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Um homem interrompeu o tráfego para salvar duas crianças pequenas que haviam caminhado sozinhas até uma rua movimentada no condado de Brevard, na Flórida, enquanto a família estava a quarteirões de distância, em um imóvel alugado por temporada. A cena foi registrada por uma câmera instalada no carro do motorista e ganhou repercussão nas redes sociais.
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O resgate ocorreu no domingo. O agente imobiliário John Brittingham, pai de cinco filhos, dirigia pela região após concluir um ensaio fotográfico de um imóvel quando avistou duas meninas caminhando em direção ao fluxo de veículos. Diante do risco, ele parou o carro e desceu para impedir a passagem dos automóveis.
Brittingham pegou a primeira criança, que já estava no meio da pista, com um dos braços, enquanto acenava com a mão livre para que os outros motoristas freassem. A segunda menina, mais próxima da calçada, aproximou-se e estendeu os braços. Em poucos segundos, ele a ergueu e levou ambas para a segurança da calçada, seguindo por uma rua residencial, conforme mostram as imagens do painel do veículo.
“Fiquei aterrorizado pensando no que poderia ter acontecido com elas. O resto da minha vida teria sido arruinado”, disse Brittingham à emissora WESH.
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As crianças, que ele estimou não ter mais de dois anos, estavam de volta à calçada em cerca de seis segundos, mas nenhum responsável apareceu. O homem descreveu as meninas como “adoráveis” e contou que elas “estenderam os bracinhos” pedindo para serem carregadas.
Em seguida, Brittingham percorreu casas da vizinhança até localizar um imóvel do tipo Airbnb. Após chamar repetidas vezes, conseguiu a atenção dos ocupantes. Segundo ele, a família das crianças — formada por “um casal de idosos e uma jovem” — pediu desculpas diversas vezes.
“Eu fiquei tipo: ‘Sim, eu sei, só estou feliz por ter conseguido devolvê-las a vocês. Elas estavam na rua, e o portão estava aberto’”, relatou.
O motorista afirmou que não acionou a polícia porque sua “principal preocupação era reuni-las” à família.
A empresa para a qual Brittingham trabalha, uma companhia de drones sediada na Flórida, publicou o vídeo nas redes sociais e criticou motoristas que buzinavam ao passar pelo local. “Diminuam a velocidade”, pediu a empresa, acrescentando: “Gente, isso poderia ter terminado de forma tão trágica. Por favor, estejam sempre atentos. Nunca se sabe.”
Os países do Golfo e aliados dissuadiram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar o Irã em retaliação à repressão dos protestos, e alertaram-no sobre as “graves repercussões” que isso teria para a região, informou na quinta-feira um alto funcionário saudita. Os esforços diplomáticos da Arábia Saudita, Turquia, Catar, Omã e Egito, segundo pessoas próximas aos governos ouvidas pelo Financial Times, instaram o republicano a agir de forma moderada, sob o alerta de que uma ofensiva militar contra o regime iraniano poderia afetar os países vizinhos — inclusive com aumento dos preços globais do petróleo e do gás.
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Contexto: Trump avalia ação militar, cibernética ou econômica ao Irã em meio a protestos que já deixaram ao menos 200 mortos
Segundo uma fonte do governo da Arábia Saudita, em condição de anonimato à agência AFP, os três países do Golfo realizaram “um esforço diplomático de última hora, longo e intenso, para convencer o presidente Trump a dar uma chance ao Irã de mostrar boas intenções”, disse ele, falando sob condição de anonimato.
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Canais de interlocução entre Washington e Teerã abriram espaço para que autoridades iranianas transmitissem à Casa Branca garantias de que manifestantes não seriam executados e de que o total de mortos estaria abaixo dos números difundidos no exterior. Desde então, aumenta o otimismo de que esse diálogo — possivelmente facilitado por países como Rússia ou Omã — possa ganhar tração e desembocar em uma nova rodada de negociações nos próximos dias.
