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Pesquisadores portugueses identificaram os primeiros casos confirmados de infecção pelo fungo Candida auris em Portugal, microrganismo resistente a medicamentos e considerado uma ameaça emergente à saúde pública mundial. O estudo, liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), analisou oito casos registrados em 2023 em um hospital da região Norte e reforça a necessidade de vigilância hospitalar rigorosa.
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Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Journal of Fungi, em outubro de 2025. Em comunicado enviado à SIC Notícias, a FMUP destaca que, embora três pacientes com infecção invasiva tenham evoluído para óbito, “nenhuma das três mortes esteve exclusivamente associada à infecção, mas sim a comorbidades severas dos doentes”.
Especialista em doenças fúngicas, segura uma lâmina de microscópio com o Candida auris inativo, fungo resistente a medicamentos e que agravou situação de pacientes com Covid
NYT
A coordenadora do estudo, a professora Sofia Costa de Oliveira, ressalta a importância da integração entre universidades, centros de pesquisa e hospitais.
“É fundamental que as instituições dedicadas ao ensino e à investigação se articulem com os hospitais e Unidades Locais de Saúde, no sentido de uma investigação translacional integrada, de modo a reforçar a capacidade de resposta a desafios emergentes em saúde pública com base em evidência”, afirma.
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Segundo a pesquisadora, o Candida auris é um fungo de transmissão hospitalar, não comunitária, cuja relevância está ligada à facilidade de disseminação em unidades de saúde e à resistência a alguns antifúngicos.
“A sua relevância em saúde pública está associada principalmente à facilidade de transmissão em unidades de cuidados de saúde e à resistência a alguns antifúngicos, o que justifica uma vigilância reforçada”, diz.
A detecção precoce é apontada como essencial para conter surtos. “A detecção precoce de colonização ou infecção em doentes em risco permite uma intervenção mais eficaz e limita a propagação nos serviços de saúde. As medidas de controle de infecção, como a higiene rigorosa das mãos, a desinfecção de superfícies e equipamentos e a vigilância laboratorial, são cruciais para reduzir a transmissão”, conclui Sofia Costa de Oliveira.
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A Candida auris é uma levedura capaz de colonizar a pele e causar infecções invasivas, sobretudo em pacientes com doenças graves, submetidos a procedimentos invasivos ou ao uso de antibióticos e imunossupressores. O fungo não é transmitido pelo ar, mas por contato direto entre pacientes, profissionais de saúde ou por superfícies e equipamentos contaminados. Sua capacidade de resistir a múltiplos antifúngicos e de persistir no ambiente hospitalar dificulta o controle.
Atualmente, o microrganismo está presente em cerca de 60 países, em vários continentes. Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) alertou para a rápida propagação do fungo em hospitais europeus. De acordo com o órgão, entre 2013 e 2023 foram registrados mais de 4 mil casos na União Europeia e no Espaço Econômico Europeu, com “um salto significativo” em 2023, quando 1.346 casos foram notificados em 18 países.
Para os pesquisadores, o desafio agora é avançar no entendimento da resistência do fungo. “A caracterização dos mecanismos envolvidos na resistência à terapêutica antifúngica é fundamental para investigar alternativas farmacológicas mais eficazes. O próximo passo será explorar o impacto real das novas mutações detectadas na progressão da infecção e na resistência antimicrobiana da Candida auris, de forma a tentar controlar esta ameaça global para a saúde”, defende a professora.
O trabalho contou ainda com a participação de pesquisadores da FMUP, da Universidade do Porto, da ULS São João e de outros centros de investigação, reforçando o alerta para a necessidade de resposta coordenada diante de uma ameaça crescente nos sistemas de saúde.
O entendimento do chavismo na Venezuela passa forçosamente pela compreensão de como os militares nele se encaixam. É importante ressaltar que a ampliação do papel dos militares no país não começa com o chavismo, mas com ele recebe forte impulso. Nos anos 1970, o Plano Andrés Bello introduziu à formação militar o nível universitário, enfatizando a importância das Forças Armadas na política, sociedade e desenvolvimento econômico, o que levou muitos deles —incluindo Hugo Chávez — a defender os militares à frente da modernização e mudança social do país.
