparecidos”, afirmou a guarda costeira.
A cidade de Dikili é uma pequena região a cerca de 20 km da ilha grega de Lesbos. Os naufrágios são comuns na região, devido ao perigo das travessias para a Grécia, porta de entrada para a União Europeia.
De acordo com a Organização Internacional para as Migrações, cerca de 1.900 migrantes desapareceram ou foram se afogaram no Mediterrâneo em 2025.
“Decidi me isolar do mundo”, confessa Javier Soto, um eremita de 35 anos que vive nas instalações de um antigo observatório abandonado na solitária estepe de Santa Cruz, ao lado da lendária Rota 40, a 500 metros do rio La Leona, a 100 metros de El Calafate — e longe de todos. A extravagante cúpula metálica brilha como um objeto espacial, um tanto enferrujada e desgastada pelas tempestades do esquecimento.
— As pessoas param e querem saber a história — diz Soto.
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O eremita diz que o observatório “chama a atenção”. A Rota 40, neste trecho, é asfaltada e ladeada por imensas extensões de terra árida, planaltos e colinas cor de cobre. As nuvens têm estranhas formas ovais. Uma velha cabana à beira da estrada, a ruína do posto de descanso Luz Divina, e então: a paisagem basáltica da solidão patagônica.
— Não é normal ver seres humanos neste território, muito menos um observatório — acrescenta Soto.
Mudança radical
Ele tem duas grandes histórias para contar. Nasceu em Puerto Deseado e morou em Trelew, mas em outubro passado sentiu que as vozes em seu interior o impeliam a deixar a cidade e seu ritmo frenético.
— Um dia acordei, juntei dinheiro para pagar as contas e o aluguel e me perguntei: ‘A vida vai ser sempre assim?’ Recusei — conta.
Ele também recebeu a notícia de que o terreno onde seu tio morou nos últimos 25 anos poderia ficar vago. Um primo cuidava da propriedade e o convidou para dar continuidade ao legado da família.
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Em outubro passado, ele chegou ao observatório, que seu tio cuidou até sua morte, e desde então está sozinho. Soto conta que se exilou “em busca de um propósito”. O interior da antiga estação astronômica é sua casa.
Abandonada na década de 1970, a estrutura agora carece de qualquer equipamento técnico, e sua moradia singular range e treme com o vento implacável da estepe.
— Eu queria mergulhar na introspecção e me distanciar da proposta que domina o mundo hoje: trabalhar mais para ganhar menos — afirma.
Dificuldades do isolamento
O rio La Leona corre a 500 metros de distância. Mas é um leito de água glacial.
— Essa água não é potável porque tem uma alta concentração de minerais, mas eu uso para cozinhar e limpar — explica.
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Para beber, ele traz jarras de El Calafate (a 100 quilômetros de distância) ou conta com a gentileza de viajantes e turistas.
— Muitos sabem que estou aqui e me deixam ficar — diz.
Seu propósito é nobre: ​​cuidar do túmulo de seu tio Ramón Epulef, chefe da comunidade Mapuche. Soto disse que cuidar do túmulo do tio, que descreve como “sagrado”, é o seu “propósito”
O local fica no alto de uma colina, antes de chegar ao rio. Epulef chegou em 1998 e faleceu em 2023. Era um domador de cavalos renomado nos Andes e um guia respeitado da estepe patagônica. Ele tinha um método indígena que o tornou famoso: sua família era do povo Epulef, reconhecido por Marcelo T. de Alvear e que tinha seus territórios em Chubut.
— Meu tio foi descendo, se encontrou com este lugar e se estabeleceu aqui, cuidou — afirma Soto.
O observatório é outra grande história. Em 1934, o engenheiro Félix Aguilar assumiu a direção do Observatório de La Plata. Naquela época, o céu do hemisfério sul era em grande parte inexplorado e, para estudar a localização das estrelas perto do Polo Sul, ele propôs a criação de uma “Estação Astronômica Austral”. Para isso, começou a procurar locais adequados.
— Ele achava que esta era a melhor — diz Soto.
