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Principal assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim afirmou não ver possibilidade de o Brasil aderir à proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho de Paz para Gaza nos termos em que foi redigida. Em entrevista ao GLOBO, disse que o estatuto enviado junto ao convite representa, na prática, uma tentativa de reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) conduzida por um único país — algo que considera inaceitável.
Amorim chama atenção ainda para o fato de que a palavra “Gaza” sequer aparece no documento, o que, segundo ele, amplia o alcance da iniciativa para qualquer conflito e reforça as ambiguidades da proposta.
Chanceler de Lula nos dois primeiros mandatos, Amorim alerta para a necessidade de o Brasil estar preparado para possíveis tentativas de interferência da extrema direita americana no processo eleitoral deste ano. Sobre a Venezuela, avalia que qualquer ofensiva contra um país sul-americano deve ser vista como uma ameaça direta ao Brasil, dada a proximidade regional e os riscos de contágio político e institucional.
— Não é que estejamos temerosos, mas o precedente é muito ruim. Não podemos aceitar esse tipo de exemplo — diz o ex-chanceler.
O Brasil foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para participar do Conselho da Paz. O país irá aceitar?
As coisas não estão claras. Uma coisa é um convite para um conselho de paz que seja resultado de uma resolução da ONU. Não sei se o Brasil participaria ou não, mas é algo a considerar. O Oriente Médio é muito importante para nós. Seria preciso saber a opinião dos próprios palestinos e de outros países árabes. A própria carta (do conselho proposto por Trump) é confusa, porque começa a falar de uma coisa e depois vai alargando no documento anexo. Representa, na prática, uma revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança. Essa parte, com certeza, eu não vejo como aceitar. Não dá para considerar uma reforma da ONU feita por um país.
Os objetivos do novo conselho podem ir além da Faixa de Gaza, tema ao qual Trump se referiu ao falar sobre o novo órgão?
A palavra “Gaza” não aparece nesse estatuto. Ele se refere a qualquer conflito. Isso está dito claramente. Não creio que ele esteja estendendo para outros temas, como questões econômicas ou comerciais, mas sim para qualquer conflito. Seria como um Conselho de Segurança, só que com um presidente praticamente permanente. Até agora, os países europeus não aceitaram.
Há espaço para negociação desse modelo?
Ele (Trump) disse inclusive que não aceita emendas. Não é possível discutir, ajustar aqui ou ali. É um contrato de adesão. Isso torna essa parte difícil. Se fosse possível separar as duas coisas, aí vamos ver. Mesmo assim, não é automático. É preciso conversar, ver se isso interessa aos próprios palestinos e a outros países.
O convite de Trump seria uma armadilha para o Brasil?
Não acho. Ele mandou para muitos países. Seria uma armadilha para a França? Para a Itália? Não vejo assim. Obviamente, Trump tem uma visão de relações internacionais em que ele é sempre a figura central. Mas não me cabe fazer um julgamento sobre isso.
Há algum indício de que Trump possa interferir nas eleições brasileiras deste ano?
Não vejo, pessoalmente, uma interferência direta dele. Agora, a extrema direita nos Estados Unidos é muito complexa. Há setores que criticam Trump, outros que são mais neutros, mas que certamente podem tentar interferir, como tentaram outras vezes. Melhor dizendo, possivelmente. Temos que estar preparados para isso e saber nos defender.
Sobre a Venezuela, o Brasil não reconheceu a eleição de Nicolás Maduro, mas reconhece a vice dele, Delcy Rodríguez, como presidente. Como isso se dá?
O Brasil não reconhece governos, reconhece Estados. O fato real é que Delcy Rodríguez está à frente do governo. Se for necessário, lidamos com ela. O presidente falou com ela logo no primeiro dia e houve também uma remessa de remédios. Isso é tudo, por enquanto.
Em meio à doutrina expansionista de Trump, o presidente Lula tem insistido na defesa da soberania. Como isso se traduz na prática?
Ele levanta a bandeira da soberania. Cada um cuida da sua. Na Europa, vários líderes disseram, inclusive Emmanuel Macron, que a Groenlândia é território da União Europeia. Nós aqui temos que nos preocupar também com a soberania brasileira. E qualquer ataque a um país sul-americano é uma ameaça ao Brasil, direta ou indireta. Um conflito em um país que faça fronteira com o Brasil pode ter repercussões para nós.