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A Constituição de 1999 eliminou o papel não-deliberativo das Forças Armadas e ampliou seu escopo. Com o agora ex-presidente Nicolás Maduro, os militares passaram a ocupar cada vez mais ministérios. Em 2014, 25% de seu Gabinete era composto por militares, segundo o pesquisador Pablo Uchoa, da University College London. Em 2023, último ano em que a ONG Control Ciudadano compilou tais números, aproximadamente 40% de seus ministros (13 de 33) eram militares.
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Com Chávez, os militares eram responsáveis pela distribuição de alimentos no âmbito de programas sociais. Com Maduro, a Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) passou a administrar setores como indústrias, portos, alfândegas, transporte, habitação, infraestrutura, atividades extrativistas, energia e a distribuição de itens essenciais.
Com a crise econômica de 2014, que levou à escassez em 2016, Maduro criou o programa de distribuição de alimentos por meio dos Comitês Locais de Abastecimento e Produção (Clap), no qual ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, supervisionava a distribuição e comercialização de alimentos, medicamentos e produtos de higiene — itens que à época valiam ouro no mercado paralelo.
Presidente Nicolás Maduro (dir.) assiste a exercícios militares em campo de treinamento em Caracas
Zurimar Campos/ Presidência da Venezuela/ AFP
Na gestão Maduro, militares passaram também a compor o conselho de administração de mais de 100 empresas de capital aberto ou parcialmente aberto, de um total de 925, e foram criadas mais de 20 empresas das Forças Armadas em áreas como bancos, logística, agricultura, mineração, petróleo e gás, segundo relatório de 2021 da Transparency International.
Um exemplo é a Companhia Anônima Militar de Indústrias Mineiras, Petrolíferas e de Gás, criada em 2016 para atividades de mineração, petróleo e gás. A empresa, nas mãos da Fanb, parece crucial para os objetivos declarados de Trump, de controlar o setor petrolífero venezuelano.
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Além do entranhamento no Estado e na economia venezuelana, o chavismo continua sendo uma força política importante. Para quem o vê de fora, não passa de um projeto político populista autoritário, que enterrou a democracia venezuelana. Mas o chavismo é também o principal movimento de massas da Venezuela, responsável pela maior transformação de sua história recente.
Quando Chávez chegou ao poder, em 1999, a taxa de pobreza beirava os 50%, segundo a ONU, e sete em cada dez venezuelanos não tinham carteira de identidade. Passaram a tê-la com a chamada Misión Identidad, um dos mais de 30 programas sociais que o chavismo criou.
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Pode parecer estranho os venezuelanos terem eleito Chávez, um militar, outsider da política que havia tentado derrubar o então presidente Carlos Andrés Pérez em 1992, por meio de um golpe. Mas a Venezuela pré-Chávez era uma democracia muito defeituosa, marcada por uma competição política restrita, na qual Ação Democrática e Copei se revezaram na Presidência ao longo de quatro décadas.
O chavismo rompeu com isso. Apoiado em divisas petroleiras e programas sociais, Chávez reduziu a pobreza para 25,4% em 2012, cenário revertido desde 2014, mas que deixou um legado. Para quem viu a vida melhorar, o chavismo é um divisor de águas. É por isso que Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis, afirma que o chavismo tem apoio fixo de 25% do eleitorado, não importa o que aconteça.
Por ora, imaginar uma Venezuela pós-Maduro ainda é exercício de futurologia. Mas fica claro que, depois de 27 anos, acabar com o chavismo não será simples. Movimentos de massas, como o fascismo, não terminaram com a queda de um líder. Por que o chavismo seria diferente
*Pesquisadora sênior do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (Nupri-USP) e professora de Relações Internacionais da Faap
Uma série de ondas de grande intensidade atingiu a costa atlântica da província de Buenos Aires nesta segunda-feira, após uma maré baixa incomum e acentuada, provocando destruição em extensos trechos das praias de Mar del Plata, Santa Clara del Mar e Mar Chiquita. O avanço repentino do mar resultou em dezenas de resgates de banhistas, deixou ao menos 35 feridos e causou a morte de um homem.
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Segundo apurou o jornal argentino La Nacion, a vítima fatal foi o marplatense Yair Manno, de 29 anos. Ele estava nas proximidades de um grupo de pescadores em um setor da Lagoa de Mar Chiquita quando foi surpreendido por uma forte corrente. O episódio ocorreu no meio da tarde, em um dia de calor intenso, com temperaturas acima de 38 graus, e com dezenas de milhares de pessoas espalhadas pela costa.
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O caso é investigado pelo promotor Ramiro Anchou, do Departamento Judicial de Mar del Plata, que abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte. Os primeiros indícios apontam para óbito por asfixia decorrente de afogamento.
