A líder de extrema direita Marine Le Pen volta a colocar em jogo, a partir desta terça-feira, sua candidatura à eleição presidencial da França de 2027, durante um julgamento em grau de apelação em Paris por desvio de fundos públicos europeus.
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Em março, um tribunal de primeira instância a condenou a cinco anos de inelegibilidade com aplicação imediata, decisão que sacudiu o cenário político francês e foi classificada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como uma “caça às bruxas”.
“Espero poder convencer os magistrados da minha inocência”, disse na segunda-feira à imprensa a política de 57 anos, cuja “única linha de defesa” será “dizer a verdade”. “Esperando que me escutem melhor do que em primeira instância”, acrescentou.
O julgamento em apelação começa às 13h30 (12h30 GMT) e deve se estender até 11 de fevereiro. O processo ocorre num momento em que Le Pen ou seu pupilo, Jordan Bardella, lideram as pesquisas para suceder o centrodireitista Emmanuel Macron, impedido constitucionalmente de disputar um novo mandato em 2027.
Marine Le Pen
Dimitar Dilkoff/AFP
Além de Le Pen, outras 23 pessoas — entre ex-eurodeputados, dirigentes e funcionários do antigo Frente Nacional (FN), rebatizado de Reagrupamento Nacional (RN) — também foram condenadas, assim como o próprio partido. Doze réus e a legenda recorreram da sentença.
A Presidência da França é o principal objetivo político de Le Pen desde 2011, quando assumiu o comando do FN, herdado do pai, Jean-Marie Le Pen. Desde então, buscou suavizar a imagem extremista da legenda e ampliar seu eleitorado.
A condenação de março, porém, a afastou da disputa ao impor dois anos de prisão em regime fechado, multa de 100 mil euros (US$ 117 mil) e, sobretudo, a inelegibilidade imediata. Os juízes justificaram a decisão pela necessidade de “zelar para que os cargos eletivos (…) não se beneficiem de um regime de favor, incompatível com a confiança que os cidadãos buscam na vida política”.
Segundo o tribunal, Le Pen foi responsável por um “sistema” montado entre 2004 e 2016 para que assistentes parlamentares pagos pelo Parlamento Europeu trabalhassem, “na realidade”, para o partido — prática proibida pelas regras da instituição. A Justiça não identificou enriquecimento pessoal e determinou a devolução de 3,2 milhões de euros (US$ 3,72 milhões) ao Parlamento Europeu.
‘Preocupante’
Na apelação, os advogados Rodolphe Bosselut e Sandra Chirac-Kollarik devem adotar uma estratégia distinta, evitando negar integralmente os fatos e sustentando que Le Pen não teve intenção criminosa, segundo aliados da dirigente.
O objetivo é obter, em caso de nova condenação, uma pena que não a impeça de disputar a eleição presidencial de 2027 e de fazer campanha. Se o tribunal mantiver a sentença, ainda caberá recurso à Corte de Cassação. O presidente da corte, Christophe Soulard, afirmou que, nesse cenário, tentariam se pronunciar antes do pleito, “se for possível”.
“Seria muito preocupante para a democracia que a Justiça privasse os franceses de uma candidata à eleição presidencial que já se classificou duas vezes para o segundo turno e hoje aparece como favorita”, afirmou Bardella na segunda-feira.
Nove meses após a condenação, porém, a imagem de Le Pen — finalista das eleições presidenciais de 2017 e 2022 — se deteriorou na opinião pública. Cresce, assim, a possibilidade de que Bardella, de 30 anos, seja o candidato da extrema direita.
Segundo pesquisa do instituto Verian para o jornal Le Monde, publicada no domingo, 49% dos franceses consideram que, entre os dois, o presidente do RN é quem tem “mais chances de ganhar a eleição presidencial”.
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“Espero poder convencer os magistrados da minha inocência”, disse na segunda-feira à imprensa a política de 57 anos, cuja “única linha de defesa” será “dizer a verdade”. “Esperando que me escutem melhor do que em primeira instância”, acrescentou.
O julgamento em apelação começa às 13h30 (12h30 GMT) e deve se estender até 11 de fevereiro. O processo ocorre num momento em que Le Pen ou seu pupilo, Jordan Bardella, lideram as pesquisas para suceder o centrodireitista Emmanuel Macron, impedido constitucionalmente de disputar um novo mandato em 2027.
Marine Le Pen
Dimitar Dilkoff/AFP
Além de Le Pen, outras 23 pessoas — entre ex-eurodeputados, dirigentes e funcionários do antigo Frente Nacional (FN), rebatizado de Reagrupamento Nacional (RN) — também foram condenadas, assim como o próprio partido. Doze réus e a legenda recorreram da sentença.
A Presidência da França é o principal objetivo político de Le Pen desde 2011, quando assumiu o comando do FN, herdado do pai, Jean-Marie Le Pen. Desde então, buscou suavizar a imagem extremista da legenda e ampliar seu eleitorado.
A condenação de março, porém, a afastou da disputa ao impor dois anos de prisão em regime fechado, multa de 100 mil euros (US$ 117 mil) e, sobretudo, a inelegibilidade imediata. Os juízes justificaram a decisão pela necessidade de “zelar para que os cargos eletivos (…) não se beneficiem de um regime de favor, incompatível com a confiança que os cidadãos buscam na vida política”.
Segundo o tribunal, Le Pen foi responsável por um “sistema” montado entre 2004 e 2016 para que assistentes parlamentares pagos pelo Parlamento Europeu trabalhassem, “na realidade”, para o partido — prática proibida pelas regras da instituição. A Justiça não identificou enriquecimento pessoal e determinou a devolução de 3,2 milhões de euros (US$ 3,72 milhões) ao Parlamento Europeu.
‘Preocupante’
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O objetivo é obter, em caso de nova condenação, uma pena que não a impeça de disputar a eleição presidencial de 2027 e de fazer campanha. Se o tribunal mantiver a sentença, ainda caberá recurso à Corte de Cassação. O presidente da corte, Christophe Soulard, afirmou que, nesse cenário, tentariam se pronunciar antes do pleito, “se for possível”.
“Seria muito preocupante para a democracia que a Justiça privasse os franceses de uma candidata à eleição presidencial que já se classificou duas vezes para o segundo turno e hoje aparece como favorita”, afirmou Bardella na segunda-feira.
Nove meses após a condenação, porém, a imagem de Le Pen — finalista das eleições presidenciais de 2017 e 2022 — se deteriorou na opinião pública. Cresce, assim, a possibilidade de que Bardella, de 30 anos, seja o candidato da extrema direita.
Segundo pesquisa do instituto Verian para o jornal Le Monde, publicada no domingo, 49% dos franceses consideram que, entre os dois, o presidente do RN é quem tem “mais chances de ganhar a eleição presidencial”.