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Na fronteira da Argentina, ele escolheu este local remoto conhecido como La Leona, nome derivado do rancho e pousada situados cinco quilômetros mais ao norte. Desde o início, o local era considerado extremo. Río Gallegos ficava a 350 quilômetros de distância por estradas de terra, e a cidade mais próxima era El Calafate, fundada apenas alguns anos antes, em 1927.
A construção foi uma empreitada épica. Os tijolos foram fabricados e queimados no local. Encontrar mão de obra, transportar materiais e alimentos, e enfrentar o clima rigoroso — ventos com força de furacão, além de gelo e neve no inverno — foram tarefas difíceis.
— Hoje em dia é difícil, quero nem pensar naqueles anos — confessa.
A Patagônia foi construída rompendo com a palavra “impossível”.
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O projeto foi aprovado em 1940 e, em 1946, o governo nacional cedeu o terreno à Universidade de La Plata. A construção começou em 1950. Aguilar não viveu para ver seu sonho realizado: ele faleceu em 1943. Em 1951, o prédio que abrigaria o telescópio estava concluído, assim como os estábulos e uma casa para os astrônomos.
O plano original era construir uma usina elétrica e um prédio para uma bomba d’água, mas o projeto ficou sem verba e essas duas estruturas nunca foram construídas. A água utilizada era proveniente de algumas fontes próximas e também da chuva, embora a precipitação fosse sempre muito escassa.
Telescópio que não funcionava
Soto contou que “eles trouxeram um telescópio que não funcionava”. Após o empreendimento hercúleo da construção, as coisas não correram bem. Em 1957, o diretor do Observatório de La Plata, Reynaldo Cesco, decidiu dar um último impulso para inaugurar a estação astronômica de La Leona. Isso foi finalmente alcançado em 1960. O plano era instalar um Círculo Meridiano Repsold.
O círculo era um instrumento astrométrico de alta precisão para a época, projetado em 1853 na Alemanha. Ele podia medir coordenadas celestes com grande exatidão. Em La Plata, havia um de 1908 que nunca havia sido retirado de sua caixa original e estava guardado há décadas, mas foi emprestado a um observatório em Córdoba. Cesco enfrentou um grande problema: ele tinha que inaugurar a estação astronômica de La Leona, mas não tinha a um telescópio.
— Eles encomendaram dos Estados Unidos — afirma Soto.
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De fato, eles providenciaram o empréstimo de um telescópio para o Observatório Lick da Universidade da Califórnia, que chegou por mar diretamente à remota região de Santa Cruz após uma viagem que durou meses. O problema foi resolvido apenas parcialmente, porque o telescópio americano não era usado há três décadas. Ele chegou à Patagônia, foi instalado para a inauguração e, em seguida, teve que ser desmontado para ser levado a La Plata para recalibração.
Foi somente em dezembro de 1965, sob um sol que brilha por até 17 horas por dia naquela latitude, que o Observatório Austral Félix Aguilar conseguiu começar a mapear o céu. A proximidade com o rio La Leona resultava em imagens borradas, e a constante formação de nuvens se mostrou um obstáculo. Constatou-se que havia apenas 80 noites claras por ano, então o trabalho de catalogação das estrelas foi reduzido à localização de 200 por mês. Acima de tudo, o isolamento do local significava que o “Observador”, o astrônomo que ali trabalhava, o fazia com sua família.
Ele não tinha assistência médica, rádio ou transporte, e a correspondência chegava apenas a cada 15 dias. Foi somente no final da década de 1960 que o governo da província de Santa Cruz doou uma caminhonete para o astrônomo. No entanto, o isolamento submeteu os cinco astrônomos que ali trabalharam — revezando-se — até o fechamento do complexo em 1973 a severos testes físicos e mentais. O telescópio retornou a La Plata e o prédio foi abandonado.
Reconstrução
O clima severo — sol e vento intensos no verão, frio e gelo no inverno — e o vandalismo de curiosos fizeram com que a casa do astrônomo caísse em ruínas, assim como os outros edifícios. Em 1998, Lonco Ramón Epulef tornou a casa habitável novamente, preservando a cúpula e seu interior. Ele criava seus animais lá e vivia com sua família.
— Meu tio foi quem reconstruiu tudo. Ele era a única pessoa que cuidava dela — diz Soto.