A Turquia disse se opor “a qualquer operação militar no Irã” e o Catar anunciou na quarta-feira a saída de parte do pessoal da base americana de Al-Udeid, a mais importante do Oriente Médio, devido ao que classificou como “tensões regionais”. No mesmo sentido, a China comunicou na quinta-feira ao Irã ser contra ao “uso da força nas relações internacionais”.
A República Islâmica está abalada por manifestações que começaram em 28 de dezembro devido ao aumento do custo de vida e se transformaram em um movimento contra o regime teocrático no poder desde a revolução de 1979. Desde o início dos protestos, o presidente americano tem multiplicado as ameaças de intervenção armada, o que levava muitos a crerem que ele poderia tentar aplicar ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, algo semelhante com a operação dos EUA que capturou e depôs o venezuelano Nicolás Maduro.
No entanto, na quarta-feira, Trump afirmou que lhe foi dito “por uma fonte confiável” que “as mortes no Irã estão cessando, pararam”. “E não há planos para executar” os detidos, acrescentou o magnata, que havia dito que tal repressão poderia provocar uma reação enérgica de sua parte. E disse ainda que ficaria “muito chateado” se a informação se provasse falsa e a repressão violenta continuasse.
Perguntado se a ação militar estava descartada, Trump garantiu que iria “observar” e “ver qual seria o processo”.
— Mas recebemos uma declaração muito, muito boa de pessoas que estão cientes do que está acontecendo — enfatizou Trump.
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Agora, a vida “voltou ao normal” em Teerã, segundo um jornalista da AFP na capital iraniana. Há vários dias que não se registam grandes manifestações no país.
“A situação se acalmou por enquanto”, disse um funcionário árabe ao Financial Times. “Os EUA estão dando tempo para que as negociações com o Irã aconteçam e para ver como elas se desenrolam a partir daqui.”
Organizações de direitos humanos acusam o Irã de realizar uma repressão brutal que teria deixado milhares de mortos, em um país privado de acesso à internet há uma semana. De acordo com o último balanço da ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 3.428 manifestantes morreram desde o início do movimento. As autoridades iranianas não divulgaram nenhum balanço oficial.
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A retórica se acirrou nos últimos dias após Trump insinuar, na terça-feira, uma possível iniciativa dos Estados Unidos contra o regime iraniano. Em uma postagem nas redes sociais, escreveu que “a ajuda está a caminho”, no momento em que manifestantes no Irã eram alvo de uma repressão severa por parte das autoridades.
Alguns militares americanos e britânicos destacados na maior base dos Estados Unidos no Oriente Médio receberam ordens para deixar o local até a noite de quarta-feira, em meio a crescente tensão.
Em resposta, a República Islâmica disse que, se os EUA atacarem, teria instalações americanas no Oriente Médio como “alvos legítimos”. A decisão de retirada da base em al-Udeid, no Catar, indica, portanto, uma medida de “precaução” da Casa Branca frente a escalada de retórica entre os dois países, que já travaram uma guerra de 12 dias em junho do ano passado. A informação foi confirmada pelo Escritório Internacional de Mídia do Catar.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abás Araqchi, advertiu, por sua vez, que seu país se defenderá “contra qualquer ameaça estrangeira”, em uma conversa telefônica com seu homólogo saudita, o príncipe Faisal bin Farhan, e pediu “uma condenação internacional de qualquer interferência estrangeira”. Para o chanceler, “reina a calma” no país e as autoridades têm “controle total” da situação.
Embora Washington ainda esteja avaliando o impacto e a viabilidade de eventuais ofensivas, o uso da força segue sobre a mesa, segundo uma fonte pelo Financial Times. De acordo com essa pessoa, Trump estaria disposto a agir militarmente e a sustentar que qualquer sinal de distensão por parte de Teerã não passa de uma manobra tática. Ainda assim, o presidente buscaria um desfecho rápido e inequívoco — nos moldes do que, em sua avaliação, teria sido sua intervenção na Venezuela. (Com AFP)