Isso representa uma preocupação concreta em relação aos Estados Unidos?
Não estou dizendo que isso vai acontecer. O próprio Trump disse recentemente que gosta do Lula. Não é que estejamos temerosos, mas o precedente é muito ruim. Não podemos aceitar esse tipo de exemplo.
Os governos de direita têm aumentado na região. Como o Brasil lida com esse cenário?
Desde que não sejam ofensivos e tenham um comportamento civilizado, vamos nos relacionar com todos. Lula manteve relações normais com governos de direita no passado, como o de Álvaro Uribe, na Colômbia, e recebeu recentemente o presidente do Equador, Daniel Noboa. São nossos vizinhos. Precisamos ter uma relação normal, desde que haja civilidade.
O Parlamento Europeu levou à Justiça o acordo entre Mercosul e União Europeia. Isso pode impedir a implementação do tratado?
Continuamos no nosso trabalho. O Mercosul fez um acordo com a União Europeia, o que é muito importante, mesmo que nem todos os aspectos comerciais sejam vantajosos. Ele gera mais equilíbrio nas relações internacionais, inclusive no comércio. Sobre a decisão do Parlamento Europeu, é um procedimento normal. Não há preocupação nenhuma.
Forças ucranianas desenvolveram uma técnica pouco convencional para derrubar drones russos no céu: equipar pequenos drones com varas de pesca e cabos suspensos para capturar e desativar os drones inimigas durante o voo, segundo vídeos divulgados pela própria 46ª Brigada Aeromóvel Independente de Podilsk.
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A partir das imagens compartilhadas nas redes sociais pela unidade, é possível ver um drone ucraniano aproximando-se por cima de um drone russo, com um cabo semelhante a uma linha de pesca pendurado abaixo do aparelho interceptor. O objetivo é simples: fazer a linha agarrar-se às hélices ou à estrutura do drone adversário, para, em seguida, perder controle e cair.
A técnica improvisada já teria resultado na queda de pelo menos dois drones russos, incluindo um quadricóptero e uma aeronave de asa fixa. Na legenda, a brigada classificou a ação como um “novo modo de captura de drones inimigos no ar”.
O vídeo mostra ainda que a abordagem nem sempre é eficaz: uma tentativa de interceptar um drone kamikaze do tipo Molniya não teve sucesso, destacando as limitações da solução em confrontos com alvos mais rápidos ou resistentes. Assista:
Analistas militares veem essa adaptação como parte de um esforço mais amplo para responder à crescente proliferação de drones no conflito, em que ambos os lados recorrem a soluções criativas para compensar limitações de recursos e a saturação do espaço aéreo por pequenos veículos não tripulados. Táticas parecidas também já foram utilizadas na Rússia.
A 46ª Brigada Aeromóvel, unidade das Forças de Assalto Aéreo da Ucrânia criada em 2016 e ativa em várias frentes da guerra desde 2022, tem se destacado por essas inovações de campo enquanto busca manter a eficácia de sua defesa aérea diante de ataques constantes com drones russos.
A Marinha francesa interceptou, nesta quinta-feira, um “petroleiro procedente da Rússia” no Mar Mediterrâneo, suspeito de pertencer à “frota fantasma” que financia “a guerra de agressão contra a Ucrânia”, anunciou o presidente francês, Emmanuel Macron. As autoridades marítimas locais informaram que a Marinha apreendeu um petroleiro chamado “Grinch” entre a Espanha e Marrocos.
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O “Grinch” está sujeito a sanções do Reino Unido, e outra embarcação chamada “Carl”, com o mesmo número de registro, está sujeita a sanções dos Estados Unidos e da União Europeia.
“Esta manhã, a Marinha francesa abordou e revistou um petroleiro russo, que está sujeito a sanções internacionais e é suspeito de navegar sob bandeira falsa”, disse o presidente no X. “A operação foi realizada em alto-mar no Mediterrâneo com o apoio de vários de nossos aliados” e a embarcação foi “desviada”, acrescentou.
