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Uma decisão tomada meses atrás para pressionar a Venezuela, e que culminou na derrubada do chavista Nicolás Maduro, há pouco menos de duas semanas, agora estreita a margem de manobra do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante de uma possível escalada com o Irã. A análise foi feita por autoridades de defesa, atuais e antigas, ao Wall Street Journal (WSJ). Agora, por conta das prioridades assumidas antes, o Pentágono tem 12 navios de guerra designados para as águas do Caribe, contra apenas seis no Oriente Médio, revelou um oficial da Marinha dos EUA. Além disso, não há nenhum grupo de ataque de porta-aviões no Oriente Médio ou na Europa desde que Trump ordenou que o navio USS Gerald R. Ford fosse do Mediterrâneo para o Caribe em outubro. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Quando se aproximou do veículo de Renee Good em uma rua de Minneapolis na última quarta-feira, Jonathan Ross, agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), ergueu o celular e começou a gravar. Menos de um minuto depois, ele ainda registrava as imagens quando sacou a arma e a matou a tiros. O caso ganhou repercussão global, levando a um novo escrutínio sobre as táticas e o treinamento dos milhares de agentes do órgão mobilizados nos esforços de deportação em massa do governo de Donald Trump e chamando a atenção para a violência que se tornou rotina na atuação do ICE. Ainda que autoridades tenham se esforçado para minimizar o ocorrido, ele não é isolado: apenas uma semana após a morte de Renee, outro agente disparou contra um migrante venezuelano na mesma cidade.
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Vídeos: Agente do ICE atira em venezuelano em Minneapolis, uma semana após mulher ser morta em blitz
— Há semanas estamos alertando que as operações perigosas e sensacionalistas do governo Trump representam uma ameaça à nossa segurança pública [e] que alguém acabaria se machucando — disse o governador de Minnesota, Tim Walz, após a morte de Renee, americana de 37 anos. — Hoje, essa imprudência custou a vida de alguém.
À Reuters, Trump adotou um tom conciliador ao comentar o caso, afirmando na quarta-feira que foi “triste de ver dos dois lados”. Nesta quinta, no entanto, o republicano voltou a endurecer o discurso e ameaçou invocar uma lei de 1807 para enviar tropas e reprimir os protestos contra a presença de agentes federais em Minneapolis. Trump tem reiterado a possibilidade de recorrer à Lei da Insurreição, um dispositivo raramente usado que autoriza o emprego das Forças Armadas dos EUA ou a federalização da Guarda Nacional para ações de segurança interna, inclusive sem o consentimento dos governadores estaduais, que se mobilizaram para aprovar legislação para conter a atuação do ICE em estados democratas — da Califórnia a Nova York, Illinois e Nova Jersey — após a morte de Renee.
Vídeo mostra momento em que agente do ICE atira em mulher em Minneapolis
Ao mesmo tempo, o Departamento de Segurança Interna (DHS) vem recrutando uma nova leva de agentes — mais de 12 mil nos últimos meses, em um ritmo “mais rápido do que qualquer esforço anterior na história da agência”, segundo autoridades ouvidas pelo Washington Post (WP). A corrida levantou preocupações de que o órgão esteja reduzindo o rigor do treinamento para aumentar o número de oficiais em campo. Se em 2018 a preparação básica durava 20 semanas, por exemplo, agora ela foi reduzida para oito, cortando “redundâncias e incorporando avanços tecnológicos”, justificou o DHS. Entre os cortes estão aulas de espanhol, com agentes passando a usar “serviços robustos de tradução”.
Especialistas em policiamento, porém, apontam para erros que elevam riscos desnecessários nas abordagens e contrariam as melhores práticas de aplicação da lei. A política de uso da força do DHS orienta os agentes a tentar desescalar tensões, permitindo o uso da força letal apenas se eles acreditarem que alguém enfrenta uma ameaça iminente de morte ou ferimentos graves. A medida proíbe, entre outras coisas, que agentes atirem contra motoristas de veículos em movimento, como no caso de Renee. A porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin, disse ao WP que a política, atualizada pela última vez em 2023, continua em vigor.
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“Os agentes de aplicação da lei do ICE são treinados para usar a menor quantidade de força necessária para resolver situações perigosas, priorizando a segurança do público e de nossos agentes”, afirmou em nota. “Os agentes são altamente treinados em táticas de desescalada e recebem regularmente treinamento contínuo sobre uso da força.”