O alerta de ameaça de bomba que provocou o pouso de emergência de um avião da Turkish Airlines em Barcelona, nesta terça-feira, teve origem em uma mensagem escrita no telefone celular de um dos passageiros, segundo representantes da companhia aérea. A informação esclarece o episódio registrado no voo TK1853, procedente de Istambul, e explica a mobilização das forças de segurança espanholas, incluindo a escolta da aeronave por caças do Exército.
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“Durante a aproximação a Barcelona do nosso voo TK1853, foi descoberto que um passageiro havia criado um ponto de acesso Wi-Fi a bordo e o nomeado como ‘ameaça de bomba’. Os protocolos necessários foram imediatamente ativados para garantir a segurança do voo”, explicou em redes sociais Yahya Üstün, um dos vice-presidentes da Turkish Airlines e chefe de comunicação da empresa, segundo o jornal La Razon.
O voo partiu da Turquia às 9h, com chegada prevista ao aeroporto de Barcelona-El Prat às 11h. A aeronave, um Airbus A321, transportava cerca de 150 passageiros.
Durante o trajeto, segundo o jornal El País, um passageiro digitou no celular uma frase que fazia referência à suposta presença de um explosivo a bordo. O conteúdo foi visto por outro viajante, que interpretou o texto como uma ameaça real e alertou imediatamente a tripulação, dando início aos protocolos de segurança previstos para esse tipo de ocorrência.
As autoridades trataram o alerta como verossímil desde o início. A operadora aeroportuária espanhola Aena informou que os procedimentos foram acionados “em razão de uma ameaça” e que as forças de segurança passaram a avaliar a situação.
Caças mobilizados
Diante do risco potencial, dois caças do Exército espanhol foram mobilizados para escoltar o avião até Barcelona, medida padrão em casos de suspeita de ameaça grave.
Paralelamente, a Proteção Civil da Generalitat da Catalunha ativou, em fase de alerta, o plano Aerocat, específico para emergências aeroportuárias, permitindo a coordenação entre polícia, bombeiros, serviços médicos e autoridades do aeroporto.
Após o pouso de emergência, os passageiros foram evacuados e conduzidos em segurança ao terminal. Equipes especializadas realizaram inspeções detalhadas no interior da aeronave para descartar a presença de explosivos. Segundo a Aena, apesar da operação, o funcionamento geral do aeroporto não foi afetado.
Concluídas as verificações, as autoridades confirmaram que não havia qualquer artefato explosivo a bordo e que a ameaça se limitou à mensagem escrita no celular.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira, em uma publicação nas redes sociais, invocar a Lei de Insurreição para conter os protestos em Minneapolis, que se intensificaram após um agente de imigração ter matado uma mulher na cidade. Trump, que já acusou repetidamente usar a lei, disse que o faria “se os políticos corruptos de Minnesota não obedecerem à lei e impedirem que agitadores profissionais e insurreições ataquem os Patriotas do ICE”, referindo-se aos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). De acordo com a legislação americana, ao invocar esse artifício o presidente estaria apto a usar as forças armadas para suprimir uma insurreição caso um governo estadual o solicite.
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“Se os políticos corruptos de Minnesota não cumprirem a lei e não impedirem os ataques de agitadores profissionais e insurgentes contra os patriotas do ICE que estão apenas tentando fazer seu trabalho, invocarei a Lei da Insurreição”, declarou o presidente na rede social Truth Social.
Trump ameaça acionar a Lei da Insurreição para conter manifestantes em Minneapolis
Reprodução