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“Não vamos deixar nada passar”, disse Macron. “As atividades da ‘frota fantasma’ ajudam a financiar a guerra de agressão contra a Ucrânia”, acrescentou. “Após a abordagem da embarcação, a análise dos documentos confirmou dúvidas sobre a legalidade de sua bandeira”, informou a Prefeitura Marítima do Mediterrâneo.
O navio “está sendo escoltado pela Marinha nacional até uma área de ancoragem para novas verificações”, acrescentou a Prefeitura em um comunicado. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, agradeceu a Macron.
“É exatamente isso que precisa ser feito para garantir que o petróleo russo não financie mais a guerra da Rússia”, disse no X.
Uma prisão digna de roteiro de filme aconteceu em La Plata, na Argentina, na quarta-feira (21). No último dia 16, durante um roubo à mão armada em uma loja uma funcionária, que estava sozinha no local, foi ameaçada, teve dinheiro e produtos roubados. A polícia identificou o autor como Eduardo Oscar Alcaraz, de 24 anos, conhecido como “Pipo”. Para encontrá-lo, foram analisadas as imagens da câmera de segurança do estabelecimento. Um detalhe ajudou na investigação: uma pulseira de silicone que ele ainda usava.
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A gravação auxiliou a identificar Eduardo. Por meio de investigação, chegaram ao endereço onde ele residia. No imóvel, o suspeito foi reconhecido, dando início à fuga. Eduardo correu pelos fundos da casa, pulou um muro e correu em direção a um riacho na proximidade. Os agentes o perseguiram, com ordens de parada. Ele conseguiu entrar no curso d’água e nadar contra a correnteza. Neste momento, foi alcançado por dois policiais, que também pularam no riacho e o prenderam.
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Reprodução / Polícia de Buenos Aires
O roubo aconteceu quando uma funcionária estava sozinha na loja, atrás do balcão. O suspeito entrou armado, ameaçou-a e pegou o dinheiro do caixa das vendas do dia. Antes de sair, trancou a mulher no banheiro e levou mercadorias da loja. Com base nas imagens da câmera de segurança e na análise do material, equipes do Grupo de Operações Especiais (GTO) reuniram as provas para solicitar um mandado de busca.
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Durante a ação no imóvel, os policiais apreenderam as roupas usadas durante o roubo: calça cinza, jaqueta preta e os sapatos. Também foi confiscada a pulseira de silicone vista nas imagens da câmera de segurança. Com base nessas evidências, a promotoria determinou que havia provas diretas ligando-o ao roubo.
O caso foi classificado como “roubo qualificado com uso de arma de fogo”. Eduardo deverá comparecer à sua primeira audiência nos próximos dias. Enquanto isso, os investigadores estão analisando se a ação coincide com outros crimes recentes na área, visto que existem registros de incidentes semelhantes, embora sem acusação adicional formalizada até o momento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na manhã desta quinta-feira. Na ligação, que durou 45 minutos, os dois discutiram a respeito da necessidade de uma reforma abrangente das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança.
“O presidente Lula e o primeiro-ministro Modi também trocaram impressões sobre a situação global. Reafirmaram sua convicção a respeito da necessidade de uma reforma abrangente das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança. Reiteraram, nesse sentido, seu compromisso com a paz em Gaza e, de modo geral, com a defesa da paz no mundo, do multilateralismo e da democracia”, afirma nota, divulgada pelo governo brasileiro.
Os dois conversaram também sobre os preparativos para a visita de Estado do presidente brasileiroi à Nova Délhi, que ocorrerá entre 19 e 21 de fevereiro. “O presidente Lula indicou que pretende participar da Cúpula sobre Inteligência Artificial. Na agenda bilateral, os dois líderes coincidiram em priorizar temas relativos à cooperação nas áreas de defesa, comércio, saúde, ciência e tecnologia, energia, biocombustíveis, minerais críticos e terras raras”, diz a nota.
Ainda segundo o governo brasileiro, os dois líderes destacaram a importância do Fórum Empresarial Brasil – Índia, no dia 21, e “saudaram o engajamento do setor privado dos dois países na visita”. Lula também falou sobre a inaguração do escritério da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil), que ocorrerá durantre a sua visita ao país.