De acordo com relatos de testemunhas, Manno caminhava com a água na altura dos joelhos, a poucos metros de sua companheira, quando perdeu o equilíbrio devido à força das ondas. “Ele não sabia nadar”, disseram pessoas próximas. Arrastado pela correnteza, não conseguiu ser socorrido a tempo. Em meio ao caos, a maioria dos banhistas tentava se afastar do mar e localizar familiares. A morte foi confirmada por Fabián García, diretor da Defesa Civil da província de Buenos Aires.
Andrea Lezcano, diretora de Segurança nas Praias de Mar Chiquita, também confirmou o fenômeno que surpreendeu toda a costa do distrito, de Santa Clara até a Lagoa de Mar Chiquita, onde ocorreu a tragédia. Segundo ela, o avanço do mar se deu de forma súbita, logo após o recuo provocado pela maré baixa.
“Havia seis pescadores e um banhista que estava com a água nos joelhos; formou-se uma onda e os arrastou em direção ao setor da reserva, do outro lado da lagoa”, relataram responsáveis pelo atendimento inicial. Pescadores que estavam no local prestaram os primeiros socorros, seguidos por um barco de excursões de pesca, que chegou com salva-vidas e um desfibrilador. A vítima foi levada a um centro de saúde, mas já sem sinais vitais.
A morte ocorreu na chamada “boca” da Lagoa de Mar Chiquita, área onde as correntes marinhas penetram no balneário, formando um dos poucos espelhos de água salgada da região e um dos pontos de pesca mais frequentados. “Ele foi levado para uma área mais profunda e o rapaz não sabia nadar”, relatou um salva-vidas, acrescentando que a força do mar o arrastou para longe do posto de segurança.
Em Santa Clara del Mar, outro banhista sofreu uma parada cardíaca no mesmo momento em que a onda avançou. Ele recebeu atendimento ainda na praia, foi levado de ambulância e internado em Mar del Plata. Segundo as autoridades, seu estado de saúde é estável e não corre risco de morte.
Como consequência do efeito de arrasto das ondas, o município registrou cerca de 35 feridos com lesões diversas, como contusões e cortes, sem casos considerados graves.
Banhistas relataram cenas de pânico, com o mar levando tudo o que estava na faixa de areia, de cadeiras a guarda-sóis. Muitas pessoas estavam dentro d’água, o que exigiu ajuda mútua, sobretudo para retirar crianças e idosos.
— Nunca vi nada igual — afirmou Maximiliano Prensky, salva-vidas da região de El Torreón. Ele descreveu a chegada de “um mini tsunami”, que fez as pessoas correrem em busca de áreas secas: — Retiramos seis ou sete idosos e, com apitos, tiramos as pessoas da água.
O episódio ocorreu após uma maré baixa excepcional, que deixou uma extensa faixa de areia exposta. Por causa do calor, muitos banhistas se aproximaram do limite alcançado pelo mar, em busca de alívio térmico. Em seguida, o nível da água subiu rapidamente, com ondas sucessivas, não muito altas, mas extremamente fortes.
— Pegamos a moto aquática porque os barcos estavam em resgates — contou Prensky, ao relatar o uso de veículos de apoio.
Segundo ele, até nadadores experientes precisaram ser socorridos.
— Formou-se algo como um buraco negro na ponta do molhe — afirmou: — O que se viveu aqui nunca tínhamos visto.
Situação semelhante foi registrada em Punta Mogotes, onde o mar avançou de forma abrupta, ganhando mais de 50 metros em poucos segundos. Em La Caleta, no município de Mar Chiquita, banhistas relataram duas ondas contínuas que cobriram quase toda a praia, tradicionalmente estreita. “Levava cadeiras, chinelos, tudo o que estava sobre a areia”, disseram. “O mar recuou, estávamos com a água nos tornozelos e, em cinco segundos, ela chegou à altura do peito”, contou Gastón, que estava entre Cobo e La Caleta.
A prefeitura de Mar Chiquita classificou o episódio como uma “super onda” ou “mini tsunami”, que exigiu a atuação conjunta das equipes de Segurança nas Praias. Após o fenômeno, foi determinada a evacuação imediata das áreas costeiras. Em nota, o município afirmou que, embora houvesse previsão de aumento do vento, “não havia como prever a magnitude das ondas que poderiam ser geradas”.