Em 2009, um projeto de lei para declarar o observatório um “Monumento Histórico Nacional” foi submetido à Comissão de Cultura, Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. Até o momento, não houve notícias de nenhum progresso sobre o assunto.
Seguindo esse legado, após sua morte em 2023, a família continuou a cuidar da terra e das instalações. Durante sua vida, o governo de Santa Cruz concedeu ao lonco (cacique mapuche) a usucapião (posse da terra) depois que ele a ocupou por vinte anos.
— Estou aqui para defender esse patrimônio, que foi importante para a história da astronomia argentina. E também os direitos do meu tio, que escolheu viver aqui — acrescenta o sobrinho, olhando para a colina onde está localizado o túmulo do tio e acrescentando: — Abro os portões todos os dias para que os turistas possam vir.
Mas a sua presença incomodou alguns, e em outubro passado, a casa onde os astrônomos moraram muitos anos atrás, e que seu tio havia restaurado com tanto esmero, foi destruída por um incêndio. Esse incidente o preocupa, embora ele conte que preencheu “os relatórios necessários”. Uma antena Starlink o conecta ao mundo. Três painéis solares permitem que ele use seu celular por algumas horas por dia. Dois cães lhe fazem companhia.
— Quando estou sozinho, me conecto com o universo — diz Soto pensativamente. — Precisamos resgatar a escuridão e a calma.
Ele não se preocupa com bens materiais. Tem arroz, macarrão e um pedaço de carne à mão.
— O que me trouxe aqui foi uma busca introspectiva e espiritual. Sinto que a civilização está em colapso e precisamos impedir isso — afirma, reconhecendo que nunca perde a capacidade de se maravilhar com a beleza. Com a voz embargada, lembrou: — Outro dia, algo maravilhoso aconteceu. A lua cheia nasceu e, do outro lado do céu, o sol se pôs. Foi lindo.
A “Big Astronomy” pode ser ágil e econômica? Eric Schmidt, ex-presidente executivo do Google, e sua esposa Wendy apostam que sim. A Schmidt Sciences, braço dos esforços filantrópicos do casal, está financiando a construção de quatro novos grandes telescópios — incluindo um destinado à órbita — que rivalizarão com as capacidades do Telescópio Espacial Hubble, da Nasa.
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E a organização pretende ter os quatro telescópios em funcionamento dentro de quatro anos, um verdadeiro “sprint” em comparação com a década ou mais que instalações astronômicas de classe mundial costumam levar para serem concluídas.
“Este é um experimento para acelerar a descoberta astrofísica”, disse Arpita Roy, líder do Instituto de Astrofísica e Espaço da Schmidt Sciences, na quarta-feira, durante uma reunião da Sociedade Astronômica Americana em Phoenix.
Os projetos utilizam, em grande parte, tecnologias já disponíveis — especialmente os chips de computador de alto desempenho que impulsionaram os avanços na inteligência artificial — e as “remixam” de maneiras novas e de ponta para oferecer novas capacidades aos astrônomos. “Aceitamos muito mais riscos”, disse a Dra. Roy. Mas ela descreveu esse risco adicional como “calibrado e ponderado”.
A Schmidt Sciences financiou discretamente, por vários anos, estudos preliminares de design, desenvolvimento de tecnologia e protótipos. A organização está agora revelando seu plano geral. Acordos com universidades que gerenciarão os sistemas terrestres já estão em vigor, e a fabricação de componentes para os telescópios já começou. “Estamos em posição de dizer que essas coisas vão acontecer”, disse Stuart Feldman, presidente da Schmidt Sciences.
Ilustrações artísticas de outros componentes importantes do Sistema de Observatórios Schmidt: o Deep Synoptic Array, o Argus Array, com sua disposição de 1.200 telescópios, e o Observatório Espacial Lazuli
Schmidt Sciences
Além do telescópio espacial, batizado de Lazuli, os outros projetos são o Argus Array, que fotografará continuamente todo o céu noturno do Hemisfério Norte; o Deep Synoptic Array, ou D.S.A., que varrerá frequências de rádio cósmicas; e o Large Fiber Array Spectroscopic Telescope, ou LFAST, que coletará luz de cores específicas de estrelas distantes, planetas e galáxias. Os quatro projetos estão sob um nome abrangente: o Sistema de Observatórios Eric e Wendy Schmidt.