Abordagens violentas
Inúmeros vídeos nas redes sociais, no entanto, mostram o contrário. Um deles, gravado em Maryland, mostra um homem imobilizado no chão por dois agentes do ICE. Ele implora, em espanhol e em inglês, para que alguém o ajude. Durante o incidente, um dos agentes deixa sua arma cair e tenta recuperá-la de forma atrapalhada. Em seguida, parece apontá-la para pessoas que estavam ao redor. O padrão violento se repete: em setembro, um homem de Chicago foi atingido na cabeça por um projétil preenchido com substâncias químicas irritantes. Identificado como David Black, ele entrou com uma ação judicial contra o governo Trump.
— Esses são apenas a ponta do iceberg — disse Fred Tsao, assessor sênior de políticas da Coalizão de Illinois pelos Direitos de Imigrantes e Refugiados, à NPR. — Pessoas sendo derrubadas no chão, gente levando spray de pimenta ou gás lacrimogêneo. Vimos pessoas sendo ameaçadas. E vimos pelo menos dois episódios envolvendo disparos de arma de fogo.
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Sob Trump, o Serviço de Imigração vem intensificando sua atuação também no entorno de escolas públicas, o que tem resultado em protestos de estudantes e no cancelamento de aulas. O temor em relação ao ICE — que era proibido de atuar em áreas escolares até o governo do republicano revogar a determinação em 2025 — tem levado a quedas na frequência dos alunos, e estudantes têm organizado paralisações em protesto contra o aumento das ações de fiscalização. Na semana passada, dois professores teriam sido algemados em Minneapolis durante um confronto com agentes, episódio que fez com o que aulas fossem canceladas. Instituições passaram a planejar oferecer ensino remoto.
— Estamos vendo pessoas deixando de ir a consultas médicas, crianças faltando à escola, pessoas evitando até ir ao supermercado — disse Sarang Sekhavat, chefe de gabinete da Massachusetts Immigrant & Refugee Advocacy Coalition, à rede americana. — Você vê muitos negócios nesses bairros realmente sofrendo porque as pessoas simplesmente não querem sair de casa.
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Em maio de 2025, o ICE realizou o que autoridades descreveram como a maior operação de fiscalização da história da agência, prendendo mais de 1,4 mil pessoas em comunidades de todo Massachusetts. Em toda a Nova Inglaterra, outros casos de grande repercussão incluíram agentes do ICE detendo um estudante de doutorado da Universidade Tufts que assinou um artigo de opinião em um jornal estudantil crítico a Israel e quebrando o vidro do carro de um imigrante para arrancá-lo do banco do passageiro diante da esposa. A rede de prisões do ICE capturou também pessoas como Geovani Esau De La Cruz Catalan, preso em frente à sua casa apenas alguns dias depois de receber o diploma do ensino médio.
— As táticas agressivas do ICE na região têm sido marcadas por um nível geral de crueldade e brutalidade — afirmou Daniel Kanstroom, professor de Direito do Boston College e fundador da clínica de direito de imigração e asilo da universidade. — Nunca vimos agentes mascarados antes. Nunca vimos estudantes presos por escrever artigos de opinião. Nunca vimos pessoas sendo arrancadas de tribunais de imigração.
A abordagem do órgão, com agentes mascarados em todo o país, abriu espaço para que criminosos começassem a se passar por membros do ICE para cometer crimes violentos. Na Carolina do Norte, um homem que se passou por agente do ICE entrou no quarto de hotel de uma mulher e a abusou sexualmente, dizendo que a deportaria caso ela não mantivesse relações sexuais com ele. No Brooklyn, um homem conduziu uma mulher até uma escada, onde a agrediu com socos e tentou estuprá-la. Na Flórida, outro homem sequestrou uma mulher que concordou em acompanhá-lo acreditando tratar-se de um agente do órgão.
Recorde de mortes
Dados do próprio ICE mostram que os centros de detenção de migrantes também podem ser locais letais para quem está sob custódia. Comunicados do órgão revelam que o ano de 2025 foi o mais letal para detidos pelo Serviço de Imigração em duas décadas: ao menos 30 pessoas morreram enquanto estavam detidas, o maior número desde 2004, ano seguinte à criação da agência. O total do último ano supera também o número de mortes registradas sob custódia do ICE durante todo o governo do democrata Joe Biden (2021-2025), quando 26 detidos morreram, segundo dados compilados pela Associação Americana de Advogados de Imigração.