A vítima
Segundo o La Nacion, Yair Manno, de 29 anos, morreu após ser arrastado pelo mar na Lagoa de Mar Chiquita. Ele passava férias na costa argentina com a namorada francesa. Embora residisse na França havia pelo menos oito anos, onde trabalhava como cavaleiro, mantinha vínculos com a cidade natal.
Manno era atleta de destaque no Enduro Equestre. Ocupava a 365ª posição no FEI Endurance Open Riders World Ranking e, em 2024, chegou a ser o melhor atleta da PAEC NF (Confederação Pan-Americana de Esportes Equestres), alcançando a 19ª colocação. Também figurou em 14º lugar no ranking mundial de Gold Elite Riders, segundo a Federação Equestre Argentina.
Alejandro Bolufer, coordenador de salva-vidas, afirmou que Manno foi resgatado da lagoa com o apoio de um barco, juntamente com outros jovens socorridos pela equipe. “Foi uma onda repentina, de arrasto; em um segundo nos pegou desprevenidos a todos”, disse ao Teleocho Informa, ressaltando que tudo “foi muito rápido” e durou “30 ou 40 segundos”.
Para Alejandro Acciaressi, também integrante da coordenação do serviço de salva-vidas em Mar Chiquita, o fenômeno “não foi uma onda”, mas sim “uma elevação repentina e inesperada do nível do mar”.
Imagens de câmeras de segurança revelaram os momentos que antecederam o incêndio criminoso que atingiu a Congregação Beth Israel, em Jackson, a maior e mais antiga sinagoga do Mississippi. Stephen Pittman, de 19 anos, foi acusado de danificar ou destruir maliciosamente um edifício por meio de fogo, em um ataque classificado pelas autoridades como antissemita.
As gravações mostram Pittman, usando máscara e capuz, despejando gasolina pelo corredor e sobre móveis do saguão, pouco depois das 3h da manhã de sábado (10). Segundo o Corpo de Bombeiros de Jackson, as chamas se espalharam rapidamente, com fogo saindo pelas janelas e todas as portas do prédio trancadas. Ninguém ficou ferido.
Confira:
Câmera flagra jovem despejando gasolina antes de incêndio na maior sinagoga do Mississipi
Confissão, prisão e investigação federal
De acordo com uma declaração juramentada do FBI apresentada ao Tribunal Distrital dos EUA no Mississippi, o jovem confessou ter iniciado o incêndio dentro do prédio, que chamou de “sinagoga de Satanás”. Ele foi preso em um hospital, onde tratava queimaduras leves, em operação que envolveu autoridades locais, o FBI e o Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF).
O vídeo mostra o incendiário mascarado e encapuzado, movendo-se pelo prédio no meio da noite, momentos antes do incêndio começar
Divulgação/Beth Israel Congregation
Na primeira audiência, realizada por videoconferência, Pittman apareceu com as mãos enfaixadas e teve um defensor público nomeado. Os promotores informaram que ele pode ser condenado a uma pena entre cinco e 20 anos de prisão. O juiz marcou uma audiência preliminar para 20 de janeiro.
O incêndio devastou a Congregação Beth Israel em Jackson por volta das 3h da manhã de sábado
Divulgação/Beth Israel Congregation
O depoimento do FBI relata que Pittman comprou gasolina em um posto no caminho, retirou a placa do carro, quebrou uma janela da sinagoga com um machado e usou um isqueiro para iniciar o fogo. O pai do suspeito procurou o FBI após receber mensagens e uma foto do local antes do ataque.
O incêndio destruiu áreas administrativas e a biblioteca, onde rolos da Torá foram danificados ou destruídos. Segundo a sinagoga, dois pergaminhos foram perdidos, enquanto outros estão sendo avaliados por danos causados pela fumaça. Um rolo que sobreviveu ao Holocausto não foi atingido.
Fundada em 1860, a Congregação Beth Israel é um símbolo da vida judaica no Sul dos Estados Unidos e já havia sido alvo da Ku Klux Klan em 1967, durante a luta pelos direitos civis. Líderes religiosos, autoridades e organizações como a Liga Antidifamação e o Centro Simon Wiesenthal condenaram o ataque, destacando o crescimento de incidentes antissemitas no país.