Horas antes, o vice-procurador-geral Todd Blanche publicou nas redes sociais sobre a oposição às operações de imigração no estado, referindo-se a ela como uma “insurreição em Minnesota” que era “resultado direto de um governador FRACASSADO e um prefeito PÉSSIMO que incentivam a violência contra as forças da lei”. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, tem implorado para que o ICE deixe a cidade, alegando que a agência está sobrecarregada por agentes que superam em número as forças policiais locais.
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Uma mulher de 37 anos foi morta há uma semana por agentes do ICE em Minneapolis, o que provocou protestos. Um agente federal atirou e feriu um homem em Minneapolis na noite de quarta-feira, disseram autoridades federais, um incidente que desencadeou horas de confrontos entre manifestantes e policiais e que ocorreu apenas uma semana depois que um agente de imigração matou uma mulher na cidade.
Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, disse em comunicado que agentes federais estavam tentando prender um homem da Venezuela que estava ilegalmente no país em uma “blitz de trânsito” por volta das 18h50, no horário local. Ela disse que ele fugiu dos agentes.
Quando o policial o alcançou, McLaughlin disse que ele “começou a resistir e agrediu violentamente o policial”. Ela disse que duas pessoas saíram de um prédio próximo e, junto com o homem procurado, atacaram o policial com uma pá de neve e um cabo de vassoura.
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O policial temeu por sua vida e disparou tiros, atingindo o homem que os agentes procuravam na perna, contou McLaughlin. O agente e o homem que foi baleado estavam no hospital, acrescentou ela, e as outras duas pessoas que ela acusou de atacar o agente estavam sob custódia.
A versão do governo federal não pôde ser verificada imediatamente. Autoridades municipais afirmaram que a pessoa baleada apresentava “ferimentos aparentemente sem risco de vida”. O estado de saúde do agente não foi esclarecido imediatamente.
Os moradores de Minneapolis protestaram repetidamente durante a semana desde que um agente da Imigração e Alfândega matou a tiros uma mulher americana, Renee Nicole Good, na zona sul de Minneapolis.
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Autoridades municipais afirmaram que o último tiroteio ocorreu na zona norte da cidade, no quarteirão 600 da 24th Avenue North. Em uma coletiva de imprensa, Brian O’Hara, chefe de polícia da cidade, disse que, segundo seu entendimento, uma chamada para o 911 parece ter sido feita de uma casa. Ele afirmou que a pessoa que ligou relatou que o homem estava fugindo de agentes de imigração e dirigindo em direção à residência.
Vizinhos disseram ter visto agentes federais ordenando que as pessoas dentro da casa saíssem com as mãos para cima, e que várias pessoas, incluindo crianças, saíram.
O prefeito Jacob Frey disse após o tiroteio que “ainda há muito que não sabemos”, mas que “isso não é sustentável”. Ele reiterou seu pedido para que o ICE saia.
“Esta é uma situação impossível em que nossa cidade está sendo colocada atualmente”, disse Frey. “E, ao mesmo tempo, estamos tentando encontrar uma maneira de manter as pessoas seguras, proteger nossos vizinhos e manter a ordem.” (Com New York Times e AFP)
Os pintinhos piam ansiosos quando Jade chega para alimentá-los. Desde que seu pai foi preso na guerra antipandilhas de El Salvador — a “guerra contra gangues” —, ela precisa trabalhar na fazenda da avó e suportar que colegas da escola digam que seu “papai” é um criminoso.
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A ofensiva do presidente Nayib Bukele reduziu a violência a níveis mínimos ao encarcerar cerca de 91 mil pessoas, mas milhares de crianças ficaram relegadas à pobreza, estigmatizadas ou traumatizadas ao serem separadas de seus pais — muitos deles inocentes, segundo grupos de direitos humanos.
Após a prisão de José Urquía, em agosto de 2023, Jade, de 16 anos, e seu irmão, de 13, passaram a viver sob os cuidados da avó, Sara Rivas, em El Rosario, a 50 km a leste de San Salvador.
Eles sobrevivem com uma modesta remessa enviada pela mãe, que havia emigrado para os Estados Unidos, e com a renda da pequena fazenda que Jade ajuda a manter quando sai da escola.