A tendência se mantém preocupante: em 2026, pelo menos quatro pessoas morreram enquanto estavam detidas pelo ICE. Todas as mortes ocorreram nos primeiros dez dias do ano, três delas anunciadas entre 9 e 10 de janeiro. Os migrantes, todos homens, tinham entre 42 e 68 anos. Dois eram cidadãos de Honduras, um de Cuba e outro do Camboja. Dois óbitos foram atribuídos a “problemas de saúde relacionados ao coração”, enquanto as outras duas causas não foram claramente especificadas. Um desses últimos casos foi indicado como “sob investigação”.
Observadores externos manifestaram preocupação com o nível de atendimento médico oferecido aos detidos. Um relatório de 2024 da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) concluiu que até 95% das mortes ocorridas sob custódia do ICE poderiam ter sido evitadas com atendimento adequado. O estudo analisou mortes sob custódia do ICE entre 2017 e 2021, durante o primeiro governo Trump, encontrando evidências generalizadas de tratamentos incorretos ou inadequados, além de atrasos graves no atendimento médico.
“Essas violações rotineiras de garantias legais demonstram o desprezo do governo Trump pelos direitos dos imigrantes”, escreveram os deputados Robert Menendez e Dan Goldman em carta assinada por outros 52 parlamentares. “E o uso intencional de táticas de intimidação que minam a confiança pública e alimentam o medo em nossas comunidades”.
(Com agências internacionais)
O segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido marcado por uma ampla repressão a imigrantes sem documentos, que desencadeou ondas de medo em locais com grandes populações hispânicas. Em muitas dessas áreas, um programa governamental pouco conhecido chamado Parole in Place (PIP) tornou-se um refúgio de último recurso e uma poderosa ferramenta de recrutamento. Lançado em 2013, ele oferece aos pais e cônjuges de militares que não têm documentos proteção contra a deportação e um caminho mais rápido para a residência permanente. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira a formação de um “conselho de paz” para Gaza, um elemento fundamental da segunda fase do plano de cessar-fogo apoiado pelos EUA para pôr fim à guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas no território palestino.
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“É uma grande honra anunciar que o conselho de paz foi formado”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social, acrescentando que os membros do órgão serão anunciados “em breve”.
Três meses após a implementação da trégua na Faixa de Gaza, os EUA anunciaram o início da segunda fase do plano abrangente de 20 pontos proposto por Trump para o enclave palestino. A decisão marca a transição do cessar-fogo para uma etapa voltada à desmilitarização, governança tecnocrática e à reconstrução do território devastado pela guerra. O anúncio foi feito na quarta-feira pelo enviado especial americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, em uma publicação nas redes sociais.
Apesar do comunicado, a fase dois do plano tem início após a manutenção de um cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas, em vigor desde outubro. Embora o grupo terrorista tenha sinalizado disposição para transferir a prestação de serviços públicos à comissão tecnocrática, ainda não iniciou o desarmamento, ponto central do plano americano. O impasse fez com que pessoas a par das discussões declarassem ao Wall Street Journal que as Forças Armadas de Israel elaboraram planos para uma nova operação terrestre em Gaza.
Por outro lado, Israel tem realizado ataques no enclave que já deixaram mais de 440 mortes desde o início do cessar-fogo. Em relatório divulgado anteontem, o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) indicou que pelo menos 100 menores estão entre os mortos, a grande maioria por ataques aéreos. “A vida em Gaza continua sufocante. A sobrevivência ainda é condicionada. Embora os bombardeios tenham diminuído durante o cessar-fogo, eles não pararam”, diz o relatório.
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O Hamas, por sua vez, tem concentrado seus esforços na reconstrução de capacidades militares perdidas durante a guerra, incluindo partes de sua infraestrutura de túneis danificada, disseram autoridades árabes e israelenses ao veículo. O grupo ainda recebeu um novo influxo de recursos financeiros, o que voltou a permitir o pagamento regular de salários a seus combatentes. E, ainda que a trégua tenha sido em grande parte mantida, os esforços dos Estados Unidos para convencer países a enviar forças de paz para Gaza encontraram poucos interessados.