A Congregação Beth Israel, a maior sinagoga do Mississippi, foi destruída por um incêndio criminoso no fim de semana, e um suspeito, Stephen Pittman, de 19 anos, foi preso
Divulgação/Beth Israel Congregation
Em nota, a congregação afirmou que continuará suas atividades religiosas, ainda que temporariamente em espaços cedidos por igrejas locais. “Somos um povo resiliente”, declarou o presidente da Beth Israel, Zach Shemper. “Com o apoio da comunidade, vamos reconstruir.”
A investigação federal sobre a morte de Renee Good, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante um protesto em Minneapolis, caminha para não resultar em acusações criminais contra o responsável pelo disparo. Segundo informações do The New York Times, investigadores avaliam que é “cada vez menos provável” que Jonathan Ross, agente do ICE envolvido no tiroteio, seja formalmente indiciado.
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O caso está agora sob comando do FBI, que afastou a polícia local e conduz uma apuração detalhada sobre o episódio, incluindo a análise da atuação de Ross e de provas materiais, como a arma usada. Fontes ouvidas pelo The Times afirmam que a divisão de direitos civis do Departamento de Justiça — que costuma investigar mortes causadas por agentes do Estado — não abriu inquérito para apurar eventual violação de direitos civis da vítima.
Investigação mira ativismo e contexto político
Em vez disso, o Departamento de Justiça estaria ampliando o foco para investigar grupos de ativistas que monitoravam ações do ICE em um bairro de Minneapolis, sob a suspeita de que eles teriam “instigado” o confronto que terminou com a morte de Good. Ainda não está claro se ela, mãe de três filhos e com 37 anos, tinha atuação contínua em movimentos ativistas, além de participar do protesto no dia do tiroteio.
Testemunhas afirmam que Good e sua esposa, Rebecca, atuavam como observadoras legais e registravam a ação dos agentes federais. Imagens de câmeras de vigilância mostram o carro de Good parado na via por cerca de quatro minutos. Em seguida, um agente se aproxima do veículo; o carro começa a se mover, e Ross dispara três vezes. Não é possível confirmar pelos vídeos se o veículo chegou a atingir o agente. Após os tiros, o carro colidiu com outros veículos estacionados.
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Pouco depois do episódio, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou a ação de Good como “terrorismo doméstico” e defendeu o agente, afirmando que ele agiu de acordo com o treinamento ao acreditar que seria atropelado. O presidente Donald Trump reforçou essa versão, chamando Good e sua esposa de “agitadoras profissionais” e alegando legítima defesa.
Especialistas em terrorismo doméstico ouvidos pelo The Times criticaram a rapidez da classificação. Para Thomas E. Brzozowski, ex-conselheiro do Departamento de Justiça, a ausência de um processo formal transforma o termo em instrumento político. A controvérsia se soma a um memorando recente da procuradora-geral Pam Bondi que ampliou a definição federal de terrorismo doméstico, incluindo atos como obstrução de agentes e vigilância de operações policiais, o que, segundo críticos, afeta diretamente movimentos de ativismo político.
Paralelamente, autoridades de Minnesota processam o governo federal para barrar a intensificação das operações do ICE no estado, alegando motivação política e violação da Primeira Emenda. O processo sustenta que a chamada Operação Metro Surge é arbitrária e desproporcional, além de expor cidadãos americanos e portadores de visto a detenções sem justa causa.
A polícia da Pensilvânia prendeu Jonathan Christ Gerlach, de 34 anos, na sexta-feira (9), após encontrar mais de 100 restos mortais humanos em sua posse. O caso veio à tona quando agentes localizaram crânios e ossos no banco traseiro de um veículo estacionado nas proximidades do cemitério abandonado Mount Moriah, no sudoeste da região metropolitana da Filadélfia.
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A partir dessa descoberta, investigadores rastrearam o automóvel e localizaram Gerlach a poucos metros do cemitério, portando um pé de cabra e uma sacola com restos mumificados de crianças, crânios e outros ossos. Em seguida, mandados de busca levaram a polícia à residência e a um depósito do suspeito em Ephrata, onde foi encontrado um porão repleto de partes de corpos em diferentes estágios de conservação, incluindo mãos, pés, ossos longos, mais de 100 crânios, dois torsos em decomposição e outros fragmentos humanos.
Saques sistemáticos em jazigos históricos
Segundo as autoridades, a investigação durou vários meses e indicou que Gerlach invadiu pelo menos 26 mausoléus e jazigos históricos do Cemitério Mount Moriah, fundado em 1855 e considerado o maior cemitério abandonado dos Estados Unidos, com cerca de 150 mil sepulturas. A polícia afirma que ele utilizava ferramentas como pés de cabra, cordas e escadas para acessar criptas subterrâneas e forçar a abertura de caixões, concentrando-se em sepulturas mais antigas, muitas delas lacradas desde o século XIX.