— Dói quando me dizem “vai saber que marero [pandilheiro] ele é”. As pessoas sempre mencionam isso, dizendo que meu pai é um delinquente — relata a adolescente à AFP. — Meu papai é inocente.
Segundo a reconhecida ONG Cristosal, cerca de 62 mil menores de 15 anos podem ter sofrido algum tipo de abandono em consequência das políticas de mão dura de Bukele, que incluem um estado de exceção em vigor desde 2022, o qual autoriza prisões sem mandado judicial.
Crise silenciosa
A convicção de Jade (nome fictício) sobre a inocência de seu pai, de 37 anos, vai além do afeto. Quando foi capturado, Urquía não tinha antecedentes criminais, segundo um certificado oficial emitido em setembro de 2024, que Rivas mostra à AFP em sua humilde casa em El Rosario. As autoridades informaram, segundo ela, que ele sofre de insuficiência renal.
Urquía foi detido ao chegar deportado dos Estados Unidos, acusado de pertencer a “associações ilícitas”. A família acredita que tatuagens em suas mãos e no peito, com o nome dos filhos, tenham motivado a prisão.
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Cristosal e outras ONGs denunciam prisões arbitrárias e torturas sob o regime de exceção. O governo nega, mas reconhece que cerca de 8 mil pessoas foram libertadas por falta de provas.
O estigma pesa tanto para Jade que ela vai aproveitar a entrada no ensino médio para mudar de escola.
— Prefiro ir para uma nova, com pessoas que não me conhecem, e começar do zero — desabafa enquanto folheia fotos do pai.
Algumas crianças separadas do pai ou da mãe — ou de ambos — abandonam a escola para trabalhar, ao ficarem sob os cuidados de parentes pobres, segundo a Cristosal.
Vista do interior da casa onde vivem Verónica Ramírez e seus cinco filhos, em Zacatecoluca, El Salvador
STRINGER / AFP
A ONG denuncia a falta de atenção do Estado a esses menores, que personificam uma “crise silenciosa”. O “impacto será observado nas próximas décadas”, adverte.
Procurado pela AFP, o governo informou, por meio do órgão responsável pela infância, o Conapina, que oferece atendimento “psicológico e emocional” aos filhos de presos e ajuda as famílias que cuidam deles a abrir pequenos negócios.
Segundo o Conapina, em alguns casos os pais que pertenciam a gangues eram “os principais responsáveis pela violação dos direitos de seus filhos”.
‘Roubaram minha infância’
A vida dos gêmeos Carmen e Manuel (nomes fictícios) mudou drasticamente em junho de 2022, quando a polícia prendeu o pai deles, José Ángel Ruiz, um distribuidor de pães de 36 anos.
Carmen, de 17 anos, olha uma foto de seu pai no celular em sua casa em Zacatecoluca, El Salvador
STRINGER / AFP
“É horrível, porque não foi um abandono que ele escolheu; arrancaram ele dos nossos braços”, relata Carmen, de 17 anos, em sua casa precária em Zacatecoluca, a 60 km a leste de San Salvador.
Desde então, os jovens — que afirmam que Ruiz também não tinha antecedentes criminais — ajudam a sustentar três irmãos: ela limpando casas com a mãe e dando banho em animais; ele, trabalhando como pedreiro.
“Tive que amadurecer rápido demais, roubaram minha infância”, afirma Carmen, que, apesar de tudo, concluiu o ensino médio com honras e confia que o pai será libertado.
Para alguns, porém, essa possibilidade não existe.
A Cristosal afirma que, entre 2022 e 2024, quase 180 menores perderam o pai ou a mãe enquanto estavam presos. Já a ONG Socorro Jurídico registra 470 mortes no sistema prisional sob o regime de exceção.
Descrita por ex-detentos como um “inferno na Terra”, a prisão de El Helicoide, em Caracas, voltou ao centro do debate político e internacional após mudanças recentes no comando da Venezuela e a retomada do diálogo com os Estados Unidos. O complexo, originalmente projetado como um centro comercial, tornou-se ao longo das últimas décadas um dos principais símbolos da repressão estatal no país.