Embora o investimento federal tenha sido o pilar do financiamento para a ciência nos Estados Unidos por décadas, a astronomia há muito se beneficia da benevolência de patronos ricos como Percival Lowell, que financiou o Observatório Lowell, no Arizona, para estudar o que acreditava serem canais e outros sinais de uma civilização alienígena em Marte.
Mas os projetos da Schmidt Sciences são diferentes, seguindo uma mentalidade mais próxima à do Vale do Silício: mais rápidos e baratos, com objetivos focados e limitados. As peças do Sistema de Observatórios Schmidt destinam-se a permanecer em serviço científico por alguns anos, não décadas.
Embora os telescópios Schmidt possam durar mais, a ideia é que eles também possam ser substituídos por novos observatórios que aproveitem tecnologias em constante aprimoramento. Isso ainda poderia ser menos dispendioso do que a abordagem tradicional.
“Achamos que devemos operar esses experimentos por vidas úteis definidas e, em seguida, passar para a próxima novidade empolgante”, disse a Dra. Roy. “As vidas úteis com as quais estamos nos comprometendo agora são de três a cinco anos.”
Representantes da Schmidt Sciences reconheceram a turbulência na ciência no último ano, à medida que a administração Trump buscava cortes profundos no orçamento da Nasa e da National Science Foundation (NSF). Mas afirmaram que querem complementar, e não substituir, os esforços científicos federais.
A Nasa e a NSF “têm sido muito boas em instrumentos e missões incríveis de muito longo prazo, de 10, 20 anos, e nisso são imbatíveis”, disse o Dr. Feldman em uma entrevista. “Como temos um modelo de financiamento direto — ou fazemos ou não fazemos, e os Schmidt escolhem nos dar a quantia apropriada de dinheiro ou não — podemos dizer: vamos acelerar esses projetos.”
Ele disse que os Schmidt não queriam divulgar exatamente quanto estão gastando. “O Lazuli custa centenas de milhões de dólares”, disse o Dr. Feldman. “Os telescópios terrestres também não são baratos.”
O Lazuli é particularmente ambicioso
Na reunião de astronomia, o Dr. Feldman disse que o telescópio espacial terá um espelho um pouco maior do que o que está dentro do Telescópio Espacial Hubble.
Mas deveria ter sido ainda maior: o Dr. Feldman disse que um espelho de cerca de 6 metros de diâmetro havia sido fabricado para o telescópio espacial, o que o tornaria mais de duas vezes mais largo que o do Hubble. Mas esse espelho consiste em uma única peça de vidro, e há apenas um foguete capaz de enviá-lo à órbita: o Starship, atualmente em desenvolvimento pela SpaceX de Elon Musk.
Como o desenvolvimento do Starship tem sido mais acidentado e lento do que Musk prometeu, a Schmidt Sciences mudou de direção no outono de 2024. “Os cronogramas do Starship são maleáveis”, disse o Dr. Feldman. “Revisitaremos isso no futuro.”
O projeto originou-se de discussões entre o Dr. Feldman e Saul Perlmutter, astrofísico de Berkeley que compartilhou o Prêmio Nobel de Física em 2011 pela descoberta de que a expansão do universo está acelerando, e não desacelerando como se esperava. De alguma forma, a “energia escura” está empurrando o universo para longe.
O Lazuli será mais capaz de medir as cores de estrelas anãs brancas em explosão. O deslocamento dos comprimentos de onda das emissões para a parte mais vermelha do espectro informa a rapidez com que as galáxias distantes estão se afastando.
Observações mais recentes indicam que as supernovas de anãs brancas não são todas exatamente iguais e que a natureza da energia escura mudou ao longo do tempo. O Lazuli poderia fornecer os dados para ajudar a desvendar o mistério. “Isso nos permite começar a dizer o que está acontecendo”, disse o Dr. Perlmutter. “Existe alguma física realmente nova? Parece provável que sim.”