O cessar-fogo firmado em outubro passado encerrou dois anos de combates intensos entre as partes, que deixaram mais de 70 mil palestinos mortos e o enclave em ruínas. Um retorno à guerra teria consequências graves para cerca de dois milhões de palestinos em Gaza, a maioria deslocada ao longo do conflito e muitos vivendo em acampamentos de tendas ou abrigos improvisados. Com a primeira fase do plano, o território ficou dividido: Israel passou a controlar pouco mais de 50% da área, enquanto o Hamas controla o restante.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, nesta quinta-feira. Ambos os líderes abordaram, entre outros temas, a situação da Venezuela após a intervenção militar americana em 3 de janeiro que capturou o então ditador venezuelano Nicolás Maduro e deixou sua vice, Delcy Rodríguez, no poder.
De acordo com o Palácio do Planalto, os dois presidentes “reiteraram a necessidade de preservar a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe” e concordaram que é necessário fortalecer a Organização das Nações Unidas e a defesa do direito internacional e do diálogo.
O telefonema com Mulino é o sétimo de Lula com chefes de Estado e governo desde a semana passada, e em todos foi abordada a questão da Venezuela. Lula conversou nos últimos dias com os presidentes Gustavo Petro (Colômbia), Claudia Sheinbaum (México), Pedro Sánchez (Espanha) e Vladimir Putin (Rússia) e com os primeiros-ministros Mark Carney (Canadá) e Luís Montenegro (Portugal).
Lula e Melino trataram dos preparativos para a visita que o presidente Lula fará ao Panamá para participar da abertura do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), no próximo dia 28 de janeiro.
“O presidente Lula também realizará reunião bilateral com presidente Mulino, na qual deverão discutir temas relacionados a comércio, investimentos e cooperação, na esteira da adesão do Panamá como estado associado ao Mercosul”, diz o comunicado do Planalto.
José Raúl Mulino foi eleito em 2024 pelo partido de direita Realizando Metas, fundado pelo ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli (2010-2014). O presidente do Panamá já havia se encontrado com Lula no início de julho de 2025, quando o presidente brasileiro foi à Argentina para assumir a presidência do Mercosul, e também realizou uma visita oficial do país em agosto do ano passado.
Quando da visita do presidente panamenho, Lula afirmou nesta quinta-feira que o comércio internacional tem sido utilizado como “instrumento de coerção em chantagem”, em alusão indireta à política tarifária dos Estados Unidos. Lula também defendeu a soberania do Panamá sobre o canal que já foi alvo de bravatas por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O americano chegou a insinuar que o canal pertence aos EUA.
Durante o encontro de agosto, Lula anunciou que o Panamá comprará quatro aviões Super Tucano da Embraer e reiterou que o Brasil apoia o tratado que estabeleceu a neutralidade do Canal do Panamá.
— Reafirmamos o compromisso com o multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a integração regional. Isso é particularmente irrelevante em um dos momentos mais críticos da história da região. A tentativa de restaurar antigas hegemonias coloca em choque a liberdade e a autodeterminação dos nossos povos. As ameaças de ingerências pressionam instituições democráticas e comprometem a construção de um continente integrado, desenvolvido e autônomo. O comércio internacional é utilizado como instrumento de coerção e chantagem — disse Lula ao lado de Mulino.
O presidente afirmou que iniciou o procedimento para aderir a um protocolo ao Tratado Relativo à Neutralidade Permanente e ao Funcionamento do Canal do Panamá, de 1977 e do qual o Brasil ainda não era signatário. O texto reconhece que a hidrovia deve permanecer aberta aos países independentemente de conflitos ou disputas políticas. Na prática, a adesão do Brasil seria uma resposta ao discurso de Trump de retomada do Canal. A eventual assinatura do documento pelo Brasil precisaria da aprovação do Congresso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta quinta-feira (15), um telefonema do presidente do Panamá, José Raúl Mulino. Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os dois líderes trataram dos preparativos para a visita que Lula fará ao Panamá para participar da abertura do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), no dia 28 de janeiro.

Na visita, Lula também participará de reunião bilateral com o presidente Mulino para discutir temas relacionados a comércio, investimentos e cooperação.