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Relatos de antigos prisioneiros apontam que o único alívio da iluminação branca constante das chamadas “Salas Brancas” — espaços sem janelas usados para interrogatórios — vinha de breves quedas de energia. Segundo eles, esses apagões coincidiam com o funcionamento de equipamentos elétricos em celas vizinhas, usados como método de punição. As marcas psicológicas e físicas, afirmam, permanecem mesmo após a libertação.
El Helicoide foi citado por autoridades americanas como um dos motivos que levaram o então presidente Donald Trump a autorizar uma operação inédita contra a cúpula do poder venezuelano no início deste mês. Após a ação, Trump classificou o local como uma “câmara de tortura”.
Para muitos venezuelanos, a prisão representa décadas de repressão sob sucessivos governos, incluindo o de Nicolás Maduro, recentemente deposto. Ele foi substituído pela então vice-presidente Delcy Rodríguez, que passou a liderar uma transição marcada por gestos de aproximação com Washington.
Trump afirmou, em publicação nas redes sociais, ter tido uma “ótima conversa” com Rodríguez, citando temas como petróleo, minerais, comércio e segurança nacional. Segundo ele, os dois países estariam avançando em uma parceria para “estabilizar e recuperar” a Venezuela.
Desde que assumiu, Rodríguez anunciou concessões relacionadas ao tratamento de presos políticos. Centenas de detentos foram libertados em etapas sucessivas, após negociações com autoridades americanas. As liberações trouxeram à tona novos relatos sobre as condições de encarceramento em El Helicoide.
Ex-presos políticos descrevem práticas sistemáticas de abuso físico e psicológico dentro da unidade, administrada pelo SEBIN, o serviço de inteligência venezuelano. As denúncias incluem violência, ameaças constantes e condições degradantes de confinamento, especialmente em celas superlotadas e sem ventilação adequada.
Um dos ex-detentos, o opositor Rosmit Mantilla, afirmou à imprensa britânica que muitos prisioneiros retornavam de interrogatórios em estado crítico. Outro ativista, ouvido pelo Financial Times, relatou que guardas apresentavam o local como um “inferno”, deixando claro o caráter punitivo do sistema.
Segundo o site de astronomia Star Walk, um eclipse solar anular acontecerá no dia 17 de fevereiro. Quando esse tipo de eclipse ocorre, algo semelhante a um “anel de fogo” surge no céu. Por isso, a data é tão aguardada. No entanto, apenas algumas regiões do planeta conseguem acompanhar o fenômeno em sua plenitude.
Em 2023, o fenômeno pôde ser visto em algumas partes do Brasil, no mês de outubro. Desta vez, segundo sites de astronomia, a fase do “anel de fogo” só será visível em certas regiões remotas do mundo, como a Antártida.
O que é o ‘eclipse solar anular’?
Um eclipse anular do sol acontece quando o sol, a lua e a Terra estão em alinhamento. Assim, a maior parte do disco solar fica coberta, e apenas uma borda com aspecto ígneo aparece. Segundo o site Climatempo, apenas algumas regiões do Norte e Nordeste do Brasil poderão enxergar o fenômeno.
Qual é a diferença entre eclipse anular e o eclipse total?
Ao portal do Observatório Nacional, a astrônoma Josina Nascimento explica que a diferença entre o eclipse anular e o eclipse total é que, no primeiro caso, a lua fica mais distante da Terra. O diâmetro aparente dela, portanto, aparece diferente do diâmetro aparente do sol.
— Tanto no eclipse total quanto no anular a lua está alinhada entre a Terra e o sol, bloqueando toda ou a maior parte da luz do sol em uma parte da superfície da Terra. A sombra mais escura, onde toda a luz solar é bloqueada, é chamada umbra. Em torno da umbra se define a sombra mais clara, a penumbra, onde a luz solar é parcialmente bloqueada e o eclipse é visto como parcial — diz Josina ao Observatório.
Quando aconteceu o último eclipse solar anular?
O eclipse anular, no entanto, não é um evento raro. No entanto, somente pode ser visto em poucos lugares do planeta. Os últimos, por exemplo, aconteceram em 2021 e 2023.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta quinta-feira (15) que uma eventual sanção por parte dos Estados Unidos ao Irã, conforme anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump, não deve afetar o Brasil.