O telefonema com Modi é o oitavo de Lula com chefes de Estado e governo desde a semana passada. Lula conversou nos últimos dias com os presidentes José Raúl Mulino (Panamá), Gustavo Petro (Colômbia), Claudia Sheinbaum (México), Pedro Sánchez (Espanha) e Vladimir Putin (Rússia) e com os primeiros-ministros Mark Carney (Canadá) e Luís Montenegro (Portugal).
Os Estados Unidos nomearam Laura Dogu como a nova chefe de sua missão diplomática na Venezuela, em um processo para restaurar as relações tensas após a queda do presidente deposto Nicolás Maduro, disse uma fonte diplomática à AFP nesta quinta-feira (22).
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Este é o cargo mais alto em uma representação diplomática depois de um embaixador. A nomeação de Dogu também marca uma maior mudança nas relações entre Washington e Caracas, que estavam rompidas desde 2019.
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Dogu consta como chefe da missão no site oficial da embaixada dos EUA na Venezuela, informação confirmada à AFP por uma fonte interna sob condição de anonimato.
Washington e Caracas estão em um processo de retomada “gradual” das relações na Venezuela pós-Maduro.
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Altos diplomatas americanos viajaram a Caracas em 9 de janeiro para avaliar a reabertura da embaixada, fechada desde 2019. Entre eles estavam John McNamara, o principal diplomata americano na vizinha Colômbia, e outros membros da equipe.
Dogu foi embaixadora dos Estados Unidos na Nicarágua, cujo presidente de esquerda, Daniel Ortega, é um dos poucos aliados da Venezuela na região. A diplomata chefiou essa delegação desde 2015.
Entre 2012 e 2015, ela atuou como vice-chefe de missão na embaixada dos EUA na Cidade do México.
Os Estados Unidos lançaram uma operação militar na Venezuela em 3 de janeiro que capturou Maduro e o transferiu, juntamente com sua esposa, para Nova York, onde ambos enfrentam julgamento por acusações de tráfico de drogas.
Delcy Rodríguez, que foi sua vice-presidente, assumiu o cargo temporariamente sob forte pressão de Donald Trump, que disse tê-la em alta consideração e a convidou para a Casa Branca em uma data ainda a ser definida.
O presidente americano afirma estar no comando da Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo do planeta.
Após quatro dias de buscas, Boro, o cão de Ana García Aranda, de 26 anos, uma das sobreviventes do acidente de trem de alta velocidade na Andaluzia, Espanha, que deixou pelo menos 45 mortos e 151 feridos, foi localizado e resgatado na quarta-feira.
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O cachorro viajava com Ana e sua irmã Raquel — que está grávida e atualmente hospitalizada em estado grave — quando o acidente aconteceu. Equipes de resgate ajudaram as duas mulheres a sair do vagão parcialmente inclinado. Já do lado de fora, Ana viu brevemente seu cachorro, que logo em seguida fugiu. Após receber atendimento médico, ela iniciou uma campanha pública para encontrá-lo.
Algumas horas atrás, grupos de voluntários organizados para procurar Boro, que tem sete anos, relataram tê-lo avistado, mas ele fugiu novamente por medo. Mais tarde, um grupo de bombeiros o encontrou e o capturou.
De acordo com o jornal El Mundo, Boro foi imediatamente transferido para se reunir com sua dona, que aguardava o resultado da operação.
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Quando Ana prestou depoimento, angustiada com a saúde da irmã e o paradeiro desconhecido de Boro, milhares de pessoas amplificaram seu apelo, compartilhando o vídeo da entrevista. Fotos de Boro, um cão de porte médio, preto e sem raça definida, com sobrancelhas brancas e um tufo de pelo branco no peito, viralizaram, juntamente com informações de contato de Ana e sua família.
Imagens do local do acidente, transmitidas pela emissora estatal TVE na segunda-feira (19), mostraram um cachorro parecido com Boro correndo por um campo perto da área cercada onde investigadores e equipes de resgate continuavam a busca por vítimas e evidências. No entanto, o cachorro não foi encontrado naquele momento.
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Em entrevista ao programa “El Programa de Ana Rosa”, Ana relatou o acidente e o resgate. Ela afirmou que viajava no trem Iryo, na linha Málaga-Madri, e que seu vagão descarrilou, mas não capotou completamente. Indicou que foi evacuada por uma janela, enquanto sua irmã permaneceu inconsciente e foi posteriormente resgatada pelos bombeiros.