A espaçonave também é capaz de girar no espaço mais rapidamente do que o Hubble ou o Telescópio Espacial James Webb, permitindo medir supernovas recém-descobertas no pico de seu brilho. O Lazuli também será capaz de estudar planetas ao redor de outras estrelas, usando um coronógrafo para bloquear o brilho estelar.
Um dos telescópios terrestres planejados, o Argus Array, soa muito como a versão do Hemisfério Norte do novo Observatório Vera Rubin, financiado em grande parte pela National Science Foundation e pelo Departamento de Energia. Esse telescópio, no topo de uma montanha no Chile, varrerá o céu do Hemisfério Sul a cada poucos dias.
Mas o Argus parece muito diferente. Em vez de um grande telescópio com um espelho primário de 27,6 pés (8,4 metros) de largura, o Argus consistirá em 1.200 pequenos telescópios, cada um com um espelho de 11 polegadas. Nicholas Law, professor de astronomia e física da Universidade da Carolina do Norte, que supervisiona o Argus, disse que o arranjo visa cobrir diferentes objetivos astronômicos.
Os pequenos telescópios não detectarão facilmente objetos em movimento rápido, como asteroides, e não foram projetados para enxergar tão longe. Mas eles varrerão todo o céu mais rapidamente, em questão de minutos.
Os 1.200 telescópios estão dispostos no topo de oito montagens circulares que se movem em uníssono. Esse design não inclui uma cúpula de telescópio protetora tradicional, mas é abrigado dentro do que parece ser um armazém com claraboias — uma estrutura mais simples e barata.
Como cobre continuamente todo o céu, ele pode acompanhar instantaneamente quando outro instrumento faz uma descoberta. Por exemplo, se o LIGO — Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser — detectar a vibração do espaço-tempo de uma colisão de buracos negros em algum lugar no céu do Hemisfério Norte, o Argus poderá ver se há alguma contrapartida visual para o evento.
Como salvará todos os dados coletados na semana anterior, os astrônomos poderão voltar para ver se havia sinais de algo acontecendo que precedesse a detecção das ondas gravitacionais pelo LIGO. “Ele pode agir quase como uma máquina do tempo”, disse o Dr. Law.
O local do arranjo ainda não foi anunciado, embora o Dr. Law tenha dito que provavelmente será no Texas. Ele disse esperar que o telescópio colete sua “primeira luz” em 2027. (Alex Gerko, um bilionário e trader financeiro britânico nascido na Rússia, está cofinanciando o projeto com a Schmidt Sciences.)
O Deep Synoptic Array e o LFAST adotam de forma semelhante a abordagem de usar muitos pequenos telescópios para atuar como um grande instrumento.
O D.S.A. examina o céu como o observatório Rubin, mas em comprimentos de onda de rádio em vez de luz visível. Consistirá em 1.650 antenas parabólicas, cada uma com 20 pés (6 metros) de largura, espalhadas por 60.000 acres em Nevada.
“É incomparável em relação a qualquer telescópio atual ou futuro que esteja sendo previsto”, disse Gregg Hallinan, professor de astronomia do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), que construirá e gerenciará o D.S.A. “Todos os radiotelescópios já construídos no último século combinados encontraram cerca de 10 milhões de fontes de rádio. Dobraremos isso nas primeiras 24 horas.”
O Observatório Vera Rubin, em Cerro Pachón, no Chile, com as instalações do projeto LSST, que vai mapear o Universo
Vera C. Rubin Observatory/LSST/divulgação
Ao longo da pesquisa de cinco anos, espera-se encontrar um bilhão de fontes de rádio no universo, disse o Dr. Hallinan. A construção pode começar no próximo ano, afirmou.
O LFAST consistirá em muitos telescópios ópticos, mas seu objetivo principal será medir espectros, ou cores, e não tirar fotografias. Essa informação de cor é a chave para entender eventos breves, como supernovas, e identificar o conteúdo das atmosferas de planetas ao redor de outras estrelas. Mas medir espectros leva tempo.
“Você tem que coletar fótons suficientes porque está espalhando-os”, disse Chad Bender, astrônomo da Universidade do Arizona, responsável pelo LFAST. O Dr. Bender disse que os astrônomos querem coletar muito mais espectros, mas não há tempo suficiente disponível nos telescópios atuais.