“Os Estados Unidos colocaram que não querem que haja comércio com o Irã. Mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. Países europeus exportam para o Irã, a maioria dos países tem algum tipo de exportação. No Brasil, nossa relação comercial com o Irã é pequena”, disse.

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“A questão da super tarifação é difícil de ser aplicada. Você teria que aplicar em mais de 70 países do mundo, inclusive países europeus”, completou, ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Alckmin lembrou que não houve, por parte do governo Trump, nenhum tipo de ordem executiva que imponha, de fato, a sanção ao Irã. “Esperamos que não seja aplicada. Porque imposto de exportação é imposto regulatório, é outra lógica. E isso valeria para o mundo inteiro”. 

“A Europa, por exemplo, também exporta para o Irã. A Alemanha, muitos países têm comércio exterior”, disse. “Vamos torcer, trabalhar para que isso não ocorra”, completou.

O ministro disse ainda que o Brasil não tem litígio com ninguém.

“No Brasil, a última guerra tem mais de um século. O Brasil é um país de paz e, sempre que pode, atua promovendo a paz. O que nós queremos é paz. Guerra leva à morte, leva à pobreza. É a falência da boa política”.

Alckmin classificou o atual cenário geopolítico como um momento difícil para o mundo e um momento de o Brasil ser mais ouvido.

“Vamos promover a paz, fortalecer o multilateralismo, tratar de melhorar a vida do povo através do emprego e da melhora de renda. Esse é o bom caminho e é isso que o Brasil está trilhando”.