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Ainda segundo o Palácio do Planalto, Lula e Mulino trocaram – por telefone – impressões sobre a situação na Venezuela e reiteraram a necessidade de preservar a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe. Também coincidiram, de acordo com a nota, sobre a necessidade de fortalecimento das Nações Unidas e na defesa do direito internacional e do diálogo.

 

Vários cards valiosos de Pokémon foram roubados em um assalto à mão armada em uma loja de Nova York, informou a polícia americana nesta quinta-feira. Cerca de US$ 100 mil (cerca de R$ 537 mil) em mercadorias teriam sido levadas. Imagens compartilhadas pela loja mostram um homem encapuzado, vestido todo de preto, apontando o que parece ser uma pistola para alguém sentado com as mãos para cima.
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A mídia americana informou que alguns dos cartões roubados valiam até US$ 5.500 (cerca de R$ 29,5 mil). Os cards de Pokémon com os “monstrinhos” atraem tanto crianças quanto fãs adultos e colecionadores, com bilhões de unidades impressas e algumas vendidas por milhões de dólares. No início deste mês, cerca de 300 mil dólares (cerca de R$ 1,6 milhão) em cartas Pokémon foram roubadas em mais um assalto à mão armada na Califórnia.
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A polícia de Nova York informou ter recebido relatos na noite desta quarta-feira de que três homens entraram na loja The Poke Court, em Manhattan, e “exibiram uma arma de fogo e fizeram ameaças a pessoas”.
“Em seguida, levaram diversas mercadorias, dinheiro e um telefone”, disse um porta-voz.
Ninguém foi preso. Courtney Chin, proprietária do The Poke Court, afirmou em um vídeo publicado no Instagram que todos os clientes e funcionários estavam em segurança. Ela falou em frente a vitrines que haviam sido quebradas. A loja listou vários cartões como roubados, cada um armazenado em estojos plásticos protetores chamados “slabs” que comprovam sua autenticidade.
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Entre os cards roubados estão os de personagens famosos de Pokémon, como Pikachu, o grande rato amarelo com uma cauda em forma de raio. Várias pessoas estavam na loja em Manhattan para participar de um evento comunitário quando o assalto aconteceu.
“Este hobby deveria ser um lugar seguro e acolhedor e, embora o papelão possa ser substituído, ninguém deveria ter que passar por isso”, escreveu a loja no Instagram.
Personagens dos jogos Pokémon deram origem a filmes, séries animadas e uma infinidade de produtos licenciados. De acordo com a publicação especializada License Global, a franquia arrecadou US$ 12 bilhões (cerca de R$ 64,4 bilhões) em receitas de licenciamento em 2024 — mais do que a gigante dos brinquedos Mattel.
Os EUA e Taiwan concordaram com um acordo comercial há muito buscado que reduzirá as tarifas sobre produtos da ilha autogovernada para 15% e fará com que empresas taiwanesas de semicondutores aumentem o financiamento de operações nos EUA em US$ 500 bilhões.
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O acordo foi anunciado hoje pouco depois de uma delegação de altos funcionários de Taiwan visitar Washington para finalizar o entendimento com representantes do presidente Donald Trump.
Pelos termos do acordo, as tarifas sobre remessas taiwanesas cairiam da taxa anterior de 20% — colocando-as em pé de igualdade com Japão e Coreia do Sul, que firmaram seus próprios acordos no ano passado.
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A indústria de tecnologia de Taiwan também se comprometeria a realizar pelo menos US$ 250 bilhões em investimentos diretos para expandir operações avançadas de semicondutores, energia e inteligência artificial nos EUA.
Além disso, Taiwan concordou em oferecer outros US$ 250 bilhões em garantias de crédito para novos investimentos na cadeia americana de suprimentos de semicondutores. A ilha, considerada pela China uma província rebelde e parte de seu território, é a maior fabricante de chips do mundo, componente decisivo em uma série de indústrias, de celulares a automóveis e aviões.
O território tem um governo autônomo e um regime econômico capitalista desde a revolução comunista chinesa, de 1949, mas poucos países reconhecem sua independência da China. Os EUA é um dos países que não reconhecem Taiwan como um país independente, embora tenha com a ilha um histórico de cooperação militar com o objetivo de protegê-la de uma invasão chinesa.