Como muitos telescópios menores são mais baratos do que um grande, a esperança é que o LFAST forneça essa capacidade a um custo menor. A equipe do Arizona está construindo atualmente um protótipo para teste e, dependendo de como funcionar, o design pode ser modificado e expandido.
Cerca de 150 pessoas se espremeram na apresentação em Phoenix, e mais assistiram online. Os astrônomos pareceram gostar do que ouviram. Heidi Hammel, da Associação de Universidades para Pesquisa em Astronomia, disse estar animada com o fato de a Schmidt Sciences estar tentando algo novo.
“O tempo dirá se terão sucesso”, disse ela. “Se puderem, como disseram, criar novos paradigmas, ótimo.”
Os novos telescópios não superarão os programas mais ambiciosos, como o telescópio Webb da Nasa ou o planejado Habitable Worlds Observatory.
“Eles estão fornecendo alternativas que buscam objetivos científicos muito específicos e claros”, disse a Dra. Hammel. “Isso é empolgante.”
Equipes de resgate com retroescavadeiras tentam encontrar sobreviventes neste sábado em um aterro sanitário no centro das Filipinas, cujo colapso na quinta-feira soterrou dezenas de funcionários e deixou pelo menos quatro mortos, informaram as autoridades.
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Cerca de 50 trabalhadores de saneamento ficaram soterrados quando os resíduos desmoronaram, de uma altura que um vereador estimou ser de 20 andares, no aterro sanitário de Binaliw, uma instalação privada na cidade turística de Cebu.
Uma vista aérea mostra um deslizamento de terra no aterro sanitário em Barangay Binaliw, na cidade de Cebu
ALAN TANGCAWAN / AFP
Os socorristas enfrentam agora o perigo de um novo desmoronamento enquanto abrem caminho entre os escombros, disse à AFP neste sábado uma delas, identificada como Jo Reyes.
“As operações continuam neste momento. São contínuas. (Mas) de vez em quando, o aterro se move, e isso interrompe temporariamente a operação”, afirmou.
Joel Garganera, vereador da cidade de Cebu, disse à AFP que, às 10h locais (02h GMT), o número de mortos pelo desastre havia subido para quatro, com 34 pessoas ainda desaparecidas. “As quatro vítimas estavam dentro das instalações quando [o incidente] ocorreu (…) Há alojamentos para os funcionários no interior, onde ficava a maioria das pessoas que foram soterradas”, explicou.
Até agora, pelo menos 12 funcionários foram resgatados com vida do meio do lixo e hospitalizados.
Fotos publicadas pela polícia na sexta-feira mostravam uma enorme pilha de lixo no alto de uma colina, logo atrás de alguns edifícios que, segundo informou à AFP um responsável pela informação da cidade, também abrigavam escritórios administrativos.
O aterro afetado processava “mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia”, segundo o site de sua operadora, a Prime Integrated Waste Solutions.
Reza Pahlavi, o filho do xá deposto e uma das figuras da oposição no exílio, conclamou neste sábado os manifestantes no Irã a “se prepararem para tomar” os centros das cidades, no décimo terceiro dia de um grande movimento de protesto contra o poder.
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Em uma mensagem na rede social X, Pahlavi, exilado nos Estados Unidos, pediu aos iranianos “para saírem todos à rua” no sábado e no domingo, no final do dia, “para ocupar o espaço público”. Ele ressaltou que o “objetivo já não é apenas manifestar-se na rua”, mas manter os centros urbanos, “permanecendo no terreno”.
Os protestos que começaram há duas semanas são um dos maiores desafios para as autoridades teocráticas que governam o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, e o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, acusou os Estados Unidos de incentivá-los.
As principais cidades iranianas foram palco de novas concentrações massivas na sexta-feira, apesar do corte de internet imposto pelas autoridades. A AFP pôde constatar as manifestações verificando imagens e vídeos publicados nas redes sociais.
Segundo o observatório Netblocks, nas primeiras horas deste sábado, “o apagão nacional da internet continua em vigor após 36 horas”.

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