O suspeito foi identificado após sua caminhonete ser registrada repetidamente por leitores automáticos de placas nas imediações do cemitério durante o período dos crimes. Dados de telefonia celular também confirmaram sua presença no local. No momento da prisão, Gerlach carregava “os restos mumificados de duas crianças, três crânios e vários ossos soltos”, segundo informou a Associated Press.
Durante interrogatório, ele admitiu ter retirado cerca de 30 conjuntos de restos mortais humanos e indicou as sepulturas específicas de onde os teria extraído. Diante da dimensão do caso, o promotor do Condado de Delaware, Tanner Rouse, afirmou que ainda não é possível determinar a motivação do suspeito. “Dada a magnitude do que estamos vendo e a absoluta falta de uma explicação razoável, é difícil dizer exatamente o que aconteceu”, disse Rouse a repórteres, conforme noticiado pelo The Guardian.
A polícia também recuperou joias possivelmente ligadas aos túmulos violados e um esqueleto que ainda possuía um marca-passo implantado. Gerlach deve enfrentar centenas de acusações relacionadas a roubo, profanação e abuso de cadáveres.
A descoberta causou forte comoção nas comunidades de Yeadon e da Filadélfia. Famílias com parentes enterrados no local manifestaram angústia diante da possibilidade de profanação. O chefe de polícia de Yeadon, Henry Giammarco, descreveu a cena encontrada como “um filme de terror que se tornou realidade”, segundo o Philadelphia Inquirer. “Essas pessoas não estão mais em paz, e estamos tentando entender o que aconteceu da melhor maneira possível”, afirmou.
As autoridades locais reforçaram a segurança no cemitério e selaram acessos com concreto, incluindo entradas do Mausoléu Baker, onde se acredita que o suspeito tenha depositado parte dos restos mortais. O legista do condado de Lancaster e a polícia de Yeadon trabalham agora na identificação dos corpos, que permanecerão sob custódia até que possam ser reconhecidos e devolvidos ao local de sepultamento adequado.
Uma investigação da BBC Eye, núcleo investigativo do Serviço Mundial da BBC, revelou denúncias de fraude, coerção e abuso no recrutamento de estrangeiros para integrar as Forças Armadas da Rússia na guerra contra a Ucrânia. Segundo a apuração, jovens de países como Síria, Egito, Iêmen e nações africanas teriam sido atraídos por promessas de trabalho, altos salários e cidadania russa, mas acabaram enviados à linha de frente do conflito.
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Entre os relatos está o de Omar, operário sírio de 26 anos que falou sob pseudônimo por razões de segurança. Ele afirma ter sido recrutado por Polina Alexandrovna Azarnykh, cidadã russa que atua como intermediária informal no alistamento de estrangeiros. Segundo Omar, ela prometeu que ele exerceria uma função não combatente, desde que pagasse US$ 3 mil — valor que ele se recusou a desembolsar.
De acordo com o depoimento, Omar foi enviado para combate após apenas dez dias de treinamento militar. Ele afirma que teve o passaporte confiscado e que, ao tentar se recusar a cumprir missões, foi ameaçado por seus superiores com prisão ou morte.
Documentos, contratos e falta de informação
A investigação identificou cerca de 500 documentos de “convite” emitidos por Azarnykh, que permitem a entrada de estrangeiros na Rússia para fins de alistamento militar. Os contratos, segundo os relatos, eram redigidos exclusivamente em russo, idioma que a maioria dos recrutas não compreendia.
Recrutas e familiares afirmaram à BBC que não foram informados sobre a possibilidade de prorrogação automática dos contratos — prevista em decreto russo de 2022, que permite estender o vínculo militar até o fim da guerra. Na prática, isso impede a saída voluntária do serviço após o período inicial de um ano.
A BBC ouviu oito combatentes estrangeiros recrutados por Azarnykh, além de familiares de ao menos 12 homens que estão mortos ou desaparecidos. Em vários casos, as famílias afirmam que só foram informadas das mortes muitos meses depois, sem explicações formais das autoridades russas.