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Uma declaração da Casa Branca que delineou o acordo não mencionou especificamente a Taiwan Semiconductor Manufacturing Corporation (TMSC), gigante produtora de chips da ilha, mas o arranjo tem implicações claras para a empresa. A TMSC é a maior produtora mundial de chips para inteligência artifricial (IA).
A agência Bloomberg informou no início desta semana que o acordo exigiria que a TSMC construísse pelo menos mais quatro fábricas de chips no Arizona, somando-se às seis fábricas e duas instalações avançadas de empacotamento que já prometeu abrir no local.
A TSMC e outras empresas liderarão os US$ 250 bilhões em investimentos planejados, segundo autoridades do Departamento de Comércio dos EUA familiarizadas com os detalhes. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, conduziu as negociações do pacto, estruturado em torno de semicondutores e das tarifas setoriais da Seção 232, disse a autoridade.
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O acordo remove um importante ponto de atrito entre a democracia de 23 milhões de pessoas, que a China deseja controlar, e os EUA, principal apoiador militar de Taipei. Autoridades taiwanesas indicavam há meses que um pacto estava próximo, mas ele nunca se concretizou.
O arcabouço também limita a 15% as tarifas americanas específicas por setor sobre autopeças, toras, madeira serrada e produtos derivados de madeira provenientes de Taiwan. Medicamentos genéricos fabricados na ilha não enfrentariam impostos de importação, segundo a declaração.
Além disso, semicondutores taiwaneses receberiam alívio de tarifas futuras. Empresas que construírem novas operações nos EUA poderão importar, durante a construção, até 2,5 vezes sua capacidade atual sem tarifas, com uma alíquota menor aplicada às remessas acima dessa cota. Esse limite cairia para 1,5 vez a capacidade atual quando as instalações de produção estiverem concluídas.
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O Departamento de Comércio concluiu uma investigação que constatou que importações de chips prejudicam a segurança nacional dos EUA, mas deixou de impor tarifas mais amplas. Trump, em vez disso, ordenou que altos funcionários do governo negociassem arranjos com grandes exportadores.
Aplicou apenas uma tarifa restrita de 25% sobre certos semicondutores avançados a serem enviados ao exterior, um passo-chave em um acordo para a Nvidia enviar processadores de inteligência artificial H200, fabricados em Taiwan, para a China.
Taipei vem tentando concluir um acordo com os EUA antes de Trump se reunir com Xi Jinping na China, informou a Bloomberg News anteriormente. Espera-se que o presidente dos EUA visite a China em abril.
O acordo foi anunciado mesmo enquanto se aproxima uma decisão da Suprema Corte sobre as tarifas globais de Trump. Se o tribunal decidir contra o presidente, isso pode prejudicar sua capacidade de fixar unilateralmente tarifas sobre bens de países estrangeiros.
O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, indicou que apoia o objetivo de Trump de reindustrializar os EUA, mas disse que seriam necessárias reformas americanas em políticas de terras, eletricidade e força de trabalho para que os projetos avancem. Taipei também resistiu a um pedido para transferir a produção de chips para os EUA a fim de cobrir metade da demanda americana.
O acordo remove um leve fator de incerteza para a economia de Taiwan, que prosperou graças às exportações de tecnologia, como aceleradores e servidores, que têm sido muito demandados à medida que empresas de tecnologia correm para desenvolver capacidades de IA.
Taiwan revisou recentemente sua previsão de crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB) para 2025 para cerca de 7,3%, o que seria o nível mais alto desde 2010. O boom das exportações de tecnologia ajudou a elevar o superávit comercial anual do país com os EUA a um recorde de US$ 150 bilhões em 2025.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta quarta-feira que presenteou o presidente dos EUA, Donald Trump, com a medalha do Prêmio Nobel da Paz recebida por ela no fim de 2025. O gesto aconteceu durante um encontro dos dois na Casa Branca a portas fechadas, menos de duas semanas após a captura do presidente chavista, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas.
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— Entreguei ao presidente dos Estados Unidos a medalha do Prêmio Nobel da Paz — disse María Corina a repórteres do lado de fora do Capitólio americano após a reunião com Trump. A apoiadores, a líder oposicionista declarou ainda que conta com Trump “pela liberdade da Venezuela”.