— Eu estava viajando no trem Iryo de Málaga para Madri. Eu estava no vagão 7, que descarrilou. Quase tombou completamente. Eu tive sorte, mas minha irmã não, e ela está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Pensei: ‘É o meu fim’. Me virei, olhei para minha irmã como se fosse dizer ‘adeus’ e tudo ficou escuro. Só gritos. Tentei ir até ela e me disseram que eu estava pisando em uma criança, então não consegui chegar lá. Havia muitos pedaços do trem no caminho — disse ele.
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Então ela continuou:
— Eles me puxaram para fora por uma janela enquanto eu via minha irmã inconsciente e grávida do outro lado. Comecei a gritar para todos que ela estava grávida, e então, quando os bombeiros chegaram, foram até ela e a tiraram de lá. Não sei mais nada, só que ela está na UTI. No momento, não sabemos o prognóstico dela. É como um filme de terror.
Raquel permanece internada em estado crítico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Reina Sofía, em Córdoba. As duas irmãs, originárias de Málaga, vivem e trabalham em Madri: Ana é professora e Raquel é advogada. Elas viajaram para sua cidade natal para passar o fim de semana com a família devido à saúde frágil da avó.
Com informações da AP
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta quinta-feira que os documentos para um acordo destinado a encerrar a guerra com a Rússia estão “quase, quase prontos” e anunciou a realização de reuniões trilaterais entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia nos Emirados Árabes Unidos a partir de sexta-feira. As declarações foram feitas em Davos, após um encontro de cerca de uma hora com o presidente dos EUA, Donald Trump, à margem do Fórum Econômico Mundial.
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Segundo Zelensky, parte dos documentos em elaboração trata de garantias de segurança para a Ucrânia, enquanto outros abordam planos econômicos para o futuro do país.
— Estamos próximos das garantias de segurança. Vamos ser honestos: o documento está pronto — disse o presidente ucraniano em inglês. — Temos questões no pacote econômico, mas acho que está 90% concluído.
O encontro entre Zelensky e Trump terminou após aproximadamente uma hora, de acordo com o porta-voz da Presidência da Ucrânia, Serhii Nykyforov. Ele informou que, ao final da reunião, os dois líderes tiveram uma breve conversa a sós. O assessor de mídia de Zelensky, Dmytro Lytvyn, afirmou que a duração exata não foi contabilizada, mas classificou o encontro como bom.
Trump também avaliou positivamente a reunião. Falando a jornalistas, disse que o encontro foi “bom” e voltou a afirmar que a guerra entre Rússia e Ucrânia “precisa acabar”.
— Esperamos que isso aconteça —declarou, acrescentando que representantes dos Estados Unidos devem se reunir com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na sexta-feira.
Em publicação nas redes sociais, Zelensky descreveu o encontro com Trump como “produtivo e substantivo”. Segundo ele, os dois discutiram temas relacionados à defesa aérea da Ucrânia. O presidente ucraniano agradeceu ao líder americano pelo pacote anterior de mísseis de defesa aérea fornecido por Washington e afirmou ter solicitado um novo envio.
“Nossa reunião anterior com o presidente Trump ajudou a fortalecer a proteção do nosso espaço aéreo, e espero que desta vez possamos reforçá-la ainda mais”, escreveu Zelensky.
Ao falar com jornalistas após um discurso em Davos, o presidente ucraniano disse que as equipes de Kiev e Washington trabalham quase diariamente na elaboração dos documentos.
— Nos reunimos com o presidente Trump, e nossas equipes estão trabalhando quase todos os dias. Não é simples — afirmou.
Mais tarde, em discurso ao Fórum Econômico Mundial, Zelensky reconheceu que seu “diálogo” com Trump “não foi simples”, mas reforçou que o encontro foi positivo.
Durante sua participação no evento, Zelensky também fez críticas aos líderes europeus em relação à segurança do continente. Ele afirmou que, um ano após ter defendido em Davos que a Europa precisava saber se defender, a situação permanece inalterada.
— Um ano se passou. E nada mudou. Ainda estamos numa situação em que preciso repetir as mesmas palavras — disse, acrescentando que a Europa precisa “agir agora”.