A análise da BBC Rússia, baseada em registros públicos e obituários, aponta aceleração nas perdas militares russas em 2025. Estimativas da OTAN indicam que mais de um milhão de soldados russos foram mortos ou feridos desde o início da invasão em larga escala, em 2022.
Embora seja difícil mensurar o número exato de estrangeiros no conflito, a BBC estima que ao menos 20 mil combatentes de outros países tenham se alistado nas forças russas.
Rede informal de recrutamento
Especialistas afirmam que casos como o de Azarnykh fazem parte de uma rede informal de recrutamento, intensificada desde 2024. Segundo Kateryna Stepanenko, pesquisadora do Instituto para o Estudo da Guerra, autoridades regionais russas têm oferecido incentivos financeiros a intermediários para atrair novos recrutas, diante da dificuldade em repor perdas no front.
A BBC identificou outros canais no Telegram, em árabe, com ofertas semelhantes, incluindo promessas de bônus elevados para ingressar em supostos “batalhões de elite”.
Procurada, Azarnykh negou irregularidades, classificou a investigação como “não profissional” e ameaçou processar a BBC por difamação. O Ministério da Defesa e o Ministério das Relações Exteriores da Rússia não responderam aos pedidos de comentário.
Em 2022, o presidente Vladimir Putin declarou apoio ao recrutamento de estrangeiros, afirmando que voluntários do Oriente Médio eram motivados por ideologia, e não por incentivos financeiros.
O Pentágono teria empregado um avião militar pintado para se passar por aeronave civil em um ataque contra uma suposta embarcação de contrabando de drogas no ano passado, que resultou na morte de 11 pessoas. A informação foi revelada nesta segunda-feira pelo The New York Times.
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Segundo o jornal, a operação pode ter violado as leis internacionais dos conflitos armados, que proíbem combatentes de “fingir status civil para enganar adversários (…) um crime de guerra chamado ‘perfídia’”.
O ataque foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma publicação nas redes sociais em 2 de setembro de 2025. Na ocasião, ele afirmou que os alvos eram integrantes da organização criminosa Tren de Aragua, “operando sob o controle de Nicolás Maduro, responsáveis por assassinatos em massa, tráfico de drogas, tráfico de pessoas e atos de violência e terror”.
De acordo com o Times, a aeronave utilizada na operação foi pintada para aparentar ser civil, e seu armamento foi ocultado dentro da fuselagem, em vez de ficar visível sob as asas, como ocorre em aviões militares convencionais.
A Casa Branca confirmou que um almirante dos Estados Unidos, atuando sob a autoridade do secretário de Defesa, Pete Hegseth, ordenou uma operação militar de “duplo impacto”, que atingiu a embarcação em duas ocasiões.
“Dois sobreviventes do ataque inicial depois pareceram acenar” para o avião disfarçado enquanto se agarravam aos destroços da embarcação, antes de serem mortos em um segundo ataque, informou o The New York Times.
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Desde então, outras aeronaves claramente militares, incluindo drones MQ-9 Reaper, passaram a ser empregadas em ações contra embarcações suspeitas.
Ao todo, pelo menos 107 pessoas morreram em ao menos 30 ataques desde setembro. Desses, 19 ocorreram no Pacífico Oriental, seis no Caribe e cinco em locais não especificados.
Ainda segundo o Times, o Congresso americano levantou questionamentos sobre a possível “perfídia” durante sessões informativas a portas fechadas com líderes militares. Até o momento, porém, não houve debates públicos sobre o tema.
A líder de extrema direita Marine Le Pen volta a colocar em jogo, a partir desta terça-feira, sua candidatura à eleição presidencial da França de 2027, durante um julgamento em grau de apelação em Paris por desvio de fundos públicos europeus.
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Em março, um tribunal de primeira instância a condenou a cinco anos de inelegibilidade com aplicação imediata, decisão que sacudiu o cenário político francês e foi classificada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como uma “caça às bruxas”.
“Espero poder convencer os magistrados da minha inocência”, disse na segunda-feira à imprensa a política de 57 anos, cuja “única linha de defesa” será “dizer a verdade”. “Esperando que me escutem melhor do que em primeira instância”, acrescentou.
O julgamento em apelação começa às 13h30 (12h30 GMT) e deve se estender até 11 de fevereiro. O processo ocorre num momento em que Le Pen ou seu pupilo, Jordan Bardella, lideram as pesquisas para suceder o centrodireitista Emmanuel Macron, impedido constitucionalmente de disputar um novo mandato em 2027.