O contato entre a principal opositora do chavismo e o republicano acontece em um momento em que o diálogo entre Washington e Caracas se fortalece, apesar da contínua campanha americana sobre o regime venezuelano — com a tomada de mais um navio-petroleiro do país sul-americano nesta quinta.
María Corina chegou aos jardins da Casa Branca pouco antes das 12h30 (14h30 em Brasília). Vestida com um terninho branco, ela saiu do carro sem fazer declarações e foi escoltada até o almoço privado. A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz não utilizou a entrada tradicional para dignitários na Ala Oeste da Casa Branca. A agenda da líder venezuelana também prevê uma reunião com legisladores democratas e republicanos no Senado.
No mesmo dia do encontro de María Corina com Trump, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, mandou um enviado a Washington para se reunir com altos funcionários do governo dos EUA, após sua ida aos EUA ter sido impedida. A não ida de Delcy foi alvo de uma brincadeira de seu irmão e chefe parlamentar, Jorge Rodríguez, que disse que ela deixaria de se reunir com o republicano porque seu “passaporte está vencido”.
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Enquanto isso, o embaixador da Venezuela no Reino Unido e ex-ministro das Relações Exteriores do país, Felix Plasencia, planeja visitar a Casa Branca a pedido da presidente interina, de acordo com pessoas familiarizadas com os planos. Elas pediram para não serem identificadas ao discutir deliberações privadas, noticiou a Bloomberg.
Após a captura de Maduro, Trump optou por trabalhar com Rodríguez, vice-presidente de longa data de Maduro, e chegou a dizer que María Corina “‘não tem apoio ou respeito” necessários para governar o país sul-americano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (15) que a política de segurança pública de seu governo vive um “bom momento” e destacou as recentes ações de combate ao crime organizado, incluindo as investigações envolvendo desvios no Banco Master e a Operação Carbono Oculto, que apura fraude fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

“Nós nunca estivemos tão perto e nunca tivemos tanta oportunidade, tanta chance de chegar ao andar de cima da corrupção e do crime organizado nesse país como agora. Nesse exato momento histórico do Brasil, depois da Operação Carbono Oculto, que foi a maior operação já feita pela Polícia Federal, junto com a Polícia de São Paulo, junto com a Receita Federal, depois da Refit, quando nós conseguimos bloquear cinco navios com 250 milhões de litros de gasolina contrabandeada. Depois que nós fizemos isso, depois da situação do Banco Central com o Banco Master”, elencou o presidente durante discurso de posse do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, em evento reservado no Palácio do Planalto. A cerimônia contou com a participação de alguns auxiliares e do ex-ministro Ricardo Lewandowski.     

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“Nós vamos mostrar que o Estado brasileiro vai derrotar o crime organizado”, pontuou o presidente.

Lula afirmou que está confiante no avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, que tramita na Câmara dos Deputados e que definirá o papel da União no setor. “Porque a Constituição de 1988 transferiu para os estados a responsabilidade. E nós vamos saber aonde é que o Estado [União] pode participar. Não é só a transferência de dinheiro, qual é a ação da Polícia Federal, qual é a ação da Guarda Nacional que nós temos que criar com muita força, qual é a ação da Polícia Rodoviária Federal, qual é o papel de cada um”, afirmou.

Lula pediu articulação entre diferentes órgãos de Estado e disse que o enfrentamento ao crime “não é ficar apenas matando gente em favela”.

“Não é apenas ficar prendendo o pobre, vai chegar na cobertura e saber quem é efetivamente responsável, quem ganha dinheiro, quem não paga imposto, quem sonega neste país. Que é uma das razões do empobrecimento do nosso país”, prosseguiu.

Após a posse, Wellington Lima e Silva conversou com jornalistas e defendeu que a PEC avance no Congresso, onde o governo não conta com ampla base de apoio.

“Eu acredito piamente no sentido de responsabilidade do Congresso. Todo projeto, todo encaminhamento de proposta legislativa que sai do Executivo, ela vai ser apreciada pelo Congresso, pelas duas Casas. E o governo tem que fazer o esforço, no limite, para que o produto final dessa iniciativa seja condizente com o que ele espera daquela política pública e que contemple o interesse da sociedade”, disse.

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