*Colaborou Alex Rodrigues

Em meio ao embate entre EUA, Dinamarca e Groenlândia sobre o futuro da estratégica ilha no Oceano Ártico, o deslocamento de tropas por parte dos aliados europeus da Otan para o território congelado desagradou tanto Washington quanto Moscou — adversários estratégicos que fazem cálculos a partir das movimentações em solo. Enquanto o presidente americano, Donald Trump, já classificou como “insuficiente” uma estrutura de defesa europeia para garantir a segurança da aliança ocidental, a Rússia citou a escalada como um gesto hostil.
‘Domo de Ouro’: Entenda como funciona arma de defesa planejada pelos EUA, que deve incluir território da Groenlândia
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O envio de militares faz parte de um plano da Dinamarca para aumentar as capacidades de defesa do território autônomo dentro do país, que tem menos de 60 mil habitantes. Aliados europeus da Otan, como Alemanha, Noruega e Suécia já tinham confirmado participação na iniciativa — batizada “Operação Resistência no Ártico”, e apelidada por veículos de imprensa internacional de “Operação Convencendo Trump” —, enquanto o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou a adesão do país nesta quinta.
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Em um momento em que a discussão sobre a anexação do território pelos EUA é motivo de disputa entre os EUA e a parte europeia da Otan, que aponta como inaceitável qualquer ação unilateral por parte de Washington, o envio dos militares para a Groenlândia se assemelha a uma tentativa de dissuasão. Por outro lado, lideranças dentro da Europa tentam caracterizar a operação como uma demonstração de que os aliados podem entregar as garantias de segurança pretendidas por Trump.
Em uma manifestação nesta quinta, o Ministério da Defesa da Alemanha afirmou que a missão na Groenlândia tem como objetivo “explorar opções para garantir a segurança em vista das ameaças russas e chinesas no Ártico”. A manifestação parece seguir uma linha anteriormente adotada por Bruxelas, que a Casa Branca já repeliu.
Em Washington, Trump repete que a anexação da Groenlândia é uma necessidade de segurança nacional dos EUA. Em uma manifestação na quarta-feira, o republicano afirmou que o território seria fundamental para o “Domo de Ouro” — um desejado sistema de defesa antiaérea inspirado em Israel, que prometeu construir.
Estação de satélites construída pelos EUA na Guerra Fria, conhecida como ‘Mickey Mouse’, em colina perto de Kangerlussuaq, no oeste da Groenlândia, em junho de 2025
Ivor Prickett/The New York Times
“A Otan deveria estar liderando o caminho para que possamos obtê-la [a Groenlândia]. SE NÃO O FIZERMOS, A RÚSSIA OU A CHINA O FARÃO, E ISSO NÃO VAI ACONTECER!”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais. “A Otan se torna muito mais formidável e eficaz com a Groenlândia nas mãos dos ESTADOS UNIDOS. Qualquer coisa menos do que isso é inaceitável”.
Embora as partes diretamente envolvidas na disputa tenham engajado em negociações diplomáticas diretas e um grupo de trabalho tenha sido montado, as tensões não estão perto de se dissipar entre os aliados. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou nesta quinta que Varsóvia não enviaria soldados para a Groenlândia — apesar de ter declarado apoio à Dinamarca e à ilha ártica. Ele se disse preocupado com o quadro atual.
— Uma tentativa de tomada de [parte de] um Estado-membro da ONU por outro Estado-membro da ONU seria um desastre político — disse Tusk, acrescentando que seria “o fim do mundo como o conhecemos”.
Videográfico: A história e a evolução da atuação da Otan no mundo
Ao mesmo tempo em que provoca tensões entre os aliados, a estratégia europeia de agir por conta própria também atraiu uma resposta adversa de Moscou. Em uma manifestação nesta quinta-feira, a diplomacia russa expressou “grave preocupação” sobre o envio de tropas à ilha.
“Em vez de realizar um trabalho construtivo no âmbito das instituições existentes, em particular o Conselho do Ártico, a Otan optou por acelerar a militarização do norte e reforçar a sua presença militar na região sob o pretexto imaginário de uma crescente ameaça de Moscou e Pequim”, afirmou a embaixada russa em Bruxelas, onde fica a sede da Otan.
O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, afirmou em entrevista nesta quinta que a intenção por trás da Operação Resistência do Ártico era “estabelecer uma presença militar mais permanente” na Groenlândia, com um rodízio de militares de vários países.
Questionado se os exercícios militares tinham a intenção de enviar um sinal aos americanos, ele se recusou a comentar. (Com AFP)

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse nesta quinta-feira (15) que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) deve entrar em vigor no segundo semestre deste ano: “Um acordo que, há 25 anos, era trabalhado, mas nunca saía. Finalmente, [será] assinado no sábado (17).”

“Assinado, o Parlamento Europeu aprova sua lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei, internalizando o acordo. A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo. Aí, ele entra imediatamente em vigência.”

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Em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Alckmin avaliou que o acordo entre Mercosul e União Europeia é o maior acordo entre blocos do mundo, envolvendo 720 milhões de pessoas e US$ 22 trilhões de mercado.

“São cinco países no Mercosul [Brasil Argentina, Paraguai, Uruguai e, agora, Bolívia]. E a União Europeia, com 27 países dos mais ricos do mundo. Isso significa comércio: vamos vender mais para eles. Zerar a tarifa, então você tem livre comércio – mas livre comércio com regras. Também vamos comprar mais deles.”

“Ganha a sociedade, comprando produtos mais baratos e de melhor qualidade. Comércio exterior, hoje, é emprego na veia. Tem determinadas empresas que, se não exportarem, elas fecham. O mercado interno não é suficiente”, completou o ministro.

Alckmin ainda classificou o acordo como um exemplo para o mundo:

“Em um momento de instabilidade política, de geopolítica com guerras em vários lugares, de protecionismo exacerbado, você dá o exemplo de que é possível, através do diálogo e da negociação, fortalecer o multilateralismo e ter livre comércio.”

 

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