Marine Le Pen
Dimitar Dilkoff/AFP
Além de Le Pen, outras 23 pessoas — entre ex-eurodeputados, dirigentes e funcionários do antigo Frente Nacional (FN), rebatizado de Reagrupamento Nacional (RN) — também foram condenadas, assim como o próprio partido. Doze réus e a legenda recorreram da sentença.
A Presidência da França é o principal objetivo político de Le Pen desde 2011, quando assumiu o comando do FN, herdado do pai, Jean-Marie Le Pen. Desde então, buscou suavizar a imagem extremista da legenda e ampliar seu eleitorado.
A condenação de março, porém, a afastou da disputa ao impor dois anos de prisão em regime fechado, multa de 100 mil euros (US$ 117 mil) e, sobretudo, a inelegibilidade imediata. Os juízes justificaram a decisão pela necessidade de “zelar para que os cargos eletivos (…) não se beneficiem de um regime de favor, incompatível com a confiança que os cidadãos buscam na vida política”.
Segundo o tribunal, Le Pen foi responsável por um “sistema” montado entre 2004 e 2016 para que assistentes parlamentares pagos pelo Parlamento Europeu trabalhassem, “na realidade”, para o partido — prática proibida pelas regras da instituição. A Justiça não identificou enriquecimento pessoal e determinou a devolução de 3,2 milhões de euros (US$ 3,72 milhões) ao Parlamento Europeu.
‘Preocupante’
Na apelação, os advogados Rodolphe Bosselut e Sandra Chirac-Kollarik devem adotar uma estratégia distinta, evitando negar integralmente os fatos e sustentando que Le Pen não teve intenção criminosa, segundo aliados da dirigente.
O objetivo é obter, em caso de nova condenação, uma pena que não a impeça de disputar a eleição presidencial de 2027 e de fazer campanha. Se o tribunal mantiver a sentença, ainda caberá recurso à Corte de Cassação. O presidente da corte, Christophe Soulard, afirmou que, nesse cenário, tentariam se pronunciar antes do pleito, “se for possível”.
“Seria muito preocupante para a democracia que a Justiça privasse os franceses de uma candidata à eleição presidencial que já se classificou duas vezes para o segundo turno e hoje aparece como favorita”, afirmou Bardella na segunda-feira.
Nove meses após a condenação, porém, a imagem de Le Pen — finalista das eleições presidenciais de 2017 e 2022 — se deteriorou na opinião pública. Cresce, assim, a possibilidade de que Bardella, de 30 anos, seja o candidato da extrema direita.
Segundo pesquisa do instituto Verian para o jornal Le Monde, publicada no domingo, 49% dos franceses consideram que, entre os dois, o presidente do RN é quem tem “mais chances de ganhar a eleição presidencial”.
O corte de internet no Irã, imposto pelas autoridades em 8 de janeiro, já dura mais de 108 horas, segundo informou na terça-feira a ONG Netblocks, especializada em monitoramento de redes. Manifestantes afirmam que a medida tem como objetivo ocultar a repressão aos protestos em curso no país.
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“Já se passaram 108 horas desde que o Irã impôs um apagão nacional da internet, deixando os iranianos isolados do resto do mundo e entre si”, afirmou a Netblocks em uma publicação no X.
A internet foi cortada em todo o território iraniano no 12º dia do movimento de protestos que desafia o poder, que é acusado de intensificar a repressão contra os manifestantes.
Os protestos no Irã eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso do rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades.
Desde então, os atos se espalharam por pelas províncias iranianas e deixaram centenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança.
De acordo com vídeos cuja autenticidade foi verificada pela AFP, os manifestantes entoavam slogans como “é a batalha final, Pahlavi voltará”, em alusão à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979, ou “Seyyed Ali será destituído”, em referência ao líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989.
O Irã está “atualmente sujeito a um corte de internet em escala nacional”, afirmou a ONG de vigilância de segurança cibernética Netblocks, com base em “dados em tempo real” e referindo-se a “uma série de medidas de censura digital (…) contra as manifestações”.
O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, voltou a pedir na última quinta-feira “a máxima moderação” frente aos manifestantes, bem como o “diálogo” e a escuta às “reivindicações do povo”.
Estas manifestações, inicialmente ligadas ao custo de vida, são as maiores no Irã desde as que ocorreram após a morte, em 2022, de Mahsa Amini, presa por supostamente violar as rígidas normas de vestuário para mulheres.

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