A guerra na Ucrânia se aproxima do quarto aniversário desde a invasão russa em grande escala. Zelensky afirmou que as reuniões trilaterais anunciadas ocorrerão após a visita da equipe de negociação americana a Moscou, prevista para o dia anterior. Segundo ele, os encontros nos Emirados Árabes Unidos terão duração de dois dias.
— Os russos precisam estar prontos para fazer concessões porque todos precisam estar prontos, não apenas a Ucrânia — afirmou o presidente ucraniano. — Isso é importante para nós.
Em atualização.
O governo nicaraguense, liderado por Daniel Ortega e Rosario Murillo, libertou 38 pessoas que foram presas por comemoraram, nas redes sociais, a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, informou nesta quarta-feira uma ONG. A Monitoramento Azul e Branco, que compila relatórios sobre violações de direitos humanos na Nicarágua, registrou pelo menos 71 prisões entre 3 e 8 de janeiro por pessoas que comemoraram ou expressaram apoio à captura de Maduro, aliado de Ortega e Rosario, durante uma operação militar dos EUA.
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“O que confirmamos […] é que 38 pessoas desse grupo foram libertadas”, disse a porta-voz da ONG, Claudia Pineda, em entrevista ao jornal digital 100% Noticias, também exilado.
Pineda, que não forneceu mais detalhes sobre as datas de libertação, indicou que os libertados foram colocados sob um regime de “relatório e controle”, no qual devem “relatar cada movimento que forem fazer”. Até o momento, o governo nicaraguense não se pronunciou sobre essas libertações, ao contrário do que aconteceu no início de janeiro, quando anunciou a soltura de “dezenas” de membros da oposição e críticos presos sob pressão dos Estados Unidos.
O Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA recentemente repreendeu o “regime ilegítimo de Rosario e Ortega” por prender nicaraguenses por “curtirem” publicações em redes sociais e exigiu a libertação de todos os presos políticos.
Na última quinta-feira, Ortega juntou-se ao clamor pela libertação de Maduro, que, juntamente com sua esposa Cilia Flores, enfrenta julgamento em Nova York por suposto tráfico de drogas.
O número de mortos na colisão entre dois trens no sul da Espanha, ocorrida neste domingo (18), subiu para 45, após um novo corpo ser encontrado na manhã desta quarta-feira no local da tragédia. As autoridades espanholas seguem investigando as circunstâncias do acidente, enquanto equipes de resgate e peritos continuam atuando na área. O governo regional acompanha a situação e presta assistência às famílias das vítimas.
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Como ocorreu o acidente
O acidente aconteceu quando um trem da empresa espanhola Iryo, que viajava de Málaga com destino a Madri, descarrilou e invadiu a linha adjacente, por onde trafegava um trem de outra empresa, a Renfe, que seguia de Madri para Huelva, informou a operadora da rede ferroviária pública da Espanha, a Adif. O segundo trem também descarrilou, e parte dos vagões de uma das composições caiu em um barranco de cerca de quatro metros.
Esta captura de vídeo, feita a partir de imagens geradas por usuários em redes sociais e verificadas pelas equipes da AFPTV em Madri, mostra equipes de emergência trabalhando após um acidente ferroviário em Adamuz, no sul da Espanha
AFP
“O impacto foi terrível, fazendo com que os dois primeiros vagões do trem da Renfe fossem arremessados para fora dos trilhos”, afirmou o ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, em publicação na rede social X.
Repercussão internacional
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, declarou que “essa noite é de profunda tristeza para o nosso país”. “Quero expressar minhas mais profundas condolências às famílias e entes queridos das vítimas. Nenhuma palavra pode aliviar tamanho sofrimento, mas quero que saibam que todo o país está com eles neste momento tão difícil”, escreveu no X.
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O presidente francês, Emmanuel Macron, também se pronunciou, afirmando que seus “pensamentos” estão com as vítimas do acidente ferroviário, que classificou como “uma tragédia”, e prometendo o apoio de seu país à Espanha. “Uma tragédia ferroviária atingiu a Andaluzia. Meus pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e todo o povo da Espanha. A França se solidariza com eles”, escreveu Macron no X, na noite de domingo.
*Esta matéria está em atualização

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